VIOMUNDO

Sexismo emburrece e mata

23 de julho de 2010 às 23h17

Por: Conceição Oliveira, no twitter: @maria_fro

Show de horrores

Há três semanas tento digerir um verdadeiro show de horrores noticiado. Os detalhes sórdidos de mais um feminicídio anunciado, o de Eliza Samúdio, tomou a mídia grande, a blogosfera e até os sites pornôs. O principal suspeito é Bruno, ex-goleiro do Flamengo e possível pai do filho da vítima, que ao que tudo indica foi seqüestrada, torturada, morta e teve partes de seu corpo dadas aos cães. A barbárie se esmerou nos textos jornalísticos e nos comentários que voltaremos a discutir ao longo deste longo texto. Tomem fôlego.

Houve também o caso de estupro de uma adolescente, praticado por mais três adolescentes em Santa Catarina. O crime primeiramente foi denunciado por um blog local, o Tijoladas, e com bastante atraso chegou à grande mídia. O estupro ocorreu na casa de um dos adolescentes agressores que é membro da família de um dos principais donos da RBS (a maior empresa de mídia do Sul do país). O outro é filho de um delegado. Segundo relatos no referido blog, com requintes exibicionistas um dos adolescentes estupradores postou em redes sociais mensagens informando que estuprou a menina. Ao ser questionado se não tinha medo de ser punido, respondeu com desdém: ‘Tá de zoeira?’.

Nesse caso, que chegou a TV Record por Paulo Henrique Amorim, que se comprometeu a acompanhar de perto o desenrolar do processo,  tivemos o desprazer de ouvir mais um depoimento cínico. No Domingo Espetacular, o delegado da polícia civil que investigava o caso disse que – em relação à adolescente que teve até um controle remoto introduzido em sua vagina – é possível afirmar que houve ‘relação carnal’, mas que não poderia falar em estupro na medida em que ele não estava presente. O delegado ainda insinua que o estupro de uma menina de 13 anos, realizado por três adolescentes violentos e protegidos pelos pais, teria sido na verdade uma relação sexual de comum acordo entre a vítima e os agressores.

Segundo relatos, a mãe do garoto da RBS, após saber o que tinha acontecido, maquiou as escoriações do pescoço da garota (que estava sob efeitos de álcool e possivelmente outras drogas), ligou para os pais da menina para que viessem buscá-la e deu a entender que ela estava em uma ‘festinha’. O comentário do delegado catarinense é da mesma categoria do de Demóstenes Torres (DEM) que, na luta contra as cotas no Senado, afirmou que senhores escravocratas mantinham com mulheres escravizadas relações consensuais.

Uma semana depois das declarações na tevê, o delegado foi exonerado do cargo e o presidente da Associação dos Delegados de Santa Catarina lamentava o fato. Eu lamento o nível desses delegados.

A misoginia e o sexismo andaram soltos também na verve de cartunista, ‘jornalista’ e ex-presidente. Nani, cartunista da velha guarda do Pasquim, jornal de resistência à ditadura militar, retratou a coligação do PT com o PMDB como prática de prostituição. Desenhou a candidata Dilma Rousseff rodando bolsinha na esquina e pôs na boca dela expressões de prostituta. Curioso que a coligação do PSDB com o DEM não mereceu o mesmo tratamento. Josias de Souza, blogueiro da Folha/UOL, que já havia associado Dilma e Marta Suplicy aos termos ‘vadias’ e ‘vagabundas’, expõe a charge no seu blog, acrescida do título que Nani não deu originalmente: “Candidata de programa!” Nani havia dado o seguinte título: “Programa de Dilma depende dos partidos”. Ambos são lamentáveis, mas Josias se esmerou na detratação.

O que todos esses casos têm em comum? Todos eles estão permeados de sexismo, todos são resultados de como nós mulheres somos vistas numa sociedade que ainda mantém fortes traços de patriarcalismo.

Da Esquerda à Direita os ‘companheiros’ se esmeram no sexismo

Há exemplos a perder de vista de uma linguagem e comportamento chauvinista em nossa sociedade. Para não cansar os leitores com muitos exemplos, recordo apenas alguns casos.

Em março de 2010, para atacar FHC, Ciro Gomes disse que o ex-presidente tinha uma ‘inveja feminil’ de Lula. Não bastou a Ciro qualificar o ex-presidente como uma pessoa invejosa, ciumenta. Para tornar mais ácido seu ataque ao adversário político, ele associou o sentimento de inveja ao sexo feminino. Fez uso de uma idéia fortemente presente no senso comum de que as mulheres são seres ‘invejosos por natureza’. Desse modo, reforçou o preconceito e atingiu o seu objetivo de desqualificar o adversário, não apenas no campo político, mas também no universo dos machos que dominam o campo da política institucional do Brasil.

Fernando Henrique Cardoso e seus aliados de partido não deixam por menos. É recorrente no discurso do demotucanato que Dilma é ‘sombra’, ‘boneco’, ‘retrovisor’, ‘poste’ de Lula. Enfim, em vários textos e discursos, antes mesmo da largada para a campanha eleitoral, pululam termos que buscam desqualificar a mulher e a política Dilma Rousseff como uma candidata sem méritos próprios.

Em fevereiro de 2010, FHC, em artigo publicado na imprensa nacional, disse que “eleições não se ganham com o retrovisor“, comparando Dilma a um ‘boneco manipulado’ pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Naquele mesmo mês, na tribuna do Senado Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que a petista “é uma liderança falsa, de plástico, de silicone”.

FHC esqueceu a elegância da Sorbonne e até da sociologia de que tanto se orgulha e novamente focou a imagem feminina de Dilma com veios de ironia:

a encenação para a eleição de outubro já está pronta. Como numa fábula, a candidata do governo, bem penteada e rosada, quase uma princesinha nórdica, dirá tudo o que se espera que ela diga, especialmente o que o mercado e os parceiros internacionais querem ouvir”.

O ex-presidente, que nem o PSDB sabe o que fazer com ele, pinta Dilma como uma mulher fútil, que é só aparência, vazia de conteúdo, não é um sujeito histórico, não pensa por si, é facilmente manipulada, mas não pára por aí. Sua misoginia usa também da ironia em relação à idade de Dilma. A candidata do PT é uma mulher que brevemente será avó e, mesmo assim, sua figura é comparada à imagem de uma ‘princesinha’. Os mais ogros, sem os subterfúgios do discurso fhceniano, usam outros termos para se referir às mulheres maduras na política. Eduardo Guimarães fez um texto interessante chamando atenção sobre isso. Quanto ao ‘nórdica’ nem precisamos dizer que seu uso também é proposital: uma forma de destacar a origem étnica e social de Dilma — uma mulher branca, bem educada. O recurso de FHC, aqui, é negativar e descolar a origem social da candidata do PT em contraponto com as origens populares de Lula, na medida em que todo o preconceito social repetido e reproduzido contra Lula, o ‘analfabeto’ não surte mais efeito na maioria da população, diante de um presidente que bateu todos os recordes de popularidade na história do Brasil e que ganhou a projeção e respeito internacional das quais FHC jamais se aproximou.

Marcos Coimbra ao analisar aquele texto de FHC problematiza: se o adversário político dos tucanos na disputa eleitoral pela presidência da República fosse um homem, FHC certamente não se preocuparia com a aparência. Concordo com ele, não vejo na fala das poucas mulheres presentes na política institucional o uso de atributos físicos ou ausência deles para desqualificar seus adversários.  Exemplos como o de Soninha Francine, que desenvolveu um ódio visceral de Marta, são mais raros. As mulheres que ocupam cargos públicos costumam não destratar as demais, desqualificando-se mutuamente, reforçando preconceitos de gênero. Isso me parece ser prática comum aos políticos do sexo masculino.  É saudável, para toda sociedade brasileira, termos candidatas disputando o pleito de 2010 e com condições de vitória.

E quanto ao Nani? O cartunista, após a publicação da charge sexista, chegou a se defender das críticas dos comentaristas de esquerda, lembrando que já tinha retratado Serra e FHC como ‘prostitutas’. A fixação de Nani pelo tema da prostituição como algo condenável e a associação recorrente que o cartunista faz da prostituição à prática política não podem ser usadas como desculpas para falta de humor travestido de preconceito.

Alguns amigos jornalistas de esquerda também demonstraram surpresa com o fato de um cartunista do ex-Pasquim ter sido tão apelativo e preconceituoso. Não me surpreendi. Convivo com muitos amigos de esquerda que têm grande dificuldade de entender o mundo para além da luta de classes. Muitos deles de fato se esforçam cotidianamente para vencer sua cultura machista. Já conseguem enxergar que a dominação masculina sobre as mulheres é estrutural, conseguem perceber a necessidade de se respeitar a construção de outras identidades. Mas abolir de nossas vidas preconceitos é um exercício cotidiano que nem todos estão dispostos.

A turma do Pasquim fez uso do humor, da ironia e irreverência para resistir à ditadura militar, mas seus cartunistas e editores foram bastantes conservadores em relação à emancipação feminina e se opuseram firmemente a toda e qualquer luta das mulheres nesta direção. Às denuncias das feministas brasileiras sobre o caráter estrutural da dominação, expresso nas relações da vida cotidiana, o Pasquim respondia com sarcasmos e zombarias. Como mostra o excelente artigo de Rachel Soihet, “Zombaria como arma antifeminista: instrumento conservador entre libertários”, o jornal que lutava contra o regime de exceção:

“(…) voltou-se, igualmente, contra as mulheres que lutavam por direitos ou que assumiam atitudes consideradas inadequadas ao modelo tradicional de feminilidade e às relações estabelecidas entre os gêneros. Ridicularizavam as militantes, utilizando-se dos rótulos de ‘masculinizadas feias, despeitadas’, quando não de ‘depravadas, promíscuas’, no que conseguiam tais articulistas grande repercussão. Depreende-se dessa conduta o temor da perda do predomínio masculino nas relações de poder entre os gêneros, no que evidenciavam forte conservadorismo, contrastante com a atitude vista como libertária de alguns desses elementos em outras situações.”

Geni insepulta: pré-julgada pelo currículo sexual, viva ou morta

Como disse, passei essas últimas semanas com o estômago embrulhado diante das notícias em portais, blogs, e sites pornôs (sim, fiz questão de visitá-los para ver até onde ia a barbárie sexista). Mas não vou me ater a espetacularização irresponsável da polícia e da imprensa, que anda facilitando a vida da defesa do ex-goleiro Bruno, sendo ou não ele culpado pela morte de sua ex-namorada. A este respeito indico dois bons textos.

O primeiro é do procurador da República, o professor Vladimir Aras, especialista em Direito Criminal, (aqui) que nos lembra que há muita tecnologia para ser usada nas investigações. Ele argumenta que diante do fato dos suspeitos estarem utilizando o direito ao silêncio, o Ministério Público/MG pode, por exemplo, propor acordo de delação premiada ao suspeito certo, pois isso ajudaria a remontar os eventos e localizar o cadáver da vítima ou as provas necessárias para condenar os executantes do crime, mandantes etc. O segundo é o texto do jornalista José Cleves Silva, especialista em investigações de corrupção policial, envolvimento da polícia com tráfico de drogas, armas e assalto a bancos em Minas Gerais. Ele tem larga experiência no contato com a polícia mineira e também foi vítima dessa polícia que não difere muito das dos demais estados: adoram um holofote. Vale a pena ler o seu texto sobre a ação da polícia mineira no caso Bruno, considerando também que o jornalista foi acusado de ter matado sua própria esposa e foi inocentado por unanimidade.

Não foi apenas o espetáculo grotesco da mídia grande impressa e televisiva, que adora as lucrativas notícias de assassinatos brutais envolvendo sexo e celebridades, que causaram espanto a todos aqueles que têm consciência de que vivemos em uma sociedade chauvinista, mas também os comentários grotescos de machistas moralistas e, igualmente, de mulheres que contribuem para disseminar o machismo.

