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Tribunal condena barão do amianto a 18 anos de prisão: “Um hino à vida”

06 de junho de 2013 às 23h10

Os procuradores italianos Raffael Guarinielo, Sara Panelli e Gianfranco Colace. Sara e Colace chegam ao Brasil na segunda-feira 10

por Conceição Lemes

Em 13 de fevereiro de 2012, a Corte de Justiça de Turim, Itália, condenou a 16 anos de  prisão os ex-proprietários da Eternit, o barão belga Louis de Cartier de Marchienne e o magnata suíço Stephan Schmidheiny. É o maior processo criminal de todos os tempos por danos a trabalhadores e ao meio ambiente.  O processo diz respeito à morte de 2.500 pessoas, vítimas do cancerígeno amianto.

Nessa segunda-feira, 3 de junho, o Tribunal de Turim confirmou a decisão de primeira instância, aumentando a pena de Schmidheiny de 16 para 18 anos de prisão. Como o barão belga faleceu antes da promulgação da sentença, pela lei italiana, sua culpa criminal está extinta.

A família Schmidheiny foi dona do império Eternit  por quase um século. No Brasil estiveram de  1939 até o final da década de 1980. Na prática, porém, seu domínio e influência estendeu-se oficialmente até final dos anos 1990 através da participação de suas empresas, entre as quais a Amindus.

O promotor italiano Raffaele Guariniello comemorou: “A sentença é um hino à vida. É um sonho que se torna realidade”.

Guariniello considera o julgamento “um ponto de referência para todos os processos por desastre ambiental”.

Na época em que era também dono da Eternit no Brasil, Schmidheiny esteve pessoalmente na fábrica da empresa em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, hoje desativada.

“Esta decisão da Justiça italiana, reiterando a anterior, busca promover a Justiça para os injustiçados do amianto, que tiveram suas vidas ceifadas pela “fibra killer”, a chamada catástrofe sanitária do século XX”, festeja a engenheira Fernanda Giannasi, auditora fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego, em São Paulo. “Como diz a protagonista desta luta na Itália, Romana Blasotti Pavesi, o que moveu tenazmente as famílias das vítimas, ao longo desses anos todos, não foi o sentimento de vingança e, sim, a busca por JUSTIÇA e que, agora, a ‘Justiça foi feita’.”

Romana Blasotti Pavesi tem mais de 80 anos. Ela perdeu marido, filha, cunhado, sobrinho e a irmã para o amianto. Só que, exceto o marido, ninguém deles trabalhou na fábrica da Eternit em Casale Monferrato, na Itália, o que mostra que a fibra cancerígena não é apenas problema de saúde do trabalhador, mas também de saúde pública.

Sem dúvida, uma grande vitória do movimento social e ambiental mundial.

O próximo round será no Brasil.

Os procuradores italianos Sara Panelli e Gianfranco Colace, que trabalharam arduamente neste caso com Dr. Raffaele Guariniello, chegam ao Brasil na próxima segunda-feira, 10 de junho. Vêm acompanhados dos sindicalistas Bruno Pesce e Nicola Pondrano, também italianos.

Na terça-feira 11, participarão de eventos no Paraná, maior estado produtor de artefatos de amianto do país. Atualmente, na cidade de Colombo, fica a sede industrial da Eternit.

De lá, eles partem para Campinas, onde no dia 12 se reúnem com os colegas Procuradores Federais do Trabalho para troca de experiências.

No dia 13, os sindicalistas italianos participarão de conferência em São Bernardo do Campo, no ABC paulista,  a convite do Cerest (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador)e outras entidades ligadas à saúde, trabalho e meio ambiente.

 Leia também:

CUT ao STF: Amianto é questão de saúde pública e direitos humanos

Fernanda Giannasi: Schmidheiny, o poderoso chefão do amianto?

 

7 Comentários escrever comentário »

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Vítimas do amianto e CUT querem que Itamaraty retire honraria de ex-dono da Eternit - Viomundo - O que você não vê na mídia

06/01/2014 - 14h22

[…] Tribunal condena barão do amianto a 18 anos de prisão: “Um hino à vida” […]

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Sônia Bulhões

07/06/2013 - 21h18

Para as pessoas que não sabem, em São Paulo, o Deputado Estadual Marcos Martins tem um PL aprovado a fim de banir o uso do amianto no Estado que sofre pressões muito fortesdos lobies das multi para revogar a Lei e impedir que se torne jurisprudência para banimento do amianto a nível nacional. A Eternit funcionou décadas em Osasco – SP razão das inúmeras mortes por asbestose e câncer de pulmão de trabalhadores contaminados. É também em Osasco que está a sede nacional da ABREA – Associação Brasielria dos Expostos ao Amianto. Nos processos trabalhistas, as empresas oferecem de 10 mil a 15mil reais às famílias dos contaminados e a extensão do convênio de assistência médica. As pessoas têm muito sofrimento e agonia até o desenlace da vida. É preciso que a sociedade seja alertada e faça a divulgação: troque as caixas d’água, os telhados etc. Há também os contaminados da Lonaflex – lonas de freios que também era aqui em Osasco, hoje instalada no Sul.

Espero que o uso do amianto seja banido no Brasil inteiro.

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Valcir Barsanulfo

07/06/2013 - 18h54

No Brasil o Lobby do AMIANTO é muito forte, conta o governador de Goiás Marconi Pirillo, DEMOstenes kachoeira Torres e até com o ex-presidente do stf(minúsculo) Gilmar Dantas(segundo noblat).

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Eunice

07/06/2013 - 13h32

E daí??????

No Brasil compra-se produto de amianto em cada lojinha de material de construção.

Esse produto nasce nojento e morre nojento, pois não há coisa mais nojenta do que um telhado de amianto podre, cheio de fungos fedidos.

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Lucas Parente

07/06/2013 - 09h45

Recomendo esse programa muito interessante veiculado pela TV Escola:

http://www.youtube.com/watch?v=zkYKfpqkEkg

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    renato

    07/06/2013 - 10h13

    Muito bom mesmo Lucas, inclusive a tv escola é de tirar o chapéu.

Mardones

07/06/2013 - 08h55

Espero que isso tenha frutos aqui no Brasil também.

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