VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Professor Vidal: “Acham o quê? Que somos imbecis?”


13/06/2011 - 16h28

UM MAL MENOR PARA EVITAR UM MAL MAIOR

do Professor Vidal – ETEC Carlos de Campos

Um insulto à inteligência do professor.  É assim que defino a forma amadorística e canhestra com que os professores do Centro Paula Souza tem sido tratados durante a greve. Acho que nunca vi nada parecido nos meus 30 anos de magistério, profissão que escolhi com consciência e me orgulho muito. Essa greve está fazendo que muitas pessoas se revelem,  principalmente os “profissionais” que dirigem o Centro Paula Souza e a secretaria à qual ele está subordinado.

O que dizer desta última reunião no dia 6 de junho? Fica nítida a intenção de desmobilizar a classe, nada mais. Nada de novo na proposta e uma ameaça de corte na folha de pagamentos. No texto que chegou para as escolas a superintendente fala em “grande esforço no Governo do Estado e da Superintendência no sentido de atender às reivindicações  dos servidores”, usa pleonasmos como “elo de ligação”, acham o quê? Que somos imbecis?

Que ninguém venha me dizer “se não está contente caia fora”, por que não vou cair fora, é também papel do professor defender a escola pública que é do povo, defender a qualidade e a continuação de um trabalho árduo feito até agora por nós professores.

Fomos nós que construímos estas escolas e não o governo com seus tijolos. Estou há 22 anos na ETEC Carlos de Campos e sei e temos testemunhas do que já fizemos lá para garantir a escola em pé  e em condições com o mínimo de qualidade de funcionamento, não é agora que vamos entregar os pontos. Comove-me ver profissionais brilhantes em início de carreira discutindo o que fazer porque com 10 reais não há futuro. E eles estão tendo a chance, graças à greve, de conhecer a verdadeira face do governo atual de São Paulo e das pessoas que são colocadas em cargos importantes sem a menor destreza para atingir uma classe profissional.

Grandes líderes falam ao seu povo, gentinha manda recado, manda “memorando” como nos tempos da ditadura, não aparecem em público, não vimos uma vez nos jornais ou na TV a cara desses dirigentes falando sobre a atual situação das ETECs.

Se não fizermos nada, o destino mais provável das ETECs será o mesmo das escolas da rede estadual, sucateamento, falta de qualidade, falência nos índices. Este ano na ETEC Carlos de Campos os professores foram chamados de “muito passivos” por um superior do Centro Paula Souza, por não termos reagido a problemas internos com a direção. Agora que entramos em greve (e muito ativos!) somos ameaçados e tidos como imbecis e insensíveis.

Mas se formos derrotados nesta luta, nossa derrota não é para com o governo, nem secretaria, nem superintendência. Nossa derrota será com os nossos colegas não grevistas. Sabemos que essa greve já teria terminado com vitória se fossemos 100%. Mas não nos unimos, fracassamos em mostrar aos colegas o perigo corrente e não os convencemos a ir junto à luta.

Estamos cansados, preocupados, mas não esmorecemos e vamos continuar lutando contra um mal maior. DESASTRE é o que estar por vir nos próximos anos E NÃO no momento atual, na greve e no período onde teremos de repor as aulas não dadas. A prova disso, desse mal maior que está por vir, o próprio CENTRO PAULA SOUZA já assumiu, basta ler um dos últimos ofícios enviados para as ETECs sobre a reposição de aulas, eles falam em dias parados da greve e das situações de “claro docente”(classes sem professor), por que há classes sem professor?! Acho que não é necessário responder, todos somos inteligentes para entender.

Hoje, na assembléia geral vamos provar nossa inteligência, capacidade e inteligência.

Leia aqui “Professor em greve denuncia maquiagem tucana”

E aqui denúncia do blog Se a Rádio Não Toca:  O governo tucano tem dinheiro para contratar empresa suspeita de fraude em licitação. Para dar reajuste para os professores e funcionários das ETECs e do Centro Paula Souza, não.





23 comentários

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Pam

15 de junho de 2011 às 03h03

é… também fui aluna lá nos idos de 2004 mas de dg… fico muito triste em ver como as minhas escolas (porque o cefet também não vai nas melhores condições..) tão queridas estão desmoronando tão rápido!

os ex-alunos com certeza apoiam vocês! ficarei acompanhando para ver os desdobramentos!

