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Fátima Oliveira: Ministério da Saúde adoça a boca do Vaticano

publicado em 15 de abril de 2011 às 14:19

por Conceição Lemes

Nas últimas duas semanas, em artigos publicados no Viomundo, a farmacêutica Clair Castilhos (aqui), a cientista social Telia Negrão (aqui ) e a médica Fátima Oliveira (aqui, aqui e aqui) afirmaram: o conceito da Rede Cegonha é um retrocesso nas políticas de gênero, saúde integral da mulher e direitos reprodutivos e sexuais.

Alguns leitores criticaram, outros não entenderam a preocupação das três, todas (é bom que se diga!) eleitoras de primeira hora da presidenta Dilma Rousseff.

A Beattrice, nossa leitora assídua de longa data, sugeriu então uma matéria que esclarecesse e, ao mesmo tempo, historiasse a batalha de mais de 30 anos pela atenção integral à saúde de todas brasileiras.

Daí esta entrevista com a médica e escritora Fátima Oliveira, 57 anos, do Conselho Diretor da Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR) e do Conselho Consultivo da Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe (RSMLAC).

A avó de Maria Clara, Luana e Lucas e mãe de Maria, Débora, Lívia, Gabriel e Arthur, nasceu com  cabelinhos nas ventas. Aos 16 anos, começou a batalhar pelos direitos das mulheres e um mundo mais solidário. Não parou mais.

Guerreira que dá gosto. No pronto-socorro do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, onde dá duros plantões. No movimento de mulheres por esse Brasil afora. Na campanha eleitoral…

Por isso, depois de avaliar o Programa Rede Cegonha, resolveu botar a boca no trombone. “Como cidadã, mulher, médica, batalhei pela eleição de Dilma. Desejo ardentemente que o seu governo dê certíssimo”, salienta. “Por isso, eticamente, me sinto na obrigação de apontar os equívocos, para que as coisas tomem o rumo certo.”

A entrevista com a doutora Fátima é longa. Mas vale a pena lê-la até o final e guardar. É um resgaste histórico da memória da  luta das mulheres brasileiras pela saúde.

Viomundo – Muitos leitores não entenderam por que a senhora, Clair Castilhos e Telia Negrão insistiram tanto na questão da atenção integral à saúde da mulher. O que significa exatamente?

Fátima Oliveira – Me chame de você, combinado? Bem, o documento-base do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher – o PAISM – chama-se Assistência Integral à Saúde da Mulher: bases de ação programática. Foi elaborado pelo Ministério da Saúde (MS) em 1983, publicado em 1985.

Constitui um marco histórico, pois é o primeiro programa de saúde no Brasil a registrar a integralidade como rumo a ser buscado para uma prática de saúde de respeito à dignidade humana.

Tenho dito e reafirmo que  esse documento “é um ícone para o feminismo brasileiro por ser o mito fundador das políticas públicas em saúde da mulher com vistas a atendê-la ‘de modo integral em todas as fases de sua vida: infância, adolescência, idade adulta e terceira idade’.”

Viomundo — Doutora, você participou da elaboração?

Fátima Oliveira – Não. Exceto Ana Maria Costa, que é feminista e funcionária de carreira do Ministério da Saúde, nenhuma outra feminista integrou a comissão que elaborou o PAISM. Eu era uma médica lá do interiorzão do Maranhão, em Imperatriz. Com participação no movimento estudantil desde “secundarista”, em meados dos anos 1980, estava apalermada com as laqueaduras em massa das mulheres de Estreito, coladinha em Imperatriz. Era tão gritante que correu mundo. E eu fui muito tocada por tais fatos.

Só comecei a participar de forma efetiva da luta feminista pela saúde da mulher em âmbito mais coletivo e nacional nas preparatórias I Conferência Nacional de Saúde e Direitos da Mulher, 10 a 16 de outubro de 1986 — até hoje 1ª. e única! Mas antes mesmo de passar no vestibular de Medicina (1973), com 16 anos, no bairro de Fátima, em São Luís, integrei um trabalho denominado Ninho (atual Pastoral da Mulher Marginalizada, da Igreja Católica), desenvolvido pelas freiras da paróquia. Consistia numa aproximação com prostitutas para conversar , cuidar dos problemas de saúde delas e de seus filhos e encaminhá-las para consultas, providenciar remédios, alimentação, roupas, etc.

Depois, já médica, em Imperatriz, embora diretora de um hospital privado, de médio porte, credenciado pelo INAMPS e FUNAI, participei, desde a fundação, de uma ação política chamada Barco da Saúde, idealizada pela oftalmologista Lindalva Amorim,   uma feminista e brizolista das mais radiantes (rsrsrsrs), que nem sei por onde anda hoje.  Percorria as regiões ribeirinhas (do rio Tocantins) aos sábados e domingos, uma vez por mês, fazendo atendimento médico, odontológico, exames laboratoriais, gratuitamente… Era algo do tipo amenizar miséria. Mas era necessária. Beneficiou muita gente.

Viomundo — O PAISM é da era pré-SUS…

Fátima Oliveira – O SUS é de 1988… Pra você vê (risos), a luta feminista pela saúde integral está na estrada há muito tempo. Era Pré-SUS! Bem antes da 8ª. Conferência Nacional de Saúde, que aconteceu em março de 1986.  Posso dizer como na música Frete, de Renato Teixeira: “Eu conheço cada palmo desse chão…/Quantas idas e vindas meu deus quantas voltas”, porque eu percorri “cada palmo desse chão” junto com muita gente para desbravá-lo…

Viomundo –Compararia a saúde integral da mulher ao o quê?

Fátima Oliveira – Há uma comparação genial, perfeita, da médica Ana Reis que diz que saúde integral é como o arroz com casca e tudo. Bem, quem nunca viu um pé de arroz e nem arroz com casca dificilmente entenderá… rsrsrsrsrs. Eu espero que todo mundo no Ministério da Saúde já tenha visto arroz com casca… A conversa ficará mais fácil.

Viomundo – A saúde integral contempla o quê?

Fátima Oliveira O conceito de integralidade em saúde é um conceito que não é estanque. Evolui. Não é apenas atenção médica integral em todas as fases da vida, mas um conjunto de variáveis que asseguram bem-estar e cidadania, a partir da compreensão que é dever do Estado e da Sociedade a concretização da expectativa de vida das pessoas com qualidade.

Viomundo – Quando e como o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher, o famoso PAISM, começou a ser construído?

Fátima Oliveira – Acredite! Em plena ditadura militar, o que nos mostra que é possível ter conquistas pontuais em conjunturas adversas.

Respondendo à convocatória de uma CPI do Senado sobre crescimento populacional, o ministro da Saúde da época, Waldir Arcoverde, que foi ministro de 1964 a 1985, assegurou que o ministério sob seu comando apresentaria uma proposta sobre saúde da mulher.

Foi assim que, em 21 de junho de 1983, quando foi depor, Waldir Arcoverde apresentou a proposta do PAISM. Sobre a sua “escrita” há pelo menos duas versões, que no momento não vem ao caso.

No artigo Paism: um marco na abordagem da saúde reprodutiva no Brasil, Maria José Martins Duarte Osis pontua:

A proposta levada pelo ministro à CPI fora preparada por uma comissão especialmente convocada pelo Ministério da Saúde (MS) para a redação do Programa, em abril de 1983, e constituída por três médicos e uma socióloga: Ana Maria Costa, da equipe do MS e fortemente identificada com o movimento de mulheres; Maria da Graça Ohana, socióloga da Divisão Nacional de Saúde Materno-Infantil (DINSAMI); Anibal Faúndes e Osvaldo Grassioto, ginecologistas e professores do Departamento de Tocoginecologia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), indicados pelo Dr. José Aristodemo Pinotti, chefe daquele departamento.

A sua missão incluía a necessidade de apresentar um programa que se justificasse também filosoficamente perante a sociedade em geral, atendendo os anseios que estavam se evidenciando, e que fosse considerado tecnicamente correto, dispensando grandes reformulações. Tudo indicava que o ministério desejava que o programa causasse um impacto positivo e pudesse ter sua implantação iniciada imediatamente e de forma satisfatória.

