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Fabrício de Oliveira: Tucano gastou R$ 1 bi com a mídia em sete anos

15 de outubro de 2014 às 17h07

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13/10/2014 12:33

Governo Aécio em Minas: a arte e as técnicas da ludibriação

A dívida do estado, que saltou de R$ 32,9 bilhões, em 2002, para R$ 79,7 bilhões, em 2013, indicador inequívoco de um estado com contas desequilibradas, foi omitida do público durante toda a gestão do PSDB, desde 2003, e escondida por meio de um truque contábil

por Fabrício de Oliveira, no Brasil Debate

Nas propagandas, o governo de Minas Gerais aparece retirando a população do estado do “inferno” em que a levou a administração Itamar Franco (1999-2002) e conduzindo-a ao paraíso da máxima felicidade de Aécio Neves e de seu sucessor, Antônio Anastasia, tornando-o “melhor lugar do Brasil para se viver”.

Um crescimento econômico capaz de causar inveja ao País, um estado saneado financeiramente, políticas sociais que o colocam na dianteira dos demais, em termos de indicadores de eficiência e de resultados, são algumas dessas conquistas alcançadas com a implementação do programa de governo conhecido como “Choque de Gestão”.

Em trabalho recentemente publicado com o título “Choque de Gestão e as técnicas de cooptação, controle e manipulação aplicadas no Estado de Minas Gerais, desde 2003”, João Batista Soares aponta três técnicas, todas de origem inglesa, utilizadas pela iniciativa privada para “vender seu produto”, as quais, adaptadas para a administração pública do estado na montagem deste programa, foram transformadas em sofisticados instrumentos de ludibriacão. São elas:

i) a do benchmarking, que simplificadamente significa a identificação de projetos de grande aceitação popular (educação, saúde, segurança pública, por exemplo) e a associação de sua paternidade ao governo, mesmo que apenas “pegando carona” nos existentes, visando a tirar proveito de seus resultados;

ii) a da “Análise SWOT e Verificação de Risco”, sinônimo das siglas inglesas Strengts, Weakness, Oportunities e Threats, que significam forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, com a qual se busca, de um lado, identificar as ações que devem ser realizadas para tirar o máximo proveito das oportunidades e dos pontos fortes; e, de outro, neutralizar as ameaças e os pontos fracos do programa, seja omitindo-os, seja combatendo as notícias negativas, quer por meio da cooptação dos agentes, quer pela coação, assédio e até mesmo demissão de jornalistas ou servidores que se oponham ou denunciem suas fraquezas;

iii) a técnica da “Análise Stakeholder”, que complementa as duas anteriores, e que implica a identificação de partes interessadas e de pessoas que são determinantes para o sucesso do projeto estratégico ou político, ou seja, dos que devem ser cooptados (mídia, agentes públicos e funcionalismo público mais graduado) ou punidos em caso de fazerem críticas ao programa (jornalistas, funcionalismo, intelectuais etc.).

Na Minas Gerais do mundo real, isto é, fora das propagandas do governo, o crescimento do PIB do estado, com média anual de 3,29% ao ano, entre 2003 e 2013, foi inferior à do Brasil, que atingiu 3,8% a.a., no mesmo período. Mas, seguindo o script das técnicas empregadas, o governo sempre se pautou por omitir o seu desempenho quando este não foi favorável e por divulgar, com grande alarde, os resultados alcançados, quando estes registram melhores números que os do País.

A dívida do estado, que saltou de R$ 32,9 bilhões, em 2002, para R$ 79,7 bilhões, em 2013, indicador inequívoco de um estado com contas desequilibradas, foi omitida do público durante toda a gestão do PSDB, desde 2003, e escondida por meio de um truque contábil propiciado pela contabilidade pública, que fornece aos interessados em mascarar a realidade de seu desempenho fiscal, o conceito enganoso de resultado orçamentário, com o qual se pode transformar uma situação de fortes desequilíbrios fiscais em outra de equilíbrio ou até mesmo de superávits.

Nas políticas sociais, se a situação do ensino fundamental no estado é a melhor do País e, a da saúde, a melhor da região Sudeste, como o governo insistentemente divulga, são outros os principais agentes responsáveis por estes resultados: os municípios, a quem cabe principalmente a oferta do ensino fundamental, e o governo federal, por meio de recursos do SUS, e também os municípios, que destinam percentuais mais elevados de suas receitas (15%) para o financiamento da saúde que o estado (12%).

Se dependessem do governo do estado, provavelmente essas áreas estariam em situação precária, pois o mesmo, adepto da “contabilidade criativa”, sempre destinou para o seu financiamento percentuais menores que os estabelecidos pela Constituição.

Tanto isso é verdade que este teve de firmar, em 02/05/2012, com o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG), com o qual se comprometeu a atingir, gradualmente, até 2014, os percentuais de recursos previstos constitucionalmente para as áreas da saúde e da educação, que, naquele ano, deveriam atingir 9,68% e 22,81%, respectivamente.

O crescimento espantoso dos índices de criminalidade no estado, especialmente nos últimos anos, confirma a “prioridade” conferida pelo governo às políticas mais importantes demandadas pela população.

Fica claro que para as técnicas empregadas funcionarem é necessário contar com o apoio indispensável da imprensa (um dos agentes-chave que se deve cooptar). Para isso, o governo destinou, segundo a revista Mercado Comum, recursos para publicidade que montaram a R$ 1 bilhão (R$ 140 milhões/ano)nos sete primeiros anos do Governo Aécio, praticamente o custo da construção da Cidade Administrativa.

