VIOMUNDO

Diário da Resistência


“O povo só é chamado a entrar no clube na ocasião das eleições”
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“O povo só é chamado a entrar no clube na ocasião das eleições”


17/12/2013 - 22h19

por Luiz Carlos Azenha e Padu Palmério

[Para ver em tela maior, clique no logo do Vimeo]

O jurista Fábio Konder Comparato dedicou boa parte de seus 77 anos de idade a defender o interesse público. Ele esteve diretamente envolvido em algumas das mais importantes causas da política brasileira nas últimas décadas. Aos nos receber em sua casa, traz ele mesmo as bandejas de água e café. Conta que ao longo da vida fez muitos amigos e muitos inimigos. É compreensível: em cima do muro, nunca ficou.

Tentou impedir a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, por exemplo, em maio de 1997. Quase conseguiu. Num dos trechos da entrevista, abaixo, quando também fala sobre o leilão de Libra, conta que na ação que ajudou a mover contra a venda da mineradora ganhou em primeira instância. Mas a causa foi transferida para o Rio de Janeiro onde, por “ordens superiores”, a juíza revogou a decisão inicial.

Em sua entrevistas, Comparato frequentemente toca no episódio que, segundo ele, “moldou a sociedade brasileira”:

Comparato foi o autor do projeto de Constituição do PT, aquele que foi derrotado em 1988 no Congresso Nacional — razão pela qual os petistas não apoiaram o projeto que foi aprovado.

Uma recente declaração de Lula, durante a festa de 25 anos da Carta, fez com que Comparato confirmasse sua avaliação crítica sobre o ex-presidente:

O projeto que Comparato escreveu ainda não previa o instituto do recall, como existe hoje na Venezuela:

Sobre a revisão constitucional:

Para Comparato, a privatização da Companhia Vale do Rio Doce — que controla as maiores reservas de minério de ferro do mundo e contra a qual ele batalhou — foi um crime de lesa Pátria. Menos pelo valor da empresa, mais por entregar a estrangeiros os mapas geológicos que resultaram de anos e anos de pesquisa dos estudiosos da estatal brasileira. Segundo ele, as ações movidas para reverter o resultado do leilão na Justiça estão paradas.

Mas o jurista considera o leilão de Libra, recentemente realizado pelo governo Dilma, algo ainda pior:

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Veja também:

Comparato: Rosa Weber leva dois anos para decidir assunto que diz respeito à mídia

“O dinheiro do mensalão caiu do céu?”

Leia também: 

Lúcio Flávio Pinto: Ritmo de exportação de minério de ferro de Carajás é criminoso

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



23 comentários

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Paulo Expedito

19 de dezembro de 2013 às 05h55

Deveras sou burro, tomar medidas em benefício do povo é populismo, qual a maneira de governar com o povo e para o povo?
Outra coisa em aritimética não o acompanho, comparar a doação da Vale ao leilão de Libra.
A sabedoria não obrigatoriamente está nas teses de um intelectual, seus conhecimentos por mais amplos que sejam não são obrigatoriamente o rumo de uma nação, existe conhecimento e sabedoria em muitos, talvez a maior sabedoria seja harmonizar e pô-las em prática.

Responder

    FrancoAtirador

    19 de dezembro de 2013 às 16h38

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    Só desqualificação ao entrevistado? Mas será que não se aproveita nada?

    Nem uma coisinha favorável à Democratização dos Meios de Comunicação

    que estão nas mãos de uma quadrilha empresarial e que é a voz dos ricos?
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FrancoAtirador

19 de dezembro de 2013 às 04h28

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Esta entrevista concedida pelo Jurista Fabio Konder Comparato ao Viomundo

já entrou para a História, não somente do Jornalismo, mas do BraSil.

O Espírito e a Alma do Povo Brasileiro… Foi, deveras, gratificante.
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Responder

