VIOMUNDO

Mílton de Arruda Martins: “Elitização brutal” ajudou a concentrar médicos

22 de julho de 2013 às 19h02

por Conceição Lemes

Hecatombe, com “feridos” dos dois lados.

Eis no que se transformou a questão da falta de médicos no Brasil, desde que, em 6 de maio, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, revelou que o governo brasileiro negociava um acordo para trazer 6 mil cubanos

Por razões principalmente ideológicas, mídia tradicional, partidos de oposição e entidades médicas a atacaram ferozmente.

Florentino Cardoso, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), “destacou-se”: “O Brasil quer trazer a escória”.

Preconceito, xenofobia, falta de honestidade intelectual. Entre os 201 cursos de medicina existentes atualmente no Brasil (57,9% privados), há os que deixam a desejar, formando médicos de má qualidade.

Cuba tem 22 faculdades de medicina. Em 2008, possuía 37 mil profissionais de saúde trabalhando em 70 países.

“Embora Cuba tenha recursos econômicos limitados, seu sistema de saúde resolveu alguns problemas que o nosso [dos Estados Unidos] ainda nem enfrentou”, avaliam dois médicos norte-americanos que lá estiveram, em artigo publicado em janeiro deste ano, numa das revistas médicas mais conceituadas do planeta, o The New England Journal of Medicine.

Apesar disso, lentamente, o recuo do Brasil em relação médicos cubanos foi se dando.

Em 14 de maio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que o governo brasileiro desejava atrair médicos da Espanha e Portugal para trabalhar em hospitais localizados em regiões carentes no Brasil.

O ministro esqueceu-se combinar com “os russos”. Anunciou a estratégia sem ter tido, ao menos, a delicadeza, de conversar antes com os governos e as entidades médicas de Portugal e Espanha. Indignado, o presidente de uma instituição portuguesa reagiu: “Quem disse que nós vamos!”

Em 21 de maio, Padilha disse que não traria médicos da Elam (Escola Latino-Americana de Medicina), de Cuba.

Por má-fé, a imprensa transformou Elam em Irã e descartou totalmente a vinda dos cubanos. A restrição expressa era apenas à Elam, cujo curso de medicina dura quatro anos, o do Brasil, seis.

Em 5 de junho, com o clima esquentando, o ministro, em encontro com entidades médicas, jogou o imbróglio em costa alheia: “Este debate  (sobre a ‘importação de médicos’) foi antecipado inadvertidamente pelo ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, ao falar sobre acordo para a vinda de 6 mil médicos cubanos ao Brasil”.

Patriota teria falado sem a anuência da presidenta Dilma Rousseff, que, em 2012, em visita a Cuba discutiu o assunto? Padilha teria levado uma bola nas costas de Patriota?

Ao se confrontar com esses dados (aqui e aqui), é difícil crer.

O fato é que, com as passeatas de junho, a falta de médicos, prejudicando a assistência à saúde, ganhou as ruas.

Em resposta, em 9 de julho, a presidente Dilma lançou o programa Mais Médicos, que prevê, entre outras medidas:  criação de 11.400 vagas nos cursos de graduação de medicina; bolsa de R$ 10 mil reais para os médicos que dispuserem a ir para regiões afastadas do País ou para periferias das grandes cidades; e a contratação de médicos estrangeiros, caso as vagas disponíveis não sejam preenchidas.

Estamos em 21 de julho e a queda de braço prossegue, em temperaturas cada vez mais altas.

As entidades médicas, por questões corporativas e de reserva de mercado, continuam batendo na surrada tecla: não há falta de médicos no Brasil, o problema seria a má distribuição. O que não é verdade.

O governo, por sua vez, se atrapalha com decisões atabalhoadas, midiáticas.

Em vez de buscar uma solução efetiva, duradoura, capaz de efetivamente fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), recorre a uma saída meia-boca.  A bolsa de R$ 10 mil para os médicos não tem garantia trabalhista. É precarização do trabalho.

Já a população das áreas mais carentes do País — seja das regiões ou das periferias das grandes cidades — não pode ficar desassistida. De jeito nenhum. Muito menos à mercê de disputas, picuinhas, sabotagens e manipulações.

Não é um Fla-Flu que está em jogo. É assistência à saúde de milhões de brasileiros.

Por isso, fui ouvir uma das pessoas  que mais entendem do assunto na atualidade: o médico e cientista Mílton de Arruda Martins, professor titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP.

Mílton já foi presidente da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem).

No governo Dilma, foi secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, no Ministério da Saúde, até 2011.

Mílton é apaixonado por educação médica. Está sempre rodeado de alunos, aos quais dispensa uma paciência infinita, que até irrita os colegas.

Nesta entrevista ao Viomundo, além de fazer um diagnóstico completo da falta de médicos no Brasil, dá várias sugestões às autoridades. Por isso, propositalmente, preferi não destacar nenhum trecho da nossa longa conversa na abertura desta reportagem. Mílton tem a rara capacidade de ver a questão de forma global. Ele aborda aspectos até agora esquecidos. Confira.

Viomundo – No início de maio, o governo divulgou a “importação” de 6 mil médicos cubanos. Depois, o foco passou a ser a vinda dos espanhóis e portugueses. Na semana retrasada, a presidenta Dilma anunciou o Programa Mais Médicos. O que acha dessas propostas?

Mílton de Arruda Martins O governo tem tomado decisões excessivamente apressadas. Há programas anunciados antes de haver condições mínimas para existirem de fato. Deveriam primeiro ser submetidos à discussão mais ampla, para,  aí, então serem adotados ou submetidos ao Congresso Nacional.

Viomundo – Explique, por favor.

Mílton de Arruda Martins Praticamente todas as pesquisas realizadas mostram que a falta de médicos no Brasil é um problema considerado muito importante para a população. Mas ele é complexo e não será resolvido satisfatoriamente em curto prazo.

Infelizmente, muitos gestores consideram importante propor medidas de efeito que façam a sociedade perceber que estão preocupados com a solução desse e de outros problemas na área de saúde, mesmo sem haver grande segurança quanto à sua eficácia.

Viomundo – Entre as medidas anunciadas pela presidenta está a obrigatoriedade de os alunos de universidades públicas fazerem mais dois anos de faculdade, trabalhando no SUS.  As entidades médicas foram consultadas?

Mílton de Arruda Martins — Não houve, por parte do governo, consulta, por exemplo, à Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) e ao Conselho Federal de Medicina (CFM), que têm a responsabilidade legal de controlar o exercício da medicina.

Viomundo –  O que acha dessa medida?

Mílton de Arruda Martins – A formação dos médicos passaria de seis para oito anos, a partir de 2015, com dois anos obrigatórios em serviços da rede pública. O nosso curso, com duração de oito anos, passaria a ser um dos mais longos do planeta.  Estaremos na contramão do mundo, que debate a diminuição do tempo dos cursos de medicina. A União Europeia, por exemplo, discute reduzir para cinco anos.

Viomundo – Por quê?

Mílton de Arruda Martins – As evidências demonstram que, para a formação do médico, é mais eficiente aumentar a duração da Residência Médica do que a do curso de graduação, que dá a formação básica. A Residência Médica é a melhor forma de especialização após a conclusão do curso médico.

Viomundo – Voltando aos dois anos adicionais.

Mílton de Arruda Martins – A justificativa principal do governo é a necessidade de aperfeiçoar a formação geral e possibilitar experiência maior no Sistema Único de Saúde (SUS).

É inegável que o ensino de graduação precisa ser aprimorado em todo o Brasil. Mas é inegável também que hoje em dia, geralmente desde o primeiro ano do curso médico, os estudantes têm maior contato com os pacientes, a comunidade e o SUS. Isso acontece em quase todos os cursos, principalmente após a promulgação das Diretrizes Curriculares, em 2011.

A formação geral de um médico, com competência técnica, humanística, ética e responsabilidade social deve ser o objetivo dos seis anos do curso médico. E, aí, todos os esforços devem ser feitos, principalmente pelas escolas médicas, para aperfeiçoar essa formação.

Viomundo – Não tem sentido, então, prolongar em dois anos?  

Mílton de Arruda Martins — Definitivamente, não é caminho para corrigir eventuais deficiências.

Viomundo –  A proposta dos dois anos a mais  poderia ser uma forma de implantar o serviço civil (social) obrigatório para os médicos formados em faculdades públicas?

Mílton de Arruda Martins – É uma possibilidade. O serviço civil (ou social) é uma discussão que deve envolver toda a sociedade e todas as profissões.

Na minha opinião, não só os médicos têm que conhecer a nossa realidade e devolver à sociedade parte do que a sociedade investiu em sua formação.

A discussão de um eventual serviço social voluntário (ou obrigatório) tem que envolver engenheiros, agrônomos, médicos, enfermeiros, dentistas, advogados, psicólogos, farmacêuticos, entre outros. Eles poderiam passar um ano em áreas de vulnerabilidade social, com supervisão de suas universidades e recebendo uma bolsa. Trata-se de um projeto para o ensino superior em geral e não apenas para os cursos de medicina.

Viomundo – Qual a solução mais adequada para formação de médicos de qualidade para toda a população brasileira?

Mílton de Arruda Martins – Muitos professores de medicina no Brasil consideram, como eu, que é manter o curso com seis anos de duração e oferecer vagas de Residência Médica para todos os que se formam. Quando o país conseguir oferecer vagas para todos, a Residência Médica passaria a ser obrigatória para o exercício profissional. E a distribuição das vagas nas diferentes especialidades (Medicina de Família, Pediatria, Psiquiatria, Dermatologia, Cirurgia Vascular, Urologia, Anestesiologia, por exemplo) seria definida em função das necessidades sociais e regionais.

Importante: os recursos que serão gastos para custear os dois anos adicionais de graduação são suficientes para esse projeto de oferecer Residência Médica de boa qualidade para todos os formados em medicina.

 Viomundo – Não há saúde sem médicos, mas também não há saúde só com médicos. Considerando-se que o governo quer assegurar atendimento adequado à população, não seria necessário pensar nos profissionais de saúde como um todo e não apenas nos médicos, como está acontecendo? 

Mílton de Arruda Martins – Com certeza. Para boa assistência à saúde, desde a atenção básica à assistência hospitalar, é preciso trabalho em equipe, na qual o médico é fundamental mas não o único profissional necessário. Além disso, há necessidade de essenciais instalações adequadas, equipamentos, materiais e condições de trabalho.

Viomundo – Quantos médicos seriam necessários para o Brasil?

Mílton de Arruda Martins – Existem visões do SUS em disputa. E as propostas para o número de médicos, enfermeiros, dentistas e demais profissionais de saúde e de como vai ser o trabalho desses profissionais, dependem de que SUS se quer.

Existem muitas pessoas no Brasil que defendem que o SUS assuma uma característica parecida com a do projeto do presidente Barack Obama, dos EUA. Ou seja, que não exista um SUS propriamente dito, mas que o Estado pague um seguro saúde para cada cidadão.

E existem muitas outras pessoas, como eu, que querem um SUS implantado como foi previsto na Constituição de 1988.  Um sistema de saúde gerido, regulado e organizado pelo Estado.

Dependendo de como o sistema de saúde é estruturado, o número de médicos necessários será diferente.

Agora, independentemente de qual será o futuro do Sistema Único de Saúde no Brasil, existe uma questão muito concreta: a falta de médicos.

Viomundo – Mas quantos médicos seriam necessários?

Mílton de Arruda Martins — Infelizmente, ninguém tem condições de dizer isso no momento.

O número de médicos por 1.000 habitantes é um índice que permite comparações, mas elas são muito inadequadas.

Um sistema de saúde planejado e baseado no médico geral, como o do Canadá e o da Inglaterra, precisa de menos médicos por 1.000 habitantes do que um sistema em que o acesso a um número enorme de especialistas é muito fácil, como o americano.

Um sistema de saúde em que o trabalho é dividido de forma mais intensa com outros profissionais de saúde, precisa de menos médicos por 1.000 habitantes.

Já um sistema centrado no médico, que praticamente faz tudo, como o cubano, precisa de mais médicos por 1.000 habitantes.

Portanto, a forma como o sistema de saúde e o trabalho do médico é organizada determina o número de médicos que um país vai precisar.

No caso do Brasil, eu consigo dizer que faltam médicos e eles estão inadequadamente distribuídos. Mas eu não consigo dizer, o que é muito ruim para o País, quantos médicos o Brasil deveria ter.

Viomundo – Por quê?

Mílton de Arruda Martins — Porque qualquer política de planejamento tem de levar em conta o futuro.

Daqui a 30 anos nós queremos chegar a quantos médicos por 1.000 habitantes?

Esse número vai depender de que sistema de saúde existirá ou que sistema nós desejamos e trabalhamos para construir. Por isso, eu comecei dizendo que existem visões diferentes de sistema de saúde em disputa.

Essa projeção também é difícil de ser feita porque o sistema de saúde que teremos daqui a 20 ou 30 anos vai depender das disputas políticas e das visões que serão vencedoras ou perdedoras em futuras eleições. Consequentemente, é uma previsão difícil de ser feita.

Viomundo – As entidades médicas insistem que não faltam médicos, há apenas má distribuição. Mas o senhor há muitos anos diz que faltam médicos e há distribuição inadequada. 

Mílton de Arruda Martins – Quanto à falta de médicos, eu diria que realmente não há consenso entre as entidades médicas.

Eu, porém, não tenho a menor dúvida de que faltam médicos. A posição do Brasil é sempre desfavorável na comparação com países das Américas e da Europa, se olharmos o número de médicos por 1.000 habitantes.

Atualmente, temos em torno de 1,8 por 1.000 habitantes. Essa relação é muito inferior à média das Américas, que, em 2011, era 2,25 médicos por 1.000 habitantes, segundo estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS).  E muito inferior à média da Europa, que era 3,3 médicos por 1.000 habitantes.

Segundo a estatística de 2011 da OMS, o Brasil tinha 1,72 médicos por 1.000 habitantes. Em 2011, havia mais de 70 países com número de médicos por 1.000 habitantes superior ao brasileiro.

Viomundo – Em números absolutos quantos médicos o Brasil tem?

Mílton de Arruda Martins – Em números absolutos temos muitos médicos. Em atividade, em torno de 370 mil. Mas se dividirmos esse número pela população – o Brasil tem a quinta população do mundo; só perde para Índia, China, Estados Unidos e Indonésia – o quociente por habitantes cai lá para baixo. Então, faltam médicos no Brasil. Isso eu tenho certeza.

