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Joel Leite: Margem de lucro das montadoras no Brasil 3 vezes maior que nos EUA


14/12/2012 - 13h10

14/12/2012 – 03h30

Tendências/Debates: O “lucro Brasil” das montadoras

JOEL SILVEIRA LEITE, na Folha

Os dirigentes das montadoras disseminam há décadas a tese de que a causa do alto preço do carro no Brasil é o imposto. O mantra pegou e é quase senso comum que a carga tributária é que faz o brasileiro pagar o carro mais caro do mundo.
Outro fator que costuma ser citado é o custo Brasil, um conjunto de dificuldades estruturais e burocráticas, destacando-se a falta de qualificação profissional e uma estrutura logística cara, insuficiente e arcaica.

As enormes dificuldades que o empresário enfrenta para produzir no Brasil explicam, em parte, o alto preço praticado –não apenas do carro, mas de em qualquer produto.

Mas impostos nem o custo Brasil justificam os US$ 37.636 que o brasileiro para por um Corolla, enquanto o seu colega americano paga US$ 15.450. Na Argentina, país mais próximo tanto geograficamente quanto em relação às dificuldades e problemas, o Corolla também custa mais barato: US$ 21.658.

No Paraguai, o consumidor paga pelo Kia Soul US$ 18 mil, metade do preço no Brasil. Ambos vêm da Coreia. Não há imposto que justifique tamanha diferença. O Volkswagen Jetta custa R$ 65 mil no Brasil, menos de R$ 40 mil no México e R$ 30 mil nos EUA –a propaganda do carro, aliás, tem como protagonista não um executivo, mas um… universitário sofrido (youtu.be/gqDUV-rHQe4).

Há vários outros exemplos. Cito mais um: o Hyundai ix35 é vendido na Argentina por R$ 56 mil. O consumidor brasileiro paga R$ 88 mil.

Se o custo Brasil fosse um fardo pesado nas costas do empresariado, seria impraticável a redução da margem operacional. A crise de 2008 revelou, porém, que havia gordura pra queimar: os preços despencaram.

O índice AutoInforme/Molicar indicou queda média de preço de 10,1% desde a crise de 2008. Carros de algumas marcas tiveram queda de preço de 20%. Não se tem notícia de que essas empresas tenham entrado em colapso por causa disso.

O Hyundai Azera, que era vendido por R$ 100 mil, passou a custar R$ 80 mil após a crise de 2008. Descontos de R$ 5.000, até R$ 10.000, foram comuns no auge da crise, revelando a enorme margem com que algumas montadoras trabalham: em 2010 a GM vendeu um lote do Corsa Classic com desconto de 35% para uma locadora paulista, conforme um ex-executivo da própria locadora.

A chegada dos chineses desvendou o mistério. Equipados e baratos, ameaçaram as marcas tradicionais.

O QQ, da Chery, chegou recheado de equipamentos, alguns inexistentes mesmo em carros de categoria superior, como airbags, freio ABS, sistema de som e sensor de estacionamento. Preço: R$ 22.990. Mas daria pra vender por R$ 19,9 mil, segundo uma fonte da importadora, não fosse a pressão dos concessionários por uma margem maior.

Em março de 2011, a também chinesa JAC Motors começou a vender no Brasil o J3 por R$ 37,9 mil. Reação imediata: a Ford reposicionou o Fiesta hatch, passou a vender o carro pelos mesmos R$ 37,9 mil e instalou nele alguns dos equipamentos que o chinês trazia de série, mas apenas em São Paulo, Rio e Brasília –onde o J3 ameaçava o concorrente.

Mesmo assim, as montadoras instaladas no Brasil se sentiram ameaçadas e, argumentando a defesa do emprego na indústria nacional, pediram socorro ao governo, sendo prontamente atendidas: medida editada em setembro de 2011 impôs super IPI às empresas que não têm fábrica no país. Pela primeira vez, a Anfavea (associação das montadoras), cujos associados não foram atingidos pelo imposto extra, não se rebelou contra nova carga tributária.

A maioria das importadoras absorveu parte dos impostos adicionais e praticou um aumento inferior ao que seria necessário para manter a margem de lucro, indicando que havia muita gordura.

A grande diferença de preço do carro vendido no Brasil em relação a outros países chamou a atenção do Senado. A pedido da senadora Ana Amélia (PP-RS), a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado convocou audiência pública para “discutir e esclarecer as razões para os altos preços dos veículos automotores no país e discutir medidas para a solução do problema”.