Emanoel Santos de Castro

18 de dezembro de 2013 às 23h22

Não sou o especialista em comunicação, não chego perto ao Comparato, ao Lula, nas conclusões das idéias, por isso peço que busquem me compreenderem. Entendo a famosa pirâmide acolhendo todos os quatro poderes: Executivo, Presidenta (e), Governadora (dor) Estadual, Prefeitas (os); Poder Legislativo, Senadoras (es), Deputadas (os) Federal, Estaduais e Vereadoras (res.); Poder Judiciário, Ministros, Desembargadoras (es), Juízas (es), Promotoras (es), Imprensa (4º Poder); Policias de Galão (Poder das Armas); Empresários e fazendeiros.
Embaixo da Pirâmide, os pequenos Empresários, Pequenos Proprietários de Terra, Trabalhadores de várias categorias e o povo em geral.
No pináculo da Pirâmide estão os Mangagãos: Os Donos das Igrejas todas, Os Latifundiários, os Mega Empresários as Multinacionais, Os Grandes Industriais. Esses são os donos do ouro, da prata e de todos os metais preciosos. São eles que ditam o que podem e o que não podem o que deve e o que não deve; são eles que patrocinam as eleições nesse sistema. Um exemplo do Bradesco, Itaú, etc. que patrocinam a (o) nossa (o) candidata (o), patrocinam também o Zé Cerro, a Blablárina, patrocinam o Legislativo em geral, patrocinam o Poder judiciário, os Meios de Comunicação em geral.
Daí por diante, tudo é lucro, para quem estão no topo da Pirâmide. E, diga-se de passagem, quem paga a conta? Quem está abaixo da Pirâmide!(povo)
No meu ponto de vista, a nossa luta toda é contra o Sistema implantado. O Lula, a Dilma (Partido dos Trabalhadores) são realmente representantes do povo, mas fazer muito mais do que está fazendo, com as cartas que têm nas mãos, é praticamente impossível. Para se ter uma idéia, nós temos a Presidenta, mas o Governo é uma mistura oitenta. E, diga-se de passagem, não podemos entregar este governo, em hipótese nenhuma para os demais partidos. A luta continua!

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PedroII

18 de dezembro de 2013 às 12h17

Depois que o plano B da oposição ” Aécinho” divulgou o que pretende fazer com esse pais caso seja eleito, ficou claro que a consideração, e respeito que certos políticos tem para com a sociedade é próximo de zero. Tem piada melhor ou maior do que a tal “DEMOCRACIA REPRESENTATIVA”. uMA MULTIDÃO SE DIRIGE AS URNAS E COLOCA ALI O SEU VOTO, totalmente desorientados e completamente alheios aos seus próprios interesses, e guiados criminosamente por uma mídia podre e terrorista elege os seus REPRESENTANTES. o Aécio disse que o pais precisa voltar aos tempos do governo de FHC (

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Bacellar

18 de dezembro de 2013 às 12h07

Sou fã deste velinho desde criança. Era vizinho numa casa de praia de meu avô. Certa vez, idos dos anos 80, quando eu quase fui atropelado por um idiota piloto de jet-sky enquanto mergulhava de snorkel o Comparato que presenciou a cena passou uma das maiores descomposturas que eu já presenciei na vida no cara. Um sabão. O jetskista saiu murchinho, murchinho…Grande Comparato!

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Palmeira

18 de dezembro de 2013 às 12h05

Feliz Natal, Felicidade e Força ao Viomundo!

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lulipe

18 de dezembro de 2013 às 11h55

Descobriu a pólvora!!!Será que agora teremos um vencedor do Nobel????

Responder

    Palmeira

    18 de dezembro de 2013 às 13h04

    Num país onde a democracia ainda não se consolidou precisamos de descobridores de pólvora. E de repetidores. A direita não se cansa de espalhar suas antenas, seja de TV, de rádio, calunistas, de mentirosos, de torturadores da notícia.

    Apavorado com a cara-de-pau humana.

    11 de fevereiro de 2014 às 15h06

    Ô Lulipe.

    Teremos não. Acaso não leu por aí que Nobel depende do DNA?

    Quaá, qua´, auá.

Zilda

18 de dezembro de 2013 às 10h49

O prof. Comparato, a exemplo de Chico Oliveira têm sido dois críticos ferrenhos de Lula. Não parece que conviveram durante tanto tempo assim com Lula pra saber que ele não tem nada de revolucionário. Que ele é um conciliador, acostumado a negociar à exaustão, com empresários e esta é base da formação dele. Esses dois intelectuais costumam se referenciar em dois revolucionários: Hugo Chavez e Mandela. Mas nunca mencionam que a passagem de Chavez pelo governo venezuelano não possibilitou a organização das massas populares. Todas as dificuldades eram resolvidas com dinheiro do petróleo. Claro que é muito diferente da passividade e acomodação do povo brasileiro. Mas a sociedade civil, no conceito de esquerda de Gramsci e não no sentido liberal- não é organizada a ponto de gerar transformações na estrutura da sociedade venezuelana. Avançou muito, é certo, mas nada revolucionário como querem nossos intelectuais. No caso de Mandela – que era um conciliador como Lula – foi mais grave ainda. Segundo Slavoj Zizek -Mandela morreu triste e frustrado porque seguiu a cartilha da troika e o resultado é desanimador. Uma pequena parcela de negros virou elite; os brancos continuaram onde estavam e a grande massa da população servindo a dois senhores agora. O que é mais grave, a meu ver: deixou plantada a semente do apartheid. A Constituição da África do Sul, permite que sejam criadas cidades só de brancos, onde negros não podem nem passar na porta. Esse é o verdadeiro ovo da serpente. Mesmo assim Mandela queria ter uma conversa com a viúva do pai do apartheid o que não conseguiu porque ela não aceitou o convite. Mas como nossos intelectuais só tem o compromisso de analisar, debater, falar, falar, falar…Isso não significa que não tenho críticas aos governos Lula e Dilma. Mas desqualificar como fazem os dois intelectuais e pregar esse revolucionarismo abstrato [e muito diferente.

