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Marilena Chauí e a classe média: “Como se o mundo tivesse posto em risco todos os seus valores”

publicado em 30 de agosto de 2012 às 16:00

Na terça-feira 28, o Coletivo dos Estudantes em Defesa da Educação Pública realizou, na Faculdade de Ciências Sociais da USP, o debate A ascensão conservadora em São Paulo. A filósofa e professora foi uma das debatoras. Abaixo a fala dela no evento.

Veja também:

André Singer: Neoliberalismo no Brasil é retardatário

Vladimir Safatle: O conservadorismo filho bastardo do lulismo

Requião: A privataria petista

Paulo Kliass: Na fila, portos, hidrovias e aeroportos

Datafolha: Rejeição a José Serra salta para 43%

Saul Leblon: O sarau entre Clinton, Blair e FHC

Paulo Ghiraldelli Jr.: A antessala do arrocho salarial

Miguel do Rosário: O ódio contra a democracia

 

141 Comentários para “Marilena Chauí e a classe média: “Como se o mundo tivesse posto em risco todos os seus valores””

  1. qua, 22/05/2013 - 23:09
    Girolando Mathias

    Faz todo sentido, desde que a classe média aumentou significativamente com as políticas inclusivas dos governos petistas. Mas, não deixa de ser paradoxal se o pobre, ao deixar de ser pobre, passar a ser da classe média e agir como um burguês. Como resolver essa contradição, companheira Chauí?

  2. sáb, 01/12/2012 - 21:31
    Cláudio

    Marilena Chauí é a maior intelectual da contemporânea realidade brasileira. Diz o que diz com segurança e propriedade, muito além do simples discurso supostamente panfletário. Eu amo (com a razão, gosto muito de) essa mulher!

    • qua, 22/05/2013 - 23:02
      Girolando Mathias

      E o presidente Lula é o maior líder de esquerda que o mundo contemporâneo já produziu. Talvez, Lula seja maior que o próprio Lênin. Longa vida, Lula.

  3. [...] Marilena Chauí: O mundo da classe média “ruiu” [...]

  4. [...] de resposta da grande Marilena Chauí, que, esta semana, causou furor nas redes sociais com sua a participação no Coletivo dos Estudantes em Defesa da Educação Pública realizou, na Faculdade de Ciências [...]

  5. sáb, 08/09/2012 - 19:37
    victor cappa

    … E pra variar, reduz toda e qualquer relação social em luta de classes. Muito obrigado! Se não fosse essa senhora para explicar o que nós, paulistanos de classe média, conservadora, reacionária, (e agora os xingamentos), autoritária, fascista somos, acho que passaria minha vida toda achando que as pessoas são um pouco mais profundos do que isso.

  6. [...] http://www.viomundo.com.br/politica/marilena-chaui-a-classe-media-paulistana-e-sinistra.html // The A atroz civilidade dos paulistanos by Blog do Sorrentino, unless otherwise expressly stated, is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 3.0 Brazil License. [...]

  7. seg, 03/09/2012 - 17:02
    Rafael

    então vejamos
    1. ela aborda os ocupantes do carro aos gritos (isso é uma agressão)
    2. ela pré-supõe pelas vestimentas, veiculo e maquiagem que são da classe média, arrogantes e fascistas (preconceito)
    3. ela se diz agredida
    4. os ocupantes assim como o veiculo se retiram do local

    acho que se ela tivesse pedido educadamente, sem agredir com gritos autoritarios, ou até ter se calado e deixado as coisas fluirem naturalmente o carro abandonaria o local e ainda evitaria todo o episódio desnecessário, é o que acontece quando um autoritário encontra outro: confronto

  8. [...] Requião: A privataria petista Paulo Kliass: Na fila, portos, hidrovias e aeroportos [...]

  9. dom, 02/09/2012 - 14:16
    Messias Franca de Macedo

    “ESCUTA ESSA!”

    Ao me aproximar de uma banca de jornais e revistas, deparei-me com a capa da [famigerada e nefasta] revista que atende pela [abominável] alcunha de ‘Veja’: ‘ATÉ QUE ENFIM – sobre a condenação dos réus do tal mensalão! –… E [com] a perspectiva inédita da prisão dos corruptos, o Brasil reencontra o rumo caminho ético…’

    COM A PALAVRA A EGRÉGIA E IMPÁVIDA DOUTORA ELIANA CALMON: “A corrupção no Poder Judiciário brasileiro continua a mesma, apenas ficou mais exposta” A juíza foi determinante para colocar a justiça brasileira sob holofotes, e tratar os deslizes dos magistrados com pulso forte, punindo alguns, entre eles na Bahia, com o afastamento do desembargador Rubens Dario que estaria envolvido em venda de sentenças. A ministra disse que ainda há muito a fazer para corrigir o judiciário brasileiro e declarou que, ao dizer que há magistrados que “são bandidos de toga” não se arrepende e faria tudo novamente. Aliás, a declaração colocou a ministra baiana no primeiro plano do Judiciário e chamou a atenção das incumbências legais do CNJ. (…)
    FONTE: http://www.bahianoticias.com.br/

    MAIS subsídios para entendermos o Judiciário brasileiro, ‘correia da engrenagem do sistema’(!): O desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, suspendeu o processo relativo à Operação Monte Carlo, que investiga as atividades do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Com a determinação, o juiz responsável pelo caso, Alderico Rocha Santos, não poderá tomar qualquer decisão sobre o processo, que ficará parado até que as empresas de telefonia, responsáveis pelas linhas que foram grampeadas pela Polícia Federal, forneçam extratos telefônicos detalhados sobre os dados acessados pelos policiais durante as investigações que levaram à prisão de Cachoeira. Apesar da suspensão, o contraventor permanecerá detido.
    RESCALDO: depois da edição desta semana da ‘Veja’, Policarpo Junior & os Civitas dormirão impunes?!…

    República de ‘Nois’ Bananas
    Bahia, Feira de Santana
    Messias Franca de Macedo

  10. [...] Marilena Chauí: O mundo da classe média “ruiu” [...]

  11. [...] Marilena Chauí: O mundo da classe média “ruiu” [...]

  12. [...] Marilena Chauí: O mundo da classe média “ruiu” [...]

  13. dom, 02/09/2012 - 12:34
    Regina Braga

    Como sempre brilhante…A nossa Chomski,a porta voz do humanismo,dos sem mídia,dos petistas não sufocados pelo governismo sem postura.

  14. dom, 02/09/2012 - 11:22
    MARINALVA

    ELEIÇÃO EM FORTALEZA: DECLARAÇÃO DE VOTO
    (Fora de Pauta, mas ainda com relação à caçada ao PT)

    Dois amigos me perguntaram em quem eu votaria para Prefeito de Fortaleza- CE, e se o julgamento do “mensalão” interferiria no meu voto.

    Aqui vai a minha resposta: Eu espero que o ELMANO DE FREITAS, candidato do Lula e da atual prefeita de Fortaleza, portanto, do PT, chegue ao segundo turno, juntamente com o eterno perdedor Moroni Torgan (do DEM, um dos candidatos da extrema direita raivosa e do Jornal o POVO (o segundo é o candidato do PSDB, Marcos Cals, mas esse não tem a menor chance).

    Vou ficar de olho nas pesquisas.

    Se as pesquisas indicarem que a disputa no segundo turno será entre Inácio Arruda (PC do B) ou mesmo entre Heitor Férrer (PDT) contra Moroni ou Roberto Cláudio (o candidato poste do Governador Cid Gomes), eu votarei em um dos dois primeiros, aquele com chances de chegar ao segundo turno.

    Meu voto já está decidido e eu só assisto ao Programa Eleitoral gratuito para ver Lula ao lado do Elmano.

    Um desses três que chegar ao segundo turno(Elmano, Inácio Arruda ou Heitor Férrer) será, na minha opinião, o prefeito de Fortaleza. Os partidos progressistas estão divididos no primeiro turno, mas no segundo vão se unir, não tenho dúvida.

    Com relação ao “mensalão”, eu pergunto: que “mensalão”?. A essa altura do campeonato, o que esta palavra significa, depois da falta de compostura dos senhores juízes da suprema corte que claramente optaram por um julgamento político?

  15. dom, 02/09/2012 - 8:19
    Amaro

    INDIO TUPI, seu comentário, ou melhor, sua matéria merece um destaque. Meus parabéns, rapaz.

    Sinto-me contemplado a ponto de não ter muito a acrescentar de importante à ela.

    Adiciono, entretanto, só um pequeno comentário.

    Veja como é inescrupulosa e corrupta a nossa burguesia: no afã de melar o pleito deste ano, e através de uma pressão feroz dos meios de comunicão dos quais ela é detentora, ela EXIGE que os juízes da Suprema Corte se desmoralizem e desmoralizem a própria instituição pela qual deveriam zelar.Onde está a tão propalada isenção da justiça?

    Nem mesmo Kafka, nos seus momentos de maior inspiração como ficcionista, imaginaria uma situação desse tipo.

    Está claro que o julgamento é político. E diante deste fato, só resta aos “condenados” apelarem para uma corte internacional de justiça.

  16. dom, 02/09/2012 - 1:02
    simas

    Interessante; os raciocínios conduzem a um juízo final. A conversa partiu do encadeamento de várias premissas, conduzindo ponderações, pra se objetivar o entendimento de como funciona a alma, a psicopatia da chamada classe média, paulistana. Mas, me perdoam; eu já acho q podemos reduzir, tdo, à expressão mais simples: paulista. Pq o paulista tem como paradigma o paulistano… Depois, existe, ainda, esse problema de classificação do q seja classe média; o IBGE, a estatística nos enumera uma coisa; porém, no caso, estaríamos tratando do aspecto sociológico e humano. Interessante, qdo olho pra Espanha, desde ontem, no passado, vejo uma guerra, suja, experimental, onde se defrontaram dois lados. Saiu vencedor o tal do Franco, q ao final de uma ditadura, deixou um legado, “promissor”… Um rei. Isso, mesmo. O supra-sumo da elite, conservadora. Engraçado, q até a pouco tempo, atrás, o povo espanhol evoluiu e conseguiu se enganar, a si próprio, como se fosse parte de uma elite… Não nos importa q o espanhol viesse pro Brasil e só conseguisse se projetar como dono de lupanar; não importa. Pq, por lá, na santa terrinha ele transparecia como do primeiro-mundo. Como eram “bestinhas”, os gajos… Se achavam o máximo; até q a barca virou e tdos caíram n’água… Parece q a elite, dominante, mundial lhes mostraram o seu lugar. Parece. Então, é isso, aê; tem uma classe, dominante q tem o poder físico, material, da produção e uma outra classe, trabalhadora, q sintetiza a força operante. E a classe-média, em jogo, é a massa de manobra da classe, dominante. Gente, a verdadeira classe, dominante, nem precisa ser conservadora; pq tem a força, propriamente dita… Veja o q ela proporcionou p’ros bestinhas, espanhóis, deixarem de ser otários. Eles, se observarem, bem, é q seriam conservadores; já q bem o sabem, correm riscos de sobrevivência, se a ordem social inverter… Devem pensar: Poxa, botamos a massa trabalhadora pra funcionar, já q temos o diploma (Olha, só!!!… ) e sabemos o “como fazer”… Ou a classe-média não é dona das técnicas de produção?… Por isso, é q a classe-média tem horror ao alargamento de sua faixa populacional; por essa razão q ela comanda o império da nulidade, escolar, no seio das classes menos favorecidas. Por isso, a manutenção das diferenças regionais de desenvolvimento e qto mais pobreza, melhor. Interessante, heim?..

