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Exclusivo: Jornalista mineiro informou Janot sobre fundação ligada a Aécio Neves em Liechtenstein em março de 2015; revista Época escondeu o assunto por 3 anos e quatro meses

10 de abril de 2016 às 22h19

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Aécio e a irmã Andréa, acusada de ameaçar prender jornalista caso ele publicasse a denúncia; Vaduz, em Liechtenstein, também era sede da Sanud, empresa de fachada de Ricardo Teixeira; Aécio de mãos dadas com a mãe e ao lado da bilionária Angela Gutierrez, uma das herdeiras da empreiteira Andrade Gutierrez

por Conceição Lemes

Neste momento, certamente, milhares de brasileiros gostariam de perguntar ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot:

1) Por que apesar de o senador Aécio Neves, presidente Nacional do PSDB, ter sido citado por vários delatores na Operação Lava Jato, o senhor até hoje não abriu nenhum inquérito para investigá-lo?

2) Por que tamanha inação da PGR em relação ao seu conterrâneo tucano, considerando o enorme passivo judicial dele, guardado nas gavetas do Ministério Público e do Tribunal de Justiça de Minas Gerais?

Entre esses brasileiros, está o jornalista mineiro Marco Aurélio Flores Carone, que editava o site NovoJornal, onde publicava denúncias sobre os tucanos mineiros, especialmente Aécio, que governou Minas de 2003 a 2010.

Em 20 de janeiro de 2014, Carone foi preso. Seu jornal literalmente saqueado pela polícia de Minas: computadores, pen-drives, impressoras e documentos apreendidos sequer foram relacionados.

Ficou encarcerado até 4 de novembro de 2014, no complexo penitenciário segurança máxima Nélson Hungria, em Contagem, região metropolitana de BH.

Detalhe: nos três últimos meses, permaneceu incomunicável.

Na época da prisão de Carone, o bloco parlamentar Minas Sem Censura (MSC) denunciou: foi armação e teve a ver com o mensalão tucano e a Lista de Furnas no contexto das eleições de 2014.

Mas não foi apenas por causa desses dois escândalos.

“Minha prisão teve a ver não só com denúncias anteriores, mas principalmente com as que eu iria fazer na sequência; uma delas era justamente sobre a Operação Norbert e a conta da família de Aécio no paraíso fiscal de Liechtenstein”, denuncia Carone ao Viomundo.

“Aécio, a mãe, dona Inês Maria, a irmã, Andréa, tinham conhecimento da matéria, pois haviam sido consultados pelo Novojornal, para dar as suas versões das denúncias que iríamos publicar”, prossegue.

“O procurador-geral da República, doutor Rodrigo Janot, sabe disso há mais de um ano”, frisa o jornalista. “Em notificação (na íntegra, ao final) que lhe enviei em 23 de março de 2015, dou os detalhes.”

DELAÇÃO DE DELCÍDIO: FURNAS E BENEFICIÁRIO DE CONTA EM PARAÍSO FISCAL

Em delação premiada homologada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF) e divulgada em 15 de março de 2016, Delcídio do Amaral, ex-líder do governo Dilma no Senado, trouxe o senador Aécio Neves (PSDB-MG) para o centro da Lava Jato.

Delcídio fez duas acusações.

Uma, bastante antiga e conhecida: a de que Aécio recebia propina de Furnas, confirmando o que o doleiro Alberto Yousseff delatou.

O Viomundo denunciou esse esquema, bem como a Lista de Furnas, que sustentou a campanha eleitoral dos tucanos de 2002. Por exemplo, aqui, aqui, aqui e aqui.

“Em 2002, Aécio amealhou R$ 5,5 milhões [em valores atuais, cerca de R$12,3 milhões] apenas para ele”, observa o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG). “Nas provas, também tem o dinheiro que foi para José Serra e para Alckmin.”

Janot e o seu antecessor na PGR, Roberto Gurgel, receberam diversas representações de parlamentares de Minas Gerais, pedindo-lhes que investigasse as denúncias.

Janot faz como Gurgel fez: mantém a Lista de Furnas e outras denúncias contra Aécio na gaveta.

A novidade na delação de Delcídio – embora não inédita – é a de que Aécio seria beneficiário de uma fundação sediada em Liechtenstein, paraíso fiscal na Europa, chamada Bogart & Taylor.

