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Igor Felippe: As perdas de oportunidades do governo Dilma

publicado em 23 de abril de 2012 às 13:40

por Igor Felippe Santos, em O Escrevinhador

“Uma balsa não tem popa nem proa. É quadrada e, às vezes, navega de lado, gira sobre si mesma imperceptivelmente, e como não há pontos de referência, não se sabe se avança ou retrocede”

O escritor Gabriel García Márquez descreve assim no livro “Relato de um náufrago” o drama de um homem que ficou 10 dias à deriva numa balsa, sem comida nem bebida, que acabou virando herói da pátria, mas depois foi esquecido para sempre.

Apesar de se empanturrar com números e números de pesquisa de opinião, o governo Dilma Rousseff parece navegar de lado ou dar voltas em torno de si mesmo sobre uma balsa, levado pelo movimento do mar e sem força para fazer o Brasil avançar com firmeza.

O governo mantém o procedimento de “convivência pacífica” com os inimigos das mudanças progressistas e, assim, não demonstra coragem nem iniciativa política de aproveitar oportunidades que poderiam minar esses setores, alterar a correlação de forças e abrir o caminho para transformações profundas.

O lançamento do livro “A Privataria Tucana”, do repórter Amaury Ribeiro Jr, por exemplo, tirou a poeira do debate sobre as privatizações e do crime de lesa pátria, nas palavras do jurista Fábio Konder Comparato, cometido no governo FHC.

As denúncias criaram um clima de indignação em setores importantes na sociedade, mas a covardia do governo – que  enquadrou o presidente da Câmara, Marco Maia, e brecou a instalação da CPI da Privataria Tucana, que tinha assinaturas necessárias para a instalação – foi um banho de água fria.

A investigação das privatizações do FHC pode ter um papel pedagógico e politizar o povo brasileiro com a defesa de um novo projeto para o país, colocando a sociedade em movimento para fazer justiça, julgar e prender todos os responsáveis pelos roubos e retomar as empresas privatizadas, enterrando o neoliberalismo e recompondo o poder do Estado.

Além disso, o governo poderia aproveitar a insatisfação de setores da indústria de transformação, que reagem ao processo de desindustrialização da economia brasileira, que mobiliza também as centrais sindicais. A crise nacional com a perda de força da indústria é grave.

A participação da indústria no PIB (Produto Interno Bruto) retrocedeu ao patamar de 1956, com os 14,6% de 2011. O pico da indústria foi em 1985, quando chegou a 27,2% do PIB. Para reverter essa quadro e apear o poder dos bancos e do capital financeiro, é necessário baixar substancialmente os juros da taxa Selic, controlar o câmbio e renegociar os títulos da dívida pública que consomem anualmente 500 bilhões de reais.

No entanto, o governo lançou mão de um pacote para a indústria com medidas limitadas, baseado em desoneração da folha de pagamento e isenção de impostos (políticas de corte neoliberal), a diminuição dos juros dos bancos públicos e queda da taxa de juros Selic.

Os oligopólios dos meios de comunicação também poderiam ser enfrentados, uma vez que a cada dia que passa aumenta a desmoralização dos jornais, revistas, rádios e TVs controlado pelos setores mais conservadores. O envolvimento de um editor da revista Veja com a rede criminosa do bicheiro Carlinho Cachoeira e do senador Demóstenes Torres, até então grande líder do DEM, é motivo suficiente para que se apresente um marco regulatório dos meios de comunicação.

De que adianta a presidenta Dilma bater recordes de popularidade, tendo um governo avaliado como ótimo ou bom por 64% dos brasileiros, de acordo com pesquisa divulgada nesta semana pelo Datafolha, se não enfrenta os setores conservadores nem faz mudanças profundas na sociedade brasileira?

Ausência das lutas de massas

Enquanto o governo gira sobre si mesmo e não avança, as forças da classe trabalhadora não conseguiram avançar na consolidação de bandeiras unitárias e na organização de lutas de massas, que pudessem enfrentar os interesses da classe dominante e sustentar avanços substanciais.

Se as centrais sindicais, movimentos sociais e organizações estudantis construíram uma grande unidade em 2010, houve de lá pra cá um processo de desarticulação. As bandeiras de lutas que foram construídas nesse período, que poderiam ter força para envolver toda a sociedade brasileira, criar força social e recolocar em movimento a classe trabalhadora, perderam força.

A luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários, que reuniu o conjunto das organizações dos trabalhadores, não se converteu em lutas de massas. Sem pressão, dificilmente será votado o projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados define a redução da jornada para 40 horas semanais.

Em vez disso, a discussão sobre a reforma sindical, com foco no imposto sindical, é objeto de maior atenção das centrais sindicais, que estão divididas em relação ao tema. Ou seja, em vez de convergência em torno de bandeiras que coloquem em xeque os interessas da burguesia, as centrais se lançam em uma campanha que, para a sociedade, não passa de uma discussão corporativa.

A bandeira da destinação de 10% do PIB para educação, que faz parte do debate do Plano Nacional de Educação, que tramita no Congresso, envolveu apenas entidades que atuam no setor educacional. Com a aprovação dessa medida, esses recursos seriam destinados para a estrutura das escolas (construção e reforma), pagamento de salário aos professores, melhorar a qualidade do ensino público e ampliar do acesso às universidades.

No campo, os movimentos sociais e os sindicatos de trabalhadores rurais e da agricultura familiar encontraram um denominador comum e construíram uma unidade política não vista nos últimos 10 anos. Existe uma expectativa no sentido de construção de um calendário de lutas comum e a realização de um grande encontro que reúna camponeses, sem terra, pequenos agricultores, indígenas e quilombolas neste ano.

Mesmo assim, o fortalecimento da agricultura familiar e a realização da Reforma Agrária, que dependem da derrota do agronegócio, não contagiam o conjunto da sociedade como mudanças estruturais necessárias para acabar com a pobreza no campo, desconcentrar a terra, gerar renda e empregos nas áreas rurais e produzir alimentos saudáveis sem agrotóxicos.

O desalento com esse quadro aumenta quando olhamos para o nosso país vizinho, a Argentina, onde a presidenta Cristina Kirchner retomou o controle do petróleo e do gás com nacionalização da empresa petroleira espanhola YPF.

Lá parece que o impossível é possível, enquanto aqui há um soterramento das perspectivas de transformações a palmos e palmos de terras no cemitério da realpolitik. Que os ventos que vem das terras argentinas contagiem as organizações da classe trabalhadora brasileira e o governo a colocar em pauta medidas que possam criar condições para a realização de reformas estruturais no Brasil.

Igor Felippe Santos é jornalista, editor da Página do MST, do conselho político do jornal Brasil de Fato e do Centro de Estudos Barão de Itararé.

Leia também:

Capobianco: Na questão ambiental, governo Dilma é pré-histórico

 

41 Comentários para “Igor Felippe: As perdas de oportunidades do governo Dilma”

  1. ter, 24/04/2012 - 12:07
    Cláudio Freire

    Deve-se cobrar de um governo trabalhista mais transformações, para mantê-lo aguerrido na defesa de bandeiras históricas da esquerda. Entretanto, considero que neste artigo o autor mistura alhos com bugalhos.
    No caso da insatisfação de parte da indústria, o autor indica baixar substancialmente os juros, controlar o câmbio e renegociar os títulos da dívida pública. Não tenho informações sobre a renegociação dos títulos. Mas no caso dos juros e do câmbio, entendo que o governo está sim trabalhando. Quer maior rapidez? Ok.
    As outras lutas (CPI da Privataria Tucana e o oligopólio dos meios de comunicação) são fundamentais, mas será que é o governo que tem que fazer isto? Mania de se achar que o governo deve tomar a frente de tudo… Essas são lutas da sociedade organizada, que devem ser travadas pelo PT, no âmbito do Congresso Nacional. Além disso, a CPI do Cachoeira está aí. Neste momento, devemos fazer pressão para que ela vá a fundo e aplique a lei para quem fez coisa errada, independentemente de quem for.

  2. ter, 24/04/2012 - 11:28
    Duarsen

    Enquanto a esquerda brinca de revolucionaria , a presidenta tem um pais para governar

  3. Acho o povo Argentino extraordinário e a Cristina da mesma forma, mas aprendi ao longo da minha vida que não devo deixar que outros façam aquilo que cabe a mim fazer.
    O estado é o reflexo das aspirações de uma sociedade, mas o estado as vezes precisa se ancorar para esperar que toda a tripulação se ajeite e cada um cuide de sua parte.

