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Cartas de Minas
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Marilena Chauí: O inferno urbano e a política do favor, tutela e cooptação

27 de junho de 2013 às 15h30

As manifestações de junho de 2013 na cidade de São Paulo

por Marilena Chaui, na revista Teoria e Debate

Observações preliminares

O que segue não são reflexões sobre todas as manifestações ocorridas no país, mas focalizam principalmente as ocorridas na cidade de São Paulo, embora algumas palavras de ordem e algumas atitudes tenham sido comuns às manifestações de outras cidades (a forma da convocação, a questão da tarifa do transporte coletivo como ponto de partida, a desconfiança com relação à institucionalidade política como ponto de chegada) bem como o tratamento dado a elas pelos meios de comunicação (condenação inicial e celebração final, com criminalização dos “vândalos”) permitam algumas considerações mais gerais a título de conclusão.

O estopim das manifestações paulistanas foi o aumento da tarifa do transporte público e a ação contestatória da esquerda com o Movimento Passe Livre (MPL), cuja existência data de 2005 e é composto por militantes de partidos de esquerda. Em sua reivindicação especifica, o movimento foi vitorioso sob dois aspectos: 1. conseguiu a redução da tarifa; 2. definiu a questão do transporte público no plano dos direitos dos cidadãos e, portanto, afirmou o núcleo da prática democrática, qual seja, a criação e defesa de direitos por intermédio da explicitação (e não do ocultamento) dos conflitos sociais e políticos.

O inferno urbano

Não foram poucos os que, pelos meios de comunicação, exprimiram sua perplexidade diante das manifestações de junho de 2013: de onde vieram e por que vieram se os grandes problemas que sempre atormentaram o país (desemprego, inflação, violência urbana e no campo) estão com soluções bem encaminhadas e reina a estabilidade política? As perguntas são justas, mas a perplexidade, não, desde que  voltemos nosso olhar para um ponto que foi sempre o foco dos movimentos populares: a situação da vida urbana nas grandes metrópoles brasileiras.

Quais os traços mais marcantes da cidade de São Paulo nos últimos anos e que, sob certos aspectos, podem ser generalizados para as demais? Resumidamente, podemos dizer que são os seguintes:

— explosão do uso do automóvel individual: a mobilidade urbana se tornou quase impossível, ao mesmo tempo em que a cidade se estrutura com um sistema viário destinado aos carros individuais em detrimento do transporte coletivo, mas nem mesmo esse sistema é capaz de resolver o problema;

— explosão imobiliária com os grandes condomínios (verticais e horizontais) e shopping centers, que produzem uma densidade demográfica praticamente incontrolável além de não contar com uma redes de água, eletricidade e esgoto, os problemas sendo evidentes, por exemplo, na ocasião de chuvas;

— aumento da exclusão social e da desigualdade com a expulsão dos moradores das regiões favorecidas pelas grandes especulações imobiliárias e o conseqüente aumento das periferias carentes e de sua crescente distância com relação aos locais de trabalho, educação e serviços de saúde. (No caso de São Paulo, como aponta Hermínia Maricatto, deu-se a ocupação das regiões de mananciais, pondo em risco a saúde de toda a população); em resumo: degradação da vida cotidiana das camadas mais pobres da cidade;

— o transporte coletivo indecente, indigno e mortífero.  No caso de São Paulo, sabe-se que o programa do metrô previa a entrega de 450 k de vias até 1990; de fato, até 2013, o governo estadual apresenta 90 k. Além disso, a frota de trens metroviários não foi ampliada, está envelhecida e mal conservada; além da insuficiência quantitativa para atender a demanda, há atrasos constantes por quebra de trens e dos instrumentos de controle das operações. O mesmo pode ser dito dos trens da CPTU, que também são de responsabilidade do governo estadual.

No caso do transporte por ônibus, sob responsabilidade municipal, um cartel domina completamente o setor sem prestar contas a ninguém: os ônibus são feitos com carrocerias destinadas a caminhões, portanto, feitos para transportar coisas e não pessoas; as frotas estão envelhecidas e quantitativamente defasadas com relação às necessidades da população, sobretudo as das periferias da cidade; as linhas são extremamente longas porque isso as torna mais lucrativas, de maneira que os passageiros são obrigados a trajetos absurdos, gastando horas para ir ao trabalho, às escolas, aos serviços de saúde e voltar para casa; não há linhas conectando pontos do centro da cidade nem linhas inter-bairros, de maneira que o uso do automóvel individual se torna quase inevitável para trajetos menores.

Em resumo: definidas e orientadas pelos imperativos dos interesses privados, as montadoras de veículos, empreiteiras da construção civil e empresas de transporte coletivo dominam a cidade sem assumir qualquer responsabilidade pública, impondo o que chamo de inferno urbano.

2. As manifestações paulistanas

A tradição de lutas

Recordando: A cidade de São Paulo (como várias das grandes cidades brasileiras) tem uma tradição histórica de revoltas populares contra as péssimas condições do transporte coletivo, isto é, a tradição do quebra-quebra quando, desesperados e enfurecidos, os cidadãos quebram e incendeiam ônibus e trens (à maneira do que faziam os operários no início da Segunda Revolução Industrial, quando usavam os tamancos de madeira – em francês, os sabots – para quebrar as máquinas – donde a palavra francesa sabotage, sabotagem). Entretanto, não foi este o caminho tomado pelas manifestações atuais e valeria a pena indagar por que. Talvez porque, vindo da esquerda, o MPL politiza explicitamente a contestação, em vez de politiza-la simbolicamente, como faz o quebra-quebra.

Recordando: Nas décadas de 1970 a 1990, as organizações de classe (sindicatos, associações, entidades) e os movimentos sociais e populares tiveram um papel político decisivo na implantação da democracia no Brasil pelos seguintes motivos:

1. introdução da idéia de direitos sociais, econômicos e culturais para além dos direitos civis liberais;

2. afirmação da capacidade auto-organizativa da sociedade;

3. introdução da prática da democracia participativa como condição da democracia representativa a ser efetivada pelos partidos políticos. Numa palavra: sindicatos, associações, entidades, movimentos sociais e movimentos populares eram políticos, valorizavam a política, propunham mudanças políticas e rumaram para a criação de partidos políticos como mediadores institucionais de suas demandas.

Isso quase desapareceu da cena histórica como efeito do neoliberalismo, que produziu:

1. fragmentação, terceirização e precarização do trabalho (tanto industrial como de serviços) dispersando a classe trabalhadora, que se vê diante do risco da perda de seus referenciais de identidade e de luta;

2. refluxo dos movimentos sociais e populares e sua substituição pelas ONGs, cuja lógica é distinta daquela que rege os movimentos sociais;

3. surgimento de uma nova classe trabalhadora heterogênea, fragmentada, ainda desorganizada e que por isso ainda não tem suas próprias formas de luta e não se apresenta no espaço público e que por isso mesmo é atraída e devorada por ideologias individualistas como a “teologia da prosperidade” (do pentecostalismo) e a ideologia do “empreendedorismo” (da classe média), que estimulam a competição, o isolamento e o conflito inter-pessoal, quebrando formas anteriores de sociabilidade solidária e de luta coletiva.

Erguendo-se contra os efeitos do inferno urbano, as manifestações guardaram da tradição dos movimentos sociais e populares a organização horizontal, sem distinção hierárquica entre dirigentes e dirigidos. Mas, diversamente dos movimentos sociais e populares,  tiveram uma forma de convocação que as transformou num movimento de massa, com milhares de manifestantes nas ruas.

O pensamento mágico

A convocação foi feita por meio das redes sociais. Apesar da celebração  desse tipo de convocação, que derruba o monopólio dos meios de comunicação de massa, entretanto é preciso mencionar alguns problemas postos pelo uso dessas redes, que possui algumas características que o aproximam dos procedimentos da midia:

a. é indiferenciada: poderia ser para um show da Madonna, para uma maratona esportiva, etc. e calhou ser por causa da tarifa do transporte público;

b. tem a forma de um evento, ou seja, é pontual, sem passado, sem futuro e sem saldo organizativo porque, embora tenha partido de um movimento social (o MPL), à medida que cresceu passou á recusa gradativa da estrutura de um movimento social para se tornar um espetáculo de massa. (Dois exemplos confirmam isso: a ocupação de Wall Street pelos jovens de Nova York e que, antes de se dissolver, se tornou um ponto de atração turística para os que visitavam a cidade; e o caso do Egito, mais triste, pois com o fato das manifestações permanecerem como eventos e não se tornarem uma forma de auto-organização política da sociedade, deram ocasião para que os poderes existentes passassem de uma ditadura para outra);

c. assume gradativamente uma dimensão mágica, cuja origem se encontra na natureza do próprio instrumento tecnológico empregado, pois este opera magicamente, uma vez que os usuários são, exatamente, usuários e, portanto, não possuem o controle técnico e econômico do instrumento que usam – ou seja, deste ponto de vista, encontram-se na mesma situação que os receptores dos meios de comunicação de massa.

A dimensão é mágica porque, assim como basta apertar um botão para tudo aparecer, assim também se acredita que basta querer para fazer acontecer. Ora, além da ausência de controle real sobre o instrumento, a magia repõe um dos recursos mais profundos da sociedade de consumo difundida pelos meios de comunicação, qual seja, a idéia de satisfação imediata do desejo, sem qualquer mediação;

d. a recusa das mediações institucionais indica que estamos diante de uma ação própria da sociedade de massa, portanto,  indiferente à determinação de classe social; ou seja, no caso presente, ao se apresentar como uma ação da juventude, o movimento  assume a aparência de que o  universo dos manifestantes é homogêneo ou de massa, ainda que, efetivamente, seja heterogêneo do ponto de vista econômico, social e político, bastando lembrar que as manifestações das periferias não foram apenas de “juventude” nem de classe média, mas de jovens, adultos, crianças e idosos da classe trabalhadora.