Agora, existe outro problema e sobre o qual todos concordam: no Brasil, os médicos estão pessimamente distribuídos.

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Viomundo – A distribuição inadequada agrava a falta de médicos?

Mílton de Arruda Martins – Com certeza. Existem menos médicos por 1.000 habitantes nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do que na Sudeste e Sul.

E existe uma diferença entre cidades maiores e menores.  Os médicos estão concentrados nas cidades maiores.  Dentro das cidades maiores, concentram-se nas regiões centrais e faltam em regiões periféricas. Em São Paulo, por exemplo, faltam médicos nas regiões periféricas da cidade, apesar do número de médicos por 1.000 habitantes ser alto.

Não é só isso. Além da distribuição inadequada por região e dentro da região, existe diferença na saúde suplementar e na assistência pública. O cidadão com convênio médico ou seguro saúde tem acesso a mais médicos por 1.000 habitantes do que o usuário  direto do sistema público. Pesquisa recente, realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, sugeriu que essa diferença pode chegar a 4 vezes.

Viomundo – Quais os fatores determinantes para a má distribuição dos médicos?

Mílton de Arruda Martins — Estudos internacionais mostram que salário é fator muito importante. No Brasil, também.

Mas não é o único.  Muitas vezes nem é o principal. Existem regiões na periferia de São Paulo em que se oferece R$ 16 a 20 mil reais para um médico, mas as condições de segurança são tão precárias que não se consegue contratar um por muito tempo. O médico prefere trabalhar por salário menor numa região mais segura.

As condições de trabalho são outro fator que muitas vezes acaba sendo mais importante do que o salário. A falta de estrutura mínima para o trabalho é um fator poderoso que dificulta a presença de médicos em algumas áreas, inclusive em regiões com muitos médicos.

Não existe médico sem uma estrutura de saúde junto. Não é que o médico não foi treinado para trabalhar com poucos recursos. É que a medicina moderna exige recursos.

Existe uma série de doenças que não podem ser diagnosticadas e tratadas adequadamente sem exames de laboratório, mesmo na atenção básica.  Se o médico não tem acesso a esses recursos, ele se sente profundamente desmotivado, tem a sensação de que não está fazendo a medicina que os seus pacientes merecem.

Viomundo – Mas hoje em dia os médicos não estão excessivamente dependentes dos exames, relegando a avaliação clínica a plano secundário?   Uma boa avaliação clínica por si só não é suficiente para o diagnóstico de uma porção de doenças?

Mílton de Arruda Martins – Com certeza. Um médico com boa formação clínica e boa experiência pode resolver muitos problemas sem a necessidade de muitos exames de laboratório, mas muitas vezes ele necessita desses exames. É impossível, por exemplo, tratar um diabético da melhor forma conhecida sem o acesso a vários exames de laboratório e, muitas vezes, a vários especialistas.

Viomundo – Que outro fator é importante?

Mílton de Arruda Martins – Estabilidade no emprego. Aí, existe a questão ligada à chamada carreira profissional.

A existência de uma carreira que dê estabilidade, salário adequado, condições de progresso e de atualização permanente é um fator que atrairia muitos médicos.

Frequentemente, se dá o exemplo de carreiras como a de juiz e a do promotor.  Eu acho essa comparação muito adequada.

Outro fator são as condições de vida que o médico tem.

Existem locais em que o médico vai trabalhar por muito tempo, mas talvez ele não pretenda trabalhar a vida toda. Então, se tiver uma carreira em que tenha possibilidade de progredir, ou, por exemplo, que possa mudar para uma cidade onde exista escola que ache adequada, quando os filhos estiverem em idade escolar, também é um fator que atrai.

Há mais um fator que eu me esquecendo: a Residência Médica. Existem estudos que mostram que, além daqueles fatores que mencionei acima, a Residência Médica é um fator importante de fixação do profissional. O médico tende mais a ficar no Estado onde ele fez a Residência Médica do que no Estado onde fez o curso de graduação em medicina.

Viomundo – Havendo condições de trabalho, carreira profissional e salário seria possível distribuir melhor os médicos no país?

Mílton de Arruda Martins – Com certeza. Com essas medidas será dado um passo importantíssimo para melhorar o acesso da população à saúde. Infelizmente, em alguns municípios dos estados da Região Norte, por exemplo, talvez tenhamos que pensar em uma estrutura de atenção à saúde que conte com médicos que permaneçam temporariamente, mas que não se fixem. Nesta discussão, aliás, as pessoas confundem  muito provimento e fixação.

Viomundo – Qual a diferença entre provimento e fixação?

Mílton de Arruda Martins — O ideal para uma população seria que o médico fosse para determinada localidade e ficasse lá durante anos, que estabelecesse  vínculo com a comunidade, enfim, que se fixasse na região…  Mas é muito difícil imaginar que o médico vá se fixar em regiões muito pouco acessíveis.

Então, existem regiões em que haverá rodízio de médicos, mesmo havendo a carreira. A gente conseguirá provê-las de médicos, eles ficarão alguns meses ou anos e serão substituídos por outros médicos. Ou haverá rodízio de médicos, como existe nos profissionais que trabalham nas plataformas de petróleo.

É a estratégia que se discute muito para a região Norte do Brasil. Em algumas áreas, o caminho será o de provimento e não de fixação dos médicos.

Viomundo – É racional?

Mílton de Arruda Martins – Não é nenhum absurdo. A gente pode comparar isso com dois países considerados de Primeiro Mundo e que têm problemas parecidos com o Brasil nessa área: Canadá e Austrália.

A região central da Austrália é um deserto de terra e areia. A região norte do Canadá, um deserto de gelo. São duas áreas em que os respectivos governos têm grande dificuldade em fixar médicos e outros profissionais de saúde, como os dentistas. Muitas vezes eles acabam trabalhando com médicos que ficam nesses locais durante um período e depois são substituídos.

Mas essa estratégia é para situações extremas. Na maior parte das regiões e das cidades brasileiras, carreira, condições de trabalho e salário adequados seriam capazes de fixar o médico.

Agora, quando eu falo em carreira de médico, pressupõe que ela tem de prever não apenas progressão, mas também a oportunidade e a obrigatoriedade da atualização permanente. A educação permanente é fundamental, se não o médico fica desatualizado.

Viomundo – Se fala muito na carreira na implantação da carreira do médico no SUS, como já existe para promotores e juízes. Por que isso não é levado adiante?

Mílton de Arruda Martins – Eu defendo a existência de carreira no SUS não apenas para os médicos, mas para todos os profissionais que atuam no SUS. Seria uma solução definitiva. Mas muitos gestores resistem a esse tipo de solução.

Viomundo — Por quê?

Mílton de Arruda Martins – O principal obstáculo é financeiro.

Muita gente não sabe, mas a implantação progressiva do Sistema Único de Saúde implica numa descentralização importante quanto à responsabilidade da assistência.

A maior responsabilidade direta fica com as prefeituras. Os estados também têm uma responsabilidade importante, principalmente nas ações de alta complexidade.  A responsabilidade direta da assistência é menor para o poder central, o governo federal.

Só que não houve distribuição proporcional de recursos. As prefeituras estão falidas em relação aos recursos para a saúde, os estados menos. Os recursos, ainda que insuficientes, se concentram no governo federal.

Houve, portanto, uma descentralização maciça da assistência e uma descentralização menor dos recursos.

Hoje, a esmagadora maioria dos profissionais de saúde é contratada pelas prefeituras.  Em segundo lugar, pelos estados, em terceiro, pelo governo federal. Só que a maioria dos recursos está no governo federal.

Existem ainda outros obstáculos. A legislação não permite que um profissional ganhe mais do que o prefeito. Só que nenhum médico vai trabalhar por salário inferior ao que o prefeito ganha na maior parte dos municípios brasileiros.

Resultado: os médicos e demais profissionais de saúde acabam sendo contratados com vínculos precários. E esse é mais um fator que vai contra a ideia de uma carreira profissional na área de saúde.

Viomundo – Como os médicos são contratados então?

Mílton de Arruda Martins — Geralmente como pessoa jurídica, portanto não têm direitos trabalhistas. Às vezes o vínculo ainda é mais precário: os médicos são contratados por alguns meses por serviços prestados.

Viomundo — A maior parte dos médicos do SUS estaria nesse sistema de vínculo precário?

Mílton de Arruda Martins — Eu não sei, mas arriscaria a dizer que a maior parte dos médicos que trabalha no Programa de Saúde da Família de cidades menores está nessa situação. Inclusive por causa da lei de responsabilidade fiscal.

Aqui, existe outra coisa. A falta de médicos coloca a população contra as autoridades locais. Então, muitas vezes existe uma busca desesperada por parte dos gestores locais de conseguir um médico, mesmo que fique só durante certo tempo.

Viomundo – A presidenta Dilma prevê a criação de 11.400 vagas em cursos de medicina até 2017.  Isso resolveria o problema da falta de médicos no País?

Mílton de Arruda Martins – Acho isso desnecessário por já ter havido enorme expansão dos cursos de medicina nos últimos tempos. No final do ano passado, já havia 197 cursos de medicina em funcionamento. Este ano já são 201. E o número de estudantes de medicina pulou de mais ou menos de 48 mil no meio da década de 1990 para mais de 110 mil hoje.

Como existem cerca de 370 mil médicos em atividade, o número de estudantes de medicina hoje no Brasil equivale a 1/3 do número de médicos em atividade.

Portanto, qualquer projeção que se faça do número de médicos por habitante no Brasil, este número vai aumentar com as vagas já existentes em cursos de medicina.

Não é só isso. Como não houve planejamento adequado, o rápido aumento dos cursos têm dois problemas sérios.

O primeiro é a garantia da qualidade. Não dá para separar a discussão sobre o número de médicos da discussão da qualidade.  Garantir a qualidade dos cursos de medicina que já abriram é um desafio importante.

O segundo é a preparação de professores.  Os docentes preparados hoje no Brasil são insuficientes para ocupar os postos de trabalho existentes atualmente. E sem professores capacitados, não teremos condições de formar médicos qualificados.

Viomundo – Ou seja, não dá para separar número de qualidade?

Mílton de Arruda Martins – De modo algum!!! Formar médicos não é uma solução em curto prazo. Infelizmente demora mais do que construir uma linha de metrô.

Viomundo – Explique melhor.

Mílton de Arruda Martins – Vamos supor que se decida abrir agora um curso de medicina com 100 vagas. É preciso ser autorizado e fazer o vestibular. Mesmo que em um ano tenha todas as condições de funcionamento, só vai começar a formar médicos para o sistema de saúde sete anos depois. Assim, se ele tiver 100 vagas, vai formar 100 médicos no primeiro ano. Outros 100 no segundo.

De forma que um curso de medicina que abre hoje com 100 vagas, ele só vai contribuir com 300 médicos nos próximos dez anos. Então qualquer discurso que diga que, em 2030, por exemplo, vai ser corrigido o déficit de médicos no Brasil com o aumento no número de escolas é demagógico.

Viomundo – Por quê?

Mílton de Arruda Martins – Porque essa solução é de longo prazo. Então, se a gente quer que os médicos sejam de qualidade, o déficit só vai ser corrigido ao longo das próximas décadas e não ao longo dos próximos anos.

Aqui, existe outro problema: a forma como as autorizações para abertura dos cursos de medicina foram dadas.

Até 1966, ou seja, começo da ditadura civil militar, existiam no Brasil 42 cursos de medicina. Desses, só 16,7% eram privados.

De 1967 a 1994, período mais fechado da ditadura até o final do governo  Itamar Franco, foram abertos 41 cursos. Desses 41, 63,4% privados.

Aí, veio o governo Fernando Henrique. De 1995 a 2002, foram abertos mais 42 cursos de medicina, sendo 61,4% privados.

No governo Lula, 2003 a 2010, foram abertos 52; 76,9% privados. Nos primeiros dois anos o governo Dilma, abriram-se 18 cursos de medicina, 77,8% privados.

Então a expansão dos cursos de medicina, principalmente a partir da autorização de cursos privados, é uma prática no Brasil e que não mudou substancialmente, independentemente de quem estava no governo.

Qual foi o resultado disso? Até 1966, só 16,7% eram privados.  Hoje, 57,9% são privados.

Sabe qual a mensalidade média desses cursos? R$ 4 mil reais!

Em dezembro de 2012, segundo dados do site Escolas Médicas,  a mensalidade mínima era R$ 2.800 e a máxima R$ 6.800.

E como a maioria dos estudantes de medicina não estuda na cidade onde mora, eles gastam no mínimo mais R$ 2 mil para custear moradia e material para estudo. Então, na maior parte dos cursos de medicina no Brasil só entram estudantes cuja família pode pagar, pelo menos, R$ 6 mil mensais.

Conclusão: a expansão dos cursos de medicina se fez à custa de uma elitização brutal do acesso.  E isso pode ser também um fator poderoso para concentrar os médicos em determinadas regiões e não motivá-los a ir trabalhar em outras.

Viomundo – E os programas do governo federal?

Mílton de Arruda Martins – Realmente, existem programas importantes do governo federal para aumentar o acesso aos cursos privados no ensino superior. São o ProUni, que dá bolsas, e  o Fies, que é o financiamento estudantil. Só que se a gente somar o número de estudantes de medicina que está no ProUni ou tem Fies, não chega a 20%.

Portanto, a gente continua com 80% dos estudantes de medicina de escolas privadas que vem de famílias que podem pagar, em média, R$ 6 mil por mês.

De qualquer forma, de um lado, houve grande aumento no número de estudantes, mas há o problema da qualidade que precisa ser garantida. De outro, como existe falta de médicos no Brasil e a correção dessa insuficiência não vai ser imediata, aí surgem as tentações de buscar médicos em outros países.

Viomundo – O acha de se trazer médicos de fora?

Mílton de Arruda Martins – Desde que passem por uma avaliação séria quanto à sua competência profissional, como acontece na Europa, Estados Unidos, Canadá, pode ser uma solução para áreas onde não é possível contratar médicos brasileiros.

Viomundo – E os médicos de Cuba, que  foram sendo rifados pelo próprio governo devido à pressão da mídia, entidades médicas e partidos de oposição?

Mílton de Arruda Martins — Em relação aos médicos cubanos a discussão é muito ideológica. Existem os pró-Cuba e os contra-Cuba.