  17. sáb, 01/09/2012 - 21:56
    Fabio Passos

    classe média & PiG: cara de um… focinho do outro

    Mais um exemplo de preconceito de classe e de gênero disseminado pelo PiG e assimilado como algo normal pela classe média:

    Para Veja, quem cuida de casa, claro, é a mulher
    http://somosandando.wordpress.com/2011/05/10/para-veja-quem-cuida-de-casa-claro-e-a-mulher/


    Esgotaram as almofadas no mercado. Os consumidores, loucos pelo conforto, disputam a única que sobrou na loja aos tapas.

    Almofada. Um objeto. Podia ser caneta, relógio, espelho, bolsa.

    Mas na verdade são domésticas. Um objeto.

    Na visão da Veja, um objeto. Exatamente isso. O preconceito de classe estampa a capa da Veja São Paulo, com a qual tive o desprazer de topar no aeroporto de Congonhas.

    A matéria era a diminuição no número de empregadas domésticas. Pauta: trabalho. Em tantas matérias que tratam de questões trabalhistas, avalia-se o que muda na vida do trabalhador. Aqui não. Aqui, trata-se única e exclusivamente do conforto das donas de casa.

  18. sáb, 01/09/2012 - 20:18
    Moacir Moreira

    Quanta hipocrisia.

    Então a Marilena mora na periferia junto ao povo trabalhador?

  19. .
    .
    A título de colaboração e apenas como adendo ao artigo muito bem elaborado pelo Indio Tupi:

    A maioria dos contestadores da professora Marilena Chauí não assimilou, aqui, o conceito de Classe Média proposto com brilhantismo didático pela filósofa.

    Na concepção de Marilena, a Classe Média não é a mesma “Classe C” definida pelo IBGE e pela FGV apenas por critério de faixa de renda, isto é, por capacidade de poder aquisitivo apto ao consumo de bens.

    Os trabalhadores, enquanto ofertantes do trabalho contratados por salário, e os empresários, enquanto contratantes do trabalho ofertantes de salário, de acordo com a professora Chauí, não estão inseridos na Classe Média.

    Assim, na cadeia de produção (sugestiva expressão) dos bens materiais, a Classe Média seria uma espécie de limbo marginal à relação trabalhista, porque não detentora dos meios de produção nem produtora de mercadorias e composta de não contratantes de trabalho* e nem contratados por salário.

    Daí o conflito interno em que se colocam os componentes da Classe Média: no bojo da sociedade, possuem renda alta e grau de escolaridade elevado, têm acesso fácil a todos os bens de consumo, podem até se dizerem ricos, mas, para o próprio rancor, não detêm o poder econômico dos Donos do Capital, não são “Patrões”.

    Esse dilema ideológico-cultural intrínseco é o diferencial mais importante que, na essência, distingue a Classe Média das outras duas classes sociais.

    Então a Classe Média, na ambição de se apropriar dos meios de produção, usa e abusa de toda e qualquer forma para alcançar esse objetivo, com egoísmo, com preconceito, com agressão moral, com violência psicológica, tendo sempre os capitalistas, os “Donos do Dinheiro”, como paradigmas.

    Foi isso que Cazuza quis dizer com os versos “a burguesia fede / a burguesia quer ficar rica”, significando “burguesia” a “Classe Média” e “quer ficar rica” como “quer ser detentora da propriedade social dos meios de produção”, ainda que rica, nas palavras de Marilena.

    Ao mesmo tempo, a Classe Média, em razão da predominância político-ideológica que exerce no meio social, tenta atrair a classe trabalhadora assalariada para o campo capitalista, através de fetiches consumistas elaborados pelas empresas de propaganda e marketing e veiculados fundamentalmente pelos oligopólios empresariais de comunicação de massa, notadamente o rádio e, principalmente, a televisão.

    Aliás, os que atualmente são denominados pela mídia “empreendedores individuais” poderiam ser considerados legítimos representantes dessa Classe Média definida pela professora Marilena Chauí.

    Em suma, os constituintes da Classe Média assumem a ideologia dos detentores do Capital, todavia, para angústia e desespero próprios, não detêm verdadeiramente o Capital, e sonham (ou têm pesadelos, como diz Chauí) incessantemente com a obtenção desse Poder Econômico inalcançável, enquanto tratam com desprezo, asco e preconceito a classe trabalhadora assalariada, tentando seduzi-la à mudança de classe.
    .
    .
    *Excetuado o trabalho doméstico que é considerado escravo pela própria Classe Média.
    .
    .

    • sáb, 01/09/2012 - 18:23
      Cibele

      Brilhante, Franco.

      • .
        .
        Valeu, Cibele.

        Um abraço camarada e libertário.
        .
        .
        Por oportuno, duas CORREÇÕES:

        1) Foi isso que Cazuza quis dizer com os versos “a burguesia fede / a burguesia quer ficar rica”, significando “burguesia” a “Classe Média” e “quer ficar rica” como “QUER SER DETENTORA DA PROPRIEDADE PRIVADA DOS MEIOS SOCIAIS DE PRODUÇÃO”, ainda que rica, nas palavras de Marilena.

        2) … sonham (ou têm pesadelos, como diz Chauí) incessantemente com a obtenção desse Poder Econômico inalcançável, enquanto tratam com desprezo, asco e preconceito a classe trabalhadora assalariada, tentando seduzi-la à mudança IDEOLÓGICA de classe.
        .
        .

    • sáb, 01/09/2012 - 20:50
      Escolar

      Oi Franco, vô retribuir a gentileza:

      IMPECÁVEL!

      • .
        .
        Bondade sua, Escolar.

        Houve alguns “deslizes dialéticos materialistas”.

        Mas agradeço muito a retribuição, pois, como você mesmo afirmou,

        o importante é “não deixar desaparecer o pensamento crítico”,

        cada vez mais em falta nas famílias, nas escolas e nas universidades.
        .
        .

    • ter, 04/09/2012 - 14:28
      Carlos N Mendes

      Cristalinamente claro. Muito obrigado.

  20. sáb, 01/09/2012 - 11:58
    Bruce Guimarães

    O PT já cedeu ao neoliberalismo há muito tempo. O que está faltando para chamar o PT de direita? Aliar-se com o capeta?

    • ter, 04/09/2012 - 14:40
      Carlos N Mendes

      O PT governa a Nação com princípios 22,5% socialistas. Lula governou sendo 20% socialista, porque com 20% de socialismo, a direita tenta tomar o poder por meios imorais, mas ‘no limite da responsabilidade’. Se Lula tentasse governar com um esquema, digamos, 30% socialsta, estaria hoje, 2012, exilado em Cuba. O PT sabe que bater de frente com uma elite rica, arrogante e desprovida de (quase nenhum) escrúpulo seria suicídio, o país voltaria a 1964 em questão de semanas. O plano do PT é conquistar corações e fazer retrolavagem das mentes, mergulhadas em medo e preconceito contra a esquerda, e isso leva décadas. Pelo índices de popularidade da presidente, isso parece que está funcionando.

  21. [...] O Conversa Afiada reproduz vídeo publicado no Viomundo: [...]

  22. sáb, 01/09/2012 - 11:19
    Indio Tupi

    Aqui no Alto Xingu, os índios acham o seguinte:

    1) Todos sabemos que, por trás dos chamados Três Poderes, que configuram o Estado, atua o verdadeiro poder, formado por interesses financeiros, industriais, agropecuários e comerciais, vinculados ao mercado interno e/ou ao comércio exterior, que monopolizam as matérias primas, os meios de produção e os aparelhos de comunicação, de construção da subjetividade e dos valores;

    2) Esses interesses constituem aquilo que os Economistas Clássicos chamariam de burguesia, uma espécie de classe dominante que, embora classe, não é um bloco homogêneo de interesses, motivo pelo qual ocorrem, às vezes, sérias disputas entre esses segmentos dentro do Estado, com um ou outra facção procurando atrair para seu lado segmentos dos trabalhadores, da chamada “classe média” e até, raramente, dos que “são parte de parte alguma”;

    3) Essa chamada burguesia se organiza como bloco algo unificado unicamente quando se trata da defesa de seus interesses contra as reivindicações do trabalho assalariado, urbano ou rural — segmento que perfaz a imensa maioria da população –, cujo único recurso é a mercadoria chamada força de trabalho, que vende “livremente”, por meio de contrato de trabalho, àquela classe dos proprietários;

    4) No meio desseas duas principais classes encontra-se um segmento social, que não constitui uma classe social na acepção dos Economistas Clássicos, que é a complexa e complexada “classe média”, constituída por profissionais liberais, pequenos comerciantes, funcionários públicos, etc., desprovida dos meios de produção e das matérias-primas — monopólio da burguesia;

    5) Essa “classe média” tem a ilusão de que, com muita perseverança e por meio de um esforço contínuo de poupança ao longo de toda a vida, possa, um dia, vir a acasalar-se com a classe burguesa e, em sendo assim, obviamente, devota enorme desprezo tanto aos trabalhadores quanto ao segmento social que se lhe encontra abaixo — classicamente chamado de proletariado-lúmpen, hoje conhecido como “a parte de parte alguma”;

    6) Essa “parte de parte alguma” é constituída de favelados, desempregados, de trabalhadores precarizados, sem vínculo de emprego, à base de “bicos”, mendigos e dos que vivem à margem da lei, cujo contingente vem aumentando constantemente ao longo do capitalismo — aqui e em qualquer parte do mundo –, sistema econômico que tem como uma das suas principais armas, no confronto com os trabalhadores, a introdução contínua da tecnologia poupadora de mão de obra, em tempos algo pacíficos, e da repressão do Estado, nos momentos de crise;

