VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Trita Parsi: Obama deveria ter ouvido o Brasil


18/01/2012 - 13h59

da revista Economist, em Running out of moves, que trata das relações entre Estados Unidos e Irã

A crise interna do Irã também paralisou a tomada de decisões em Teerã e matou o acordo para gerar confiança que poderia ganhar tempo para a diplomacia nuclear. A ideia era de o Irã mandar 1.200 quilos de seu urânio fracamente enriquecido para o estrangeiro para produzir o combustível de seu reator de pesquisas, deixando o país por um tempo com um estoque muito baixo de urânio para fazer uma bomba. Depois da eleição [no Irã] essa ideia se tornou muito quente para o governo bancar, especialmente depois que um dos líderes reformistas, Mir Hossein Mousavi, denunciou o acordo como “rendição” a estrangeiros.

A Turquia e o Brasil ressuscitaram o acordo na primavera de 2010, mas então o estoque de urânio do Irã tinha crescido e o sr. Obama estava a ponto de guiar uma nova resolução, obtida com duro esforço, no Conselho de Segurança [das Nações Unidas]. Depois do trabalho que deu a ele para convencer a Rússia e a China a apoiar a resolução, o presidente parece ter decidido que não poderia arriscar o fracasso das sanções [econômicas contra o Irã].

Enquanto os republicanos acusam o sr. Obama de “apaziguar” o Irã, o presidente também enfrenta críticos na direção oposta que dizem que o maior erro dele foi retirar muito cedo a mão estendida das negociações. Em uma aprofundada história do engajamento do presidente com o Irã (“A Single Roll of the Dice”), Trita Parsi, o fundador do Conselho Iraniano-Americano de Washington, lamenta o fracasso do sr. Obama em aceitar a proposta do Brasil e da Turquia.

Tendo escolhido perseguir pressão e diplomacia simultaneamente, ele apostou toda a diplomacia numa única jogada de dados, e quando não chegou a lugar algum ficou apenas com a pressão — que com o tempo pode também fracassar.

Para a diplomacia ser bem sucedida, o sr. Parsi argumenta, os Estados Unidos não devem recuar ao primeiro sinal de intransigência iraniana ou de oposição parlamentar em casa, ambas inevitáveis. O problema, ele conclui, é que a inimizade de trinta anos entre o Irã e os Estados Unidos não é mais um fenômeno, “é uma instituição”.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



21 comentários

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Heloisa Villela: Yes, nós temos bananas | Viomundo - O que você não vê na mídia

19 de janeiro de 2012 às 18h58

[…] Trita Parsi: Obama deveria ter ouvido o Brasil […]

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Nelson

19 de janeiro de 2012 às 15h06

A análise do Sr Trita Parsi cheira muito mais a adequação aos interesses do governo dos EUA do que qualquer outra coisa. Quando ele afirma que "a inimizade de trinta anos entre o Irã e os Estados Unidos não é mais um fenômeno, 'é uma instituição'", parece esquecer-se do ocorrido em 1953, quando os governos dos EUA e da Inglaterra planejaram e executaram um golpe de estado para apear do poder o primeiro-ministro nacionalista Mohammad Mossadegh. Dali em diante, deixariam o comando do país a cargo do Xá Rezza Pahlevi que, por 26 nos, imporia uma sangrenta ditadura ao povo iraniano. Ademais, se há realmente esta "inimizade", uma breve olhada na História nos mostrará quem a insuflou.

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Regina Braga

19 de janeiro de 2012 às 10h57

Nem só de carisma vive o homem…Pena,que o Obama tenha cedido tanto.Uma re-eleição que parecia fácil ,está ficando complicada.Prometeu que se aproximaria dos árabes,mas só trabalhou com sanções.Acabou empurrando o mundo para a beira do abismo.Se pode reverter a insanidade?Pode,sim!E tenho certeza que, o mundo todo ficaria muito agradecido.

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SILOÉ-RJ

19 de janeiro de 2012 às 00h41

Essa é a hora do Brasil e Turquia intercederem outra vez, para uma nova negociação de paz.
Evitar que a situação se agrave é dever de todos os países democráticos.Visto que: uma distensão maior, pode levar a uma guerra sem precedentes o que afetaria negativamente a todos os países.

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Fabio_Passos

18 de janeiro de 2012 às 22h04

São inúmeras as rendições de Obama aos maníacos da extrema-direita e sionistas.
Obama assumiu compromisso de dialogar com o Irã… mas quando apareceu a possibilidade concreta de um acordo histórico (com ajuda da Turquia e do Brasil) não cumpriu seu compromisso.

Repetir que os eua são uma democracia é uma tolice indesculpável.
O "presidente" dos eua não passa de um mero relações públicas da plutocracia.

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    Renato

    20 de janeiro de 2012 às 11h53

    Os EUA são mais democráticos que nós. Onde cada Estado tem a sua constituição e as suas leis. A União é responsável apenas para imprimir a moeda, defesa nacional e relações diplomáticas. Os Estados são respeitados, aqui não.

    Fabio_Passos

    21 de janeiro de 2012 às 00h33

    Inauguração do Estado Policial EUA 2012: Obama assina o “Decreto de Autorização da Defesa Nacional” http://www.odiario.info/?p=2341

    "Dizer que 1 de Janeiro de 2012 é “um dia triste para os EUA é um eufemismo. A assinatura do Decreto HR 1540 e a sua passagem a letra de lei equivale a militarizar a aplicação da lei, a revogação do Decreto Posse Comitatus e a inauguração, em 2012, do Estado Policial EUA. "

Fernando R.