Realizada na semana passada, com a presença de representantes do Ministério da Fazenda, do Ministério do Desenvolvimento, do Ministério Público Federal, do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) e deste jornalista. Lamentada ausência da Anfavea, a audiência revelou (por um estudo apresentado pelo Sindipeças) que a margem de lucro das montadoras instaladas no Brasil é três vezes maior que nos EUA: no Brasil é de 10%, nos EUA é 3% e a média mundial é de 5%.

A discussão deve continuar, enquanto houver tanta gordura pra queimar!

JOEL SILVEIRA LEITE, 58, é jornalista e diretor da agência AutoInforme

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36 comentários

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hamilton braga

02 de novembro de 2014 às 10h27

Ontem travei forte discusao com um. Colega que insiste na justificativa de impostos, vou enviar este estudo pra ele.

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VALDEIR

16 de outubro de 2013 às 15h07

Enquanto brasileiros acharem que é status andarem com essas porcarias que chamam de carros, todos vamos pagar preços de carros de luxo em bostas de meios de transportes ultrapassados, lixos de carros que em outros paises não são montados pois não teriam compradores,vamos continuem comprando essas merdas em 60 vezes se arrombando para pagar e achar que é classe media

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Os altos lucros das montadoras no Brasil (só das montadoras?) « Marcos Aurélio

16 de dezembro de 2012 às 10h02

[…] Joel Silveira Leite (Reproduzido do Vi o Mundo, aqui – originalmente publicado na Folha de […]

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Paulo Cesar G. da Silva

15 de dezembro de 2012 às 21h36

Aqui em casa eu costumo dizer que o que mantém as Organizações GLOBO no ar (TV e RÁDIO) são os anúncios das montadoras e dos bancos. Ou eu estou errado? Vou parar por aqui. Enquanto o povo não for pra rua nada vai ser resolvido.

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denis dias ferreira

15 de dezembro de 2012 às 15h52

Eu desconfio que os lucros excessivos auferidos pelas montadoras automobilísticas que atuam no Brasil, deve-se ao fato de que elas precisam remeter muitos dólares para as suas matrizes e nações de origem. É uma maneira de transferir riquezas, geradas e produzidas nos países pobres, para os países ricos. Esse fato não ocorre apenas no setor automobilístico. Tudo o que possui alto valor agregado é produzido (ou melhor, apenas montado), aqui no Brasil, por empresas estrangeiras, cujas matrizes localizam-se nas regiões centrais do capitalismo.

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J Souza

15 de dezembro de 2012 às 14h33

O custo Brasil é altíssimo.
Mas, por pura filantropia, as multinacionais abrem fábricas neste país.
Que bom que ainda há almas boas e caridosas como as que dirigem as montadoras de automóveis…
E isso num país onde nem se precisa de automóvel, pois o transporte público é excelente, principalmente o metrô, e onde abundam as ferrovias.
Ô, glória…

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    H. Back™

    16 de dezembro de 2012 às 11h34

    “(…) pois o transporte público é excelente, principalmente o metrô, e onde abundam as ferrovias.(…)”
    Mas, se não se não me falha a memória, um certo presidente (FHC), prometeu que depois que tudo fosse privatizado, as empresas privadas iriam dirigir e as coisas iriam ficar mais acessíveis para o consumidor final, pois haveria mais concorrência, etc.

Rose

15 de dezembro de 2012 às 09h44

Dizem na Fiat que quem suporta os prejuízos mundo afora, inclusive da matriz italiana, é o lucro absurdo da montadora no Brasil. Margem de 10%? Sei não!

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Francisco

14 de dezembro de 2012 às 22h35

Os juros cairam porque havia um similar nacional estatal: Caixa e BB.

O Brasil não virou comunista e os preços cairam.

Os preços de carros cairão quando tivermos uma, uma única, fábrica de veiculos estatal que venda pelo preço de custo mais 5% de “lucro”.

Um bom lucro!

Outra providência é limitar a remessa de lucros: motivo último do alto custo dos carros.

Mas para isso seria preciso clonar Brizola ou algum outro brasileiro dotado de testiculos. Com o PT, não vai…

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assalariado.

14 de dezembro de 2012 às 20h55

Bom, perguntar não ofende.