    7) É sabido que o valor das matérias-primas, da força de trabalho e dos meios de produção — trabalho pregresso congelado — é transmitido, inclusive pela depreciação, às mercadorias fabricadas, bem como que a força de trabalho, ao longo da jornada de trabalho, gera mais valor do que o valor que lhe é pago como salário para custear os bens necessários à sua vida e reprodução (famílias e filhos), com o valor excedente sendo apropriado pela classe detentora dos meios de produção;

    8) Nesse processo, inelutavelmente, com a concentração e a monopolização crescente da renda em uma classe, em detrimento dos trabalhadores e da “da parte de parte alguma”, a chamada classe média também sofre um processo de aviltamento de sua renda, posição social e, o que é pior, da dissolução de seu sonho utópico de eterna noiva neurótica da burguesia, crise para o qual não encontra explicação, tornando-se, por esse motivo, presa fácil dos aparelhos de comunicação, de construção da subjetividade e dos valores;

    9) Ora, se, por um lado, temos o clássico desprezo e temor da “classe média” em relação aos segmentos sociais que lhe estão abaixo — qual visão fantasmagórica de um moderno Frankenstein ameaçador –, em permanente ascensão numérica pela automação da produção, pela exclusão e precarização social, por outro, temos o verdadeiro pavor que lhe assomou o espírito por este Drácula brasileiro, fruto da recente ascensão social de cerca de mais de 40 milhões de pessoas, beneficiárias de diversos programas sociais de governo, que vieram “ocupar a sua praia” (no sentido dos benefícios sociais que, antes, lhes eram indisputados);

    10) Evidentemente, tomada de tamanha, embora injustificada, insegurança, a “classe média”, a nossa moderna noiva neurótica, “traumatizada”, “fragilizada”, tornou-se alvo propício à manipulação política dos aparelhos de comunicação, de construção da subjetividade e dos valores;

    11) É sabido que a burguesia sempre defende a atuação do Estado nos conflitos sociais, à exceção de quando historicamente não o controlava, no regime aristocrático e antes da Revolução Francesa, ou nos raríssimos casos em que esse Estado tenta impor, por pressão dos tralhadores e dos demais segmentos sociais, reformas sociais que lhe ferem os interesses, como vimos no filme de 1964, quando atuou em parceria com a “classe média”;

    12) Com o esgotamento das condições econômico-sociais que mantiveram o regime de exceção, houve uma confluência de segmentos sociais descontentes em torno de um partido político, formado originalmente por trabalhadores dos centros industriais, ao qual se agregaram simultanea ou progressivamente trabalhadores rurais e segmentos expressivos da classe média e da intelectualidade, inclusive a incorporação de profissionais liberais, pequenos comerciantes, funcionários públicos e excluídos sociais;

    13) Essa frente social veio a se constituir no Partido dos Trabalhadores (PT), verdadeira arena de interesses sociais, “populares”, os mais diversos, embora quase que totalmente constituído de assalariados, embora nem por isso, em conjunturas diferentes, com objetivos diferenciados, daí a falta de uma coerência filosófica e ideológica que balizasse seus Estatutos e Programas ao longo do tempo;

    14) Depois de travar disputas eleitorais e perder por força da firmeza original de seus ideário e programa, o PT flexibilizou suas crenças e valores precisamente para atrair o eleitorado da até então algo assustada “classe média” e segmentos do empresariado, o que conseguiu com notável sucesso, a ponto de eleger e reeleger um presidente, e, depois, eleger uma presidenta com a indicação e apoio do antecessor, lastreados, todos, pelos efeitos das polpíticas de inclusão social de cerca de 40 milhões de brasileiros;

    15) Mas, nesse processo, o PT transformou-se, perdeu a pouca consistência de ideário e programa, assemelhando-se a um “partido da ordem”, a ponto de vir a valer-se, em seus esforços eleitorais, dos tradicionais esquemas usados por partidos políticos contentores, esquemas esses amplamente conhecidos e tolerados, inclusive pelos Três Poderes do Estado e dos aparelhos de comunicação, de construção da subjetividade e dos valores;

    16) Com a crise global, deflagrada em 2007 e até aqui sem solução à vista, dado o altíssimo endividamento das famílias e governos nos países avançados, com a decorrente queda do consumo, do investimento e da atividade econômica, que influênciam negativamente a economia de todos os países, inclusive o Brasil, há como que a necessidade de uma nova reacomodação dos interesses no seio da burguesia, com impactos em termos de políticas sociais, salarial e de emprego na classe trabalhadora, na “classe média”, nos segmentos que ascenderam socialmente e na “parte de parte alguma”;

    17) Se segmentos da burguesia acirram a luta entre si, especialmente por parte da reação da fração mais rentista (financeira [juros], de seguros [prêmios] e setor imobliário [renda da terra], que vive de capital fictício e de bolhas (ganhos de capital) — vide a brutal queda da Selic real, de 18,32% a.a. na octaéride Fernandista, para 8,23% a.a. nos dois períodos Lula, e que deve ficar em torno de apenas 2%.a.a até dezembro –, o mesmo seria de se esperar entre os trabalhadores, a “classe média” e “a parte de parte alguma”;

    18) É nesse contexto que tem que ser analisado o papel dos aparelhos de comunicação, de construção da subjetividade e dos valores, no sentido de fragilizar e debilitar o partido político que serviu de abrigo a essa ampla frente política que derrotou o regime de exceção, eis que, nesta época de crise global, escasseando os recursos e as oportunidades, frações da burguesia, para reforçarem seus interesses, terão de atrair para sua esfera de influência segmentos sociais, inclusive os integrantes ou apoiadores do PT;

    19) A oportunidade foi criada, qual um ovo da serpente, pelo próprio PT, ao herdar nada menos que do PSDB um esquema de financiamento de eleição, até antão tolerado, visto com complacência pelos Três Poderes do Estado e pelos aparelhos de comunicação, de construção da subjetividade e dos valores, os quais, anteriormente, sem o menor pudor e sem o menor tremor ético da “classe média”, varreram para debaixo do tapete os seguintes escândalos:

    a) a confessada compra da revisão constitucional em 1987, para permitir a reeleição do Presidente, fato até admitido por FHC:

    b) as fitas gravadas pela Polícia Federal e os fatos escandalosos que vieram a público sobre os favorecimentos de grupos no processo da privatização da Telebras, que, na ocasião, envolviam nada menos que R$ 22 bilhões (moeda da época);

    c) a apuração do chamado escândalo PCFarias, que resultou em processo com mais de 1.000 páginas, envolvendo 400 empresas, mais de 100 empresários;

    d) as denúncias, os documentos e os registros de recursos desviados para os “paraísos fiscais”, constantes do livro “A Privataria Tucana”;

    e) a desmontagem da Operação Sathiaghara, interrompida por um falso “grampo” de conversas entre o “ilustre” ex-Senador Demóstenes Torres e um notório — e “bota” notório nisso — ministro do STF, “grampo” esse desmentido por inquérito posterior da PF;

    f) a quase que transformação em réu do delegado que chefiou essa operação e do Juiz que supervisionou sua atuação, sem falar na destituição, da Chefia da PF, do delegado Paulo Lacerda, absolutamente inocente no caso; e

    g) a indisponibilidade de valor expressivo, detidos pelos governos dos EUA e da Inglaterra, com a interrupção da Operação Sathiaghara.

    20) Evidentemente, como a memória é curta, a forma de desconstrução psicológica tanto de trabalhadores, como da “classe média” — para fazê-la regredir à subjetividade de uma melodramática-lacrimosa ex-atriz de novela (lembrem-se: “Eu tenho medo!”) –, dos segmentos que experimentaram recente ascensão social e até de fímbrias dos excluídos, de forma a transformarem-nos em caldo de cultura propício à uma cooptação política, foi acionar todo o poder de fogo dos aparelhos de comunicação, de construção da subjetividade e dos valores.

    21) Relembremos: Quando não tinha o controle do Estado, a burguesia era anti-constitucionalista e anti-estatal. Quando o conquistou, impôs o Estado à sua imagem e semelhança e o seu Direito (Código Napoleônico). Tornou-se Constitucionalista. Quando se viu ameçada por reformas sociais, nos anos 1960, invocou a “Tradição, a Família e a Propriedade” — esta última seu pilar fundamental –, rasgou a Constituição, desconstruiu o Estado e encarcerou a liberdade.

    22) Resta saber se toda essa artilharia pseudo-moralista midiática será capaz de provocar novas acomodações e alianças políticas entre os diferentes atores sociais e em que rumos, à semelhança do populismo demagógico de direita, citado pela Professora Marilena< à la Jânio Quadros, nos anos 1950, o qual, posteriormente, tentou um Golpe de Estado por meio de uma renúncia que "gorou";

    23) Vamos ver se haverá gente suficiente para formar o bloco dos inocentes úteis, atraídos pelo canto da sereira dos aparelhos de comunicação, de construção da subjetividade e dos valores — do qual tanto saíram (1) o político de direita, Roberto Jefferson, advogado, antigo defensor dessa figura indiferenciada, chamada consumidor, em um antigo programa de TV, "O Povo na TV", como seu novel aprendiz e imitador, Russomano, outro defensor do consumidor, manipulação política que encontra terreno fértil apenas em solo na municipalidade paulista.

    • sáb, 01/09/2012 - 18:32
      assalariado.

      Caro Indio Tupi, sua breve análise abraca o tripé (três poderes) a serviço de fato e de direito, do modo de produção capitalista, onde os donos do capital, que também, são os donos dos meios de produção, estão escondidos, propagandeado pelo PIG, como Estado de Direito. Este é o nome fantasia que os mercados e/ou burguesia capitalista usam para se ocultar dentro do seu cavalo de troia, um verdadeiro presente de grego do capital para os assalariados e a sociedade. Este tripé, corre por dentro do Estado, e é, fator decisivo para a continuação da exploração e dominação do capital sobre os assalariados e a sociedade, É uma de suas ferramentas, atua também, através da Carta Magna, segundo seus conceitos de democracia, que nunca vai além dos muros e dos interesses economicos do capital.

      Saudações Socialistas.

  23. sáb, 01/09/2012 - 10:02
    Luiz Clete

    A classe média violenta e decadente é mãe do “jeitinho brasileiro”.

  24. sex, 31/08/2012 - 22:34
    Fabio Passos

    As constatações da Marilena Chauí sobre a classe média racista e preconceituosa de São paulo são na verdade bem óbvias.
    A classe média transborda em preconceitos contra a maioria pobre.

