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2012 na política, segundo Marcos Coimbra

30 de dezembro de 2012 às 16h04

por Marcos Coimbra, no Correio Braziliense, via Clipping do Planejamento

Um governo que é avaliado como “ótimo” ou “bom” por 62% das pessoas tem muito que comemorar. Uma presidente cujo trabalho é aprovado por 78% da população, também.

São os números da pesquisa CNI/Ibope feita entre os dias 6 e 9 de dezembro, em que foram ouvidas 2002 pessoas.

Dilma chega à metade de seu mandato com avaliação melhor que a de qualquer um de seus antecessores em momento parecido. Desde quando existem dados comparáveis, ninguém obteve números semelhantes.

Fernando Henrique, por exemplo, nunca alcançou esse índice, sequer na época em que atravessava sua fase áurea. A vitória contra a inflação, a equivalência do real com o dólar, o quilo de frango que valia uma moeda, a sensação de que a economia entrava em rota de crescimento, nada disso fez com que chegasse ao número que Dilma tem hoje.

É uma lembrança que mostra quão inadequada é a interpretação que as oposições, especialmente seu braço midiático, oferecem para a popularidade do governo Dilma.

Na enésima repetição do velho chavão de que “É a economia, estúpido!”, limitam a explicação a um único fator: para elas, as pessoas comuns, que constituem a grande maioria, pensam com a barriga. Quando estão de pança cheia, aprovam o governo.

Trata-se de um equívoco baseado em puro preconceito, segundo o qual o povo só é capaz de avaliações unidimensionais. Ao contrário dos bem pensantes, que conseguiriam fazer raciocínios complexos.

Assim como a população não gostava de Fernando Henrique por vários motivos — ainda que aprovasse sua atuação no controle da inflação –, gosta de Dilma por diversas razões, mesmo reconhecendo que há políticas que não funcionam de maneira satisfatória.

O tamanho da aprovação do governo neste final de ano foi duplamente decepcionante para a oposição partidária e seus aliados. Ao invés de subir, esperavam que caísse, na confluência do desgaste da imagem do PT causado pelo julgamento do mensalão e do agravamento da situação objetiva da economia.

Dilma ultrapassou, no entanto, os percalços. Por mais que os economistas da oposição estejam pintando quadros fúnebres para o Brasil e insistam em falar em crises, as pessoas se sentem satisfeitas com o presente e otimistas em relação ao futuro. Por maior que seja a culpabilização do PT, ninguém associa a presidente a qualquer malfeito, real ou inventado.

Não é surpresa, portanto, que tenha a vantagem que tem nas pesquisas para a eleição de 2014. Frente a quaisquer candidatos, venceria, com larga margem, a eleição no primeiro turno. Seu desempenho só é inferior ao de Lula – e por pouco.

Para tentar mudar esse quadro de favoritismo, entrou na moda o argumento de que o País “poderia estar melhor” e só não está por “incompetência gerencial do governo”. Na opinião de nove em dez analistas da mídia conservadora, Dilma não seria a boa gerente que é apresentada.

Trata-se de uma tese de escassa capacidade de convencimento. Primeiro, porque as pessoas levam mais em consideração os benefícios que estão a seu alcance que os que poderiam, hipoteticamente, obter. Se acreditam que o governo vai bem, porque trocá-lo por algo que não existe?

Em segundo lugar, porque não enxergam alguém melhor que ela. Na opinião da maioria, a oposição teve sua oportunidade nos oito anos em que Fernando Henrique foi presidente e não convenceu. Ao contrário, em retrospecto, mostrou-se inferior aos petistas.

Ainda que a situação da economia piorasse no próximo ano, é difícil que afetasse significativamente a popularidade da presidente e a eleição de 2014. Como não é isso o mais provável, são poucas as nuvens no horizonte para Dilma. Salvo as de todo dia, com as quais já se acostumou.

Cautela a presidente tem que ter é com a Copa do Mundo. Ela não será cobrada se a seleção for mal, nem aplaudida se for bem nos gramados.

