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João Paulo Rillo: Pela unidade da esquerda, retiro-me da disputa à prefeitura de Rio Preto
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João Paulo Rillo: Pela unidade da esquerda, retiro-me da disputa à prefeitura de Rio Preto


19/06/2020 - 11h20

Pela unidade do campo democrático, popular e progressista em São José do Rio Preto

Por João Paulo Rillo*

Dirijo-me a companheiras, companheiros e camaradas que, neste momento, lutam pela vida e pelo que restou de democracia e liberdade no País, para anunciar minha retirada da disputa eleitoral para a prefeitura de São José do Rio Preto.

O meu objetivo com este gesto é um só: contribuir com a unidade do nosso campo.

A atual conjuntura exige maturidade e desprendimento.

O mais importante é a unidade da esquerda em torno de um projeto socialmente justo para a cidade e o enfrentamento da agenda ultraliberal de desmonte do estado e avanço do fascismo.

Meu nome sofreu um veto por parte da direção estadual do Partido do Trabalhadores.

Esse veto gerou desdobramentos e distância entre os três diretórios municipais (PT, PSOL e PCdoB) que já haviam se posicionado favoravelmente a uma coligação com o meu nome representando esse projeto.

Tenho muita esperança de que podemos construir uma alternativa possível para a cidade.

Por coerência, decidi retirar meu nome da disputa e defender, com distanciamento e legitimidade, a unidade de todos os partidos de esquerda em torno de uma frente ampla, democrática e popular.

As vontades pessoais são legítimas, mas não devem jamais se sobrepor à construção política coletiva.

Tenho fé que, unidos, voltaremos a portar futuro e esperança para nosso povo.

Vamos em frente!

***

Segue um relato histórico que deu base à minha decisão

Até o dia 2 de março deste ano, liderada por três partidos, PCdoB, PSOL e PT, uma frente de esquerda estava sendo construída, com espaço para que mais pessoas progressistas, coletivos e partidos de esquerda e de centro-esquerda pudessem compor e construir um programa verdadeiramente democrático para a cidade, tendo as trabalhadoras e trabalhadores como protagonistas de um governo administrativamente justo e socialmente comprometido com aqueles que mais precisam do Estado.

Nas eleições municipais, este projeto se traduziria com a indicação do PSOL para prefeito e a indicação de vice-prefeita(o) do PCdoB ou do PT.

Como a legislação eleitoral proíbe coligação para a disputa legislativa, o PT propôs ceder ao PCdoB a indicação de vice, desde que o PCdoB filiasse todos os seus candidatos na chapa de vereador do PT – pois o grande objetivo do partido nas eleições, segundo o ex-presidente do PT, era focar na disputa legislativa.

O PCdoB não aceitou a proposta e reafirmou que teria sua própria chapa de vereadores.

Foi a primeira dificuldade tática para darmos prosseguimento à construção eleitoral da frente.

Essas informações podem ser conferidas com a direção do PCdoB, PSOL e com dirigentes do PT.

A segunda dificuldade apareceu no dia 2 de março, quando o Diretório Estadual do PT aprovou uma resolução sobre candidato majoritário próprio em todos os municípios que tenham retransmissora de TV.

A resolução do PT gerou tensão na frente que estava sendo construída.

E nos chamou a atenção o fato de a resolução ser rigorosa apenas para Rio Preto, uma vez que, em Sorocaba, o PT já havia declarado apoio ao candidato do PSOL com o aval da direção estadual.

Ou seja, o imperativo de candidatura própria tinha dois pesos e duas medidas e endereço certo.

No dia 5 de março, o vereador Marco Rillo, filiado ao PT na época, enviou carta ao Diretório Estadual do PT pedindo respeito à decisão do Diretório Municipal de Rio Preto e o mesmo tratamento dispensado ao Diretório Municipal de Sorocaba.

O pedido de um dos vereadores mais importantes da história do PT do interior de São Paulo foi ignorado pelo Diretório Estadual do PT.

Em conversas que tive com membros da direção estadual do PT ficou evidente que não seria permitido que o Diretório Municipal de Rio Preto me apoiasse para prefeito, em razão dos intensos embates políticos que travei na bancada estadual do PT durante anos.

Felizmente, todos esses conflitos estão cravados na história e podem ser conferidos nas atas oficiais da Alesp ou na imprensa (veja aqui e aqui)

Decidi sair do PT para manter vivos os sonhos, os princípios e a ética militante que aprendi dentro do próprio PT.