Menos de 24 horas depois, a revista Época publicou reportagem de Diego Escosteguy a respeito: Documentos revelam que doleiro abriu conta secreta da família de Aécio Neves em Liechtenstein.

Aécio - conta em inglês beneficiário

De acordo com documento acima, publicado por Época, dona Inês Maria Neves Faria, mãe de Aécio, é a principal beneficiária da Fundação Bogart & Taylor, no Banco LGT, em Liechtenstein.

Em caso de falecimento, 100% dos seus direitos passariam para o filho Aécio Neves.

Em caso de Aécio morrer, 50% iriam para a sua filha Gabriela Falcão Neves Cunha, para sua irmã Andréa Neves Cunha caberiam 25% e os outros 25% para Ângela Neves Cunha, a irmã caçula.

De pronto, o perspicaz Fernando Brito observou no Tijolaço:

Pela extensão e riqueza de detalhes da matéria publicada esta manhã pela Época, detalhando aos escaninhos da conta de uma fundação “fantasma”, a Bogart e Taylor, no banco LGT, do principado de Liechtenstein, um paraíso fiscal europeu, não foi escrita de ontem para hoje.

Estava pronta, apenas decidiu-se adaptar e publicar.

Até porque o assunto não é novidade: Luís Nassif o publicou em janeiro de 2015. Há mais de um ano, portanto.

Bingo. Bingo. Bingo.

Em 2 de janeiro de 2015, em A pá de cal na carreira política de Aécio, Nassif publicou em primeira mão que a família de Aécio Neves havia sido pega na Operação Norbert, da Polícia Federal (PF).

Deflagrada em 8 de fevereiro de 2007 para apurar denúncias de lavagem de dinheiro, a PF fez busca e apreensão no escritório e na residência do casal de doleiros Norbert Muller (daí o nome da operação) e Christine Puschmann, na cidade do Rio de Janeiro.

Nassif revelou:

(…) os procuradores encontraram na mesa dos doleiros uma procuração em alemão aguardando a assinatura de Inês Maria, uma das sócias da holding Fundação Bogart & Taylor — que abriu uma offshore no Ducado de Liechtenstein.

Os procuradores avançaram as investigações e constataram que a holding estava em nome de parentes de Aécio Neves: a mãe Inês Maria, a irmã Andréa, a esposa e a filha.

Desde o final de 2012, a Época sabia disso – e muito mais! –, mas nada publicou até 16 de março de 2016, após a delação de Delcídio.

Foram três anos e quatro meses na gaveta do “não vem ao caso”, da revista semanal da Globo.

OPERAÇÃO NORBERT: CASO DE AÉCIO É O ÚNICO AINDA NÃO JULGADO

A Operação Norbert foi conduzida pelos procuradores Marcelo Miller, Fabio Magrinelli e José Schetino.

Em meio ao papelório dos doleiros, eles encontraram documentos que conduziram a duas offshores em paraísos fiscais do desembargador aposentado Manoel Carpena Amorim, o ex-todo poderoso corregedor do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

Entre 2005 e 2006, sem aparecer como o verdadeiro dono das contas, Carpena depositou US$ 478 mil no LGT Bank (principado de Liechtenstein) e no UBS Bank (Suíça).Confira aqui e aqui.  Tanto que não declarou os valores ao Banco Central e à Receita Federal no Brasil.

Com o desenrolar dos trabalhos, o procuradores tiveram outra grande surpresa: a Fundação Bogart & Taylor, que abriu uma offshore em Lichtenstein. Estava em nome de parentes de Aécio Neves: a mãe Inês Maria, a irmã Andréa, a então esposa e a filha.

Devido a essas descobertas, eles desmembraram o inquérito principal em três processos:

1) o dos doleiros, tocado pelos procuradores Marcelo Miller, Fabio Magrinelli e José Schetino.

2) o do desembargador Amorim Carpena, que ficou a cargo do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro;

3) o caso da família de Aécio Neves, àquela altura das investigações já senador, foi encaminhado para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que o deixou na gaveta, como “herança”, para Janot.

O desembargador e os doleiros já foram julgados e declarados culpados.

Em outubro de 2012, a Justiça Federal condenou Carpena a dois anos e meio de prisão e multa (R$76 mil) por crime contra o sistema financeiro. Sem antecedentes criminais, teve a prisão substituída por prestação de serviços à comunidade. Recorreu, mas a sentença foi confirmada.