    Vi ao longo dos 8 anos do Lula ele sendo capitão, contra-mestre e timoneiro, e a tripulação as vezes fazendo festa em hora que deveria está de prontidão. As coisas acontecendo nos estados e municipios e todo o culpado , Lula.
    Com a Dilma infelizmente não está sendo diferente, vejo o momento do manifesto dos 10% para a educação e dos 10% da saúde. Na hora de se defender contra a espoliação da saúde e da educação saem às ruas defender o contrário e agravam, pioram o que já está ruim.
    Professor que pedi CHEQUE SAÚDE não tem moral para cobrar do governo nada não, nem 10% pra educação.
    Medico que fica calado vendo PROFESSOR pedir cheque saúde tão pouco pode sair às ruas pedir 10 % do orçamento para eles não. Parados vendo esse absurdo, vendo o FUNDO DO SUS sendo dilapidado e estão calados ou pior pedindo um pouco do pirão ISSO É ABERRAÇÃO.

    Professor publico fazer propaganda para o serviço privado deveria ir para o paredão, por traição ou antalismo cronico.

    Não, antes de cobrar há de se trabalhar, mostrar serviço, paixão, devoção pela coisa publica, fazer o contrário dá muita angustia. Eu as vezes me coloquei na posição do Lula e agora da Dilma e fico imaginando a decepção desses dois com aqueles que saem às ruas para trabalhar para o inimigo.

    Com relação ao sistema financeiro….aonde está o povo, aonde estão esses sábios criticos do governo que mesmo sabendo que a SulAmérica, Allianz e tantas seguradoras fazem a farra financeira utilizando o medo das pessoas em adoecer. Sangram brasileiros com suas propagandas mentirosas que o sistema privado de saúde é melhor que o publico e tantos servidores brigam por isso, mesmo agora quando o sistema lá nos EUA está falido?

    Não, para criticar tem que mostrar serviço…

    Não conheço todos os detalhes da administração de Cristina, mas os trabalhadores no Brasil não podem cobrar de Dilma nada não. Eu adoraria que o governo federal comprasse a parte do Bradesco na Vale. Não posso pedir agora, afinal não fiz por merecer. Todo trabalhador só ganha remuneração depois de 30 dias de trabalho então devo trabalhar primeiro.

    • ter, 24/04/2012 - 10:53
      Nelson

      Você está coberta de razão em muitos dos teus argumentos, Ana. Porém, não há como negar que o governo Lula ficou devendo muito, mas muito mesmo; o que fez ficou muito aquém do que poderia e deveria ter feito. Quanto ao governo Dilma, infelizmente, até o momento está atuando ainda mais aquém.

      Em tempo. Não sou filiado ao PT, mas votei no Lula em 1994, 1998, 2002, 2006 e na Dilma em 2010.

    • ter, 24/04/2012 - 17:00
      Jotace

      Prezada Ana,
      Certo que você tem suas razões em alguns pontos, como diz o Nelson. Mas não cobre agora do povo transferindo para ele os serviços à Nação que correspondem ao Governo. O povo brasileiro lutou pela eleição de Dilma com todo o empenho, confrontando os vendepátrias e os interesses das transnacionais e para isso enfrentou a mídia corrompida contumaz usuária de métodos que você deve conhecer. Agora cabe à nossa Presidente ter a coragem de enfrentar os desafios. Todos nós que votamos em Dilma temos o direito de esperar isso. O povo, por manter os mesmos ideais, saberá acompanhá-la. Cordial abraço, Jotace

  4. ter, 24/04/2012 - 9:21

    Esse "fenômeno" que envolve o governo Dilma é manjado, chama-se embriaguez.. há tempos os tecnocratas que assumiram esse governo esqueceram as raízes e objetivos do governo popular do PT (tempos idos) para trabalhar para o sistema.. ninguém se arrisca, cumpre-se a receita para manter-se confortavelmente no seio do sistema.. é uma manutenção de status.. todo mundo feliz, só quem se ferra é o povo… o MST que vá acampar na beira da estrada (sem atrapalhar o trânsito)..