Eu considero que médicos formados em outros países, incluindo Cuba, que forem submetidos a um processo sério de avaliação, incluindo conhecimento da nossa língua e do SUS e de sua competência médica, podem exercer sua profissão no Brasil em áreas onde há carência de médicos. Agora, o sistema de saúde cubano é muito diferente do brasileiro. E os médicos cubanos, assim como de outros países, têm cultura e língua diferentes. Eles precisariam passar por um aprendizado da cultura e da língua dos brasileiros.

Já existe um processo de avaliação de médicos formados em outros países conhecido como Revalida, organizado pelo Ministério da Educação (MEC) e que conta com professores de medicina com muita experiência na área. Por isso, defendemos que médicos formados em outros países deveriam ser avaliados pelo Revalida.

Viomundo – Trazer médicos de fora é a melhor solução para suprir a falta de médicos, já que a população não pode ficar desassistida?

Mílton de Arruda Martins – Acho que não é o melhor caminho.

Viomundo – Por quê?

Mílton de Arruda Martins – É preciso um tempo para o médico estrangeiro se adaptar, mesmo que seja português.

Vamos supor um colombiano, argentino, uruguaio ou cubano. Mesmo sendo muito competente, ele terá dificuldades até se adaptar. Demora certo tempo – eu diria alguns meses, até anos – para ele estar totalmente adaptado à nossa cultura e língua.

Com base na minha experiência de quase 30 anos como professor, lidando inclusive com estudantes de outros países, eu acho que, no começo, o ideal é que ele trabalhasse numa equipe onde fosse mais protegido.

Um médico que está aprendendo a falar português e não conhece a nossa cultura, mesmo que seja bastante competente, não é o médico ideal para ir trabalhar sozinho numa comunidade remota.  O Brasil não tem dialetos, mas há muitas expressões que as pessoas usam para descrever doenças, sintomas. Então, há necessidade de uma adaptação.

Viomundo – Quanto tempo?

Mílton de Arruda Martins — Eu arriscaria a dizer que, no primeiro ano de atuação, o ideal é que esse médico não trabalhasse sozinho, que ele trabalhasse próximo de alguém a quem pudesse recorrer para tirar uma dúvida, por exemplo.

Viomundo – Os médicos de outros países têm de passar pelo Revalida. Agora, a gente sabe que no Brasil há faculdades de medicina que deixam a desejar, formando médicos de qualidade inadequada, deficiente. Os médicos brasileiros também não deveriam passar por avaliação já que os pacientes também correm risco nas mãos daqueles incapazes?

Mílton de Arruda Martins — Com certeza. Mas, nesse ponto, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Se os cursos de medicina estão sendo mal avaliados, formando médicos inadequados, existe uma responsabilidade enorme dos cursos e dos responsáveis pela avaliação. Então, a avaliação dos estudantes de medicina ao longo do curso tem que melhorar.

Viomundo – Os estudantes brasileiros deveriam fazer uma prova no final do curso?

Mílton de Arruda Martins — Eu não sou a favor de um exame no final do curso. Acho uma solução do século XX para um problema do século XXI. A avaliação deve ter características mais modernas, ser em múltiplos momentos, com oportunidade de recuperação teórica e prática.

O gestor de um curso de medicina tem seis anos para avaliar o estudante. Acho irresponsabilidade ou incompetência se ele não usar os seis anos para avaliar, reavaliar, dar feedback, propor recuperação  e eventualmente não deixar este indivíduo se tornar médico.

Mas defendo, sim, que no País existam exames organizados externamente aos cursos, para os estudantes de medicina.  Sou daqueles que acreditam que poderia ser uma série de exames durante o curso. É uma alternativa, claro, mais cara, mas que está muito mais no interesse da sociedade.

Viomundo – Como seria essa avaliação?

Mílton de Arruda Martins – Por exemplo, avaliar esse estudante três vezes durante o curso, sendo que a última avaliação poderia ser também prática.

E se o estudante não passar, vai repetindo os exames até ele ser suficiente.  E o curso de medicina é responsável por ele.  Porque se o exame ocorrer depois de receber o diploma, o problema deixa de ser do curso, passa a ser só do aluno.  O problema tem de ser dividido entre o estudante e o curso. Por isso, tem de ser antes do diploma.

perguntar quanto tempo mais essa máquina pode funcionar dessa maneira, antes que exploda.

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Viomundo – O que faria para reduzir a falta de médicos, já que considera que trazê-los do exterior não seria o melhor caminho?

Mílton de Arruda Martins – Essa é uma questão prioritária. Daria para redistribuir bastante os médicos existentes se houvesse condições de trabalho, carreira, remuneração adequada e se os médicos não se sentissem isolados onde fossem.

Eu estabeleceria algumas regiões prioritárias e implantaria a carreira de médico. O Brasil é um país muito diverso.  Não pode ter uma solução única.

Eu tenderia a propor carreiras estaduais, porque o Brasil é muito diverso.  É diferente uma carreira para o Amazonas de uma para São Paulo. Eu começaria pelos médicos da Atenção Básica.

Eu pensaria em carreiras estaduais que tivessem um financiamento bipartite ou tripartite.  Como o grosso do dinheiro está no Ministério da Saúde, é necessário que houvesse um financiamento parcialmente federal.

Por exemplo, que houvesse um fundo que pudesse ser federal, estadual e municipal, que financiasse essa carreira. Mas que essa carreira fosse de base estadual.

Municípios grandes, como São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, ou regiões metropolitanas poderiam ter as próprias carreiras.

Viomundo – Há municípios que já têm a carreira para médico no serviço público.

Mílton de Arruda Martins – Há, sim, e em alguns lugares a carreira é até bem estruturada, mas como o salário é muito baixo, acaba não valendo a pena para o médico ficar muito tempo na carreira.

Tem que haver carreiras para o médico no Sistema Único de Saúde, mas tem de haver salário compatível com a formação do médico. A gente tem de ser realista nesse sentido.

Acho que está na hora de o Brasil começar a experimentar a implantação de carreiras para os profissionais de saúde, se quiser ter uma solução definitiva para a gestão de recursos humanos no sistema público de saúde.

Viomundo – O Ministério da Saúde diz que os médicos que iriam para as regiões remotas teriam à disposição recursos à distância. Isso resolve?

Mílton de Arruda Martins — Não resolve, mas ajuda bastante. Existem regiões do país onde o acesso é muito difícil. Nessa condição, o uso da internet, com programas como o Telessaúde, é muito importante.

Viomundo – Em programas como o PROVAB, médicos recém-formados, em vez de serem contratados, recebem uma bolsa do Ministério da Saúde? A bolsa não é uma forma de precarização do trabalho?

Mílton de Arruda Martins – Do meu ponto de vista, é um vínculo precário. Então, é um médico com vínculo precário sendo colocado pelo Ministério da Saúde em locais de difícil acesso, de difícil provimento.

Viomundo – Apostar na estratégia de trazer profissionais de fora para resolver a falta de médicos no Brasil pode ser  então uma bomba de efeito retardado?

Mílton de Arruda Martins — Pode, porque a gente não sabe o que pode acontecer sem testar antes. Como professor universitário e cientista, eu acho que problemas complexos exigem soluções complexas. Não existe solução simples para um problema complexo. E soluções complexas têm que ser testadas. A priori, é difícil saber quantos vão ficar pouco tempo, quantos vão se fixar.

Viomundo – Então o Ministério da Saúde deveria testar antes com poucos médicos, para ver o que acontece?

Mílton de Arruda Martins  — O ideal seria fazer projetos piloto, depois avaliar os resultados, para diminuir o risco de a estratégia fracassar.

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Eduardo

02/08/2013 - 10h54

Equivoquei-me ao encaminhar o comentario! Mas não o esqueçam!

Responder

Eduardo

01/08/2013 - 09h24

Ninguém melhor do que o Gurgel para saber que está acima da lei. Ele tem certeza que as leis não funcionam contra ele e as elites! Porisso ele já entrou para a nossa historia como o “Prevaricador ” da República! Assim como seu colega historico Geraldo “Gaveteiro” Nada, nem o tempo apagará isso! São vidas inúteis e perdidas! Nada a fazer, a não ser extinguir o DNA!

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renato

29/07/2013 - 12h36

Senhor, EU SOU ESTUDANTE DA ELAM (ESCUELA LATINOAMERICANA DE MEDICINA) E PARA A SUA INFORMAÇÃO O CURSO DE MEDICINA DA ELAM SÃO DE 7 ANOS… INFORMAÇÃO EQUIVOCADA LEVA A INCREDIBILIDADE DO RESTANTE.

Responder

    J Souza

    30/07/2013 - 17h24

    Se você sabe português, releia e verá que não foi o entrevistado que afirmou que o curso da ELAM dura apenas 4 anos…

    J Souza

    30/07/2013 - 18h41

    Quem tem preguiça de ler, bom médico não deve ser!

Paulo Flávio de Macedo Gouvêa

25/07/2013 - 21h21

Depois de ler e ouvir uma grande quantidade de opiniões emitidas por pessoas que demonstram absoluto desconhecimento de causa e postura fortemente preconceituosa com relação ao trabalho médico, é de grande alento ver publicado um texto com conteúdo sério, baseado em números e estatísticas que não são recentes, ao contrário, demonstram que esta preocupação não é nova para os profissionais que levam a medicina a sério e que demonstra claramente que o problema é sério e só com atitudes coerentes e consistentes é que esta questão será resolvida de forma satisfatória e produtiva.
A análise apresentada pelo Prof Milton de Arruda Martins é bastante clara e esclarecedora.
Grande parte da população é levada a acreditar que a responsabilidade pela má qualidade dos serviços de saúde é de responsabilidade dos servidores, principalmente dos médicos, vistos como crápulas e insensíveis aos sofrimentos alheios, quando na verdade, estamos frente a uma situação que prima pelo mau planejamento e gerenciamento dos serviços de saúde, que sobrecarrega os municípios e desonera quem deveria ser o responsável maior pelos serviços de saúde que é o governo federal, este que agora, depois de pressionado, oferece uma bolsa de dez mil reais mensais por uma jornada de trabalho de quarenta horas semanais, mas que nunca pagou nada semelhante a isso até o presente momento, mesmo para profissionais com muitos anos de carreira e muitos títulos acadêmicos.
Isso de certa forma demonstra que o próprio governo central reconhece que de há muito posterga a criação da carreira de médico, enfermeiro, auxiliar e todas as profissões que compõem os quadros da saúde e sua conseqüente valorização.
Sou médico e funcionário público há mais de vinte anos (com muito orgulho, um bom profissional) e desejo ardentemente que toda essa discussão promova uma melhora das condições de trabalho e da qualidade de vida da população.

Responder

Acássia

25/07/2013 - 19h40

Salário de médicos ingleses.
Chamem o Padilha: ele ou preposto disse no rádio que pesquisou-se o salário do médico público na Inglaterra.
Não entendi se o GP é apenas público, ou se o artigo trata de generalistas particulares e não pagos pelo governo.
O que faria total diferença. Pois no Brasil certamente há médicos privados ganhando até mais que isso em clinicas, digo, mais em poder aquisitivo.Alguem pode me tirar a dúvida?

Responder

    Acássia

    25/07/2013 - 19h48

    Explico melhor:
    Alguém postou aqui também, que médico inglês público, após o periodo inicial recebe & 28.000 por ano.Quem está falando a verdade?
    Estou mais para achar que & 3.000 por mês é mais verdadeiro pois isso é o salário de professor universitário normal, talvez sem muito titulo, contador, secretário de escola de alto nível. Um médico não seria tão diferente, já que a renda é bem dividida e socializada.

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25/07/2013 - 16h34

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25/07/2013 - 09h14

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Luís Carlos

24/07/2013 - 21h38

Se o metrô que o prof. Arruda se refere for o do tucanoduto de SP, essa formação médica vai demorar muito mesmo.
O professor diz que a medida de trazer médicos de fora é apressada e a critica. Também ocorreu algo semelhante com o Bolsa Família. Muitas críticas da academia. O tempo da academia é um, o da vida real é outro. Milhões de famílias usaram o dinheiro do Bolsa para comer e ascender socialmente. E se libertarem do coronelismo social. Brasil não quebrou e o país melhorou com menos miséria. Passaram-se 12 anos do início do Bolsa Família e a academia “isenta” ainda não encontrou a solução, mas o governo Lula sim. Agora no Mais Médicos, entidades médicas não aceitam nenhuma medida e dizem, como a academia “isenta” que a medida do governo é apressada. A necessidade da população deve esperar pela inércia ou letargia da academia? O Governo deve se submeter ao tempo da academia e deixar o tempo da vida real submergir com a vida de milhões de pessoas? O Mais Médicos poderá também libertar populações do “coronelismo da corporação médica” como o Bolsa Família libertou milhões de coronéis político-econômicos.
O professor Arruda sugere carreira para os médicos e considera “adequada” comparação com juízes e Ministério Público. Esqueceu de citar que aqueles tem dedicação exclusiva. Esqueceu também de dizer que os médicos teriam que ter a mesma dedicação exclusiva, ou estaria omitindo para defender condições ideais para a médicos fazerem ” bico” no SUS?
Ter provisão e não fixação? Porque? O que fundamenta esse pensamento? Que é insuportável viver em cidades pequenas no interior do Brasil? Que viver em cidades remotas e pequenas é um castigo? Parece estar fundamentado na adoração aos grandes centros urbanos, e na necessidade de viver em grande concentrações urbanas, a mesma lógica da péssima distribuição de médicos no Brasil atualmente. Ou seja, a provisão não resolveria a situação pois esta relacionada a má distribuição de médicos, sendo necessário sim a fixação. Estranho ler isso do ex-secretário de gestão do trabalho e educação em saúde do Ministério da Saúde. Seria por esse motivo que ficou apenas um ano nessa função? Pelo apego aos argumentos corporativos de entidades médicas?

Responder

    Marisa

    25/07/2013 - 17h40

    Luiz Carlos,
    Concordo com sua argumentação e ainda acrescentaria que o entrevistado parece subestimar a capacidade de adaptação e de aprendizado de línguas das pessoas. Evidente que nem todos estarão aptos, no entanto e pelo que conheci de Cuba, lá os médicos têm formação humanística e à parte das especializações médicas, são generalistas e conseguem tratar praticamente a maioria das doenças da população, tanto é assim que Cuba tem os melhores índices mundiais de sucesso na área médica, segunda OMS.