Em 20 de abril de 2009, os procuradores denunciaram três integrantes da família do doleiro Norbert Muller, que falecera recentemente: a viúva Christine Puschmann e as filhas Christine Muller e Ingrid Maria Muller.

Em 10 de abril de 2013, elas foram condenadas a multa pecuniária e a reclusão: Christine Puschmann pegou quatro anos, e as filhas, dois anos e quatro meses. Mas, como sempre para este tipo de público, em regime aberto.

O único caso não julgado é o da família de Aécio, apesar de decorridos nove anos da deflagração de Operação Norbert.

Em 23 de março de 2015, Marco Aurélio Carone protocolou em Belo Horizonte, no Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais, uma notificação (na íntegra, ao final) ao PGR Rodrigo Janot.

Notificação - protocolo-003

O jornalista-notificante põe o dedo na ferida:

“Senhor Procurador-Geral chega a assustar o fato da operadora do esquema criminoso e um desembargador já terem sido investigados, processados, julgados e condenados, enquanto o senador Aécio Neves e seus familiares permanecem impunes e intocados”.

Além de censurado – o site NovoJornal continua fora do ar –, Carone permaneceu preso por nove meses e 20 dias.

Fiquei em condições sub-humanas, sendo que nos últimos três últimos meses – justamente no período eleitoral –, em isolamento absoluto. Tudo sem qualquer condenação”, denunciou ao Viomundo em junho de 2015 .

“Meu crime: Publicar matérias que denunciavam o esquema criminoso e corrupto montado por Aécio em Minas Gerais”.

“ANDRÉA CHEGOU A SUGERIR QUE EU FIZESSE COMO A REVISTA ÉPOCA EM 2012”

Na notificação a Janot, Carone relata o que aconteceu nos dias que antecederam ao seu encarceramento:

O notificante foi preso preventivamente, em janeiro de 2014, a pedido do MPMG, permanecendo nesta condição por nove meses e vinte dias na Penitenciaria de Segurança Máxima Nélson Hungria no município de Contagem, Minas Gerais, tudo, sem qualquer condenação. A justificativa: “manutenção da ordem pública e no intuito de evitar que fossem publicadas matérias que poderiam interferir nas eleições presidenciais”. Foi solto três dias após a eleição por: “excesso de prazo” (veja PS 1 de Viomundo).

Dez dias antes de sua prisão, surpreso, o requerente foi visitado pela senhora Andréa Neves, irmã do Senador Aécio Neves, em seu portal jornalístico. O intuito era “determinar” que diversas matérias, já pautadas, não deveriam ser publicadas. Os temas já eram de seu conhecimento uma vez que sua mãe, sua filha, seu irmão e sua sobrinha já tinham sido consultados por Novojornal para dar suas versões sobre os fatos que seriam noticiados.

Não era a primeira vez que a senhora Andréa tentava interferir na pauta do Novojornal. A conversa foi áspera, como nas demais vezes foi lhe informado que as matérias seriam publicadas, pois tínhamos toda documentação que comprovavam os fatos. Oferecendo a mesma a oportunidade de apresentar sua versão. Na ocasião a mesma disse textualmente: “você não vai publicar estas matérias, vou ficar livre de você”. “Você agora está mexendo com minha família”.

Dois dias depois o notificante recebeu em seu portal eletrônico a visita de um desembargador do TJMG [Veja PS2 do Viomundo], fato sob análise do CNJ, informando-lhe que se insistisse na publicação das matérias seria preso. Como tais ameaças eram comuns desde 2008, o notificante deu pouca importância. Porém, os fatos ocorridos posteriormente comprovam que o desembargador estava certo.

Uma das matérias que seriam publicadas relatava o ocorrido na “Operação Norbert” da Polícia Federal, Processo nº 503145-62.2005.4.02.5101 (2005.51.01.503145-3) (2005.51.01.503175-1) (2005.51.01.538314-3), (2009.51.01.810379-1 Inquérito Policial nº 12-208/08-DELEFIN/SR/SP), 2007.51.01.809024-6 Inquérito Policial nº 8/2007-DFIN/DECOR/DPF, (2007.51.01.807393-5), tudo conforme sentença do Juiz Federal substituto Dr. Tiago Pereira Macaciel.