    Alerta importante para a classe média incomodada com a realidade: A leitura da revista veja por longo período causa danos irreversíveis a capacidade intelectual. rsrs

    “Nova classe média incomoda parte da velha classe média, aponta Data Popular”
    http://www.cartacapital.com.br/economia/nova-classe-media-incomoda-a-velha-classe-media-aponta-data-popular/


    A análise do Data Popular mostra que 55,3% dos integrantes da integrantes da tradicional classe média pensam que os produtos à venda no mercado deveriam ter versões para ricos e para pobres. Aponta também que a piora em alguns serviços (como o excesso de filas) também é apontada como um desconforto causado pelo acesso da nova classe média para 48,4% dos que responderam à pesquisa.

    • sáb, 01/09/2012 - 14:07
      Ferreira

      Pra quem não sabe a matemática é a seguinte:
      Escravocratas = Fazendeiros Paulistas da República Velha= UDN = ARENA = PFL + PSDB = Dem +PSDB.
      São golpistas: levaram Vargas ao suícido, depuseram Goulart e apoiaram 25 anos de ditadura. Enriqueceram e nunca amaram o Brasil.O sonho dessa gente é revogar a Lei Áurea, manter o povo em perpétua estupidez e entregar o país por 30 moedas de prata,como Judas fez com Cristo.
      A classe média paulista e paulistana é neoliberal,egoista, individualista, preconceituosa e arrogante.
      Em grande parte o retrocesso do país (Ditadura milita) foi apoiada por estes reacionários.

      • sáb, 01/09/2012 - 17:25
        Fabio Passos

        Pois é.

        “A classe média paulista e paulistana é neoliberal,egoista, individualista, preconceituosa e arrogante.”

        … mas não admite que ninguém fale sobre isso. rsrs

  25. sex, 31/08/2012 - 20:31
    eric

    gentileza gera gentileza, talvez se ela tivesse sido gentil, a história teria sido outra.

  26. .
    .
    Ibope: Haddad e Serra empatados tecnicamente no 2º lugar em SP;

    Rejeição a Serra bate em 50% entre eleitores jovens (Datafolha);

    48% acham Kassab péssimo (Ibope).

    (Carta Maior)
    .
    .
    Buffet farto, orquestra afinada e pista vazia

    Por Saul Leblon, no Blog das Frases

    Há certo gosto de decepção no ar.
    O conservadorismo que durante meses, anos, cultivou o julgamento do chamado mensalão como uma espécie de terceiro turno sanitário, capaz de redimir revezes acumulados desde 2002 no ambiente hostil do voto, de repente percebe-se algo solitário na festa feita para arrebanhar multidões.

    Como assim se os melhores buffets da praça foram contratados; a orquestra ensaiou cinco anos a fio e o repertório foi escolhido a dedo?

    Por que então a pista está vazia?

    Pouca dúvida pode haver, estamos diante de um evento de coordenação profissional.

    O timing político coincide exatamente com o calendário eleitoral de 2012; a similitude e a precedência comprovadas do PSDB na mesma e disseminada prática de caixa 2 de campanha –nem por isso virtuosa–, e que ora distingue e demoniza o PT nas manchetes e sentenças, foi enterrada no silêncio obsequioso da mídia.

    Celebridades togadas não sonegam seu caudaloso verbo à tarefa de singularizar o que é idêntico.Tudo caminha dentro do figurino previsto, costurado com o afinco das superproduções, o que falta então?

    Apenas o essencial: a alegria do povo.

    A população brasileira não tem ilusões. Ninguém enxerga querubins no ambiente nebuloso da luta política. Consciente ou intuitiva, ela sabe a seu modo que a política brasileira não é o que deveria ser: o espaço dos que não tem nenhum outro espaço na economia e na sociedade.

    A distância em relação ao ambiente autofestivo da mídia condensa essa sabedoria em diferentes versões.

    Privatizada pelo financiamento de campanha a cargo dos mercados, a política foi colonizada pelos mercadores.
    Afastada do cidadão pelo fosso cravado entre a vontade da urna e o definhamento do voto no sistema representativo, a política é encarada exatamente como ela é: um matrimônio litigioso entre a esperança e a decepção.

    O PT do qual se cobra aquilo que não se pratica em muitos círculos – à direita e à esquerda – é protagonista dessa ambiguidade; personagem e cronista dos seus limites, possibilidades e distorções.

    Que tenha aderido à lógica corrosiva do financiamento eleitoral vinculado ao caixa 2 das empresas e , ao mesmo tempo, protagonizado um ciclo de governo que faz do Brasil hoje o país menos desigual de sua história (de obscena injustiça social), ilustra a complexidade desse jogo pouco afeito a vereditos binários.

    Essa ambiguidade não escapa ao discernimento racional ou intuitivo da sociedade.

    Se por um lado semeia degenerações clientelistas e apostas recorrentes nos out-siders que se apresentam como entes ‘acima dos partidos’, ao mesmo tempo é uma vacina de descrença profilática em relação a encenações de retidão como a que se assiste agora.

    A repulsa epidêmica dos eleitores de São Paulo a um dos patrocinadores
    desse rega-bofe, do qual se imaginava o principal beneficiário, é sintomática do distanciamento que amarela o riso de vitória espetado nos cronistas convidados a animar o evento.

    O baixo custo eleitoral do julgamento em curso no STF, contudo, não deve ensejar alívio ou indiferença na frente progressista da qual o PT é um polo central.

    O julgamento do chamado ‘mensalão’ por certo omite o principal e demoniza o secundário.
    Ao ocultar a dimensão sistêmica a qual o PT aderiu para chegar ao poder, sanciona o linchamento de um partido democrático, uma vez que desautoriza seu principal argumento de defesa.

    A meia-verdade atribuída aos réus do PT pelos togados e promotores está entranhada na omissão grotesca da história de que se ressentem suas sentenças pretensiosamente técnicas, envelopadas em liturgia mistificadora.

    A pouca ou nenhuma influência eleitoral desse engenhoso ardil que elegeu a ausência de provas como a principal prova condenatória diz o bastante sobre o alcance da hipocrisia vendida como marco zero da moralidade pública pelos vulgarizadores midiáticos.

    Não é esse porém o acerto de contas com o qual terá que se enfrentar o PT.

    Após uma década no governo federal, o partido, seus intelectuais, lideranças e aliados nos movimentos sociais tem um encontro marcado com uma indagação incontornável, que não é nova na história das lutas sociais:

    Em que medida um partido progressista tem condições de se renovar depois da experiência do poder?

    Em que medida tem algo a dizer sobre o passo seguinte da história?

    Íntegra em:

    http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1075

  27. sex, 31/08/2012 - 19:32
    Fabio Passos

    Olha o lixo-branco da classe média de São Paulo em ação:

    Racismo em SP: espancado covardemente, homem é chamado de ‘preto amaldiçoado’
    http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/03/racismo-em-sp-espancado-covardemente-homem-e-chamado-de-preto-amaldicoado.html


    Um homem foi brutalmente espancado enquanto passeava com sua namorada na praça central (turística) de Embu das Artes. Dois rapazes de classe média, Wellington Rodrigues Pereira e Vinicius de Almeida, flagrados durante a agressão, foram presos logo após espancarem a vítima. Episódio tem conotação racial.

    (…)

    Na Delegacia, Ivan Romano revelou que a todo o momento, durante a agressão, os agressores o chamaram de folgado, vagabundo, maloqueiro e preto amaldiçoado.

    Atenção para quem assistir o vídeo. As imagens são muito fortes.

  28. sex, 31/08/2012 - 17:59
    Bruce Guimarães

    Juro que eu me esforço, mas não consigo entender a lógica dessa senhora.

    • sex, 31/08/2012 - 21:08
      Escolar

      Então vamos tentar uma didática algo mais primária:

      • Ética é um substantivo.

      • “Ética” empresarial é um adjetivo que está regendo a constituição da sociedade ocidental.

      • O adjetivo “ética” empresarial não tem nada a ver com o substantivo Ética, do qual foi deturpado.

      • A classe média baseia seu pensamento, seu modo e sua visão de vida de acordo com seu cotidiano. Seu cotidiano consiste em trabalhar para alguém. Esse alguém geralmente tem dinheiro mais do que suficiente para pagar outras pessoas para fazer um serviço que não seria capaz de fazer sozinho.

      • Isso é chamado empresa. A pessoa dona da empresa é chamada patrão.

      • As empresas tem por padrão conseguirem por todo e qualquer meio um treco meio esquisito chamado lucro. O lucro faz com que pessoas como o patrão dono da empresa não meçam esforços em ganhar sempre mais e mais outro troço meio esquisito chamado dinheiro.

      • Com o dinheiro as empresas compram um negócio chamado publicidade. O pensamento da classe média; aquilo que eles conversam, imaginam e sonham comprar com o dinheiro que o dono da empresa lhes paga, é regido por uma coisa chamada propaganda nos meios de comunicação.

      • Os meios de comunicação são empresas. São empresas que se especializaram em ganhar dinheiro de outras empresas. Para isso defendem uma coisa chamada lógica empresarial. A lógica empresarial é prima em segundo grau da ética empresarial. Que não tem nada a ver com Ética.

      Que tal Bruce?

      • .
        .
        Se eu fosse o Bruce, diria ao Escolar: – Perfeito!

        Mas como não sou o Bruce, vou eu mesmo dizer ao Escolar:

        PERFEITO !!!
        .
        .

      • sáb, 01/09/2012 - 11:48
        Bruce Guimarães

        Ficou mais ou menos!!! Você tinha que definir o que ela pensa do que é ser classe média??? Mercedez rima com classe média mesmo?

    • sáb, 01/09/2012 - 20:33
      Escolar

      Na verdade eu até divirjo de uma orientação que ela deu ao discurso, mas acho importantíssimo que se conheça as mazelas da sociedade. É imperativo não deixar desaparecer o pensamento crítico.
      E não, eu teria como definir o que ELA pensa da classe média sem atropelar meu próprio pensamento.
      A classe média atual é uma criação das elites; dos detentores dos meios de produção, dos detentores dos valores monetários, para servir como gerentes a seus interesses. Em todos os aspectos.

    • dom, 02/09/2012 - 1:56
      M. S. Romares

      Às vezes é preciso mais do que esforço…

  29. sex, 31/08/2012 - 12:53
    Leonardo

    O PT não suporta a idéia de que a esquerda está saindo de seus quadros, por isso, ataca o crescimento do PSOL, do PSTU, do PCO, do PV e dos novos partidos com quem o velho partidão não consegue disputar mais a tal da hegemonia que tanto valoriza.
    Os movimentos sociais e partidos políticos não acomodados sabem que o PT -do jeito que está, conformado à direita ultraliberal e lutando pela disputa do eleitorado conservador- não atende mais às demandas da esquerda brasileira, por isso, há um desespero em atacar os radicais que abandonaram o partido. Isso é triste, porque o partido já perdeu grandes quadros e continuará se esvaziando se continuar nessa tendência de se entregar aos sabores mais desavergonhados da direita malufista e tucana.
    Russomano é um vazio político completo, mas chegará facilmente na Prefeitura se o PT continuar nesse lenga-lenga de flertar com o capital financeiro, atacar os funcionários públicos e os professores.
    Enterro semântico e pragmático do velho PT, que a cada dia mais capitula diante do grande balseiro direitista em que se tornou o governo federal de Dilma.
    Se querem disputar com o PSDB, tem que mostrar não só a rejeição ao Serra, mas sim demonstrar a todos que o rejeitar a Serra e Kassab é dizer não às políticas facistas desses senhores e propôr a construção de algo bem diferente para São Paulo, com a defesa dos direitos sociais e humanos fundamentais para todos os paulistanos.
    Só assim conseguirá polarizar com a polícia e política de Serra e o conservadorismo(?) de Russomano.