No ponto de chegada, as manifestações introduziram o tema da corrupção política e a recusa dos partidos políticos. Sabemos que o MPL é  constituído por militantes de vários partidos de esquerda e, para assegurar a unidade do movimento, evitou a referência aos partidos de origem.

Por isso foi às ruas sem definir-se como expressão de partidos políticos e, em São Paulo, quando, na comemoração da vitória, os militantes partidários compareceram às ruas foram execrados, espancados, e expulsos como oportunistas – sofreram repressão violenta por parte da massa. Ou seja, alguns manifestantes praticaram sobre outros a violência que condenaram na polícia.

A crítica às instituições políticas não é infundada, mas possui base concreta:

a. no plano conjuntural: o inferno urbano é, efetivamente, responsabilidade dos partidos políticos governantes;

b. no plano estrutural: no Brasil, sociedade autoritária e excludente, os partidos políticos tendem a ser clubes privados de oligarquias locais, que usam o público para seus interesses privados; a qualidade dos legislativos nos três níveis é a mais baixa possível e a corrupção é estrutural; como consequência,  a relação de representação não se concretiza porque vigoram relações de favor, clientela, tutela e cooptação;

c. a crítica ao PT:  de ter abandonado a relação com aquilo que determinou seu nascimento e crescimento, isto é, o campo das lutas sociais auto-organizadas e ter-se transformado numa máquina burocrática e eleitoral (como têm dito e escrito muitos militantes ao longo dos últimos 20 anos).

Isso, porém, embora explique a recusa, não significa que esta tenha sido motivada pela clara compreensão do problema por parte dos manifestantes. De fato, a maioria deles não exprime em suas falas uma análise das causas desse modo de funcionamento dos partidos políticos, qual seja, a estrutura autoritária da sociedade brasileira, de um lado, e, de outro, o sistema político-partidário montado pelos casuímos da ditadura. Em lugar de lutar por uma reforma política, boa parte dos manifestantes recusa a legitimidade do partido político como instituição republicana e democrática.

Assim, sob este aspecto, apesar do uso das redes sociais e da crítica aos meios de comunicação, a maioria dos manifestantes aderiu à mensagem ideológica difundida anos a fio pelos meios de comunicação de que os partidos são corruptos por essência.

Como se sabe, essa posição dos meios de comunicação tem a finalidade de lhes conferir o monopólio das funções do espaço público, como se não fossem empresas  capitalistas movidas por interesses privados.

Dessa maneira, a recusa dos meios de comunicação e as críticas a eles endereçadas pelos manifestantes não impediram que grande parte deles aderisse à perspectiva da classe média conservadora difundida pela mídia a respeito da ética.

De fato, a maioria dos manifestantes, reproduzindo a linguagem midiática, falou de ética na política (ou seja, a transposição dos valores do espaço privado para o espaço público), quando, na verdade, se trataria de afirmar a ética da política (isto é, valores propriamente públicos), ética que não depende das virtudes morais das pessoas privadas dos políticos e sim da qualidade das instituições públicas enquanto instituições republicanas.

A ética da política, no nosso caso, depende de uma profunda reforma política que crie instituições democráticas republicanas e destrua de uma vez por todas a estrutura deixada pela ditadura, que força os partidos políticos a coalizões absurdas se quiserem governar, coalizões que comprometem o sentido e a finalidade de seus programas e abrem as comportas para a corrupção.

Em lugar da ideologia conservadora e midiática de que, por definição e por essência, a política é corrupta, trata-se de promover uma prática inovadora capaz de criar instituições públicas que impeçam a corrupção, garantam a participação, a representação e o controle dos interesses públicos e dos direitos pelos cidadãos. Numa palavra, uma invenção democrática.

Ora, ao entrar em cena o pensamento mágico, os manifestantes deixam de lado que, até que uma nova forma da política seja criada num futuro distante quando, talvez, a política se realizará sem partidos, por enquanto, numa república democrática (ao contrário de uma ditadura) ninguém governa sem um partido, pois é este que cria e prepara quadros para as funções governamentais para concretização dos objetivos e das metas dos governantes eleitos.

Bastaria que os manifestantes se informassem sobre o governo Collor para entender isso: Collor partiu das mesmas afirmações feitas por uma parte dos manifestantes (partido político é coisa de “marajá” e é corrupto) e se apresentou como um homem sem partido. Resultado: a) não teve quadros para montar o governo, nem diretrizes e metas coerentes e b) deu feição autocrática ao governo, isto é, “o governo sou eu”. Deu no que deu.

Além disso, parte dos manifestantes está adotando a posição ideológica típica da classe média, que aspira por governos sem mediações institucionais e, portanto, ditatoriais. Eis porque surge a afirmação de muitos manifestantes, enrolados na bandeira nacional, de que “meu partido é meu país”, ignorando, talvez, que essa foi uma das afirmações fundamentais do nazismo contra os partidos políticos.

Assim, em lugar de inventar uma nova política, de ir rumo a uma invenção democrática, o pensamento mágico de grande parte dos manifestantes se ergueu contra a política, reduzida à figura da corrupção. Historicamente, sabemos onde isso foi dar.

E por isso não nos devem surpreender, ainda que devam nos alarmar, as imagens de jovens militantes de partidos e movimentos sociais de esquerda espancados e ensangüentados durante a manifestação de comemoração da vitória do MPL.

Já vimos essas imagens na Itália dos anos 1920, na Alemanha dos anos 1930 e no Brasil dos anos 1960-1970.

Conclusão provisória

Do ponto de vista simbólico, as manifestações possuem um sentido importante que contrabalança os problemas aqui mencionados.

Não se trata, como se ouviu dizer nos meios de comunicação, que finalmente os jovens abandonaram a “bolha” do condomínio e do shopping center e decidiram ocupar as ruas (já podemos prever o número de novelas e mini-séries que usarão essa idéia para incrementar o programa High School Brasil, da Rede Globo).

Simbolicamente, malgrado eles próprios e malgrado suas afirmações explícitas contra a política, os manifestantes realizaram um evento político: disseram não ao que aí está, contestando as ações dos poderes executivos municipais, estaduais e federal, assim como as do poder legislativo nos três níveis.

Praticando a tradição do humor corrosivo que percorre as ruas, modificaram o sentido corriqueiro das palavras e do discurso conservador por meio da inversão das significações e da irreverência, indicaram uma nova possibilidade de práxis política, uma brecha para repensar o poder, como escreveu um filósofo político sobre os acontecimentos de maio de 1968 na Europa.

Justamente porque uma nova possibilidade política está aberta, algumas observações merecem ser feitas para que fiquemos alertas aos riscos de apropriação e destruição dessa possibilidade pela direita conservadora e reacionária.

Comecemos por uma obviedade: como as manifestações são de massa (de juventude, como propala a mídia) e não aparecem em sua determinação de classe social, que, entretanto, é clara na composição social das manifestações das periferias paulistanas, é preciso lembrar que uma parte dos manifestantes não vive nas periferias das cidades, não experimenta a violência do cotidiano experimentada pela outra parte dos manifestantes.

Com isso, podemos fazer algumas indagações.

Por exemplo: os jovens manifestantes de classe média que vivem nos condomínios têm idéia de que suas famílias também são responsáveis pelo inferno urbano (o aumento da densidade demográfica dos bairros e a expulsão dos moradores populares para as periferias distantes e carentes)? Os jovens manifestantes de classe média que, no dia em que fizeram 18 anos, ganharam de presente um automóvel (ou estão na expectativa do presente quando completarem essa idade), têm idéia de que também são responsáveis pelo inferno urbano? Não é paradoxal, então, que se ponham a lutar contra aquilo que é resultado de sua própria ação (isto é, de suas famílias), mas atribuindo tudo isso à política corrupta, como é típico da classe média?

Essas indagações não são gratuitas nem expressão de má-vontade a respeito das manifestações de 2013. Elas têm um motivo político e um lastro histórico.

Motivo político: assinalamos anteriormente o risco de apropriação das manifestações rumo ao conservadorismo e ao autoritarismo. Só será possível evitar esse risco se os jovens manifestantes levarem em conta algumas perguntas:

1. estão dispostos a lutar contra as ações que causam o inferno urbano e, portanto, enfrentar pra valer o poder do capital de montadoras, empreiteiras e cartéis de transporte que, como todo sabem não se relacionam  pacificamente (para dizer o mínimo) com demandas sociais?

2. estão dispostos a abandonar a suposição de que a política se faz magicamente sem mediações institucionais?

3. estão dispostos a se engajar na luta pela reforma política, a fim de inventar uma nova política, libertária, democrática, republicana, participativa?

4. estão dispostos a não reduzir sua participação a um evento pontual e efêmero e a não se deixar seduzir pela imagem que deles querem produzir os meios de comunicação?

Lastro histórico: quando Luiza Erundina, partindo das demandas dos movimentos populares e dos compromissos com a justiça social, propôs a Tarifa Zero para o transporte público de São Paulo, ela explicou à sociedade que a tarifa precisava ser subsidiada pela Prefeitura e que ela não faria o subsídio implicar em cortes nos orçamentos de educação, saúde, moradia e assistência social, isto é, dos programas sociais prioritários de seu governo.

Antes de propor a Tarifa Zero, ela aumentou em 500% a frota da CMTC (explicação para os jovens: CMTC era a antiga empresa municipal de transporte) e forçou os empresários privados a renovar sua frota.

