USP denuncia censura da Meta à revista científica Saúde e Sociedade

Tempo de leitura: 3 min
Foto: Reprodução Cebes

Em carta aberta, editores questionam falta de transparência no Instagram e alertam para riscos à circulação do conhecimento científico. Perfil da revista foi desativado permanentemente

No site do Cebes

A revista científica Saúde e Sociedade, vinculada à Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), divulgou uma carta aberta denunciando a desativação permanente de seu perfil no Instagram pela Meta. A conta @saudesociedade, que reunia mais de 7.200 seguidores e registrava 130 mil visualizações mensais, foi bloqueada em setembro, durante o período eleitoral, sem justificativa específica.

Carta aberta publicada nesta sexta, 29/10, alerta para as consequências da concentração do controle sobre a circulação de informações científicas nas plataformas digitais. Criada em 1992 pela Faculdade de Saúde Pública da USP e pela Associação Paulista de Saúde Pública, a revista conta com apoio do Programa de Jornalismo Científico da FAPESP.

As restrições começaram em 17/9, quando a plataforma passou a impedir publicações, interações e a localização do perfil em buscas. Segundo a equipe editorial, a Meta informou apenas que a conta poderia estar associada a outra que teria violado seus padrões de comunidade, sem identificar a suposta infração. A revista, apresentou recursos, mas a desativação definitiva foi confirmada em 19/09. A equipe editorial da revista perdeu o acesso ao acervo de publicações anteriores.

O episódio coincidiu com o 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, em Manaus, quando a revista lançava sua edição especial de 30 anos. O 10º CSHS marcou uma mobilização de pesquisadores, estudantes e profissionais de Saúde Coletiva em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e da candidatura do presidente Lula.

Restrições levantam suspeitas sobre atuação da Meta

Os editores Saúde e Sociedade relatam que, desde 2025, vinham identificando diferenças no alcance de conteúdos publicados. Postagens sobre democracia, regulação das plataformas e mobilização política apresentaram quedas expressivas de audiência. Publicações com imagens de pessoas negras ou relacionadas aos povos indígenas também tiveram desempenho inferior à média. A carta pondera, porém, que os resultados são preliminares e não permitem estabelecer as causas dessas diferenças.

As eleições brasileira foram marcadas por denúncias de interferência da Meta. A empresa chegou a suspender anúncios do presidente reeleito em plena campanha. A organização não-governamental Ctrl-Z compilou milhares de casos de restrições de conteúdo, incluindo banimento e suspensão de perfis progressistas, além de redução de visibilidade (“shadow ban”).

“É como abrir uma loja na rua e querer decidir quem pode ou não entrar”, critica o presidente do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), Carlos Fidelis. O desequilíbrio digital nas eleições do Brasil foi denunciado por peritos da ONU. “Perder alcance pode significar perder voz no debate público e a capacidade de mobilizar comunidades”, afirmam.

Qual a Democracia que a Meta não impulsiona?

O Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) teve recusada a tentativa de impulsionamento de sua campanha de novos associados. A ação, lançada em setembro no perfil oficial @cebesbrasil, relacionava o direito à Saúde à democracia e participação social.

Apoie o VIOMUNDO

Após a rejeição da publicação, foi tentado impulsionamento de peça publicada na revista Radis, da Fiocruz, com o lema histórico da Reforma Sanitária “Saúde é Democracia, Democracia é Saúde” e QR code de associação. O anúncio também foi rejeitado, apesar de não citar candidatos ou partidos.

Leia também

Paulo Kliass: Ajuste fiscal é golpe!

Geandro Ferreira Pinheiro: Os irmãos siameses da privatização do SUS

Marcelo Zero: Não existe mais direita “civilizada” no Brasil

Apoie o VIOMUNDO


Siga-nos no


Comentários

Clique aqui para ler e comentar

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Leia também