    Glauco Reggiani Mello

    27/07/2013 - 13h24

    É muito triste ver que o PT está conseguindo fazer a guerra de classes que sempre quis. É tão baixo, pessoas que nunca atenderam ninguém, que nunca ensinaram ninguém, dando palpite sobre a formação do medico, sobre como eles sao mercenários, etc… Estão conseguindo com a grande influencia na mídia que possuem, colocar o povo e os ignorantes de plantão contra quem quer oferecer saúde de qualidade e nao de quantidade.
    Sou médico e professor da UFPR e posso afirmar que todas as medidas sao eleitoreiras, para ganhar o apoio da população a quem controla a saúde há 11 anos.

    LEONOR DE ANGELO

    13/01/2014 - 12h36

    amigo, os mais médicos não estão indo para lugares onde não existem medicos. Que tal o amigo trabalhar em Tramandaí, Serra gaúcha, os lugares mais bonitos e bem providos por médicos . do RS. Troco meu lugar com qualquer um deles. Idem em SC , onde estão numa boa no litoral.. Também troco meu lugar pelo deles. E mais, ganho menos que eles e tenho que pagar hotel. Tenho a impressão amigo, que os Mais médicos,nada mais são que cabos eleitorais, e o pior ainda esta por vir no ano que vem e depois. Trabalhei numa cidade onde o PT perdeu e os medico ficaram lá até dia 31 de dezembro negando-se a atender pacientes. O que eles diziam? Ah votaram neles? Agora não atendo mais….. Isso é o fim da picada!

Emilia Faust

24/07/2013 - 21h13

Médicos correm para carimbar o diploma pela UFMG
Dispara a procura de médicos formados no exterior pela revalidação do diploma pela UFMG. Oferta de trabalho a estrangeiros ajuda a explicar aumento de 250% na demanda

Nas duas últimas edições da prova da UFMG, a média de aprovação foi de apenas um quinto dos candidatos (20,7%). Apesar de baixo, o percentual é quase o dobro do registrado nos dois testes do Revalida (9,5%), que no ano passado teve 884 inscritos. “Os conteúdos são aqueles que exigimos de um recém-formado da universidade. Nossa prova é justa, os próprios candidatos comentam isso”, explica o presidente da Comissão de Revalidação de Diploma Médico Estrangeiro da UFMG, André Cabral. A prova é aplicada em três etapas.

http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2013/07/16/interna_gerais,423305/medicos-correm-para-carimbar-o-diploma-pela-ufmg.shtml

Responder

Ednaldo Vieira osta

24/07/2013 - 20h50

Esses protestos dos médicos do asfalto não condiz com a nobreza da profissão.Aos médicos sem fronteiras,a humanidade agradece.

Responder

Leonardo

24/07/2013 - 20h03

Vá me desculpar, ele pode ter o curriculum que for, mas é tão classista quanto os demais. Quando está em jogo os próprios privilégios poucos, raríssimos, são aqueles que conseguem pensar além do próprio umbigo. Ele admite a falta de médicos, mas sutilmente se coloca contra todas as formas de ampliar a oferta de médicos, inclusive a abertura de novas faculdades. Típico da classe a qual ele pertence.

Responder

edir

24/07/2013 - 17h14

24/07/2013 12:19 – Atualizado em 24/07/2013 12:44
Única UTI pediátrica particular do Vale do Sinos será fechada por falta de médicos
Unidade fica em Novo Hamburgo. Quem precisar de atendimento terá que ser transferido para Porto Alegre

A UTI pediátrica do Hospital Regina, em Novo Hamburgo, vai fechar por tempo indeterminado a partir de agosto. O motivo alegado pela direção é a falta de médicos. Quatro profissionais atuam no setor, mas o ideal é que oito trabalhem. A data do fechamento ainda não foi definida.

A UTI pediátrica tem seis leitos e atende pacientes particulares e conveniados, sendo a única particular na região do Vale do Sinos. Quem precisar de atendimento terá que ser transferido para Porto Alegre.

Responder

    Juliano Botelho

    24/07/2013 - 18h58

    Caro Edir, o fechamento provavelmente é causado por desejo dos gestores em não gastar dinheiro com CTI pediátrico. Aqui em BH já foram fechados 2 CTI infantis pois dão prejuízo para os planos de saúde! um completo absurdo! Cuidado com as mentiras dos gestores.

    Luís Carlos

    24/07/2013 - 20h32

    Juliano
    Ao contrãrio do que infere, a situação se refere exatamente a falta de médicos intensivistas e não a falta de recursos ou condições de trabalho. O prestador de serviços é filantrópico e recebe recursos para o serviço mantido até então. Lamentavelmente se deve exclusivamente a falta de médicos intensivistas.

    edir

    25/07/2013 - 04h30

    Na cidade de Campinas tem um hosptial novo inaufurado se näo me engano em 2012, uns dois meses atrás, li no jornal da cidade que estavam sem médicos para atendimento, apesar do hospital ser um referencia.

edir

24/07/2013 - 16h25

Benedita da SIlva fala sobre o programa “Mais Médicos”
http://www.youtube.com/watch?v=4B6IJoogFrU

Responder

edir

24/07/2013 - 15h10

Conceicäo Lemes, lendo esta entrevista, cheguei a uma conclusäo: Já que os deuses de branco quer isso, quer aquilo quer aquilo outro e mais aquilo, menos trabalhar, cumprir sua carga horária e outros deveres mais, a minha sugestäo é: Que a Presidenta crie um sistema de SAMU via aérea, para levar pacientes do interior para os grandes centros para serem atendidos,(com certeza fica mais barato), ou prepare as cidades do interior para os deuses de branco, por exemplo : construa escolas cinco estrelas para os filhos dos deuses de branco, construa shopping, lojas de grifes, restaurantes 5 estrelas, playground, praia artificial, e oferecem alem do salário de 10 mil, mais um carro da ferrari, um jatinho com piloto para que ele possa visitar amigos quando sentir saudade, passagens aéreas e férias em resorts 5 estrelas em miami ou europa, ajuda de 2 mil reais para supermercado, se o deus de branco näo puder ir visitar os parentes que vivem nos grandes centros, que os familiares e amigos recebam passagens aéreas para visitá-los caso o deus de branco näo possa sair da cidade por qualquer motivo. Penso que isso talvez o deus de branco aceitaria trabalhar no interior do Brasil. Seria essa a saida.
De uma coisa estou certa, quando tiver sobrando médicos, eles aceitaräo trabalhar em qualquer espelunca. Esperem deuses de branco, um dia a nossa vez chegará e vamos esnobá-los, vamos escolher que queremos na nossa unidade para trabalhar. Esse dia chegará tenho certeza. Eles estäo esnobando agora porque está faltando médico, a procura é maior que a oferta, mas isso um dia vai inverter, tenho fé.

Responder

Mardones

24/07/2013 - 11h50

Excelente entrevista. Parabéns.

Responder

Jose Mario HRP

24/07/2013 - 09h38

É a opinião da ONU!

http://saraiva13.blogspot.com.br/2013/07/onu-solta-comunicado-atestando.html

Responder

Diogo

24/07/2013 - 09h17

Caro Mílton,

Regresso a BH depois de 3 anos e 6 meses morando no sertão do Ceará, Pernambuco e Paraíba, relato com total clareza o que vivenciei enquanto residi em cidades afastadas de grandes centros. O que pude constatar não foi a falta de médicos e sim a falta de estrutura, contudo o que mais me deixou indignado, fato que mesmo com várias denúncias ninguém comenta sobre a “falta de médicos”, foi a prática comum por parte dos médicos de ESTELIONATO, sobretudos pelos recém formados, constatei por inúmeros relatos feitos pelos próprios praticantes tal prática, pasmem! eles relatam como prática comum e corriqueira. Portanto coloco que cheque tal falta de médicos em cidades remotas, pois o que constatei foi que um médico que recebe R$8.000,00 por mês para cumprir 4hs por dia durante 4 dias da semana em um PSF na realidade fica no máximo 2hs durante 2 dias no PSF, contando com a negligência das secretárias de saúde municipais. Como se não bastasse, estes médicos quando indagados sobre tal prática, respondem que se não for assim, não há Dr. que fique! Portanto meus estimados colegas, o que falta é ideologia, ética, moral e, sobretudo amor na prática da medicina. O objetivo de ser médico não poderia ser sinonimo de acumular riqueza e sim ajudar ao próximo sem destinção de classe social ou cor.

Responder

    Bonifa

    24/07/2013 - 11h35

    Quando o compromisso do profissional é frouxo, de caráter temporário e de conotação política na escolha, acontece que o profissional se julga sem compromisso com o município. Isso acontece não só com os médicos, também com os engenheiros e outros profissionais que prestam serviços no interior. Sem o concurso público, sem o vínculo forte e o compromisso de uma carreira no lugar onde está, o profissional tende a levar seu emprego como um mero bico, um passatempo enquanto não cuida de coisas que ele considera mais sérias para sua carreira profissional. Ainda mais que sua formação hoje, desenhada por inspirações da ideologia da praticidade ultra-capitalista, não incluem cadeiras fundamentais como história da medicina, como filosofia da ciência e ética profissional.

edir

24/07/2013 - 09h10

ONU solta comunicado atestando a coerência do Programa Mais Médicos
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ШАБЛОНЫ YOOTHEME
ШАБЛОНЫ НЕДВИЖИМОСТИ JOOMLA
Publicado em Quarta, 24 Julho 2013 11:07 Escrito por Jussara Seixas

ONU elogia Programa Mais Médicos

Jornal GGN – Segundo comunicado da Organização Pan-Americana da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), no Brasil, o Programa Mais Médicos, do governo federal, está em conformidade com as recomendações da organização em questões de saúde para a população. No texto, a informação de que a OPAS/OMS acompanha os debates e “vê com entusiasmo o recente pronunciamento do governo brasileiro sobre o Programa ‘Mais Médicos’”, lembrando que a média nacional de médico/habitantes é muito abaixo do ideal.

O comunicado termina com a afirmação de que “em longo prazo, a prática dos graduandos em medicina, por dois anos no sistema público de saúde, deve garantir, juntamente com o crescimento do sistema e outras medidas, maior equidade no SUS”. Leia abaixo o comunicado da ONU Programa Mais Médicos é coerente com recomendações da Organização Pan-Americana da Saúde A Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil informou que está acompanhando do debates nacionais sobre como fortalecer a atenção básica e primária de saúde no Brasil. A OPAS/OMS vem trabalhando com atores nacionais para dar seus aportes e vê com entusiasmo o recente pronunciamento do Governo brasileiro sobre o Programa “Mais Médicos”. Segundo a OPAS/OMS, essas últimas medidas guardam coerência com resoluções e recomendações da Organização sobre cobertura universal em saúde, fortalecimento da atenção básica e primária no setor saúde equidade na atenção à saúde da população. O Programa também está direcionado a construir uma maior equidade nos benefícios que toda a população recebe do Sistema Único de Saúde (SUS). O Brasil apresenta uma média de médicos com relação a sua população menor que a média regional e a de países com sistemas de referência, tanto nas Américas como em outras regiões do mundo. Para a Organização, são corretas as medidas de levar médicos, em curto prazo, para comunidades afastadas e de criar, em médio prazo, novas faculdades de medicina e ampliar a matrícula de estudantes de regiões mais deficientes, assim como o numero de residências médicas. Países que têm os mesmos problemas e preocupações do Brasil estão colhendo resultados da implementação dessas medidas. A OPAS/OMS afirma que, em longo prazo, a prática dos graduandos em medicina, por dois anos no sistema público de saúde, deve garantir, juntamente com o crescimento do sistema e outras medidas, maior equidade no SUS.

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Givaldo

24/07/2013 - 07h16

E o problema da corrupção nos hospitais conveniados com o SUS, como fica?

É homem dando a luz, é infecção hospitalar a três por quatro e o que se gasta de gaze e esparadrapo num curativo simples é suficiente para embalsamar uma múmia. Os donos dos hospitais pedem para os pacientes assinarem um papel em branco e ali eles colocam um bocado de coisa que o paciente não consumiu. E quem paga a farra somos nós, contribuintes.

Portanto, a máfia de branco não é só constituída pelos médicos, mas também pelos donos dos hospitais que quase sempre são médicos. É ai que a corrupção campeia impune e faceira, com a ajuda de todos nós, contribuintes, que quase nunca lemos o que assinamos.

E os coxinhas pensam que o grosso da corrupção está no Congresso e no Judiciário, mas aqui, no patropi, a corrupção é endêmica, é uma instituição nacional.

Uma pesquisa que o Datafalha não fez: quanto dos garotos protestantes têm planos de saúde? E a garotada está protestando contra o atendimento no SUS, é?

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Bonifa

24/07/2013 - 05h56

Em 1999, José Serra, como Ministro da Saúde, negociou pessoalmente em Cuba com Fidel Castro um primeiro acordo sobre a vinda de médicos cubanos ao Brasil, para trabalharem no interior. Este fato foi noticiado pela Folha de São Paulo. Em 2000, Serra ainda procurava uma solução jurídica para trazer os cubanos, e sobre isto a imprensa e os partidos de oposição reagiam com a maior naturalidade. Nem consta que a classe médica tenha colocado obstáculos. A ideia de médicos do exterior, cubanos ainda por cima, justiça seja feita e mérito se dê a quem merece, é uma ideia do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. O que mudou, para que hoje os tucanos e seus acólitos se descabelem tanto com esta ideia? Nós não a aprovamos, achamos que é complicada e não resolve, mas eles deveriam estar felizes pelo Governo Federal ter tentado aproveitar mais uma ideia das suas.

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benedita da silva

24/07/2013 - 00h10

Nada vi de extraordinário, de melhor, neste Professor. É tão corporativista e elitista como aqueles que foram à passeata na Paulista. Eu os vi. Saltitavam feito baratas tontas em festa de adolescente de 15 anos. Felizes, felizes…sem pensar nos doentes que deles necessitam. Que se lichem, são pobres mesmo, que morram. É o que pensam. Frios, insensíveis, sem curacão. Coitados de nós que deles necessitamos. Eu já não os procuro. Prefiro a benzedeira. É mais humana. O entrevistado somente teve um mérito. Foi reconhecer que há poucos médicos no Brasil contra a linha do “”probo”” CRM.