“(…) Se essa maria chuteira não tivesse pegado tanto no pé do Bruno, não teria morrido. Disse a Margarida neste espaço, e foi muito contestada, que se você vê um maremoto sai correndo. Eliza já havia sido ameaçada de morte e, mesmo assim, continuou pegando no pé do Bruno. Ela podia reivindicar seus direitos na Justiça sem ir de Range Rover ao sítio do doidão. Mas, provavelmente, ela era do tipo chiclete.(…) (Trecho de comentário no Viomundo).

Veja e alguns comentaristas do Viomundo – que adoram criticar o jornalismo ‘de esgoto’ daquele semanário — encontraram-se no mesmo sentimento de ignorar o fim trágico de Eliza, culpá-la pela própria morte e lamentar o fato de um ex-favelado, que finalmente ascendeu socialmente, ter jogado o ‘seu futuro’ pela janela, só por causa de uma ‘biscate’. Em todos eles, expressões como: ‘Maria Chuteira’, ‘interesseira’, ‘piranha’, ‘pegajosa’, ‘chiclete”, ‘puta’ etc. se mesclavam e se complementavam.

Mayara Melo fez um excelente texto a respeito deste tratamento ignóbil dado à vítima Eliza Samúdio e teve a paciência de elencar alguns, dissecando-os.

Trouxa, você fez filho pra pegar pensão? Então cala a boca! Puta é isso. Mulher que faz filho pra mamar dinheiro dos outros, seja quem for! Vagabunda se ferrou!” ou “Estou triste pelo jovem Bruno, um homem realizado na vida profissional e financeira e acabar tudo por causa de um envolvimento com mulher de programa, filho é feito em mulher decente e de honra que isso sirva de exemplo para os homens”.

Ainda há aqueles que disparam, sob moderado pudor: “Era uma aproveitadora, mas ninguém tem o direito de tirar a vida de outra pessoa, por pior que ela seja.”

Wladimir Aras definiu com precisão a condenação pública da vítima:  “Eliza Samudio é uma Geni insepulta. Provavelmente está morta. Mas continua apanhando!”

Nem sua morte foi capaz de calar seus detratores moralistas. Eliza, ainda grávida, foi seqüestrada, sofreu agressões físicas, foi obrigada a tomar substâncias abortivas e quando pediu socorro ao Estado, porque sua integridade física e a do seu filho foram ameaçadas, não obteve proteção garantida pela Lei 11.340/06 (Lei Maria da Penha), porque uma juíza conservadora julgou moralmente a mulher Eliza e ignorou o art. 5º, inciso III:

“Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação.” (Fonte: Wladimir Aras).

Como este texto pode ter sido interpretado de outra maneira no caso de Eliza Samúdio? O preconceito incrustado na mente de nossos juízes pode explicar a decisão. Eliza foi pré-julgada pelo seu currículo sexual, condenado moralmente: seu comportamento tornou-a uma pessoa cuja vida vale menos que a das demais.

Para que pudéssemos refletir e agir sobre uma doença social que torna as mulheres vítimas da violência de seus companheiros ou ex-companheiros o Estado teria de fazer valer as leis que garantam nossos direitos. Nossa imprensa poderia ajudar fazendo menos bandalheira e recorrendo mais às análises históricas, antropológicas, sociológicas, políticas sobre as causas do sexismo. Mas restou aos leitores conservadores e consumidores de tragédias as reduções psicologizantes e empobrecedoras que pulularam em todos os meios de comunicação.

Ao abordar este feminicídio Fátima Oliveira fez a crítica a esta abordagem irresponsável, criticou seus pares e mostrou como o conservadorismo de uma juíza que prejulgou a conduta de Eliza, negando-lhe a proteção do Estado, tornou o próprio Estado co-autor de um crime:

(…) é antiético que psicólogos, psiquiatras e psicanalistas se encarapitem na mídia, como papagaios de piratas, chutando que fulano, sicrano ou beltrano é isso ou aquilo outro.

Nem todo homicida é sociopata. Nem todo sociopata mata, mas pode virar assassino se a lei não comparece para punir outros delitos, pois portam personalidades a quem só a lei dá limites (…)

Eterno ser imperfeito, objeto de prazer, consumo ou de pancada de outrem

Seria saudável para todos nós se tragédias anunciadas como a morte de Eliza Samudio ou o estupro da adolescente de 13 anos por outros três adolescentes na casa de um deles, servissem para que Estado e sociedade como um todo refletissem e agissem para diminuir o número escandaloso de mulheres assassinadas ou estupradas por seus companheiros diariamente no Brasil. Teríamos menos Elizas, Mércias, Eloás, Julienes e seus bebês, Marias Islaines, Orestinas

Nossa taxa de feminicídio é bem superior à média de outros países. Segundo o Mapa da Violência no Brasil no período de 1997 a 2007 dez mulheres foram assassinadas por dia, na maioria por seus companheiros atuais ou antigos maridos ou namorados. Segundo Mayra Kubik Mano, a cada quinze segundos uma mulher é espancada no Brasil!

A antropóloga Debora Diniz com muita propriedade argumenta: “A violência não é constitutiva da natureza masculina, mas sim um dispositivo cultural de uma sociedade patriarcal que reduz os corpos das mulheres a objetos de prazer e consumo dos homens.”

Quando temos consciência de que não é natural o desrespeito e, não raro, a violência física, moral, psicológica com que somos tratadas e denunciamos, somos ridicularizadas com o velho e recorrente discurso que nem mesmo os editores e chargistas do Pasquim abriram mão.

De nós é exigido um corpo belo mesmo que não sejamos modelos ou atrizes pornôs. Não basta que, como qualquer ser humano, tomemos banho todos os dias, escovemos os dentes, lavemos as mãos, cortemos as unhas. Tudo em nós é visto e tratado ‘por natureza’ como algo imperfeito que precisa ser arrumado, extraído, modificado: unhas precisam ser ‘feitas’, cabelos precisam ser alisados ou enrolados ou tingidos, os pêlos extraídos das pernas, virilhas, axilas, buço, sobrancelhas, a pele precisa passar por seções torturantes de extração de cravos, manchas; as rugas precisam desaparecer, assim como gorduras, estrias, celulites.

Nosso corpo ainda é coisificado e muitas vezes nos cansamos e nos adequamos. Vivemos, aceitamos e cultuamos a juventude e um determinado padrão de beleza (geralmente branco, magro, loiro e de olhos azuis) e relegamos ao segundo plano todo ser ‘imperfeito’ fora deste padrão. Permitimos que meninas negras com apenas sete anos sejam eletrocutadas no banheiro devido a um  curto circuito em uma maldita chapinha usada para transformar seus cabelos crespos ‘imperfeitos’ em algo ‘apresentavel’.

Fazemos as mulheres depois dos quarenta serem muitas vezes tratadas como ridículas, porque querem recuperar sua juventude a qualquer custo.

Se a mulher exige de nós o direito de envelhecer com dignidade alcunhamos a de ‘tia velha, mal-humorada’. Se tem consciência de que sua experiência sexual permite que todo o seu corpo, com ou sem gordurinhas e celulites, ou alguns fios de cabelo branco, exerça desejos; se ela sabe que nada disso a impossibilita de dar e obter prazer junto ao seu companheiro, também não é valorizada.

Não criamos caprinos, devemos formar homens e mulheres saudáveis

Pré-julgamos mulheres que não seguem as normas impostas pela falocracia, mas consumimos o corpo feminino oferecido em diferentes suportes midiáticos.

Nossos valores tão deturpados permitem que jovens adolescentes tenham, por vezes, seu primeiro contato com a prática sexual expondo seu corpo e da parceira no mundo virtual.

A rede SaferNet, por exemplo busca orientar pais e responsáveis sobre exposição da sexualidade:

Não há nada de errado em falar e discutir sobre sexualidade. O erro é não se proteger e não se informar sobre como manter relações saudáveis dentro e fora do ciberespaço;

Proteja seus direitos sexuais e não facilite agressões;

Pais: dialoguem com seus filhos para conhecer o que fazem online e orientá-los. Os valores e limites de sua família precisam ser discutidos também em relação aos comportamentos online. Converse com seus filhos sobre as noções de privacidade e de comportamento de risco para construir limites como proteção e não como proibição;

Pais e educadores: Saiba que você não precisa ser expert em tecnologia, basta transpor a cidadania também para este novo ciber-espaço público;

SaferNet explica que o sexting, prática na qual adolescentes de 12, 13 anos de idade e jovens usam seus celulares, câmeras fotográficas, emails, chats, comunicadores instantâneos e sites de relacionamento para produzir e enviar fotos e vídeos sensuais de seu corpo nu ou seminu – assim como mensagens eróticas para namorados, pretendentes ou amigos – já se tornou moda entre adolescentes por aqui. Reportagem do Terra Magazine mostra a chegada no Brasil de um concurso no qual adolescentes e jovens gravam suas relações sexuais e postam no youtube. Ganha o que tiver mais acesso. A prática não é incomum entre estudantes de escolas de classe média desde pelo menos meados da década de 1990 quando ainda se usava fita VHS. Com a rede, os vídeos apenas são distribuídos em novos suportes e em nível planetário.

Diante desta exposição e permissividade a velha máxima patriarcalista que reduz nossas crias a caprinos em pastos – ‘segurem suas cabras, pois meu bode está solto’ – adquire novas colorações moralistas, renova-se em outros discursos, mas continua em voga. Reprimimos as meninas, reproduzindo os velhos papéis sociais desde a sua mais tenra infância, desde a escolha dos brinquedos.

Meninos recebem carrinho, bola, é permitido a eles até alguns excessos nas lutas com os amiguinhos. Aos leitores pacientes desde longo texto: faz algum sentido a idéia da violência, da valorização da força física no universo masculino parecer algo da essência dos homens?

Meninas recebem apetrechos de cozinha, bonequinhas para desde cedo adequarem-se a um papel naturalizado às mulheres: donas de casa, mães….

Não nos passa pela cabeça que, em pleno século XXI, as mulheres podem, se assim desejarem, jogar futebol e serem atletas excelentes como a Marta, que faz inveja a muito marmanjo apaixonado por futebol, ou que elas tornem-se exímias e cuidadosas motoristas e tenham, inclusive, descontos nas apólices de seguros de automóveis pelo seu comportamento mais civilizado no trânsito. Mesmo assim, elas continuam ouvindo dos ogros que não se civilizam – e acham que trânsito é praça de guerra: ‘volta para o tanque, Dona Maria!’ Os ogros são incapazes até de atualizarem suas ofensas: a venda de eletrodomésticos bate recorde atrás de recorde no Brasil e até as ‘donas Marias’ já compraram sua máquina de lavar roupas.

Para além de combater uma cultura midiática que estimula crianças e jovens a serem consumistas não apenas de objetos, mas de imagens femininas como produtos de consumo, é urgente que pais e professores revejam o quanto são responsáveis pela reprodução de uma educação sexista. Da mesma forma, é preciso refletir também na construção da identidade masculina, a valorização do macho como ‘provedor’, ‘ pegador’, ‘comedor’, desprovido de afeto.

Vários pesquisadores vêm se dedicando à temática da reprodução de preconceitos e discriminações no âmbito escolar. Marília Pinto de Carvalho, em pesquisa de campo junto a professores dos primeiros anos do Ensino Fundamental, investigando o fracasso escolar de meninos negros nas escolas públicas (grupo que permanece há décadas em primeiro lugar nas estatísticas), aponta-nos, por exemplo, que professoras têm imagens cristalizadas do que seriam comportamentos próprios e/ou adequados aos meninos e meninas, aos negros, aos brancos e aos pobres.  Percepções sobre comportamento de gêneros, pertencimento étnico-racial e origem social interferem na avaliação e expectativa dos professores em relação à disciplina e desempenho escolar das crianças e por, sua vez, na construção de suas identidades.