…O Ministério da Saúde divulgou oficialmente o PAISM em 1984, através do documento preparado pela referida comissão: “Assistência Integral à Saúde da Mulher: bases de ação programática.

Viomundo –  O que havia sobre saúde da mulher antes do PAISM?

Fátima Oliveira – Segundo a médica Ana Maria Costa, coordenadora da equipe técnica que elaborou o PAISM e sua ex-coordenadora, as propostas do Ministério da Saúde para a saúde da mulher, a partir de 1970 até à elaboração do PAISM, foram:

1) Programa de Saúde Materno-infantil (PSMI, 1975): orientação técnico-normativa-programática para as instituições executoras, as Secretarias Estaduais de Saúde, assim como o repasse de recursos financeiros específicos para a execução das ações propostas”. Consistia no acompanhamento pré-natal, controle dos partos domiciliares e o controle do puerpério, visando a população de 15 a 49 anos.

2) Proposta do Programa de Prevenção de Gravidez de Alto Risco (PPGAR): um Manual Normativo, que traduzia uma concepção efetiva de planejamento familiar, ainda que restrita aos ‘grupos de risco’. O Ministério cedeu às pressões de grupos de mulheres e profissionais de saúde e não implementou o PPGAR.

Viomundo –  E o contexto de surgimento do PAISM?

Fátima Oliveira – É importante que fique explícito: embora a primeira versão do PAISM tenha sido aprimorada pelo feminismo, num processo dialogado, porém de lutas titânicas, o movimento feminista não o idealizou.

O PAISM não é uma construção do movimento feminista em si, mas uma resposta do governo, do ministro da Saúde daquela época, que definiu uma equipe técnica de alto nível, notório saber e ideias avançadas para elaborar um programa de saúde da mulher!

A rigor, o PAISM é uma ideia de perspectiva feminista, cuja origem é o debate sobre controle de fecundidade  versus controle de natalidade.

O contexto político era o da ditadura militar de 1964, da consolidação da atuação de entidades privadas de planejamento familiar – tipo BEMFAM (Sociedade Civil de Bem-Estar Familiar, 1965) e CPAIMC (Centro de Pesquisas de Assistência Integrada à Mulher e à Criança, 1974). Tinha forte apoio da cooperação internacional, no vazio do Estado no apoio às demandas por contracepção.

Na mesma época, adensava-se a luta pela redemocratização do país e cresciam as mobilizações feministas e de parlamentares pela implantação do aborto previsto em lei (estupro e risco de vida da gestante), a exemplo da aprovação da Lei Nº. 832/85 da então deputada Lúcia Arruda (PT-RJ).

Viomundo — Que momentos dessa trajetória destacaria?

Fátima Oliveira — Luta, luta, muita luta…

É uma história que precisa ser escrita. A muitas mãos, incorporando muitos olhares…

Mas eu destacaria, pós-publicação do documento-base do PAISM, a 8ª. Conferência Nacional de Saúde e a Conferência Nacional de Saúde e Direitos da Mulher, em Brasília, em 1986.

Ainda em 1986 a instalação, no Ministério da Saúde, da Comissão de Estudos sobre os Direitos Reprodutivos, composta por profissionais da saúde e feministas, sob a responsabilidade da médica Ana Regina Reis, que foi da maior importância para firmar o conceito de direitos reprodutivos no Brasil. Depois ela foi esvaziada, se não estou esquecida, no governo Collor.

Nos governos Collor e depois no de Itamar, o feminismo não mereceu nem pão e nem água.  Itamar, sincero como de costume, sinalizou explicitamente que não queria papo: levou a doutora Zilda Arns (mais conhecida como Dona Zilda), inimiga histórica do feminismo até morrer, para ser coordenadora da Área Materno-Infantil do MS, onde estava alocado o PAISM.  Sem chances de diálogo.

Em torno da defesa da concepção filosófica e política do PAISM foi criada, em 1991, a Rede Feminista de Saúde, da qual fui secretária-executiva de 2003-2006, cargo que Telia Negrão ocupa atualmente. A Rede evidenciou  pra todas nós que os méritos e o poder de ganhar consciências, embutidos na ideia de assistência integral à saúde da mulher, são incomensuráveis.

Também em 1991 foi fundada a CCR (Comissão de Cidadania e Reprodução), da qual integro o Conselho Diretor. Até hoje são duas instituições de destaque na luta pela saúde da mulher, direitos sexuais e direitos reprodutivos no Brasil, ao lado de muitas outras organizações locais. Praticamente todos os grupos e organizações feministas brasileiros atuam no campo da saúde da mulher. Saúde da mulher é um tema muito caro ao feminismo brasileiro.

Em 1994, governo FHC, aconteceu a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD, Cairo 1994), da qual resultaram a Declaração e a Plataforma de Ação do Cairo. Ambas significaram para o feminismo mundial um símbolo de mudanças, alocando os direitos reprodutivos como parte integrante e indissociável dos direitos humanos, marco de uma nova era que relega as velhas políticas de população de teor antinatalista ou natalistas a um lugar secundário.

Viomundo — Fale mais sobre a Conferência do Cairo, de 1994, e suas repercussões no Brasil.

Fátima Oliveira — Cairo 1994 supera a visão hegemônica das Conferências anteriores de que a população era um estorvo e um entrave ao desenvolvimento.

Para o feminismo brasileiro foi uma vitória de alta relevância no embate político vigoroso com as ideias “controlistas”, dissociando dos interesses demográficos o desejo, a necessidade das mulheres por contracepção e a oferta dos insumos pelo Estado.

Aliás, muitas das propostas da Plataforma do Cairo já constavam das linhas de trabalho do PAISM, de 1984, portanto integravam a agenda política do feminismo brasileiro. Estávamos adiante do nosso tempo…

No pós-Cairo, surge o que chamo de “desejos de revisitar o PAISM”. Foi uma luta política das boas e pesadas…

Ativistas e intelectuais do movimento feminista começaram uma fase importante de proposições relativas à saúde da mulher no tocante aos direitos reprodutivos. Alguns setores acreditavam que cabia ao Brasil criar um Programa de Saúde Reprodutiva, outros argumentavam que isso seria um retrocesso diante da diretriz de atenção integral à saúde da mulher (PAISM), que contemplava as questões pertinentes à saúde reprodutiva, embora se reconhecesse que ela não estava sendo implementada.

Constatou-se, também, que o PAISM não era uma diretriz do SUS, embora fosse normatizado pelo Ministério da Saúde. O setor privado conveniado com o SUS não se interessava em implementar o PAISM, a não ser a atenção ao pré-natal e ao parto; em geral só atendia partos e cirurgias ginecológicas.

Mulheres negras passaram a reivindicar uma radicalização na compreensão de integralidade, incluindo questões concernentes ao recorte racial/étnico, enfatizando doenças cujas interfaces com a saúde reprodutiva da mulher negra já estão bem definidas, tais como diabetes tipo II, miomas, hipertensão arterial e anemia falciforme.

Críticas contundentes foram feitas também ao aparelho formador, sobretudo escolas de medicina e de enfermagem, diante da ausência de enfoques curriculares sobre a saúde da mulher, do desconhecimento (ou descaso?) de conceitos básicos como direitos sexuais e direitos reprodutivos e da incompreensão do conceito de integralidade, resultando no desnorteamento e distanciamento entre as práticas profissionais e as necessidades das mulheres, inclusive no tocante à questão ética.

Viomundo – O PAISM é implementado na íntegra?

Fátima Oliveira – Desde sempre, o PAISM é parcialmente implementado. Era o sonho que perseguíamos em cada Estado,  em cada cidade.

Na gestão Serra como ministro da Saúde de FHC (1998-2002), a médica Tânia Lago coordenou a Área Técnica de Saúde da Mulher (ATMS). Embora com largo trânsito no feminismo brasileiro, ela recebeu só uma vez a Rede Feminista de Saúde (RFS). Eu estava presente. Da tal visita, resultou uma parceria da RFS com o MS. Elaboramos a cartilha Gravidez saudável e parto seguro são direitos da mulher, amplamente distribuída pelo MS.

Era uma relação cordial, porém tensa… Registramos como ganhos inegáveis na gestão de Tânia Lago três coisas :

1ª) A Área Técnica de Saúde da Mulher teve visibilidade e poder.