“Lembro como se fosse hoje. Dez dias antes de eu ser preso, Andréa Neves foi-me visitar, de surpresa, no NovoJornal. Ela chegou a sugerir que deveríamos adotar o procedimento da revista Época, que, após ter acesso ao inquérito e ao processo, não publicou nada sobre a sua família”, reforça Carone.

“A sugestão da Andréa ocorreu após eu lhe mostrar que minha matéria tinha fundamentação documental”, relembra. “Mostrei que tinha a mesma documentação que a Justiça havia disponibilizado para a revista Época, no final de 2012.”

“Neste momento, a Andréa falou que, assim como ocorrera com a revista Época, eu não deveria noticiar nada sobre sua família e a conta no paraíso fiscal de Liechtenstein”, expõe Carone. “Foi uma conversa muito áspera.”

Carone expõe isso também a Janot na notificação:

Como demonstrado após a decisão do juiz da 5ª Vara Criminal, liberando cópia da ação para Revista Época, e a confissão da mesma que já tivera acesso ao inquérito da Polícia Federal, não havia nenhuma ilicitude ou impedimento para que o Novojornal publicasse a matéria sobre a “Operação Norbert” da Polícia Federal.

A senhora Andréa no encontro com o notificante antes de sua prisão, chegou a argumentar que deveríamos adotar o procedimento da Revista Época que, após ter acesso ao inquérito e ao processo, nada publicou. Sendo-lhe informado que publicaríamos em 30 janeiro de 2014, toda a lista dos usuários do esquema criminoso entre eles o Senador Aécio Neves, sua mãe, irmã, filha e sobrinha.

Na notificação, Carone inclui a decisão da Justiça (na íntegra, ao final), de 6 de outubro de 2012, que disponibilizou à Época toda a cópia da ação referente à Operação Norbert. Abaixo, apenas uns trechos:

época 4

AÉCIO NEVES NÃO RESPONDE AO VIOMUNDO

Nós perguntamos ao senador Aécio Neves, via sua assessoria de imprensa:

1) Sua mãe, o senhor, sua irmã, sua ex-esposa e filha são beneficiários da conta da Bogart &Taylor, no banco LGT, no paraíso fiscal de Liechtenstein?

2) O senhor disse à revista Época que o Ministério Público Federal (MPF) e a PGR arquivaram o caso. Por favor, nos envie os documentos comprovando isso.

Não respondeu. Insistimos. Nada.

PGR AO VIOMUNDO SOBRE AÉCIO-LIECHTENSTEIN E NOTIFICAÇÃO DE CARONE: “EM ANÁLISE”

Nós perguntamos também ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, via assessoria de imprensa da PGR:

1) A PGR já avaliou o caso da conta da família do senador Aécio Neves no paraíso fiscal de Liechtenstein e da qual ele é beneficiário de 100% em caso de falecimento da mãe?

2) Se sim, qual e por quê?

3) Se ainda não, por quê?

4) Em 23 de março de 2015, Marco Aurélio Flores Carone enviou ao senhor procurador-geral uma notificação referente à Operação Norbert e a conta da família de Aécio Neves no paraíso fiscal de Liechtenstein. Na PGR, foi aberto um procedimento em 2016, e a notificação transformada na Notícia de Fato nº 1.00.000.004160/2016-48. Como está o andamento dela?

Resposta da assessoria de imprensa da PGR ao Viomundo:

Sobre as perguntas 1, 2 e 3 informamos que, conforme solicitação do PGR, a delação do senador Delcídio do Amaral foi fatiada em 19 partes. Dessa forma, cada fato citado por ele será analisado em separado. Como a análise ainda está em curso, não podemos dar qualquer detalhe sobre os procedimentos.

Sobre a Notícia de Fato, informamos que ela também está em análise no gabinete do procurador-geral da República e não podemos fornecer outros detalhes.

CARONE A JANOT: “SOBRE AÉCIO, O MINISTÉRIO PÚBLICO NADA INVESTIGA OU DENUNCIA”

Cada vez mais se evidencia que o procurador-geral Rodrigo Janot age politicamente e não juridicamente, como o seu cargo exige. Blinda de forma escancarada os tucanos, em especial Aécio Neves, tal qual fez o ex-PGR Roberto Gurgel.