Dos meninos, as professoras não costumam cobrar capricho nos cadernos e quando se deparam com um caderno limpo, bem cuidado, desenhado, que não pertence a uma menina se surpreendem.  Muitas têm como pressuposto que os problemas de disciplina apresentados por crianças negras, especialmente meninos, estão invariavelmente relacionados ao:

histórico da família desses alunos, alunos que moram em ambientes mais pobres, favelas, estão mais expostos a coisas cruéis, os modelos de adultos que essas crianças têm são pessoas mais rudes” (Depoimento de professora à Marília Carvalho).

Ao longo do trabalho a pesquisadora discutiu com as professoras entrevistadas os resultados parciais da pesquisa. Marília destaca que as professoras eram ‘jovens, comprometidas, sérias em seu trabalho pedagógico’, foram ‘corajosas e perspicazes ao longo de todo o processo’. Mesmo assim, suas avaliações em relação às crianças revelaram-se hierarquizadas:

“Mas se elas não eram abertamente preconceituosas nem discriminadoras, se gostavam de seus alunos e se dedicavam a eles, como suas avaliações revelaram-se tão marcadas por hierarquias de gênero, classe e raça?” (Marília Carvalho).

Precisamos tornar realidade princípios caros aos educadores: educar para autonomia, para o respeito e para a convivência solidária. Isso não pode ser apenas discurso vazio, tem de se tornar prática social. A filósofa Hannah Arendt, refletindo sobre a crise da autoridade, grosso modo, argumenta que toda geração adulta é responsável pela que a sucede. E adultos que abram mão desta tarefa crucial, deveriam também abrir mão de serem pais e professores.

Somos a maioria desempoderada e despolitizada

Nós, mulheres, somos maioria na população brasileira e, entre os cerca de 135 milhões de eleitores aptos a votar, representamos 52% contra 48% dos eleitores do sexo masculino, mesmo assim somos subrepresentadas:

“O balanço de registros em 2008 divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que a participação feminina na disputa por cargos eletivos é bem abaixo do percentual masculino. De um total de 375.655 registros de candidaturas para cargos nas prefeituras dos municípios brasileiros (prefeito, vice-prefeito e vereadores), apenas 74.837 (20,96%) eram de mulheres.” (Sandra Cruz, UNE).

Considerando as estatísticas de anos de estudo, as mulheres brancas são as mais educadas, mesmo assim, nem elas estão majoritariamente na política. Sandra Cruz aponta que nos cargos de maior nível hierárquico no parlamento, governos municipais e estaduais, secretarias do primeiro escalão do poder executivo, judiciário, sindicatos e reitorias as mulheres não chegam a 20%. Se além do gênero, consideramos o recorte étnico-racial, seja entre mulheres candidatas ou eleitas, o quadro de subrepresentação é ainda mais grave: as negras estão em minoria e as indígenas praticamente ausentes.

Nosso voto fará a diferença e é preciso que tenhamos muito claro quais as políticas propostas que realmente visam combater o sexismo e outras formas de discriminação.

Estejamos atentas às políticas que possam nos empoderar, que permitam que nossas crianças tenham acesso às creches, a uma boa educação, ao lazer, à cultura, a uma infância digna.

São fundamentais as plataformas políticas que defendam a saúde pública no país, a humanização da medicina e que não se exima de discutir, por exemplo, de modo amplo e democrático a discriminalização do aborto (que, mais uma vez, mata as mais pobres e dentre elas, as mulheres negras, em sua maioria sem recursos para clínicas médicas clandestinas). Também são importantes o papel de representação das mulheres na mídia, as cotas, micro-créditos, renda mínima cuja gestão dos recursos esteja nas mãos das mães de família etc.

Nestas eleições temos duas candidatas do sexo feminino. As duas com trajetórias políticas em partidos de esquerda. Dilma Rousseff, que ainda muito jovem lutou contra a ditadura militar, foi presa e torturada, e Marina Silva, ex-PT, que iniciou sua luta política com os seringueiros da Amazônia. Para além das diferenças partidárias (que na atualidade as opõem), elas têm feito um debate de alto nível. Dilma tem enfrentado uma campanha detratora e sexista, porque está na frente nas pesquisas eleitorais e porque não se exime de debater, por exemplo, a discriminalização do aborto como uma questão de saúde pública. Marina tem mais dificuldade para expressar uma posição objetiva em relação a esse tema devido suas crenças religiosas, mas não nega que seja uma questão de Estado.

Para encerrar, recorro a outro artigo do sociólogo Marcos Coimbra, que questiona uma falácia presente na grande mídia e no senso comum conservador. Trata-se da que afirma que mulheres não votam em mulheres.

Nesse artigo Coimbra discute a preferência do eleitorado a partir do recorte de gênero. O texto é de abril, quando Ciro ainda aparecia nas pesquisas de intenção de voto. Há três meses nas pesquisas eleitorais, Dilma e Marina, em todos os estados, tinham desempenho menor entre as eleitoras do que Serra e Ciro. A diferença, inclusive, entre Dilma e Serra era o voto feminino, já que a preferência do eleitorado masculino entre os dois candidatos era igualmente distribuída.

À época, Coimbra argumentava que um fator crucial para explicar as performances dos candidatos era o nível de conhecimento que os eleitores tinham deles. Ou seja, o fator relevante era a informação. Quando homens e mulheres possuíam nível de informação semelhante essas diferenças desapareciam:

“As pesquisas atuais refletem a distribuição desigual da informação entre os gêneros, que deriva, por sua vez, dos papéis sociais diferentes que homens e mulheres desempenham.” (Marcos Coimbra)

Posso garantir que este é um dado importantíssimo. Sou uma mulher educada, com acesso à informação, ativista, politizada. Mas também sou mãe, filha mais velha com pais idosos, tenho uma atividade profissional que demanda longo tempo de concentração, sou blogueira, twitteira, orkuteira, facebookeira.

Para conseguir fazer tudo isso, conto com ajuda da Ana, mensalista que trabalha em minha casa. Ana está de férias. Nos primeiros dias quase enlouqueci para dar conta de todas as demandas, como este texto que agora entrego a vocês e que foi redigido a conta-gotas entre lavar quintal do cachorro, controlar a máquina batendo roupa, ir às reuniões preparatórias do encontro de blogueiros, fazer almoço para a filha (que pegou na vassoura também)…

Então, mulherada, se vocês realmente acham que não podemos mais ser tratadas como seres eternamente imperfeitos, despolitizados, vadios e saco de pancadas, à luta, olho vivo e ação contínua para educar nossos companheiros e nossos filhos, meninos e meninas, para serem pessoas autônomas, colaborativas, respeitosas, mais livres e felizes.

Homarada, a formação de nossos filhos se concretiza quando o modelo está em sintonia com o discurso. O modo como tratam suas parceiras reflete na forma como seus filhos construirão suas futuras relações. Assim como, para que possamos nos informar e escolher a melhor candidatura que continue transformando positivamente o Brasil, precisamos de tempo livre. Saibam, portanto, que suas meias de futebol não vão sozinhas para a máquina de lavar roupas, sua comida não fica pronta se não for preparada e nem as panelas são auto-limpantes.

Se vocês também desejam que sua mãe, irmã, parceira e/ou filha sejam seres bem informados, politizados e autônomos, que tal sair da frente desta tela, convidá-las a ler este texto e se oferecer para lavar aquela pia de louça suja?

Sexismo emburrece e mata. Repensar os papéis sociais cristalizados para mulheres e homens nos liberta, permite que mudemos nossas atitudes, possibilita-nos fazer escolhas mais conscientes tanto na política quanto na vida.

Investigação VIOMUNDO

Estamos investigando a hipocrisia de deputados e senadores que dizem uma coisa ao condenar Dilma Rousseff ao impeachment mas fazem outra fora do Parlamento. Hipocrisia, sim, mas também maracutaias que deveriam fazer corar as esposas e filhos aos quais dedicaram seus votos. Muitos destes parlamentares obscuros controlam a mídia local ou regional contra qualquer tipo de investigação e estão fora do radar de jornalistas investigativos que trabalham nos grandes meios. Precisamos de sua ajuda para financiar esta investigação permanente e para manter um banco de dados digital que os eleitores poderão consultar já em 2016. Estamos recebendo dezenas de sugestões, links e documentos pelo [email protected]

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09 - mai 5

Feministas reúnem-se com Líder do Governo na Câmara para discutir MP 557/2011

Em 10/05/2012, às 9H na Câmara dos Deputados – Gabinete de Arlindo Chinaglia (PT)

01 - mai 4

MPF ajuíza ação contra TV Globo para que produza e exiba campanha sobre Direitos da Mulher

Por Conceição Oliveira, no twitter:[email protected]_fro A quem pense que com o fim do BBB12 terminou também as acusações que esta edição do programa sofreu. Mas não é bem assim. Em 2010 a rede Globo exibiu um participante do BBB prestando um serviço de desinformação e inutilidade pública ao afirmar que ‘hetero não pegavava AIDS’. Naquele […]

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O que precisa de uma ampla faxina é a linguagem sexista da mídia velha | Viomundo - O que você não vê na mídia

06/08/2011 - 16h44

[…] tantas vezes neste e outros blogs durante a campanha eleitoral de 2010 (veja, por exemplo, aqui e aqui, no item: Da Esquerda à Direita os ‘companheiros’ se esmeram no […]

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Memórias de uma campanha tucana: Dilma de ‘retrovisor’ a trajetória admirável | Maria Frô

02/07/2011 - 12h37

[…] O ex-presidente, que nem o PSDB sabe o que fazer com ele, pinta Dilma como uma mulher fútil, que é só aparência, vazia de conteúdo, não é um sujeito histórico, não pensa por si, é facilmente manipulada, mas não pára por aí. Sua misoginia usa também da ironia em relação à idade de Dilma. A candidata do PT é uma mulher que brevemente será avó e, mesmo assim, sua figura é comparada à imagem de uma ‘princesinha’. (Leia o artigo na íntegra aqui). […]

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Página 13 » Blog Archive » Dilma e a ‘Operação doçura’ na mídia velha

04/03/2011 - 23h54

[…] em primeira página de spam produzido em blog de extrema-direita pela Folha de São Paulo; ‘princesinha nórdica‘ como gostava de repetir o ex-presidente FHC, ‘poste’, […]

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Dilma e a ‘Operação doçura’ na mídia velha (via @maria_fro) « Blog do murilopohl

03/03/2011 - 16h50

[…] em primeira página de spam produzido em blog de extrema-direita pela Folha de São Paulo; ‘princesinha nórdica‘ como gostava de repetir o ex-presidente FHC, ‘poste’, […]

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Post novo no blog da mulher: Dilma e a Operação ternurinha | Maria Frô

02/03/2011 - 21h49

[…] em primeira página de spam produzido em blog de extrema-direita pela Folha de São Paulo; ‘princesinha nórdica‘ como gostava de repetir o ex-presidente FHC, ‘poste’, […]

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Dilma e a ‘Operação doçura’ na mídia velha | Viomundo - O que você não vê na mídia

02/03/2011 - 17h11

[…] em primeira página de spam produzido em blog de extrema-direita pela Folha de São Paulo; ‘princesinha nórdica‘ como gostava de repetir o ex-presidente FHC, ‘poste’, […]

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Superar estereótipos (também na imprensa) é o primeiro passo para romper preconceitos | Maria Frô

05/01/2011 - 11h49

[…] charge que parte do pressuposto de que  ‘mulher’ é ‘invejosa’ ( a tal da inveja feminil usada por Ciro Gomes pra atacar FHC e diminuí-lo no jogo político entre ‘machos’) já […]

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Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher | Viomundo - O que você não vê na mídia

25/11/2010 - 01h25

[…] minha parte convido os leitores a lerem ou relerem Sexismo emburrece e mata, um post longo que publiquei aqui no blog, em julho, e que ainda acho que tem elementos para […]

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Jacira lima

07/10/2010 - 13h34

Da lisenca praeu assinar em baixo? Parabens!