Depois disso, em inúmeras audiências públicas, ela apresentou todos os dados e planilhas da CMTC e obrigou os empresários das companhias privadas de transporte coletivo a fazer o mesmo, de maneira que a sociedade ficou plenamente informada quanto aos recursos que seriam necessários para o subsídio.

Ela propôs, então, que o subsídio viesse de uma mudança tributária: o IPTU progressivo, isto é, o imposto predial seria aumentado para os imóveis dos mais ricos, que contribuiriam para o subsídio juntamente com outros recursos da Prefeitura.

Na medida que os mais ricos, como pessoas privadas, têm serviçais domésticos que usam o transporte público, e, como empresários, têm funcionários usuários desse mesmo transporte, uma forma de realizar a transferência de renda, que é base da justiça social, seria exatamente fazer com que uma parte do subsídio viesse do novo IPTU.

Os jovens manifestantes de hoje desconhecem o que se passou: comerciantes fecharam ruas inteiras, empresários ameaçaram lockout das empresas, nos “bairros nobres” foram feitas  manifestações contra o “totalitarismo comunista” da prefeita e os poderosos da cidade “negociaram” com os vereadores a não aprovação do projeto de lei.

A Tarifa Zero não foi implantada. Discutida na forma de democracia participativa, apresentada com lisura e ética política, sem qualquer mancha possível de corrupção, a proposta foi rejeitada.

Esse lastro histórico mostra o limite do pensamento mágico, pois não basta ausência de corrupção, como imaginam os manifestantes, para que tudo aconteça imediatamente da melhor maneira e como se deseja.

Cabe uma última observação: se não levarem em consideração a divisão social das classes, isto é, os conflitos de interesses e de poderes econômico-sociais na sociedade, os manifestantes não compreenderão o campo econômico-político no qual estão se movendo quando imaginam estar agindo fora da política e contra ela.

Entre os vários riscos dessa imaginação, convém lembrar aos manifestantes que se situam à esquerda que, se não tiverem autonomia política e se não a defenderem com muita garra, poderão, no Brasil, colocar água no moinho dos mesmos poderes econômicos e políticos que organizaram grandes manifestações de direita na Venezuela, na Bolívia, no Chile, no Peru, no Uruguai e na Argentina. E a mídia, penhorada, agradecerá pelos altos índices de audiência.

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66 Comentários escrever comentário »

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itamar oliveira brito

16/07/2013 - 14h40

afirmar que os manifestantes passe livre, são de esquerda, onde moro, garanto que não e que sim, já que conheço muitos. Meus amigos, alguns dizem que sou de esquerda, outros direita, já fui chamado de neoliberal.Na manifestação tinha de todo tipo de reinvidicação, o que achei ótimo. Aposentados frustados e amarelos de fome (INSS), já que os funcionários Públicos aposentam com praticamente o mesmo salário e aqueles acertos com promoções proximo a aposentadoria. (não acho errado)Mas um governo PETISTA, a 12 anos no governo, ainda não resolveu essa situação.Inicie vinculando com salário mínimo.Acabar com a corrupção? Quando elegemos uma galinha para tomar conta do galinheiro, como certeza ela vai no exercício do comando, cacarejar, ciscar e comer milho.Reforma política tem que ser feita com toda a certeza. Vamos apertar os políticos para que façam uma reforma que contemple os anseios do povo.Povo que deseja até que isso aconteça, que os corruptos (cadeia), Saude, Educação, Transporte,e gastos abusivos pelo poder sejam equacionados. Que esse assunto de espionagem saia da pauta, isso é coisa para boi dormir.Deixo claro sou petista, mas não gosto de carimbos ideológicos. Fico profundamente indignado quando vejo em qualquer tipo de midia, enrrolação ou ideologia.

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Vladimir Safatle: Não dá mais para esconder Jirau no meio da floresta - Viomundo - O que você não vê na mídia

16/07/2013 - 12h52

[…] Marilena Chauí: O inferno urbano e a política do favor, tutela e cooptação […]

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Os filósofos e os protestos de junho

02/07/2013 - 03h04

[…] O inferno urbano e a política do favor, tutela e cooptação. […]

Responder

    itamar oliveira brito

    14/07/2013 - 13h18

    Acho Marilena Bonita, inteligente, mas dizer que as manifestações foram acionadas os praticadas por movimentos de esquerda é brincadeira,vamos esquecer,esquerda, direita, centro e seis la mais o que. Sou petista fui na manifestação com o intuito de ver os mensaleiros presos. Saude, Segurança, Educação de qualidade.Participei do MST e greve de operários em São Paulo. Sei exatamente como funciona e inicio e o final dos acordos de Sindicatos e as invações, montagens de barracos de lona nas estradas.Filosofia é manipulação da consciencia.Os aposentados no Brasil passam fome, ja que foi desvinculao seus reajustes do salário mínimo, e nunca vi um Sindicado, Associação,CUT sei lá o que mais, fazer nada para mudar isso. Lógico o governo não tem interesse. Deficit na previdência, somente abestalhados acreditam. Mesmo assim leio todos seus artigos, gosto, mais discordo, pois soa Petista radical. Sou Petista. Abraços

Os filósofos e os protestos de junho |

02/07/2013 - 02h17

[…] O inferno urbano e a política do favor, tutela e cooptação. […]

Responder

Adilson

01/07/2013 - 22h47

Excepcional reflexão!

Responder

Ricardo Lacerda de Lacerda

01/07/2013 - 17h25

O Azenha dê uma força aí para a professora. Uma questão de comunicação. Nada contra o conteúdo, brilhante como sempre, porem critico a forma, se a intenção é atingir o maior público possível.
Esse texto é importantíssimo
Perfeito a analise da prof. Marilena Chauí porem sobre o meu ponto de vista comete um erro de ordem dos parágrafos. Será que uma visão jornalística de texto não aumentaria seu poder de comunicação.

Na forma como está, o texto deve ser perfeito como apresentação acadêmica. Mas para um leitor qualquer que quer entender toda a conjuntura,o texto que é grande denso e analítico, comunicaria melhor com um título qualquer tal como:
A política de Tarifa Zero da Prefeita Erondina, a rejeição pela Câmara e os motivo. fato que ela conheceu e viveu.
O 1º parágrafo seria o “lastro histórico” Um fato que ela conheceu e viveu, e dando sequencia. os demais parágrafos

Responder

    Manoel Alcântara

    04/07/2013 - 10h19

    Perdão, mas a linguagem neste caso não opera, meramente, como instrumento de comunicação, mas como instrumento para construção do pensamento-reflexão. É justamente o domínio da linguagem, como suporte, que permite a autora tal capacidade de reflexão. Cabe aos comunicadores e disseminadores, tornar, na medida do possível, o conteúdo acessível e amplificado.

Marilena Chauí: O inferno urbano e a pol...

01/07/2013 - 09h41

[…]   […]

Responder

Caio César

30/06/2013 - 22h12

Uma pequena correção, é CPTM e não CPTU. Em tempo, a CPTM conta com cerca de 130 km dentro da capital, sendo a malha operacional de cerca de 250 km.

Responder

    Renato

    01/07/2013 - 10h23

    261, não 250.

rosane

30/06/2013 - 13h12

Alguém pode ajudar com uma fonte para conhecer melhor a história e os movimentos nesses países que a Chauí citou?(Venezuela, Bolívia, Chile, Peru, Uruguai e Argentina)

Responder

Celina Hissa

30/06/2013 - 07h55

“Tem muito pouca dúvida, e muita razão” – Arnaldo Antunes

Responder

Marilena Chauí e o pensamento mágico dos jovens |

29/06/2013 - 14h52

[…] qual seja, a idéia de satisfação imediata do desejo, sem qualquer mediação” (Teoria e Debate) (grifos […]

Responder

Nelson

28/06/2013 - 20h05

A análise feita pela Dona Marilena Chauí é brilhante e irretorquível. Nenhuma surpresa, aliás, em se tratando de uma grande filósofa.

Responder

laura

28/06/2013 - 19h35

Lembrei-me do filme: O apito da panela de pressão, de 1977.
Documentou o reinício das manifestações estudantis.
vale a pena rever pensando nas manifestações atuais.
http://www.youtube.com/watch?v=DuGZABQ0L5c

Responder

marina

28/06/2013 - 16h15

Marilena continua a ser imprescindível para nos fazer pensar e agir sempre à esquerda.

Responder

francisco pinheiro

28/06/2013 - 15h44

Jovens invadem a câmara de juiz de fora, rasgam a bíblia e tentam retirar crucifixo em protesto pelo estado laico.
Segue o link da reportagem: http://www.tribunademinas.com.br/politica/manifestantes-ocupam-camara-por-menor-tarifa-1.1302154

Responder

Álvaro Caropreso

28/06/2013 - 10h36

REDES SOCIAIS E COMUNIDADES DE CONSENSO

Por enquanto, tenho ressalvas a esse entusiasmo sobre a democracia digital propiciada pelas redes sociais.

Óbvio que a internet em geral tem ferramentas extraordinárias para a democratização de decisões e, sobretudo, para a ampliação e aprofundamento do debate de temas importantes para o povo. Contudo, o que posso observar até agora é que, exceto em fóruns específicos e especializados que se valem dessas ferramentas, há nas redes sociais a formação de “comunidades de consensos” em que o debate se vê estagnado tão logo se consolide um grupamento mínimo de simpatizantes de uma dada proposição.

O problema maior, acho, é que o motor que catalisa essas “comunidades de consenso” está muito mais na busca de prestígio, não tanto na disposição de se confrontar diferenças. Assim, as argumentações acabam se estruturando de modo a localizar simpatizantes e consolidar “seguidores” com certas afinidades. Pode-se dizer que isso é uma consequência natural do debate, mas por enquanto as redes sociais apenas oferecem uma espécie de atalho para abreviar discussões e manter os temas na superfície.