    • sex, 31/08/2012 - 16:07
      Carlos N Mendes

      Caro Leonardo, evitando longa cantilena, gostaria de deixar claro que algo que está faltando na percepção da ‘verdadeira esquerda’: o adversário, NESTE MOMENTO HISTÓRICO, é a direita, e não o PT. A direita tomou uns diretos no queixo, mas continua de pé e já iniciou um contra-ataque. Qualquer cizânia da esquerda trabalha em favor da direita. É lógico que o PT errou e continua errando; não há dúvida alguma quanto a isso. Mas você deve ter visto o que essas dezenas de greves geraram de argumentação em favor das ataques da imprensa direitista. Se o jeito pusilânime e conciliador do PT gera ÓDIO no adversário, o que você diria de agir como o PSTU? Há mais de um meio de se destruir o adversário, e conquistar seus corações é um deles. É só ver os índices de aprovação de Dilma. É preciso muito mais de 9 anos e meio para mudar uma centenas de anos de mentalidade vassalo-escravocrata. Um abraço.

  30. sex, 31/08/2012 - 11:37
    Marcelo de Matos

    Esse pessoal não consegue uma visão global do Brasil: raciocina sempre por blocos. Isso os leva a descobrir as peculiaridades da classe média paulistana, para eles muito diferente das classes médias baiana e cearense, por exemplo. A ascensão política de Russomanno, porém, deve ser estudada de outra forma. Quem defende o consumidor no Brasil? Será que o discurso psolista é suficiente para suprir as suas demandas?

    • sex, 31/08/2012 - 12:36
      Brn

      Marcelo, que pessoal? A análise da Chauí não tem essas pretensões de generalização, como é acusada. A descrição q ela dá da classe média paulistana é um tipo ideal q se manifesta frequentemente nos valores e atitudes da classe média paulista e pode servir como uma referência para pensar valores e atitudes no resto do país.

      Em relação ao Russomano, pois bem, encontre sua resposta na fala do Prof. Vladimir! Não poderia estar mais bem explicado

  31. sex, 31/08/2012 - 10:43
    Leonardo

    Mais importante que demonizar os partidos – mea culpa euzinho aqui, quando me revolto contra os partidos PT e PSDB – é lutar para que os partidos recuperem a luta pela defesa e dignidade da pessoa humana, abominando de vez as plataformas reacionárias em seus discursos e práticas. É preciso humanizar os partidos políticos, rechaçar os discursos facistas que se instalam no seu interior. Utopia?
    O desejo maior de nossa Carta Magna é a luta para que seja concreto o respeito à dignidade da pessoa humana.

  32. sex, 31/08/2012 - 10:08
    Leonardo

    Para o discurso de Marilena realmente fazer sentido, o pressuposto é que ela deixe o PT e venha para as fileiras da contestação aberta ao capitalismo financeiro a que o governo Dilma se entregou completamente.
    Com todo o respeito à filósofa, o discurso é avançado, bate fundo contra o autoritarismo, mas o Partido dos Trabalhadores, o Governo Federal e a Sociedade Brasileira, ao se entregarem ao panegirismo do grande capital, estão a girar nesse grande vazio onde se constroem fantasmas conservadores da pior espécie.

  33. sex, 31/08/2012 - 10:03
    Leonardo

    Decepciona saber que o velho PT deixou de enfrentar esse carrancismo da high classe média e passou a disputar com o desbotado PSDB a preferência do voto reacionário.

  34. sex, 31/08/2012 - 8:21
    abolicionista

    Parabéns à professora Marilena, uma voz lúcida em meio a esse mar de ódio, medo e preconceito que é a ideologia pequeno-burguesa. Grande traidora de classe, Marilena mostra que o pensamento crítico continua vivíssimo e incomoda muita gente, apenas por dizer a verdade. Para a classe média paulistana, contudo não há nada mais intolerável do que a verdade.

    • sex, 31/08/2012 - 8:45
      Fabio Passos

      Também achei estimulante. Devemos mesmo enfrentar e questionar abertamente o comportamento fascista da classe média.

  35. sex, 31/08/2012 - 7:29
    Fabio Passos

    Marilena Chauí acertou na veia.
    E tem alguns classe média que se reconheceram… mas não gostaram do que viram no espelho. rsrs

    A idiotia desta classe média reacionária – que despreza o povo brasileiro – é incentivada pelo PiG.

    • sex, 31/08/2012 - 8:23
      Rodrigo Leme

      Esse é o tipo de discurso que a Chaui representa: pega em cheio naqueles com pouco discernimento, terreno fértil para passar o ódio para a frente.

      Infelizmente, pessoas como o Fabio são muitos, por isso ela ainda acha campo para esse discurso retrógrado e desumano, de colocar pessoas contra pessoas em nome de ideologia política.

      • sex, 31/08/2012 - 9:08
        Romanelli

        Olha ..acho que vc tem razão aqui sim ..antigamente eu deixava passar barato teóricos como ela ..até achava graça ..hoje acho que criam e difundem ódio, quando não, criam-nos de mais problemas com suas simplificações e conclusões de padaria

        lembro que foi numa destas que os COTISTAS RACISTAS, que a maioria de JUÍZO nunca levou a sério, foi assim que eles acabaram vindo com um monte de teorias que nos fez nos sentirmos pior do que uma Austrália, Africa do Sul e EUA recentes ..isso, pra logo em seguida nos copiarem uma lei alienígena a nossa experiência

        discurso feito na base do achismo ..da simplificação barata ..cheio de estereótipo mesmo ..coisa horrível

      • .
        .
        Rodrigo Leme,

        Esse seu discurso representa uma ideologia política

        que, infelizmente, detém a hegemonia em São Paulo.
        .
        .

    • sex, 31/08/2012 - 9:12
      abolicionista

      É isso mesmo, Fábio. E o mais interessante é que o ódio de alguns comentadores equivale a um desmascaramento. Condenam a Marilena por fazer aquilo que, segundo a máxima, todos em uma democracia deveriam fazer: expor suas opiniões, pensar livremente. Ou seja, é como se eles estivessem ilustrando aquilo que ela diz sobre a ética. A raiva que Marilena desperta, apenas por concatenar argumentos, é a maior prova de que aquilo que ela diz é verdade.

      • sex, 31/08/2012 - 10:21
        Zezinho

        Olha a mágica (entre 9′ e 13′): O neoliberalismo que prevê a privatização das estatais implica por tabela (segundo a Dra Chauí) na ampliação do círculo privado do indivíduo em detrimento do público. Por isso há o entendimento que as escolas privadas são melhores que as públicas. O fato das escolas privadas serem efetivamente melhor que as públicas é irrelevante, elas são na verdade melhores porque o neoliberalismo diz que o privado é melhor que o público. É uma pérola! Essa concatenação de argumentos é a mais pura verdade hehehe.

        Lá pelos 19′: Os programas sociais dos últimos 10 anos tornaram possível que os miseráveis andassem de avião. O pobre infeliz que mal tinha o que comer pode agora, com seus volumosos R$70 do bolsa família, viajar de avião. O Brasil nao cresceu nos últimos 10 anos acompanhando o crescimento mundial da economia, ele cresceu devido ao bolsa família.

      • sex, 31/08/2012 - 14:31
        abolicionista

        Caro Zezinho, a despeito do tom zombeteiro, seu comentário apenas corrobora o que eu disse. Ou seja, que o ódio dos comentadores aponta contra eles mesmos, e que é preciso responder com argumentos, não com agressões pessoais. Quanto a concatenar argumentos, você mesmo concordou, apesar da ironia, que a argumentação de Marilena Chauí concatena argumentos, mas discordou da maneira como ela faz isso. Antes de mais nada, acho muito positivo que você busque uma argumentação e evite a agressão, como fazem outros comentadores. Discordo do que você, entretanto, e explico por que. Vamos lá.

        Em primeiro lugar, parece-me que, para você, há um sofisma na argumentação de Marilena quando ela afirma que “o entendimento que as escolas provadas são melhores do que as públicas” (que, para ela é uma decorrência do Neoliberalismo)acarreta (relação causal) que elas “efetivamente” sejam melhores. O sofisma estaria, corrija-me se eu estiver errado, em atribuir a um “entendimento” uma consequência objetiva (ou “efetiva”, como você diz, referindo-se ao fato de que as escolas privadas de São Paulo são, objetivamente, melhores do que as públicas). O que você não percebe (e nem poderia, sem conhecer os pressupostos teóricos da teoria marxista) é que, para alguém de formação marxista como a Marilena, uma ideologia (como o neoliberalismo) não é apenas um entendimento equivocado (na terminologia marxista, “falsa consciência”). Através da ideologia, são construídos (produzidos) imaginários e lógicas de identificação social cuja função seria escamotear o conflito (entre as classes sociais), dissimular a dominação e ocultar a presença do particular, dando-lhe a aparência de universal. É possível, também, perceber que o discurso ideológico, na medida em que se caracteriza por uma construção imaginária (no sentido de imagens da unidade do social), graças à qual fornece aos sujeitos sociais e políticos um espaço de ação, deve necessariamente fornecer, além do corpus de representações coerentes para explicar a (realidade social), um corpus de normas coerentes para orientar a prática (política). Ou seja, também fazem parte de uma ideologia, como é o caso do neoliberalismo, um conjunto de “normas” que orientam determinadas “práticas”. Ou seja, não apenas é próprio à ideologia ser uma verdade parcial, mas efetivar-se objetivamente. O problema é que essa efetivação, tendo partido de premissas que estão parcialmente equivocadas, é contraditória e apenas resolve os problemas de modo parcial.
        Ora, o discurso ideológico não nega a desigualdade entre os segmentos sociais. Seria uma ingenuidade fazê-lo, uma vez que a desigualdade social é visível, mas nega que essa diferença tenha como pano de fundo a razão histórico-econômica. Para explicar as diferenças sociais a ideologia utiliza-se de vários recursos. O mais comum é o recurso à naturalização.A naturalização é a tentativa de justificar as desigualdades sociais remetendo-se a supostas causas naturais. Por isso, é a ideia de que as escolas particulares sejam “naturalmente” melhores do que as públicas que é equivocada, e não o fato de que elas sejam, na realidade atual da cidade de São Paulo, efetivamente melhores. Se olharmos para outros lugares, contudo, veremos que existem no mundo escolas públicas excelentes e que, mesmo no Brasil, continuam existindo escolas públicas de alto nível. A consequência disso é que se deixa de discutir o fato de que a existência de um ensino privado é uma injustiça social contra os que não podem pagar uma escola e que, a despeito do esforço que façam, estão em condições absurdamente desiguais em relação aos privilegiados. Entendeu como age a ideologia? É verdade que a Marilena poderia ter explicado tudo mais mastigadinho, para os que não compreendem seus pressupostos, mas o tempo era curto e não se tratava de um texto, logo, as mediações não estão todas ali.

