VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Paulo Ghiraldelli Jr.: A antessala do arrocho salarial


29/08/2012 - 12h36

29/08/2012 – 02h00
Tendências/Debates:

Reforma estapafúrdia

PAULO GHIRALDELLI JR., na Folha

A ideia que o Ministério da Educação (MEC) tem para melhorar a educação brasileira é a extinção do “professor de colégio”. Nunca pensei que se chegaria nisso. É fantástico: não havendo mais a figura do professor, tudo se resolve.

A reforma que o MEC propõe para o ensino médio se resume nisto: ficam extintas as disciplinas tradicionais –português, história, física, filosofia etc. Seus conteúdos devem ser diluídos em “áreas”, criadas sem respaldo epistemológico, mas apenas como reflexo do mal arrumado Enem.

A proposta foi tema de dois textos nesta seção no último sábado. Com ela, o MEC atual repete o erro da ditadura militar. Pela Lei de Diretrizes e Bases de 1971, foi feito algo parecido, tendo sido necessário voltar atrás sete anos depois, quando foi constatado o fracasso da reforma.

Como não nasci ontem, posso dizer quais as principais consequências da reforma atual proposta.

1) A primeira é gravíssima: desaparecendo a disciplina, desaparece a figura do professor da escola média, ou seja, o tradicional professor de colégio, uma vez que é pelo domínio de um conteúdo específico que ele se caracteriza.

O professor do ensino médio será um generalista igual ao professor do ensino das primeiras séries do ensino fundamental. Ele poderá ser despejados dentro das tais áreas e, conforme o jogo de forças interno a elas, descartado. Professor sem disciplina no âmbito do colégio não é professor.

2) Não havendo mais a profissão de, por exemplo, professor de física, de filosofia ou de história, para que serviriam os cursos de licenciatura na universidade brasileira? Para nada. Isso vai causar desprestígio ainda maior da carreira do magistério e o fechamento das licenciaturas na universidade.

3) Não existindo mais disciplinas na escola média, queiram ou não, haverá um vácuo de três anos na vida do jovem.

As áreas não funcionarão de imediato (se é que algo assim possa funcionar um dia!), como sempre ocorre nesses casos de mudanças esdrúxulas. Haverá, então, o caos na escola: não se saberá que tipo de professor deverá ficar com os alunos e, ao fim e ao cabo, teremos rapidamente na universidade duas ou mais gerações com três anos a menos de ensino.

4) Descaracterizada dessa maneira, a escola média irá se configurar como um “lugar de espera”. Será um tipo de playground para adolescentes (!), que deverão ficar lá, “na bagunça” –provavelmente eles próprios perceberão que não se sabe o que fazer com eles. A escola será um lugar para segurar uma juventude que deverá esperar a universidade para voltar a ter professor especialista!

A universidade, por sua vez, terá de arcar com a tarefa de suprir o que se perdeu nesses três anos. Obviamente, não conseguirá dar conta disso. O ensino universitário sofrerá pressão no sentido de baixar seu nível, uma vez que a maioria dos alunos não estará entendendo coisa alguma em sala de aula.

Tecnicamente, no jargão da sociologia da educação, trata-se aí de “expropriação do saber” do professor, uma conhecida antessala para arrocho salarial e contenção de despesa.

PAULO GHIRALDELLI JR., 55, é filósofo, professor da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) e autor de “As Lições de Paulo Freire” (Manole)





38 comentários

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Emir Sader: FHC sofre de dependência da dor de cotovelo « Viomundo – O que você não vê na mídia

03 de setembro de 2012 às 14h28

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Ermínia Maricato: Planejamento urbano é fetiche que encobre um grande negócio « Viomundo – O que você não vê na mídia

02 de setembro de 2012 às 18h55

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FHC: Pobre Dilma, com o legado de Lula « Viomundo – O que você não vê na mídia

02 de setembro de 2012 às 14h46

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Chauí: Na greve dos professores, uma “burrice política completa” « Viomundo – O que você não vê na mídia

31 de agosto de 2012 às 01h34

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Vladimir Safatle: O conservadorismo filho bastardo do lulismo « Viomundo – O que você não vê na mídia

31 de agosto de 2012 às 00h20

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Marilena Chauí: A classe média paulistana é uma coisa sinistra « Viomundo – O que você não vê na mídia

30 de agosto de 2012 às 16h32

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PABLO RODRIGO DA SILVA

30 de agosto de 2012 às 09h47

1. O PT no governo tem mais parecido um governo tucanado com espasmos esquerdistas do que um governo de esquerda do povo, para o povo e pelo povo. Quanto à educação, antes de se pensar em questões referentes à reforma curricular, há que se pensar seriamente no atual modelo de financiamento da educação pública e no fraco nível de investimentos nesse setor.