2ª) A elaboração da “Norma Técnica Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Meninas” (1998), que assegurava o aborto previsto em lei nos casos de gravidez resultante de violência sexual, além do apoio financeiro à implantação de Serviços de Aborto Previsto em Lei.

3ª) A elaboração e publicação do manual técnico sobre “Gestação de Alto Risco” (1999), no qual estava contemplado o aborto em casos de risco de vida para a mulher, outra situação em que o aborto é permitido legalmente no Brasil.

Viomundo – Então a gestão de Tânia Lago foi importante para a saúde da mulher?

Fátima Oliveira — Usando da mais absoluta honestidade intelectual, tenho de admitir que foi uma gestão vitoriosa e inestimável, sob a perspectiva feminista, pois  normatizou em âmbito nacional um direito previsto em lei desde 1940 (Código Penal), que só havia sido implantado em pouquíssimas cidades.  São Paulo, na administração da prefeita Luiza Erundina (1989), foi a primeira do país. Na época, quem respondia pela Assessoria de Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo era a médica Maria José de Oliveira Araújo, a Mazé.

Viomundo – Afinal, quando o PAISM deixou de ser uma carta de intenções e foi alçado à condição de política de governo?

Fátima Duarte – No governo Lula, em 2003. O ministro Humberto Costa, médico, hoje senador do PT por Pernambuco, levou para a Área Técnica de Saúde da Mulher a feminista e médica Maria José de Oliveira Araújo, a Mazé, como todas nós a chamamos, com uma história de vida de dedicação ao feminismo, à saúde da mulher…

Humberto Costa foi um ministro afinadíssimo com as causas feministas na área de saúde, com certeza o mais afinado que já tivemos. Em sua gestão, a Área Técnica de Saúde da Mulher foi muito prestigiada e empoderada, tanto no Ministério da Saúde quanto na sociedade.

Em 2003, a Área Técnica de Saúde da Mulher, em processo dialogado com o movimento feminista, de trabalhadoras rurais, mulheres negras, lésbicas e de portadoras de deficiências, elaborou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM). Uma tradução de linhas de ação, sob a perspectiva da integralidade, da visão filosófica e política preconizada pelo PAISM. Havia duas áreas de maior visibilidade: o Pacto Nacional pela Redução da Morte Materna e Neonatal e a Política Nacional de Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos.

Viomundo – Lendo uma porção de documentos nas duas últimas semanas, tive a impressão que a área de saúde da mulher teve um grande salto na gestão do ministro Humberto Costa. É achismo meu  ou fato? O que aconteceu de especial aí?

Fátima Oliveira — Ele era especial enquanto ministro, sobretudo pela sensibilidade para nossas questões. Nilcéa Freire, ministra da Mulher nos dois governos Lula, disse em um evento que era um luxo a gente ter um ministro da saúde feminista. E era!

A Área Técnica de Saúde da Mulher teve muita autonomia e poder. E a gente percebia que ele tinha compromisso e bancava politicamente aquilo tudo. Foi na gestão dele que foram elaborados documentos que transformaram um mito fundador, o PAISM [Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher], em política, o PNAISM [Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher], duas décadas depois.

Viomundo – Por exemplo.

Fátima Oliveira – Por exemplo:

1) Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (2003).

2) Pacto Nacional pela Redução da Morte Materna e Neonatal (2004).

3) Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento (2004).

Quando Humberto Costa saiu, assumiu o Ministério da Saúde o José Saraiva Felipe, médico e deputado federal mineiro (PMDB-MG), com uma história de participação nas  lutas pela Reforma Sanitária e de construção do SUS.

Saraiva Felipe manteve Maria José de Oliveira Araújo, dando continuidade à implementação das políticas elaboradas na época de Humberto Costa. Mazé só saiu do Ministério da Saúde no início da gestão do ministro Temporão, que considero a pior gestão para a saúde da mulher no governo Lula. Embora não verbalizasse ideias conservadoras, não abriu brechas para a Área Técnica de Saúde da  Mulher voar no campo já instalado. Não deu marcha-à-ré, mas não tirou o pé do freio.

Ou seja, embora tenha dado seguimento à maioria das ações referentes à saúde da mulher, Temporão não deu espaço para que a Área Técnica de Saúde da Mulher mantivesse o protagonismo dos tempos Humberto Costa e de Saraiva Felipe. Lamentavelmente.

Eu, que não me calo diante das derrotas, esperneio sempre, na época escrevi um artigo: Saudações a quem tem coragem! (O TEMPO, 29 de maio de 2007), que vou ler para você e acho interessante para que leitores do Viomundo nos conheçam um pouco melhor:

Mazé inscreveu um feito histórico inesquecível com a ousadia que só as pessoas visionárias, comprometidas com os direitos humanos, são detentoras, que foi transformar as ideias filosóficas e políticas do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), que hibernavam há quase duas décadas, na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher – um conjunto de ações enfocando os pontos nevrálgicos da desatenção, capazes de, se devidamente coordenadas e implementadas, mudar a face cruel do descaso da saúde pública em nosso país.

Mazé ousou, num cargo público, diminuir o fosso entre a vida e os direitos humanos em que vivem as brasileiras no campo da atenção à saúde, dando visibilidade como governo à taxa de mortalidade materna no Brasil é imoral e inaceitável  porque 96% das mortes não deveriam ocorrer, pois há meios seguros de evitá-las e que as mulheres morrem quase à míngua por falta de cuidados adequados por parte de profissionais e serviços de saúde despreparados e negligentes.

Mazé enfrentou inimigos poderosos, mantendo coerência entre o discurso e a prática profissional e política, na busca de superar o que a Red de Salud de las Mujeres Latino-americanas y del Caribe (RSMLAC) destaca com absoluta propriedade em sua declaração: a “ausência de políticas públicas sensíveis à equidade de gênero em saúde, e em outros casos a obstaculização das mesmas por parte de setores fundamentalistas, em especial da Igreja Católica – que insiste em erigir-se como autoridade moral sobre a intimidade das pessoas, inclusive de quem professa outros credos ou nenhum. Tudo isso coloca em pauta a vigência do Estado laico como condição essencial para a democracia.

Para nós, as mulheres da luta real, a gestão de Mazé, alicerçada na filosofia e na moralidade feministas, deixa a marca da sua competência técnica e política. Obrigada!

Viomundo – Realmente, doutora, você é uma militante de quatro costados, já deve ter aguentado poucas e boas. Já foi processada ou ameaçada de processo devido à luta pelas causas feministas?

Fátima Oliveira – Perseguição política, declarada, já sofri. Até no feminismo, que não é um bloco monolítico; nele há diferentes facções. Os inimigos são incansáveis. Tanto de governos de direita quanto de esquerda. E posso dizer que os de esquerda perseguem com mais gana, sobretudo porque estão imbuídos da crença da verdade única e que eles, os partidos deles, detêm o monopólio do saber e da verdade, portanto eles, e só eles, sabem o que é bom e melhor pro povo! Parece maluquice, mas funciona em geral assim…

No momento, respondo a um processo de um ex-governador de Minas Gerais. Mas ser perseguida faz parte da luta contra o machismo, não é?

Viomundo – E já que estamos falando em luta política, vamos à Rede Cegonha. Seria uma tentativa de reinventar a roda?

Fátima Oliveira Não é bem assim. Qual o grande foco da Rede Cegonha? Redução da mortalidade materna, que no Brasil ainda é alta. Pois bem, a parte de combate à mortalidade materna que está no programa Rede Cegonha é a que está no Pacto Nacional, de 2004.  Não disseram, mas é! Foi uma apropriação do que já existia e estava indo relativamente bem…

A parte nova do Rede Cegonha é a de assistência social, por sinal, muito boa enquanto ação puramente de assistência social. Será bom para as mulheres, não tenho dúvida. Mas a concepção onde tais ações estão embutidas é equivocada.

Saúde materno-infantil, um conceito antigo, conservador e do agrado absoluto da Santa Sé! Sim do todo poderoso Vaticano, que se apresenta segundo as conveniências, ora como Estado, ora como religião!   O Ministério da Saúde ao retomar o conceito de saúde materno-infantil adoça a boca do Vaticano!