Fora os lucros, ainda faltam contabilizar as remessas de lucros para as matrizes, certo?

Alguem pode ajudar na resposta?

Desde já, agradeço.

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Apavorado por Vírus e Bactérias

14 de dezembro de 2012 às 20h04

Comprei um Fiat Pálio Mil 2007/2008 zero bala. Para ter fechamento elétrico de portas e vidros, para ter retrovisor direito, desembaçador traseiro, tive que pagar à parte. Na revisão dos 10 mil km a concessionária queria que eu pagasse por limpeza de bico injetor e outras coisas. Eu disse não. Com 1 ano de uso, a porta traseira caia na cabeça, o marcador de combustível não funcionava, fora os bancos que são uma porcaria e quebram o tempo todo. Paguei R$ 26 mil à época. Um preço absurdo. A parte mecânica do carro é boa, mas o acabamento e itens de segurança são péssimos e foram detonando logo no primeiro ano.

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Sr. Indignado

14 de dezembro de 2012 às 18h27

Parabéns ao governo federal. Reduziu o IPI e manteve esses lucros. Contrapartida? Os sindicatos poderiam ter pedidos isto, mas eles não foram convidados para esta festa.

Depois o Ministro Mercadante vai congresso dizer que 10% do PIB para a educação é impraticável. Se fosse o DEM ou o PSDB até entenderia.

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    Luís

    16 de dezembro de 2012 às 18h21

    Eu ia falar isso. Não só Lula e Dilma não combateram essa farra como ainda diminuíram o IPI, aumentando ainda mais a margem de lucro das montadoras.

Marcelo T.

14 de dezembro de 2012 às 18h14

O Corolla vendido na Argentina é feito em Indaiatuba. Custo Brasil???

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Abelardo

14 de dezembro de 2012 às 17h22

Além de insinuações que o lucro das montadoras é infinitamente maior do que se imagina e do que se declara, insinua-se, também, que são elas que barram o progresso ferroviário no país, são elas que não oferecem mais tecnologia e conforto porque, nós, brasileiros, estamos acostumados a nos contentar com pouco,pagando muito. Insinuam que essas mesmas montadoras criaram o maior grupo de metalúrgicos “Classe A” que se tem notícia. São os metalúrgicos do paletó e da gravata e podem ser encontrados em gabinetes de vereadores, de deputados estaduais, de deputados federais, de senadores, de prefeitos, de governadores e da presidência. Parece que é um poder paralelo que manda e desmanda em muita coisa, sempre com a cobertura de sua tropa de engravatados metalúrgicos “Classe A”.

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Júlio De Bem

14 de dezembro de 2012 às 16h45

Buenas, realmente com a chegada das chinesas houve uma puxada pra baixo dos preços. Antes de comprar um novo carro, fui em TODAS as lojas das montadoras. Olhei uma por uma pois, com a chegada da minha filha, precisei de um carro maior (tinha um gol 2011). Queria alguma SUV, e no fim, pelo preço e o que oferecia fiquei entre a duster e a J6 da Jacmotors. Fechei a J6 7 lugares totalmente completa, roda 17, DVD’s nos bancos, abs e todos opcionais possíveis incluídos por 53mil reais.

Já tenho 4mil km rodados no J6 e o carro é ótimo, muito bom, o unico problema é que é um pouco baixo. De resto é muito bom e cabo tudo da minha família.

O que é ridiculo mesmo é o preço da nova ecosport. Uma pelada com freio a tambor custa R$ 65.000,00. E se vc for parcelar algum valor em 24x, a taxa de juros é de 2%. Isso aqui em porto alegre. A tucson, que é horrivel por dentro, onde o vendedor nao me ofereceu nada a mais do que vem, custa 62mil reais.

A roubalheira deles ta ridícula, mas os chineses tão bem malandros.

O anúncio do site e da própria concessionária era de que a J6 custava 61mil reais pelada, e eu fechei por 53.000 completíssima. Oito mil reais de desconto no carro eu ganhei? A roda 17 que venho com o carro eles queriam R$1800,00 e venho de brinde. Que sortudo né? Talvez eles pensem que todos são otários rsrs.

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Lafaiete de Souza Spínola

14 de dezembro de 2012 às 16h37

Noto a preocupação de quase todos com o tema. Tenho certeza que no dia em que passarmos a dar mais importância à EDUCAÇÃO, nosso país começará a mudar.