        Sobre a segunda parte de sua argumentação, concordo em parte com ela. É claro que o pobre não está viajando de avião com o bolsa família, mas é inegável que as políticas de distribuição de renda (e o olsa família é só uma delas) auxiliaram na ascensão de muitas pessoas ao consumo de serviços e mercadorias até então inacessíveis. É claro que isso não se dá de forma direta, seria primário pensar isso (tipo, ganho uma grana do bolsa família e vou andar de avião). O dinheiro bolsa família pode ajudar, contudo, a comprar material de construção para a criação ou o aprimoramento de uma moradia rudimentar, pode também servir para aumentar um pouco o consumo no mercadinho, na feira, contratar uma “babá” etc. (Há regiões do Brasil em que 70 reais é uma quantia considerável). Com o aumento do consumo, por exemplo, o vendedor da feira aumenta seus rendimentos, o dono da loja de material de construção também. Suponhamos que o rendimento da loja aumenta. Ora isso permite que os donos do estabelecimento contratem mais funcionários. Os funcionários recebem salário (deixam de receber auxílio da prefeitura) e começa a consumir. Bom, não vou tentar explicar economia pra você… É uma questão técnica, você pode discordar dela, mas os números parecem bastante contundentes, há livros a respeito inclusive. Você há de convir que você simplificou bastante essas relações, insinuando que, com o dinheiro do bolsa família, o pobre poderia comprar bilhete de avião, não foi isso o que ela disse, concorda? Sobre o crescimento brasileiro, também acho que ele não ocorreu por conta dos programas de distribuição de renda. Não obstante, não acho que apenas o “crescimento mundial da economia” justifica a melhora brasileira. A economia mundial não cresce por igual, e todos sabemos disso, há países que se afundam na crise enquanto outros crescem vertiginosamente (e talvez a mundialização do capital tenda a amainar essas disparidades). Entretando, acho que o fato da economia brasileira vender commodities para a China (o que nos permite acumular superávits consideráveis), por exemplo, tem um efeito significativo sobre o crescimento brasileiro. Ao mesmo tempo, não vejo outra saída para o Brasil que não a socialização desses ganhos e o investimento em infraestrutura, por mais que isso seja fruto de uma “ideologia” (olha só, voltamos a ela!) “desenvolvimentista”. Mas isso é assunto para outro comentário…

  36. sex, 31/08/2012 - 6:46
    Marcos W.

    Pois então, quando Lula e o PT vibram com a entrada de quarenta milhões de pessoas na classe média, estamos numa grande roubada?! Bah. Certos discursos parecem ter um ranço Pol Potiano! E o pior, são discursos feitos pela própria classe média. Lobo em pele de cordeiro!

    • sex, 31/08/2012 - 7:30
      abolicionista

      Preste atenção no que ela diz e verá que ela discorda do argumento que diz que 40 milhões de pessoas entraram na classe média. Para ela, que segue o argumento de Singer, essas pessoas continuam pertencendo à classe trabalhadora, mas melhoraram significativamente suas condições. O argumento que norteia essa reflexão é o de que as profissões exercidas pela assim chamada “nova classe média” não são profissões “pequeno burguesas”. A classe média é formada, tradicionalmente, por advogados, professores, profissionais liberais, etc. A “nova classe média” está ligada à prestação de serviços, com empregos temporários e trabalho precarizado (há, no livro de Singer, dados contundentes a respeito).Tente não enxergar o mundo em preto-e-branco

      • sex, 31/08/2012 - 8:45
        abolicionista

        Corrigindo: o argumento original não é do Singer, mas do Márcio Pochmann, que escreveu o livro “Nova classe média?”, que saiu pela Boitempo.

    • sex, 31/08/2012 - 11:40
      MARCELO

      O pessoal do Serra está venenoso espalhando uma conta
      de matemática por aí:13 mais 11 dá 24.

  37. sex, 31/08/2012 - 6:27
    Zezinho

    Confesso que é a a primeira vez que ouço uma exposição da Dra Chauí e devo dizer que fiquei impressionado. Já havia lido que a linha de pensamento dela era uma confusão e agora pude confirmar. Impressionante a capacidade de relacionar assuntos através de uma única palavra ignorando os vários significados que a mesma possa ter. Por isso mesmo achei muito engraçado ela chamar a classe média paulistana de protofacista e de sinistra ao mesmo tempo…

    O “causo” relatado por ela nada mais é do que a pura realidade brasileira. O brasileiro é um povo fútil e não somente a classe média paulistana. Diga-se de passagem que quem é da classe média não tem dinheiro para comprar uma Mercedes, ou seja que o casal retratado deveria ter sido enquadrado como pertencente à “z-lite”. A percepção que ela tem do paulistano nada mais reflete o fato de que ela convive com o paulistano. Morasse ela em qualquer outra parte do país, notaria o mesmo comportamento. O brasileiro quer sempre se mostrar melhor que o outro e através de suas posses acredita garantir mais direitos sobre os outros. Aliado à isso, os “inferiores” se veem na obrigação de bajular os “superiores” ou simplesmente famosos. É imbecil e revoltante.

    Infelizmente esse comportamento é passado de pais para filhos e seria muito difícil de revertê-lo nas escolas. Pais repreendendo a “vítima” dos filhos é a coisa mais corriqueira no Brasil.

    • sex, 31/08/2012 - 7:25
      abolicionista

      Caro, discordo no seguinte. Que a classe média seja protofascista é um fenômeno mundial. Historicamente, o fascismo sempre teve maior acolhida junto à pequena burguesia (que é apenas o nome “antigo” de classe média). Contudo, a indistinção entre o público e o privado é bem nossa e já foi, de resto, detectada por Sérgio Buarque (há vasta literatura a respeito). Finalmente, não acho que “protofascista” e “sinistro” estão em contradição, você não considera o protofascismo sinistro?

      • sex, 31/08/2012 - 9:37
        Zezinho

        Sinistra = Esquerda em italiano. Embora o fascismo englobe tanto a esquerda como a direita, a esquerda costuma rotular de fascista qualquer direita.

        O fascismo não teve maior acolhida na pequena burguesia mas sim na maioria proletária que vivia à pão e água na época.

      • sex, 31/08/2012 - 10:19
        abolicionista

        Por favor, permita-me discordar. “Sinistro” em português, segundo o Houaiss: “que pressagia acontecimentos infaustos; agourento, funesto; que é pernicioso; mau; que se deve temer; assustador, temível; que causa o mal; pernicioso, perigoso; trágico, calamitoso”. Também pode ser “que usa preferencialmente a mão esquerda”, mas acho que não foi nessa acepção que ela utilizou a palavra, não concorda? Como não há, necessariamente, uma “relação de incompatibilidade entre dois termos ou juízos, sem qualquer dimensão intermediária ou sintética que os concilie” (definição aristotélica de contradição), afinal, existe um campo semântico comum entre os termos “fascista” e “sinistro” (sinonimia relativa), deduz-se, afinal, a presença de uma “dimensão intermediária” conciliadora. Ainda que não se trate do melhor termo do mundo para caracterizar o fascismo, não há, propriamente, contradição, concorda?

        Sobre a segunda questão (e, em certa medida, acho que você tem razão quando diz que o povo teve um papel fundamental no nazi-fascismo. Contudo, não foi o povo, as a pequena-burguesia o “núcleo de reprodução ideológica” do fascismo). Marx alega que o que torna certas pessoas “representantes da pequena burguesia é o fato de que sua mentalidade não ultrapassa os limites que esta não ultrapassa na vida”(MARX, Karl. O Dezoito Brumário de Luis Bonaparte, cit., v. 1, p. 226-227). Para Trotsky: “a genuína base (para o fascismo) é a pequena burguesia. Na Itália, é uma base ampla –a pequena burguesia das cidades e as vilas, e os camponeses. Na Alemanha, igualmente, há uma ampla base para o fascismo…” (TROTSKY, León. Carta a um camarada inglês, em 15 de Novembro de 1931; impresso por O Militante, 16 de Janeiro de 1932.)Ainda em Trostsky: “Quando a pequena burguesia é atingida tão severamente pola crise estrutural do capitalismo de idade madura, ela afunde na desesperança (inflação, falência dos pequenos empresários, desemprego massivo dos diplomados, dos técnicos e dos empregados superiores, etc.), é quando, pelo menos em parte desta classe, surge um movimento tipicamente pequeno burguês, mistura de reminiscências ideológicas e de ressentimento psicológico, que combina um nacionalismo extremo e uma demagogia anticapitalista, violenta pelo menos em palavras, uma profunda hostilidade para com o movimento operário organizado (“nem marxismo”, “nem comunismo”). A partir desse movimento, que recruta principalmente entre os elementos sem referência de classe da pequena burguesia, pratica-se e propala-se a violência física abertamente contra os assalariados, as suas ações e as suas organizações, em outras palavras, um movimento fascista nasce. Após um período de desenvolvimento independente, permitindo-lhe tornar-se um movimento de massas e iniciar ações de massa, ele precisa do apoio financeiro e político de frações importantes do capital monopolista para subir ao poder.”
        (A Teoria do Fascismo segundo Leon Trostky, título original:La théorie du fascisme chez Léon Trotsky, Ed. François Maspero, 1974, precedentemente publicada como prefácio ao livro de Trotski, “Como vencer o fascismo”, nas edições Buchet-Chastel. Tradução de José André Lôpez Gonçâlez. Março 2010)
        disponível em: http://www.marxists.org/portugues/mandel/1974/mes/fascismo.htm

  38. sex, 31/08/2012 - 6:17
    Romanelli

    hummm ??!!