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André

14 de junho de 2011 às 18h26

O pior é o silêncio dos bons… como dizia Luther King. Hoje o que estamos vendo é uma sociedade calada afinal, o mais importante é não ter trânsito na volta pra casa pra dar tempo de ver a novela ou o jogo da Libertadores! Os professores que se atualizam, fazem cursos, pós, mestrado etc… saem da educação pública! Mas talvez seja isso que a sociedade queira… pagar, além dos impostos, colégios caros para que seus filhos possam ter uma educação de qualidade!!! Os políticos são um retrato da sociedade e não o contrário… Cada povo tem o governo que merece!!! Fiquei mais de 30 dias em greve, participando de todos os movimentos e…. só vi declarações negativas de uma sociedade conformada e burra!!!

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Roberta

14 de junho de 2011 às 13h47

Pior é o PT cortando salário…em Contagem foi o que aconteceu??!!! Do PSDB a gente espera…

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Alício

14 de junho de 2011 às 12h21

Hoje no Jornal da Record a relação Globo x Teixeira. A podridão do nosso futebol. Não percam !

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PAULO P,

14 de junho de 2011 às 11h37

O Governo Federal teria condições de fazer uma ótima REDE FEDERAL DE ENSINO, em todos os níveis, primeiro. segundo/técnnico/ e terceiro/universitário/ gráus, se com vontade política acabasse ou diminuisse a BOLSA BANQUEIRO, o maior juros do mundo, que o Brasl paga.

Como ouço há mais de meio século… 'O PAÍS É RICO. O POVO É QUE É POBRE.'

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henrique de oliveira

14 de junho de 2011 às 11h19

Isso é São Paulo e sua educação , grande choque de gestão.

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strupicio

14 de junho de 2011 às 09h22

como diz o tio rei que também era professor: "deixei de ser porque nao tinha vocação pra reclamar de salario"..

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Eduardo Oliveira

14 de junho de 2011 às 01h06

Cuidados ONG Horizontes chegando para tercerizar o ensino das ETEC e FATEC!!!

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FrancoAtirador

14 de junho de 2011 às 00h57

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CAMPANHA PARA A FEDERALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO EM TODOS OS NÍVEIS

Encaremos a realidade: a estadualização e a municipalização da educação fracassaram.

Os motivos desse fracasso são tantos, que talvez seja impossível enumerá-los todos:

Faltam gerenciamento, planejamento, projetos, vontade política e interesse público.

E sobram desvio de verbas, descaso administrativo, sucateamento e precariedade nos serviços.

É o verdadeiro caos nacional.

Está na hora de repensarmos a estrutura do sistema educacional brasileiro.

Os estados e os municípios, salvo exceções esporádicas, se demonstraram incapazes de executar as Diretrizes Básicas da Educação previstas na LDB (Lei 9394/96).

O novo Plano Nacional da Educação, do governo federal, é muito bom, mas a quem cabe implementá-lo?
Aos 26 estados e aos 5.565 municípios, a maioria em situação econômica precária e sem um aparelhamento funcional, especialmente técnico-administrativo, sem condições, sequer, de elaborar projetos e encaminhá-los ao Ministério da Educação.

Decorre daí, por exemplo, o passeio da verba federal, que inúmeras vezes é liberada pelo Governo Federal, porém retorna ao Tesouro Nacional sem a devida execução orçamentária, simplesmente porque não foi elaborado um projeto pelo estado ou pelo município.

Sem falar no desvio desta mesma verba nos trâmites burocráticos internos.

Os problemas são de toda ordem: política, administrativa, financeira, legislativa e estrutural.

As maiores contestações e resistências, em relação a uma mudança radical no sistema, partem dos governos estaduais e dos grandes municípios, com orçamentos robustos, já que os caciques políticos regionais, notadamente governadores, senadores e aspirantes a tais cargos, jamais vão admitir esta alteração das competências administrativa e financeira, pois significará perda do poder político e econômico nos estados.

Certamente o tema é bastante complexo e precisa de amadurecimento, até porque envolve alteração de normas constitucionais, mas inegavelmente uma mudança radical na estrutura do sistema educacional é necessária e urgente.

Este debate sobre a Educação Brasileira é de suma importância para o País.

A proposta está lançada:

PELA FEDERALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO EM TODOS OS NÍVEIS !
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Responder

Você acaba de doar R$ 470 milhões à FIFA | Viomundo - O que você não vê na mídia

13 de junho de 2011 às 23h06

[…] Veja aqui como falta dinheiro para dar aumento de salários aos professores… de São Paulo   […]

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Angelo

13 de junho de 2011 às 21h36

Azenha..
Parabéns pela reportagem de Domingo e hoje sobre os "cartolas" é assim que saberemos do
submundo do Futebol
Parabén tambem ao Amauri e sua equipe
continue assim..
Abraços

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Antônio de Sampaio

13 de junho de 2011 às 20h39

O professor Vidal é a Bebel das ETECs..