Responder

Osvaldo

28/06/2013 - 08h43

E essa estranha “greve geral contra corrupção” marcada para o 1 de julho?
http://www.afp.com/pt/noticia/topstories/novos-protestos-convocados-no-brasil

A notícia dá conta de colocá-la como de acordo com manifestações do MPL. Ninguém sabe a origem dessa convocação e as centrais sindicais não tem nada a ver com a tal “greve”.

Essa “greve” pode ser a porta de entrada do golpe (por mais que falar em golpe tenha se banalizado nos últimos tempos). Todas as manifestações tem tido o problemas dos “arruaceiros” anônimos sucedidos pela conivência das autoridades. Em casos isolados isso já tem sido o suficiente para situações muito violentas. O que será disso numa manifestação de massa que promete “parar o Brasil”? Dependendo da situação, haverá que se decretar Estado de Sítio, que depende dos conselhos da República e da Defesa Nacional. Tudo isso em meio a um grande emparedamento de Dilma face aos últimos acontecimentos.

Responder

Mardones

28/06/2013 - 08h34

Bravo! Nada como uma perspectiva histórica. Mais uma vez, a Marilena Chauí disse tudo sobre o movimento e a questão do inferno urbano. Lembrar a Erundina foi fundamental. Pena que o Haddad não propôs o mesmo. Em vez disso, falou em retirar recursos de outros serviços essenciais.

Responder

Jayme Vasconcellos Soares

28/06/2013 - 07h56

Quem não quer que os médicos cubanos venham ajudar os brasileiros são os defensores da direita, que não admitem a existência de um País soberano, socialista, onde o povo é educado, alfabetizado, culto, e onde não existe um modelo neoliberal predominante; o Brasil está mal, pois o seu povo ainda não está alfabetizado de modo a escolher seus governantes e representantes dignos para o Congresso. O Congresso brasileiro é constituído , em sua maioria, de um bando de senadores e deputados que não defendem as causas e os anseios do povo brasileiro, e legislam em seus próprios interesses.

Responder

Bonifa

28/06/2013 - 07h50

Os problemas atuais da Saúde e da Educação Públicas têm origem lá atrás, em idos de 1988, evoluindo exponencialmente até 2003. Subfinanciamento persistente do Sistema Unificado de Saúde, para fazer crescer os planos de saúde que queriam avançar no mercado das classes menos favorecidas. E subfinanciamento da Educação Pública em todos os níveis, para que as empresas de educação privadas avançassem sobre as fatias de mercado emergente das camadas mais pobres da população. Isto gerou o que se vê agora: A antesala do caos. Este procedimento criminoso foi sistematicamente adotado pelos lobistas destas áreas no Congresso Nacional. Provas destas afirmações podem ser reunidas aos milhares. É preciso que os manifestantes das ruas saibam disso.

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jose carlos lima

28/06/2013 - 00h57

Mais de 40 milhões de brasileiros sairam da pobreza absoluta e foram incorporados à vida social mas, por falta de conhecimento, de formação política, correm o risco de perder tudo o que consquistaram e nem entederão pq perderam, pensarão que foi “coisa do destino”. Marionetes teleguiadas por interesses que não os seus poderiam ter outro destino? Ontem conversei com um jovem da periferia e percebi que, apesar da sua nova vida proporcionada por Dilma/Lula, ele exalava um ódio terrível contra o PT, para ele o partido mais corrupto de todos os tempos, disse-lhe que isso é uma inverdade, que há pesquisas indicando que os partidos com mais corruptos processos na Justiça são do DEM, PSDB e PMDB e que o PT seria lanterninha. Hoje o vi de novo com o mesmo cabelinho de “revolucionário 2.0”

Estamos vivendo épocas de insensatez absoluta, hoje ao dar uma folheada no jornal Diário da Manhã, de Goiânia, fiquei pasmo ao ver tantos colunistas picaretas escrevendo coisas que, fosse eu um ET pensaria se tratarem de grandes revolucionários, quiçá os maiores de todos os tempos, dei vontade de vomitar vendo por todo o jornal Dilma sendo massacrada em palavras, charges… Em todas as sessões do Jornal. Coisa de louco.

Até parece que os brasileiros não viveram não muito tempo atrás a experiência de serem governados por um não-partidário, o Collor que, como se sabe, foi eleito com base na anti-politica e que nem partido tinha, o PRN é um enredo de partido

E vejam essa: O Batman já começou a campanha pelo voto distrital em sua campanha anti-partido.

Na conversa com a presidente, Barbosa defendeu que o País adote o sistema de voto distrital. O modelo atual, avaliou o presidente do Supremo, está esgotado. “Esse sistema mostra marcas profundas de esgotamento. Não é exclusividade do brasileiro. Grandes democracias mundo a fora vêm passando por essa crise esporádica”,

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    wendel

    28/06/2013 - 12h18

    Concordo plenamente com vc J. Carlos. E faço minha suas palavras – ” Marionetes teleguiadas por interesses que não os seus poderiam ter outro destino?”
    Sempre em meus comentários aqui na Rede, cito que estes novos “Classes Médias”(?), estariam irremediavelmente perdidos, quando houvesse a mudança do jogo, pois estes direitos não estavam garantidos por leis. O Lula e Dilma, distribuíram rendas, e outros benefícios, mas todo este processo não foi acompanhado por uma ascensão cultural e política, ocasionando uma total alienação consumista somente.
    Não tenho duvidas que a longo prazo, talvez surta algum efeito as cotas para universitários carentes, mas ao mesmo tempo alguns sociólogos têm dito que ao se ascender na escala social, estes elementos se incorporam às correntes conservadoras.
    Assim meu caro, o que estamos presenciando hoje, nada mais é que uma luta pelo poder político. e os integrantes, em sua grande maioria, não passam de massa de manobra, inconscientemente a serviço da direita!
    Esta direita que sempre foi e sempre será contrária a toda conquista social!

renato wilson

28/06/2013 - 00h32

“Cabe uma última observação: se não levarem em consideração a divisão social das classes, isto é, os conflitos de interesses e de poderes econômico-sociais na sociedade, os manifestantes não compreenderão o campo econômico-político no qual estão se movendo quando imaginam estar agindo fora da política e contra ela.”

chauí, como a chamamos os “antigos”,nas conclusões acima acabou por deixar uma grande interrogação: como esses manifestantes farão/elaborarão a imensa tarefa política que ela sugere ? certamente ela não acredita que isso possa ocorrer de “forma autônoma/espontânea” por cada um desses indivíduos, até porque não teria escrito esse texto se assim pensasse. ouso dizer porém que esse lapso tem a ver com a necessidade de preservar o PT de maiores críticas, num momento onde se encontra em evidente defensiva e sem forças para se contrapor nas ruas com o avanço conservador. posso entender essa posição visto a relação que mantêm com o partido mas assim procedendo pouco contribui para retirá-lo desse estado de anomia.lembro-me de uma antiga citação de lenin: “não há prática revolucionária sem uma teoria revolucionária”. o reformismo (ou lulismo) adotado pelo atual PT não lhe confere a princípio nenhuma condição de levar aos manifestantes a compreensão política do momento atual.sem colocar o dedo “nessa ferida” em nada contribuímos para nos prepararmos para enfrentar a “guerra total” que as forças conservadores/direita empreenderão contra o governo dilma em 2014, inclusive e também por aquelas que estão abrigadas na chamada “base” política governamental.
apesar dessas crítica considero valiosas suas análises e saúdo sua coerência na militância política.

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Caio

27/06/2013 - 23h13

Galera, depois desse AULAO não dá pra ficar parado! Hoje eu fui a uma manifestação, na Candelária,pela primeira vez. Fiquei sabendo pelo facebook o carro-chefe da passeata: Reforma Política. Cheguei lá esperançoso de encontrar uma mobilização em prol de uma construção da tão necessária reforma. Foi uma decepção, minha gente, não querem largar o pensamento mágico de jeito nenhum. Houve um palanque, onde os índios, bombeiros, moradores da Maré, o discurso de todos esvaziado, martelando contra o Cabral e Paes e a Copa. Cartazes ainda pedindo #foradilma #forapt. Cada manifestante tinha uma ideia mirabolante de democracia e esperavam a mágica a qual a professora mencionou. Na hora de gritar, os gritos eram apenas <>, <>. Não aguentei sequer uma hora! As mobilizações a favor do passe livre e meia entrada das quais eu participava quando era secundarista do colégio pedro ii foram bem mais enriquecedoras a democracia do que esta de hoje. Perdoem a minha má escrita.

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Antonio Luiz

27/06/2013 - 21h17

Poder-se-ia dizer, talvez resumindo, que a “Juventude” foi ao Big Brother. Seu grande sonho. Sem eiras, nem beiras. Tudo é permitido. Somos diferentes de tudo e de todos. Todos nos veem na telinha. À frente, espera-nos o dindim. É assim que funciona no BB, da Globo, e na Fazenda, da Record.
Individualismo e irresponsabilidade sustentam a falsa irreverência.
Se ao tal MPL atribui sagacidade política, é impensável descartar que disso não soubessem seus militantes partidários “clandestinos”, como interpreto de Chauí. Anarquistas apenas? Talvez bem mais que isso. Apenas oportunismo ou “direitismo” enrustido. Será que já ouviram falar e se sentiram mal com a burguesia brasileira, com os desmandos de Gilmares e Barbosas, sem falar das Globos e Estadões?
Quem resolve ir em frente com isso, como vão, sabe dos riscos que correm pescoços alheios.