UM PROJETO PARA A EDUCAÇÃO NO BRASIL

A solução para resolver os problemas estruturais e amenizar as injustiças sociais do Brasil está, basicamente, atrelada à EDUCAÇÃO. Precisamos, com urgência, investir cerca de 15% do PIB no orçamento da educação. Devemos oferecer escola com tempo integral às nossas crianças, oferecendo, com qualidade inquestionável: o café da manhã, almoço, janta, esporte e transporte, nas cidades e no campo. Como é uma medida prioritária, inicialmente, faz-se necessária uma mobilização nacional. Podemos, por certo tempo, solicitar o engajamento laico das Igrejas, Associações, Sindicatos e das nossas Forças Armadas (guerra contra o analfabetismo e o atraso) para essa grande empreitada inicial. Outros investimentos de grande porte, concomitantemente, devem ser realizados; ajudando, inclusive, a movimentar a economia de todo país: a construção civil seria acionada para a construção de escolas de alta qualidade, com quadras esportivas, espaços culturais, áreas de refeição e cozinhas bem equipadas etc. Tudo isso exigindo qualidade, porém sem luxo. Durante o período de mobilização, paralelamente, o governo deve investir na preparação de professores para atender à grande demanda.

Como esse projeto é de prioridade nacional, os recursos deverão vir: de uma nova redistribuição da nossa arrecadação; de uma renegociação da dívida pública, com a inclusão do bolsa família etc. Observações e consequências previsíveis:

1. O tráfico perderá sua grande fonte de recrutamento, pois todas as crianças estarão, obrigatoriamente, em tempo integral, na escola. A segurança pública ficará agradecida.

2. Inicialmente, para aqueles adolescentes que participam de contravenções graves, podem ser planejadas escolas albergues, dando mais ênfase ao esporte e à cultura.

3. A saúde pública será, também, uma grande beneficiária, pois teremos crianças bem alimentadas, sinônimo de saúde para elas e seus pais.

4. O setor financeiro deve entender que isso levará o país, em médio prazo, a outro nível de bem estar. Será bom para todas as atividades que desejam uma nação economicamente forte.

5. Esse projeto, para ter êxito, necessita de uma coordenação centralizada, inclusive para evitar o privilégio de regiões. Deve ficar, então, sob a responsabilidade do Ministério da Educação.

6. Os recursos, atualmente, aplicados pelos estados e municípios, na educação, devem ser adicionados a esse projeto. Tudo passa para o controle do ME.

7. Deve ser criada uma fiscalização, prevista em lei, controlada pela sociedade; com a participação de: pais, professores e sindicatos, com poderes e recursos para denunciar erros.

8. Recursos adicionais: os pais devem pagar 5% do salário (entradas) pela mensalidade de cada filho matriculado.

9. O pequeno agricultor terá prioridade no fornecimento da alimentação dessas escolas. Surgirá, então, um mercado pujante, nesse vasto Brasil, aumentando nosso mercado interno.

10. A EMBRAPA deverá receber recursos adicionais para dar todo apoio a essa gente do campo, aproveitando para ensinar sobre uma agricultura sustentável e como cuidar das matas ciliares.

11. O Brasil passará a ser um país admirado e respeitado. Deixará de ser o país só das “comodities”, esse anglicismo usado para substituir “produtos primários”.

12. Passaremos a ter produtos manufaturados, desenvolvidos e produzidos, aqui, com alta tecnologia.

13. O futuro da energia não poderá ficar dependente da contínua destruição de grande parte da nossa AMAZÔNIA. Precisamos desenvolver tecnologias.

14. A energia nuclear, ainda é cara e perigosa. Devemos pesquisá-la. Não podemos importar tudo a preço de ouro. Temos que investir na pesquisa e desenvolvimento de outras fontes.

15. Outras fontes de energia, como a eólica, a solar etc. Sem um projeto de educação como o proposto, não chegaremos à nossa total independência.

16. Não é com a devastação da Amazônia que vamos abastecer o mundo com carne. Precisamos desenvolver tecnologia para multiplicar as cabeças de boi por metro quadrado.

17. Com a devastação de nossas florestas e matas ciliares, seremos as principais vítimas. Os psicopatas, sempre olham o presente; não se importam com o futuro! Estudos bem elaborados confirmam que no meio da sociedade há cerca de 3% dessa praga. Num país com uma população de 190 milhões, temos, assim, 5.7 milhões praticando todo tipo de ato daninho à sociedade; inclusive contra a educação. Quanto mais permissivo o ambiente, mais esses traficantes e corruptos abastecem a lavagem de dinheiro.

