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Maria Izabel Noronha: Apeoesp vai à Justiça contra ensino médio em tempo integral


15/09/2012 - 23h17

Educação se faz com respeito e diálogo

por Maria Izabel Azevedo Noronha

A escola de tempo integral é uma luta histórica dos educadores brasileiros. Escola de tempo integral com qualidade, que permita a formação dos estudantes para a continuidade dos estudos, para o mundo do trabalho, para a vida. Na qual as atividades decorram do projeto político pedagógico e se desenvolvam no campo da cultura, dos esportes, das ciências, do conhecimento, de uma forma prazerosa para todos os envolvidos. Deve se dar também valorizando os professores, respeitando seus direitos, bem como os dos estudantes.

Lamentavelmente, não é o que vem ocorrendo no Estado de São Paulo. A APEOESP acaba de encaminhar ofício ao Governador Geraldo Alckmin sobre a implantação do projeto Escola de Ensino Médio Integral na rede estadual de ensino, no qual relata os diversos problemas que tem ocorrido na efetivação deste projeto, prejudicando direitos de professores e estudantes.

Há três questões centrais. A primeira delas é que a Secretaria Estadual de Educação está cometendo uma ilegalidade, que afronta a Constituição Federal, ao remover ex officio os professores efetivos das unidades que participam do projeto para que esses cargos fiquem disponíveis para designação dos professores que aderirem ao Regime de Dedicação Plena e Integral (RDPI).

Entretanto, pelo artigo 37 da Constituição Federal, o cargo público é ocupado mediante concurso público e não designação, a não ser nos casos de direção, chefia, assessoria e coordenação, o que, obviamente, não é o caso dos professores.

Os professores efetivos, concursados, tomaram posse em cargo determinado, na unidade escolar que escolheram. Desta forma, a nosso ver, só podem ser removidos por sua vontade ou com a sua concordância. A remoção ex officio, neste caso, é não apenas ilegal, mas representa um violência contra os professores, pois os que não foram convencidos a aderir ao RDPI vão para escolas distantes, ou ficam à disposição da Diretoria Regional de Ensino.

Por isso, além de informar o problema ao Governador, solicitando que interfira para acabar com a intransigência da Secretaria Estadual da Educação, a APEOESP também informou que está ingressando com ação judicial para que seja desfeita esta ilegalidade e que os professores já removidos possam retornar a suas escolas.

Outro problema são os critérios que determinam que professores podem ou não participar do projeto e a avaliação periódica para a sua permanência. Veja-se que nos procedimentos para a escolha desses professores, 40% se constituem de informações objetivas e 60% são constituídos por uma entrevista!

Ou seja, são escolhidos de forma subjetiva (“perfil”) e permanecem ou não na escola com base em uma avaliação da equipe escolar (mais subjetividade).

As unidades escolares na quais o projeto é implantado – e será estendido também para o ensino fundamental – também são escolhidas de cima para baixo, sendo praticamente uma formalidade as consultas realizadas com a  comunidade escolar. Houve pelo menos dois casos de escolas que na medida em que foi feita uma consulta mais ampla e criteriosa as comunidades rejeitaram a proposta. São as escolas estaduais Monsenhor Jerônymo Gallo, em Piracicaba, e Costa Manso, na capital.

Um projeto dessa envergadura precisa ser implementado com diálogo, respeito às comunidades, paciência e uma concepção educacional sólida. Não pode haver imposição, intransigência e desrespeito, pois, desta forma, a escola de tempo integral se tornará o oposto do que se pretende.

Este projeto está sendo tão mal conduzido que os estudantes, quando consultados, o rejeitam. A imagem que lhes vem à cabeça, e que infelizmente corresponde ao que até aqui tem sido feito, é de uma escola de tempo integral na qual são obrigados a permanecer um maior espaço de tempo, sem que as atividades que se realizam após as aulas regulares tenham algo a ver com a sua realidade ou com suas necessidades. Não é isso que queremos. E vamos lutar pela escola de tempo integral na qual acreditamos.

Maria Izabel Azevedo Noronha é presidenta da APEOESP- Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de SP