Responder

Urbano

27/06/2013 - 20h29

Rememorem-me movimentos desse quilate ora havido e que haja ocorrido entre 1995 e 2002? Será que não dá para sentir o bolor dos ocorridos entre a renúncia de jânio e 1964?

Responder

    Urbano

    27/06/2013 - 20h31

    Corrigindo: … 2002.

Liz Almeida

27/06/2013 - 19h59

Absolutamente maravilhoso, coerente e sensato o texto da professora Marilena Chauí!

Obrigada, professora, por expor tudo o que eu penso, mas que jamais teria o seu talento descomunal de se expressar na forma oral e escrita.

A pergunta que fica é: estará a classe média e a elite disposta a ceder um pouco dos seus privilégios por uma sociedade mais igualitária?
Infelizmente, temo pela resposta a essa pergunta.

Não adianta querer passar somente para os governantes uma responsabilidade que compete a toda a sociedade. Se querem uma sociedade onde todos tenham os mesmos direitos, estejam cientes que isso não vai existir no mundo do capital; capitalismo e privilégio para todos são como água e óleo, nunca vão se misturar. Se desejam com o fervor demonstrado nas manifestações, menos violência, menos corrupção, mais direitos, etc; é preciso ter em mente que todas essas questões vêm de um ponto em comum – o tipo de sociedade em que vivemos – não aguentam mais esse ‘inferno’? Então vamos ter que sentar e começar a discutir novas formas de relações sociais.

Não tenho esperança de em minha vida ver esse mundo novo, mas quem sabe meus bisnetos ou tataranetos…

Responder

Messias Franca de Macedo

27/06/2013 - 19h45

O QUE PODERÁ SER O RÉQUIEM AO GOVERNO DILMA ROUSSEFF! E O CANTO DE REDENÇÃO DA DIREITONA!

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Como dizia aquele amigo, velho comunista, que não caiu na esparrela do PPS: isso aí não dá em nada, ou derruba o Governo.
Acertou.
Derrubou o Governo Dilma e botou no lugar outro Governo Dilma.
O trabalho político passou a se desenvolver na arena da Copa das Confederações.
Por que a Copa passou a ser o alvo ?
Porque a Globo ganha com ela de qualquer jeito e em qualquer lugar: no Maracanã, na África do Sul ou na Coreia.
E para os conservadores e a Globo, a Copa tem uma maldição de origem: o Lula trouxe a Copa e a Dilma a realizará.

(…)
Não há 100 mil pessoas apartidárias nas ruas.
A Globo deu o Partido e os líderes.
(…)
Uma juventude que pensa que JK é tônico muscular.
Isso se deve à entre aspas politização fecha aspas, na Globo, do julgamento do mensalão, que mais do que punir o PT foi a fogueira em que ardeu a política.

A ideologia predominante nos altos escalões da Justiça contaminou o país: a política é o pecado.

A virtude está nas Leis, ou melhor, nos Juízes.

Tudo o que cheira a soberania popular fede.

Essa rebelia “desorientada” se valeu da ignorância.

Esses manifestantes – e, na verdade, milhões de brasileiros – não conhecem o Brasil.

Não sabem o que acontece no Brasil.

Por exemplo, não sabem que há 30 anos não se investia em transportes.
(…)
Outro erro estratégico,
Foi não criar um sistema estatal – de preferência – ou publico de comunicação de massa.

Informar é obrigação do governante.
E o governado tem o direito de ouvir e, constitucional, ser ouvido.

Nenhuma Democracia do mundo permitiria que a lei que regula a rádio-difusão não se atualizasse desde 1963.

Desde 1994, a Globo controla 80% de toda a verba da televisão aberta.

Em 1994, ela tinha 80% da audiência.

Hoje, tem 45% da audiência.

Mas, não faz diferença.

Os 80% são os mesmos e o bolo da grana aumentou.

E agora ?

O Governo Dilma perdeu.

Vê-se no seu rosto.
(…)

“Ouvir as voz das ruas” só seria possível numa Assembleia Constituinte exclusiva.

E, depois, um referendo.

Fora disso, a “voz das ruas” sumirá naquele salão do Athos Bulcao que liga a Câmara e o Senado.

Emudecerá

E a Dilma acabará mais perto do Michel Temer do que do Lula.

O Brasil vai parar ?

Não !
(…)
Vai mudar tudo.

Desde que tudo continue tudo como estava.

Há 200 anos.

(Já ouvi isso em algum lugar.)

Por jornalista Paulo Henrique Amorim
em http://www.conversaafiada.com.br/politica/2013/06/27/os-conservadores-capturaram-a-dilma/

##########################

LÁ VEM O MATUTO ‘BANANIENSE’ QUE SENTE CHEIRO DE GOLPE DESDE QUE NASCEU EM *PINDORAMA!
* Etimologicamente quer dizer, em tupi-guarani, terra de papagaios. Designação dada ao Brasil pelas gentes andoperuanas e indopampianas. O jornalista e escritor Elio Gaspari, em seus artigos, usa muito este nome quando quer, de forma irônica, se referir ao Brasil.

“NUMDISSE?!”: continuemos pintados para a guerra! Mesmo porque a luta contra o fascismo é eterna!

Até a vitória sempre!

Respeitosas saudações democráticas, progressistas, civilizatórias, nacionalistas, antigolpistas e antifascistas,

República Desses Bananas da [eterna] OPOSIÇÃO AO BRASIL E AO POVO BRASILEIRO, MENTEcaptos, fascistas, mercenários, golpistas/terroristas de meia tigela!… ‘O cheiro dos cavalos ao do povo!’

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

    psgd

    27/06/2013 - 21h13

    Prezado Messias – Em decorrência do artigo do brilhante PH, que você postou acima, acabei de postar o seguinte comentário no CA: Prezado PH, permita-me discordar de você desta vez. O povão já não aguenta mais ver tanta baderna, quebra-quebra, mortes, destruições de patrimônios públicos e privados. O que se houve do povo aqui do interior do Brasil é que aqueles de sentimento puro não repetem passeatas. Dados os seus recados recolhem faixas e cartazes e vão para suas casas. Hoje o sentimento do povo é o seguinte, não tem santos nas ruas, os que estão lá são todos farinha do mesmo saco, sub um comando único que cobre todo o Brasil. Portanto, aquela desculpa dada pelo PIG, de que as badernas eram provocadas por pequenos grupos infiltrados nas passeatas, sem consentimento da maioria, não cola mais. O povo entendeu que todos os participantes tem o mesmo ideal e desempenham papéis estratégicos, isto é, a maioria desempenha um papel semelhante aos grãos de trigo, que no mesmo saco, acobertam e amparam o joio, minoria composta por valentões encarregados dos serviços mais sujos no conjunto da obra. Por isto, entendem, que neste momento, tanto o trigo quanto o joio devem ter o mesmo destino…CADEIA… Acrescento ainda, Dilma e Lula são imbatíveis. Comparem as biografias DILMA/LULA X Aécio, FHC, Marina, Eduardo, Serra…

Talitha

27/06/2013 - 19h39

Lúcida, magistral, poderosa como sempre.
Infelizmente, Deus que me perdoe, tem um ponto em que sou obrigada a discordar dela: os jovens de movimentos sociais em São Paulo não deixam de lado as rixas partidárias apenas para garantir unidade ao movimento. Está neles, incipiente, e em consonância com o discurso da mídia, o descaso para com a seguinte passagem:

“Ora, ao entrar em cena o pensamento mágico, os manifestantes deixam de lado que, até que uma nova forma da política seja criada num futuro distante quando, talvez, a política se realizará sem partidos, por enquanto, numa república democrática (ao contrário de uma ditadura) ninguém governa sem um partido, pois é este que cria e prepara quadros para as funções governamentais para concretização dos objetivos e das metas dos governantes eleitos.”

Não sei exatamente como isso começou. Desconfio que na formação de muitos desses jovens por uma intelectualidade já completamente desapontada (desiludida?) com o PT. Fato é que o descrédito para com a política partidária é preponderante em movimentos como o MPL. Creio que neste sentido, a nossa falta de perspectivas práticas corrobore a dificuldade em manter a ênfase no discurso anticapitalista para as políticas urbanas.

Responder

Cláudio

27/06/2013 - 19h13


“Com o tempo, uma imprensa [ = mídia ] cínica, mercenária, demagógica e corruta formará um público tão vil como ela mesma.” >>> Joseph Pulitzer


“Se você não for cuidadoso, os jornais [ = mídias ] farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo” >>> Malcolm X



Ley de Medios Já ! ! !



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luiz aurelio de moura

27/06/2013 - 19h04

Apenas uma correção:
não foi a massa que atacou os militantes dos partidos de esquerda, isto foi coisa de fascitas infiltrados. .
(Isto a nível nacional) Isto não pode ser ignorado.
Mesmo porque a própria direçao do MPL ( em São Paulo) foi expulsa pelos agressores.
Este fato não pode ser ignorado, mesmo porque num movimento de massas , quando a pauta de reivindicações e os objetivos dos protestos são difusos,
uma grupo previamente organizado e com um plano de ação bem determinado pode tomar as rédeas do movimento e temo que isto tenha ocorrido em algumas destas manifestações recentes.