Ai meus sais, e como adoça! Ontem, 14 de abril, o Vaticano jogou toda a sua força política na  44ª Reunião da Comissão  de População  e Desenvolvimento das Nações   Unidas (Nova York, 11 a 15 de abril de 2011) para que a “linguagem do Cairo”, seja revisada e retroceda no sentido de que os direitos da “família” se sobreponham aos direitos das mulheres! Espero que diplomacia brasileira, que nos palcos da ONU nunca regateou sobre os direitos da mulher, segure a onda… Porque as notícias de ontem, vindas de Nova York evidenciam que o jogo é bruto.

Viomundo – Essa parte assistencial fez uma leitora do Viomundo, Leila Maria, se lembrar da Legião Brasileira de Assistência, a extinta LBA. A Rede Cegonha seria uma LBA com roupa nova?

Fátima Oliveira – Não! Na aparência, é do mesmo naipe, mas é diferente. Ambos trafegam no veio da assistência social. Todavia na extinta LBA, onde a primeira dama do país do momento fazia proselitismo político em nome da caridade, o sentido de suas ações era de esmola mesmo.

Na Rede Cegonha, eu vejo como direitos e não como uma concessão de “Mãe dos Pobres”.  Não é o estilo da presidenta. Assim vejo. Mas causa confusão, sim.

Viomundo – Vários leitores disseram que o importante é ter o programa Rede Cegonha. Já você e Telia Negrão disseram que é reducionista. E, aí, doutora?

Fátima Oliveira – Por desconhecimento das políticas públicas de saúde e do conceito de atenção integral à saúde – e, aí, não há como não debitar na conta do ex-ministro Temporão — ou mesmo por má-fé, para dizer que no Governo Lula as mulheres não tiveram ganhos na área de saúde,  muita gente está adotando uma postura distorcida, achando que o Rede Cegonha é um maná que caiu dos céus…

O que nós estamos dizendo é que, ao juntar num mesmo pacote, saúde da mulher com saúde da criança, há um retrocesso, um equívoco teórico, uma volta ao tempo em que se chamava “saúde materno-infantil”, uma visão em bloco de saúde da mãe e da criança, tudo no mesmo cesto.

Viomundo – Uma volta à visão materno-infantil das gestões Collor e Itamar?

Fátima Oliveira – Exatamente. E também de antes deles. Bem, sabemos que não é assim. Saúde da Mulher e Saúde da Criança são campos próprios, com suas especificidades, logo devem ser vistos separadamente. Tanto que, no Ministério da Saúde, há  a Área Técnica de Saúde da Mulher, a Área Técnica de Saúde da Criança e Área Técnica de Saúde do Adolescente, cada uma com suas coordenações próprias. Cada uma, atuando em suas políticas específicas.

Separar a saúde da criança da saúde materna foi uma vitória política e conceitual imensa e profunda!

Viomundo — Num artigo publicado no ano passado você foi profeta ao falar de mulher-mala, esse conceito de mãe e bebê no mesmo pacote. O que te fez antever isso? Foi só o discurso de campanha? Ou havia alguma coisa mais acontecendo?

Fátima Oliveira — Não é profecia, é quilometragem na estrada. Desde que eu ouvi, pela primeira vez, a candidata Dilma Rousseff falando em Rede Cegonha, eu senti que o comando da campanha dela estava boiando na área. Logo, um possível retrocesso estaria em curso se ela ganhasse as eleições, como ganhou, sobretudo porque não havia na coordenação da campanha dela nenhuma feminista militante da saúde da mulher.

Aliás, eu nem sei se havia feminista alguma. As petistas feministas tiveram muitas dificuldades na aproximação com a candidata. Os homens não deixavam… Logo depois das eleições escrevi um artigo alertando que as disputas do governo Dilma estavam na mesa… Ou a gente, as feministas, chegaria cedo ou perderia muito.

Não chegamos. E perdemos. O Rede Cegonha reflete exatamente a disputa ideológica que não fizemos no seio do governo Dilma! Agora é chorar as pitangas.

Viomundo — Já ouvi várias ativistas dizerem que a Área Técnica de Saúde da Mulher foi sendo esvaziada ao longo da gestão do ex-ministro Temporão. Isso aconteceu realmente? Por quê?

Fátima Oliveira — O por que deve ter muitas respostas. Eu não sei todas. Nem as hipotéticas. E nem mesmo sei se as que ouvi falar são as reais.

Só o ex-ministro Temporão pode falar realmente os seus motivos de desprestigiar, ao esvaziar, a Área Técnica de Saúde da Mulher. Mas há de tudo um pouco, desde vaidade pessoal a disputa ideológica e por verbas.  E, como sabemos, o Ministério da Saúde é um ministério bem forrado de recursos, embora digam que o dinheiro pra saúde é pouco. Não é pouco, pode não dar pra tudo o que precisamos na atenção à saúde, mas que a grana é muita, é!

Mas é muito estranho que o ministro Temporão tenha, no último minuto do segundo tempo, de sua gestão, via portaria nº 4.159, de 21 de dezembro de 2010, definido o Instituto Fernandes Figueira da Fiocruz, como Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, para atuar como órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento, na coordenação e na avaliação das ações integradas para a saúde da mulher, da criança e do adolescente no Brasil. O teor é, no mínimo, ambíguo.

Ora, o Temporão, duma canetada JUNTA saúde da mulher, da criança e do adolescente numa cestinha só, sob coordenação única, ainda que seja auxiliar, sediada no Rio de Janeiro! Entendo que a Fiocruz é uma instituição do Ministério da Saúde, porém na prática, mesmo que a Área Técnica de Saúde da Mulher mantenha a sua coordenação no Ministério da Saúde, em Brasília, está formatada, sacramentada uma divisão de poder. Intuo que é uma complicação. Ou uma estratégia… Maquiavélica.

Se como ministro ele tinha a prerrogativa de realizar tal ato, eu não sei! Mas que fez, fez! A pergunta é por quê?

Mais estranho ainda é o ministro Padilha não ter revogado tal ato sem sentido.

Mas também não tenho dúvida de que a portaria de Temporão dá a legalidade necessária para que o Rede Cegonha possa ser uma ação única para a mulher e a criança! Juntou a fome com a vontade de comer e está instalado realmente um retrocesso teórico, ideológico. Mas como não viemos ao mundo a passeio, a gente chora as pitangas, mas vai à luta, claro, ao mesmo tempo.

Viomundo – Você acha possível o movimento feminista e o Ministério da Saúde negociar e chegarem a um acordo?

Fátima Oliveira – Negociação é possível e o MS vai negociar. Não é bem negociar. O MS precisa usar de pragmatismo e sensatez para admitir que houve problemas na montagem do Rede Cegonha, que o programa pode ser bem melhor, mais correto e enxuto, sem querer englobar ações de outras áreas que estão funcionando relativamente bem, embora precisem de reforço.

Ou seja, o ministro precisa avaliar, de cabeça fria e pés no chão, todas as  questões que o movimento de mulheres e estudiosos da saúde da mulher estão elencando. Eu, particularmente, acho que a sensatez indica a manutenção do PNAISM com todas as suas ações, incluindo o Pacto Nacional pela Redução da Morte Materna e Neonatal, com seus nomes originais para evitar confusões desnecessárias.

E o Rede Cegonha seria uma ação social necessária e relevante para grávidas, parturientes e puérperas e seus filhos até dois anos, com interface com a saúde da mulher e a saúde da criança. Não apenas mais sensato, como coerente.

Viomundo — Há leitores que dizem as feministas deveriam deixar a presidenta trabalhar, que estariam enchendo a paciência dela, que essas feministas…  O que você diria para eles?

Fátima Oliveira – Eu votei em Dilma nos dois turnos apenas e tão-somente porque acreditava que ela apresentava a melhor proposta para o Brasil, em todos os sentidos.  Estou empenhada e desejo ardentemente que ela faça o melhor governo da história da República, em especial pelo simbolismo de ela ser a primeira presidenta do Brasil porque tal fato tem um significado especial na autoestima das meninas.

Mas sou uma cidadã consciente, uma livre-pensadora e tenho o dever moral, político e ético de apontar e refletir sobre o que eu considerar erros e dificuldades do governo. Jamais ficarei calada diante de fatos que entenda que são perdas para a cidadania.  Além do que a crítica, fazer e receber, é parte da vida democrática, da construção da democracia, coisa que nem todo mundo aprecia na prática.