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FrancoAtirador

23/07/2013 - 23h34

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Fruto de 500 anos de corporativismo da Nobreza Luso-braZileira.
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Emilia Faust

23/07/2013 - 22h11

A parte final da entrevista(ultima página) é extremmente interessante!!
Fala sobre “trabalho no inerior e ensino médico”!

https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/7718/1/Jairnilson%20Paim.%20Entrevista%202012.PDF

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Elisa

23/07/2013 - 21h49

Estou começando a achar que quem ganhou em não vir para cá foram os cubanos, porque senão teriam que se deparar com a mesquinharia da classe médica no Brasil, teriam que ver o descaso com o que os médicos brasileiros tratam os pobres desse país, teriam que se deparar com os “esquemas”(médicos que não vão trabalhar no SUS e mandam outros assinar por eles), talvez isso tudo seja o medo dos médicos brasileiros, que outros vejam o que fazem aqui, inclusive que percam o salário do SUS que muitos ganham sem trabalhar. É melhor para os cubanos irem para a França, Canadá, lugares em que são bem recebidos e não têm que lidar com o que os brasileiros pobres infelizmente têm que lidar.

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    Luís Carlos

    24/07/2013 - 20h56

    Elisa
    Os cubanos virão.

Falcão

23/07/2013 - 21h28

Na prática, os médicos brasileiros estão com medo, receosos…pois serão “auditados”…e certamente temem muito. O bom profissional está aberto a tudo e a todos – sua sabedoria está na humildade do aprendizado. Alguém, não sei se nesse artigo, citou com propriedade a “lei da oferta e da procura”..faz sentido: poucos médicos preço exorbitante da consulta e demais procedimentos. Além de perderem – gradualmente – as cooptações com os mimos dos laboratórios que os fazem impingir na população os famosos medicamentos B.O (bom pra otário). Que venham todos os médicos. Nós, o Brasil, precisamos…muito

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J Souza

23/07/2013 - 16h28

As pessoas têm a falsa ilusão de que os médicos ainda não foram proletarizados, somente porque ainda há muitos médicos não proletarizados donos de clínicas, nas colunas sociais. Coitados… De ambos!

A verdade é que a maioria dos médicos é proletarizada, e se submete a cargas horárias escorchantes para manter o mito do padrão de vida do que seria esperado de alguém que estuda 12, 13 anos.

Os primeiros a proletarizarem os médicos são os governos. Depois vêm os planos de saúde, que estão radiantes com o plano do governo de importar mão-de-obra barata. Por último vêm os donos de hospitais e clínicas particulares.

Ao sucatear o SUS, e ao colocar nele mão-de-obra precária e barata, o governo está contribuindo e muito para aumentar o lucro dos planos de saúde, hospitais e clínicas particulares, da mesma forma que boas escolas particulares custam e R$ 800,00 a R$ 1.000,00 por mês.

É tudo parte do plano neoliberal do qual o governo faz parte!

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    Nadja

    23/07/2013 - 19h46

    O sistema está estruturado assim mesmo. Faltou só encaixar a indústria farmacêutica e a de aparelhos tecnológicos.

    Elisa

    23/07/2013 - 21h27

    Um a pessoa que pode pagar $6.000 de mensalidade não é proletário. O entrevistado fala de elitização, isso significa que quem faz medicina é da classe média para alta, ou seja, rico, que pode pagar, não é pobre de jeito nenhum.

    Ana

    24/07/2013 - 10h14

    Quem pode pagar 6k por mês são os pais do futuro médico. Este, quando formado, não consegue manter o padrão financeiro da família.

    Luís Carlos

    24/07/2013 - 20h59

    J Souza

    Sabes algo sobre mobilizações de entidades médicas para retardar a vinda de médicos do exterior?

Cacá Oliveira

23/07/2013 - 15h20

Talvez, um pouquinho mais de humildade fizesse um bem danado a uma parcela dos médicos brasileiros. Infelizmente a maioria deles se apega ao mito do super profissional, o mais preparado dentre todos os outros e, portanto, com maiores méritos que os demais. Enquanto os médicos mantiverem esse pensamento, pouca coisa mudará. Salários de R$ 30.000,00, R$ 40.000,00, não são atrativos? Bolsas de estudo de R$ 10.000,00 são degradantes? Em que país esse pessoal vive? Certamente não no mesmo que eu, que sou professora pública há 22 anos, tenho duas graduações, duas pós, um mestrado e ganho R$ 8.000,00 em final de carreira.

Por tudo isso, acho esse debate de uma hipocrisia sem limites. Eu sou usuária do SUS e digo de cadeira (e ponha cadeira nisso): o problema é falta de médico mesmo e atendimento muito ruim por parte daqueles que estão atendendo no serviço público, que sequer olham nos olhos do paciente. A arrogância da categoria beira o histerismo ao defender suas “prerrogativas”, vide o que vem acontecendo com a proposta da vinda dos Cubanos.

De acordo com pesquisa do CREMESP (2011): a distribuição dos postos é desigual entre as regiões; existe 4 vezes mais médicos no setor privado do que no público; a maioria dos médicos recém-formados concentra-se nas capitais; cresce o número de especialistas em detrimento de generalistas. O jornal O Globo, em edição também de 2011, traz dados sobre a procura por especialização concentrada em áreas como: dermatologia, oftalmologia e neurocirurgia. E os médicos ainda vão às ruas dizer que lutam por melhores condições de atendimento?

Nem vou falar sobre precarização do trabalho (como professora, de precarização do trabalho eu entendo muito bem). Que justificativa mais rasteira, Doutores! Em um sistema capitalista, que só preza o lucro, embasado por uma ideologia liberal (que justifica a fragilização da vida em nome da ganância), falar em precarização do trabalho como entrave ao bom atendimento é uma falácia.

Concordo plenamente com o Dr. Mílton que todas e todos que estudaram com financiamento público (nas universidades federais e estaduais) deveriam devolver esse benefício à sociedade que os financiou. Vocês que representam a categoria deveriam colocar essa proposta para o debate público. Por que não remetem ao Congresso um projeto nesse sentido?
Eu gostaria muito de ver aqueles que se sentem “diferenciados” em razão do status de sua profissão, atendendo a população mais pobre, nos rincões deste país, onde (aí sim) tudo é PRECÁRIO!

É mesmo uma pena que os médicos percam o bonde da história e, em um momento tão privilegiado da vida nacional, quando o povo está nas ruas levantando suas bandeiras de reividicações, a categoria de jaleco esteja protestando contra possíveis saídas para um problema tão sério como o atendimento à saúde, com justificativas como a “precarização” do trabalho do profissional médico, sem apresentar qualquer alternativa para o problema.

Ai, fica difícil defender quaisquer outras reivindicações que realmente sejam justas, honestas e decentes!

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    Carolina

    23/07/2013 - 20h17

    Cacá Oliveira, você realmente usa o SUS? De verdade? Não estou sendo irônica, apenas sincera. Porque sinceramente no SUS o mais grave não é o número de médicos. Não mesmo. Pelo menos em uma boa parte dos centros, exceto se você realmente reside em um município muito pequeno, sem muitos recursos. Mas daí você não saberia como é ficar em “cadeira” a espera das consultas ou dos exames, uma vez que existem regiões tão precárias que nelas não há médicos, nem outros profissionais da saúde, ou quem sabe uma estrutura de atendimento de saúde. Portanto, não há cadeiras onde sentar-se… Se você é atendida pelo SUS, diria que tem problemas em agendar consultas, em agendar exames de investigação/rotina. Dificuldade em ter ONDE sentar, já que a maioria dos hospitais públicos oferece pouca estrutura para “acomodar”, mesmo aqueles que deveriam se sentar, seja pela idade ou or condição médica.
    O SUS é um bom modelo de saúde para um povo, ao meu ver. Como profissional do SUS, vejo uma base muito boa para a estruturação desse modelo, que, obviamente, acabou sendo “sucateada” em sucessivas gestões. Não é um problema atual. Um modelo em que qualquer cidadão brasileiro tenha direito a assistência médica é, no mínimo, louvável. Um modelo que atrai alguns estrangeiros – de países vizinhos – para tentar conseguir auxílio aqui e não em seu país de origem (nem que, para tanto, venham ilegalmente e tenham um filho naturalmente brasileiro…). Um modelo bonito. Porém na prática, com muitas falhas. Falha de investimento. O que jamais poderia ter ocorrido. Mas o fracasso do SUS não tem como causador o médico.
    Querer entender o ponto de vista médico usando a “fama” de alguns médicos de grosseiros, de “não olharem para os pacientes”, de gananciosos, de interesseiros, é, no mínimo, equivocada. Passível de justificativas passionais. O fato de existirem maus médicos não justifica a raiva, esse ódio não explicado racionalmente a toda uma classe. Sim, existem maus médicos. Sim, você pode ser atendido no SUS por um mau médico, mas também pode ser atendido por um mau médico no setor privado. Quantas noticias a mídia não parece adorar veicular sobre os erros médicos, em cirurgia plástica, por exemplo? Imensa maioria feita de forma privada. Erra-se. Erra-se muito. Não quero entrar no mérito que todos somos humanos e podemos errar. É óbvio. Mas sim na questão de que alguns médicos, “colegas”, tem o conceito da medicina de forma deturpada. Alguns parecem querer lucrar mesmo com a profissão. Mas lucrar quase “a qualquer preço”, ou independente do melhor atendimento ao paciente, ou esquecendo de lado o coração e trabalhando apenas com a razão…entendo isso. E infelizmente, concordo. É o preço que a medicina paga pela busca do capital. Concordo também com o Dr Milton, com tantas faculdades de medicina de mensalidades exorbitantes, houve uma elitização dos médicos. E isso pode promover profissionais movidos pelo desejo de ter “todo o investimento de volta” e rapidamente…mas isso não deveria ser a maioria. Não deveria ser o habitual. Porém, médicos do SUS não recebem muito. Portanto, se você for atendido por alguém de mau humor, “grosso”, se queixe, reclame, mas não julgue uma classe. Não é porque ele é rico que te trata assim, nem porque você seria, supostamente, pobre, por estar no sus (o que definitivamente não é o seu caso ganhando 8 mil reais). Ele simplesmente é uma pessoa mal educada. Ponto. Existem médicos mal educados e médicos não humanizados.
    Plano de carreira não precisava ter um salário tão exorbitante, concordo. Mas então, que se baixe o teto dos outros tantos profissionais que ganham muito mais por um trabalho menos extenuante do que o do médico. NÃO POR SER MELHOR, mas por estar em uma posição que poucos realmente podem estar. E uso o “podem” não porque não têm condições intelectuais, mas simplesmente porque é uma atividade que exige um grau de dedicação e comportamento únicos. Não somos melhores. Nem deuses. Isso já até saiu de moda, ficar citando isso… cite isso para os médicos-propagandas, não para aqueles que estão ali tratando bem o paciente, ouvindo suas queixas. Ouvindo as queixas de uma mãe que leva, aos prantos, seu filho ao PS porque ele engoliu gelo, ou porque ela teve medo dele parar de respirar. Certamente sairá nos jornais uma mãe queixando-se de um/a médico/a grosseira, que não soube ouvir, ou que não olhou o filho dela e aí ele faleceu dois dias depois… mas não saem matérias de pacientes agradecendo o profissional que ouviu, que deu a mão e deu todo o conhecimento que podia. Que deu diagnóstico mas não pôde tratar porque não havia antibiótico correto, ou tratamento mais novo ou não tinha a disposição outros profissionais que faria a diferença na vida de certos pacientes, como fono, psicologia, terapeuta ocupacional…nem precisam haver matérias como essas, não é? As tragédias vendem mais e médicos não são profissionais que precisam de “mídia” (ou não deveriam), não precisam de agradecimento público. Basta um único agradecimento, às vezes com os olhos, às vezes só com a vida. Pronto. Valeu a pena 11 anos, por exemplo. Voltando ao plano de carreira, absurdo termos que nos submeter a certos empregos que não só pagam um salário muito baixo para um profissional com nível superior, como não oferecem 13o, INSS, férias, licença-maternidade… médica que engravida sofre, sabia? Trabalha até não poder não porque quer mais dinheiro, mas porque se ela pára, não recebe. NADA. NADINHA.
    Usar toda uma classe como “bode expiatório” para política e “politicagem” é absurdo. Entrar no jogo de quem inventa isso é bobagem. Para que? Quem ganha com isso? Você? Você é usuária do SUS. Mas de que SUS? Do sucateado mas com médicos ou do SUS “sem médico”? Porque se for do SUS com médico você não será atendida por alguém que não sabe a sua língua. Ou que sabe medicina mas não conhece os problemas de saúde básica do seu país. Ou do que temos a disposição para tratamentos e investigação. Não sou contra médicos de nenhum país, mas que se faça prova. O Revalida sim. É a única ferramenta, não perfeita, mas única, de tentar avaliar os conhecimentos básicos de um profissional que se formou em alguma universidade não conhecida pelo MEC. Se as nossas são “melhores”? Não cabe a mim verificar isso e, sim, ao MEC. Por que se permitiu a abertura de faculdades de medicina particulares de toda forma? Mesmo sem hospital escola?? A culpa é minha? A culpa é nossa. Na verdade. Se vocês, como população não confiam nos médicos, porque nos procuram? Porque nos exigem tanto?? Não falo da população leiga, mas por que você, por exemplo ou outros que têm melhores condições financeiras não procuram lá fora auxílio médico? Como alguns vizinhos nossos nos procuram, desesperados, por ajuda, por compreensão, por diagnóstico ou tratamento? E recebem?? Por que só reclamações? Ah sim, claro, existe a parte médica da culpa. Existe. Existem os profissionais que “sujam” a imagem da classe. Mas sério, todos? Nenhum médico do sus com quem você passou até hoje não te tratou bem? Não escolheu um bom tratamento para você? Não diagnosticou você ou algum familiar de forma correta?? Não acredito. De verdade.Conheço muitos médicos “humanos” e já encontrei com eles em vários lugares diferentes, inclusive no SUS. Conheço algumas regiões do país. Conheço alguns municípios de “interior”. Fui a lugares onde celular não pega, não há luz em algumas casas, algumas pessoas moram em cubículos de um cômodo e todos têm uma doença contagiosa, como tuberculose, por exemplo e, alguns, recusam a medicação pelos efeitos adversos…a equipe toda da saúde precisando intervir, aconselhar, não desistir…andar por lama, esgoto, para educar. Educar em português. Porque só dar remédio não educa. Trata. Não educa. Lugares onde haviam bons profissionais de saúde. Profissionais com boas intenções. E, por incrível que pareça, alguns NÃO REMUNERADOS. Por que queriam ser voluntários? NÃÃÃO! Porque sofriam calote. Oferece-se muito, mas a realidade… nem tudo que reluz é ouro, minha gente…
    Minha sensação, e a de vários colegas, é que quem critica vê um lado, o seu, claro, que é o lado que se conhece, mas não tenta nem ao menos conhecer o lado de um profissional que trabalha com dedicação, que escolheu a profissão por afinidade pessoal, por amor, por visão, por interesse, mas seja a razão pela qual escolheu, muitos mantêm a vontade de fazer medicina. Muitos têm compaixão pelo paciente. E coloca esse bem acima do SEU bem, acima do seu horário de almoço, do seu horário de descanso, das suas férias, do seu lazer…não sei de onde saiu tanto ódio pelos médicos. Não sei se pelos erros médicos com pessoas queridas ou com pessoas que nunca viu na vida, não sei se por questões meramente políticas, não sei se por falta de conhecimento, por inveja ou por ignorância total mesmo… mas só para completar, digo que isso só atrapalha a relação médico-paciente na vida real. Que essa relação é baseada na confiança e respeito. Sem isso não há relação médico-paciente. Sem essa relação, não se faz uma boa medicina. Sem uma boa medicina, meus caros, todos nós padeceremos. Todos nós. Sinto muito dizer isso.

