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João Paulo Rillo: Que venham as prévias! Façamos da adversidade a construção de uma nova utopia
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João Paulo Rillo: Que venham as prévias! Façamos da adversidade a construção de uma nova utopia


19/02/2020 - 11h32

Da adversidade a construção de uma nova utopia

por João Paulo Rillo*

São poucos os momentos pós-ditadura que a esquerda brasileira soube fazer das diferenças internas potencialidades políticas transformadoras.

Geralmente as prévias partidárias são permeadas por mágoas, excessos de vaidades, polarizações pessoais, rebaixamento da política e erros, muitos erros, como, por exemplo, a insistência do querido e valoroso companheiro Tarso Genro, do PT, em 2002, em disputar as prévias contra o então governador do estado do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra.

Tarso venceu as prévias, tirou o direito natural de Olívio disputar a reeleição e perdeu o governo do estado do Rio Grande do Sul pra direita. Tarso é um militante e dirigente político maduro, e já fez sua autocritica sobre isso.

Pra se inscrever em uma prévia interna, que vai decidir quem representará o conjunto partidário em uma disputa eleitoral majoritária, tem que cumprir, pelo menos, condições mínimas de representatividade social, eleitoral, força partidária e muita disposição pra construir o partido.

O PSOL de São Paulo tem o privilégio de ter como pré-candidatos o deputado estadual Carlos Gianazzi, a deputada federal Sâmia Bonfim e o líder político do MTST e ex-candidato a presidente da república pelo partido, Guilherme Boulos.

Carlos Gianazzi cumpre o critério da representatividade social e eleitoral, também é militante de primeira hora do PSOL. Mas agrega menos força interna que seus companheiros postulantes.

A polarização vai se dar entre Sâmia Bonfim e Guilherme Boulos. Ambos cumpridores de todos os critérios necessários para representar o partido no maior palco político do Brasil nessas eleições municipais: a cidade de São Paulo.

Quando digo que o PSOL tem o privilégio de ter duas pré-candidaturas da estatura de Guilherme e Sâmia não estou dourando pílula ou fantasiando positividades que arrefeçam os estragos internos que uma disputa desse porte pode deixar.

Tenho plena convicção ser possível realizar esse debate pactuando verdadeiramente a construção futura do partido, aquecer a militância e construir um projeto de cidade que fale da vida real dos trabalhadores e encante as pessoas.

Embora o PSOL tenha uma base eleitoral e social menor que a do principal partido de centro-esquerda do país, o PT, é ele quem pode hospedar uma nova utopia política e novo projeto nacional.

Tanto a candidatura da Sâmia como a do Guilherme expressam uma energia e desejo político sincero de construir novos tempos pra esquerda brasileira. E isso não é pouco.

Nenhuma candidata ou candidato do PSOL será ungido por decisão autocrata de quem quer que seja.

O conjunto partidário, em sua ampla coletividade e cultura interna de democracia, decidirá quem representará o partido na disputa nas eleições de da cidade de São Paulo.

Sendo isso fato irrefutável, proponho que façamos das prévias um grande e intenso processo político que nos aqueça e nos prepare pra disputa contra a direita privatista e os neofascistas.

Vamos fazer das prévias um grande acontecimento político para filiados e simpatizantes do PSOL.

A regra é inconteste, só votam nas prévias filiados dentro das regras estatutárias, mas os debates podem e devem ser livres e em lugares que extrapolem os muros das câmaras municipais, assembleias legislativas e as velhas estruturas burocratizadas e sem vida.

As praças, centros culturais, teatros, ocupações de moradias, espaços de saraus na periferia, espaços livres de educação e comunidades podem acolher nossos debates e rodas de conversas sobre a cidade e como a máquina pública deve funcionar para os que mais precisam.

As prévias podem ser o grande lapidador do nosso discurso e diálogo com a cidade e os trabalhadores que a constroem.

Está em nossas mãos criar as condições pra que nossos pré candidatos falem o que pensam sobre a cidade no sentido mais amplo possível, para o máximo de pessoas possíveis.

É preciso olhar no olho e sentir as necessidades e desejos daqueles que enfrentam filas nas unidades de saúde e hospitais, passam longas horas dentro de um transporte coletivo caótico, de mães e pais que não conseguem vagas em creches para os seus filhos, dos jovens abandonados à sorte nas periferias sem políticas públicas de lazer, esporte e cultura.

Precisamos tocar o a alma e o coração daqueles que perderam a esperança na cidade.

Precisamos dizer em alto e bom som que nosso governo transformará lugares e pessoas. E que somos a alternativa real pra classe trabalhadora e seus filhos, na cidade e no país.

Que venham as prévias!

*João Paulo Rillo é diretor de teatro, militante do PSOL e ex-deputado estadual paulista.



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1 comentário

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Zé Maria

20 de fevereiro de 2020 às 19h06

Que saiam das Prévias Unidos e Dispostos
a formar uma Ampla Coligação de Esquerda,
para derrubar a Direita Fascista Paulistana.

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