Memórias de um cientista brasileiro: Boris Vargafitg lança livro com debate e testemunho de Marco Aurélio Mello

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Marco Aurélio Mello: 'Ao contrário de outros livros de memória, o do professor Boris não se apega ao passado, nem a personalismos. Lida com conflitos humanos, com a dinâmica das relações sociais e - principalmente - com a perspectiva política'. Fotos: Arquivo pessoal e divulgação

Da Redação

O professor Boris Vargafitg lança nesta quinta-feira, 18/04, às 18h30, na Livraria Tapera Taperá, em São Paulo, o livro Encontrar seu lugar.

É uma autobiografia, um livro de memórias de um cientista brasileiro.

O jornalista Marco Aurélio Mello que ”teve o privilégio de colaborar com o livro que começou a ser escrito pouco antes da pandemia”, nos dá, abaixo, o seu testemunho. 

Por Marco Aurélio Mello

Boris Vargafitg é um dos mais proeminentes cientistas e intelectuais brasileiros.

A obra que lança nesta quinta é um livro de memórias que, ao contrário de outros, não se apega ao passado, nem a personalismos.

Lida com conflitos humanos, com a dinâmica das relações sociais e – principalmente – com a perspectiva política.

A narrativa não tem esse compromisso, mas é quase cronológica.

O ponto de partida é a fuga dos pais, judeus perseguidos na Europa, para a América do Sul.

Segue-se a infância e adolescência no Brasil, a militância, comunista e trotskista, a prisão e o exílio na Europa depois do Golpe Militar, que acaba de completar 60 anos sem festa, sem repúdio e sem indignação.

Boris tem clareza das ideias que defende e o faz com objetividade e concisão.

Ele ainda encontra tempo no convívio para a ternura, o afeto e a escuta, qualidades raras nos intelectuais sempre tão afeitos aos livros e às ideias.

Este meu testemunho é de quem teve o privilégio de colaborar com o livro que começou a ser escrito pouco antes da pandemia e atravessou, não sem angústias, o período em que o país quase voltou como farsa ao tempo trágico do regime militar.

Ameaça que – por enquanto – está afastada mas latente no horizonte.

Com a palavra, o professor Boris:

“Começamos a escrever em dueto, Marco e eu, e fomos interrompidos pela pandemia. Pus-me a escrever só, sem adotar uma narrativa linear, período após período, preferindo, ao evocar pela primeira vez um evento ou um tema, abri-lo no tempo, e assim avançar.

O título provém de uma frase de Trotski, que diz: ‘Conhecer as causas racionais do que ocorre e encontrar seu lugar é a primeira obrigação de um revolucionário. E é também a maior satisfação pessoal …’.

O livro tem três eixos: o primeiro cobre minha infância e família, os amigos, as leituras e influências afetivas e intelectuais e as viagens construtivas graças a uma situação familiar peculiar; o amadurecimento pessoal resultou do ingresso na militância de esquerda, provocada pelo suicídio de Vargas em 1954.

O segundo eixo me levou ao movimento trotskista, que preencheu um “imperativo categórico”, enriqueceu meus conhecimentos e abriu possibilidades intelectuais imprevistas.

O terceiro eixo me conduziu à biomedicina, ao Instituto Pasteur e, no final da trajetória, à USP. Meu balanço final é positivo; se não construímos a sociedade do futuro, sua perspectiva continua presente”.

LANÇAMENTO COM DEBATE

O livro de memórias do professor Boris pode ser adquirido no site da Usina Editorial

O lançamento é nesta quinta-feira, às 18h30, na Livraria Tapera Taperá, na Avenida São Luís, 187, 2º andar, na República.  

Será acompanhado de debate. 

Além do autor, claro, participam o historiador Valério Arcary, o jornalista Marco Aurélio Mello e o sociólogo Laymert Garcia dos Santos. 

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