    • ter, 24/04/2012 - 17:47
      Jotace

      Oi, Ruiz! Para mim, e estou certo que para uma imensidão de brasileiros, sua crítica tem toda a razão de ser. Talvez não seja o caso daqueles que supõem caber ao povo as obrigações assumidas pelos candidatos antes de eleitos. O povo tem feito sua parte, tem lutado. Mas a acomodação que vem existindo ao nível do governo Dilma é um fato. O caso do MST é típico, no qual o povo não tem contado com o apoio decidido do governo. É mais do que sabido a magna importância do direito à terra, e da promoção da agricultura familiar que produz os alimentos da mesa do brasileiro. A única que considera o meio ambiente e a qualidade dos alimentos produzidos. Da mesma forma, cabe ao governo não se acomodar quanto à sua obrigaçãoo de agir contra os atos dos lesa-pátrias, das transnacionais, e seus defensores como a grande mídia em sua tarefa de corromper. Abs, Jotace

  5. ter, 24/04/2012 - 7:14
    Elton

    Achei o texto bem completo. Diz o porque o governo Dilma deve continuar da forma que esta. Ontem um amigo que considerava esclarecido durante uma conversa sobre politica disse que o Brasil somente funcionaria com o retorno da Ditadura. Fiquei horrorizado e perguntei se ele sabe o que ocorreu na Ditadura, ele disse que sim e completou dizendo que os militares que governaram o pais morreram pobres.
    Quero dizer com isso que infelizmente os brasileiros não são como os argentinos então não podemos exigir uma presidente como a Cristina, o que podemos fazer é invejar a coesão que ocorre por la. Talvez possamos nos consolar dizendo que o Brasil tem dimensões muito maiores que a Argentina. Mas eu diria que enquanto estivermos dormindo ou lutando por sobreviver não olharemos para aquilo que tem realmente valor.

  6. ter, 24/04/2012 - 5:18
    Gerson Carneiro

    Essa falta de coragem do Governo Dilma já discutimos aqui em diversas oportunidades.

    O que vejo são os reiterados deboches do Jair Bolsonaro, e nenhum avanço acontece; os reiterados deboches e mentiras da imprensa, e nenhum avanço acontece; os reiterados deboches da bancada fundamentalista religiosa, e nenhum avanço acontece. E reiterados recuos do Governo Dilma.

    Começo a sentir a sensação de ser eu um cachorro correndo e latindo para os carros que passam.

    "É você olhar no espelho
    Se sentir
    Um grandessíssimo idiota
    Saber que é humano
    Ridículo, limitado
    Que só usa dez por cento
    De sua cabeça animal…"

    [youtube -pbC1QNXTEI&feature=fvst http://www.youtube.com/watch?v=-pbC1QNXTEI&feature=fvst youtube]

  7. ter, 24/04/2012 - 3:50
    Francisco

    Do alto de sua popularidade, se Dilma aparecesse na TV dez segundos durante quinze dias dizendo: "Compre brasileiro!", o debate politico se instalaria, a discussão do sentido de coletividade, de projeto nacional, de industria nacional, s
    E a direita não poderia (nem teria porque) reclamar de nada, uma vez que seu pavor agora é a desindustrialização. Fez? Não. Porque? Porque é ruim. Sempre voua conexão com a educação técnica e superior… Show de bola!!!
    to socialista desde o meu primeiro voto, mas sempre tive muita clareza sobre isso: o PT é o melhor partido brasileiro HOJE. Mas o PT não é o melhor partido que poderia ser. Minha cidade, Aracaju, é governada por um comunista, meu estado por um petista e meu país por uma ex-guerrilheira. E daí?

    Estou à mesma distância da utopia, que estaria se o meu prefeito/governador/presidente fosse ACM Neto…

  8. seg, 23/04/2012 - 21:55
    trombeta

    Esquerdinha chata e resmunguenta, sempre insatisfeita.

    Roteiro conhecido.

  9. seg, 23/04/2012 - 21:17
    PAULO

    É POSSIVEL COM UM MILHÃO DE ASSINATURAS FORÇAR A VOTAÇÃO DE UMA LEI SOBRE AS TELECOMUNICAÇÕES?

  10. seg, 23/04/2012 - 20:06
    Walter Decker

    O articulista exagerou. É óbvio que houveram avanços significativos e bastante contundentes no país com o governo do PT. Demos uma grande guinada. Porém também é fato que o PT tem medo de peitar o PIG e os milicos. Sempre evitam qualquer embate franco e aberto, ao contrário do governo Kirchner. Se aqui, como na Argentina, temos um governo de esquerda com alta aprovação, o que falta para peitar o PIG e botar os torturadores na cadeia ? Ou pelo menos se posicionar de forma clara quanto a isso ?