Leia aqui a entrevista com a doutora Esther Vilela, coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, que explica como vai funcionar a Rede Cegonha

Leia aqui por que Fátima Oliveira acha que o Rede Cegonha retalha uma diretriz do Ministério da Saúde.

Leia aqui o alerta de Telia Negrão, secretária-executiva da Rede Feminista de Saúde, sobre A Rede Cegonha.

Leia aqui sobre a polêmica portaria do Ministério da Saúde referente à Área Técnica de Saúde da Mulher.

Leia aqui o que a doutora Fátima Oliveira escreveu sobre Dilma, a Rede Cegonha e os dilemas de Dona Lô.

Leia aqui o pedido da doutora Clair Castilhos à presidenta Dilma para que ouça as mulheres em relação à Rede Cegonha.

 

65 Comentários para “Fátima Oliveira: Ministério da Saúde adoça a boca do Vaticano”

  1. [...] Fátima Oliveira: Ministério da Saúde adoça a boca do Vaticano [...]

  2. [...] Fátima Oliveira: Ministério da Saúde adoça a boca do Vaticano [...]

  3. dom, 21/08/2011 - 23:55
    Silvio I

    Conceição Leme:
    Está brilhante essa entrevista a Dra. Fátima Oliveira. Sei que a Dra. Fátima não vai a desanimar. Sabe ela perfeitamente que Política, com maiúscula, e uma arte, e principalmente uma arte do possível. Se da hoje um passo atrás, para poder amanha, dar dois à frente. E assim que se vão conseguidos as coisas na democracia. Ela diz em uma parte que se cai. Sim mais sabe também, por essa quantidade de Km recorridos, que se tem que proceder como diz a letra de aquela obra musical, sacode a poeira e da volta por cima. Esse projeto do governo Dilma e um projeto de inicio do governo. Lembremos o que foi a campanha política. Onde ate o Papa interveio. Espero que com o passe do tempo de governo, esses projetos melhorem, inclusive pela luta da Dra. Fátima, como também por o apoio que podem dar a sociedade, os livres pensadores.

    • dom, 21/08/2011 - 23:59
      Conceição Lemes

      Obrigada, Silvio I. Com certeza a doutora Fátima não desanimará. Aliás, é um motivo a mais pra permanecer na luta. abs

  4. [...] Fátima Oliveira: O Ministério da Saúde adoça a boca do Vaticano   [...]

  5. [...] Sábado (28/05) teve uma Blogagem Coletiva no Blogueiras Feministas com o tema: Saúde da Mulher. O dia 28 de maio é o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e também o Dia Nacional de Redução de Morte Materna. Quando pensei nesse tema, me questionei o que seria a saúde integral da mulher. Em entrevista ao Vi o Mundo, a médica Fátima Oliveira explica: [...]

  6. [...] Fátima Oliveira: Ministério da Saúde adoça a boca do Vaticano [...]

  7. [...] antigo, conservador e do agrado absoluto da Santa Sé – é equivocada. Ao retomar tal conceito, o Ministério da Saúde adoça a boca do Vaticano”, critica Fátima Oliveira, referindo-se à conhecida influência que a hierarquia católica [...]

  8. qui, 28/04/2011 - 19:16
    Mari

    Brilhante, como de costume. Tinha toda a razão. E hoje, mais ainda.

  9. [...] Aqui, vai uma sugestão. Releia esta entrevista doutora Fátima: Ministério da Saúde adoça a boca…. Depois, responda: ela tem ou não razão.   [...]

  10. seg, 25/04/2011 - 23:59
    SôniaG.

    Quem não entendeu os argumentos da Fátima OLIVEIRA, colocados de forma clara e histórica, ou está com problemas de cognição ou é papa hostia mesmo. pto.

  11. ter, 19/04/2011 - 14:08
    Mister X

    Vai que essa luta é muito tua Fátima Oliveira! Parabéns pela sinceridade e pela coragem

  12. [...] Leia aqui por que Fátima Oliveira acha que o Ministério da Saúde adoça a boca do Vaticano. [...]

  13. [...] Fátima Oliveira: Ministério da Saúde adoça a boca do Vaticano [...]

  14. sáb, 16/04/2011 - 21:32
    maria paula

    Bastante esclarecedora a entrevista de Fátima Oliveira. É necessário atenção diferenciada para as áreas da criança e mulher. Interessante que no ministério de Temporão houve um avanço na questão da saúde dos homens.

    • dom, 17/04/2011 - 8:00
      Wildner Arcanjo

      Pois é, não havia e agora existe. É realmente uma grande evolução…

      Sinceramente, não sei o que é pior. Se é o "Clube do Bolinha" (Dos babacas machistas) ou o das "Luluzinhas" (As feministas fundamentalistas).

      Tenha dó!

      • seg, 18/04/2011 - 15:14
        Mariana Rodrigues

        Wildner, errou outra vez. Não há feminismo fundamentalista meu caro! Logo, não há feminista fundamentalista. Vai afiar os neurônios e deixa de falar abobrinhas podres.

      • seg, 18/04/2011 - 17:07
        Wildner Arcanjo

        Algumas feministas defendem tanto a sua ideologia que fazem dela, mesmo que inconscientemente, um dogma, quase uma religião.

        Não conseguem exergar que, na sua essência, ainda são mulheres e que, primeiramente, devem lutar para manter ou melhorar os direitos que elas têm para depois galgar os direitos que elas acham serem só dos homens.

      • qua, 05/10/2011 - 2:12
        Thata

        Ora, ora
        Mulheres ouçam Wildner: enxerguem que vocês
        "AINDA SÃO MULHERES"
        E se coloquem em seus lugares, ora!

        Com certeza esse tal "Wildner" errou de site: deveria fazer este comentário obscurantista no http://www.veja.com.br

  15. sáb, 16/04/2011 - 20:37
    Edmilson Fidelis

    Elevem, por favor, a minha "mente rasteirinha":

    O Rede Cegonha elimina completamente o PAISM?

    A partir do Rede Cegonha a mulher somente será atendida se estiver em período de gravidez e pós-gravidez?

    A mulher em período de gestação não deve ter um tratamento conjunto com o feto?

    A saúde de um recém -nascido não depende integralmente da saúde da mãe, exceto que esta morra?

    Não estou nem aí para os problemas do Vaticano e nem com o que eles querem ou deixam de querer.
    Não estou nem aí para os problemas das feministas e nem o que elas querem ou deixam de querer.

    Me preocupa o problema da saúde como um todo.

    Ainda não estou convencido de que uma parte dela, aquela que se relaciona com o período de gravidez e pós- gravidez da mulher, será privilegiada integralmente em função do todo, a saúde da mulher.

    Desculpem minha "mente rasteirinha".

  16. sáb, 16/04/2011 - 19:31
    Dona Filomena

    Que Deus tenha piedade de vossas almas.

  17. sáb, 16/04/2011 - 17:43
    Cássia Maria

    Vale prestar atenção no discurso do Secretário de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães
    LOC/REPÓRTER: O secretário de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães visita a cidade de Belo Horizonte nesta sexta-feira e sábado. Durante a viagem, o secretário vai se reunir com autoridades locais de saúde para discutir a implantação da gratuidade dos remédios para hipertensão e diabetes no Aqui Tem Farmácia Popular e da implementação da Rede Cegonha no estado. Os dois programas são prioridades do governo da presidenta Dilma Roussef, como explica Helvécio Magalhães.

    "O primeiro já cumprimos que é a gratuidade completa no 'Aqui Tem Farmácia Popular' para medicamentos de hipertensão e diabetes. Temos ainda a questão das UPAs, que estamos traduzindo como Rede de Urgência e Emergência, a questão do crack como Rede de Saúde Mental e a Rede Cegonha como uma Rede Integral de Atenção à Mulher e à Criança."
    Reportagem, Maressa Ribeiro
    Baixe e ouça o aúdio http://www.webradiosaude.com.br/saude/visualizar….