“Essa inércia é uma constante em relação a Aécio Neves”, diz Carone, enquanto relê a notificação a Janot. “Sobre ele, o Ministério Público nada investiga ou denuncia. E os poucos procuradores e promotores que cumprem suas atribuições, frustram-se diante da paralisação destes procedimentos junto à PGR.”

Carone pede a Janot que denuncie Aécio com base no que foi apurado pela Operação Norbert.

Aécio e Andréa, quando questionados sobre a origem dos seus bens, costumam dizer: “tudo foi dado pelo Gilberto Faria a minha mãe”.

Trata-se do falecido banqueiro Gilberto Faria, ex-marido de dona Inês Maria e ex- controlador do Banco Bandeirantes, envolvido numa grande fraude bancária na década de 1990.

De 1995 a 1997, o Banco Bandeirantes retirou ilegalmente valores das contas-correntes de seus clientes a título de “juros”, “seguros”, “diversos”, só que eram tarifas falsas.

Em valores de 1999, gerou um prejuízo de R$ 115 milhões a seus clientes. Em valores atualizados, algo em torno de R$ 336 milhões, se considerarmos o IPC-A (IBGE), o índice oficial de inflação. Pelo IGP-M (FGV), seriam cerca de R$ 417 milhões.

“Caso o doutor Janot entenda que a conta em Liechtenstein teria sido aberta por Gilberto Faria, que determine o bloqueio dos bens do senador Aécio e seus familiares que tenham como origem, transferência, doação ou herança do falecido banqueiro”, pede Carone ao PGR. “É pagar os prejudicados na fraude praticada no Banco Bandeirantes, do qual Gilberto Faria era o controlador.”

PS1 do Viomundo: Marco Aurélio Carone foi solto exatamente três dias após o segundo turno da eleição de 2014, quando o tucano Aécio Neves disputou a presidência com Dilma Rousseff e perdeu.

PS 2 do Viomundo: O desembargador Joaquim Herculano, na época presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, foi quem procurou Carone pouco antes de o jornalista ser preso. Após o PSDB perder o governo de Minas Gerais, em 2014, Herculano aposentou-se aos 64 anos. Portanto, seis anos antes da idade-limite. Segundo alguns colegas de tribunal, tal atitude teria sido para evitar que seus atos, praticados no governo do PSDB, continuassem a ser investigados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Autorização cópia para a revista EPOCA by Conceição Lemes

Notificação de Marco Aurélio Carone ao PGR Rodrigo Janot.pdf by Conceição Lemes

Leia também:

Minas Sem Censura contesta resposta de Aécio Neves à revista Época Minas Sem Censura 

Rogério Correia: Janot só não abre inquérito contra o Aécio, se não quiser ou tiver o rabo preso 

“Se com a delação dos R$ 300 mil da UTC o Janot não abrir inquérito contra Aécio, o MPF pode fechar a porta”

Ao livrar Aécio de inquérito, Janot desconheceu denúncia de promotora sobre Lista de Furnas 

Conceição Lemes: O balanço das denúncias contra Aécio que a mídia ignorou

 Minas Sem Censura: Carone preso, traficante de cocaína solto

 

32 Comentários escrever comentário »

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Roberto

17/04/2016 - 13h20

A elite não vai mais concorrer eleição. Quando ela quiser, ele TOMA.

Responder

Luiz

12/04/2016 - 14h01

O que acho engraçado é que estão tentando desmoralizar todos aqueles que de alguma
forma trabalham favor do impeachment, ou simplesmente cumprem a lei.

Responder

cesar

11/04/2016 - 19h04

Quem quer apostar?
Janot vai denunciar o Aécio – que terá como fórum o STF, mas em contra partida vai contra a indicação de Lula para o Ministério , para favorecer o impitimam de Dilma ,e ai encera a Lava jato, para o PMDB governar com o PSDB , ou será o contrario? .

Responder

Dan

11/04/2016 - 18h39

Brincaram de democracia com a gente. Mas a brincadeira passou dos limites. As elites no Brasil habitam os intramuros de um Palácio de Versalhes e resolveram mostrar sua verdadeira face autocrática, autoritária, tirânica, coronelistas, escravocrata. Os lacaios a seu serviço fazem o jogo sujo. Até quando?