18. Para alcançarmos tudo isso, necessitamos de uma nova forma de fazer política: mandato único em todos os níveis, partidos sem caciques, país unitário, lei única, câmara única e, consequentemente, deputados estaduais e vereadores só para a fiscalização. Os incomodados dirão: Que blasfêmia!

19. A nossa federação tem sido o berço esplêndido dos caciques, dos modernos coronéis, alojamento de mafiosos, fonte das guerras fiscais e muitas outras mazelas.

20. Tudo, portanto, por uma educação de nível, para que possamos, pacificamente, revolucionar esse nosso Brasil. As áreas de tecnologia passariam a ter disponibilidade de pessoal com preparo.

21. As nossas Forças Armadas teriam condições de repensar seus projetos de importação, voltando sua atenção para: o desenvolvimento tecnológico próprio, defesa da Amazônia e integridade do nosso território.

22. Proponho que esse tipo de escola acolha as crianças a partir dos 04 anos de idade com o objetivo de termos um bom nivelamento. Poucos são os pais, dentro dessa vida estressante, que têm condições de educar seus filhos durante os 04 aos 07 anos. Há uma tendência de deixarem essas crianças na frente da televisão, mesmo quando sob o cuidado de algum adulto. Dentro da classe média isso acontece, também. Pense que alternativa sobra para as camadas menos favorecidas que, muitas vezes, necessitam usar os precários meios de transporte, já antes do sol nascer. Há estudos que comprovam ser essa faixa etária a mais importante como base para o aprendizado futuro.
Observemos que os pais ficariam menos estressados e teriam mais tempo para serem produtivos e desfrutarem do tempo livre para o estudo, a leitura e o lazer.

23. Lendo um artigo sobre a escola na China, chamou-me à atenção o fato de 02 crianças; filhas de brasileiros, que lá estão estudando; externarem o desejo de retornar à escola brasileira, alegando que a prof, no Brasil, passava uma folha para o dever de casa e que na escola chinesa ela recebia quatro folhas, com a obrigação de entregar o trabalho de casa totalmente feito. Para as crianças chinesas, aquele procedimento era normal. Elas não cresceram sentadas ou deitadas no sofá, só vendo desenhos animados e novelas. Já morei num condomínio, com 108 apartamentos, onde havia uma quadra de futsal que, praticamente, não era usada. Nos fins de semana, quando encontrava um menino solitário no playground e perguntava onde estavam os coleguinhas que não desciam para brincar um pouco; a resposta não era que estavam estudando e sim que a meninada gostava mesmo era do videogame, estavam jogando, por isso não desciam. É por isso que o entrevistador obteve aquela resposta na China.

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    renato

    16 de dezembro de 2012 às 07h25

    lAFAIETE!
    Gostei da montagem de pensamentos sobre
    a educação. Naõ tenho conhecimento profundo
    mas posso tentar dar uma contribuição.
    1- Quando estivessem recrutados todas as crianças
    e aí entendo crianças da periferia.As outras os pais
    não aompanhariam o teu raciocinio, pois colocariam
    babas para cuidar dos pirrralhos ou cuidadria por si.
    MAS. nesta escola, as crianças prodigios receberiam
    um tratamento especial, e um novo direcionamento?
    E as crianças especiais, como ficariam.

    2- Nós ainda não sabemos qual o resultado final das
    crianças da China, que ficam oito horas, na escola.
    Sabemso a príncípio que todas eles tem como objetivo
    primario, de ser segurança, ser soldado ou ser policia.
    estou falando de guris. Não temos ainda uma resposta de
    longo prazo, para este modo de vida!O regime lá é comunista.

    3- Quanto as crianças não brincarem mais, de bola, pega pega,
    policia e ladrão, pique, e outros..acredito que isto é muito
    sério.Sair muito cedo do convivio dos pais tmbem é muito sério.
    Este tipo de educação poderia se transformar num ato produtivo
    de cidadãos.Peças identicas. Sério problema para o homem.

    É apenas um comentário para enriquecer seu pensamento, que há muito
    deve estar sendo estudado. Parabens pelo pensar.