Responder

    psgd

    27/06/2013 - 21h55

    Caro Luiz Aurélio – Moro no interior, e já se percebe que o povo não está acreditando mais nessa desculpa, muito usada pelo PIG, de infiltração de baderneiros nas passeatas. Muitas pessoas já estão achando que todos são farinha do mesmo saco com ideais semelhantes. Um acobertando e amparando o outro.

    luiz aurelio de moura

    28/06/2013 - 16h56

    moço(a)?, isto é um fato naõ uma paranóia, alucinação ou desculpa.
    Não sei de que interior você é mas na maior passeata aqui na avenida paulista , havia brigadas fascitas nitidamente organizadas ( carecas do ABC0, camisas pretas e outros grupos, alguns mascarados. Houve hostilização contra menbros do PT, PSTU, PSOL e quem mais estivesse vestindo camisa seja por ideologia ou por coincidência.
    Eu de fato acho que há , e não é de hoje uma tentativa golpista da direita, inclusive com o apoio de algum setor americano.
    Não é a toa que certas ONGs estão financiando protestos de brasileiros ( estranhamente sem pretexto, palavras de ordem ou quaisquer reivindicações no exterior.
    Não acho simples coincidência que Liliane Aualde, seja a atual
    a embaixadora americana após missão satisfatoriamente cumprida no Paraguai,
    nem as sistemática campanha do Financial Times contra O Guido Mantega e a Economia nacional em geral,
    Tudo isto são fatos, e não é negando-os que se constrói uma apreensão o mais próxima possível da realidade.

    (impeachemnt do Presidente Lugo)

    Pernan Santos

    01/07/2013 - 03h11

    Aqui no Rio Sergio Cabral contratou um grupo de jovens alienados para simular um grupo de manifestantes e se reunir a ele no palácio do governo na finalidade de desarticular uma ocupação que permanece em frente a residencia do Cabral no Leblon. O grupo de alienados fundou um perfil no facebook, chamado “Somos o Brasil”, um dia antes da reunião com o governador. A reunião foi fotografada e virou capa dos principais jornais do estado. Na saída dessa reunião “mandrake” alguns jornalistas falaram com o tal grupo que nem pauta tinha. Totalmente sem noção não deram respostas. Isso prova que os poderosos tentam desarticular qualquer movimento de protesto e que em todas as cidades os infiltrados contratados agiram, atacaram e atiçaram desavisados mais rebeldes e até mesmo bandidos para o quebra-quebra e para confrontos.

eunice

27/06/2013 - 18h47

Ouvi numa rádio comunitária da direita uma verdade!

… que já tivemos uma lei para inibir o telemarketing sem licença
mas foi revogada.Acreditem! Revogada!

Esse é o assalto que o Congresso nos faz.O cara vai lá e faz o conchavo contra o descanso e o sono popular. O Cocngresso o atende rapidinho. E quando o povo quer alguma mudança é um caos.Salafrários.
Sacripantas.

Responder

    Rodrigo

    27/06/2013 - 20h08

    Há que verificar se não foi o JUDICIÁRIO, queridinho da mídia que revogou esta lei. Em muitos casos a tal da interpretação “do texto da lei” leva a completa inutilidade de muitos paragrafos, incisos e etc. O judiciário é blindado e quando caga (ops…) a culpa acaba sobrando para ‘os políticos’.

    Eunice

    29/06/2013 - 14h12

    Grata do comentário. Eu não sou boa de Vadimecun.

    Mas vou tentar.

Edgar Rocha

27/06/2013 - 18h37

Até que enfim, alguém do meio universitário decidiu parar de passar a mão na cabeça dos aluninhos a falar sério sobre este assunto, mesmo que tardiamente. Não gostei do discurso da Marilena Chauí apoiando logo de início o “movimento” pela tarifa zero (refiro-me a um vídeo em outro post), admitindo com toda condescendência que o mote para a deflagração real das grandes manifestações fosse o projeto referente ao tema e demonstrando a crença de que os manifestantes tinham consciência do contexto em que se deu seu engavetamento no Governo Erundina. Lamento que ela tenha visto nas manifestações a oportunidade ideal pra cobrar isto do Haddad, mesmo sabendo das dificuldades para aprovar tal projeto (dificuldades hoje muito maiores do que na gestão Erundina, uma vez que não há mais CMTC e o cartel do transporte só fez crescer e se transformar em algo ainda mais inescrupuloso e perigoso). Considero que as manifestações só adquiriram grande proporção após a ocorrência de dois fatos: primeiro, a truculência desmedida da polícia, atingindo até representantes dos meios de comunicação, revertendo assim o discurso favorável à ação repressiva contra os manifestantes; segundo, a afirmação do próprio movimento de que seus atos não eram somente contra o aumento da tarifa, ampliando infinitamente a pauta (ou acabando com ela, melhor dizendo). Como defini em outro post, virou um samba do mauricinho doido, propício a todo tipo de cooptação e manipulação das massas e da própria imagem do movimento. Não fossem estes fatos, o movimento não passaria de um mero dia de trânsito conturbado na Av.Paulista. Por último, considerando o fato de que a maioria (ou ao menos a cara) do movimento era composta de jovens universitários, não é exagero relembrar a possibilidade de que o movimento como ação política tenha sido um claro exercício de metalinguagem sobre a dinâmica do meio acadêmico, ou seja, sem foco definido, atrelado a concepções e ações externas mal adequadas a realidade nacional e interpretadas (no sentido cênico) mal e porcamente, superficial em suas análises, elitista, excludente, inconsequente, fisiológico e, sobretudo, egocêntrico.

Responder

    Sérgio

    02/07/2013 - 13h39

    Parabéns!
    Concordo com sua abordagem e acrescentaria que a manifestação da mestra parece ser somente a de ter que participar para não desaparecer, uma vez que compilou a média das opiniões das mídias e não acrescentou absolutamente nada. Nem poderia depois da sua última aparição depredando a classe média com seu ponto de vista abobalhado, incoerente, demonstrando que sua religião PT-lulista extrapola as medidas e faz dela um mobile aleatório sem trajetória prevista. Não conseguiu ver que a movimentação ocorrida tomou um volume além dos R$0,20 ainda nas primeiras horas e a consequente manifestação avolumou-se pelo Brasil em um grande grito de NÃO ao desgoverno que aí está e tudo que consiste esta atuação, desde o Lula, analfabeto, no poder e sua capacidade de manipulação e corrupção. A DECÊNCIA GRITOU ALTO PELA BOCA DA CLASSE MÉDIA REPUDIADA PELA MESTRA… e fará um estrago tremendo, se não for atendida em cada anseio que este grito demonstrou. Veremos isso logo.

Luiz Fortaleza

27/06/2013 - 18h26

Eu tenho orgasmo intelectual com esta mulher.

Responder

FrancoAtirador

27/06/2013 - 18h22

.
.
Uma análise interpretativa e conclusiva sobre o ‘Movement’ feita pela Professora Marilena Chauí, com cuja interpretação compartilho integralmente, especialmente quanto à natureza ideológica simbólica ocultada pela Mídia Bandida, que conquistou corações e mentes juvenis em direção a um autoritarismo conservador neofascista:

EXCERTOS

Justamente porque uma nova possibilidade política está aberta, algumas observações merecem ser feitas para que fiquemos alertas aos riscos de apropriação e destruição dessa possibilidade pela direita conservadora e reacionária.

Comecemos por uma obviedade: como as manifestações são de massa (de juventude, como propala a mídia) e não aparecem em sua determinação de classe social, que, entretanto, é clara na composição social das manifestações das periferias paulistanas,
é preciso lembrar que uma [grande] parte dos manifestantes não vive nas periferias das cidades, não experimenta a violência do cotidiano experimentada pela outra parte dos manifestantes.

…[grande] parte dos manifestantes está adotando a posição ideológica típica da classe média, que aspira por governos sem mediações institucionais e, portanto, ditatoriais.
Eis porque surge a afirmação de muitos manifestantes, enrolados na bandeira nacional, de que “meu partido é meu país”, ignorando, talvez, que essa foi uma das afirmações fundamentais do nazismo contra os partidos políticos.

…se ouviu dizer nos meios de comunicação, que finalmente os jovens abandonaram a “bolha” do condomínio e do shopping center e decidiram ocupar as ruas (já podemos prever o número de novelas e mini-séries que usarão essa idéia para incrementar o programa High School Brasil, da Rede Globo).

… a maioria dos manifestantes aderiu à mensagem ideológica difundida anos a fio pelos meios de comunicação de que os partidos são corruptos por essência [aqui o especial destaque para o Mensalão do PT].

Como se sabe, essa posição dos meios de comunicação tem a finalidade de lhes conferir o monopólio das funções do espaço público, como se não fossem empresas capitalistas movidas por interesses privados.

Dessa maneira, a recusa dos meios de comunicação e as críticas a eles endereçadas pelos manifestantes [de esquerda] não impediram que grande parte [dos apartidários] aderisse à perspectiva da classe média conservadora difundida pela mídia a respeito da ética.

De fato, a maioria dos manifestantes, reproduzindo a linguagem midiática, falou de ética na política (ou seja, a transposição dos valores do espaço privado para o espaço público), quando, na verdade, se trataria de afirmar a ética da política (isto é, valores propriamente públicos), ética que não depende das virtudes morais das pessoas privadas dos políticos e sim da qualidade das instituições públicas enquanto instituições republicanas.

…assinalamos anteriormente o risco de apropriação das manifestações rumo ao conservadorismo e ao autoritarismo…

Entre os vários riscos dessa imaginação,
convém lembrar aos manifestantes que se situam à esquerda
que poderão colocar água no moinho dos mesmos poderes
econômicos e políticos que organizaram grandes manifestações
de direita na Venezuela, na Bolívia, no Chile, no Peru,
no Uruguai e na Argentina.

