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Diário da Resistência


Trump culpa a imprensa pelas bombas que a retórica dele incentivou
Reprodução
Cartas da Heloisa

Trump culpa a imprensa pelas bombas que a retórica dele incentivou


25/10/2018 - 18h15

Azenha,

Tá esquisito… A situação aqui é bem estranha.

Imagine nove explosivos entregues pelo correio ou por um serviço de remessas, endereçados, quase todos eles, a expoentes do partido Democrata.

As exceções por enquanto: o ator Robert DeNiro e John Brennan, ex-diretor da CIA no governo Obama que foi achincalhado por Donald Trump.

Os alvos todos têm em comum uma ideologia mais liberal e o fato de estarem sempre na mira de Trump. Você me pede exemplos? Vamos lá.

Primeiro alvo, na segunda-feira: George Soros. O pacote foi entregue na casa dele, em Westchester. O milionário não estava em casa. Mas está sempre presente nas campanhas de causas liberais, dando apoio aos candidatos democratas.

Em seguida, Hillary Clinton. O pacote não chegou à casa da ex-Secretária de Estado. Foi interceptado antes pelo Serviço Secreto. Mas não preciso reavivar a sua memória sobre as relações Trump-Hillary.

Nos comícios que ele faz, na noite desta quarta-feira foi a mesma coisa, os eleitores sempre gritam: lock her up!

Ou seja: prenda ela. Um bordão que Trump lançou durante a campanha presidencial a respeito da então adversária Hillary.

Entre os destinatários das bombas também estavam Barack Obama – Trump continua competindo com o antecessor em tudo.

Cita Obama o tempo inteiro para dizer que é muito melhor do que ele e que vai desfazer o que o ex-presidente fez, o ex-Procurador Geral do Governo Obama, Eric Holden, e a deputada democrata da Califórnia Maxine Waters.

Sabe como Trump se refere a ela nos comícios? “Uma pessoa de QI baixo”.

Maxine declarou que não tinha pena de assessores de Trump que são vaiados em público e expulsos de restaurantes depois que o dono de um restaurante recusou mesa para a família da porta-voz da Casa Branca.

Trump respondeu com uma ameaça: “cuidado com o que você deseja”.

Pode ser que eu seja muito presa a certos padrões de comportamento…

Mas pode ser também que a postura de um presidente tenha algum peso no comportamento de muita gente. Pode ser que as palavras tenham peso, valor e consequência.

Na manhã desta quinta-feira, mais duas cartas-bomba foram encontradas.

Uma enviada para o ex-vice-presidente Joe Biden, crítico declarado do Presidente Donald Trump, e outra que tinha como destinatário o ator Robert DeNiro.

A bomba para DeNiro foi enviada para o escritório dele aqui em Nova York. DeNiro foi ovacionado em junho, durante a entrega do prêmio Tony, quando mencionou Donald Trump. Ele não disse muita coisa.

Foi aplaudido o triplo do tempo que levou para dizer apenas uma frase: “Vou dizer apenas uma coisa: foda-se o Trump”. Desculpa o palavreado mas foi ele que disse.

Bom, o outro alvo, como você já deve estar sabendo, foi o prédio da CNN aqui em Nova York.

O pacote foi endereçado ao ex-diretor da CIA John Brennon. Ele é um crítico ferrenho de Trump. Sempre foi.

Por isso, o presidente retirou o acesso que Brennon tinha a informações confidenciais do serviço secreto. Algo inédito por aqui.

Bom, fato é que Brennon nem trabalha na CNN. Ele é comentarista da NBC. Erraram de lugar… Ou queriam chegar ao edifício e não à pessoa.

A CNN está sempre nos discursos de Trump. Ele chama a emissora de fake news. A briga é acalorada e constante.

Com essa ameaça de bomba, só piorou. Os jornalistas da CNN passaram o dia inteiro praticamente dizendo que a culpa de tudo isso é do Presidente.

Que tudo aconteceu por causa do discurso de ódio que ele alimenta.

De novo… talvez eu seja muito presa a certos padrões de comportamento, mas acho que esse discurso cabe na boca de analistas, políticos da oposição, mas não deveria ser feito por profissionais do jornalismo.

Então, como ia dizendo, tá tudo muito esquisito…

Depois de um dia inteiro de descobertas de novos pacotes suspeitos, entrevistas de governador, prefeito, chefe de polícia, comentários seguidos de especialistas, ex-agentes do FBI, etc., etc., Trump foi a um comício em Wisconsin.

Democratas e Republicanos estão disputando o controle da Câmara e do Senado dentro de 12 dias. Tem muita coisa em jogo.

E o que o Trump fez no comício? Primeiro, condenou as ameaças que ocuparam o noticiário o dia inteiro. Disse que esses explosivos que não explodiram são um ataque à democracia. Pausa.

Muda de parágrafo e lá vem ele. Trump responsabilizou a imprensa pelos ataques que faz a ele, as comparações a vilões mundiais, as críticas ao comportamento moral do presidente.

Ou seja, como sempre, tudo gira em torno dele. Contra ou a favor, falem sempre de mim. Vida que segue no império..

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1 comentário

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Oto Lindenbrock Neto

31 de outubro de 2018 às 12h07

Qualquer semelhança NÃO será mera coincidência.

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