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Escrevinhador

30/08/2010 - 14h22

[…] frases fazem apologia ao crime na medida em que remetem ao assassinato bárbaro de Elisa Samúdio, seu suposto mandante e possíveis executores. […]

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Carlos D'Aguape

25/08/2010 - 13h55

Quantas razões pra tanta violenca tenho testemunhado na disciplina das pessoas. Em todos os lugares A grande maioria não escolhe o que faz. Pois resulta da formação de todos nós. Temos que ler o que está provocando tudo isso. Discutir a… nossa formação nas esquinas.
É comum eposas chamarem os maridos de "Voce é um Filho de centrntevintoenta e sete anos". E os homens normais podem descobrir ou não que é o jeito de toda mulher e se calar. E algumas mulheres que com um certo olhar/mulher vê todos como filho. S´pra introduzir o que vejo de origem pra tanta estupidês publicada.

Com minha companheira, mãe de minha filha desde o início nunca a submeti de qualquer forma. Sempre tive e tenho que aconsiderar por sua superioridade. E sou assim também com minha filha. Muito embora, de leão, eu domino o meu espaço e o direto de estar entre elas.
Mas as pessoas são as pessoas. e tem gente de todo tipo. as pessoas são frutos do meio.

Ninguém tem culpa do que é. A naturesa humana reage ao meio. Salvo alguns gatos pingados ninguém age errado por decisão consciente ou é ignorante por prazer. Buscar o olhar o outro é o principio da humildade. Muitas vezes o ladrão é condenado sem que ninguém considere suas razões.
Um amigoM, pessoa de intelecto avançado, mita leitura e busca de conhecimento. Mas muito agressivo por natureza. E pouque A ticou com ele eunão sei. Testemunho coisas bárbars certa vez que durmi na casa deles.Em gera era um cara agradável.Embora sempre escrachando elegantemente. E todosnós vemos coisasiremacontecento o tempo todo.

Quantas razões pra tanta violenca tenho testemunhado na disciplina das pessoas. Em todos os lugares A grande maioria não escolhe o que faz. Pois resulta da formação de todos nós. Temos que ler o que está provocando tudo isso. Discutir a… nossa formação nas esquinas.

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O Feminismo & Eu.

24/08/2010 - 21h46

[…] Há vários motivos para você achar que sou uma feminista de meia-tigela. Gosto de funk, daqueles do Mr. Catra. Volta e meia caio na risada com as amigas “Por que agora eu sou piranha e ninguém vai me segurar”.  Gosto de belas roupas, Sex And The City, maquiagem e gosto de cuidar do meu marido. Apoio o Piriguete Pride e o Trucker Pride. Porque ser feminista para mim não significa ser homem, e também não é o contrário do machismo, significa essencialmente liberdade. Liberdade de cada mulher ser a mulher que quiser, mas consciente de sua representatividade, sempre repensando seu papel, sempre pronta a mudar de opinião, sempre pronta a identificar quando uma situação não lhe faz bem. Não acredite em estereótipos, não vire as costas para a feminista que você considera radical. Aquela mulher que queimou ou não sutiã no passado, protestando por um mundo mais justo é parte de mim hoje.  Está viva em cada escolha que faço. Não preciso ser como ela, não preciso ter as mesmas atitudes, mas não posso negar sua importância, seu significado e sua revolução que ainda não terminou. Porque, como disse a Maria Frô, sexismo emburrece e mata. […]

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Haidi Jarschel

08/08/2010 - 11h43

As mulheres continuam morrendo e apanhando ainda, e muito!! MAS, nao podemos esquecer que temos uma raiz profunda de séculos e até milênios na cultura ocidental (veja a cultura grega, romana, judaica, etc. onde temos um pé fincado culturalmente) de violência contra as mulheres. Não podemos esperar que esta herança secular se transforme em alguns anos. Com este avanço de políticas públicas voltadas ao enfrentamento das desigualdades de direitos entre mulheres e homens, estamos no caminho de transformar a cultura sexista e violenta contra as mulheres. E isto, é uma responsabilidade de TODA sociedade, não apenas das mulheres. Para vivermos numa sociedade com mais qualidade de vida e felicidade (como diz Fátima Oliveira) para todos, depende da açao cotidiana e política de cada uma e um de nós. Discursos ajudam, mas a prática cotidiana faz a diferença. Todas/os precisamos "meter a colher" neste horror que deixa a vida traumática e dolorosa para todas/os!!

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Haidi Jarschel

08/08/2010 - 11h42

Conceição, obrigada pela tua ajuda neste grande mutirão de luta pela igualdade de direitos das mulheres. Creio que estamos avançando. Depois de muitos anos de luta incansável conseguimos a Lei 11.340/06 e um ministério de políticas públicas para as mulheres. São consequencias de milhares de horas investidas por mulheres de todo este Brasil empenhadas por esta bandeira que já temos assegurada na Constituição de 88.

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Quatro anos de Lei Maria da Penha | Maria Frô

07/08/2010 - 14h52

[…] blog já discutimos isso no caso mais recente que ganhou a mídia: o bárbaro assassinato de Eliza Samúdio. Vimos que seu currículo sexual precedeu seu direito de ser protegida pela lei Maria da Penha. […]

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Marcelo de Matos

01/08/2010 - 13h41

Na página Jornais do UOL aparece a manchete: Na América Latina, Cuba é precursor dos direitos das mulheres. Você clica e aparece a mensagem: Ops! O Internet Explorer não conseguiu localizar noticias.http. No Bol notícias (http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2010/08/01/na-america-latina-cuba-e-precursor-dos-direitos-das-mulheres.jhtm) se lê: “Por incrível que pareça, na época em que vivemos, o aborto é legal em apenas um país da América Latina, Cuba. Cinco países – Chile, El Salvador, Honduras, Nicarágua e República Dominicana – o proíbem em qualquer circunstância, até quando a vida da mãe está em perigo. Uma lei que torna o aborto legal na Cidade do México está sendo atacada pela Igreja Católica Romana. Mas o aborto não é o único problema dos direitos da mulher na América Latina. Embora muitos governos da região se descrevam como progressistas, as vidas cotidianas de milhões de mulheres na América Latina continuam atoladas na pobreza, dominação masculina e discriminação por causa da negligência nas reformas sociais e medidas legais.” Vale a pena ler.

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@neylonbarboza

31/07/2010 - 21h51

Parabéns, Mulher! Parabéns, Conceição, por denunciar o preconceito, essa venda perversa que nos impede de ver o outro na sua dignidade, como realmente ele(a) é. Ao alertar-nos para essa "doença", você me faz lembrar do mestre Bob Marley, que nos exorta: "emancipate yourselves from mental slavery" a emancipar-nos da escravidão mental. Que livres do preconceito de gênero, possamos educar nossos filhos e filhas para o respeito, maior legado para a consolidação da democracia em nosso país.

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Está no Blog Vi o mundo, de Luiz Carlos Azenha | blogdobarbosa.jor.br

27/07/2010 - 19h42

[…] por volta das 23 h, subi aqui no Blog da Mulher um texto que até o momento 321 pessoas, além de o lerem, compartilharam o link […]

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Fátima Oliveira

27/07/2010 - 18h07

Caríssima Conceição, quando a gente termina de ler tem a sensação é a onscência de que estamos cumprindo o nosso dever, não apenas de denunciar as violências que se abatem sobre as mulheres tão-somente porque são mulheres, mas que também estamos dizendo que a saída é o estabelecimento de um novo padrão cultural que não coisifique as mulheres, numa sociedade na qual não seremos propriedade privada de nenhum senhor. Eu gosto de dizer que o feminismo é uma luta pela felicidade. E sempre que leio sobre mulheres assassinadas eu fico mais convicta de que o objetivo geral do feminismo é a felicidade..

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    Conceição Oliveira

    04/08/2010 - 14h55

    Você é uma grande pensadora no tema, uma grande ativista no combate ao sexismo, sempre bom lê-la.

Maria Dirce

27/07/2010 - 15h24

Tudo absolutamente tudo esta na base que é a falta da escola boa, bons profissionais, escola que estimula que instiga que promove que mostra outras direções que abre portas e janelas, que soma e não subtrai.Não existe nada mais vulgar do que as mulheres em poses ginecológicas nas revistas, e ainda falam que é "trabalho",os cenários dessas revistas esta tão explorado de poses com cobras, macacos, aves, correntes, roupas arrastão, bocas e caras, que extenuou quem delas goste e compre.O dinheiro rapido vale qquer coisa.As mulheres frutas, conseguiram depreciar essas mesmas frutas, com bundões e o vazio o nada além dos silicones.Sexismo……..deprimente!!!

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dukrai

27/07/2010 - 15h05

estou aturdido, não consigo comentar. vou pregar no meu blog pra reler depois.

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Novo texto no Blog da Mulher:Toddy, sexo ao vivo e Restart | Maria Frô

27/07/2010 - 14h20

[…] por volta das 23 h, subi aqui no Blog da Mulher um texto que até o momento 321 pessoas, além de o lerem, compartilharam o link […]

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Toddy, sexo ao vivo e Restart | Viomundo - O que você não vê na mídia

27/07/2010 - 12h15

[…] por volta das 23 h, subi aqui no Blog da Mulher um texto que até o momento 321 pessoas, além de o lerem, compartilharam o link […]

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De Paula

26/07/2010 - 16h55

A JUSTIÇA DOS LOBOS
Há dez anos, um inocente foi preso acusado de matar a mulher. O delegado? O do caso Bruno, por Leonardo Attuch

O título da coluna vem de um livro escrito por José Cleves, o melhor repórter policial de Minas Gerais, de quem fui colega. Cleves havia se especializado em denunciar esquemas de corrupção na polícia mineira, como a venda de armas, de carteiras de habilitação e o envolvimento de policiais com a máfia dos caça-níqueis, o que lhe rendeu prêmios e ameaças de morte. Em 10 de dezembro de 2000, sua esposa foi assassinada por dois menores quando o casal, acompanhado dos filhos, voltava para casa, em Belo Horizonte. Embora as crianças e a família da vítima testemunhassem a seu favor, o jornalista logo se viu no banco dos réus, acusado de planejar a execução da própria mulher. Foi preso e massacrado. Só oito anos depois, veio a absolvição definitiva pelo STF. Em todas as instâncias onde o processo tramitou, ele foi inocentado – ao todo, foram 25 votos a zero.
http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/colunista

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    Marcelo de Matos

    27/07/2010 - 12h46

    O delegado Edson pode ter errado em um caso anterior. Isso não quer dizer que sua carreira seja mais de erros que acertos. Um dos argumentos contra a pena de morte, que defendo, é exatamente a ocorrência de erros em investigações. É preciso não esquecer que a Justiça também erra, absolvendo criminosos ou condenando inocentes. O fato de um jornalista ter sido inocentado não significa que ele seja necessariamente inocente. A Justiça também pode errar. O caso Dana de Teffé, aí citado, é dos velhos tempos da revista O Cruzeiro. Naquele tempo também foram inocentados os assassinos de Aída Cury. Felizmente, as técnicas investigativas evoluíram. A própria sociedade, que compõe o corpo de jurados, evoluiu. Aída Cury foi jogada pela janela de um apartamento e os criminosos saíram impunes. O mesmo não aconteceu com o casal Nardoni. O caso Elisa, também, deverá ter um final diferente do Dana de Teffé. Não vamos transformar o delegado Edson em vilão de novela das oito. Os policiais não são santos, mas, quando trabalham com dedicação, merecem nosso respeito.