Lafaiete de Souza Spínola

14 de dezembro de 2012 às 16h23

Todo os governos sabem dessas coisas, mais do que nós os mortais.

Um dos motivos da queda do Presidente João Goulart foi querer controlar a remessa de lucros. A indústria automobilística entrou no Brasil durante o governo de JK.

Pergunto: quais os modelos de carros foram projetados no Brasil?
Tudo é desenhado, desenvolvido na matriz. Assim, cobram royalties, aumentando os lucros.

Agora, isso acontece porque nós brasileiros somos controlados por caciques. Esses senhores não pensam no Brasil! De maneira mesquinha, só pensam no poder e nada mais; tudo visando interesses particulares. A indústria tem esse comportamento porque encontram as facilidades.

Por que não temos?

Uma marca de carro, quando países pequenos como a Suécia (Volvo e Scânia)e a Coréia têm fábricas em nosso país.

Recentemente, perguntando a um taxista se ele poderia me citar uma marca de carro genuinamente brasileira; ele citou, sem dúvida: FIAT

As televisões: Philips, LG, Samsung, Sony etc. Todas desenvolvidas lá fora.

Enfim, quase tudo tecnologia estrangeira.

Exportamos comodities: café; soja; carnes; minério de ferro etc.

Qual o nosso nível educacional? No teste do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), entre 65 países a China foi a primeira colocada. Para o Brasil, com o seu pífio nível de ensino, sobrou o vergonhoso 54° lugar.

Esse é o nosso principal problema! Isso eu noto, até nos blogs. As pessoas dão pouca importância para o nosso maior entrave: EDUCAÇÃO

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gabriel chaleira

14 de dezembro de 2012 às 15h15

Ah, vão dizer que isso é o mercado, estúpido! Desde de criança ouço essa ladainha que preço de carro é só imposto. O Lula e a Dilma zeraram por um bom tempo os impostos automotivos e nada mudou. A verdade é que as montadoras se aproveitam do affair que o brasileiro tem por carros (necessidade em muitos casos)e bombam os preços. O governo estimulou as vendas de carros para evitar crise de desemprego qdo na verdade deveria fazer o contrário. As montadoras vivem a chantagear o governo com ameaças de demissões em massa e até fechamento de fábricas. Pois que o façam e deixemos os chineses mais confortáveis em casa. O pais não pode continuar refém desses predadores da nossa economia. Isso já não é mais uma questão de mercado, mas de soberania e segurança nacional. Acorda, Dilma.

Responder

Sergio

14 de dezembro de 2012 às 15h09

A verdade é que no Brasil as montadoras estão deitadas em berço esplêndido, e dificilmente vão baixar os preços por iniciativa própria (quem venderia por 10 se oferecem 20?). A culpa é dos consumidores, que estão adestrados a dar valor demais a um simples carro, e também do governo, que se submete a ser refém das montadoras cada vez que as vendas e elas vão pedir renúncia fiscal pra estimular as vendas de novo.

O lobby das montadoras é forte, o que não significa que o governo deveria ceder. Pela lei de mercado, o preço só baixa se a demanda diminuir. O governo deveria permitir que isso acontecesse e deixar que as montadoras queimassem a gordura delas, e não resolver o problema para elas.

É claro que baixar a carga tributária é do interesse de toda a população, mas isso deveria ser feito dentro de uma política geral e não privilegiando um setor que já tem gordos lucros sem se esforçar muito por isso.

Responder

    Sergio Henrique

    14 de dezembro de 2012 às 16h29

    Mas por que se para exportar, os carros saem daqui com preço baixo, e os mesmos que são vendidos aqui, simples, sem acessórios que nos países de primeiro mundo, são obrigatórios, aqui são opcionais, cada ítem adicionado nos carros, são cerca de R$ 1.000,00 reais a mais, se for com ar, colocam mais R$ 2.000,00, + direção, R$ 1.500,00 trava, vidro elétrico e outros acabam somando quase R$ 10.000,00 reais a mais, air bags, freios abs, são obrigatórios, mas no Brasil ainda não respeitam essa lei, lamentável o país onde vivemos que os politicos que são pagos por nós para criar leis para nos favorecerem, só favorecem a eles mesmos e o povo sempre fica na pior.

Gerson Carneiro

14 de dezembro de 2012 às 14h58

Acabei de comprar um carro por um preço equivalente a cinco mil a mais do preço anunciado no site da empresa montadora.