18 de janeiro de 2012 às 18h35

A coisa mais atrasada que pode existir é teocracia. Mas os EUA conseguem ficar atrás dos aiatolás nesse processo. Certo como a morte é que o Irã terá a sua bomba, e o mundo seguirá sua trajetória normal.
Não há alternativa viável a este desfecho.

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    roger

    18 de janeiro de 2012 às 20h39

    Os EUA sofrem mesmo de mal pior, a corporatocracia. Há um lobby fortissimo pressionando para a guerra. São corporações com poder economico maior que o PIB de muitos países. Fabricantes de armas, empresas de construção civil, laboratorios e outras empresas que fornecem medicamentos e outros suprimentos para as forças armadas, bancos, bancos acionistas do FED, aplicadores (a fina flor do capital financeiro internacional, em geral dominado por sionistas), etc. Além disso, esses atores patrocinam campanhas politicas, então vê-se o mal…

    Idiota Imodesto

    19 de janeiro de 2012 às 19h50

    Ou seja, o fascismo já está instalado.

    Valdeci Elias

    18 de janeiro de 2012 às 20h43

    Sadan Hussen, Bin Laden e Moamar Kadaf tambem acreditaram em uma tragetória normal, e se deram mal.

Eduardo Oliveira

18 de janeiro de 2012 às 17h09

O governo brasileiro se empenhou e apostou todo o tempo, na então época, na administração do presidente Obama. Acredito estar ainda em tempo e presidente Obama pode e deve rever possibilidades. Os estadistas têm que pensar não nas próximas eleições e sim nas próximas gerações. Sim ele pode.

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Caracol

18 de janeiro de 2012 às 17h06

Isso é ponto de vista de quem quer viver e trabalhar em paz, cuidar dos filhos e em harmonia com amigos e vizinhos. Isso não é o ponto de vista de quem quer ganhar dinheiro fabricando e vendendo armas, assassinando pessoas com remédios falsos, cultivar mitos de super-heróis pra esconder a própria impotência sexual ou outra qualquer, invadir países, impor à força a sua cultura rapace e predatória, enfim… isso não é o ponto de vista dessa corja.

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Luiz Augusto

18 de janeiro de 2012 às 16h58

Pergunte a qualquer pessoa decente do país e ela responderá: porque chega de mau caráter próximo ou no poder ou com poder.

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Almeida Bispo

18 de janeiro de 2012 às 16h13

O Irã constrói logo essa zorra de bomba; mostra que já construiu e a sanha guerreira ianque rapidamente vai se voltar pra outro lugar. E o Irã terá mais três mil anos de relativa tranquilidade pela frente. É assim que funciona um mundo comandado em geral por assaltantes: tem que mostrar que não vale a pena assaltar.

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augusto

18 de janeiro de 2012 às 15h08

Acontece que os analistas nao dizem o obvio, escondido sob a retorica do pig.
O artigo visa e quer o 'sucesso' dos Usa sob a otica do depto de Estado, claro coisa que o establishment sonhava anos atras
. Agora não: isso seria fracassso – uma vez que, 'sucesso' hoje tem outro nome para o partido da guerra que dominante la dentro: a guerra total contra Teerã, uma vez conseguida a neutralizaçao das resitencias chinesas e russas.
a Russia estaria diretamente ameaçada mas os pekineses sacrificarão friamente os iranianos, se isso
lhes acarretar a descontinuidade de seu desenvolvimento e acesso as materias primas.

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orbitaplanetaria

18 de janeiro de 2012 às 15h06

Os EUA praticamente institucionalizaram suas inimizades e amizades, o resto é negócio. Ou o bloqueio de Cuba é racional? A defesa automática de Israel? O apoio a monarquia absolutista Saudita? O Irã não é o único a ter esse ódio institucional é que eles precisam para aquecer o eleitorado.

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    Renato

    19 de janeiro de 2012 às 09h21

    O bloqueio a Cuba é racional, pois Cuba uma vez se entupiu de bombas atomicas Soviéticas e quase levou os dois países a uma guerra nuclear total.
    A defesa automática de Israel é racional levando em consideração outros fatores que não vou comentar aqui.
    Se o povo da Arábia Saudita quer manter a monarquia quem sou eu para contestar?

    Luca K

    19 de janeiro de 2012 às 13h29

    Bobagem pura o que vc escreveu. Quanto a Cuba, a URSS não mais existe. Ademais, a aproximação cubana da URSS se deveu não apenas a ideologia mas a constantes tentativas estadunidenses de derrubar o regime, e isto desde o princípio. A defesa automática de Israel é BIZARRA e apenas acontece devido ao ENORME poder dos sionistas dentro dos EUA. Na verdade, Israel é um FARDO para os EUA.
    O povo saudita aprecia o regime brutal e medieval q existe por lá? Quem te contou, um passarinho? Mas consideremos q o que tu dizes é verdade; as evidências do apoio popular ao regime no Irã é MUITO maior. Entretanto teus heróis americanos querem mudança de regime por lá… e na Síria, na Venezuela, na Bielorússia… até na própria Rússia. Teus heróis usam 2 pesos e 2 medidas hein velhinho! A marca dos cínicos e hipócritas…

    mar.

    19 de janeiro de 2012 às 14h11

    Sr. Renato, levando também em consideração outros fatores que não vou comentar aqui, acho o senhor um mal intencionado .

Enéas

18 de janeiro de 2012 às 15h00

Estas análises são interessantes mas o fato é que se quer é invadir e dominar estes povos do Oriente Médio. Armas de Destruicao em massa, armas quimicas, nucleares, tudo conversa fiada para o PIG martelar na cabeça do povão para se ser apoio ou ao menos menor rejeição para estas guerras por recursos.

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