2. O mais rico dos entes federados, a União, é o que menos gasta com a educação básica em termos proporcionais. Não se preocupa seriamente com a remuneração docente, preferindo deixar essa questão tão somente aos estados e municípios. Não se preocupa em aumentar progressivamente o tempo de permanência das crianças e adolescentes na escola. Não se preocupa em realmente melhorar as condições de trabalho e de ensino-aprendizagem nas escolas públicas. Não se preocupa em fiscalizar de fato os investimentos executados nas escolas públicas.

3. Além disso, ao declarar a inviabilidade da destinação legal de 10% do PIB na educação pública, o governo petista assume o discurso do Banco Mundial de que nosso problema na educação pública não se refere à falta de dinheiro, mas tão somente a questões meramente técnicas, como currículo, gestão, qualificação e fiscalização.

4. Entretanto, de nada adiantarão estas supostas preocupações se um dos principais elementos que, na sociedade capitalista, representam a valorização social e política, que é uma boa remuneração que estimule jovens bem capacitados a quererem fazer carreira no magistério, ainda não se concretizar de fato. Antes de pensar em fazer malabarismos discursivos para defender o indefensável, o PT deveria pensar na questão prática primeiro. Sem salário digno e atraente na educação pública, não haverá muitos jovens talentosos querende seguir a carreira docente.

5. Precisamos também pensar que, em uma escola com grande probabilidade de possuir em seu quadro discente crianças e adolescentes pertencentes a famílias em extrema situação de miséria, há que haver um forte papel do Estado na questão da assistência social para que estas crianças e adolescentes possam estudar e continuar aprendendo tanto dentro das escolas quanto em suas casas. E não é o bolsa-família nos moldes atuais que resolverá isso, tendo em vista que o valor do benefício é ridículo e não há uma forte movimentação estatal para incluir tais famílias no mercado de trabalho.

6. Enfim, o problema é que o PT quer agradar a empresários, banqueiros, PIGs com polpudas verbas e dar a impressão aos mais desinformados de que cuida verdadeiramente dos mais pobres. Se isso fosse verdade, o governo federal já estaria investindo mais em educação, saúde e assistência social do que gasta com pagamento da dívida pública seguramente já diversas vezes quitada, desonerações fiscais a empresários que não precisam de nenhum recurso público e juros subsidiados a empresários do agronegócio que não contribuem em nada com o mercado interno.

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    Carlos Cruz

    27 de setembro de 2012 às 13h56

    Comprei os DVDs do Roda Viva das entrevistas de Leonel Brizola, Ulisses Guimaraes e Prestes. Dá saudade e orgulho ver, escutar, aprender com esses grandes políticos brasileiros. Que defendem a escola (Brizola cita Darcy Ribeiro), o nacionalismo e a soberania (Ulisses Guimaraes), a liberdade (Prestes). Já hoje dá vergonha escutar e ler sobre os atuais “políticos”, mais aventureiros e ignorantes, que nos causam nauseas, revolta e desprezo. Mercadante é apenas isso, um bigode sem ideias, fracassado em suas ambições políticas. Podemos mudar nossa situação com o voto, cartão vermelho para os tipinhos assim, que apenas destroem, numa política de terra arrazada. A tal modificação no ensino será a pá de cal nas escolas públicos, tão desprestigiada e carentes. As escolas privadas, os cursinhos, agradecem, Sr. Ministro.