E a mídia, penhorada, agradecerá
pelos altos índices de audiência.
.
.
Talvez o único reparo a ser feito nas brilhantes colocações da Professora Marilena, seja em relação ao uso das Redes Sociais para convocação e articulação do ‘Movement’:
Twitter e Facebook (assim como mails) não se contrapõem aos Meios de Comunicação de Massa, porquanto são apenas novos instrumentos tecnológicos muito mais rápidos de transmissão de mensagens sucintas postadas em sites (manchetes e links), que por sua vez são controlados, redigidos e editados pelos meios convencionais, sobretudo jornais e revistas. A Televisão dá suporte áudio-visual para massificar uma idéia já pré-concebida nas redações (a filmagem de cartazes com clichês específicos, a angulação estratégica das câmeras…).
Foi precisamente desta forma que, por exemplo, a PEC 37 entrou na pauta das manifestações, até porque, a partir de quinta-feira, passaram a necessitar de uma outra demanda objetiva para substituir ‘transporte’, já que a reinvindicação se diluiu com o afastamento do MPL das ruas.
.
.
Fato é que poucos têm a percepção neste momento histórico

de que o Estado Brasileiro está a um fio da ruptura institucional.

Agora quem detém a hegemonia ideológica é a Direita Reacionária

E isto já se transferiu para a prática política dos três poderes

que se intimidaram pelo Tsunami Neofascista que inundou as ruas.
.
.

Responder

eunice

27/06/2013 - 18h11

Eu só teria a acrescentar que

quando o movimento já se movia

adultos foram marchar suas ruínas internas

muitas provocadas pelas telefonicas e telemarketings

que entram nas casas sem pedir licença através do fixo

e outras provocadas pelas lojas que fazem liquidações sempre falsas

ou com ao menos uma mentira. Nunca sem nenhuma mentira.Ou provocadas pelo “seu” banco.

Pois quando esses adultos foram pra passeata tinham em sua mente velha

algo assim generalizado :”isso que está aí” ” antes eu sabia quem era meu inimigo” ” ninguém faz nada”

Esses adulteros de si mesmos não conseguiam se lembrar de que
foram inúmeras vezes ao Procon e não conseguiram nada.E não analisaram.
foram inúmeras vezes ao Poupa Tempo, perder seu tempo. E não analisaram.
foram inúmeras vezes enganados pelo banco. E não analisaram.

Muitos ficarão surpresos ao saber que era um MPL, apenas.

Responder

eunice

27/06/2013 - 18h02

Um momento de licidez! Vou enviar para minha amiga, que marchou atrás do nada. Se ao menos fosse atrás do vento, seria mais poético.

Responder

    eunice

    27/06/2013 - 18h44

    … antes, eu quis dizer lucidez…e errei…
    ….e fui consertar e achei que licidez também é bom. Líquido!
    Momento ultra lúcido de Dra. Chauí.
    Momento líquido da política. Quando algo está líquido é possível mudar antes que se solidifique.

    eunice

    27/06/2013 - 19h40

    …. mais um motivo para a passeata dos velhos…..

    A dificuldade para cancelar serviços não solicitados. Metade dos brasileiros é traumatizada com este bullyng das empresas.

    A cabeça da classe média velha virou um liquidificador. Moeu todas as suas raivas e foi pra passeata.

    E continua tonta sem entender que depende de políticos safados.

marcelo

27/06/2013 - 17h35

Muito elucidativo o texto. Direto do meio do furacão e conseguiu ver tudo isso.
Um exemplo de pensamento mágico do povo:
Ainda me lembro das imagens do Fura-Fila que elegeu o Celso Pitta sucessor do Maluf. Ele governou S. Paulo de 1997 à 2000.
Aquele tipo de recurso tinha sido usado pela primeira vez em comunicação de campanhas eleitorias.
Agora o abacaxi que o fura-fila virou a gente pode ver até hj, aquel troço amarelo que dizem que vai chegar até algum lugar…
Sem esquecer os milhões que já gastamos com aquela ilusão de alguns…

Responder

Elias

27/06/2013 - 17h16

A Marílena Chauí, filósofa do PT apenas tenta dar um sentido para a manifestação através de categorias de análise do começo do século XX. Para ela, a manifestação não tem nenhum valor por que não tem nenhum lider que possa capitalizar para si próprio a luta de todos e vencer uma eleição posteriormente.

Essa mulher vai ficar para trás na história. Mais um pensamento caquético.

Responder

    Liz Almeida

    27/06/2013 - 20h10

    Elias = um claro exemplo do que é a direita.

    É triste saber que existem pessoas com esse nível de inteligência (ou a falta dela) na sociedade.

kalifa

27/06/2013 - 16h27

Os manifestantes estão as ruas porque podem, em tempos do fhc estariam nas ruas fazendo bico e pedindo pelo amor de Deus para comprar um pão caseiro porque era condição de sobrevivência!

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jaime

27/06/2013 - 16h26

Uma ótima análise, sem dúvida, que mostra acima de tudo a permanência no pensamento de Marilena Chauí, do ódio pela classe média, na medida em que se detém a expor o pretenso ódio da classe média pelas demais.
Antes, por que ela não se pergunta a razão de ser desse “ódio” que permeia a classe média?
Porque o governo teve mais de 10 anos para agir sobre a mídia e reformar as mentes dessa classe e não só não o fez como reforçou os estereótipos.
O grande sonho de ideólogos como Marilena Chauí é um país sem essa “classe média” odienta e burra e retrógrada, como a definem.
Mas isso não é possível, senão por outro motivo, porque classe média, com todos os seus paradigmas de pensamento – também é povo, ou seja, o povo está errado – troque-se o povo!
O governo do PT tinha a obrigação de denunciar a promiscuidade entre o público e o privado, os grandes ralos dessa corrupção oficializada que alimenta as GRANDES empresas. O que fez? Ampliou-a com as PPPs, a formação dos CAMPEÕES DO CAPITALISMO TUPINIQUIM, cujo ícone é o Eike Batista, e as privatizações. Falta dinheiro? Não, ele está indo para a Globo, para os juros da dívida pública, para tudo aquilo que a mídia não menciona mas é respeitada pela presidenta como a “imprensa livre”!?!?

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abolicionista

27/06/2013 - 16h11

Não queriam choque de capitalismo? Estão reclamando do quê?

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Felipe

27/06/2013 - 15h34

IPTU progressivo não é progressividade na renda como no IR, é o aumento do IPTU ao longo do tempo em imóveis vazios com o objetivo de forçar o valor do aluguel (ou da própria oferta de venda) pra baixo, para conter os efeitos nefastos da especulação imobiliária que cria a situação absurda do déficit habitacional ser menor ou igual ao número de imóveis vazios nas nossas metrópoles.
tirando isso, o texto é opinião da semana passada. as coisas estão andando bem mais rápido que antigamente. pro bem e pro mal.

Responder

PPP

27/06/2013 - 15h26

Ou tomamos a frente, ou saímos pelos fundos | TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”
http://www.tijolaco.com.br/index.php/ou-tomamos-a-frente-ou-saimos-pelos-fundos/