Responder

Messias Franca de Macedo

11/04/2016 - 17h35

… “Companheirada”,
agora, ‘vamo’ ao que mais interessa neste momento [não esquecendo as demais preocupações antifascigolpistas, óbvio!]:

***

Daqui a pouco, a transmissão ao vivo do ato com Lula na Lapa

Por conspícuo e impávido jornalista Fernando Brito

11/04/2016

Ainda não começou, mas já deixo conectado por aqui a transmissão ao vivo do ato pela democracia na Lapa. Se quiser, deixe o post aberto e a transmissão deve se iniciar automaticamente. Se não, de vez em quando dê uma clicada na seta de play e ela carregará.

FONTE [LÍMPIDA!]: http://www.tijolaco.com.br/blog/daqui-pouco-transmissao-do-ato-com-lula-na-lapa/

Responder

FrancoAtirador

11/04/2016 - 16h35

.
.
Se os Tucanos fossem Julgados pelo “Conjunto da Obra”,
.
junto com a Mídia Jabáculê Corrupta, Comprada e Vendida,
.
como estão querendo fazer com a Presidente da República,
.
certamente faltaria Espaço nas Prisões por uns Cem Anos.
.
.

Responder

Charles Godoy

11/04/2016 - 16h05

Por acaso o procurador-geral Rodrigo Janot é maçom? Se for está explicado porque ele protege o senador Aécio Neves, que até aonde eu sei, é maçom. A maçonaria, basicamente, é uma organização dedicada ao tráfico de influência. Seus integrantes fazem, inclusive, um juramento de morte obrigando-os a sempre livrar os “irmãos” de encrencas.

Responder

Eunando de Azevedo

11/04/2016 - 13h32

Com toda essa podridão do PSDB há anos e com a justiça conivente com tudo isso, querem demonizar o PT. E o pior é que 90% da classe média dita esclarecida, comunga com isso.

Responder

C.Paoliello

11/04/2016 - 12h34

Toffoli não poderia ser ministro do STF, havia sido antes condenado em 1ª instância por improbidade administrativa:

https://andradetalis.wordpress.com/2014/11/18/dias-toffoli-ministro-porque-escondeu-que-era-condenado-da-justica/

Responder

Urbano

11/04/2016 - 12h21

Caso aconteça o improvável golpe, creio que seja melhor que se convidem aquelas duas facções famosas para disputarem a governança do Brasil. Certamente ficaremos no lucro.

Responder

Leo V

11/04/2016 - 12h21

Bela reportagem. parabéns ao Viomundo.

Revoltante como a grande imprensa fala tanto em liberdade de expressão e imprensa e esse caso absurdo na Minas Gerais de Aécio ocorre de forma tão explícita. O que mostra a incapacidade de difusão dessa aberração digna de ditaduras por parte da esquerda.

Responder

Leonardo Brito

11/04/2016 - 11h39

É evidente que o Exmo.Sr. Procurador Geral tem o rabo preso com o conterrâneo. Que tal os jornalistas investigativos de Minas começarem a escarafunchar o passado mineiro de Sua Excelência, antes que ele se aposente como o nobre desembargador?

Responder

Avelino

11/04/2016 - 11h18

Cara Conceição
Há que se dar nome aos bois.
Janot é procurador ou mentirador geral, quando é do PT.
Janot é escondedor quando é dos demais da casa grande, da qual ele faz parte.
Saudações

Responder

Maria Oliveira

11/04/2016 - 10h29

Talvez o atual Dr. Procurador Geral está pensado que o Aécio vai virar Presidente da República para que ele possa virar um Procurador Geral igual o ex-procurador Geraldo Brindeiro, que atuou na era FHC, de 28 de junho de 1995
até 28 de junho de 2003, onde foi fartamente criticado por sua inação. De 626 inquéritos criminais que recebeu, engavetou 242 e arquivou outros 217. Somente 60 denúncias foram aceitas. As acusações recaíam sobre 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e quatro ao próprio presidente FHC. Por conta disso, Brindeiro recebeu o jocoso apelido de “engavetador-geral da república”. Entre as denúncias que engavetou está a de compra de votos para aprovação da emenda constitucional que aprovou a reeleição para presidente, beneficiando o então presidente Fernando Henrique Cardoso.
A quebra de sigilo do contador da quadrilha de Carlinhos Cachoeira mostrou que o escritório particular de Geraldo Brindeiro recebeu R$ 161,2 mil (era um bom valor áquela época) das contas de Geovani Pereira da Silva, procurador de empresas fantasmas utilizadas para lavar dinheiro do esquema criminoso desnudado pela Operação Monte Carlo.
“Não é possível que um membro do Ministério Público Federal advogue para uma quadrilha criminosa enquanto homens da Polícia Federal se arriscam investigando os acusados” — denunciou o Senador Pedro Taques.
O Sr. atual Procurador parece seguir o mesmo caminho??? Será???