Com essa montanha dinheiro, os ensinamentos de Goebbls de que uma “mentira repetida cem vezes torna-se verdade” puderam ser explorados com competência, eficiência e brilhantismo. A isso se reduz, de fato, o tão propalado “Choque de Gestão” que se propõe implementar também no Brasil.

*Doutor em economia pela Unicamp, membro da Plataforma de Política Social e autor, entre outros, do livro “Dívida pública do Estado de Minas Gerais: a renegociação necessária”, de 2012

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8 Comentários escrever comentário »

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Urbano

16/10/2014 - 14h17

Perdulários são aqueles que definham os seus próprios bens; já os que definham os bens alheios, esses vêm a ser outra coisa e bem pra lá de perniciosa…

Responder

Willer

16/10/2014 - 07h44

Fabrício, de acordo com a tabela abaixo, construída a partir de dados obtidos na página do Banco Central, que trata do Endividamento de Estados e Municípios, constata-se que a dívida do Estado de Minas cresceu mais de 120% no mandato do Aécio e que os recursos foram tomados emprestados de bancos públicos e privados. Contudo ressalta-se que, apesar de que os empréstimos tomados junto aos bancos públicos tenham crescido quase 5000%, junto aos bancos privados ultrapassou 12.000%. O que leva à conclusão de que, quaisquer sejam os motivos, os bancos privados foram os grandes beneficiados pela forma perdulária com que o candidato a presidência Aécio Neves governou Minas Gerais.

Credores
Período Tesouro Nacional Instituições financeiras públicas Instituições financeiras privadas Total
12/2001 R$ 28.603.624.710,23 R$ 110.019.509,44 R$ 10.137.454,71 R$ 28.723.781.674,38
12/2002 R$ 32.640.476.206,47 R$ 131.253.724,74 R$ 89.924.172,38 R$ 32.861.654.103,59
12/2003 R$ 35.377.643.171,00 R$ 753.981.845,33 R$ 655.668.916,38 R$ 36.787.293.932,71
12/2004 R$ 40.249.952.120,37 R$ 884.040.890,62 R$ 1.202.133.941,53 R$ 42.336.126.952,52
12/2005 R$ 40.390.806.225,32 R$ 1.097.299.495,38 R$ 2.331.790.371,05 R$ 43.819.896.091,75
12/2006 R$ 42.607.407.043,82 R$ 2.323.504.853,72 R$ 2.302.663.171,11 R$ 47.233.575.068,65
12/2007 R$ 45.869.640.030,56 R$ 2.373.682.373,77 R$ 2.215.329.648,29 R$ 50.458.652.052,62
12/2008 R$ 51.440.183.977,64 R$ 2.762.172.401,75 R$ 1.988.849.341,55 R$ 56.191.205.720,94
12/2009 R$ 50.858.513.238,09 R$ 4.005.126.312,68 R$ 1.669.793.602,20 R$ 56.533.433.152,97
12/2010 R$ 56.732.264.591,33 R$ 5.270.534.643,88 R$ 1.260.072.819,94 R$ 63.262.872.055,15

Variação 98,34% 4.690,55% 12.329,87% 120,25%

(fonte: http://www4.bcb.gov.br/fis/dividas/lmunicipios.asp?estado=MG&restart=00000000000)

Responder

Mancini

15/10/2014 - 21h09

A menina e o menino foram generosos na seleção da imagem. Aproveito desse espaço e na maior cara de pau, fazer o meu comercial… em http://rf10consumidorsabido.blogspot.com.br

Responder

Luís CPPrudente

15/10/2014 - 19h03

E quanto o playboy gastou com a valorização salarial dos servidores públicos de Minas Gerais?

Responder

FrancoAtirador

15/10/2014 - 18h42

.
.
Esse é o PSDB que a gente conhece!
.
.
qua, 15/10/2014 Julio Silveira

E não existe outro.
.
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Responder

    Luís CPPrudente

    15/10/2014 - 19h34

    É esse mesmo PSDB que apoia um homem que bate em mulher?

    É esse mesmo PSDB que apoia o nepotismo?

    É esse mesmo PSDB que quer como ministro da fazenda um cara que tem dupla cidadania, brasileira e estadunidense?

    FrancoAtirador

    15/10/2014 - 19h56

    .
    .
    “Governo Aécio em Minas: A Arte e As Técnicas da Ludibriação”

    “… é necessário contar com o apoio indispensável da Imprensa
    (um dos agentes-chave que se deve cooptar).

    Para isso, o Governo [do PSDB] destinou,
    segundo a revista Mercado Comum,

    Recursos para Publicidade que montaram

    a R$ 1 BILHÃO (R$ 140 milhões/ano)

    nos sete primeiros anos do Governo Aécio,

    praticamente o custo da construção
    da Cidade Administrativa.

    Com essa montanha dinheiro, os ensinamentos de Goebbls
    de que uma “mentira repetida cem vezes torna-se verdade”
    puderam ser explorados com competência, eficiência e brilhantismo.
    A isso se reduz, de fato, o tão propalado “Choque de Gestão”
    que se propõe implementar também no Brasil.
    .
    .

Silvano

15/10/2014 - 17h58

Não vi novidade. Pelo que o bandido do,aercim diz, tudo é culpa do Dr. Itamar que entregou a ele um estado falida. Tem que ser bandido para tratar um homem como Dr. Itamar deste jeito. Sou Pernsmbucano mais sei o quanto o Itamar lutou contra este tucanalha na época das privatizações. Acusar um morto e muito fácil pará qualquer bandido. Ainda bem que o POVO Mineiro acordou deste pesadelo de bandidagem e manipulação efetuado por este marginal.

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