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Santayana: Os paraísos fiscais e a nova servidão

30 de julho de 2012 às 13h36

24/07/2012

OS PARAÍSOS FISCAIS E A NOVA SERVIDÃO DOS POBRES

por Mauro Santayana, em seu blog 

O grande pensador britânico George E. Moore, que influenciou, entre outros, Bertrand Russell, e, por seu intermédio, Wittgenstein, buscou, como tantos filósofos, o amálgama entre a lógica e a ética. É provável que o tenha encontrado, ao afirmar que o fundamento de toda filosofia é o bom senso.

Qualquer pessoa dotada de razão é capaz de distinguir entre o bem e o mal, ao examinar determinada situação, a partir do senso comum. Sendo assim, sob qualquer exercício da inteligência, os grandes bancos do mundo não passam de quadrilhas de assaltantes. Não só assaltam isoladamente, mediante as taxas exacerbadas de juros e dos serviços que prestam, mas se associam a outros assaltantes para lesar os trabalhadores e os empreendedores honrados do mundo inteiro.

Os 50 maiores bancos do mundo, segundo os estudos da Tax Justice Network — da qual é um dos dirigentes o notável contabilista britânico Richard Murphy — são responsáveis pela transferência ilegal de 21 trilhões de dólares, em sua imensa maioria dos países em desenvolvimento, para os paraísos fiscais. A cifra é superior à soma do PIB dos Estados Unidos e do Japão. Trata-se de um duplo delito: o dinheiro, que poderia ser usado no desenvolvimento econômico interno, vai ser empregado na especulação financeira ou em investimentos nos países mais ricos do mundo, e são sonegados os impostos devidos aos estados nacionais. Trata-se de um assalto aos que, realmente, o produziram com o seu trabalho.

Os paraísos fiscais não acolhem apenas o dinheiro subtraído ao fisco, mas servem de bom refúgio aos recursos – empapados de sangue e marcados pelo sofrimento de milhões de famílias – procedentes do tráfico de drogas. Como se revelou recentemente, o HSBC admitiu ter servido para a lavagem de dinheiro das quadrilhas mexicanas de narcotráfico.

Os paraísos fiscais se multiplicaram, no mundo, a partir da deregulationanglo-americana dos anos 80, promovida por Reagan e Thatcher, com o objetivo de restaurar o processo de acumulação acelerada do capitalismo do fim do século 19. Embora já houvesse tais paraísos – e a Suíça é o mais antigo e o mais seguro deles – houve perversa competição entre governos de nações menores, com o objetivo de ganhar o máximo na guarda simbólica de tais valores, que não se transferem fisicamente para tais territórios.

Sem os bancos de presença internacional, não seria possível essa peregrinação de recursos ilícitos. Para escapar à vigilância das autoridades honradas de alguns países (porque elas existem), tais recursos virtuais costumam peregrinar, indo de Tóquio a Berlim, de Berlim a Cingapura, de Cingapura a Santiago em alguns minutos, para, em seguida, refugiar-se onde não possam ser localizados.

De acordo com o estudo, os três maiores bancos responsáveis pela evasão de recursos são a UBS (União de Bancos Suíços), o Crédit Suisse e o Goldman Sachs. Eles encabeçam a lista, mas nenhum dos bancos privados que operam internacionalmente se encontram limpos. Uns mais, outros menos, operam na criminalidade.

Não há povos que não sejam vítimas desse saqueio mundial. Conforme o levantamento, a evasão maior procede da China, com mais de um trilhão de dólares nos paraísos fiscais. E estamos em posição desconfortável. Os nossos sonegadores e prováveis integrantes de quadrilhas de narcotraficantes e de corruptos e concussionários, mantêm mais de 520 bilhões de dólares em tais “paraísos”.