Ontem resisti à tentação de dar este título a um dos posts que escrevi.
Mas se existe alguma coisa que aprendi na vida sobre escrever é a prestar atenção ao que nos brota espontaneamente da cabeça, sem muitas elaborações.
À noite, depois de checar e rechecar informações, cumpri o penoso dever de informar que não haverá Constituinte exclusiva para fazer a reforma política. As razões jurídicas podem ser boas; as políticas foram péssimas e, potencialmente, desastrosas.
Péssimo, primeiro, porque coloca em risco e limita a necessidade nacional de remover as distorções que, junto com as deformações da mídia, tem sido o maior obstáculo  aos avanços de uma política de desenvolvimento e de justiça social em nosso país.
Em ambos os campos, mantivemos todas as práticas tradicionais – e conservadoras – de relacionamento.
De um lado, recusamos a polêmica com a mídia convencional que – embora deva ser respeitada – deve estar longe de constituir o canal único de comunicação entre Governo e povo. Se jornal nenhum ou apenas a  tevê bastam para que ambos se comuniquem, muito menos ainda uma mídia oligopolizada e hostil – ao ponto de uma  afirmar que é ela própria a única oposição no Brasil – cumprirá este papel.
Marqueteiros e assessores de imprensa – e quem fala já trabalhou nos dois papéis – são auxiliares circunstanciais, extremamente úteis na forma de dizer, mas não substituem, nos líderes, convicções e conteúdos. Menos ainda a luta política que se trava a médio e longo prazo para mudar o Brasil.
Mudar o Brasil não se fará com espasmos de comunicação direta, com consequentes mobilizações esporádicas, ambos restritos aos períodos de campanhas eleitorais.
Exige que o governante, o líder, esteja -com todas as formas a seu alcance – falando com a população e, ao lado dela, travando a polêmica sobre cada política pública e cada embate político que sua adoção exige.
De outro lado, deixamos nos manietar pela necessidade – e é necessidade – da formação de uma ampla base parlamentar, como se isso bastasse para conduzir as mudanças no parlamento. Não é, porque, imensa, a base é amorfa, flácida, renitente, chantagista e sólida como uma geléia.
Nela, perdemos nossa identidade e levamos ao desânimo e à exaustão os que permanecem firmes, que passam a ser vistos como radicais e dissolventes. Dizemos à vanguarda: juntem-se ao atraso e não aborreçam!
A pretensão à unanimidade, para não reproduzir a frase célebre de Nélson Rodrigues, é uma armadilha perigosa.
Para sermos aceitos por todos é preciso sermos nada e  não sermos o que somos: transformadores.
Pior ainda, é precária, porque entregamos aos nossos adversários o “poder” de nos legitimar – paradoxalmente, porque isso veio justamente do confronto vencido com eles – e eles, cedo ou tarde, nos tirarão a legitimidade.
A história é pródiga em exemplos.
Jango recuperou seus poderes presidenciais em janeiro de 1963, num plebiscito onde teve 92% dos votos. Menos de 15 meses depois foi derrubado por mídia, militares e classes médias, diante de um povo atônito, desmobilizado – ou tarde demais mobilizado – por não compreender porque o programa reformista não se definia no Congresso, depois de ter tirado deste e entregue ao Presidente, o poder conferido pelo voto – e por tantos votos.
Lula, consagrado em 2002, tratado como unanimidade nos primeiros anos – em boa parte graças à política de compromisso expressa na tal “Carta aos Brasileiros”  – balançou em 2005 com a CPI dos Correios e o escândalo no qual a mídia endeusou uma figura da estirpe de Roberto Jefferson. Salvou-o, nas eleições de 2006, o discurso nacionalista tão recusado antes como “arcaico”, que permitiu despertar no povo o horror à entrega do país, que jazia inexpresso por anos de políticas neoliberais.
O que consagrou Lula e conduziu Dilma ao Governo, senão o significado intrínseco a ambas as figuras, o operário e a combatente, como capazes de efetivar mudanças, a maior delas a elevação dos salários e a inclusão de imensas camadas do povo brasileiro no mundo do consumo, que é o direito moderno da cidadania?
Mas, a seguir, aceitamos placidamente o discurso de nossos adversários e, talvez agora, nossos algozes.
Deixamos, na busca da unanimidade, a “faxina” ser o centro de nossa imagem, quando a honradez de nossos propósitos é que se constitui no cerne de nosso sentido. A governante menos tolerante e impiedosa com a corrupção que este país já teve é, por conta da necessidade de a todos agradar, lançada no vórtice de uma generalizada falta de ética e compromisso popular de políticos e governantes da “base aliada”, onde até mesmo os que não são assim sentem a necessidade de abrandar-se e “não chacoalhar” o status quo.
Mas isso é reflexão e reflexão só tem sentido quando norteia a ação. Somos militantes, não personagens do reino da quinta-essência de Rabelais, que nos dediquemos a coisas diletantes como medir o salto das pulgas.
Para podermos prosseguir neste grande e generoso projeto de mudanças na vida brasileira, para seguirmos mudando o Brasil, precisamos mudar, também.
Não podemos esquecer que dissemos ao povo que não tínhamos medo da felicidade, assim como não podemos ter medo das ruas, embora esteja mais do que evidente a presença de pessoas e conteúdos de direita e de provocação.
É preciso corresponder ao que despertamos.
Não basta, no plebiscito, nos debatermos por questões técnicas – embora com conteúdo político fortíssimo – como a de voto distrital ou financiamento de campanhas.
É preciso de uma “cara” para o que significamos.
Essa cara é o enxugamento da hipertrofia de nosso poder Legislativo, gerada justamente pela ditadura que, por essa via, diluir e corromper a representação política.
A rigor, o regime autoritário “distritalizou” o voto proporcional e fez crescer o paroquialismo e o fisiologismo do “vou trazer verbas para nossa cidade”, como sendo essa a missão do parlamentar e não a representação de ideias e conviçcões. Até nos partidos, internamente, isso gerou “feudos” e distorções.
A população entende isso claramente e não foi outra coisa que tornou célebre, a ponto de inspirar música, os “300 picaretas” de que Lula falou, em 1993:
“Há no congresso uma minoria que se preocupa e trabalha pelo país, mas há uma maioria de uns trezentos picaretas que defendem apenas seus próprios interesses”.
A reação do Congresso foi violenta e conseguiram mesmo censurar a execução da música nas rádios. Mas não conseguiram, nem antes nem agora, tirar das ruas o sentimento de que Lula tinha razão.
Lula tinha razão e só ele pode personificar, diante do povo brasileiro, o sentido prático de uma reforma política. Um congresso mais enxuto e de ideias, que não se perca em mordomias, paroquialismo e fisiologismo e cumpra sua missão de expressar o desejo de mudança da população em todos os dias, e não apenas, como agora, conduzido sob vara pelas ruas.
Só ele pode fazer o que Dilma não pode, até pela sua condição de Chefe de Estado, fazer.
Ou lutaremos, como ele propôs, como leões, ou sairemos como coelhos assustados e atônitos.
Perdidos no tecnicismo ou em constitucionalismos vagos, a mídia conservadora vai pautar o debate e impor as soluções que lhe garantam, mais até do que agora, o controle do poder Legislativo.
E, de uma e de outro, continuaremos refém, por mais que o povo brasileiro nos dê, pelo voto, a sua confiança.
Porque, num instante, essas duas forças conservadoras nos retirarão desta posição, se não travarmos luta nesses campos e acharmos que governar é gerir bem, apenas.
Não é, é preciso travar a luta política.
A qualquer preço, como é o exemplo mais dramático o Getúlio de 54, que exorcizou o golpe, por 10 anos.
Ou seremos devorados, massacrados, aniquilados por anos, como fomos em 1964.
A escolha é entre lutar ou morrer, ninguém se iluda.

Responder

    FrancoAtirador

    27/06/2013 - 19h18

    .
    .
    A esta altura, já não se sabe mais

    se o Lula poderá reverter o quadro

    que se apresenta, logo ali, trágico.

    Mas é a única alternativa notável

    que se vislumbra viável no momento.
    .
    .
    É preciso urgente uma liderança vir a público

    para dizer à maioria da população brasileira,

    que assiste imóvel e atônita essa loucura toda,

    que esse ‘Movement’ é uma grandissíssima Mentira

    uma enorme farsa montada por quem quer o retrocesso

    econômico e social do Brasil, sob o lema nazista:

    ‘Meu Partido é Meu País’.
    .
    .
    Não se enganem!

    Quem está nas ruas não é o Povo Brasileiro!
    .
    .

    FrancoAtirador

    27/06/2013 - 19h35

    .
    .
    Detalhe

    Dilma Rousseff está politicamente isolada

    e não tem os instrumentos de Comunicação

    necessários à reversão do quadro negativo

    que foi instalado e generalizado pela Mídia,

    inda mais agora que as Centrais Sindicais

    e os Movimentos Sociais lhe negaram apoio,

    reforçando o côro de que ‘o gigante acordou’

    e ‘tem que mudar tudo isso que esta aí’.
    .
    .

    FrancoAtirador

    27/06/2013 - 19h40

    .
    .
    Também é importante ressaltar

    que essa tal de ‘base aliada’

    não é e nem nunca foi aliada,

    muito menos base de sustentação.

    No campo partidário, já era…
    .
    .

    Marcos

    27/06/2013 - 22h24

    Marilena gostei mas……diga me:

    ” Collor partiu das mesmas afirmações feitas por uma parte dos manifestantes (partido político é coisa de “marajá” e é corrupto) e se apresentou como um homem sem partido. Resultado: a) não teve quadros para montar o governo, nem diretrizes e metas coerentes e b) deu feição autocrática ao governo, isto é, “o governo sou eu”. Deu no que deu.”

    Marilena, deu no que a mídia deu, “caras pintadas”, deposição do primeiro presidente eleito pós ditadura, “ditabranda”, como uns querem. Ver a deposição do Collor como resultado dos seus equívocos, entendo que, contribui para a desmoralização das instituições Republicanas e o sucesso dos que consolidaram a sua destituição – meios de comunicação, psdb, implantação do plano neoliberal, para nos dias de hoje existir processo do Mensalão, movido no TSE, fundamentado na teoria de fato.

Messias Franca de Macedo

27/06/2013 - 15h20

[AINDA SOBRE Marilena Chauí: O inferno urbano e a política do favor, clientela, tutela e cooptação]

O QUE ‘AS VOZES DAS RUAS’ TÊM A DIZER?!… ESSE PMDB!… ESSA REDE GLOBO!…

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Decreto de Cabral beneficiou Huck, cliente de sua mulher
Enviado por luisnassif, qui, 27/06/2013 – 11:23
Por Walter Serralheiro.’.
Comentário ao post “O Senhor Crise abre a caixa preta dos ônibus”
Prezado Nassif,
Recebo em meu facebug a notícia de que o governador Sérgio Cabral legalizou por decreto a casa que Luciano Huck construiu em área de preservação ambiental. A advogada de Luciano Huck é Adriana Ancelmo. Adriana Ancelmo é também advogada do Metrô e da Supervia, concessionária dos trens do Rio.
47 empresas de ônibus (incluindo 25% da frota do Rio) pertencem a Jacob Barata. Jacob Barata é pai de Adriana Ancelmo. Correção: Como alertado neste link pelo comentarista Tomás Rosa Bueno, Adriana Ancelmo não é filha de Jacob Barata
Adriana Ancelmo é casada com Sérgio Cabral.
Destaca-se aqui que o sogro do governador do Rio é dono de 25% da frota de ônibus que circula na Cidade Maravilhosa. Se este fato for verdade, qualquer outro comentário faz-se desnecessário.
Mas, o que que o povo está fazendo na rua mesmo?
Do Estadão
Decreto de Cabral favoreceu cliente de sua mulher em Angra
Escritório defende Luciano Huck, que teve obra embargada no município…
(…)

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/decreto-de-cabral-beneficiou-huck-cliente-de-sua-mulher

Responder

Carlos Pinheiro

27/06/2013 - 15h19

Violência urbana com soluções bem encaminhadas? A cada dia não só o crime grassa mais nas grades e médias cidades como adquire requintes de crueldade. Só alguém desconectado da realidade ainda não percebeu isso.

Responder

RAPHAEL

27/06/2013 - 15h13

Valeu Marilena. Os nazistas e ignorantes estão nas rua.

Responder

Marina Lacerda: A quem interessa o voto distrital? - Viomundo - O que você não vê na mídia

27/06/2013 - 15h09

[…] Marilena Chauí: O inferno urbano e a política do favor, clientela, tutela e cooptação […]

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