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15 comentários

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emilia

30 de janeiro de 2013 às 19h24

onde fica a dignidade do professor? como não valorizá-lo.os bons professores pagam os erros dos outros.TEMOS QUE TAMBÉM PENSAR NA NOSSA SAÚDE MENTAL ,NA NOSSA FAMILIA QUE DEIXAMOS EM CASA PARA TRABALHAR E QUE TAMBEM PRECISA DA GENTE. ANTES O PROFESSOR SE SENTIA FELIZ DE SER PROFESSOR,ERA RESPEITADO.TINHA UM SALARIO DIGNO,TINHA SEUS DIREITOS JUSTOS GARANTIDOS.HOJE É UMA VERGONHA.QUEM FALOU QUE O PROFESSOR NÃO SE DEDICA PARA OS ALUNOS? CONHEÇO MUITOS QUE PAGAM PARA DAR AULAS ,TIRADO SEU BOLSO ,FICAM SEM DORMIR DE MADRUGADA PARA PREPARAREM ÓTIMAS AULAS,CRIA AFETOS COM OS ALUNOS DE TAL MANEIRA,QUE AS VEZES SE TORNAM SEUS PSICOLOGOS E NINGUÉM VER ISSO? PARÁ!!! SÓ QUE O PROFESSOR TAMBÉM É HUMANO PRECISA DE INCENTIVO, DE CONSIDERAÇÃO.AGORA, TAMBÉM ELE FICAR MAIS TEMPO NA ESCOLA NO INTUITO DE SEGURAR ALUNO PARA NÃO IR PARA AS RUAS.VIRAMOS TAMBÉM CARCERÁRIOS E PRISIONEIROS DESTE SISTEMA INJUSTO? QUEM GARANTE UM BOM ENSINO É A VALORIZAÇÃO DO SER QUE CONSTRÓI UMA NAÇÃO E NÃO IDEIAS ULTRAPASSADAS.INVESTE EM MIM,INVESTE NO PROFESSOR.TRATAM COM CARINHO O SEU MESTRE,VERÁ MUITOS RESULTADOS SATISFATÓRIOS.VAMOS NOS VALORIZAR.OU VOCE NÃO É PROFESSOR??! VAMOS À LUTA.SOMOS IMPORTANTES.TEMOS QUE CRESCER,VAMOS NOS UNIR MAIS.

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Mauo Alves da Silva

23 de setembro de 2012 às 11h50

Apeoesp e as Corporações de Ofício da Idade Média não querem escola em tempo integral.

Publicado por Mauro Alves da Silva em 23 setembro 2012 às 14:22 em Educação (Alterar)
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Mais uma vez o sindicato de professores de SP colocou seus interesses corporativos à frente dos interesses dos alunos.

A presidenta da Apeoesp (sindicato dos professores de SP) quer garantir a continuidade do professor-caixeiro-viajante, aquele que vai de escola em escola vendendo aulas e recolhendo o suado dinheirinho do contribuinte.

Deu no blog do Azenha: “Apeoesp vai à justiça contra ensino médio em tempo integral” (15/09/2012). O principal argumento da presidenta do sindicato contra o ensino integral é o de que a sua implantação não vai garantir a continuidade de professores que vendem apenas 4 horas de aulas em cada escola.

Professor com jornada parcial é incompatível com uma educação integral em tempo integral, o que exige professores em regime de dedicação integral a uma única escola.

http://movimentocoep.ning.com/forum/topics/apeoesp-e-as-corporacoes-de-oficio-da-idade-media-nao-querem-esco

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Leonardo Boff: Por que tentam ferir letalmente o PT? « Viomundo – O que você não vê na mídia

17 de setembro de 2012 às 12h21

[…] Maria Izabel Noronha: Apeoesp vai à Justiça contra ensino médio em tempo integral […]

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Roberta

16 de setembro de 2012 às 22h43

Quando houve a municipalização do ensino muitos professores perderam seus cargos e não aconteceu nada. Desde de 1996 ocorre isso com professores do estado. Professores efetivos foram colocados fora de suas escolas, pois o município assumiu as escolas mas não os professores,e o que foi feito? Em cada cidade do estado que aceitou a municipalização foi feito de uma maneira e muitos professores foram tratados como objeto, foram tirados daqui e colocados ali. Vergonha!

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Francisco

16 de setembro de 2012 às 20h49

Porque é que tem profesr que não adere a ensino de tempo integral? Qual a alegação dele? Ele passou no concurso para ensinar ou para fazer outra coisa? Dar aula em tempo integral é ensinar, ou não é? Não querer ensinar é desobediência a ordem direta: justa causa, não? Ele está sabendo que até todas as escolas serem integrais é apenas questão de tempo – pouco tempo?

Começa a passar para o aluno de que o projeto “é uma violência” ou “imposição” e o aluno já vai para a sala de aula com o “freio de mão puxado”…

Além de todos, também o professor sabotando a educação? Ai é dose…

Quantos milhões de professores estão incomodados com a transferencia? Quantas centenas de alunos, professores e cidadãos em geral se beneficiam da implantação do novo sistema?

E finalmente: qual a lição sobre individualismo os alunos estão assimilando do episódio? Como esta, esta mal contado…

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    Maria Libia

    16 de setembro de 2012 às 22h08

    FRANCISCO, será que você não entendeu? Onde está que o professor não quer ensinar? Você parece que não sei.

    Francisco

    17 de setembro de 2012 às 19h54

    Se não é isso, então esta reclamando de que? Estou um pouco farto de, principalmente no meio educacional, medidas que são demandadas há anos, décadas, gerações às vezes, quando são finalmente inplementadas… ah, não quero, ah, tá azul, tá verde, de bolinha… Botando gosto numa medida histórica (isso mesmo, Histórica!!!) como a implantação do horário integral?!?