De Paula

26/07/2010 - 19h11

Conceição, suas análses são impecáveis. No caso Eliza Samúdio, deveria ter destacado que tudo o que se sabe é conforme a versão da Polícia Mineira. Versão, nada mais que versão por enquanto. Nisso resde o cuidado de quem escreve sobre o assunto. É um segundo Cado Danna de Teffé por enquanto, já que ninguém apresenta um corpo. Não esquecendo que o delegado Edson já protagonizou uma outra investigação policial, de crime contra a mulher, na qual ele dava de certo que era o ciminoso, que foi preso, julgado, condenado e encarcerado, depois ficou comprovado que era inocnete. Isso aconteceu recentemente, o suposto assassino era um jornalista, que a Polícia Mnera considerava inimigo..

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    mariafro

    26/07/2010 - 20h24

    Eu cito o caso do José Cleves no texto, inclusive dois links (um de artigo que ele comenta o caso Bruno e a polícia mineira e outro do seu próprio caso, transcrição do depoimento que ele deu na Assembléia Legislativa).

Marcelo de Matos

26/07/2010 - 17h39

Mais um caso de violência contra a mulher. A web designer Juliana foi com a mãe a um shopping, na zona norte de São Paulo, comprar um computador. Na escada rolante recebeu uma cusparada dada por uma menina. Foi ao encontro da tia da menina, que estava em companhia de três amigas, denunciar o ocorrido. Foi recebida a socos e pontapés, indo a óbito logo depois. Esse caso (mais um) de violência contra a mulher pode ser visto em vídeo do Record Notícias (http://noticias.r7.com/videos/desentendimento-entre-clientes-de-uma-loja-acaba-em-morte-em-sp/idmedia/).

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Sexismo emburrece e mata | Maria Frô

26/07/2010 - 13h43

[…] Se ainda não leu, vá lá: Sexismo emburrece e mata […]

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Marcelo de Matos

26/07/2010 - 14h38

O caso Elisa desperta na mídia um feminismo exacerbado. Datena brada: “Estão matando nossas mulheres!”. Há, sem dúvida, um desvio de foco – o buraco é mais embaixo. O crime é um subproduto da miséria, da ignorância e das drogas. É resultante de um sistema penal inapropriado, falho e não atinge só as mulheres. Em Luziânia, Goiás, um marginal libertado da prisão pelo sistema de progressão penal matou seis garotos. Na mesma região, em Novo Gama, outro criminoso, nas mesmas condições, matou seis mulheres. A violência não é contra a mulher: é contra meninos, mulheres, homens. Em São José do Rio Preto mais uma mulher acaba de mandar matar o marido. O executor foi um nissei de cabelos tingidos de louro, com cara de nóia. Poderia ter matado a mulher, da mesma forma que matou o marido. Como não temos a pena de morte, novos egressos de presídios que não reeducam ninguém cometerão outros crimes, cada vez mais bárbaros.

Responder

    mariafro

    26/07/2010 - 15h17

    Marcelo, o texto não se restringe ao caso de Eliza Samúdio, aliás busca enxergá-lo em outra perspectiva, mas ignorar o sexismo e a violência de gênero em suas diferentes nuances para controlar feministas exacerbadas, acho que é um pouco demais.

Marcelo de Matos

26/07/2010 - 14h01

“A filósofa Hannah Arendt, refletindo sobre a crise da autoridade, argumenta que toda geração adulta é responsável pela que a sucede”. Por falar em filósofo, na conferência proferida em 1946 “O Existencialismo é um humanismo”, Sartre dizia: “Ignoro o que virá a ser a revolução russa; posso admirá-la e tomá-la como exemplo na medida em que hoje me prova que o proletariado desempenha na Rússia um papel que não desempenhou em qualquer outra nação. Mas não posso afirmar que ela conduzirá forçosamente a um triunfo do proletariado; devo limitar-me ao que vejo; não posso estar certo de que os camaradas de luta retomarão o meu trabalho depois da minha morte para o conduzirem a um máximo de perfeição, sendo sabido que estes homens são livres e que decidirão livremente amanhã o que será o homem; amanhã, depois da minha morte, alguns homens podem decidir estabelecer o fascismo; e os outros podem ser suficientemente covardes e desorganizados para consentirem nisso. Nesse momento o fascismo será a verdade humana, e tanto pior para nós; na realidade, as coisas serão tais como o homem tiver decidido que sejam”.

Responder

    mariafro

    26/07/2010 - 16h03

    Hannah era idealista e o contexto deste pensamento era a crise da autoridade.

    Seu olhar é para uma educação formadora, para além do núcleo familiar.

    Não é nada fácil seguir o que ela propõe, pressupõe que como adultos nos sintamos responsáveis não apenas por nossos filhos, não apenas por nossa sala de aula, mas pela espécie humana. Neste mundo cada vez mais individualista difícil olharmos para o filho do vizinho, vê-lo em risco e tomar atitude, quem dirá para as demais crianças do mundo…

    Sartre em seu mais concreto existencialismo não abriu mão do exemplo e de uma visão humanista do mundo, não é?
    abraços

Ela

26/07/2010 - 10h35

O sexismo anda de mãos dadas com a hiprocrisia. Mentalidades arcaicas, geralmente atreladas à religiosidade, são as que mais detonam a mulher.

Responder

    mariafro

    26/07/2010 - 16h07

    Dos mesmos que dizem que Dilma 'defende a morte' e ignoram a morte das mulheres pobres sem acesso à saúde ou atacam o bolsa família denominando o programa de bolsa-esmola.

    Curioso, neste discurso hipócrita contra a discriminalização do aborto é que nem padre, nem bispo, nem pastor, nem os conservadores que querem acabar com todas as políticas públicas que atacam desigualdades sociais, se responsabilizam pelas crianças que eles dizem querer salvar no ventre de uma mãe pobre da periferia.

vocêtemcertezadisso?

26/07/2010 - 01h31

Sensato pacas hein amigo.
O sistema androcêntrico (ou machismo) não abrange só os homens, como as mulheres também são reprodutoras desses? Por que? Porque é o que lhes ensinaram, é um sistema maior do que se pode imaginar, até nossa linguagem é androcêntrica, sim, a própria gramática. Hoje em dia o sistema androcêntrico, o falocêntrismo está pior, pois é mais sutil, enquanto que antigamente era dado na cara mesmo. Nas suas séries americanas, e nos Estados Unidos, o androcêntrismo ainda é presente em quase tudo: ideias como a que a mulher é competitiva, invejosa, etc provam isso, além da indústria pornográfica deles que é uma das maiores do mundo e nem preciso dizer onde está o machismo nesse meio não é?
Ler um livro que chama-se O segundo sexo de Simone de Beuvouair vai te ajudar a entender um pouco disso, e por favor pare com comentários androcêntricos, pois o que se objetiva aqui é o fim dele.

Responder

aiaiai

25/07/2010 - 23h40

obrigada por esse lindo texto, nem achei grande!
estou tuitanto e peço licença para enviar por e-mail para [email protected] que não usam redes sociais.

Responder

    mariafro

    26/07/2010 - 00h53

    Fique a vontade para enviar a quem desejar e achar importante ler.
    Um grande abraço
    Conceição

Paula

25/07/2010 - 20h54

Fro seu texto é sensacional. Obrigada!

Responder

beattrice

25/07/2010 - 20h23

"Toda geração adulta é responsável pela que a sucede. E adultos que abram mão desta tarefa crucial, deveriam também abrir mão de serem pais e professores."
Seu texto Conceição é completo, intenso e um marco.
Dele destaco a frase acima porque considero que o avanço de uma sociedade, qualquer avanço, em qualquer sociedade depende estritamente do fato que todos venhamos a assumir nosso papel como educadores uns dos outros, criticando, corrigindo, elogiando e compartilhando erros e acertos.
Mas sempre progredindo.

Responder

Hevoise

25/07/2010 - 19h06

Parabéns, Conceição! Me dá um prazer inenarrável quando alguém consegue verbalizar coisas que estão entaladas na minha garganta. Obrigada em nome de todas as mulheres e também dos raros homens que tem a maturidade de respeitar uma mulher.

Responder

Marcelo de Matos

25/07/2010 - 16h01

“Reprimimos as meninas, reproduzindo os velhos papéis sociais desde a sua mais tenra infância, desde a escolha dos brinquedos”. Vovô dizia isso, mas, hoje as coisas não estão bem assim. Minha filha única optou por estudar arquitetura em uma cidade distante 600 km daqui. Lá divide o apartamento com uma amiga. Uma vez por mês, mais ou menos, vou até lá ou ela vem até aqui. Outro dia perguntei se ela não gostaria de reatar com o ex-namorado. Ela respondeu: Pai, quem vive de passado é museu. A filha de um amigo meu, ainda mais nova, disse que gostaria de morar sozinha. O pai disse que isso só seria possível se ela estivesse estudando em outra cidade. Aí ela disse: Pai, então eu vou morar com minha mãe (divorciada). E foi embora. Os jovens de hoje parecem feitos em série. Querem ser independentes, criar suas próprias regras. Parece que leram Sartre ainda na barriga da mãe. Ou será que o erro é dos pais? Da minha parte, não me sinto apto a dar à minha filha educação diversa da que ela obtém na TV e na casa das amigas. E “La nave va”.

Responder

Milton Hayek

25/07/2010 - 15h43

Veja esse absurdo,Conceição:
http://www.portalcorreio.com.br/noticias/matler.a

Domingo, 25 de Julho de 2010 – 08h52

Orgias movimentam milhões de reais na Paraíba

Prazer, aventura, dinheiro, sexo sem limite e drogas. Esses são alguns dos ingredientes que fazem parte do cardápio de orgias, festas secretas regadas a muita bebida e sexo liberado que movimentam milhões de reais e servem não apenas atletas e jogadores de futebol.

Na Paraíba e em Estados do Nordeste como Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia, empresários, políticos e assessores, advogados, médicos, promotores, juízes, cantores, atores e outras celebridades e autoridades fazem parte de uma seleta lista de “convidados”, que pagam caro por momentos de prazer, “serviços sexuais” e luxo.
Orgias na Paraíba

No entanto, nesses encontros secretos, há situações que fogem do controle: há drogas pesadas, como ecstasy, cocaína e LSD, sexo sem proteção, adolescentes aliciadas e exploradas sexualmente e até agressões físicas. Além disso, clientes ricaços pagam até R$ 12 mil por meninas virgens.

“Tem um empresário aqui de João Pessoa que me ofereceu R$ 12 mil para eu arranjar pra ele uma garota virgem. É um fetiche dele. Não arranjei, mas sei que meninas menores de 18 anos também participam de orgias”, revelou Pierre do Valle, que agencia mulheres.

Responder

Marcelo de Matos

25/07/2010 - 15h39

“De nós é exigido um corpo belo mesmo que não sejamos modelos ou atrizes pornôs”. Não sei até que ponto a sociedade “exige” isso. Parece mais uma auto-exigência do público feminino, para facilitar a conquista de parceiros belos e bem sucedidos. Circula na internet um e-mail com o título de “Mulheres de jogadores”, que mostra as maravilhosas namoradas dos craques e, ao cabo, mostra Ronaldinho fenômeno ao lado de um travesti. Piada sem graça, mas, evidencia que o dinheiro atrai beleza, ou qualquer ofelimidade (desejabilidade) como diziam os antigos economistas. Nem é preciso exigir que as mulheres se submetam ao seu jugo: a sujeição parece voluntária e prazerosa. Basta sentar-se em uma mesa de calçada em bar dos bairros ditos nobres, num domingo de sol como hoje, para observar como os jipões, na maioria das vezes, são dirigidos por belas mulheres. Coitadas. Como sofrem.