    Resumir a “violência” a “classe média” ou a uma Cidadania (chamar a cidade de proto fascista, caraca) ..diria que é o mesmo que rotular a uma côr os demais problemas ..oh mania de resumirmos tudo

    e classificar de CLASSE média quem tem Mercedez ? ..orra, eu que não saio dos FIAT, devo estar mal, classe E ou K talvez ?

    Vir à periferia, ou melhor observar a elite, irá levar a socióloga a igual conclusão que cheguei ..o mal pega a todos ..TODOS estamos doentes.

    Dos pobres eu apresento os PANCADÕES que varam madrugada e ferem de morte a cidadania, ou as invasões que arrebentam com quem insiste em viver pelo mérito ..mais, as orações feitas em gritaria, as ameaças dos traficantes, perceber os fogos anunciando as drogas e os balões festejando o futebol, são outros exemplos de que lembro bem

    Dos ricos, as sobrevoadas rasas de helicópteros e os muros altos dos condomínios que os protegem de nós, quando não, nos proibindo até do transito em praias por ex, este habito que NENHUM governo até agora ousou combater, penso, tb igualam-nos a todos, nem mais, nem menos

    Quanto a tal diferença da “opinião publica X publicada”, concordo, e acrescento, o mesmo vale pras teses que nos regem na ECONOMIA por ex, aquela como a da política de juros que “diminui riscos” e promete curar a tudo, bastando pra tanto se subir ou se descer a SELIC, deixando o capítulo de maior regulação do Estado, ou planejamento, por exemplo, a um papel quase que de coadjuvante

    RESUMINDO, o mal pega a TODOS ..é o CALDO cultural ..as pessoas transitam em diversos degraus, não somos uma sociedade de castas e estática, somos LEVA e trás, ninguém esta livre de ser influenciado e influenciar-se mutuamente, tal qual de como se pegar duma gripe

    Sobre a classe média e o ouro, o CCC e a TFP passados, é bom não descontextualizar …olha, acho muito reducionista suas considerações aliás, nem entendi aonde ela quis chegar, afinal, somos um mal a ser exterminado, é isso ? acharam mais um culpado? ora vá !! ..ahhh, entendi, quem sabe se excomungada e estereotipada, a tão sonhada luta de classes deixa de ser ficção, né não ?

    ..a CLASSE MEDIA é, como disse, espremida e desprotegida pelas políticas públicas e eleitorais, ela tem MEDO de perder o pouco que tem e/ou do que conquistou ..o pobre não tem e, e o rico, normalmente, não dá por falta, esta isolado, aliás, NEM sei aonde a maioria mora pra falar a verdade

    ..logo ..fora que ela é sim a mais influenciada pelos meios, mais conduzida, pois dos extratos, é a que mais sofre a manipulação das mídias, das modas e de seus fugazes valores ..ou seja, a classe média é “conservadora” por estar justamente mais pressionada à metamorfose pela pressão dos seus extremos

  39. sex, 31/08/2012 - 2:03
    Rodolfo

    Acho Marilena meio classe média, mas gostei do stand-up.

  40. [...] Requião: A privataria petista Paulo Kliass: Na fila, portos, hidrovias e aeroportos [...]

  41. sex, 31/08/2012 - 0:13
    Gerson

    O Vladimir Safatle também participou desse debate.

    Vale a pena ouvi-lo também.

  42. qui, 30/08/2012 - 23:08
    Ananda

    O casal deve estar até agora tentando entender o que a Chaui falou. Salve a inteligência, a cultura e o bom humor. Num sistema que privilegia o individualismo alienante como o que vivemos, são itens fundamentais de sobrevivência.

    • sex, 31/08/2012 - 7:57
      carlos assis

      aquilo que ela disse foi uma agressão verbal,por ela esta irritada por uma situação que estava fora do controle dela.Alias não reconhecer uma mercedes é acreditar que ela completamente alienada da nossa sociedade, quem dera que todas as pessoas da classe média tivessem Mercedes. este país seria mesmo do primeiro mundo.Mesmo sem termos educação

      • sex, 31/08/2012 - 8:23
        abolicionista

        Não foi uma agressão verbal, foi uma definição acertada feita após levar um tapa. Quanto ao resto do comentário, só tenho a lamentar.

  43. qui, 30/08/2012 - 22:41
    Fabio Passos

    A barbárie resultante desta ideologia fascista da classe média em São Paulo:

    “Ataques em SP: Pesquisadora vê política de extermínio de pobre”
    http://carosamigos.terra.com.br/index/index.php/cotidiano/2338-ataques-em-sp-pesquisadora-ve-politica-de-exterminio-de-pobre


    As palavras do governador Alckmin são uma incitação aos crimes da polícia. Ele não será candidato a nada, mas seu partido tem um candidato. Será que ele não está projetando para o seu partido uma campanha eleitoral reacionária em que os crimes de policiais serão considerados um trunfo?

    (…)

    … a macabra “dança” das chacinas demonstra que a execução, feita sempre em locais públicos, em bares e padarias, às vezes com pré-aviso de toque de recolher e ameaças da polícia fardada, é uma verdadeira assinatura de mortes cometidas por agentes do Estado para espalhar o terror nas periferias.

    Ângela Mendes de Almeida – Diretora do Observatório das Violências Policiais, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

  44. qui, 30/08/2012 - 22:13
    Fabio Passos

    A classe média de São Paulo reunida…

  45. qui, 30/08/2012 - 22:08
    Fabio Passos

    Um barato.

    Definiu muito bem o que é a classe média.
    Preconceituosa, frívola, reacionária… e muito burra. rsrs

  46. Deliciosa Marilena Chauí!
    OBRIGADO!!!

    :)

  47. qui, 30/08/2012 - 21:19
    O_Brasileiro

    Se as pessoas gostassem de ouvir a verdade, ir ao psicanalista seria como ir ao supermercado.
    É a ilusão que move as pessoas.
    São os feriadões e os jogos de futebol que tornam a tortura cotidiana das grandes cidades um pouco mais suportável.

  48. qui, 30/08/2012 - 21:11
    ricardo

    Marilena Chauí mostra, mais uma vez, que não há limite para a decadência intelectual a serviço do partido. A análise desta senhora se limita a dizer que a “classe média” é feia, burra e cara de mamão. A sociedade é dividida, como nos esqueminhas da teoria social do século XIX, entre proletários, burgueses e classe média (noto que, para ser inteiramente fiel ao esquema, ela deveria usar a expressão pequena burguesia, em vez de classe média). Uma lástima! Só não entendo de onde vem a fama desta senhora, cujas ideias mais apreciáveis provaram-se meros clones das de seu recentemente falecido orientador francês. Outro dia, um fanzoca do portento do Butantã afirmava que sua “ídala” é a maior especialista mundial em Spinoza. É preciso avisar para o mundo, que ainda não se deu conta disso. Fico aqui imaginado um acadêmico holandês contemporâneo, especialista no ilustre conterrâneo do século XVII, esmerando-se no aprendizado do português só para enfrentar as mais de mil páginas de Nervura do Real. A propóstio, para quantos idiomas a estrovenga foi traduzida? Vendo e ouvindo a apresentação acima, convenço-me de que a grande obra de Marilena Chauí é o opúsculo “O que é ideologia”, da extinta coleção “primeiros passos” da extinta editora Brasiliense. Marilena deu seus primeiros passos e não parou mais de andar. Para trás…

    • qui, 30/08/2012 - 22:06
      Jorge

      Feito o desabaço, pode retornar ao Merval, nós deixamos. Fica bravo não, sem beicinho…………….

    • Você deveria estar mais preocupado com a sua própria pele, do que perder tempo vomitando esta “verborreia podre” porque enquanto a verdadeira ignorância de pessoas, chame isto do que quiser, estiver mais preocupada somente com o próprio umbigo, a violência só seguirá aumentando e esta guerra silenciosa não escolhe o alvo, as balas perdidas, os assaltos estão aí na cara de todos. Acorda…faça algo de bom pra ajudar a mudar este caminho.

    • sex, 31/08/2012 - 7:59
      abolicionista

      Por que não consegui depreender nenhum argumento nesse longo comentário? Fui só eu ou mais alguém ficou com a mesma sensação? Trocaram a argumentação pelo insulto?

      • sex, 31/08/2012 - 11:37
        ricardo

        Sua “ídala” desanda falar bobagens e a xingar as pessoas da “classe média” (donas de Mercedes?!) com base em estereótipos anacrônicos e você ainda quer cobrar “argumentos” de quem discorda. Como vou contra-argumentar se a Marilena Lefort não argumentou.

      • sex, 31/08/2012 - 16:09
        abolicionista

        É sempre melhor argumentar do que partir para a violência verbal ou a falácia “ad hominem”, como dizem os juristas. Em vez de desqualificar o adversário, é preciso mostrar seus erros. Até porque de nada adianta desqualificá-lo: uma verdade, eventualmente dita por um mau indivíduo, torna-se mentira? Se se tratam de estereótipos, como você diz, é preciso sim apontá-los e mostrar por que são falsos e por que mentem, do contrário, você apela e perde toda a razão, e isso fica muito claro para quem está lendo. Desculpe pela sinceridade.

    • sex, 31/08/2012 - 15:54
      Carlos N Mendes

      É verdade, caro abolicionista – trata-se pura e simplesmente de ofensa – ou contra-ofensa, do ponto de vista do ofendedor. Não há contra-argumentação.

      • sex, 31/08/2012 - 21:34
        ricardo

        Vocês são mesmo impressionantes. Uma professora universitária tida como grande filósofa insulta milhões de indivíduos, taxando-os de protofascistas, burros e outras abominações e sou eu o ofensor (“ofendedor”, se você aí acima quiser). Tenham paciência! Querem argumento, então vai: Chauí criou um monstrinho chamado classe média paulistana porque o PT se alimenta dos votos do povão e da grana dos ricaços. Não pode cuspir nos pratos em que come. Não pode romper com o discurso populista e com a prática plutocrática. Como a política, especialmente em tempos eleitorais, não se faz sem inimigos, sobrou a tal da classe média para açoitar. Mas o que é a classe média? A turma que anda por aí de Mercedes estacionando em fila dupla? Eita rigor sociológico! Então escapei, pois sou da turma do Fiat e já fui da turma do Fusca. Sou proletário e não sabia? Não. Pelos critérios oficiais, sou da classe alta. Minha renda familiar per capta ultrapassa a notável cifra de R$ 1.019. Estar na maldita classe média é ter renda per capta que varia entre R$ 291 e R$ 1019. Pelos dados oficiais, mais de 100 milhões de brasileiros são da classe média, 54% da população brasileira. A proporção em São Paulo não deve ser muito diferente. Haja Mercedes, né? Chauí insulta mais da metade dos eleitores paulistanos. Mas para não variar, ela errou o alvo, pois o cara que a ofendeu na agência bancária pode ser um dos financiadores da campanha do Haddad.