Responder

José Oliveira

11/04/2016 - 10h08

Por que o Procurador Geral não pode investigar o Aécio Neves em suposta operação em paraíso fiscal? Estranho!!! Paraíso fiscal só tem gente grande! Seria por isso? Afinal a Justiça Brasileira deveria ser para todos, conforme determina a Constituição. Está funcionando contra o PT e as empreiteiras, deveria funcionar também contra as ações duvidosas do PSDB, do PMDB, do DEM e de todo tipo de suspeita aos desmandos do erário público.

Responder

Túlio Muniz

11/04/2016 - 09h48

BRAVO, CONCEIÇÃO, BRAVÍSSIMO…

Responder

marcio ramos

11/04/2016 - 09h16

Com ou sem golpe os parasitas sairão impunes e governando. Como resolver este conflito?

Responder

Messias Franca de Macedo

11/04/2016 - 08h57

(…)
José Sócrates, que governou Portugal entre 2005 e 2011, condena ainda o vazamento de conversas telefônicas entre Lula e Dilma, pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato: “O juiz cometeu um delito; pedir perdão não o exime da culpa. A legitimidade de um juiz se baseia na imparcialidade, com esse gesto a perdeu. Já não o vejo como um juiz, mas como um ativista político.
(…)

em
José Sócrates, ex-premiê de Portugal: “O que acontece no Brasil é um golpe político da direita. É uma vingança política.”

Por jornalista Javier Martín
Correspondente em Lisboa
Lisboa 10/04/2016 – 21:19

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/10/internacional/1460312244_103472.html

Responder

Muito Alem do Cidadão Kane

11/04/2016 - 08h50

Mas que estranho Azenha:

O Moroanginho não vê o nome da herdeira de um dos 3 porquinhos na papelama
dos Panama Papers / Mossack. E ainda manda soltar os procuradores da Mossack,
mesmo após os dois terem sido pegos com a boca na butija destruindo documentos
e provas.

O J(e)anot não vê que o Mineirinho aparece no Listão da Odebrecht, na de Furnas e
que de quebra, deu “uma volta” em Liechtenstein.

Esse pessoal do consórcio Globo/PSDB é invisível como aquela garota do Quarteto
Fantástico ou o J(e)anot e o Moroanginho são como Touro que só enxerga o vermelho
?

Responder

Julio Silveira

11/04/2016 - 07h18

Todos os cargos de alto escalão na república são políticos, independente do poder se é legislativo, executivo ou judiciário. Todos no alto escalão passam pelo crivo dos politicos, inclusive o do Janot. Por isso, como não quero acreditar que foram petistas que o indicaram, pois isso seria uma grosseira mostra de incompetência, devo acreditar que está lá, e reentronado no posto, por alguém muito importante do governo, daqueles que configuram, ou configuraram os partidos da base. E, neste caso, o sujeito é com certeza um infiltrado, um camuflado Aécista, por que só está explicação para que alguém, com capacidade mediana para entender assuntos da politica, pode compreender esse Janot no cargo que ocupa.

Responder

Sérgio

11/04/2016 - 04h35

Hoje é dia de festa nos Arcos da Lapa no Rio de Janeiro, uma ótima oportunidade para a divulgação e protesto contra esse menino malvado e mimado, o Aecim. E não nos esqueçamos do caranguejo, o cafetão dos prostitutos do congresso!

Responder

FrancoAtirador

11/04/2016 - 01h48

.
.
O Jornalista Carone foi Preso, a Mando do PSDB, por Denunciar o Aécio em Minas.
.
E o Bando do Policarpo e do Escosteguy por aí, fazendo Gambiarras Jornalísticas
.
com o Crime Organizado, para forjar Provas Contra o Partido dos Trabalhadores.
.
.