Vão perder… a caminho de mais uma surra acachapante.

Perdeu tocador de tuba… perdeu pelegão…

Responder

João PR

13 de junho de 2011 às 20h29

O que estranha mesmo é o silêncio da grande mídia sobre a greve em São Paulo. Fosse um governo do PT….daria capa dos jornalões todos os dias.

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    P A U L O P.

    14 de junho de 2011 às 07h11

    Estranha ou comum, os Paquims que se se dizem jornais, são dirigidos e redigidos pela tucanalha.

Avelino

13 de junho de 2011 às 19h24

Caro Azenha
Tem muitos professores que votaram nele, pois acreditavam que Alckmin seria melhor do que o $erra.
Saudações

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    rita

    13 de junho de 2011 às 22h52

    tinham que pensar que o mercadante seria melhor que o alckimin… agora já era a eleição já passou…
    a banda já passsou… é como disse alguem ai no blog: professores das escolas estaduais fizeram greve no ano passado… e nas etcs tudo era um mar de rosas…

Gustavo

13 de junho de 2011 às 17h29

Oras, caso o Governador não goste das greves, que peça para sair!!!!

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Lazlo Kovacs

13 de junho de 2011 às 17h26

Na Escola Rui Bloem – considerada uma escola modelo em SP – existe uma cobrança "por baixo dos panos" das provas realizadas por professores e sob a conivência da direção. Cada professor calcula o quanto gastará nas provas e os alunos rateiam os valores entre si. Representantes de classe ou responsáveis escolhidos pelos professores recolhem o dinheiro para que os professores fotocopiem as provas. Existe um outro meio, que é cobrar no dia da prova; assim, não há possibilidade de serem pegos com o dinheiro e as listas. Pois é, um exemplo de como a educação é feita em SP!!!

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FrancoAtirador

13 de junho de 2011 às 17h13

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Manchetes pescadas no Viomundo:

Governo tucano contrata empresa suspeita de fraudar licitações
Em São Paulo, para serviços em escolas técnicas, denuncia o blog Se a Rádio Não Toca

Euler Conrado: O arrocho salarial dos professores de Minas
Salários miseráveis em Minas

Santa Catarina: “Queremos apenas que se cumpra a lei”
A greve dos professores

Roque Pinto: O passado que não passa
Ainda a greve na Bahia

Professor em greve denuncia maquiagem tucana
Nas escolas técnicas

O desvio das verbas da educação em Santa Catarina
Sem dinheiro para os salários?

Greve dos professores de Santa Catarina: Quem aderiu, não terá contrato prorrogado
Avisa circular a Secretaria da Educação do estado enviada a todos os diretores de escola
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A SISTEMA DE ENSINO NOS ESTADOS E MUNICÍPIOS COLAPSOU.

A SOLUÇÃO É A FEDERALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO EM TODOS OS NÍVEIS !
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Responder

    João Paulo

    13 de junho de 2011 às 20h04

    Muito bem, Sr.Franco Atirador, finalmente encontro alguém que comunga com as minhas ideias. Só a Federalização irá salvar a Educação brasileira. Minha proposta é que caiba à União os programas de ensino e a remuneração dos profissionais da Educação. Aos Estados e municípios caberia as reformas na rede física das escolas, por delegação federal. Vamos passar essa ideia para frente. Conte comigo.

    FrancoAtirador

    14 de junho de 2011 às 00h56

    Não somos os únicos:
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    .
    PELA FEDERALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA EM TODOS OS NÍVEIS

    Quando da publicação do vídeo da professora Amanda Gurgel, o Viomundo abriu espaço para uma discussão importante sobre a estrutura da educação no Brasil:
    .
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    O ZePovinho deu o mote:

    "Vamos defender a criação de uma Rede Federal de Educação Básica (do maternal ao ensino médio).Estados e municípios não têm competência ( e nem vontade) de entregar educação pública de qualidade aos brasileiros que não podem pagar uma boa escola privada."