Responder

Marcelo de Matos

25/07/2010 - 15h07

“A violência não é constitutiva da natureza masculina, mas sim um dispositivo cultural de uma sociedade patriarcal que reduz os corpos das mulheres a objetos de prazer e consumo dos homens.” Desculpem-me pela minha ignorância. Antes de ler esse texto eu pensava que vivíamos em uma sociedade matriarcal. No oriente, sim, existe o patriarcalismo. Não só no Afeganistão, mas, até no Japão. Um conhecido meu, nissei, dizia que quando o homem acorda com a cabeça cansada, após uma noitada com os amigos, a mulher não deve admoestá-lo, mas, contar estórias alegres para que ele comece bem o dia. Outro nissei, esse escritor, disse-me que no Japão não é bem assim. Os executivos têm até uma verba para gastar com os amigos nas casas noturnas, mas, são as mulheres que controlam o dinheiro que ganham. De qualquer forma, o Japão é mais patriarcal que nosso país. Aqui os executivos não têm verba para gastar com gueixas e as esposas não gostam de contar estórias alegres. Para ser mais exato, as mulheres são muito sargentonas.

Responder

Preto Velho

25/07/2010 - 13h30

Conceição, como sempre muito clara.

Embora eu acredite que a tal Eliza caiu na cova em que plantou, também acredito que mais da metade do que falamos a respeito dela é exagero, transmitido por uma mídia interessada somente no lucro gordo.

Acho que deveria haver uma política mais forte de valorização da mulher, através de mecanismos, cursos, assistência médica e outras iniciativas. Não me interprete como se as mulheres fossem seres inferiores e carentes de proteção e ensino: pelo contrário, vejo como uma retratação pelos danos causados pelo patriarquismo da sociedade, relegando as mulheres ao papel de eterna "rainha do lar", muitas vezes (mal) justificado por uma religiosidade falha.

Conte com o meu apoio, e saibam que a minha mulher é a PESSOA MAIS PRECIOSA que existe na minha vida, e sempre a tratarei com o devido respeito e carinho, como todo ser humano deveria tratar o outro.

Responder

Júnior

25/07/2010 - 08h16

Excelente análise sobre o tema "mulher e o contexto social"
Aos interessados no tema sugiro a leitura do livro Crítica à tolice feminina, da socióloga Agenita Ameno – Editora Record -2001.
Ao tomar conhecimento do conteúdo entendi melhor o "porque" desta eterna guerra "homem x mulher".

Responder

monge scéptico

25/07/2010 - 07h51

EITA TEXTÃO BOM DANADO. PARABÉNS ; É ISTO.!!

Responder

Mariana Waldow

25/07/2010 - 04h22

maravilhoso. poderoso. contundente. verdadeiro, escrito com o cérebro e o coração. honesto. transformou minha noite melancólica em reflexão fina.
é uma honra poder ter tido acesso a esse artigo incrível, que todas as mulheres e homens que conheço serão convidados a ler.
amém. amém às deusas e deuses da sabedoria e sensibilidade humanas, altamente em crise na sociedade mundial.
muito obrigada por ser assim, uma guerreira contemporânea, tradutora fiel das suas próprias convicções e idéias, e excelente ser humano – tipo raro hoje em dia.

sinceramente, obrigada.
http://spbrasil.blogspot.com

Responder

Ed.

25/07/2010 - 01h16

Não consigo publicar texto grande, Parte 2:
Nào vamos transformar o combate ao sexismo em puro "sexo cabeça"… TER condições iguais e não SER iguais,
Por ex., eu não posso engravidar, embora possa ser "pãe", como pai e mãe de minhas filhas.
Já conheci mulheres brilhantes, bem sucedidas, independentes, femininas que, na cama … a última coisa que queriam é ser uma personagem de Faye Dunaway…
Curiosamente, fui ao dicionário para confirmar a palavra para o(a) "degustador(a)" de sexo, já que sexista é outra coisa…
Não tem! … Tem sexólogo (não é o caso), sexomaníaco (também não), mas não tem … "sexófilo" (o que eu buscava).
Portanto, se não tem, declaro "inventada": Como sexófilo, não me confundo: … "VIVE LA DIFFERÉNCE!"..

Responder

Ed.

25/07/2010 - 01h11

Não consigo publicar texto grande, Parte 1:
Por essas e outras, voto em Dilma. E depois seria Marina. Por mera opção de pessoas, idéias, não de sexo, que eu prefiro chamar de "gênero". Se houvesse um homem melhor avaliado por mim do que Dilma, votaria nele. Se igual, voltaria à ela!. Por que? Porque ainda há muitas conquistas reais a fazer nesta área e uma Presidenta ajudará a quebrar város preconceitos e paradigmas. E suspeito que pratiquei isso na minha carreira profissional.
Embora não me considere sexista, também não exagero na dose. Se por ex: uma mulher (ou um homem) é "galinha", não vamos filosofar demais sobre o assunto. Têm o direito de ser e arcar com o que são. Mero comportamento. Ponto.
(continua)

Responder

mariafro

25/07/2010 - 01h29

Lola, Diana, volto para respondê-las. Prometo.
Leider, Vera, Anunciação, Mara, Geyse, Marat, Patrick, Andre e demais amigos queridos, bom que gostaram, bom lê-los.
bjs

Responder

voxetopinio

25/07/2010 - 01h21

Conceição, eu confesso que quando te disse ontem no twitter que HOJE leria teu texto, fiquei com receio. Fiquei com receio por que as vezes temos medo da paixão da defesa feita pelos outros. Eu sofro com isso, pois também defendo com muita propriedade (não falo do que não sei) e paixão meus assuntos. Que bom que me enganei, dei com a cara na tela do meu monitor. Você foi holista, pontual, sensível (coisa que as mulheres são capazes de ser melhor do que boa parte da atual geração dos homens). Não quero que o que disse logo atrás soe como "sexismo", não é. Odeio o discurso do "politicamente correto", suas manifestações de amarras e IGUALDADE absoluta. Todos que estudamos história sabemos o que a igualdade pregada pelos iluministas gerou (o ápice da Modernidade com os regimes totalitários nazifascistas) em que a igualdade foi elevada a tao grau destrutivo que gerou o discurso do: Todos iguais, e os diferentes devem ser eliminados.

Eu esqueci o nome dela, mas uma bióloga recentemente levantou a questão da mulher se portar como mulher, já que é clara a diferença biológica e psicológica do ser masculino e do ser feminino na apreensão das coisas do mundo(um membro do viomundo aqui neste post já falou sobre isso) e esse é um dos motivos que tantaos enxergam nas mulheres uma força capaz de por uma nova concepção de tudo ao que o homem criou/impos.

Explico: o discurso de resistência do movimento feminista muitas vezes atacou o homem(patriarca, machista) na busca de sua destruição completa e não de sua desconstrução. As mulheres não usaram sua compleição biológica e psicológica comprovadamente diferente da masculina para idealizar uma nova forma de mundo, novos papéis sociais. Não. E essas diretrizes do movimento feminista foram seguidas e geraram muito do que se tem hoje: Mulheres que reforçam o discurso patriarcal. Chutaram o homem da cadeira dos grandes escritórios e são homens travestidos. O que ganhamos com isso? Nada.

Eu venho falando muuuito isso aqui no viomundo e percebi que você foi no viés que eu defendo do movimento feminista quando disse: "Repensar os papéis sociais cristalizados para mulheres e homens nos liberta, permite que mudemos nossas atitudes, possibilita-nos fazer escolhas mais conscientes tanto na política quanto na vida."

Não se trata de novos papéis para mulheres apenas. Nós homens também precisamos de novos papéis. Muitas feministas querem jogar o homem na sombra, no abismo e construir uma espécie de Nova Cítia, na qual reinem absolutas, imperiosas – na qual reinem como Homens criados na cultura patriarcal. Nós não vamos conseguir, sendo colocados à margem (como numa espécie de castigo infantil), nos reerguer e pensar novos locais. As mulheres precisam nos ajudar nesse novo caminho. E na medida do possível serem ajudadas por nós. Um trabalho dialético. Uma construção mútua de novos papéis para os dois. De outra forma as coisas não vão dar certo para nossa espécie nesse planeta.

É por aí que eu acho.
Abraço.

Responder

    Anônimo

    25/07/2010 - 19h14

    Apesar de eu já lavar louça, fazer um pouco de comida e não ter muitos problemas quanto a ajudar na limpeza da casa, admito que o sexismo é inerente ao homem. Sem delongas e discursos políticamente corretos que ausentem um ou outro de dezenas de milhões de brasileiros, é notório que é um problema crucial pras nossas vidas. Como homem, cometo muitos erros quanto a isso; mesmo sendo consciente sobre lutas díspares, como no campo, na questão racial, na questão política, a questão feminina é um grande tabu para mim e para os demais homens. Está incrustado em nós o desejo quase que somente sexual. Sim, ainda não conheci algum homem que não tenha amigas bonitas apenas por conveniência ou desejo. Nós homens, somos interesseiros e machistas. E isso tem que acabar. Um bom jeito de começar essa batalha, é admitir o erro.

    Admitamos.

    Belíssimo texto, Frô.
    @ph…

@PatrickSchneide

24/07/2010 - 21h37

Valeu muito a pena tomar fôlego.. Ótimo texto, Conceição! Parabéns!

Responder

André Frej

24/07/2010 - 21h31

Copiarei o texto e enviarei, depressinha, para as minhas listas de discussão.
É uma obra prima.

Responder

@DianaEsnero

24/07/2010 - 21h20

Excelente o texto, ressalvando apenas que vale citar que Marta Suplicy, por diversas vezes, derrapou em suas reações, mostrando um preconceito enrustido que aflora nas horas de descontrole, como no caso da moradora da periferia de São Paulo que a confrontou e nas insinuações sobre Kassab, que não deveriam jamais ser mencionadas. É aquela história do discurso longe da prática. Dilma e Lula também já derraparam, inúmeras vezes, em declarações que "coisificam" a mulher. Tirando as conotações partidárias, o artigo é ótimo. Também sou mãe, avó, e criei meus filhos sem machismo e muito me alegro ao vê-los participantes da vida de suas mulheres, dividindo as tarefas e respeitando-as como companheiras. No meu Blog existe a preocupação de veicular todas as manifestações que encontro na mídia em defesa da mulher, contra a violência e o abuso. O caso de Eliza é emblemático e não deve ser esquecido, pois mais uma vez se manifesta a ideologia de denegrir a vítima em favor do criminoso, como se isso justificasse a barbárie. A luta é grande e continua. Abraços.

Responder

    mariafro

    25/07/2010 - 19h27

    Oi Diana, obrigada pela leitura e observações, peço que compartilhe com o http://www.mariafro.com.br / [email protected] os textos relativos ao tema, tô pensando em fazer um post indicando outros bons textos produzidos pelas mulheres sobre a condição feminina.

    Para o encontro da blogosferaBR tenho pesquisado muitos blogs de mulheres e a maioria de nós, talvez cansadas de tanto dizer o óbvio se dedica quando está na blogosfera (já que também no espaço virtual nossa presença também é diminuta) a outras questões. A temática do combate ao sexismo está mais presente em blogs institucionais.

    Quanto às insinuações sobre Kassab (das quais eu ainda tenho questões e um dia recupero a propaganda e os artigos escritos pra dizer minha opinião) foram feitas por marketeiros, não vi Marta reproduzindo-as, contudo a responsabilidade em última instância da campanha é da candidata.

    E, finalmente, não vejo como discutir questões essenciais do combate ao sexismo, sem observar bandeiras políticas e os partidos que verdadeiramente as encampam. Creio que o PT (muito devido à mulherada combativa de seus quadros de militância que inclusive se manifestam ao próprio machismo de seus parceiros) ainda não abandonou essas bandeiras. Vou ficar muito feliz o dia em que o combate ao sexismo seja de todos os partidos.
    abraços
    Conceição Oliveira

Sobre mulheres e homens | ESTADO ANARQUISTA

24/07/2010 - 21h13

[…] as mulheres de um modo geral e se quer se tornar um ser humano melhor, leia também este texto aqui da Conceição Oliveira. Fala de homens que não entenderam o quanto as mulheres podem ser […]

Responder

Marat

24/07/2010 - 20h56

Conceição: Eu amo as mulheres, e acho que deveríamos, de uma vez por todas, acabar com todo tipo de preconceito contra esses maravilhosos seres, contudo, acho muito difícil que isso seja resdolvido a curto prazo: A vulgarização estampada em propagandas de revistas masculinas, por exemplo, ainda desperta sentimentos estúpidos nos homens.
Creio que um bom passo seria a eleição de um número maiores de mulheres em cargos públicos. Necessitamos de mais Mulheres (e não mulheres) vereadoras, deputadas, senadoras e, uma presidente. Seria maravilhoso.