  18. sáb, 16/04/2011 - 17:22
    Maria Mendes

    Dani, gostei imensamente do "mentes rasteirinhas", eheheheheh. E de fato são. Mas há mentes rasteirinhas no poder. No Ministério da Saúde é o lugar no governo onde mais tem gente colocada lá por Dona Zilda. O tempo todo pronta pra dar o bote. Não esqueçam que Dona Zilda esteve lá no MS no tempo de Itamar e empregou muita gente em todos os lugares do ministério. Seguidoras fiéis. Deixou rastros e filhotes. Há muita gente igrejeira no Ministério da Saúde. Assim como no PT também. Ficaram quietinhas circulando por lá durante todo o período FHC e todo o governo Lula. Parece que ressucitaram agora.Uma pena.
    Mas agora saindo da algazarra, eu estou querendo é assistir como o ministro Padilha vai se sair desse imbroglio, que em cara que tem dedo do Helvécio Magalhães aí. A não ser que o Secretário de Atenção à Saúde, o Helvécio Magalhães, que disputou ser ministro agora, mande mais que o ministro. É uma briga ideológica, mas briga de poder também.

  19. sáb, 16/04/2011 - 14:02
    Dani

    Nos últimos dias, desde o 28 de março, lançamento do Rede Cegonha, e depois de ler as primeiras críticas sobre ele, me impus ao exercício de pensar porque o Rede Cegonha é assim e não assado.
    Digo, um programa social do governo Dilma que pegou, como se fossem alguma novidade as ações de redução da morte materna que vem do governo Lula, e juntou ações sociais para as grávidas principalmente, que desconheço quem seja contra.
    O problema do Rede Cegonha é o enfoque ideológico na saúde materno-infantil, um campo de saúde que não existe de fato, a não ser em mentes bem rasteirinhas.
    Só encontrei uma explicação para a apresentação do Rede Cegonha no enfoque dado, além de demonstrar uma visão conservadora de maternidade santificadora de mulher pecadora, que foi a preguiça, a falta de criatividade, o afã de agradar a presidenta, de fazer uma vontade sua, sem conhecer o que havia na área de saúde da mulher e da criança como política. É lamentável, mas foi assim

  20. sáb, 16/04/2011 - 13:44
    Luís Alberto Furtado

    A Rede Cegonha sozinho (ações sociais) já seria um grande marketing como complemento da Política Nacional de Saúde da Mulher e da Política Nacional Saúde da Criança, que já existiam no governo Lula. Daria a marca da continuidade do governo. E o mais importante, não renderia polêmicas, pois não li até hoje uma só linha que diga que haja alguém contra os benefícios do Rede Cegonha em si. O problema foi a carga ideológica conservadora e negativa com que o ministério da Saúde o montou, a partir da retomada do conceito conservador de uma coisa que não existe. A saúde materno-infantil.

  21. sáb, 16/04/2011 - 12:03
    Gracinha Almeida

    A frase escolhida por Fátima Oliveira para se contrapor a esse mangue que o Ministério da Saúde conseguiu fazer quando as águas eram cristalinas foi significativa: “Eu conheço cada palmo desse chão…/Quantas idas e vindas meu deus quantas voltas”.
    Um tapa com luva de pelica. O esperado, é que haja um mea culpa com dignidade. Dignidade republicana, para usar parte de uma das mais bonitas crônicas da autora: Perdi a paciência: quero a República terrena de volta! http://www.viomundo.com.br/politica/fatima-olivei

    Frete
    Renato Teixeira

    Eu conheço cada palmo desse chão
    é só me mostrar qual é a direção
    Quantas idas e vindas meu deus quantas voltas
    viajar é preciso é preciso
    Com a carroceria sobre as costas
    vou fazendo frete cortando o estradão…

  22. sáb, 16/04/2011 - 9:51

    Azenha
    Já disse no passado e volto a dizer agora, com todo o respeito a entrevistada mas falta alguns eixos importantissimos nas suas colocações e que devem ser salientadas:
    1- Por que houve um freio por parte do governo anterior e do PT com relação ao metodo conceptivo radical, onde insistentemente muitos falam abertamente que o aborto é um deles? Por que houve uma ação da CNBB aqui no supremo para que o estado definisse quando começa a vida. Muitos não entendem que o estado brasileiro é TRI-PARTIDO, vou repetir até entenderem O ESTADO É TRI-PARTIDO. Gostem ou não, foi assim que nosso estado republicano foi criado e é assim que ele se estabelece até hoje ou até alguém achar que não é bom para a maioria, logo qualquer pessoa ou entidade pode questionar SIM as decisões do executivo pois este é apenas 1/3 do poder estatal. Com todo o respeito a trajetoria da mui lutadora medica que fez e faz um trabalho extraoridiornário, mas o problema , ou melhor a questão está aí. Muitos vão ficar com uma raiva danada da CNBB por ter feito essa pergunta, contudo lá no supremo o contraditorio a tese da CNBB está AMPLAMENTE sendo respeitado. Eu vi parte da defesa contrária a tese da CNBB, foi tão fraca, mas tão fraca que sei lá… Quem fez o contraditorio foi uma antropologa, ela defende como muitos que a mulher pode cuidar de seu corpo como bem entender pois o corpo lhe pertence. Azenha, sou da area de ciencias da natureza voltada para educação de jovens e adultos e sei que essa tese é fácil de ser derrubada. Se a mulher, homem ou criança ou qualquer ser vivente em qualquer lugar do universo é dono de seu corpo logo é capaz de controlá-lo afinal o termo ¨ dono¨ significa isso. Até hoje nunca vi um homem, mulher ou criança ser capaz de controlar reações quimicas simples de dentro do seu corpo e a fecundação é na sua essencia uma reação fisico-quimica.
    2-Um aspecto que a médica coloca me chamou a atenção , nessa parte do texto ¨ …O contexto político….(Sociedade Civil de Bem-Estar Familiar, 1965) e CPAIMC (Centro de Pesquisas de Assistência Integrada à Mulher e à Criança, 1974). Tinha forte apoio da cooperação internacional, no vazio do Estado no apoio às demandas por contracepção….¨ Ela fala da cooperação internacional. Aí eu me pergunto quais foram os colaboradores? O momento atual em que vivemos apontam que mantras internacionais na coisa economica eram equivocadas, quando observamos países tão desenvolvido como Canadá, Belgica, França, Holanda, Dinamarca entrarem em guerra contra paises insubmissos aí a gente se pergunta, onde está a evolução desses paises que sempre nortearam nossas diretrizes? Meu Deus até a Dinamarca? Outro detalhe nessa questão, todo mundo sabe que quando se institui uma guerra a primeira a sofrer são as mulheres, relatos de estupros são rotinas no Iraque, Afeganistão como foi na Coreia e etc. Muitas delas são mães que acabam morrendo deixando seus filhos orfãos que são criados pelo pior dos mundos. São esses países que devemos nos mirar?
    3-A Saúde da mulher está sim ligada diretamente a saúde da criança, mas principalmente ao trabalho. A maior angustia das mães é deixar seus filhos pequenos para sairem para o trabalho. ais, contudo pagaria com todo o prazer imposto direcionado a saude e bem-estar da mãe e mãe não existe sem filho. Pergunte a uma trabalhadora o que mais ela desejaria enquanto mãe? Pergunte a uma mãe desempregada o que mais pesa quando esta vai atras de emprego? A medica em questão trata dos efeitos distorcivos de um estado desequilibrado, devemos discutir a minimizações dessas distorções.

    • sáb, 16/04/2011 - 10:53
      Depaula

      Ana Cruzzinel, descubra primeiro onde o galo está cantando senhora! E não esqueça que esse lugar em que vivemos é uma REPÚBLICA! Uma República UNA! Cabeça não serve só pra ser zoológico de piolhos, não.

    • sáb, 16/04/2011 - 13:52
      Caetana Campos

      A entrevista conta uma historia que aconteceu no Brasil. Não é um artigo, um desejo. A historia aconteceu. Uma das participantes ativas, a entrevistada conta como dela participou, os principais momentos e lutas.
      E Ana Cruzzeli estava onde, em todos os momentos? Como quer dizer que faltam eixos? É muita pretensão sem cabimento. Pois que peça uma entrevista a Conceição Lemes para contar como ela participou e como interpreta todos os lances. Sugiro um nome: um outro olhar sobre a historia da luta feminista pela Saúde integral da Mulher.