  11. seg, 23/04/2012 - 19:43
    Francisco E. Guerra

    Que baboseira.

    Possivelmente, o cavalheiro aprova a atuação de deputados do PSOL que, sem constrangimento algum, se une ao PSDB/DEM/PPS nas críticas ao governo.

    Quem está na "balsa" é o Igor e não o governo.

    No princípio da divulgação do caso veja/demóstenes cheguei a pensar que o destaque dado ao caso parecia ser uma manobra de cerra, dantas e seus corregilionários do PIG, para obstar a CPI da privataria tucana. No entanto, a dimensão que o escândalo tomou me fez mudar de idéia.

    A razão é simples. Quem é o inimigo principal a ser combatido? cerra? o concorrente do maradona, segundo o coro do mineirão? agripino maia (hahahá)? Quem afinal? Ora, para mim é a resposta salta aos olhos: É o PIG. Destes, nesta ordem: civita, marinho e frias, depois os demais.

    A oposiçao parlamentar é pequena e , sobretudo, fraca. Não dispõe de líderes de peso, de pessoas capazes de motivar e mobilizar o povo. Mas o PIG é forte. Foi capaz de forjar criminosos, como demostenes, líderes temidos. Foi capaz de impingir a um medíocre, como cerra, a aura de bom administrador.

    Confio, como sempre, no faro do presidente Lula. Lá trás, ele sacrificou parte do PT em busca de alianças e a eleição de políticos de outros partidos vinculados a base de apoio de DIlma. Com isso "matou" políticos de renome da oposição, como arthur virgílio , cesar maia, marco maciel e outros. Lula jogou pesado na criação da CPMI veja/demostenes e deixou de lado a pressão para criada da CPI da privataria. Certamente entendo que atacar a verdadeira oposição – o PIG, é mais útil do que chutar cachorro morto, como o cerra.

    • Que posicionamento mais estalinista! A oposição à esquerda é necessária para qualquer governo democrático, mesmo aqueles que se pensam trabalhistas, se não estaremos de volta á idéia do partidão, de uma esquerda bruta e acrítica, o que muito facilmente cai no burocratismo.

      A esquerda não pode ser paudata pela direita, ela tem que colocar suas próprias metas, e se existem críticas a serem feitas ao governo, que seja feitas para o bem da sociedade. Ou você supõe que o PSOL se alia com PSDB?

  12. seg, 23/04/2012 - 19:28
    Gersier

    "se não enfrenta os setores conservadores nem faz mudanças profundas na sociedade brasileira?"
    Isso tem nome: acomodação acovardada.

    • seg, 23/04/2012 - 21:45
      Fabio_Passos

      Concordo. O conformismo – eles se dizem pragmáticos… – é aceitar o sistema com todas as suas falhas e injustiças.
      E quando pensamos no Brasil, um dos países mais injustos do mundo, este conformismo é covardia sim

  13. seg, 23/04/2012 - 19:19
    Leo V

    Na Argentina é possível em grande parte porque lá de fato a ditadura acabou. Passaram a limpo o período. No Brasil os governos civis ainda estão sob a mira da baioneta.

  14. seg, 23/04/2012 - 19:16
    Rasec

    Faz-me rir a revolta!
    Correlação de Forças! Que pena que certa esquerda esqueceu da palavrinha mágica!

  15. seg, 23/04/2012 - 18:56
    EUNAOSABIA

    Por favor, internem a pessoa que escreveu isto.

    Lembram daquele filme onde alguém anda com uma mão espalmada de borracha na cabeça?

    Jesus…

  16. seg, 23/04/2012 - 18:53
    Remindo Sauim

    Muito planfetário para o meu gosto. Queria ver ele sem a Dilma e sem O lula.

  17. seg, 23/04/2012 - 18:00
    Jair de Souza

    Creio que o próprio articulista fornece a justificativa para que o comportamento do governo Dilma esteja sendo o que ele expõe em seu texto. Eu pergunto: como esperar que seja diferente quando o movimento popular está na situação de desmobilização que o articulista menciona? Para mim, não há governo (por mais bem intencionado que seu titular possa ser) que se disponha a levar adiante transformações sociais de magnitude (as quais certamente afetarão os interesses dos poderosos) sem que tenha por trás de si forças de pressão robustas que o impulsem em tal sentido. Ou seja, se queremos que as transformações de base sejam realizadas, o mais importante a fazer é contribuir de alguma maneira para fortalecer os movimentos que poderão sustentar e empurrar o governo no sentido desejado. Podemos culpar o governo quando tais forças existem e estão presentes e os governantes se recusam a avançar. Não me parece ser o caso.