    edir

    24/07/2013 - 09h11

    Mulher chora, defende Dilma e constrange médicos durante protesto
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    Publicado em Quarta, 24 Julho 2013 11:04 Escrito por Jussara Seixas

    Uma mulher chorou, defendeu o programa da presidente da República Dilma Rousseff (PT) e constrangeu os profissionais da área da saúde presentes no protesto contra o projeto Mais Médicos. Eles realizaram uma passeata pelas ruas da Capital (Campo Grande) para protestar contra a importação de 6 mil médicos do exterior e cobrar melhorias no SUS (Sistema Único de Saúde). Representante da ONG Mães Precoces Fragilizadas, Maria José Pinheiros ficou revoltada com o ato dos médicos contra o programa Mais Médicos.

    “É revoltante ver o protesto contra um Governo humanitário, que está tentando resolver o problema de falta de médicos”, afirmou a mulher. Bastante revoltada, ela gritou com os manifestantes, que a ouviram constrangidos. “Não é protesto, é baixaria. Não é justo vocês ficarem agitando desqualificando o programa do Governo”, disse ela. “Os médicos estão lavando as ruas de sangue ao invés de ajudar e buscar atitudes para ajudar idosos e crianças”, lamentou. “Não estão fazendo nada”, argumentou.A mulher, assim como os médicos, afirmou que não tem partido político nem preferência ideológica. Campo Grande News

    http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/

    nigro

    23/07/2013 - 21h06

    Esquerdismo… O médico é apenas mais um profissional. Não precisa ser altruísta. Precisa ser bem pago e cumprir sua obrigação com decência. Ganhar seu dinheiro e fazer com ele o que bem entender. Esses salários de 40 mil são piada! Mentira! E caso fossem, qual o problema em ganhar bem?

    edir

    24/07/2013 - 15h43

    Os médicos brasileiros näo säo obrigados a aceitar o que o SUS oferece, entäo respeitem os usuários do SUS que precisam do atendimento e näo atrapalhem o programa Mais Médicos. Para mim estäo sendo cretinos.

    Acássia

    30/07/2013 - 14h47

    Calma. Se alguém morrer nesse caos, a culpa não será do médico, não.
    E engenheiros também fazem pontes que caem nas cabeças….

    pampas74

    01/08/2013 - 16h22

    Que mal tem?!
    Basta vc ganhar R$ 650,00 e o “Dr.” R$ 40.000,00 para ver como se sentiria…
    No mínimo imoral, vergonhoso!!!!

Gilberto Marotta

23/07/2013 - 14h42

A entrevista/matéria é boa, mas existem contradições óbvias que não são exploradas. A visão do professor (e da entrevistadora) guarda certa intimidade com a visão de classe exposta, com bem menos racionalidade e educação, pelo CRM. Algumas considerações:
– Ao se falar de valores, esquece-se de considerar três coisas: medicina não é negócio, é sacerdócio; a realidade do país, em PIB per capita, se não é mais de 3º mundo, ainda não é de país desenvolvido; e o setor público jamais poderá se equiparar ao setor privado em remuneração, até porque o primeiro, no Brasil, tem se desenvolvido às custas deste último;
– Quando fala da elitização do ensino, a matemática do professor ofusca a verdade: sim, o ensino era fundamentalmente público, e foi cedendo terreno ao setor privado; mas o fato de ser fundamentalmente público no passado, jamais garantiu que a maioria dos alunos fossem pobres, muito pelo contrário. No Brasil, a elitização sempre se deu, fundamentalmente, a partir das universidades públicas. Tem sido sempre para lá que vão os alunos mais abastados, que tiveram acesso a melhor formação para passar na peneira das melhores faculdades. Essa matemática simples não dá conta da questão da elitização do ensino, e o governo do PT foi o 1º a tocar na ferida, não só com Pró-Uni e Fies, mas com o Reuni também. Aqui na UFBA quase não havia cursos noturnos, p.e. (para quem precisa trabalhar), começou a haver apenas recentemente, com o Reuni (ou seja, a universidade pública era feita para servir à nata da sociedade baiana e continuar perpetuando a exclusão). Nesse sentido, aliás, o curso de medicina é um dificultador em si para a popularização, pois devido à complexidade e estensão do currículo, é difícil (impossível?) ver cursos de medicina exclusivamente noturnos;
– O debate não pode deixar de considerar os grupos de interesse mercantilista que dominam a medicina ocidental hoje. Nossa medicina, seguindo o exemplo estadunidense, é focada no lucro e, portanto, na alta tecnologia, que na verdade é responsável por uma proporção muito menor de pacientes tratados. A medicina de assistência básica, sobretudo num país tão desigual como o Brasil, traria resultados práticos bem maiores e em menor tempo. Cito não só o exemplo de Cuba, mas o da China, que faz muito mais com muito menos. É ridículo o Brasil querer se espelhar na medicina estadunidense quando temos uma ilha de desenvolvimento, ainda cercada por bolsões de miséria por todos os lados. Os recursos do governo são escassos, e por isso devem ser direcionados prioritariamente para a solução dos problemas da maioria (de miseráveis), e não para a minoria (da elite);
– Finalmente, concordo com muita coisa que diz o entrevistado, mas o texto carece de urgência política. É verdade que muitas soluções são complexas e de longo prazo, mas isso todos já sabemos, e o governo também, e prova indubitável disso é que tão pouco foi feito até hoje. Mas estamos falando de vida e morte, não de filosofia. Para o povo dos grotões, da periferia, um paliativo como a vinda de médicos estrangeiros pode representar muitas vidas salvas e muito sofrimento evitado. Dilma acerta, portanto, pois independente das sérias questões estruturais a serem tratadas no SUS, há sim uma série de medidas mais simples e urgentes que podem ser tomadas não para solucionar o problema, mas para atenuá-lo. Não considerar isso é a maior prova da perversidade que permeia este debate e da insensibilidade de nossos médicos e, em particular, da oposição, incluindo os grandes grupos de mídia, ao explorar questão tão séria de maneira tão vil, apenas para aferir ganhos eleitorais em 2014.

Responder

    Carolina

    23/07/2013 - 18h39

    Gilberto Marotta, todos os argumentos são importantes. Todas as opiniões são válidas em uma sociedade. Porém é dificil terminar de ler a sua que começa com “medicina é sacerdócio”. Concordo completamente que não é negócio. Médicos não deveriam atender clientes e sim pacientes. Porém, APESAR DE TUDO QUE SE FALA, médicos pagam contas, precisam de comida, moradia, podem constituir famílias…a intenção é trabalhar de graça?? Não entendo. O sacerdócio que um médico vive não é encarado como trabalho-escravo, trabalho-voluntário, trabalho independente de condições dignas e mínimas. É uma escolha – de muitos – e requer muito amor e compaixão, além, claro, de muita força de vontade. TODO profissional pode e merece lutar por melhores condições de trabalho. Ainda que ele seja médico. Que tenha feito uma escolha por amor mas também merece receber salário digno. Qualquer um que deseja trabalhar como voluntário, seja como for, assim poderá fazê-lo. Se essa for sua vontade. Mas se você trabalha para se sustentar ou sustentar uma família, merece ter salário. Meio que chega dessa história de preconceito contra médico querer ter salário digno. É um profissional como qualquer outro, exceto que trabalha com a saúde/vida do ser humano. É, no mínimo, uma responsabilidade muito grande para alguém que tem direito de ser bem pago por isso. E entenda, bem pago, é uma coisa, lucro excessivo é outra. Não falo de lucros exorbitantes, mas do mínimo que se merece por se tratar de um trabalho exaustivo, com carga horária “pesada” e investimento de vida alto. Pode-se falar em trabalho por amor, mas sem salário…isso significaria que os médicos deveriam todos viver nas ruas?? Não compreendo tais argumentos…

    Elisa

    23/07/2013 - 20h58

    Não dá para entender esses comentários de chega de reclamar que médico quer ter salário digno, os médicos já têm salário digno. O que o governo oferece é uma bolsa de 10 mil reais, quantas profissões no Brasil ganham isso? Há médicos que vão para zonas de guerra que mal têm o que comer, e ainda assim vão para tentar salvar uma vida. Os 10 mil reais inicialmente eram para os cubanos, porque temos milhares de brasileiros morrendo sem assistência, os médicos brasileiros vetaram, depois foi oferecida a oportunidade para os brasileiros, O CFM entrou na justiça porque não têm plano de carreira, blá-blá-blá, mas há médicos que trabalham como plantonistas em clínicas particulares sem vínculo trabalhista e nunca houve reação das entidades médicas. A única coisa que ouvimos o tempo todo é a necessidade dos médicos, a necessidade dos médicos, do que os médicos precisam, ou seja, os brasileiros que estão morrendo devem se conformar e esperar anos para estruturar a carreira deles? Enquanto isso as pessoas sem assistência nas periferias e interior que morram? Nenhum desses que dão entrevistas sugerem uma solução para a situação de emergência que temos no Brasil. Uma das categorias mais bem pagas no Brasil, a quem não falta emprego, estão todos bem empregados vem falar que tem de pagar as contas? Além disso médico é profissional liberal, pode trabalhar como autônomo, o programa é visivelmente emergencial. Na fala de todos esses que se manifestam está claro que querem deixar a situação como está, nenhum deles sugere uma solução. O Revalida é um exame em que apenas 7% do médicos brasileiros conseguem passar, em 2012 52% dos médicos formados em São Paulo(com USP, Unicamp etc.) não passaram no exame simples do Conselho Regional de Medicina, está claro que querem esse exame para impedirem os estrangeiros de entrar. Quando se fala em fazer um exame para os médicos recém-formados brasileiros, ele diz que só uma prova não é suficiente, mas quer aplicar uma prova para os estrangeiros, o Revalida. Por que não pode fazer uma avaliação acompanhando o trabalho do médico já aqui como ele sugere para os brasileiros?

    Gilberto Marotta

    24/07/2013 - 15h41

    Eu não acho, Carolina, que dizer que a medicina é um sacerdócio, é o equivalente a dizer que tem que trabalhar de graça, até porque nem padre (e pastor) trabalha de graça, se vc não sabe. Apenas significa que envolve um nível de dedicação que, obviamente, não permite que o lucro esteja em primeiro lugar. Em outras palavras: quer ficar rico, não vá ser médico (nem juiz, nem político, nem professor…)

    Ana

    24/07/2013 - 11h46

    Como assim medicina é sacerdócio? É uma profissão como qualquer outra.
    E por que ao invés de uma bolsa de 10 mil reais, por que neo imagem um SALÁRIO de 10 mil reais, com direitos trabalhistas?

    Elisa

    24/07/2013 - 14h28

    Porque é uma situação emergencial, e todo bolsista no Brasil tem direitos trabalhista.

    Gilberto Marotta

    24/07/2013 - 15h48

    Não, NÃO É uma profissão “como qualquer outra”… se fosse eu teria sido médico, por exemplo. Não fui porque tenho responsabilidade, caráter e acho que a profissão exigiria de mim algo que não posso dar. Questão de sensibilidade, de empatia com o sofrimento alheio. E R$10 mil/mês, mais até R$30 mil/mês de ajuda de custo, é remuneração pra brasileiro nenhum botar defeito, com ou sem direitos trabalhistas.

Gilles

23/07/2013 - 14h39

Eu queria parar para aplaudir o bannerzinho de “Conteúdo financiado pelos leitores”. Transparência faz uma diferença danada.

Eu não sou seu público-alvo; venho acompanhando o Viomundo e o Brasil247 desde junho para ampliar um pouco a minha dieta de mídia; não concordo com a grande maioria do que se publica por aqui, mas tenho uma sensação boa de que se tenta (nem sempre se consegue; vide ilações alucinadas sobre Joaquim Barbosa em um momento em que o Rio está sob uma espécie de AI-5 estadual) ser coerente. Sim, enviesa muito pró-DIlma/pró-PT, mas a coisa boa é que eu já sei disso, como já sei quais são os vieses da Veja quando vou ler no domingo.

(O contraste negativo é a Carta Capital. Aquilo é um ninho de cobras.)

Parabéns, Azenha e equipe. Eu já disse em um ou outro comentário que o país precisa de uma esquerda mais forte e uma direita mais forte para ultrapassar o fisiologismo de centro-centro que tanto nos atrasa. Vocês estão fazendo a parte de vocês. Eu queria que a direita se organizasse (nos organizássemos) melhor…

Responder

    Mário SF Alves

    24/07/2013 - 07h49

    Ninho de cobras?!!
    ___________________________
    Como? Quais são as cobras? Por quê?
    _____________________________________

    Bonifa

    24/07/2013 - 12h30

    A intenção do rapaz foi apenas elogiar o sensatamente inelogiável Joaquim Barbosa. Assim procede o profissional da confusão informativa. Vai passando seu recado como se fosse passando assim, en passant, com “naturalidade” venenosa que por todos deveria ser tacitamente admitida. De quebra, se confessa leitor de Veja, embora reconheça que a mesma tem defeitos (deveria ser mais tétrica que é?). E elogia o dono do Blog, para dar curso tranquilo a sua intervenção. Seu ofício é também explicitado, monitorar o Viomundo e o Brasil 247.