Mas pagará um preço de imagem pessoal muito alto se as pessoas ficarem com o sentimento de que o Brasil perdeu a copa que mais interessa. A da organização do evento e do bom funcionamento das coisas durante sua realização.

Essa, para a população, é mais importante que o hexacampeonato.

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Marcelo de Matos

31/12/2012 - 09h44

Em tom de alentado chororô a Folha publica hoje: “Ano do julgamento do mensalão acaba com PT ainda sem rival de peso para 2014”. Nas entrelinhas fica a explicação: o PIG fez a lição de casa; pressionou o STF o quanto deu até conseguir as condenações colimadas; tentou forjar um candidato vindo do povão, uma espécie de Lula da direita, menino que lavava banheiros no TRE e acabou presidente do Supremo. Não deu. JB, em campanha por aí (o título de cidadão baiano lhe foi negado pela assembleia) amarga 10% das preferências. Se a candidatura JB decolar é possível que o PIG pressione a Justiça para julgar logo o mensalão mineiro, inclusive levando o Aécio de roldão, já que, em tese, a candidatura JB parece mais viável. Aécio teria 9 a 14% das preferências, mas, tem contra si a fama de baladeiro, ou biriteiro, além da aura de Baby Pignatari das Alterosas. Traduzindo: já deu tapa no rosto de modelo no camarote da Brahma, no carnaval da Sapucaí. JB tem tudo para superá-lo no imaginário popular. E mais: também é mineiro, o que não iria desgostar a turma do “uai”.

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Marcelo de Matos

31/12/2012 - 09h20

“Seu desempenho só é inferior ao de Lula – e por pouco”. O blogueiro Fernando Rodrigues, da Folha, diz o contrário: “Se a eleição presidencial fosse hoje, ela seria reeleita com 57%. A petista só encontra rival dentro de seu próprio partido. Luiz Inácio Lula da Silva também seria eleito hoje presidente, com 56% dos votos, diz o Datafolha”.

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Christian Lindberg

31/12/2012 - 00h48

Caro Marcos Coimbra

Penso ser bastante coerente e consistente a sua análise. Entretanto, discordo de um único ponto: os efeitos colaterais da Copa do Mundo.
Estou imaginando, em pleno exercício de futurologia, o Brasil não ganhar a Copa depois de meses de lavagem cerebral, promovida pela Globo, dizendo que somos os favoritos porque jogamos em casa e que não pode acontecer outro maracanaço, ainda mais porque o Governo gastou muito dinheiro com o evento?! Penso que esse fator subjetivo pode impactar no processo sucessório de 2014, principalmente se a Argentina de Messi&Cia. saírem campeões do Maracanã. Futebol é algo que tira o brasileiro do seu estado racional e o conduz a promover atos passionais.

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    Marcelo de Matos

    31/12/2012 - 10h56

    Caro Lindberg. Não sou defensor da Globo, mas, acho que “lavagem cerebral dizendo que somos favoritos” é um pouco forte. Os comentaristas da emissora, como Caio Ribeiro, são muito comedidos em suas análises. Ontem o Esporte Espetacular reapresentou um vídeo antológico sobre a carreira de Messi. Concluem dizendo que o grande sonho da Argentina é vencer a copa no Brasil. E dão a entender que não será fácil barrar o prodígio portenho. Se você não viu o vídeo, aproveite:
    http://globoesporte.globo.com/esporte-espetacular/videos/t/edicoes/v/mundo-messi/2319644/

LuizCarlosDias

31/12/2012 - 00h05

Comento com direitistas, que com dois anos de mandato
a Presidentá Dilma aprontou, organizou e mostrou porjetos,
os reultados serão visiveis nos anos seguintes, 2013 e 2014.
O mundo do PIG sabe bem que o caminho da Dilma será um sucesso
enorme, rompendo com qualquer chances de alguma oposição chegar
perto, pelo contrário vão recuar, a maioria vão trair e apoiar a dobradinha PT/PMDB.Aécio o cambaleante, aposto alto, vai de governador
de MG, aassim como estou torcendo LULA governador de SPaulo, melhor pro Brasil, muito bom para os Brasileiros. Viva Dirceu/Haddad, dep Genoino e
feliz ano novo 13.

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