Quando o então presidente Itamar Franco quis nomear um contador para o Banco Central, o mundo caiu sobre a sua cabeça. Itamar queria conhecer o conteúdo da chamada “caixa preta” da instituição. O principal denunciador dos paraísos fiscais, o contador Richard Murphy, atribui à fragilidade das leis que regem os sistemas contábeis dos grandes países a responsabilidade pelos crimes cometidos pelas grandes corporações, sobretudo as financeiras, contra os povos do mundo e, assim, pela brutal desigualdade social de nosso tempo.

Os bancos devem ter seus negócios expostos aos acionistas e clientes, e sob a fiscalização permanente das autoridades. Como se sabe, os sonegadores – entre eles, os bancos – operam com duas contabilidades, a real e outra para efeito público. Isso só é possível porque eles financiam as eleições, determinam como devem ser as leis, controlam os meios de informação e cooptam os formadores de opinião.

Se os cidadãos do mundo inteiro não se mobilizarem, o destino dos povos será aquele que parece esperar os gregos, os espanhóis, os sicilianos: nova e mais insidiosa servidão.

PS do Viomundo: Sobre este tema são leituras indispensáveis Treasure Islands, de Nicholas Shaxson, que sugere o uso de “refúgios” em vez de paraísos fiscais; e do surpreendente Poisoned Wells: The Dirty Politics of African Oil, do mesmo autor, que conecta a exploração do petróleo africano com o caixa dois de campanhas eleitorais na Europa e o sistema financeiro internacional.

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13 Comentários escrever comentário »

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Betinho

31/07/2012 - 22h52

Quarta-feira, 1 de Agosto de 2012
AINDA ACREDITA NA IMPRENSA OFICIAL?
Este exemplo não é único e infelizmente não será o último.

Photoshop na Síria:
http://olharxver.blogspot.com.br/2012/08/ainda-acredita-na-imprensa-oficial.html

Responder

Julio Silveira

31/07/2012 - 10h09

Fui num buscador da internet, coloquei a frase paraiso fiscal, no wikipedia verifiquei que existem em numero de 58 estados. Também fiquei surpreso em perceber que existe especificidades para a consideração do termo nos diversos paises. Fiquei de cara ao perceber os States entre eles, mas também o Uruguai, país que faz parte do Mercosul. Creio, se existem paraisos fiscais, até proximo de nossos quintais, é por que existem interesses dentro dos nossos quintais para que eles existam. Caso contrário, o mundo certamente possui muitas organizações que poderiam punir de alguma forma esses países, inclusive dentro da ONU, aos moldes da OMC que regula o comércio mundial. Interessa a países da ONU o transito de moeda ilegal, senão como poderia fluir o dinheiro para comercio ilegal de armas, para ganhar concorrencias em países frágeis de legalidade e moralidade, como seria esconder dinheiro de serviços secretos de países dos seus contribuintes para operações ilegais. Esses são alguns do motivos, existem muitos outros e nem sou especialista, para descrever motivos do por que esse mal que prejudica cidadãos das mais diversas formas existe.

Responder

abolicionista

30/07/2012 - 20h50

Obviamente todos os nossos partidos já estão cooptados pelos bancos. Não vejo nenhuma saída disponível, pois o nosso exército não demonstra a mínima preocupação em salvaguardar nossas riquezas e nossa soberania. Somos uma espécie de quintal do mundo constantemente saqueados, logrados e escravizados. O capitalismo provavelmente acabará com o mundo antes de se autodestruir.

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ZePovinho

30/07/2012 - 19h03

“Oposição” síria está trazendo armas químicas da Líbia.São os EUA/Israel sionista patrocinando o terrorismo internacional:

http://www.aporrea.org/internacionales/n210823.html

<img src="“>

Las tropas sirias descubren armas químicas en Damasco.
Credito: Actualidad RT

Escondite de armas químicas: ¿qué prepara la oposición siria?
Por: Actualidad RT | Domingo, 29/07/2012 07:32 AM

29 julio 2012 – Además informes televisivos relatan que las tropas gubernamentales han encontrado escondites de armas químicas de procedencia libia en Damasco. Muchos sirios temen que los insurgentes o los mercenarios que les apoyan puedan activar armas químicas en algún lugar del país árabe, causando multitud de muertes por las que posteriormente podrían responsabilizar al régimen de Bashar al Assad por medio de una campaña de desinformación.