Rose PE

23/07/2013 - 12h00

Olha que contradição mostrada nesta entrevista, os governos ao longo do tempo aumentam as vaga no privado em detrimento do público, depois querem resolver numa canetada essa questão da falta de médico, e o governo que tem discurso social aumenta ainda mais essa porcentagem, é difícil aguentar ler tanto desmando dessa gente. Esse Padilha ainda quer ser governador! É assim que se governa? Ao invés de atacar o problema , usar a caneta para dizer que agora tudo vai ser diferente? Insuportável ter que conviver com as atitudes dessa gente.

Responder

    Yacov

    24/07/2013 - 15h49

    Se não houvessem as manifestações de junho pedindo mais e melhores SAÙDE e EDUCAÇÂO, talvez este programa nem fosse lançado. Mas o POVO foi às ruas clamar por mais SAÚDE, o governo lança um programa emergencial excelente, que não tira o emprego de ninguém, que leva médicos às periferias e ao sertão pagando muito bem, e os DIREITOPATAS vem falar que o Governo quer resolver tudo na canetada?!? FRANCAMENTE … O que me parece óbvio é que com esse programa a popularidade do Governo sobe, e fica muito mais difícil o retorno dos TUCANALHAS NEOLIBERAIS ENTREGUISTAS e os partidos políticos das elites SONEGADORAS e LAVADORAS DE DINHEIRO OFFSHORE, que fazem a cabeça da maioria dos médicos mauricinhos filhinhos de papai, que morrem de medo de enfrentar a periferia e os grotões. Se estão com medo que fiquem no conforto de seus lares paternos escondidos debaixo das saias das suas mamães, e deixem o serviço sujo para os grandes médicos CUBANOS. Esse sim, são MACHOS, pois enfrentam um embargo econômico do Império há mais 50 anos no osso do peito, e humanitários o suficiente para não achar que pobre não precisa de médico, ou que atender pobres desmerece o profissional de medicina. E são médicos bons o suficiente para não temer qualquer revalida, que tiraria o diploma de muito pseudo-médico nacional, por aí. SIMPLES ASSIM.

    ANOS tuKKKânus LEWINSKYânus NUNCA MAIS !!! NO PASSARÁN !! VIVA GENOÍNO !! VIVA ZÈ DIRCEU !! VIVA A LIBERDADE, A DEMOCRACIA E A LEGALIDADE !! VIVA LULA !! VIVA DILMA !! VIVA O PT !! VIVA O BRASIL SOBERANO !! LIBERDADE PARA BRADLEY MANNING JÀ !! FORA YOANI !! ABAIXO A DITADURA DO STF gloBBBobalizado!! ABAIXO A GRANDE MÍDIA EMPRESARIAL & SEUS LACAIOS e ASSECLAS !! CPI DA PRIVATARIA TUCANA, JÁ !! LEI DE MÍDIAS, JÁ !! “O BRASIL PARA TODOS não passa no SISTEMA gloBBBo de SONEGAÇÃO – O que passa no SISTEMA gloBBBo de SONEGAÇÃO é um braZil-Zil-Zil para TOLOS”

    Luís Carlos

    24/07/2013 - 21h15

    Rose
    Uma “canetada”? Todas as medidas com vinda de médicos de fora do país, ampliação de vagas em graduações e residências, mais recursos para estruturar unidades de saúde ( cerca de R$ 12 bilhões no PACsaúde), … …isso é ” uma canetada”? Por favor, poderias sugerir o que deveria ser feito então? Ou você está com as entidades médicas, contra todas as medidas e bom é manter como está?

guru

23/07/2013 - 11h13

A classe médica sempre foi privilegiada no Brasil. Os médicos foram os primeiros e únicos profissionais a terem jornada de trabalho reduzida pela metade no serviço público. Acostumaram tanto com isso que hoje não cumprem mais horário contratado. Muitos municipios do interior pagam médicos que não ficam em seus postos de trabalho, apenas “passam” por ali. E os prefeitos nada fazem, pois ficaria pior. A solução é popularizar os cursos de medicina para acabar com essa idiossincrasia.

Responder

    Ana

    24/07/2013 - 11h49

    Isso dos médicos nao cumprirem horário contratado não é verdade totalmente.
    É muito comun o próprio município propor isso. Como o salário é baixo, eles propõem por exemplo trabalhar 4 dias ao invés de 5.

Eunice

23/07/2013 - 11h03

Conclusão: a expansão dos cursos de medicina se fez à custa de uma elitização brutal do acesso. E isso pode ser também um fator poderoso para concentrar os médicos em determinadas regiões e não motivá-los a ir trabalhar em outras.

(Para quem leu o artigo na pressa)

A questão pode estar no investimento em educação básica para todos. Mas se tivermos que resolver isso….. o sertão vai ficar 100 (cem) anos sem médicos…

Responder

Lindivaldo

23/07/2013 - 10h16

Muito bem!
Eis as respostas de alguém corporativista, médico, ex-presidente da Abem; que expressam exatamente o pensamento do CRM e demais entidades da classe; e que é repercutido, com alarde, na grande mídia!
Portanto, nenhuma novidade, exceto quanto às inúmeras contradições presentes na argumentação do entrevistado!
Agora, é preciso igualmente trazer ao debate os argumentos do outro lado…
Sugiro que a maioria dessas perguntas sejam dirigidas também ao representantes do Ministério da Saúde ou a outros médicos – e que são tantos – mas que pensam diferentemente!
Afinal, mostrar um só lado, sem abir espaço para as divergências, são práticas da imprensa conservadora e partidária…
E não desse blog, razão pela qual temos optado por esta alternativa de informação.
Abraços

Responder

    Magda Viana Areias

    23/07/2013 - 13h11

    Caro amigo, vc já viu a Carteira de trabalho do ministro Padilha? Sabe em quantos empregos ele já trabalhou? Quatos concursos ele já fez e em quantos passou, como médico? Pois conte pra nós!

    Lindivaldo

    23/07/2013 - 13h53

    Magda,

    E o que tem a ver a carteira do Padilha com este debate?

    O ódio cega….

    O debate, sem paixão, traz a luz…

    E o que a sociedade espera é que todos tenham acesso à saúde…

Magda Viana Areias

23/07/2013 - 09h11

O professor foi no gogó de tudo. Nota zero pro Padilha e pra Dilma

Responder

Ana Cruzzeli

23/07/2013 - 07h52

Dilma vem impondo várias agendas para 2014… Essa é mais uma… Ainda bem que ela tá do nosso lado.

Para aqueles que ainda não entenderam nadica de NADA , ainda estão entorpecidos por Morfeu …Vou tentar desenhar, não sou muito boa nisso não, enfim..

1-A questão TODA nunca foi só a falta de médicos, é mais, é o SUS meu irmão.

Quantas vezes o professor citou o SUS?

Ele AINDA não falou da CMPF. Mais cedo ou mais tarde vai ter que falar desse roubo sofrido pelo SUS, na verdade ele falou, só que não percebeu.

Antes de entrar na 2ª parte eu vou dar uma pausa, pois é maquiavelicamente LINDO. É tão lindo que dá vontade de dançar

2- Por que o o bolsa-escravidão, melhor seria bolsa-Isaura, afinal a maioria dos bolsistas serão de pele branca mesmo, tem o sobrenome SUS?
O projeto de extensão vai tramitar no CONGRESSO. Sim na casa onde a CPMF foi oficialmente roubada. Em 2011 Dilma apresentou o PL para taxação das movimentações financeiras e lá está mofando. Se sabe por baixo que o roubo na Receita Federal foi da ordem de mais de 1/4 de trilhão de 2008 até os dias de hoje.
Mercadante disse: Oh aí gente, a lei sendo aprovada só valerá para 2015. O que ele quer dizer com isso: Quanto mais discussão melhor, não precisa ser aprovada em 2013 pode ficar o tempo que for preciso TRAMITANDO.
Enquanto tramita o povo de fora se irrita esperneia vai para empresa vai ao STF quem sabe não vai ao Papa para que isso não aconteça.
Se passar, Dilma ganhou o jogo, se não passar ela ganhou o campeonato afinal os 2 anos não eram o que realmente importava era a discussão que tanta gente está reclamando que não houve, mas está tendo não é mesmo?
E mais
O Congresso por força das circunstancias terá que formar comissão e chamar o CFM, as associações médicas e patati patata. Enfim tudo lindo como manda a democracia. Com certeza o Conselho e as associações já devem está com requerimentos prontos e no dia seguinte à apresentação do projeto na casa eles estarão na COMISSÃO DE SAÚDE da Camara fazendo protocolo de participação, ou vão ficar fazendo biquinho para a imprensa? Será que a camara vai ter que ir atrás dessa gente fina pedir suas participações?

P.S.A maioria dos formados no Brasil não conseguem emprego nos 2 primeiros anos de formado e com isso renda. O governo está favorecendo um grupo de ter renda de tantos salários minimos tão imediatamente. Isso vai acabar sendo discutido lá no Congresso.

P.S.1 Ficamos sabendo em 2009 que o Ministério da Saude acionou o Ministério da fazenda para uma movimentação irregular em 4 estados da federação; SP, MG, RS e DF estariam desviando o dinheiro do SUS para os sistema financeiro. Muitos atribuem a queda da CPMF e outros arbitrios anteriores conta a constituição. A volta da CPMF em IOF se legitima. Há um principio que diz:
Se um projeto for apresentado sob um determinado argumento e eles não se concretiza outro projeto pode derrubar o anterior e o legislador usa dessa premissa. O caso em questão não é mais só uma são duas
1- A FIESP que apresentou o projeto em 2007 dizia que isso reduziria o preço de produtos gerais e a lei preconiza a cesta básica. ISSO NÃO OCORREU. Então os atuais legisladores tem isso a seu favor
2- Os 4 estados da federação foram vitimas de seus administradores com o mesmo ardil, FINANCEIRO. Então fica claro para a população que a queda da CPMF tinha objetivo de sonegação fiscal, mas também de que o sistema financeiro ficasse mais fácil de ser violado. Muitos legisladores temem perder prestigio se aprovarem a volta da CPMF,mas agora que a Rede Globo pode ser chamada pela comissão de fiscalização financeira não há tempo mais propicio para isso.
Tenho ainda fé que esse tributo seja restituído e a jogada do governo é mais que as aparências mostram.

Responder

    JJ

    23/07/2013 - 13h41

    Ah, então o problema é o baixo número de impostos… a pouca carga tributária ? Sei…

    Nos tempos de CPMF, o SUS era uma maravilha e não faltava profissionais ou estrutura ? Sei…

Rita

23/07/2013 - 01h39

“Até agora, a atuação do governo Dilma na saúde pode ser resumida como um conjunto de tentativas e erros”,
artigo Taquicardia, de Ligia Bahia
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2013/07/22/taquicardia-504293.asp

Responder

Jonhson

23/07/2013 - 00h40

Parabéns, extremamente lúcido e realista. É com pesar que vejo como ainda criticam os médicos como se o sacerdócio fosse inerente à carreira. Médicos especialistas, mesmo em Saúde da Família, levam pelo menos 9 anos de graduação e residência (algumas especialidades o estudo chega a 12, 13 anos) para poderem exercer suas funções, é um absurdo que não sejam oferecidos concursos para uma carreira de estado e a tão necessária estabilidade a esses profissionais. Basta abrir qualquer site de concursos e ver que recém formados em Direito podem pleitear boas carreiras com altos salários e condições de trabalho, enquanto os médicos e DEMAIS PROFISSIONAIS DA SAÚDE estão longe de ter ao menos DIGNIDADE para trabalhar.
Sinceramente, me dá nojo ver todo esse “ódio” e “satanização” contra os médicos. Existem maus profissionais em qualquer carreira, não só na Medicina. É tão esdrúxulo como dizer que para resolver o problema da fome deve-se importar cozinheiros, ou da educação, professores.

Responder

Gina

23/07/2013 - 00h14

Botou pra moer… Padilha!

Responder

Lindivaldo

23/07/2013 - 00h10

Conceição,
Você quer contribuir com o debate?
Entreviste também alguém do Ministério da Saúde ou outros médicos que divergem do entrevistado e até concordam com o programa Mais Médicos…
E que são tantos!
Pois é claro que a opinião do Dr Milton, que é médico e ex-presidente da Associação Brasileira de Educação Médica, seria em defesa da categoria!
Aguardamos ansiosamente por outras opiniões a respeito!

Responder

Mefistófeles

23/07/2013 - 00h08

Creio que o governo deve tomar atitudes para sanar as deficiências.
E acredito que haja abertura para diálogo.
Será que este governo, mesmo com estes tropeços, deve ser linchado?
Com todos os defeitos, há boas intenções.

Responder

Antônio Carlos

23/07/2013 - 00h08

Sendo imparcial, não passa de guerra de picuinhas. Qualquer um sabe que havendo o programa ou não haverá mudança alguma – o problema já começa com um erro enorme: bolsa vai fixar alguém em algum grotão? Padilha quer arrumar briga com a classe médica, os médicos querem arrumar briga com Padilha. Quem está correto? Nenhum dos dois. Um projeto desses não passa de uma briga de egos.

Responder

    Eunice

    23/07/2013 - 10h56

    Está havendo um processo contra Padilha. Dizem que ele é mentiroso e na verdade não é um infectologista. Pode?!
    Se é assim, para que serve o Conselho, que deixa passar esse tipo de coisa e deixa que ele chega a ministro? Pode ser especulação, claro.

    Sobre a comparação de salário com juízes e promotores….. faça-me o favor! O Brasil vai quebrar e não teremos médicos.
    Aqui sim, é que se deve comparar com médicos ingleses.

    Minha sugestão é: baixar o salário de 8.000 para 2.000,00. Assim fica com o poder aquisitivo dos médicos ingleses e sobra para os direitos trabalhaistas que sabemos ser por volta de 100% do salário.O Estado gastaria 4.000,00.Pois ninguém quer que médicos tenham poucos ou diferentes direitos trabalhistas dos demais trabalhadores.