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    francisco pereira neto

    18 de dezembro de 2013 às 13h05

    Zilda
    Pelo menos a rusga do Comparato, depois de vinte e cinco anos, nós sabemos do que se trata. A constituição que Lula pediu para ele escrever e depois rejeitou. Ou ele acha que o Jobim deixaria de colocar os artigos que ele colocou sorrateiramente sem passar pelo plenário? Só porque a constituição seria do Comparato?

Cartel de pobres

18 de dezembro de 2013 às 09h45

NÃO HÁ BANQUEIROS NO CLUBE?

Responder

francisco pereira neto

18 de dezembro de 2013 às 02h31

Comparato é um grande brasileiro com conhecimentos profundos da nossa realidade política.
Admiro sua contribuição para a melhoria institucional do país.
Mas desculpe-me, parece que há um ressentimento profundo com a posição do Lula.
Pelo que entendi, Comparato ao redigir uma constituição a pedido de Lula e depois rejeitada por ele, está nítido a magoa com as respostas do Lula, e por outro lado, também não ficou claro como isso poderia ser levado a cabo, se houve um Congresso Constituinte eleito pelo povo.
A proposta de constituição de Comparato não teria que ser submetido ao Congresso Constituinte? Em sendo assim, era mais provável que nada sobrevivesse da proposta do Comparato. Ou ele acreditava que ela seria aceita na íntegra para depois a história registrar como a Constituição do Comparato?
A critica que ele faz a Lula como sendo um populista tem a mesma dimensão do que ele almejava. Eu sou a Constituição. A Constituição de um homem só?
Isso significa o quê? Altruísmo ou vaidade? Mesmo que isso fosse em frente seria inevitavelmente um fracasso total. Na verdade improvável de acontecer. Ou ele acredita que isso seria possível.
Para mim Comparato sonhou alto. E só agora ele revela essa conversa?
Vai entender o ego das pessoas…

Responder

    Riri Farinha

    20 de dezembro de 2013 às 19h06

    Francisco, você bateu na tecla exata. Parabéns.

HP

18 de dezembro de 2013 às 01h19

Azenha,

Sentindo-me obrigado a protestar a admiração pelo trabalho feito com o Viomundo, mas já sabendo que isso pode ser lido como puxa-saquice para o que vou dizer — mas que puxa-saquice nenhuma salva,

Você está partindo da premissa, não comprovada, de que uma participação maior do “povo” atende melhor ao “interesse público”. Näo é verdade no caso geral, embora possa ser verdade em momentos específicos da História, e não sei se é o caso no Brasil.

Quer dizer que proponho o autoritarismo? Não — proponho a cautela. O regime de 88, com todos os seus defeitos, foi desenhado com cautela. Devagar com o andor, e essas coisas todas. Eu, conservador? Sim. No bolso de imaginários blocos de poder conservadores? Ora, todos querem o favor do governo, não se iluda.

Responder

FrancoAtirador

18 de dezembro de 2013 às 00h48

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O CLUBE

Os donos do poder no Brasil vivem num clube fechado, no qual só entra quem lhes convém.

Mas é um clube curioso.

Pelas suas janelas, não são os sócios do clube que vêem a história acontecer aqui fora.

São os do lado de fora que vêem a história do seu país acontecer lá dentro.

Ela acontece: períodos se sucedem, grupos progridem e declinam, a economia muda, o poder se desloca.

Mas nada dessa pantomima de transformações afeta o Brasil do lado de fora, o grande e miserável país dos que não são sócios.

Lá dentro, exportadores e banqueiros brigam para dominar o “modelo”, e não se tem para quem torcer.

A oligarquia rural cede um pouco de espaço à oligarquia industrial e é como o movimento de placas continentais, uma acomodação geológica cuja energia ninguém aproveita e cujo único efeito social é a catástrofe.

Nem a perda do poder da oligarquia rural nos livra do feudalismo e da escandalosa concentração de terras, nem a ascensão da oligarquia industrial nos garante um capitalismo moderno e inteligente, nem o terremoto derruba o clube.

Tudo se passa lá dentro como numa usina desconectada cujo produto é a sua autoperpetuação e que usa o país como matéria-prima e não lhe dá nada em troca. Salvo lixo.

O clube tem uma das dez maiores economias do mundo [hoje, é a sétima].

