EUA exigem ajustes fiscais, mas não fazem em casa: Juros chegam a US$ 1 trilhão e devoram arrecadação

Tempo de leitura: 2 min
Pessoas sem-teto nas ruas de Los Angeles, EUA. Foto: Xinhua

Dívida financia mais de ¼ do déficit dos EUA

Bola de neve: pagamento de juros nos EUA se aproxima de US$ 1 trilhão por ano, consome receitas e eleva a fatia no déficit

Por Marcos de Oliveira, no Monitor Mercantil

O déficit no orçamento dos Estados Unidos atingiu US$ 236 bilhões em março de 2024. Segundo Vyacheslav Volodin, presidente do Parlamento da Rússia, hoje, cerca de 28% das despesas orçamentárias dos EUA são financiadas por dívida.

“Ao mesmo tempo, os custos do serviço da dívida são a rubrica de despesa mais problemática: o montante dos pagamentos de juros num futuro próximo custará cerca de um terço das receitas orçamentárias dos EUA”, acrescentou Volodin, em comunicado de imprensa da Duma, o Parlamento russo.

Ainda levará um certo tempo para atingir este patamar: o serviço da dívida dos EUA consome cerca de 14% do orçamento. Mas a dívida não para de subir.

O governo norte-americano projeta tomar emprestado quase US$ 20 trilhões na próxima década. Os pagamentos líquidos de juros sobre esta dívida totalizarão mais de US$ 10 trilhões no período.

Os juros anuais da dívida federal dos Estados Unidos somavam cerca de US$ 350 bilhões na virada do século; passaram para US$ 415 bilhões na época da crise financeira de 2008; e foram a mais de US$ 500 bilhões em 2020. Em 22, os pagamentos de juros dos EUA decolaram: atingiram US$ 853 bilhões.

Entre 2007 e 2023, a dívida norte-americana quadruplicou, de US$ 8 trilhões para US$ 33 trilhões. Em 2007, os EUA detinham 5% da dívida mundial total; em 2023, passava de 10% do total. Hoje, o débito já passa de US$ 34,6 trilhões.

Em 2023, o governo gastou US$ 1,70 trilhão a mais do que arrecadou. Em comparação com 2022, o déficit nacional aumentou US$ 320 bilhões.

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Comentários

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Zé Maria

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Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) enviado
por Lula/Alckmin/Haddad/Tebet ao Congresso Nacional
projentando Déficit Zero para 2025 (idem a 2024) e Salário
Mínimo de 1.502 Reais (Aumento de 90 Reais)

O Governo prevê, ainda, um Superávit de 0,25% do PIB em 2026,
de 0,5% em 2027 e de 1% em 2028.

A Regra do Arcabouço Fiscal oferece uma Margem de Tolerância
de 0,25% do PIB, para mais ou para menos.

https://www.cartacapital.com.br/economia/o-que-o-projeto-da-ldo-indica-sobre-corte-de-gastos-do-governo-lula-em-2025/

A Mudança da Meta Fiscal

“Não vale a pena impressionar-se
com Grunhidos do Mercado e da Mídia,
originados por Análises de Base Frágil”

Economista Paulo Nogueira Batista Jr., na Carta Capital

https://www.cartacapital.com.br/opiniao/a-mudanca-da-meta-fiscal/
https://www.cartacapital.com.br/opiniao/patifaria-lima/
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Zé Maria

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“Bye, Bye, Uncle Sam”

Economista Paulo Nogueira Batista Jr., na Carta Capital

Hoje quero tratar de um tema de longo prazo, de natureza “estrutural” por assim dizer.

Refiro-me ao declínio do Ocidente, mais especificamente à sua parte principal – o declínio dos Estados Unidos, a superpotência que até há pouco tempo dominava o planeta.

Esse declínio tem várias dimensões e se mostra inexorável.

Não obstante, os Estados Unidos, seus aliados e satélites resistem a aceitá-lo, resistem de forma sistemática e feroz.

Como nas tragédias gregas, a resistência ao destino não faz mais do que acelerar a sua concretização.

Acostumados, há vários séculos, a dar as cartas, a ditar regras e a impor as suas vontades, os americanos e europeus fazem de tudo para negar a realidade, mesmo sendo ela objetiva e implacável.