Considerando el fervor con el que los medios occidentales citan como informadores válidos a varios ‘activistas’ de la oposición, así como a rumores y a fuentes de dudosa credibilidad, parece probable que una campaña como esta pudiera alcanzar sus objetivos.

El portal árabe DamPress informó en junio pasado que un grupo opositor estaba siendo entrenado en territorio turco para utilizar armas químicas obtenidas en Libia contra civiles sirios con el fin de acusar a Damasco de estos actos.

La aportación libia a la guerra siria

Son numerosos los informes que aseguran que armas, fondos y combatientes procedentes de Libia ya están en Siria con el fin de socavar, dividir y destruir el país.

El portal de noticias jordano Al Bawaba informó en noviembre pasado de que “según fuentes libias, 600 personas han llegado de Libia a Siria para apoyar a la oposición de aquel país”.

Estas informaciones posteriormente se contrastarían en Alepo, en el norte del país, que actualmente es el escenario de las mayores batallas entre los dos grupos en conflicto. “Mientras tanto, los vecinos de la aldea sede de los Halcones Sirios dijeron que hay combatientes de varias nacionalidades norteafricanas en las filas de las brigadas [de insurgentes]”, informó el canal de noticias estadounidense CNN. “Un voluntario libio reveló a CNN que intenta viajar de Turquía a Siria estos días como parte de un ´pelotón´ de combatientes libios que se unirán al movimiento armado”, contó también CNN.

El canal estadounidense explicó igualmente que el conflicto en Siria es un “imán para yihadistas que lo ven como una lucha en favor de los musulmanes suníes”. Además de los voluntarios, el nuevo régimen de Libia expresó reiteradamente su voluntad de ayudar a los grupos armados de la oposición. La Libia de Muammar Gaddafi poseía unas 25 toneladas de gas mostaza y 1.400 toneladas de precursores químicos que se utilizan para fabricar armas químicas, según la Organización para la Prohibición de las Armas Químicas.

Ya durante la guerra en Libia surgió la preocupación de que los arsenales abandonados cayeran en algún momento en manos de islamistas y erosionaran más aún la seguridad en la región.

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    ZePovinho

    30/07/2012 - 19h05

    “…In response to the same question, the German government admitted that it had received several reports from the German foreign intelligence service, the BND, on the May 25 massacre in the Syrian town of Houla. But it noted that the content of these reports was to remain classified “by reason of national interest.” Like many other Western governments, Germany expelled Syria’s ambassador in the immediate aftermath of the massacre, holding the Syrian government responsible for the violence.

    Meanwhile, at least three major German newspapers – Die Welt, the FAZ, and the mass-market tabloid Bild – have published reports attributing responsibility for the massacre to anti-government rebel forces or treating this as the most probable scenario.

    Writing in Bild, longtime German war correspondent Jurgen Todenhofer accused the rebels of “deliberately killing civilians and then presenting them as victims of the government”. He described this “massacre-marketing strategy” as being “among the most disgusting things that I have ever experienced in an armed conflict”. Todenhofer had recently been to Damascus, where he interviewed Syrian President Bashar al-Assad for Germany’s ARD public television. [1]

    http://www.voltairenet.org/German-Intelligence-al-Qaeda-All

    German Intelligence: “al-Qaeda” All Over Syria

    by John Rosenthal

    A divide over Syria is gradually emerging between the German government on one side, its army and press on the other. While the Chancellor has been actively lining up her country behind Western schemes, German intelligence agencies and the press have slammed the anti-Assad propaganda and the impunity of the crimes committed by the opposition.

Yacov

30/07/2012 - 18h45

O que é assaltar um banco comparado a abrir um?? Se não me engano essa frase é do Bertold Brecht (salvo engano) e fala muito sobre a moral dos banqueiros. E olha que o Brecht é um cara bem antiguinho, portanto, não é de hoje que a quadrilha que controla o sistema financeiro dá as cartas no mundo. Sua hora vai chegar, eu sei. Mas, quando?!?