P. Ilianovic

30 de agosto de 2012 às 08h30

É difícil defender o PT quando este perde seguidamente oportunidades históricas de melhoria do país: não regula a mídia, não investe em saúde e, principalmente em educação. Estou aos poucos me desapontando…

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Marcelo Macêdo

29 de agosto de 2012 às 21h24

Azenha,
Sou professor e me acostumei, ao longo do tempo, a ouvir que o ensino no Brasil deixa a desejar, isso tanto na esfera pública quanto na privada. Muitos, às vezes, puramente baseados em achismos ou considerações precipitadas, tecem os mais ardorosos comentários quer ser sejam a favor de uma medida ou totalmente contrária a ela.
Como muitos, considero que o modelo de ensino adotado no Nível Médio – objeto dessa análise – tem que ser reavaliado. Ele já não atende mais as expectativas da sociedade contemporânea. Isso é fato! Antes do ENEM – achincalhado por inúmeras pessoas sob o viés político, não pedagógico – provocou uma reação, principalmente na indústria criada em torno do vestibular. Indústria essa que gerou muitos dividendos para seus idealizadores. O ensino médio, em formato de pré-vestibular, não atende a demanda de conhecimentos exigida por avaliações nos moldes do Enem. A adaptação desse ramo do mercado – foi o que a educação virou – custou e ainda está custando muito dinheiro. Só que esse é um caminho sem volta.
Essa nova ideia do MEC de mexer com o currículo, a meu ver precisa ser melhor analisada e amplamente discutida. No entanto, não creio que seja a extinção do professor o alvo dessa proposta – ou o simples fato de diminuir os gastos com a folha de pagamento dos docentes -, para mim, perdoem-me os que pensam o contrário, seria uma explicação simplista demais para um caso de tamanha relevância.
Creio, e aí não um simples achismo, que a postura do professor em relação ao seu papel no processo de ensino e aprendizagem, há muito tem que ser revista. Conhecimentos compartimentados, distintos entre si, não correspondem a visão de mundo que hoje o indivíduo-cidadão deve ter na resolução de seus problemas cotidianos. Conteudismo, que norteiam muitas práticas pedagógicas, não respondem mais ao que se quer. É necessário desenvolver competências que permitam, englobando diversas áreas do conhecimento, ao homem do século XXI interagir com o meio em que vive, atuar sobre o mesmo e se tornar capaz de transformá-lo. Alcançando isso, o que para a maioria não passa de uma utopia, criaríamos uma sociedade capaz de não se deixar iludir por quem quer que seja, tornando-se co-autora de seu destino.
Por isso, sugiro calma e atenção redobrada acerca dessa discussão.
Finalmente, gostaria de dizer que o que nos faz ter ou não razão do que falamos, não são os títulos que ostentamos, mas a consistência da nossa argumentação.

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Étore

29 de agosto de 2012 às 18h19

Ótimo, até que enfim vão acabar com o ensino médio.
Ele já não servida para quase nada mesmo quando ainda se chamava 2º grau.

Alunos vão para as escolas apenas para passar o tempo entre o fundamental e o superior e professores fazem de conta que o que tentam ensinar é importante “esquecendo” que aos avós dos alunos foi ensinado o mesmo conteúdo, no mesmo formato, e o pior, através das mesmas técnicas didáticas.

Puxando a brasa para o seu lado, o autor fala só de uma parte do projeto. Assim como os professores, ele “esqueceu” do resto que trata sobre o ensino profissionalizante para alunos desta faixa etária.

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O_Brasileiro

29 de agosto de 2012 às 17h31

Chamem a terceira via… Urgente!
E não estou falando dos militares…

Responder

    O_Brasileiro

    29 de agosto de 2012 às 20h13

    … nem da Marina.

Tatiana

29 de agosto de 2012 às 17h31

Já está acontecendo na rede municipal do Rio de Janeiro onde os Professores II (pedagogos, normalistas, etc.) estão sendo incentivados, com algum tipo de “bônus” salarial, a assumir turmas de 6º ano do ensino fundamental II, ministrando todas as disciplinas. Agora pergunto: porque houveram esses concursos do município do Rio de Janeiro pra professor de geografia, inglês, português etc, se vão fazer isso??

Responder

    Elton

    29 de agosto de 2012 às 19h11

    Então o que você diz está de acordo com o que escrevi antes. Trata-se de uma válvula de escape para empregar os milhares de pedagogos(as) formados anualmente pelo país afora…….é lobby!

Rodrigues

29 de agosto de 2012 às 16h26

O modo como o governo do PT vem lidando com a educação brasileira pode ser resumida pela clássica exclamação do coronel Kurtz (Apocalypse Now): “O horror! O horror!”