  18. seg, 23/04/2012 - 17:56
    pperez

    Ocorre que a " Balsa Dilma" não gira por si mesma porque tem Lula fazendo papel de leme.
    E, Dilma com sua capacidade tecnica e adminsitrativa vem fazendo o Brasil superar as crises estruturais ou as montadas surpreendendo a todos.O resultado das pesquisas reflete isso!
    Acho que o comentario deixou um pouco a desejar!

  19. seg, 23/04/2012 - 17:47
    zezinho

    O texto começou bem e foi certeiro ao caracterizar o governo como uma balsa sem rumo há 10 anos. Depois degringolou.

    Se as empresas estatais possuíssem apenas cargos técnicos e sem indicações políticas. E além disso não houvesse estabilidade de emprego garantida eu defenderia as estatais. Caso contrário elas não têm como prosperar.

    • seg, 23/04/2012 - 19:31
      Nelson

      “E além disso não houvesse estabilidade de emprego garantida eu defenderia as estatais. Caso contrário elas não têm como prosperar.”

      Eu creio que você vai ter que dar uma boa olhada na história do Brasil – a verdadeira – do século 20, meu caro Zezinho. Você ficará sabendo que o nosso país é o que ainda é hoje graças, em grande parte, às empresas estatais que foram criadas a partir do governo de Getúlio Vargas.
      À parte a ditadura de seu primeiro governo, Vargas pensou no Brasil como um país a desenvolver todo o seu potencial e passou a implementar medidas para tal. Não foi à toa que as forças conservadoras e anti-nacionais internas, aliadas aos interesses do grande capital internacional, o empurraram para o suicídio em 1954, no segundo governo dele.
      Não fosse a coragem do governo Vargas, de ousar e, “remando contra a maré”, colocar com firmeza o Estado a supervisionar ou mesmo dirigir os rumos do país – as empresas estatais foram instrumentos importantíssimos para isso – o Brasil, possivelmente, ainda não teria saído da década de 1920.

    • seg, 23/04/2012 - 19:47
      Nelson

      A partir da década de 1980, meu caro Zezinho, obedecendo cegamente aos do duo FMI/Banco Mundial, os governos brasileiros começaram a minar a capacidade das empresas estatais de investirem no atendimento das necessidades do povo brasileiro.
      O FMI/BM ordenou o não-aumento, ou o aumento somente abaixo da taxa de inflação, para as tarifas e preços cobrados pelas empresas estatais. Era uma política deliberada para inviabilizar essas empresas e destruir a alta reputação que elas mantinham junto ao povo brasileiro. Ao mesmo tempo, foi colocado em ação o aparato midiático de propaganda do sistema capitalista visando a convencer o povo em geral de que a solução milagrosa para todos seria a privatização.
      E conseguiram.
      O (des)governo FHC, em apenas oito anos, privatizou – doou é o termo mais apropriado – quase setenta do patrimônio público brasileiro. Empresas estatais altamente rentáveis ou com grande potencial para gerarem lucros foram doadas ou entregues por quase de graça por FHC para os trabalhadores e o povo em geral? Não. FHC repassou-as para as mãos de grandes empresários privados, já balofos de tantos ganhos amealhados em cima do povo brasileiro.
      Então, Zezinho, todos esses lucros das empresas estatais que antes, mal ou bem, eram em boa parte “socializados” entre os brasileiros, passaram a ser carreados para os cofres de uns poucos. E grande parte ainda passou a ser remetida para o exterior. É só você observar o absurdo crescimento experimentado pelas remessas de lucros e dividendos para o exterior após as privatizações.
      São recursos que acabam faltando aqui dentro do país para garantir coisas básicas como saúde e educação públicas de qualidade, moradia, emprego e saneamento, enfim, uma vida minimamente digna a cada cidadão e cidadã brasileiro e que vão fazer a farra de lucros de uns poucos brasileiros e estrangeiros já apaniguados.