    Eu aderi:

    "Há tempos venho refletindo na questão e cheguei a esta triste constatação:
    A estadualização e a municipalização da educação e da saúde fracassaram.
    E os motivos desse fracasso são tantos, que talvez seja impossível enumerá-los todos:
    Faltam gerenciamento, planejamento, projetos, vontade política e interesse público.
    E sobram desvio de verbas, descaso administrativo, sucateamento e precariedade nos serviços.
    É o verdadeiro caos nacional."

    O Roberto Locatelli complementou:

    "No primeiro mandato de Lula, ele iniciou um movimento pela federalização do ensino. Mas sofreu ataques furiosos da elite. E recuou. Será que não é o caso de se pensar nisso novamente?"

    O Marco Tulio, por sua vez, assim se manifestou:

    "Cara…que felicidade ler isso.
    Não é de hoje que venho falando isso aqui e acolá, mas minha voz sozinha é muito baixinha para ser ouvida…quem sabe daqui do Viomundo que é um espaço respeitado e de grande repercussão na blogosfera possa germinar essa idéia e tomar corpo junto à opinião pública.
    Enquanto a fase mais importante da educação, que é a fundamental, continuar gerida por essa cambada (exceções há, apenas para confirmar a regra) de prefeitos ignorantes e corruptos e incompetentes vamos continuar nessa situação patética.
    Federalizar o ensino fundamental com URGÊNCIA é a única solução (objetiva e de curto prazo, como bem disse a Profª Amanda Gurgel, ainda que não sobre a federalização) para reverter esse quadro dantesco.

    Paralamente, o Pedro Luis Paredes fez comentário no mesmo sentido:

    "Esse passeio da verba federal seria encurtado se eliminássemos os Estados.
    Assim as demandas seriam as mesmas em todas as escolas do Brasil pois teriam a mesma fonte e o mesmo padrão de gasto.
    Sendo as mesmas demandas, a mobilização e a união do setor seria muito mais fácil, sempre pontual e com mais responsabilidade.
    Hoje cada estado tem um piso, demandas diferentes, gargalos diferentes. Isto é um absurdo sob o ponto de vista constitucional.
    Não alcançaremos a democracia de oportunidades dessa forma uma vez que a constituição quer justamente diminuir as desigualdades regionais…
    A educação deve ser a mesma para o Brasil inteiro, não sofre de elementos circunstanciais e locais, então não cabe aos estados tomarem conta se no fim das contas quem executa são as cidades. O executivo dos estados estão de gaiato nessa estória…
    A questão da segurança se estende aos carceres, drogas e oportunidade (educação).
    A questão da saúde…depende da educação que seria feita pelas cidades subordinadas diretamente à União.
    Digo isso porque com boa educação diminuímos custos com saúde e segurança; diminuímos custos futuros.
    Se querem mudar o Brasil, mudem a educação.
    Se querem mudar a educação, unifiquem-na.
    Estamos a quanto tempo mendigando mudanças?
    Dando tiro no escuro?
    Rodando em círculos?
    Desde 1989?
    Só por falta de força política?
    Para ganhar merreca?
    Não brinco com esse tipo de assunto.
    O momento agora é perfeito pois precisamos de gente capacitada; o governo tende a ceder; até a rede bobo esta defendendo a melhora na educação (por razões diferentes é claro); e principalmente porque ainda precisamos.
    Os professores desconhecem o poder que tem nas mãos. Se conhecem, não sabem como usá-lo."
    .
    .
    Pergunto a todos:

    Não seria o momento para ampliar esta discussão e transformá-la em um debate nacional sobre os rumos da Educação no Brasil?
    .
    .
    .
    CAMPANHA PELA FEDERALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA EM TODOS OS NÍVEIS

    Aguardamos adesões, especialmente dos educadores e dos blogueiros que lutam por uma educação de qualidade no País.
    .
    .
    Edson
    Juntemos a famosa manifestação da professora do RN, Amanda Gurgel, o texto de Euler Conrado e esta brilhante reflexão de FrancoAtirador e já teremos argumentos mais do que suficientes para justificar uma revolucão cidadã nesse país, através da EDUCAÇÃO.

josaphat

13 de junho de 2011 às 17h13

Se houver alguma solução para questão da calamidade em que derivou a educação no país – no mundo? – passará pela coragem para uma greve que dure meses, inclusive com corte de salários.
Há que se pagar o preço.

Responder

Felipe Guerra

13 de junho de 2011 às 17h13

Mais uma greve?
Que coincidência, bem no governo do Xuxu!
Estive lá em 2004, era estudante da Fatec…ganhei uma cicatriz de bala de borracha da polícia do picolé…bons tempos aquele.

Responder

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