Diante do impasse criado pela direção estadual do PT e na busca de um novo consenso, o PSOL formulou e apresentou uma nova proposta para os dirigentes do PCdoB e do PT: uma chapa única de vereadores com filiação tática e democrática no PSOL, dentro de um programa-compromisso assinado por todos os pré-candidatos e as direções partidárias que permitisse que os possíveis eleitos voltassem a militar em seus partidos de origem – para garantir que a frente de esquerda pudesse eleger uma forte bancada no Poder Legislativo e fazer desse espaço uma verdadeira trincheira de defesa das causas populares.

Devido à pandemia, não foi possível continuar o debate de construção da frente no conjunto das militâncias desses partidos, e a decisão dos novos caminhos ficou a cargo de núcleos reduzidos de militantes dirigentes.

O PT, representado pela atual presidente Celi Regina e o pelo ex-presidente Carlos Henrique, após conversa pessoal com Luiz Marinho, presidente estadual do PT, anunciada como busca de respeito ao Direito Municipal de Rio Preto, sem nenhuma comunicação política ao PSOL e ao PCdoB, retirou-se do debate de construção da frente, afirmando agora a opção de candidatura própria para Prefeito.

Vale lembrar que, antes da mudança de posição da Celi e do Carlos Henrique, antigos dirigentes estaduais vieram a Rio Preto à revelia da direção municipal, tentar convencer alguns nomes a se colocarem como candidatos.

Luiz Turco, ex deputado estadual e ex-secretário de organização do partido, esteve na casa do companheiro Cacau Lopes tentando convencê-lo a ser candidato pelo PT, mesmo com a posição oficial de 90% do Diretório Municipal a favor da coligação com PSOL e PCdoB.

Face à impossibilidade de ampliação do debate e com o prazo de filiação perto do seu final, em 23 de março, o vereador Marco Rillo e outros militantes e pré-candidatos aderiram à proposta do PSOL e se filiaram ao partido.

A filiação desses companheiros no PSOL provocou uma reação agressiva e desproporcional por parte de alguns dirigentes do PT contra aqueles que, como o vereador Marco Rillo, construíram cotidianamente, durante décadas, o PT e não aceitaram que o Diretório Municipal do PT tivesse sua autonomia de decisão ameaçada pelo diretório estadual.

Depois de quase dois meses de isolamento social e sem nenhuma posição oficial do TSE sobre mudança no calendário eleitoral, o PSOL resolveu procurar novamente o PT e o PCdoB no sentido de retomar a discussão sobre a Frente Ampla.

Na carta endereçada aos dois partidos, o PSOL sugeriu que todos os partidos pudessem apresentar nomes para a disputa majoritária e que os critérios de definição seriam o que a Frente avaliasse ser mais adequados.

Ou seja, zerou o jogo sobre minha candidatura natural. Eu me submeteria a qualquer critério estabelecido pelos três partidos.

A direção do PCdoB compartilhou a carta do PSOL com sua militância e produziu uma nota defendendo a união dos três partidos e o critério de prévias unificadas entre os filiados dos três partidos, com a possibilidade de não filiados poderem participar.

Infelizmente, até hoje não tivemos nenhuma posição oficial do PT.

Não guardarei nenhum sentimento ruim sobre os ataques pessoais feitos por alguns poucos dirigentes petistas no submundo virtual.

Tivemos apenas uma diferença tática e essa diferença nem foi causada por nós, e sim pela atual direção estadual do PT.

Portanto, o debate leal e respeitoso entre nós deve prevalecer, sempre.

O que eu penso sobre a esquerda brasileira e como um partido de esquerda deve se construir é diametralmente o oposto do que pensa a maioria da atual direção do PT de São Paulo.

Mas nunca imaginei que isso seria motivo para vetar uma aliança entre os dois partidos.

Sei que a esmagadora maioria da militância petista rio-pretense defendeu a nossa aliança, mas, infelizmente, prevaleceu a posição política do Diretório Estadual do PT: veto total ao apoio do PT de Rio Preto à minha candidatura a prefeito.

Diante desse quadro, não faz sentido eu insistir em ser candidato sabendo que meu nome não unifica esses três partidos.

Por isso, retiro-me da posição de candidato, mas jamais renunciarei à minha condição de militante.

E é como militante que continuarei defendendo a unidade de todos aqueles que se contrapõem ao fascismo e à agenda ultraliberal implementada no país e em nossa cidade.

Sigamos!

*João Paulo Rillo é diretor de teatro, militante do PSOL e ex-deputado estadual paulista.



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