“O BRASIL PARA TODOS não passa na globo – O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS”

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J. Alberto

30/07/2012 - 17h57

Propor leis não resolverá. Só uma população bem informada e consciente conseguirá dar fim nisso, mesmo que na base da força.

Responder

E. S. Fernandes

30/07/2012 - 16h27

Paraísos fiscais sempre foram anti-povos.

Mas remeças bilionárias de dividendos a matrizes centrais, mesmo que de capitais produtivos, também o são.

O Brasil é sangrado mensalmente por corporações internacionais. Nosso suor e riqueza ameniza a crise deles. Nossas comodites, também.

É tudo farinha do mesmo saco.

Tudo isso deveria ser proibido e criminalizado por um governo de esquerda.

Como o seria por João Goulart.

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Márcio Carneiro

30/07/2012 - 16h03

Ótimo texto.
Mas a questão não é apontar o problema, que é de conhecimento público a décadas. E sim apontar as soluções, mas ai é que mora o perigo.

Como bem apontou o George Orwell em “Revolução dos Bichos”, quando um comunista atinge o poder, ele esquece toda a sua ideologia e começa a andar e agir como os antigos capitalistas. E essa é a história do PT.

O PT foi posto pelo povo no poder, entre outras coisa, com a missão de eliminar o desvio de dinheiro de nosso estado. E em vez disso, abraçou todas as práticas dos chamados “direitistas” e hoje não se vê mais diferenças entre Lula e Serra.

E como solucionar o problema dos banco em um mundo como esse. Onde os poderosos não apenas irão trucidar aquele que ousar a denunciar o status quo, mas aqueles que poderiam denunciar, preferem se corromper.

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    Jorge

    30/07/2012 - 18h13

    Marcio, acho que você deveria estar um pouco mais contextualizado com a realidade de hoje, pois dificilmente podemos coroar um rei e sair por ai matando os seus concorrentes, de forma garantir paz ao novo governante. Essa prática hoje não poderia ser mais feita, como aconteceu em Cuba com o seu famoso paredón, pois a fada madrinha do norte, com sua quarta, quinta ou que número exista de frota naval de guerra está ai para proteger o Serra, o FHC e outros que rezam na capela do seus mandos e desmandos mundiais. A revolução tem que vir das bases populares, mas como você acredita em mudanças se, na primeira hora dos novos ricos, eles enchem aviões e mais aviões e vão passear nos EUA???? Não há hoje no mundo lugar para medidas tipo paredón.Infelizmente! Mas com calma e muita discussão e esclarecimentos, haveremos de formar a massa crítica necessária para iniciar o processo. Não podemos perder a esperança na mudança necessária, pois o mundo está sendo esgotado a cada minuto de suas capacidades de autoregeneração, e aí, como dizia minha finada mãe, quando a água bater no baixeiro, todos aprenderão a nadar. Inclusive os que não se responsabilizam em nada hoje!

ZePovinho

30/07/2012 - 15h14

Taí o verdadeiro Caminho da Servidão,o qual Friedrich Hayek ajudou a criar.

Responder

    Márcio Gaspar

    31/07/2012 - 18h56

    hehe Modernizaram a escravidão, e nem sabemos que somos e continuamos nela. Escravidão, servidão,colonato, assalariado. Mudou o nome, mas a exploração sempre está aí. Dá um desânimo quando leio essas coisas. A ganância é gigantesca. O PHA também trata, de forma sarcástica, mas bem informativa, as manipulações dos bancos e seus representantes. Esta neste link http://www.conversaafiada.com.br/economia/2012/07/31/compre-brazil-e-jogue-o-pig-no-lixo/

    Rosania Cunta

    01/08/2012 - 13h31

    Por isso a Suiça não produz nada, não precisa pois vive desses dinheiros sujos.

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