    • sáb, 16/04/2011 - 14:23
      beattrice

      Misturar guerras no Iraque, na Coréia e no Afeganistão com o PNAISM equivale a misturar a viagem do homem à lua com o acidente em Fukushima.
      Nada a ver?
      Pois é, então.

  23. sáb, 16/04/2011 - 9:12
    Caetana Campos

    Sem dúvida que um estradão como o da luta pela atenção integral à saúde da mulher não pode se perder na ignorância de alguns que estão no poder.

  24. sáb, 16/04/2011 - 8:20
    Wildner Arcanjo

    (Continuação…)
    A aqueles que votaram em Dilma pensando que ela ia empunhar a bandeira feminista provocar reformas profundas nas relações entre homem e mulher e mulher e sociedade só me resta dizer: quanta ingenuidade! Ela nunca disse que ia fazer isso. Enfim, não deixa esse de ser um pensamento preconceituoso de que mulheres sempre defendem mulheres. Não é bem assim, ela, como Presidente da República, representa o povo brasileiro e deve representar a maioria de pensamento deste. Não vai ser ela que vai mudar 1000 anos de relacionamento social em 4 anos.

  25. sáb, 16/04/2011 - 8:20
    Wildner Arcanjo

    (Continuação…)
    - Acho que, para a atual realidade que vivemos é muito mais importante priorizar o atendimento das mães que não possuem condições de fazer um acompanhamento correto da sua gravidez, do que tentar debater políticas mais amplas de Saúde Feminina. Repito novamente, a Rede Cegonha, que foi explicada ao menos nos dois últimos debates e na última semana de propagandas eleitorais, não focava isso;

    - Deve ser buscado outro canal para discussão da Saúde da Mulher, sem prejuízo para o programa Rede Cegonha, e acho que é justo e oportuno. Mas este debate não pode ser associado a este Plano de Governo, levando-se em consideração a importância deste para a Saúde Familiar e para a saúde da população brasileira em longo prazo;
    (Continua…)

  26. sáb, 16/04/2011 - 8:18
    Wildner Arcanjo

    - Para mim não existe mãe sem filho (daí Saúde Materno-Infantil);

    - O que ficou evidente, o que foi passado para todos aqueles que votaram em Dilma é que o seu governo ia dar atenção às mães que desejassem ter seus filhos, para que estas, independente da classe social ou poder aquisitivo, os tivessem de forma segura e assistida;

    - A questão do aborto só entrou na pauta por imposição do jogo político e necessidade de expressar a convicção de pensamento. Portanto, não era uma pauta política e isto a Dilma deixou bem claro;

    - Para aquelas que não querem ter filhos, existem outras Políticas Públicas do governo que são bem anteriores até mesmo ao governo Lula. Estas Políticas não são só para mulheres mas também para homens. Diga-se: a responsabilidade por uma gravidez ou não é de ambos! (Continua…)

    • sáb, 16/04/2011 - 10:58
      Depaula

      Wildner, seu desconhecimento da vida real, tal qual ela é, e seus horizontes circunscritos ao seu umbigo, não apenas me dão tristeza, mas sinto piedade. Pense mais sobre a pérola do nada que você escreveu: "Para mim não existe mãe sem filho (daí Saúde Materno-Infantil)".
      Mas como é jovem, há tempo de recuperar o tempo perdido. Na boa!
      Releia a entrevista e veja a seriedade com que o assunto é abordado. Para comentar também exige-se um mínimo de algo fora do nonsense.

      • sáb, 16/04/2011 - 14:36
        Wildner Arcanjo

        E qual é a vida real?

        A vida que eu conheço é a de milhões de mulheres grávidas, que vão a um posto de saúde e ficam horas esperando um médico, que pode até não vir, para fazer um pré-natal;

        De milhões de mulheres que passam horas a fio, em cadeiras de salas de espera, em trabalho de parto, rezando para que alguma alma caridosa informe ao médico que ela está lá ou que alguma cama vague para que ela ao menos sinta um pouco menos de desconforto;

        De milhões de mulheres que rezam, e eu não digo isso só porque sou cristão. Já vi até ateus rezarem pela saúde dos seus filhos em momentos de desespero e angústia;

        O meu conhecimento de vida real vem das camadas mais baixas, menos assistidas pelo poder público, no que se refere a Saúde Pública. Saúde essa que, graças a Deus, ao meu empenho, a sorte ou as oportunidades (como queiram chamar) muito pouco preciso hoje;

        Mas se você não leu tudo o que postei e se atêm somente a uma pequena frase (como fazem os grandes comentaristas de nossa imprenza), só posso lamentar…

  27. sáb, 16/04/2011 - 4:11
    Alvaro Tadeu Silva

    Não entendi direito porque a Doutora Fátima ficou contra misturar a saúde da mulher (mãe) e do bebê, dizendo que são coisas diferentes. Misturando alhos e bugalhos, posso dizer que software e hardware são coisas muito distintas, mas o software só avança quando há hardware que possa suportá-lo. Um exemplo disso foi o esforço da Microsoft no suporte à criação de hardware "plug & play". As empresas de hardware passaram a criar produtos com características tais que o próprio sistema operacional reconhecia e instalava logicamente o hardware instalado fisicamente. Não vejo como cuidar dos bebês de um lado e as mães de outro, como se fossem perfeitos desconhecidos.

    • sáb, 16/04/2011 - 10:50
      Depaula

      Álvaro, é mesmo uma questão das sinapses neuronais.
      Meu caro, saúde da mulher e saúde da criança, que são áreas autônomas do saber médico, com suas particularidades e especificidades, pois criança e mulher são organismos diferentes. Ou esqueceu que quem cuida das doenças das crianças são os pediatras? Mas, vamos lá! A maternidade não é um ente biológico, as mulheres são em todos os períodos de sua vida. Daí, saúde da mulher deve ter assistência integral em todos os períodos da vida, até no período em que vão ter filhos também. Mas chamar isso de Saúde Materna é de um ridículo sem tamanho. As especialistas em saúde da mulher tem razão.
      Percebeu que são coisas diferentes?
      Concordo com a entevistada., quando ela é absolutamente sensata, coerente e justa ao dizer que
      "o Rede Cegonha seria uma ação social necessária e relevante para grávidas, parturientes e puérperas e seus filhos até dois anos, com interface com a saúde da mulher e a saúde da criança. Não apenas mais sensato, como coerente".

    • sáb, 16/04/2011 - 12:01
      marcolinojoe

      O texto aponta que existem demandas específicas da saúde da mulher (mãe ou não) e a da criança.

  28. sex, 15/04/2011 - 21:41
    J.C.CAMARGO

    LCAZÊDO: se a Santa ICAR (ou Vaticano) apoia a Rede Cegonha isso quer dizer que essa tal de Rede é /
    confiável! Afinal, a Santa ICAR tem 2000 anos de janela (ou de praia)! Agora, dar trela a essa feministas não
    leva a nada! E, se essas tais feministas também são marxistas, a situação se complica ainda mais! Acho /
    estranho um jornalista equilibrado como você (apesar de cominista!) dar ressonância a êsse caso! Deixe-
    mos a Rede Cegonha caminhar e vamos aparando as arestas que aparecerem! RATIFICO: se a Santa ICAR
    apoiou é porque essa Rede tem condições de funcionar! Saudações.

    • sex, 15/04/2011 - 23:18
      beattrice

      Mais um fã do Arcebispo de Guarulhos, qualquer hora vão anunciar excursões ao Vaticano.

    • sáb, 16/04/2011 - 8:56
      Maria Helena

      Senhor J.C.Camargo, pessoas da sua estirpe ideológica dão pena e são um desastre para a humanidade. As feministas podem ser o que bem lhes aprouver, mas não se pode dizer que lutam para que a humanidade seja bem melhor e o mundo um oásis de igualdade e de fraternidade.

  29. sex, 15/04/2011 - 20:46
    beattrice

    Conceição,
    agradeço a você e à Fátima o relato histórico preciso, correto e contudente exposto acima.
    De fato,
    parece um contrasenso, mas em condições adversas a gênese do PAISM na década de 80 mostra que "é possível ter conquistas pontuais em conjunturas adversas", como é possível perde-las em conjunturas aparentemente favoráveis.
    Nesse contexto, aquele que
    provavelmente seria o primeiro Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM)
    nasceu em 1984 na UNICAMP, antes do próprio PAISM, justamente da atuação dos médicos citados, Anibal Faundes e Oswaldo Grassioto, devido a uma decisão política de Pinotti.