A queda ano após ano do peso relativo dos EUA e cia. em termos demográficos e econômicos é clara e cristalina.

A população dos países de alta renda corresponde a apenas 15% da população mundial e tende a continuar caindo.

A economia da China já é maior que a dos Estados Unidos há algum tempo, em termos de paridade de poder de compra (a forma mais correta de fazer comparações internacionais).

Na China, os EUA encontram o seu maior rival, mais ameaçador do que outros rivais com que se defrontaram em outras épocas.

A União Soviética foi um rival militar, mas não econômico.

O Japão foi um rival econômico, mas não militar.

A China é as duas coisas ao mesmo tempo.

Os chineses, durante muitos anos, proclamaram a esperança de que a sua ascensão poderia ser pacífica.

Não sei se realmente acreditavam nisso – os chineses são muito dissimulados –, mas proclamavam o tempo todo o mantra da sua “ascensão pacífica”.

Essa esperança se espatifou no período Trump.

Ficou evidente que os EUA estão dispostos a bloquear e prejudicar o desenvolvimento da China, mesmo que isso possa trazer danos aos seus interesses econômicos de curto prazo.

A palavra de ordem é obstruir, se possível sufocar, a expansão econômica e política da China.

Biden manteve essa política, chegando a aprofundá-la.

Os resultados têm sido pífios.

A economia da China acusou alguma desaceleração, em parte por causa das sanções econômicas impostas pelos EUA, mas continua crescendo mais que os países do Ocidente e mais que a média mundial.

Refletindo o seu crescente poderio econômico, a China cresce politicamente e mostra-se presente em todas as áreas do mundo, inclusive no Hemisfério Ocidental. Os EUA esperneiam, mas não conseguem deter a onda chinesa.

E cometem erros palmares, que aceleram o seu declínio econômico e político. O principal deles foi ter iniciado outra grande confrontação – com a Rússia, em torno da Ucrânia.

Superestimando suas forças e capacidades, os americanos se julgaram capazes de confrontar a China e a Rússia simultaneamente.

A Rússia e a China levam a melhor até agora.

Além disso, a hostilidade dos americanos aproximou russos e chineses como nunca.

O declínio dos EUA tem uma dimensão especificamente política, que aparece na baixa qualidade dos seus líderes, na disfuncionalidade do seu sistema político e na descrença de grande parte da população nas eleições e nas instituições.

A ninguém escapa que é o dinheiro que governa.

A democracia converteu-se em plutocracia.

Mais grave: em kakistocracia, o governo dos piores.

Alguma dúvida?

Basta ver quem foi presidente da maior potência do planeta em tempos recentes: George W. Bush (eleito não uma, mas duas vezes), Donald Trump (eleito uma vez, talvez uma segunda em 2024) e Joe Biden. Impressionante a sucessão de mediocridades.

Para completar o quadro adverso, os EUA arcam com o imenso prejuízo político de apoiar o comportamento criminoso de Israel na faixa de Gaza.

Até satélites matriculados vacilam um pouco em acompanhar os americanos nessa empreitada funesta e onerosa.

Nunca esteve tão desmoralizado o discurso ocidental de defesa dos valores e direitos humanos.

Em uma frase: perda de expressão econômica, demográfica e política dos EUA; China, Rússia e Israel; lideranças americanas fracas e despreparadas. Tempestade perfeita. Bye, bye, Uncle Sam.

Os EUA têm muitos recursos e a despedida vai ser longa, mas já começou.

Não se deve descartar que os EUA e seus aliados ainda consigam reagir a essas tendências e eventos desfavoráveis.

Estão sempre tentando e lançam mão de todos os recursos, inclusive da violência.

As superpotências são mais perigosas, leitor, quando entram em declínio.

Porém, é difícil imaginar que a tendência histórica possa ser revertida.

Americanos, aliados e satélites vão continuar esperneando, mas o seu destino parece estar traçado.

Este texto aparece na versão impressa da Revista CartaCapital
Publicado na Edição n° 1295 em 31 de janeiro de 2024.

https://www.cartacapital.com.br/opiniao/bye-bye-uncle-sam/
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Zé Maria

Sem falar que essa “Orgia Fiscal” independe
do Partido que esteja no [des]governo dos EUA,
Republicano ou Democrata, Ambos de Direita.

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