Questionei o porquê da diferença e o vendedor me disse que “o preço do site da montadora é um preço sugerido, a concessionária vende pelo preço que quiser, e aquele preço era para encomenda (tempo de espera cerca de dois meses)”.

Óbvio que não acreditei mas a ansiedade e o encantamento com o carro foi superior à racionalidade.

Detalhe: o carro é lançamento no mercado e está vendendo a rodo.

Responder

    Gerson Carneiro

    14 de dezembro de 2012 às 21h39

    Sei. Muitos de vocês devem estar pensando: “mas que otário!”.

    Não se trata de ser ou não otário.

    Vocês acham que eu ia comprar o carro por apenas 5 mil mais barato, esperar 2 meses, e correr o risco de algum vizinho meu ter o carro primeiro do que eu?

    Deus me livre dessa pobreza!!!

    Ass: Gerson Marchiori.

    Gerson Carneiro

    14 de dezembro de 2012 às 23h05

    Detalhe: minha garagem fica em frente às câmeras de segurança do prédio. Imagino que os vizinhos deixam até de assistir ao Jornal Nacional pra sintonizar no canal de segurança e ficar olhando pro meu carro novo.

    Obrigado Governo Lulo-Dilmista-Fidel-Chavista por mais esse deleite.

anac

14 de dezembro de 2012 às 14h27

PelamordeDeus, gente, não coloca a Dilma para brigar com as montadoras que o PiG convoca a quarta frota dos USA para invadir o Brasil.
Dilma foi mexer com a taxa de juros e tarifas de energia eletrica o PiG convocou seus ministros do STF para promover um golpe avaliem mexendo no lucro Brasil das multinacionais de automoveis. Aqui vai virar o oriente Médio. Eduardo, Azenha, PHA, Nassif e cia ltda acusados de formar uma celula da Al qaeda.

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    ana

    15 de dezembro de 2012 às 11h59

    :) disse tudo!

pedro volpe

14 de dezembro de 2012 às 14h20

Então me expliquem porque ao invés do governo PERMITIR A LIVRE CONCORRÊNCIA ele ainda protege essas montadoras????

Seria pelo fato de elas contribuírem nas campanhas???

Quem é mesmo a tal direita conservadora contra quem o PT luta caras pálidas???

Responder

xacal

14 de dezembro de 2012 às 14h16

Durante muitos e muitos anos, nós, brasileiros, educados à moda estadunidense, sob a cultura do culto ao automóvel, alimentamos mitos que trouxeram diversos prejuízos, desde as relações contratuais e negociais em si, até as políticas públicas, que neste país, infelizmente, se misturam perigosamente.

Não há nenhum maniqueísmo nesta afirmação, ou seja, não se trata de culpar (apenas) as montadoras de veículos pelas nossas escolhas.

Hoje sabemos de cor, mas fingimos ignorar, os efeitos da exclusividade do uso de veículos particulares sobre todas as outras formas de mobilidade:

Enormes parcelas dos orçamentos públicos são destinadas ao uso de veículo de passeio, quer diretamente, nas intervenções públicas, como ruas e avenidas, viadutos e pontes, quer indiretamente, no aparato de segurança(roubos e furtos), agentes de controle e fiscalização, socorro médico/urgência/emergência hospitalares, internações, serviços de remoção e medicina legal, pensões por indenizações e mortes pela previdência pública, etc.

Na esteira desta indústria, o transporte de carga por caminhões se impôs como modal majoritário, e as conseqüências são trágicas, além de anti-econômicas: de 60 a 70% dos incidentes com mortes que acontecem nas estradas tem ao menos um caminhão envolvido.

Recentemente houve a retomada dos fortes incentivos a indústria, sob a forma de renúncias fiscais e incentivos diretos, com a doação de terrenos e outras vantagens logísticas oferecidas por estados e municípios para abrigarem as plantas das montadoras.

É claro que não podemos depositar na conta das montadoras a nossa vocação suicida para dirigir, nossa atávica necessidade de misturar álcool e volante.

Mas com certeza se entendermos que o trânsito é uma das principais causas de mortes violentas, e que extermina nossa força jovem, masculina produtiva, colocando em risco nosso bônus demográfico previsto para vinte anos, o aumento da oferta de veículos deveria ser pensada com mais cuidado, e não ser utilizada de forma indiscriminada como medida anti-cíclica para as crises capitalistas.