Já o país que cerca o clube tem alguns dos piores índices do mundo nas áreas da saúde, educação e qualidade de vida.

Não se espera uma mudança voluntária nos estatutos do clube para que todo mundo possa entrar – é preciso pensar nos tapetes e nos lustres – mas pelo menos um pouco da história do Brasil poderia começar a acontecer aqui fora, e a condicionar a pantomima de poucos lá dentro.

Só isso já bastaria para atenuar o contraste entre o clube e a sua circunstância.

E é preciso conectar a usina à nação.

Países com elites tão safadas quanto as nossas, pelo menos, aproveitaram a sua energia.

Não existe um país do novo mundo que não tenha sido desenvolvido por uma forma ou outra de banditismo empreendedor.

Em alguns, a cumplicidade mais ou menos aberta entre ganância e poder teve proveito social, em outros, como o Brasil, ela não teve este perdão.

Em vez de construir um país, limitaram-se a melhorar as dependências do clube.

O clube, fora os intervalos em que os seguranças tomaram conta, como em 64, é democrático.

Há eleições regulares da diretoria, e os novos diretores tomam posse.

Nem todos terminam seu mandato, como os que acompanham a vida dentro do clube pelas suas janelas sabem, mas isso se deve às turbulências naturais da sua história, já que o clube é granfino, mas não deixa de ser latino-americano…

Mas alguns sócios começam a se dar conta que existe alguma coisa lá fora, que aquelas caras prensadas na vidraça não são só de curiosos.

São de gente que não se contenta mais em só assistir sua história, a salivar com os banquetes.

LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
(Jornal da CUT-RS, ago-set 1994, página 4)
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Post Scriptum:

Citando Manuel Bandeira

Onde estão aqueles sonhos da Frente Popular (PT/PCdoB/PSB),
da CUT e da militância da esquerda brasileira ?

“Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente…”
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Responder

Felix

17 de dezembro de 2013 às 23h32

Ótimo! falar!
Como aprovar leis com um congresso hegemonicamente retrógrado? como aprovar leis p as mudanças com um congresso latifundiário, corporativista (nas defesas de classes abastadas)? Quando uma simples lei para trazer mais médicos já é uma tormenta social…Aprovo algumas ideias como sobre educação. Mas o povo apoiaria, ou teríamos um novo Jango?
A governança depende de muitos fatores, e um desses é o povo, conservador, classista, corporativista, não-solidário,””Tá tudo errado, mas para o Brasil é o que se pode fazer no momento.

Perguntaram ao Comparato sobre combinar com essas classes “abastadas” de deixarem governar?

Responder

    Paulo Figueira

    18 de dezembro de 2013 às 12h30

    Pois é Felix, cada avanço social no Brasil é extraído a fórceps.

Leleco

17 de dezembro de 2013 às 23h31

Houve um ex presidente ( não me recordo qual ) , no início do século passado,que disse que o povo é como um guarda-chuva : Passada a eleição , vira um trambolho.

Responder

Mário SF Alves

17 de dezembro de 2013 às 23h13

Vaticínios. Então, é isso, com o projeto de constituição do PT, elaborado pelo Comparato, o Brasil seria ingovernável?
_________________________________

Literalmente:

1) “Com aquela constituição o País seria ingovernável”. Lula, durante a comemoração do 25º aniversário da Cidadã.

2) “Entre parêntesis: nós só podemos governar de mãos dadas com as classes dominantes”. Comparato, em crítica à referida afirmação do Lula.
______________________________________________
Ingovernável? Ali, naquelas circunstâncias, num momento de descrédito e objeção quase que unânime quanto ao autoritarismo?

Grande Lula… viajastes na maionese; pisastes no tomate.

Responder

Luís Carlos

17 de dezembro de 2013 às 22h50

Comparato sabe bem. Esse é o teatro da democracia representativa, tão adorada pelo capital e pela ideologia neoliberal (que não se constrange em apoiar ditaduras, quando a representação não dá conta de suas necessidades de liberdade de capitais). É representativa exatamente por não ser, ou seja, por ser o que não é. Por ser por determinado tempo o que não é de fato. Por apenas representar e não ser sempre, mas por algum tempo (do mandato). Representativa como representação cênica, do ator, da atriz que é por algum tempo seu personagem sem sê-lo de fato. Quanto melhor a representação melhor sua encenação. Em teatro é arte. Em política é desonestidade e traição. É a geografia política do distanciamento. Representar é não ser, ou ser por determinado tempo o que não se é de fato. Bom para a arte, limitado para a política, mas sempre ofertada no altar do liberalismo como sendo A democracia. Democracia para esses que defendem a representação, sempre no singular, nunca no plural.

Responder

Regina Braga

17 de dezembro de 2013 às 22h31

Meu Deus…o Comparato estuda a nossa alma!

Responder

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