      • ter, 24/04/2012 - 0:00
        Jotace

        Caro Nelson,
        Quanto a certas privatizações, determinadas pelos espíritos ‘bondosos’, ‘desinteressados’ de FHC e do beato Cerra, é preciso ainda considerar aspectos que nem sempre são discutidos. Os minérios de ferro, cobre, ouro, alumínio e, mais recentemente como se apregoa, das terras raras do país, são recursos tão finitos quanto as madeiras valiosas da Amazônia. A exportação deles em quantidades imensas, como está sucedendo, vai torná-los de difícil, altamente onerosa e talvez até impossível exploração no futuro. O outro ‘detalhezinho’ que a mídia e os vendepátrias escondem, é que as madeiras e os minérios são exportados sem nenhum valor agregado, sem criar empregos, sem beneficiar o povo. Jotace

    • ter, 24/04/2012 - 1:01
      ZePovinho

      Até parece que a iniciativa privada coloca nos melhores cargos os mais competentes.Como um discurso desses ainda pode encantar alguém em pleno século vinte e um??????????
      Quem dirige as empresas do Rupert Murdoch,por exemplo?É o filho dele ou alguém pobre,mas inteligente e preparado????????????????????

      • ter, 24/04/2012 - 10:54
        zezinho

        Meu caro, empresa que faz isso não vai pra frente, em algum momento ela se dá mal. É a lei do mercado.
        Além disso o fato de ser público implica ainda mais em cuidado com a gestão.

      • ter, 24/04/2012 - 16:13
        Leonardo

        No mundo capitalista perfeito seria assim. O que temos de grandes empresas familiares mal geridas não está no gibi.
        Abraço

  20. seg, 23/04/2012 - 17:08
    Jairo_Beraldo

    "Não é o governo que precisa mudar seus conceitos… e sim, o povo!"

    Caramba, mas voce está com a mesma mentalidade do governo Dilma. O povo mudou os conceitos,será que voce ainda não percebeu? Neste sábado, 21/0, aconteceu algo que seria impossível há um ou dois anos atras. Mais de 10 mil jovens saíram às ruas, para exigir a saída do maior BANDIDO que este estado de Goiás já produziu. E o governo federal segue na contra-mão daquilo que o povo anseia, tendo um verme como sinistro da justiça, sendo que este meliante deveria ter sido sumariamente expulso do PT à época da farsa do mensalão, quando ele, como Judas Iscariotes, renegou seu presidente e seu partido e foi ser serviçal de outro bandido, também "banqueiro", Daniel Dantas. Está tudo errado.

  21. seg, 23/04/2012 - 16:24
    Regina Braga

    Texto maravilhoso…Só com o texto do Igor,podemos explicar o crescimento da Le Pen.Que a Dilma não perca a oportunidade de mostrar e falar com o povo brasileiro.CPI da Privataria não é só um banho de água fria no povo,mas é a manutenção de uma direita sórdida e covarde.

    • seg, 23/04/2012 - 20:01
      Fabio_Passos

      É isso. Uma oportunidade histórica de promover avanços civilizatórios fundamentais. Não podemos desperdiçar por covardia de enfrentar os interesses da "elite" branca e rica. A pior "elite" do mundo.

  22. seg, 23/04/2012 - 15:08
    Gustavo Pamplona

    Aê PTralhada… sobre a pesquisa Datafalha… bom… a Dilma sabe que aquilo lá não é inteiramente verdade.

    Bom… como vocês as vezes não conseguem enxergar o que eu vejo, quero que vocês analisem isto aqui:
    http://www.conversaafiada.com.br/pig/2012/04/22/p

    O PHA assim como este comentarista que vos escreve não acredta em pesquisas do GLOBOPE e do Datafalha. eu explico:

    No mínimo… no mínimo… estão enchendo a bola dos PTralhas para ver se conseguem demovê-los da idéia de investigar os podres do PORCO ou é aquela velha história de fazer com que a Dilma se pareça melhor que aquele apedeuta que vocês tanto amam chamado Luíz Inácio.

    Ou será que vocês se esqueceram daquela tática deles de tentarem jogá-lá contra o Lula?

    —-
    Desde Jun/2007 jogando os PTralhas contra os PORCOS no "Vi o Mundo"! ;-)
    Fundador do PORCO – Partido de Oligarcas Representantes de Capitalistas Opressores (PIG)

    • seg, 23/04/2012 - 22:04
      Miguel

      tres ou quatro bordoes do reinaldo azevedo e ele diz que "tem um QI superior". Constrangedor.