Responder

    tiago carneiro

    30 de agosto de 2012 às 07h23

    Nao diga isso, os ferrenhos defensores do PT ficarão com muita raiva. Eles se acham de esquerda.

Rodrigues

29 de agosto de 2012 às 16h23

Parece que estamos vivendo num filme de terror dos anos 1950! Tenho quase certeza que o cérebro do defunto Paulo Renato foi transferido para o corpo do Mercadante!
.
Brincadeiras a parte, nestes 10 anos de governo, o PT tem sido mais bem sucedido na implantação de reformas neoliberias do que F Gagá C em 8 anos de mandarinato tucano!

Responder

    Narr

    29 de agosto de 2012 às 19h29

    Traduzindo: em educação, era melhor ter continuado como com FHC…

    Rodrigues

    29 de agosto de 2012 às 22h19

    Não, filho. Vc traduziu errado. Em Educação, o PT vem cumprindo como muito mais êxito a política de reformas educacionais que o BID havia imposto ao FHC e seu incompetente ministro Paulo Renato.

    tiago carneiro

    30 de agosto de 2012 às 07h25

    Sempre tem um MIMIMIIM pseudoesquerdista dos ptistas fanáticos.

    Meu amigo, tira a bitola e a cenoura da sua frente. Só nao enxerga quem não quer. Você concorda que a Russerra está fazendo um governo de esquerda?

    O que mais você precisa ver para crer que a amada presidenta está QUASE um FHC? Pra virar o FHC só falta ela falar fino e botar uma calça.

E. S. Fernandes

29 de agosto de 2012 às 15h52

Puxa, será que o Pt vai criar a idiotice da educação moral e cívica ou algo do gênero no lugar de história, filosofia, geografia e sociologia, etc.
Será que qualquer um poderá entrar na escola e dizer qualquer coisa para os alunos.
Pois se toda a discussão espistemológica que propõe e cria contornos específicos para as áreas científicas serão, pela proposta, jogados no lixo por políticos burocratas e, para ser mais cômico, de esquerda, então o quê se ensinar?
Se não há ciência para ensinar, com suas sólidas tradições teóricas-metodológicas, qualquer coisa pode ser dada, por qualquer um, para qualquer fim.
Enfim, é triste.
É triste ver que a única coisa que vejo de correto em nosso sistema de ensino pode cair pelas mãos de um carrasco tido por trabalhista e popular.

Responder

    Elton

    29 de agosto de 2012 às 16h08

    Como é que é? Então é culpa de Lula? Explica aí……

    E. S. Fernandes

    29 de agosto de 2012 às 18h22

    Caro leitor, sei lá de quem é a culpa. Escrevo pensando no governo como um todo, não em Lula ou Dilma. Também não penso com essa categoria, culpa, não sou psicólogo. Pode haver, por traz disto, interesses, jogos, uma orientação do pensar ideológica, portanto equivocada, do mec, sei lá.

    Rodrigues

    29 de agosto de 2012 às 16h53

    Acho que História, Geografia, Sociologia e Filosofia serão chamadas de “Estudos Sociais” – exatamente como era no período militar!

Elton

29 de agosto de 2012 às 14h32

Em compensação aí se abriria espaço para que quem é diplomado em PEDAGOGIA talvez possa assumir aulas de qualquer coisa afinal, há centenas de cursos dessa área espalhados por todo o país. Anos atrás já foi barrada uma proposta nesse sentido, de que pedagogos(as) pudessem habilitar-se a ministrar aulas de qualquer disciplina. Dá o que pensar….

Responder

Mardones Ferreira

29 de agosto de 2012 às 13h56

Se isso for verdade, nem quero pensar no futuro que teremos. Aliás, essa escola sem professores especialistas proposta nessa reforma, segundo o artigo, tem o respaldo de quais educadores e é aplicado em quais exemplos no mundo?

Responder

Narr

29 de agosto de 2012 às 13h37

Esse tom de argumentação, com arma engatilhada na mão, é que não tem cabimento. OK, o PT durante muitos anos agia assim. Mas, cá para nós, como iniciar uma discussão que tem como pressuposto a ideia de que o objetivo do MEC é destruir a educação? O mérito da questão é outro, claro. Pode-se argumentar e concluir que se a coisa for como vai, a educação será destruída. Isso é válido. O que não é válido é esse clima de guerra declarada que torna impossível qualquer diálogo, qualquer possibilidade de um lado ouvir o outro. Ora, o que se entende é que o MEC vai apresentar uma proposta para ser debatida, que pode ser mudada em parte ou em todo.