Responder

    Gerson Carneiro

    24/07/2010 - 21h33

    Marat,
    Tenho dúvidas quanto à fusão política (eleição de um número maiores de mulheres) e sexismo. Não sei se uma coisa tem relação com a outra, e não sei o quanto o fato de haver um número maior de mulheres eleitas melhoraria o mundo. A Kátia Abreu é mulher e senadora, e se fizérmos uma pesquisa rápida na internet constataremos do que ela é capaz. Dona Hillary também. Não sei, preciso de mais acuidade nesse tema.

    Marat

    24/07/2010 - 22h53

    Mas eu falei "Mulheres". Kátia abreu é apenas uma "mulher"qualquer, com espírito dos homens mais torpes que existem…

    Marat

    24/07/2010 - 22h54

    Sobre a outra, a Hilária, ela não é uma mulher… Ela representa os EEUU, ou seja, é a personificação do mal, do amor ao dinheiro!

    Gerson Carneiro

    25/07/2010 - 06h41

    Tá vendo que é uma questão tênue que exige meticulosidade na análise?
    Ao dizer que fulana "é apenas uma mulher qualquer", e ao dizer que uma mulher "não é uma mulher" acabamos por incorrer na retórica do sexismo. É uma questão que exige muito cuidado na análise. Daí minhas dúvidas se a quesrão política se confunde com a questão do sexismo.

    Marat

    25/07/2010 - 13h29

    De todo modo, Caro Gerson, há Mulheres e Homens… contudo, muitos homens colocam todas as mulheres na vala comum… Eu exalto, com toda sinceridade, as qualidades que as Mulheres têm: Força, delicadeza, inteligência, zelo etc. Lógico que, quando trabalham em sintonia com Homens de verdade, as coisas funcionam melhor.
    Não gosto daquela coisa de tratar mulheres como objeto (reconheço que algumas se fazem de objeto). Por causa de alguns caras assim, estúpidos, muitas vezes nós todos somos também colocados na vala comum.
    Quero sim, Mulheres de verdade em número mais de postos-chave, quero Dilma presidente e quero homens e mulheres unidos pelo Brasil.
    Um abraço…

    Gerson Carneiro

    25/07/2010 - 16h42

    Marat,

    Apenas estou tentando alertar que posicionamento político e feminilidade são coisas distintas.
    Ao se referir ao termo "mulheres de verdade" em detrimento ao posicionamento político de alguma mulher, seja quem for, estamos recaindo na questão do sexismo. Mulher é mulher independentemente das atitudes políticas que protagoniza.

    Posicionamento político é pessoal (se direita ou de esquerda, se conservadora ou liberal). Feminilidade não é pessoal, é uma questão de gênero.

    Entre Lula e Kátia Abreu é óbvio que fico com o Lula. Entre Dilma e Serra é óbvio que fico com a Dilma.
    Beleza? Um abraço, também.

    Janes Rodriguez

    25/07/2010 - 15h35

    Ambas citadas por você são mulheres sim. Mas que ioncorporaram e reproduzem o machismo e os valores do patriarcado que combatemos. E são, delcaradamente, de direita. Abreu é conservadora até a medula em questões de costumes, e Clinton é aquilo: imperialista, arrogante. São as versóes feminias do patriarcado que as forjou.

    Gerson Carneiro

    25/07/2010 - 16h35

    Janes,
    Não há, no aspecto da análise da questão do sexismo, problema nenhum no fato de ambas declaradamente serem de direita. Não há mulheres de verdade na posição política de direita? O que estou tentando alertar é o fato de que trata-se de duas questões distintas, que não se confundem: posicionamento político, e sexismo.

    Em uma primeira análise penso o seguinte: a questão do posicionamento político (que envolve atitude política) está relacionado com o caráter, que é algo pessoal. Quanto à feminilidade, está relacionada ao gênero, e não é pessoal. Portanto, uma coisa difere da outra.

patricia

24/07/2010 - 20h49

Texto estoteante e definitivo. Vc sabe q eu não misturaria referências políticas, mas sem discussão, a questão do preconceito e primitivismo de nossa sociedade foi esmiuçado de forma brilhante, revoltante e conclusiva. Parabéns!

Responder

Maurício - Santos

24/07/2010 - 20h25

Acharia mais nobre se vc se posicionasse em favor da luta pela regularização da profissão de "Prostituta".A meu ver elas tem muito mais dignidade que muitas mulheres que andam por aí à caça de Pensão Alimentícia.E justamente este tipo de instituição chega a ser cruel quando tal dinheiro é destinado ao usofruto das donzelas que não querem nem mais trabalhar.A coitadinha da criança virou um banco que garante a sobrevivência da mãe.Se a mulher não se prestasse a este tipo de papel muita coisa seria diferente.Infelizmente a Elisa se meteu com o cara errado….só isso.O resto é papo furado da mídia e de intelectuais.

Responder

    Janes Rodriguez

    25/07/2010 - 15h36

    A penão a,limentícia é para alimentar o filho, contribuição para que com a separação a criança não perca as condições de vida que tinha quando os pais estavam juntos. E mais: filho não se faz sozinho. É sempre obra e responsabilidade de dois.

    Maurício - Santos

    25/07/2010 - 22h10

    Eu sei disso Janes.Mas o que eu quis dizer é que muitas mulheres usam esse argumento até mesmo para não trabalhar.Essas não honram a classe feminina.E a situação é mais gritante quando uma juíza consente esse tipo de coisa.A P.A é para o filho.Ambos tem que cumprir com essa respopnsabilidade.

    beattrice

    25/07/2010 - 18h49

    E voltamos ao assassinato do caráter da vítima, previamente morta e esquartejada.

    mariafro

    25/07/2010 - 19h28

    Acho que a Beattrice já deu conta do recado.

Gerson Carneiro

24/07/2010 - 20h19

No período Neolítico ou Idade da Pedra Polida (8.000 a 4.000 a.C.) acreditava-se que a fertilidade da mulher, bem como a da terra, provinha do poder da natureza. Enquanto mais gorda mais fértil era considerada. A mulher era cultuada. Esculpiam-se estátuas de mulheres, e o padrão de beleza feminina era o da mulher gorda de seios fartos. Até que tomou-se ciência de que o homem, através do pênis, engravidava a mulher. Passou-se então a cultuar o falo. Começou aí a desgraça feminina.

Responder

Marcos

24/07/2010 - 20h14

sombra’, ‘boneco’, ‘retrovisor’, ‘poste’ sempre foram termos associados a politicos com pouco ou nenhuma experiência eleitoral escolhidos por chefes de executivo com alta aprovação mas que não podiam concorrer a reeleição.
Sempre se disse Fleury, Pitta, Luis Paulo Conde, atualemente Anastácia, porque quando a Dilma é sexismo?
É como se as minorias não pudessem ser questionadas, que tivesse que se ter um cuidado a mais na hora de criticar uma minoria.

Responder

    Mario.

    24/07/2010 - 21h52

    Concordo plenamente com esse aspecto. Em geral o texto acerta, mas aqui exagerou. Qualquer candidato do bolso do colete, homem ou mulher, recebe esses "apelidos".

    mariafro

    25/07/2010 - 19h11

    Caros Mario e Marcos

    Palavras sempre estão no contexto, em todos eles, a idéia é dizer: Dilma não é sujeito histórico, não tem méritos e todos escorregam no sexismo na medida em que usam estereótipos relacionados ao gênero para desqualificá-la: liderança de plástico, de silicone”.
    Abraços

Leider_Lincoln

24/07/2010 - 13h24

Conceição, você sabe o quanto eu te respeito. E assim, nem sempre me comporto (você mesma já me "puxou a orelha" umas três vezes) mas este seu texto fez que de colega blogueiro eu me colocasse agora como fã. Eu também tive que lê-lo em dois fôlego e irei relê-lo novamente, como postá-lo em meu próprio blogue. Esse seu ensaio é ao mesmo tempo visceral e cerebral, usa a descrição das imagens para nos tocar o cérebro.
Em relação às suas palavras, eu fico tranquilo. Nunca usei a justificativa "era uma puta e ficou grávida de propósito" como justificativa para sequestro, agressão, tortura ou assassinato. São palavras nauseabundas. Que revelam muito mais sobre quem as profere do que sobre a quem se acusa. O que a boca fala, o dedo digita? O que mo coração está cheio, certamente.
Eu tenho mãe. Tenho irmã. Gosto bastante de uma pessoa e quero me entender com ela. Essa pessoa também tem mãe e irmã. Tenho ainda avó, tias, primas, amigas, alunas, colegas. Todos têm. Não são seres a quem se deva respeitar? Por que a sua mãe, esposa, colega é uma estranha para outrem.
Mas por ora calo-me, já disse muito. Vou ler novamente seu ensaio. E depois relê-lo. Parabéns, novamente, Conceição. Abençoado seja o ventre que te gerou e bendita a terra que te viu nascer.

Responder

    mariafro

    25/07/2010 - 19h13

    :) Obrigada, que bom que o texto mexeu com vocês. Fiquei gratamente surpresa ao ver que entre os quase 200 Rt até agora, uma expressiva parte foi dada por homens que republicaram o texto na íntegra ou o link em seus blogs, imprimiram, compartilharam com filhos e parceiras.
    bjs

FELIPE NETO É O CARA

24/07/2010 - 13h05

Acho que existe inveja feminil, inveja feminina. Existe inveja masculina também. Homens e mulheres tem biologia diferente, sistema nervoso diferente para lidar com problemas cognitivos. É natural que eles tenham temperamentos diferentes também. Essas disparidades biológicas não justificam qualquer situação da mulher no mundo, uma situação horrenda, cultural. Mas creio que essas disparidades biológicas modulam a experiência subjetiva, fazendo com que exista, em potencial probabilístico, uma maneira-mulher ou maneira-homem de ter experiências subjetivas.

Por isso não acho que o Ciro quis associar inveja ao sexo feminino. É questão de semântica.

Responder

    vocêtemcertezadisso?

    26/07/2010 - 01h21

    ahahhaahah
    diferenças biológicas são construtos sociais também
    o que você é hoje é construto social.
    pense nisso

Roberto Silveira

24/07/2010 - 16h00

Nasci no Mato Grosso do Sul (sem conotações) e filho de pai extremamente machista e mãe submissa. Adulto, era o espelho de meus pais. Mulher era objeto de se tirar proveito e prazer, algo que se poderia até admirar "apesar de ser mulher", alguma coisa que poderia até ser considerada boa, se soubesse o seu lugar, lavasse, cozinhasse e soubesse passar roupas sem amarrotados. TIVE A SORTE DE CASAR COM UMA MULHER FORTE E FEMINISTA. Amo esta mulher, que me ensinou a ver nas mulheres seres humanos, iguais a mim em tudo. Nosso casamento é baseado na admiração mútuo e esforço mútuo em prol de nossos projetos, e é muito bom poder dizer "nossos projetos" e não "meus projetos". Tornei-me um homem melhor e tenho a certeza de que Aninha cresceu como mulher e como pessoa ao meu lado, pois aprendi muito com ela. Penso com toda a sinceridade de que sou capaz que já passou da hora de uma mulher governar este país. Observando a minha esposa, pude pouco a pouco perceber do que as mulheres são capazes. A minha, além de me fazer feliz, olha para a frente sem medo. Hoje, eu também olho. Obrigado a você por produzir esse texto. Aliás, sou seu seguidor no twitter. Roberto Pires Silveira. Twitter: @btpsilveira

Responder

Geysa Guimarães

24/07/2010 - 15h25

A Conceição não tem preguiça, isso não é texto, é um tratado – irretocável.
Sua leitura leva a uma conclusão: eleger Dilma não é questão de gosto, mas de necessidade. Tanto os Bolinhas quanto as Lulus precisam conhecer a decência feminina para, a partir daí, melhorar seu comportamento.