      • ter, 24/04/2012 - 16:49
        Gustavo Pamplona

        hahahahhaaha… leia este post aqui do PHA
        http://www.conversaafiada.com.br/politica/2012/04

        É como eu tinha dito: Os PTralhas não conseguem enxergar o que eu vejo… queridos… o PORCO dia após dia joga a Dilma contra o Lula. Esta pesquisa Datafalha aí é mais outro exemplo.

        E sim! Leio o Reinaldo Azevedo, ele é digamos… meu "guru"! hhahhahahahaa Aquele lá ama o PT e os PTralhas… ele só não consegue admitir…

        —-
        Desde Jun/2007 tendo "gurus" como o Reinaldo Azevedo no "Vi o Mundo"! (?) Ou seria na Veja? =D

  23. seg, 23/04/2012 - 14:37
    O_Brasileiro

    Esse debate é mais do que necessário, é fundamental!
    Mas as "correntes" são resistentes, e pesadas!
    Se priorizar a agricultura familiar, que realmente abastece as cidades com alimentos, o governo terá menos superávit com exportação de soja, e álcool mais caro para adicionar à ainda escassa e cara gasolina, cujos preços dependem até da (in)capacidade de refino no país.
    Querem alimentos mais baratos, mas abominam o MST, que luta pela agricultura familiar.
    Querem que o Estado exerça com eficácia suas funções, mas os melhores quadros estão migrando para a iniciativa privada, tornando os serviços piores. A maioria da população brasileira, e muitos comentaristas desse sítio consideram os funcionários públicos "marajás", "parasitas", "preguiçosos", "aproveitadores" e dezenas de outros adjetivos desqualificadores. Esquecem-se de que tais funcionários são os policiais, advogados, médicos, professores, administradores, enfermeiros, engenheiros, entre outros, e que são estes que são responsáveis pela eficiência dos serviços prestados pelo Estado.
    Só valorizam estes profissionais quando pagam caro por seus serviços na iniciativa privada. Efeito da ideologia neoliberal disseminada na mídia golpista, e que continua resultando em privatizações e mais lucros para os (pseudo-)capitalistas brasileiros, que ganham infra-estrutura construída com o dinheiro público para lucrar. Tal como os aeroportos, as estradas, as empresas de energia elétrica e de telefonia, entre outras.
    Estes são os paradoxos do povo brasileiro, manipulado pela mídia golpista.
    Não é o governo que precisa mudar seus conceitos… e sim, o povo!

    • seg, 23/04/2012 - 17:39
      zezinho

      Essa foi boa:

      "A maioria da população brasileira, e muitos comentaristas desse sítio consideram os funcionários públicos "marajás", "parasitas", "preguiçosos", "aproveitadores" e dezenas de outros adjetivos desqualificadores. Esquecem-se de que tais funcionários são os policiais, advogados, médicos, professores, administradores, enfermeiros, engenheiros, entre outros, e que são estes que são responsáveis pela eficiência dos serviços prestados pelo Estado. "

      você já deu a resposta…

      E mais, o governo é espelho do povo, burro e ignorante, pois por ele eleito. Não dá para esperar muito de um povo que dá alta audiência a programas como Domingão do Faustão…

    • seg, 23/04/2012 - 20:21
      Jotace

      Caro O_Brasileiro,
      Há múltiplas razões no seu post, mas o poço é mais fundo. Ainda que devamos nos congratular por termos uma Presidente à qual não se atribui a nódoa da corrupção, ela pouco tem feito para tirar a nação do domínio da grande mídia. Esta,ilude o povo, e é a maior fonte da corrupção que grassa no país. Não há que ser complacente ou ter sangue de barata com a grande geradora de mentiras, que representa não só os interesses desonestos dos vendepátrias, mas também age como defensora incansável dos crimes das multinacionais. Certas da impunidade, estas atentam de forma descarada dentro das nossas fronteiras contra o patrimônio do povo. Muitas das medidas necessárias, estão ao alcance do Executivo e, se tomá-las, Dilma terá aumentado o apoio popular que necessita para exercer o mandato como, de fato, lhe cumpre. JotaCe

      • seg, 23/04/2012 - 21:42
        Fabio_Passos

        Falou e disse!
        As oligarquias midiáticas são as organizações mais corruptas do Brasil: rede globo / quadrilha veja / estadão / fsp.

        marinho, civita, frias e mesquita já cometeram crimes gravíssimos… e permanecem impunes, idiotizando cidadãos brasileiros.

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