Responder

Sérgio Rodrigues

11/04/2016 - 01h47

https://www.youtube.com/watch?v=EskDdcGWaD0

Responder

Messias Franca de Macedo

11/04/2016 - 00h08

Procurador Rodrigo Janot é vitima ou autor de pressões fora da lei?

Por conspícuo e impávido jornalista Fernando Brito
10/04/2016

Meu colega – e repórter da melhor qualidade – Marcelo Auler publica hoje em seu blog um post onde sugere que Rodrigo Janot estaria sendo vítima de processos de pressão interna no MP;
“A qualquer leigo soa muito estranha a mudança de posição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Em dez dias, embora não seja Cristo, mudou do vinho para a água, ou vice-versa. Deu um giro de 180°, sem que nenhum fato novo ocorresse.
(…)
Ao tornar-se um centro de conspiração contra os governos que lhe deram liberdade e autonomia, o Ministério Público Federal trabalha contra si mesmo.
O Dr. Janot tem um mandato não apenas para se proteger das pressões do Governo, que nunca recebeu.
Mas para se proteger das chantagens da própria corporação e dos políticos poderosos que não hesitam em fazê-lo.
Dr. Janot, os livros de História não costumam ser superficiais e generosos como são as páginas de jornal e as reportagens de televisão, viu?

FONTE [LÍMPIDA!]: http://www.tijolaco.com.br/blog/janot-e-vitima-ou-autor-de-pressoes-fora-da-lei/

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    thila

    11/04/2016 - 11h27

    Ele é cúmplice de ambas as teorias. Renuncie se está sendo chantageado e vá para casa pois a aposentadoria gorda está garantida

Eduardo Santana

10/04/2016 - 23h51

Magnífica matéria! Parabéns pelo belíssimo trabalho jornalístico.

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Sérgio

10/04/2016 - 23h21

Não há um Senador ou Deputado do PT ou outra autoridade qualquer, com coragem e noção de responsabilidade, para pedir o Impedimento ou afastamento do “Blindador Geral da República dos Tucanos”???

Ele tem que ser investigado também, sobre as altas suspeitas de ter entregue à Justiça Americana, segredos da Petrobrás e Programa Nuclear Brasileiro (Submarino). Estas suspeitas já foram noticiadas por diversos jornalistas, inclusive Luis Nassif. Se comprovadas, trata-se de Crime de Lesa-Pátria, passível de ser acionada a Lei de Segurança Nacional, alta traíção ao Brasil, com prisão imediata.

Ninguém está cuidando disto, e o sujeito perseguindo dioturnamente o Lula, com seus pareceres sem pé nem cabeça?

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Patrice L

10/04/2016 - 23h17

Prezada Conceição
Quer me parecer que uma correção precisa ser feita: Ângela é também irmã de Aécio. A ex-esposa é Andréa Falcão.

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    Conceição Lemes

    11/04/2016 - 12h17

    Patrice, obrigadíssima pela correção. Já alterei. Abs

Messias Franca de Macedo

10/04/2016 - 22h41

ATENÇÃO BRASIL DO BEM

Humildemente, permito-me encaminhar uma sugestão para o egrégio e impávido jornalista Fernando Brito e, por extensão, aos(às) comentaristas e leitores(as) desta conspícua Casa Cibernética ‘Tijolaço’:
convocação de uma greve geral no país no dia da votação do ILEGAL, criminoso e indecoroso pedido de impeachment sem que haja crime de responsabilidade perpetrado pela honrada e honesta presidente Dilma Vana Rousseff!

EM TEMPOS FASCIGOLPISTAS:
a mobilização necessariamente tem que ser intensa e permanente!
Mesmo porque – caso a tragédia do “impítim” vier a acontecer – simplesmente ‘nois’ não mais teremos ‘amanhã’!
Complexo assim!

Responder

    Messias Franca de Macedo

    10/04/2016 - 23h45

    Perdão!

    Ajuste:

    ATENÇÃO BRASIL DO BEM
    Humildemente, permito-me encaminhar uma sugestão para os egrégios e impávidos jornalistas Conceição Lemes e Luiz Carlos Azenha e, por extensão, aos/às comentaristas e leitores(as) desta conspícua Casa Cibernética ‘VioMundo’:

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