Responder

Lola Aronovich

24/07/2010 - 14h38

Conceição, parabéns pelo texto. Vc fez um ótimo apanhado do machismo que vem acontecendo no país e na blogosfera nos últimos meses. Um trabalho de fôlego mesmo. Mas, insisto: é preciso discutir a aversão dos blogs de política de esquerda (o que vcs apelidaram, erroneamente, a meu ver, de "progressistas) aos blogs políticos escritos por mulheres. Nem vou entrar na discussão dos blogs políticos de direita – eles são machistas, acham que só homem pode escrever sobre política, que mulher blogueira só pode escrever sobre maquiagem, e é o que se espera deles. Condiz com a defesa deles do status quo. Mas, nos blogs políticos de esquerda, vejo esse esquecimento das blogueiras como uma falha gritante, contraditória até: queremos eleger uma mulher, pela primeira vez na história, para o cargo mais alto do país, mas, ao mesmo tempo, parece que pros blogs "progressistas" mulher e política não combinam. Só um pequeno exemplo: no blog do Eduardo Guimarães (que leio regularmente) há links para 30 blogs amigos. Quantos são escritos por mulheres? Algum? Um? Dois? Nenhum? Na mesa redonda que abrirá o debate do Encontro de Blogueiros Progressistas, vcs divulgaram seis nomes. Todos homens. Todos brancos, inclusive. Cadê a diversidade? Cadê a representatividade? Gostaria de uma reflexão sua sobre por que isso acontece. Eu escrevo sobre política (não só sobre política, mas tb sobre esse tema); meu blog tem 2,5 anos, média de 42 mil visitas (a maior parte leitoras) por mês, excelentes comentários das leitoras e leitores… E, no entanto, sinto enorme dificuldade em "furar o bloqueio" de blogs políticos de esquerda. Parece não haver diálogo. Não sei se esse bloqueio se dá por eu (e outras blogueiras de esquerda) ser mulher, ou se há um bloqueio para qualquer blog que não seja da "turma de amigos". Está na hora de vcs discutirem esse paradoxo. E, por favor, não me diga que "há vários blogs políticos de esquerda escrito por mulheres". Eu sei disso. Aparentemente, são vcs que não sabem.

Responder

    Leider_Lincoln

    24/07/2010 - 16h03

    Ah, eu leio o seu blogue sim, Lola. Até o tenho linkado no meu próprio e inclusive já o repliquei. Mas achei interessante as questões que você colocou… Será que os blogueiros progressistas além de homens brancos são todos sudestinos?

    mariafro

    25/07/2010 - 20h55

    Querida Lola, como prometido, aqui estou.

    Primeiramente obrigadíssima pela leitura.

    Queria convidá-la a vir discutir estas questões no encontro dos blogueiros, não pense que elas estão ausentes, não. Dentro da própria comissão já discutimos isso e somos três mulheres por lá, eu a xará Lemes e a Geórgia que vai dar uma oficina pra nós ensinar a vender monetariamente o nosso peixe :)

    E há sugestões de diversas mulheres pra compor a mesa, mas todas elas (como são ativistas) não têm agenda.

    Estamos tentando ver se a Debora Silva concilia agenda, porque no mesmo dia da mesa, ela tem ato no RJ, vigília, marcha e outros atos dos 17 anos da chacina da Candelária. Debora para mim representa muitas lutas em uma só: contra o racismo e o extermínio da juventude negra no país, a luta das mães de maio por justiça, pelos direitos humanos, a força das mulheres negras brasileiras.

    Em relação ao BlogRoll, eu sou amiga do Eduardo Guimarães e não estou listada no blog dele, mas estou no do Rodrigo Vianna, por exemplo. Acho que há várias explicações para isso.

    De certo modo os blogroll explicita o que lemos, explicita nossas relações e admirações, mas nem sempre. Eu leio o seu blog e ele não está listado no meu, e, igualmente, não estou listada lá e nem sei se você lê o http://www.mariafro.com.br.

    Eu particularmente acho que links nas redes sociais estimulam muito mais a leitura que os blorolls, estes só trazem acesso ao seu blog se em si eles explodirem de acesso. Em compensação quando um link do meu blog vai para o twitter, facebook, orkut, googlebuzz, recebo muito mais leitores. Cerca de 30% dos leitores homens e mulheres do http://www.mariafro.com.br vêm do twitter.

    Eu não acho que existe um bloqueio deliberado dos blogs da esquerda, acho que o problema é outro. Não dá para comparar os milhões de acesso mês que Azenha, Nassif e PHA têm. Eles são jornalistas renomados, estão na TV, a visibilidade deles é e sempre será muito maior. E do pouco que sei, se blogs de jornalistas de direita tivessem a coragem de sair dos grandes portais, eles dariam vexame.

    Nosso problema é maior, estamos em minoria também na rede, exatamente porque somos sub-representadas em diferentes espaços de poder.

    Blogar para mim está cada dia mais difícil e mesmo que o meu blog venha ganhando algum respeito e importância, hoje ele tem cerca de 5 mil páginas vistas por dia, já teve picos de 8 mil quando o assunto esquentou e nos dias que não posto fica em torno de 3 a 4 mil, Em média por mês tenho cerca de 120 mil páginas vistas. É pouco se compararmos aos blogs independentes e não alinhados à grande mídia e sem acesso à tv como o do Edu ou o do Cloaca ou Esquerdopata, mas se eu tivesse dez leitores por dia ainda assim acharia importante mantê-lo, mas não é fácil.

    E onde estão os vários blogs políticos de esquerda escrito por mulheres que focam a questão do sexismo que não sejam institucionais? A gente mal consegue manter o "Sexismo na política" que é coletivo, a Marjorie abandonou o dela, as mulheres do "Maria da Penha" fazem rodízio… Eu quero esta lista, quero saber quais são os blogs importantes, focados na temática do sexismo que não são institucionais.

    Enfim, acho que esta discussão merece atenção e debate sim, estou a postos (entre lavar o quintal, escrever textos, revisar a coleção, cuidar da filha, da mãe… e quiçá de mim).
    beijos

Mara M. de Andréa

24/07/2010 - 11h09

Cara Maria Fro,
Abrangente, oportuno e soberbo esse teu texto! Muito obrigada!
Entretanto, eu gostaria de citar que, lamentavelmente, ainda encontramos mulheres que também são sexistas e ainda acham que o sexo masculino é superior. No meu meio que é de nível universitário, pós-graduados com muita frequência, isto é muito comum e, muitas vezes, passa desapercebido que determinadas atribuições ou tarefas ou representações são quase "naturalmente" direcionadas a homens. Além disso, você é perfeita quando diz que "Convivo com muitos amigos de esquerda que têm grande dificuldade de entender o mundo para além da luta de classes."
Agradeço a tua exposição de reflexões tão profundas.
Um abraço
Mara

Responder

    mariafro

    25/07/2010 - 19h29

    Obrigada, Mara e como tem! Sou amiga de várias. Mas eles estão cada dia mais cuidadosos e aprendendo.
    beijos

Marcos Simões

24/07/2010 - 10h51

Conceição, você matou a pau

Responder

Vera Silva

24/07/2010 - 04h57

Conceição Oliveira, obrigada pelo texto: fala de amor-próprio feminino, orgulho de ser mulher, luta pelo empoderamento feminino, cidadania para homens e mulheres, educação não-sexista, mas não perde a ternura, não renuncia a ser mulher.
Seu texto é histórico. Mutatis mutandis, seu texto me lembra a grande mestra: Carmem da Silva, que me ajudou com seus textos na revista Cláudia, a entender que mundo era aquele o das mulheres que eu via passar e não gostava nada dele.
Que bom ler você, ler por aqui tantas mulheres e homens que lutam contra a discriminação de gênero. Que bom votarmos numa mulher não-sexista indicada por um presidente que luta contra o sexismo.
Nestes tempos tenho pensado o quanto sou privilegiada de assistir tantas mudanças e poder partilhá-las com tantas pessoas que podem fazer também ouvir a sua voz.
Obrigada também por ser uma destas vozes que faz pensar e amar a liberdade de escolha.

Responder

albertina maletta

24/07/2010 - 04h04

Sou leitora assídua deste blog há muito tempo e por motivos de insegurança, já que me considero quase analfabeta no quesito internet, nunca criei coragem para postar um comentário, temerosa de "dar manota", como se costuma dizer por aqui. No entanto, diante da leitura deste primoroso texto, tive que deixar o medo de lado e expressar a minha admiração pela conteúdo do texto e meus cumprimentos efusivos à autora. Já tratei de encaminhá-lo as minhas filhas e recomendá-lo a várias pessoas como leitura obrigatória. Valeu, Conceição ! Que venham outros semelhantes, não só em conteúdo, mas também em importância.

Responder

    mariafro

    24/07/2010 - 12h36

    Albertina que bom ler seu comentário! Expresse-se mais vezes, internet é um apenas meio e a gente não aprende se não experimenta. O central são as idéias e você as tem.
    obrigada,
    bjs

anunciação

24/07/2010 - 03h56

Nossa!De perder o fôlego.Sei que pareço tiete mas é fantástico ver tudo aquilo que pensamos ser escrito de firna densa e clara.

Responder

Erico Matos

24/07/2010 - 03h31

O machismo é uma coisa muito viva na nossa sociedade e isso é algo muito triste, pois no caso da RBS, ver um "delegado" de policia dizer que não sabe se ouve estupro é um absurdo, pois será que ele não conhece a lei artigo 217-A do código penal que diz "Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena – reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos" Quer dizer independente do consentimento ou não é estupro !! nossas autoridades e o pior a nossa sociedade é machista, e isso reflete nas atitudes das nossas autoridades, mudar isso é algo complicado e muito difícil infelizmente, veja o caso do Bruno como exemplo. infelizmente.

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Metheoro

24/07/2010 - 03h18

Eu li todo o texto. Concordo com mtos pontos. Tomei um fôlego moderado… cansei a vista, dei uma "volta" pelo twitter e voltei pra ler. Tipos, apesar de enorme, os pontos de vista elencados estão ótimos e concisos. Parabéns mais uma vez.

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Yamãnu B.

24/07/2010 - 02h55

Eu gosto muito da sua luta contra o sexismo Conceição, mas interrompi a leitura do artigo quando você citou o "Tijoladas". Cliquei no link para conhecer o referido blog e me assustei com a carga de preconceitos que tem naquele site. Acho que ele também merece um comentário desabonador, apesar de ter levantado a lebre do estupro. Mesmo que ateste não ser homofóbico e racista, há que se considerar que esses males também se reproduzem pela via discursiva.

Lerei o restante do texto depois, poque agora perdi a vontade…

Cordialmente,

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    mariafro

    24/07/2010 - 12h32

    Você tem razão e um leitor ontem no twitter manifestou a mesma preocupação. E isso me deixa feliz, dois há fizeram a crítica e ela tem de ser feita.

    Meus texto fez um recorte de tópicos que não consigo ver separados quando discutimos as violências contra a mulher, já ficou muito longo para o formato de blog e queria, inclusive, fazer mais um tópico sobre a mulher no mundo digital: blogs, redes sociais (como nos outros espaços de poder também somos minoria), acabei desistindo p/não alongá-lo ainda mais.

    Mas prometo um texto refletindo sobre a linguagem escrita e visual dos blogs de esquerda que reproduzem sexismo.
    abraços.

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