      • ter, 04/09/2012 - 14:21
        Carlos N Mendes

        Caro Ricardo-que-não-quer-dizer-seu-sobrenome: é assim que se faz, cara – colocar as ideias a tapa. Foi o que a Chaui fez. Debate é troca de ideias, e eles acabam quando tem mais insulto que ideias, e isso vale pra esquerda e direita. Chaui cometeu meia dúzia de erros em seu discurso: generalizou, foi preconceituosa com a aparência da moça, colocou o tal fenônemo aberrativo como sendo apenas paulistano, etc. Mas a espinha dorsal do que ela disse é extremamente esclarecedor: nossa classe média está com medo, e reage criando carapaças morais, políticas, sociais, comportamentais, etc. E a explicação dela sobre classe média está correta. Se sua fonte de renda limita-se ao salário de profissional liberal, independente da renda, então você é classe média. Faça o teste: perdi meu emprego. Posso criar um para mim mesmo? Se não, não sou dono de nenhum meio de produção, logo não sou nem grande nem pequeno burguês. Posso contar com o sindicato para me defender? Se não, não faço parte da grande massa de trabalhadores que detém o poder de produção via mão-de-obra. Esse desamparo dói na classe média, pois por terem uma renda relativamente boa, TEM algo a perder. Experiência própria: vivo em um bairro extremamente classe média de Santos, e o pensamento político por aqui tem duas faces: ódio a tudo que pareça esquerda (pricipalmente ao Lula) a crença de que votar em alguém rico e tradicionalista vai te tornar um deles. É assustador e desesperançoso.

  49. qui, 30/08/2012 - 21:04
    Marcia Noemia

    Inteligente e maravilhosa. Pena que foi só 20 minutos.

  50. qui, 30/08/2012 - 21:01
    Sérgio Pestana

    Extraordinário. A Profª Marilena deu uma grande aula para todos os que querem compreender o momento por que passamos. Palavra candentes e profundas na análise sobre a classe média de São Paulo, mas serve também para outras capitais do país, principalmente as do Sul com seus inúmeros preconceitos e conservadorismos tão latentes no citado extrato social.

  51. qui, 30/08/2012 - 21:00
    Márcio Gaspar

    Classe Média

    Max Gonzaga

    Sou classe média
    Papagaio de todo telejornal
    Eu acredito
    Na imparcialidade da revista semanal
    Sou classe média
    Compro roupa e gasolina no cartão
    Odeio “coletivos”
    E vou de carro que comprei a prestação
    Só pago impostos
    Estou sempre no limite do meu cheque especial
    Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
    Mais eu “to nem ai”
    Se o traficante é quem manda na favela
    Eu não “to nem aqui”
    Se morre gente ou tem enchente em itaquera
    Eu quero é que se exploda a periferia toda
    Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
    Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
    O pára-brisa ensaboado
    É camelo, biju com bala
    E as peripécias do artista malabarista do farol
    Mas se o assalto é em moema
    O assassinato é no “jardins”
    A filha do executivo é estuprada até o fim
    Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
    De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
    E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
    Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
    Porque eu não “to nem ai”
    Se o traficante é quem manda na favela
    Eu não “to nem aqui”
    Se morre gente ou tem enchente em itaquera
    Eu quero é que se exploda a periferia toda
    Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
    Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida

    http://www.youtube.com/watch?v=_Zc7gBKV_Vg

  52. qui, 30/08/2012 - 20:38
    abolicionista

    Para quem não percebeu, Marilena tocou num ponto polêmico: a estrutura autoritária da sociedade brasileira também está presente nas classes trabalhadoras. Quanto à classe média (alguns comentadores inclusive), ela continua a mostrar-se inimiga do pensamento. A violência contra aquele que pensa é uma confissão de culpa prévia, no fundo se sabe o que não se quer admitir: que o pensamento tem razão. A fúria cega que Marilena Chauí desperta ao fazer aquilo que, segundo o chavão, todos em uma democracia têm direito (ou seja, pensar livremente) é o sintoma mais claro da não-liberdade que sentem os que a agridem, uma raiva cega, incapaz, uma raiva sem voz, que se volta contra aquele que diz a verdade sobre a sua não-liberdade.

    • sex, 31/08/2012 - 10:11

      um dia eu consigo me expressar num parágrafo a mega-paulada que a Marilene Chauí deu na classe média em 20 minutos de vídeo. É por isto que os “nossos” trollxas ficaram hiper-excitados e tão reclamando. Nem liga Conceição, beijin procê rs

      • sex, 31/08/2012 - 19:43
        abolicionista

        Caro dukrai,

        acho que mais uma vez você não entendeu meu comentário, que era profundamente elogioso em relação á fala da Marilena Chauí. Mas tudo bem, talvez eu tenha me expressado mal, acontece. Fica aqui, portanto, reforçado que considero a fala de Marilena, em linhas gerais, um grande acerto.

  53. qui, 30/08/2012 - 20:22
    Vlad

    Se a inflação voltar, já tem emprego garantido: rotuladeira.

  54. qui, 30/08/2012 - 19:39
    Newton

    Meu Deus!!!

    nunca li tanta bobagem e preconceito…

    Digno de um discurso do Lula!

  55. Parte da classe média paulista tem, de fato, tendências nazi-fascistas. São pessoas que odeiam pobres (como se elas fossem elite, o que não são), odeiam nordestinos e são extremamente racistas.

    Mas há a outra parte. Existem pessoas de classe média – principalmente as de classe média baixa, mas não só – que sintonizam com os anseios de distribuição de renda, justiça social e uma sociedade mais equânime.

  56. qui, 30/08/2012 - 19:12
    Rodrigo Leme

    Querida Conceição, não se preocupe: esse ódio que você defende e patrocina será combatido. Se não aqui, em outros lugares. O dia que uma Marilena Chaui influenciar de verdade as pessoas o mundo será mais medíocre.

  57. qui, 30/08/2012 - 19:10
    Rodrigo Leme

    Mais um comentário vetado, que beleza. É permitido nesse site uma pessoa vomitando ódio contra SP e quem vive aqui, mas ai de quem a questiona.

    Tem cara de Conceição essa tesourada no contraditório. Se for ela, pergunto citando-a em seu momento clássico Youtubiano: “estamos em 1964?”

    • qui, 30/08/2012 - 21:02
      Marcia Noemia

      vOCÊ NÃO ENTENDEU NADA.

      • qui, 30/08/2012 - 21:30
        abolicionista

        Gente, contra esse tipo de argumento, acho que a melhor solução é ignorar, falo por experiência própria.

    • qui, 30/08/2012 - 21:07
      Almir

      Vomitando ódio contra SP vírgula.
      Reagindo em legítima defesa, como fiz nas OITO vezes em que votei contra paulistas que queriam ocupar a Presidência da República.

      Mas no futuro, quem sabe, poderei votar num paulista pra presidente. Haddad, por exemplo

    • sex, 31/08/2012 - 0:53
      Ferreira

      Você é um reacionário. Está postando comentários no blog errado.

  58. qui, 30/08/2012 - 18:32
    Luiz Fortaleza

    MINHA ÍDOLA…SEM PALAVRAS.

  59. qui, 30/08/2012 - 18:11
    sandro

    Nem comento.
    Sou fã desde sempre.

  60. qui, 30/08/2012 - 17:43
    Marcos W.

    Quase todos queremos ser de “crasse média”!Ou não?! Pertencer à elite não é para qualquer mortal. E pobre ninguém quer ser. A Filósofa, por exemplo, é pobre, rica, ou média?! E o hábito do cachimbo entorta a boca!

  61. .
    .
    Marilena Chauí me faz recuperar a crença no Ser Humano.
    .
    .

    • .
      .
      Regulamentação da mídia deve impedir tirania, diz Marilena Chauí

      Da Rede Brasil Atual, via Vermelho

      Presente ao debate sobre direito à comunicação nesta segunda (27), no Sindicato do Jornalistas de São Paulo, a filosofa Marilena Chauí, professora aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que a função da regulamentação das telecomunicações é impedir que se imponha a tirania da vontade de alguns contra a maioria, e que, sem isso, não se tem democracia.

      Para Chauí, é necessário haver um conjunto de normas que garantam o direito de todos.

      “Se você não estabelece, no interior do mundo democrático, um conjunto de normas que garantam a maneira pela qual o espaço público é regulamentado, pela qual direitos são criados e respeitados, você não terá democracia”, disse Marilena, em reportagem da Rádio Brasil Atual.

      A filosofa começa a defesa em relação a um novo código de uma maneira que ela mesma define como “quase que ridícula”, pensando nos opositores da regulamentação.
      “Eu parto do princípio de que, quando eu vejo quem são os opositores, por definição, sei que é uma coisa boa que vem vindo”, disse.

      A filósofa acredita que o novo marco regulatório das telecomunicações é um avanço fundamental para o qual é necessário mobilização.
      “É preciso lutar porque isso é um avanço no campo das comunicações.
      Um avanço democrático que pode se assemelhar aos que tivemos, em termos de democracia, no campo social e no campo econômico.”

      Para Marilena Chauí, é preciso um grande movimento nacional em favor da democratização da comunicação, pois é muito difícil enfrentar a resistência dos empresários do setor.
      “Eu diria que não vamos vencer, porque é a resistência de empresas. Como diz um amigo meu, se confunde a liberdade de pensamento e de expressão com os lucros econômicos de três ou quatro empresários.
      Nós temos de fazer um grande movimento de nível nacional, que tenha peso sobre aqueles que vão decidir nas votações e na explicitação do marco regulatório.
      É diretamente no campo ideológico e no campo político que nós temos de lutar”, propôs.

      A filósofa mostrou-se preocupada com a concentração de informações na internet e a vigilância dos usuários por um pequeno grupo de empresas, assim como com a falta de conhecimento técnico e econômico para a população dominar efetivamente essa ferramenta.

      “Há uma concentração planetária de informação a respeito de cada um de nós.
      Temos a ilusão do exercício da liberdade e da criatividade.
      Nós estamos entregando a nossa autonomia a formas de controle e de vigilância que ainda não avaliamos o que sejam”, concluiu.

      http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=192443&id_secao=6

      • sex, 31/08/2012 - 18:57
        Gunnar

        Em que tipo de pessoas você atira, Franco?

      • .
        .
        Caro Gunnar.

        Eu atiro pensamentos, sentimentos, reflexões, idéias,

        em forma de palavras, sons, imagens, versos e textos,

        a toda pessoa com sensibilidade e entendimento suficientes

        para almejar um planeta melhor, onde todos vivam com dignidade.
        .
        .

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