  30. sex, 15/04/2011 - 20:03
    Melissa Costa

    Só posso dizer que quando eu crescer quero ser que nem Fátima Oliveira.
    Grande entrevista, viu Conceição?
    Para mim está claríssimo o motivo pelo qual as feministas, que tanto se empenharam pela transformação de um princípio filosófico, atenção integral à saúde da mulher, em uma Política de Governo, o PNAISM – Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, e a conquistaram sob o governo Lula, estão com a razão em discordar da guinada conservadora de tal política para uma visão materno-infantil.
    O Ministério da Saúde precisa avaliar seus desatinos. Ainda há tempo, antes de maiores estragos.

    • sáb, 16/04/2011 - 8:53
      Maria Helena

      Muito bem Beatrice! Em condições que pareciam favoráveis, um governo popular e democrático, estamos aquem do imaginado. Perder conquistas no Governo Dilma era inimaginável. Em pleno 2011, no Século XXI o Ministério da Saúde regredir ao conceito ideológico, a Saúde Materno-infantil, sim porque é um conceito ideológico à aquilo que a Dra. Fátima Oliveira definiu bem como Mulher-mala.

  31. sex, 15/04/2011 - 17:50
    ZePovinho

    Só para comentar sobre o post,Azenha.Precisamos parar de atacar quem faz críticas honestas ao governo e ao PT.Se não fossem essas críticas o governo não teria tomado outro rumo desde 2005.
    Quem faz críticas,como essa que está nessa postagem,é amigo.Inimigo é quem fica babando você o tempo inteiro,como disse Churchill quando um deputado(na Câmara dos Comuns) olhou para a oposição na frente da situação(eles ficam frente a frente por lá) e disse:

    -Ministro,alí estão nossos inimigos.

    Churchill olhou,deu um sorriso e disse:

    -Meu filho……..ali estão nossos adversários;nossos inimigos estão sentados aqui conosco.

  32. sex, 15/04/2011 - 17:44
    Sebastião Almeida

    Como cidadão brasileiro, faço penitência da minha ignorância por uma luta dura que vem de tão longe das bravas brasileiras militantes da saúde da mulher. A elas o meu sincero prabéns.
    Agora deu pra entender a posição delas contra o conceito de saúde materno-infantil, que eu também desconhecia. E que agora também acho que é um atraso de vida o Ministério da Saúde retomá-lo, pois isso deixa claro o que a entrevistada falou, que é adoçar a boca do Vaticano, Estado que é contra os direitos das mulheres toda vida. O Brasil é um país laico e não deve homenagem a Papa.
    O governo da presidenta Dilma tem de ser um governo de avanços em todas as áreas e não um governo de atarsos, de retrocessos de qualquer ordem.

  33. sex, 15/04/2011 - 17:33
    ZePovinho

    Já que a igreja católica é uma das colunas do poder que nos oprime(está envolvida com lavagem de dinheiro sujo e outras coisas como nos conta David Yallop no livro "Em nome de Deus"),junto com o sistema financeiro,veja essa comédia Azenha:os rebeldes líbios criaram um BANCO CENTRAL antes de criar um governo!!!!!!!!!!!!!Eles sabem quem manda na Casa da Mãe Joana!!!
    http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va

    “Libyan Rebels” Create Central Bank, Oil Company

    by Alex Newman

    "….Even mainstream news outlets were puzzled. “Is this the first time a revolutionary group has created a central bank while it is still in the midst of fighting the entrenched political power?” wondered CNBC senior editor John Carney. “It certainly seems to indicate how extraordinarily powerful central bankers have become in our era.”

    But some observers are convinced that the central bank issue was actually the primary motivation for the international war against Libya‘s dictatorship. In an article that has spread far and wide across the web, entitled “Globalists Target 100% State Owned Central Bank of Libya,” author Eric Encina maintains that the world’s “globalist financiers and market manipulators” could not stand the Libyan monetary authority’s independence, explaining: http://www.marketoracle.co.uk/Article27208.html

    Currently, the Libyan government creates its own money, the Libyan Dinar, through the facilities of its own central bank. One major problem for globalist banking cartels is that in order to do business with Libya, they must go through the Libyan Central Bank and its national currency, a place where they have absolutely zero dominion or power-broking ability. Hence, taking down the Central Bank of Libya (CBL) may not appear in the speeches of Obama, Cameron and Sarkozy but this is certainly at the top of the globalist agenda for absorbing Libya into its hive of compliant nations"………..

  34. sex, 15/04/2011 - 17:26
    filho

    mais uma abortista !

    • sex, 15/04/2011 - 20:36
      beattrice

      Mais um discípulo do Zé da Bolinha e coroinha do arcebispo de Guarulhos.

    • seg, 22/08/2011 - 0:10
      Silvio I

      filho:
      Já me parecia um milagre que algum seguidor do obscurantismo, e do retrocesso cultural, do homem, não saísse tratando de colocar, seu ideário. Saiba ,filho, de que respeitamos suas crenças religiosas, mais que combateremos suas idéias retrógradas.

  35. Alô, alô Presidenta!!!! Alô, alô presidento!!!! Eita portugueisinho safado esse nosso!!!!!!

  36. sex, 15/04/2011 - 15:47
    garapuvu

    Quando Fátma Oliveira vê a “saúde materno-infantil” como um problema, a conclusão que cheguei é que o cerne da questão seria o aborto. Uma vez unidas (materno-infantil), a vida do feto jamais poderia ser interrompida, mesmo que isso gerasse riscos a saúde da mãe. Posso estar completamente enganado, mas foi essa a minha primeira impressão. Não estou, com isso, querendo dizer que concordo ou discordo de sua opinião.

    • sex, 15/04/2011 - 20:21
      Patrícia Monteiro

      Acho que o conceito de saúde materno-infantil pode realmente dificultar a discussão sobre o aborto, mas não é só esse o problema. Este conceito reduz a atenção à saúde da mulher apenas ao seu período fértil (aprox. entre os 15 e os 49 anos) e àquelas que desejam/têm filhos. E as outras mulheres, como ficam? Mesmo para as mulheres que têm filhos já é complicado porque elas merecem atenção à saúde nos períodos em que não estão grávidas ou com filhos bem novos.
      Acho que o principal ponto defendido por Fátima Oliveira é a importância de não pressupor que todas as mulheres são ou um dia serão mães. A (não)maternidade deve ser uma escolha e as mulheres devem ter os meios para poder fazê-la.

    • sex, 15/04/2011 - 20:39
      beattrice

      Essa é uma leitura reducionista do relato histórico acima, de onde se depreende claramente que inclusive a saúde da CRIANÇA não é devidamente contemplada na ideologia da rede cegonha.

  37. sex, 15/04/2011 - 15:41
    Alice matos

    Nem tenho palavras para dizer da minha alegria por ter o privilégio de ler um entrevista da qualidade da de Fátima Oliveira, realmente ela tem autoridade moral para dizer que percorreu “cada palmo desse chão” . E não se calará diante de possibildiades de perdas na Saúde da Mulher.

  38. sex, 15/04/2011 - 15:14
    Ana Reis

    Obrigada, Fatima, pela paciência em re-recontar toda essa história. Vamos botar lenha nessa Rede Cegonha, um balde de água benta fria no apoio -sempre crítico- das feministas `a presidenta. Quando eu lembro que a turma do SOS-Corpo em 1985 fazia oficinas com médicas e médicos do Instituto Fernando Figueira no Recife, centro de referência do PAISM! Elas discutiam integralidade e poder médico com os caras em posição ginecológica. Depois vieram o tsunami Collor, dona Zilda, a Benfam, a Nestlé, os hormônios de longa duração….ninguém mais falou em esterilizações em massa das mulheres negras, demonizaram as adolescentes grávidas e agora tiram do baú essa Ce(ver)gonha. Alô alô presidenta: essa Rede Cegonha é a maior jaca! Xô Ce(ver)gonha!

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