No campo logístico tudo isto é ainda mais grave, pois um país como o nosso, nestas dimensões e perfil econômico, não pode ser refém de uma modalidade de movimentação de cargas apenas.

Além de tudo isto, a indústria reserva a nós o título de imbecis. Já escrevi sobre isto aqui no blog, em outra matéria, sobre os preços praticados pela indústria.

Ora, preço é resultado de uma série de variáveis, mas basicamente obedece a lógica de demanda e oferta. Não há porque vender mais barato se o mercado “aceita” margens maiores.

Porém, o problema é esconder esta escolha gerencial sob o argumento de que é o governo o responsável pelo alto preço praticado, no que os cretinos chamam de Custo Brasil, vomitado por “especialistas de coleira” da mídia regiamente recompensada pelas campanhas publicitárias.

Em suma, pagamos para que nos ajudem a nos matar mais rápido, mais caro que todo mundo, e depois colocam a culpa em nós mesmos, pois escolhemos mal os governos que insistem em “aumentar” impostos.

Cadê meu chapeuzinho de burro? E o banquinho no fim da salaw

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lulipe

14 de dezembro de 2012 às 14h06

O Governo Federal sempre foi “refém” das grandes montadoras,basta as vendas caírem um pouquinho que o chororõ começa e recebem sempre o carinho do Governo.Nós consumidores também temos nossa parcela de culpa, já que não atingimos a consciência consumerista que existe nos países de 1º mundo, continuamos a pagar caro por carroças.Enquanto essa burrice imperar, empresário nenhum vai alterar a situação.

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Zezinho

14 de dezembro de 2012 às 13h54

Não é exatamente o que diz esta pesquisa:

http://omundoemmovimento.blogosfera.uol.com.br/2012/12/13/custo-de-producao-no-brasil-e-o-menor-do-mundo-e-margem-e-o-triplo-dos-eua/

segundo ela o lucro no Brasil é em torno de 10% enquanto que nos EUA 5%, ou seja o dobro. Os impostos no Brasil chegam a 32% e nos EUA a 16%.

O governo também tem sua culpa na história.

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    Marcio H Silva

    16 de dezembro de 2012 às 04h10

    Voce esqueceu de citar que o custo de produção aqui é 58% e lá 79%. O imposto é maior, mas ganhamos no custo de produção. No final, preço FOB, se somar imposto mais custo de produção, aqui empata com lá. Logo, porque o carro aqui é mais caro? nenhum empresário do setor quer responder, o que repondeu falou que é o mercado que dita o preço. Então está na hora do mercado pressionar a industria automobilistica e a anfavea, para que derrubem este Cartel praticado aqui.

Julio Silveira

14 de dezembro de 2012 às 13h50

Como sempre os cidadãos brasileiros acabam refens da iniciativa privada. Mas não só dela dos governos também, por que sabedores da importancia industrial desses grupos, acabam por ficarem acomodados na chupança de impostos do outro lado, altamente elevados.
O peso desse setor em nossa atividade industrial e consequentemente no emprego do Brasileiro, é o melhor instrumento para a chantagem de um lado, e a submissão conivente do outro, e em conjunto com o que já disse no paragrafo anterior, transforma os governos em sócios dessa esperteza. Já que retira a coragem para promover uma analise das planilhas. Os valores elevados servem a dois senhores. Por isso impostos altos se tornam uma facil rotina na injustiça tributária brasileira.

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Vlad

14 de dezembro de 2012 às 13h40

Se o custo Brasil, embora exista, fosse um fardo tão pesado, o Brasil não seria competitivo para exportar automóveis.
E acho que esses 10%, apresentado pelo Sindipeças, é absolutamente falso.
E não esqueçam da mordida leonina das revendedoras(*) também.

(*)Não dá de chamar de concessionárias porque os petistas vão sair defendendo que não é privatização e vai causar a maior confusão.

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MariaC

14 de dezembro de 2012 às 13h23

Precisamos de um governo sério e que governe para todos e não só para empresários. Precisamos de isntituições de proteção ao consumidor que realmente funcionem.Não é possível que cada consumidor tenha que entrar com uma ação para seu caso pessoal. Precisamos de regras gerais. Enquanto isso não acontece os pobres e trouxas acham que um Russomano vai resolver, ms ele não tem poderes. Nem as instituições nem o governo.
Quem tem o poder são os empresários. Isso é péssimo.

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