    Gerações de educadores brasileiros suaram camisa pela ampliação do acesso ao ensino superior. Que inveja da universalização do ensino superior nos países ddesenvolvidos… Ai, o governo federal democratiza o acesso à academia, cria cotas e… revolta, reação, não quero, autoritário, etc.

    Mais recentemente, o governo federal inplantou um regime de trabalho para proteger a vida do trabalhador de caminhões, coisa que ninguém contava que um governo fosse tentar fazer pela categoria sofrida dos caminhoneiros. Peitar as grandes corporações de transporte, quem já fez? Pois é. Que fazem os caminhoneiros: greve contra os direitos trabalhistas que o governo federal esta concedendo a eles!!!

    Acaba que a gente opta por… voltar?!?

m.a.p

16 de setembro de 2012 às 20h12

Prezado Azenha
Estou perplexo com a noticia , pois na escola onde trabalho esse projeto do escola de ensino médio integral foi apresentado com sendo um projeto Federal calcado em escolas polo na região nordeste , principalmente de Pernambuco.
Afinal quem é o pai da criança?

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Yacov

16 de setembro de 2012 às 14h24

Essa é a professorada incompetente de SAMpa… Eles não fazem mais greves, não reclamam mais contra a Progressão Continuada e se contentam com baixos salários e péssimas condições de trabalho porque a grande maioria é totalmente desqualificada para o seu trabalho. O Estado Mínimo Tucano já contratou esses refugos exatamente para issso, formar analfabetos funcionais como eles,ganhnar merreca e não reclamar. Se eles já não sabem ensinar em meio período que dirá em período íntegral?! FORA APEOESP!!!

“O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBo – O que passa na gloBO é um braZil-Zil-Zil para TOLOS”

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Willian

16 de setembro de 2012 às 12h41

O problema não educacional, é sindical. Que se dane a educação e os alunos, mais importante é a luta política e os dereitos da catiguria.

Bebel para Ministra da Educação JÁ!

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    Aline C Pavia

    16 de setembro de 2012 às 18h36

    Vamos abolir a Constituição então sr. Willian?

assalariado.

16 de setembro de 2012 às 11h03

Pois é, Sra. Maria Izabel, o que mais impressona em (NÓS), que nos dizemos pensar horizontal e que tem, um tem certo poder dirigente de alguma instituição de trabalhadores assalariados ou o que valha, escolherem só o caminho da legalidade burguesa sem questiona -lo.

Ou seja, não conseguimos imaginar uma luta politica de interesses das massas, fora dos valores legalistas e, das condutas da cartilha ideologia do capital. Isso mesmo, só falta o sindicato dos professores (de forma massiva) e ou, os próprios, dentro das salas de aulas avisarem os estudantes e os pais destes. Querem uma chance de luta politica e pedagogica, maior que esta, que os neoliberais do PSDB estão dando. Mãos a obra!

Abraços Fraternos.

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Julio Silveira

16 de setembro de 2012 às 10h35

Ainda que situações como essa sejam revoltantes para qualquer cidadão, vejo isso com minha contraditória (para alguns) coerência, não como uma exclusividade. Governos de qualquer partido criam contendas contra a educação. Por conveniencia esquecem a necessidade dela, para atender aos seus canhestros interesses, e suas incompetência, na gestão desse item vital a qualquer país que se pretenda minimamente sério. Portanto o problama da educação no Pais se resume mesma a falta seriedade na gestão e na politica. E ainda que este partido de tucanos paulistas seja exemplar na ação de contra educação e na contradição do discursos, não detem exclusividade, apesar de possuirem maior visibilidade. Já que seus co-irmãos, petistas gauchos, através de seu governador tem feitos contendas judiciais que vão desde o não pagamento do piso da categoria, até negação da forma de reajuste, que por acaso, ou não, foi pensada em seu periodo ministérial e implantada. Sendo arguido ora, vista estar hoje na função de pagador.
Para mim não existem diferenças partidárias em muitos quezitos de interesse publico, ainda que queiramos fazê-lo, para abrandar a critica ao lado de nossa simpatia, mas todos os partidos primam pela demagogia na hora do voto e do “pragmatismo” no exercicio da realidade da canalhice.

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João-PR

16 de setembro de 2012 às 02h01

Putz, a tucanaiada consegue fazer m…. até com um projeto legal (quando devidamente implantado) como o da escola em tempo integral.
Santa incompetência Batman!!!

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    assalariado.

    16 de setembro de 2012 às 11h27

    João PR, não se trata de incompetencia. Não, sejamos inocentes politicos, massa de manobra. Tem nesse projeto politico ideologico a visão e a pedagogia, e o modus operante/ pensante de como se ‘educar’ ou alienar um povo, sobre a ótica de dominação e exploração das elites do capital, e seu Estado burgues. Logo, deduz -se o que? Cada governante, seja qual seja, nunca foi, nunca será, um ato inocente por mais que se digam neutros. Isso vale para os três niveis de Estado (municipal, estadual ou federal).

    Com todo respeito.

    Abraços Fraternos.


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