    Baixar o salário dos promotores estrelas e dos juizes estrelas. O salário deles está um escárnio com a população pobre. Inclusive pela qualidade do trabalho.Já se o governo tiver dinheiro pra todos os brasileiros, será apoiado.

    Sobre a sobra de médicos no futuro. Importante! Se é para o governo gastar valores e depois exportar médicos, não se deve fazer. Ocorre, que
    avisaram tarde o governo. Já vai sobrar em poucos anos pelo que vejo, e isso é uma das razões da reclamação.

    Ronaldo Marques

    23/07/2013 - 12h09

    “Ocorre, que avisaram tarde o governo. Já vai sobrar em poucos anos pelo que vejo, e isso é uma das razões da reclamação.”

    E a classe médica sabe disso. Neste rumo, a própria lei de oferta e procura vai se encarregar de “baixar o preço” do médico daqui a alguns anos. Médicos, bem vindos à classe trabalhadora!

    J Souza

    23/07/2013 - 16h15

    E por falar nos “baixíssimos” salários dos médicos ingleses…
    “Bonuses for doctors: how GPs are earning up to £380,000 a year?.. And up to £200 an hour for work they used to do for free”
    http://www.dailymail.co.uk/news/article-1204065/The-GP-earning-380-000-year–hours-doctors-200-hour.html

    Viva os “bons samaritanos” ingleses…

J Souza

22/07/2013 - 23h25

Espero que não façam com a Medicina o que fizeram com o Magistério. Aumentaram a quantidade sem se preocupar com a qualidade. Espero que no futuro não se “curem” os doentes como hoje em dia se “educam” as crianças, porque isso só vai levar ao enriquecimento dos donos de hospitais e clínicas particulares, como ocorre hoje em dia com as escolas particulares em detrimento das públicas. O problema maior do SUS hoje em dia é a falta de acesso, mas a qualidade pode piorar muito.
Os políticos só pensam nas próximas eleições…
Querem ter o mesmo número de médicos de países como Canadá e Inglaterra, mas gastando uma parcela muito menor do PIB em Saúde. Ou seja, o que eles querem mesmo é médicos com “salários” cubanos, seja de onde forem, seja de que tipo forem…

Responder

Valmont

22/07/2013 - 22h37

Conceição Lemes, você fez a melhor matéria sobre a questão da saúde pública de todos os tempos. Essa entrevista foi muito esclarecedora e necessária, porque estamos em meio a uma guerra, em que pipocam “verdades” para todos os gostos. Uns dizem que sobram médicos, outros, que faltam médicos e assim ninguém sabe qual é a realidade.
O entrevistado demonstrou profundo conhecimento do assunto, trazendo uma abordagem clara, objetiva e racional. Coisa rara hoje em dia.
Parabéns! Mandou muito bem.

Responder

Robson

22/07/2013 - 22h14

No fundo, no fundo os médicos e as instituições fazem a escolha racional de controlar a oferta (nº de médicos) para impor preços absurdos à demanda (doentes, o povo…). Parem de falar em preocupação com a saúde e usemos a linguagem direta da economia. É esta a ferramenta que explica a posição dos médicos. O resto é floreio. Cai quem quer. Fossem os cursos de Pedagogia no Brasil apenas 200 e o Conselho fosse forte, professores da educação infantil ganhariam 20 mil.

Responder

    Ronaldo Marques

    23/07/2013 - 12h13

    Perfeito, Robson! Direto ao ponto. Os médicos estão preocupados com seu excesso de demanda baixando seus preços.

Robson

22/07/2013 - 22h06

Não vi em que a posição do médico entrevistado difere das que circulam entre seus colegas privilegiados num ambiente de miséria. Em resumo, não tem sugestões, acha as sugestões dadas ruins e acaba por advogar que tudo continue com está, pois é isto que significa dizer que o ´”problema não é só salário, mas segurança…”. Bom, eu, como professor, imagino se pudesse usar esse argumento para não ir para a periferia por mil e não vinte mil reais por mês. Para mim, foi só uma versão ilustrada do corporativismo.
A solução é sempre apropriar mais o estado para os grupos que deles mais se beneficiam. Isso fica patente na sugestão de tornar a profissão de médico carreira de Estado, como a de promotores e juízes, isto é, salários de 25 mil reais e regalias absurdas em um contexto de escassez brasileira.

Responder

    francisco niterói

    22/07/2013 - 23h02

    Clap clap clap.

    Totalmente de acordo. A questao da seguranca entao foi dose… É claro que temos que lutar pela seguranca, mas entao a solucao seria fechar escolas? E fabricas? Bem, desde que os “pobretoes ” nao deixem de vir pra zona de elite “limpar latrinas”..

    Maria Thereza

    23/07/2013 - 17h53

    Em nenhum momento o brilhante doutor se lembrou dos pacientes! Esses que esperem a mudança ESTRUTURAL da formação, carreira, segurança,direitos trabalhistas, para aí, quem sabe, por uns 2 anos, eles concedam a graça de atender os que ainda não morreram. As propostas do governo podem não ter ouvido as entidades de classe ou terem sido apressadas. Mas, até ontem, a necessidade de mais médicos era premente. Isso mudou? Até onde eu sei, ninguém será amarradao ao tronco e levado para lugares remotos. É um ato de vontade e, quem sabe, até de solidariedade. A tecologia existe até para se fazer conferências, tirar dúvidas, et.

Francisco

22/07/2013 - 21h37

Em resumo: o Programa “Médico Sem Fronteira” é “impossível”.

Médico gringo não pode, porque vai demorar a aprender a língua, formar médico daqui, não pode porque vai demorar muito (dez anos), transferir médicos do litoral/capital para o interior só dando emprego público estável e bem remunerado (mais remunerado que o prefeito – eleito)…

Aí, eu quero!

Se esses cabras já não aparecem no serviço com vinculo “precarizado” imagina “estatutário”.

O que precisa é rever a estabilidade no emprego público. Vendo isso, resolve meio mundo…

Responder

    Ana

    24/07/2013 - 12h16

    Os médicos que participam do Médivos sem Fronteiras não são voluntários. Participam de um processo seletivo difícil e caro (as entrevistas são na França). A grande maioria dos médicos do MSF não realiza atendimentos direto aos pacientes, e sim colaboram para estruturar o servico local (exceto cirurgiões e anestesistas). A grande ajuda do MSF é a logística e insumos. Eles levam tudo o que precisam e que nao há no local, e insumos é justamente o que falta no Brasil.

Zaneli Malta Prata

22/07/2013 - 21h29

Mais um corporativista entrevistado que contribuiu muito pouco para o debate. Apesar de afirmar que a relação médico paciente no Brasil é inadequada e não vislumbrar sua solução a longo prazo, ele é contrário a vinda de médicos estrangeiros para o país. Além disso, considera a língua uma barreira importante na vinda destes médicos, quando sabemos que existem médicos cubanos trabalhando na Africa e Asia, lugares onde as dificuldades de comunicação poderiam ser ainda maiores que no Brasil. Outro ponto contraditório da entrevista é quando o entrevistado se diz favorável ao revalida para os estrangeiro, mas contrário à sua aplicação ao brasileiro, defendendo para estes exames distribuídos ao longo do curso, o que poderia também ser empregado para os estrangeiro ao longo de sua permanência no país. Vale lembrar, ainda, que compreensiva reporte não fez menção sobre o estado dos Tocantins já ter trazido médicos cubanos para atuarem no estado, experiencia esta exitosa, segundo depoimento do Secretário de Saúde da época, mas que não foi levada adiante pela perseguição jurídica ao programa pelas entidades médicas.

Responder

Nadja

22/07/2013 - 21h10

Reconhece a falta de médicos no Brasil, bem como sua má distribuição. Admite a prestação de serviços obrigatória para o SUS, como forma de retribuição ao financiamento da sociedade, mas não só para o médico. Concordo: se houver carência de determinado profissional em alguma região do País, nada mais justo do que retribuir por um período mínimo à sociedade. Quanto à duração do curso de medicina se tornar muito longa no Brasil com o acréscimo de dois anos, tenho minhas dúvidas: sei de um amigo médico australiano que, após formado e já ser considerado médico, teve que aderir a um programa para servir como Junior Doctor em área remota da Austrália na área de GP (General Practice). Somente após esse período é que ele pôde retornar a sua cidade natal e trabalhar num grande hospital, sob a supervisão de um médico mais experiente, para poder fazer sua residência e especialização em psiquiatria. Somente após a especialização, ele obteve a licença para ter um consultório particular. Quanto à criação de uma carreira de estado para os profissionais de saúde, é uma ideia interessante, desde que passemos a adotar um modelo de saúde exclusivamente público. Ora, se a comparação é com juízes, é fundamental que se tenha em mente que a eles é vedado exercer privadamente a função de “julgador” ou mesmo de advogado. Não há nenhum sentido criar uma carreira de estado para médicos e permitir que eles mesmos concorram com a saúde pública. Por fim, o revalida: obviamente devem passar os médicos estrangeiros por um exame apto a auferir minimamente o preparo do profissional para atuar no Brasil, mas não concordo que a única forma para tal seja o Revalida – até porque o índice de reprovação do Revalida no Brasil tem um índice de reprovação discrepante em relação aos seus equivalentes em outros países, o que merece uma melhor investigação. Mais, se ele defende que os advogados também prestem um serviço em retorno à sociedade (com o que concordo), e TODOS os bacharéis em direito passam pela OAB para atuar como advogados, por que TODOS os formados em medicina não passariam pelo Revalida? Se a avaliação do curso somente ao fim do curso é equivocada para a medicina, também o é para a OAB.Outrossim, há que se separar a solução de longo prazo, com o que se conta maior tempo para o debate, da de curto prazo, inclusive para medicina emergencial em lugares remotos. Finalmente, não vejo qualquer incompatibilidade em lutar por melhores condições de trabalho nos locais onde já HÁ médicos. Para os locais onde não há, como o próprio entrevistado reconhece, as condições de trabalho, por mais precárias que sejam, não justificam a ausência de uma providência do Estado para fornecer à população a presença de médicos a fim de garantir minimamente o seu direito universal à saúde, ainda que por meio de uma medicina preventiva ou sem grandes recursos tecnológicos (exames podem ser colhidos no local e enviados a um laboratório mais próximo, por exemplo). Finalmente, o crucial a ser debatido pela sociedade no longo prazo: nós queremos um modelo de medicina mais focado na prevenção (menos lucrativo, porém mais barato para os cofres públicos e melhor para o indivíduo) ou na doença?

Responder

Sírio-Libanês diz que médico "desistente" não trabalha lá - Viomundo - O que você não vê na mídia

22/07/2013 - 21h01

[…] Mílton de Arruda Martins e as iniciativas do governo Dilma na área da Saúde […]

Responder

Mauro Assis

22/07/2013 - 20h42

Que entrevista boa! Uma voz de sensatez nessa cacofonia que se formou a partir da reação intempestiva do governo às manifestações das ruas.

Responder

    Lindivaldo

    22/07/2013 - 22h07

    Mauro,
    Embora não se saiba o que você quer dizer com “cacofonia”, é bom lembrar que o Governo informou a possibilidade da vinda de médicos em maio-2012, embora os estudos vinham sendo realizados há bastante tempo, enquanto que as manifestações ocorreram em junho de 2012.
    Portanto, então não se trata de decisões improvisadas, apenas a aceleração de sua execução, após os protestos, e o debate resultante, por conta do corporativismo de uma categoria, o que é normal numa Democracia!

    Mauro Assis

    23/07/2013 - 15h34

    Lindivaldo, quando eu escrevo cacofonia não estou me referindo só à questão dos médicos, mas ao conjunto da obra: constituinte eleitoral, plebiscito a valer para 2014, corrupção dolosa (?) como crime hediondo (inócuo, e também já um assunto velho), trazer milhares de médicos cubanos… Aí vem o vice e fala que não tem jeito a constituinte, o líder do PT diz que o plebiscito até pode rolar mas não agora, o maior partido de apoio ao governo troca plebiscito por referendo, aparece a ideia de esticar o curso prá oito anos, o governo passa a falar em médicos europeus (Dilma explicitou cubanos).

    Se isso não é cacofonia… O governo, sem entender o que veio das ruas ou entendendo mas não querendo assumir, saiu numa espécie de brainstorm, cuspindo ideias. E isso ficou mais claro com a entrevista do doutor aí de cima.

Joe

22/07/2013 - 19h52

Muito consciente, mas sofre dos mesmos males dos outros. Pensamento corporativismo (coisa que invejo profundamente, pois na minha área, jornalismo, não há nenhum !!) e elitista.
A comparação com Canadá e Austrália é extremamente injusta.
Aqui temos locais que estão na idade média. Toda produção está nos grandes centros. Poucos trabalhadores tem oportunidade de mudar de estado/cidade para trabalhar, coisa que vemos bastante em filmes americanos.
Ok, é muito ruim ir para um local onde não tem internet, tv a cabo e etc…mas fazer o que?… toda carreira tem seus contras…
A questão das “visões de SUS” não estão em debate. Quem trabalha por um
“modelo americamo” é a elite, que acha que pode pagar. ACHA, até ver seu patrimônio dilacerado pagando uma internação em UTI particular. A maioria dos planos ou seguros de saúde cobre pouco mais de 1 mês de UTI, depois amigão, vai para o SUS!

Responder

    João Guilherme

    22/07/2013 - 23h24

    Joe, o debate é sério, não seja tão rasteiro. Se manque

    Joe

    23/07/2013 - 12h25

    Comé???? Dê sua opinião, se mostre, faça algo útil além de um troll bobo.
    Pq seu planinho de saúde cobre vários meses de UTI???

    Daniel

    24/07/2013 - 11h36

    Os outros profissionais tem que entender uma coisa: o médico se responsabiliza diretamente por vidas e, numa situação de emergência, não tem nem tempo pra pensar e planejar, só agir, mas pra isso, precisa de recursos: ampolas de adrenalina, desfibrilador… Mesmo pra fazer prevenção, o Coelsterol não aparece escrito na testa de ninguém, tem que pedir exames e médico não mija sinvastatina, tem que estar disponível na farmácia.
    É DIFERENTE de professor que pode exercer sua profissão apenas com sua voz (quando muito, um quadro negro e um giz) ou jornalista que exerce sua profissão com caneta e papel ou o engenheiro que pode ficar de horas a dias fazendo cálculos antes de erguer um prédio

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