Responder

    Elton

    29 de agosto de 2012 às 14h19

    Debatida com quem, cara-pálida? A sociedade em geral não participa e a “tradição” é que reformas desse e de outros tipos não sejam discutidas além dos gabinetes dos “entendidos” em educação ou seja, acabam “empurradas” doa a quem doer. Principalmente se existe GRANDE interesse em diminuir custos…..

Leo

29 de agosto de 2012 às 13h20

Isto já está acontecendo …

Responder

Lucas Cardoso

29 de agosto de 2012 às 13h03

Não é necessariamente uma má ideia tornar o ensino pré-universitário mais generalista e menos profissionalizante. Não existe razão alguma para o aprendizado obrigatório de polinômios, ciclo de Krebs ou Batalhas da Primeira Guerra Mundial para alguém que, por exemplo, deseja se tornar um filósofo como o autor deste artigo.

Mas nesse caso, o vácuo deveria ser preenchido por matérias úteis, como noções de economia doméstica, ciência política, retórica, administração, mecânica e programação. Duvido muito que isso aconteça. O ensino fundamental e médio vão provavelmente continuar sendo curso preparatório para o ENEM. (Mas eu gostaria de estar enganado)

Responder

    Matt

    29 de agosto de 2012 às 16h25

    Rapaz, a sua ideia consegue ser ainda mais esdrúxula que a do Mercadante, especialmente pelos exemplos toscos de disciplinas supostamente úteis, como “economia doméstica, ciência política, retórica, administração, mecânica e programação”. Olha, eu tive aula de administração e programação (com outros nomes) e não serviram para quase NADA. Programação é útil para quem for técnico ou cientista da computação. E só. Economia doméstica? Putz, vamos ensinar os alunos a não gastar mais do que ganham, porque obviamente precisamos de uma disciplina escolar para aprender a comprar pão. Retórica? Quem sabe assim os alunos conseguem “chorar” melhor com outros professores? Ciência política é interessante sim, só que ela já está implícita no currículo da Sociologia.

    Lucas Cardoso

    29 de agosto de 2012 às 20h07

    Eu estava só mencionando exemplos. Você provavelmente também tem suas próprias ideias do que pode ser útil. O importante é constatar que o que é ensinado nas escolas hoje em dia é voltado para fazer concursos, e não para a vida prática. Isso tem que mudar. Como as coisas devem ser a gente discute depois da revolução :)

    P.S.: Tudo indica que, no futuro, programação será tão importante quanto ler e escrever é hoje.

    ivonunes

    29 de agosto de 2012 às 21h39

    Que tal estudos preparatorios do churrasco de final-de-semana?

    Cesar

    29 de agosto de 2012 às 17h45

    Mas os cursos de graduação não são propriamente profissionalizantes!

    Lucas Cardoso

    29 de agosto de 2012 às 20h21

    Concordo. Mas também é verdade que o objetivo da maior parte dos estudantes desses cursos é arranjar um diploma pra ter maior facilidade de conseguir emprego, não a busca do conhecimento pelo conhecimento.

    Isso não é errado. Vivemos numa sociedade fundamentalmente injusta, em que quem não trabalha não come, não tem emprego pra todo mundo, e os empregos menos degradantes com salário decente requerem terceiro grau.

    tiago carneiro

    30 de agosto de 2012 às 07h26

    Existe sim. Isso faz com que você conheça o mundo e seja menos retardado.

    Lucas Cardoso

    30 de agosto de 2012 às 11h28

    Saber resolver equações logarítmicas com números imaginários é conhecimento de mundo? Fazer análise sintática? Citar todos os presidentes do Brasil em ordem cronológica? Muita coisa que se aprende na escola é simplesmente inútil se você não pretende se especializar no assunto.

    Não concordo com o jeito com que o governo pretende fazer essa reforma, mas uma reforma curricular é necessária. Ou isso ou se abole o Ensino Médio geral, e cria-se vários Ensinos Médios especializados. Mas isso forçaria as pessoas a decidirem suas carreiras desde crianças.


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