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Tereza Cruvinel: Esquerda subestima quadro criado com apoio do centrão a Alckmin
Foto: GOVESP
Política

Tereza Cruvinel: Esquerda subestima quadro criado com apoio do centrão a Alckmin


22/07/2018 - 09h48

Foto: Govesp

O novo quadro

por Tereza Cruvinel, no Jornal do Brasil 

O candidato tucano Geraldo Alckmin volta a ser peça do jogo com o apoio do Centrão.

Ganha um tempo de TV colossal, capilaridade e máquina, mas vincula-se também ao que há de mais atrasado e melhor representa a “velha política”.

A bola agora rola no campo da esquerda, em resposta à jogada do adversário da centro-direita.

E a resposta, por ora, não foi a busca da unidade, como fez a direita, mas o acirramento da disputa entre PT e PDT pelo apoio do PSB e do PC do B.

No dia em que o mercado e o empresariado só não soltaram fogos de artifício para festejar o feito do candidato preferido, com a Bolsa subindo e o Real se valorizando, o PDT sagrou Ciro candidato em situação de isolamento, sem vice e sem alianças.

Em seu discurso, ele voltou a defender Lula, acenou aos possíveis aliados da esquerda e até ao empresariado produtivo.

Dever de ofício: o capital agora voltou a apostar tudo no tucano, depois de ensaiar até a assimilação de Bolsonaro, na busca de candidato capaz de evitar a vitória da esquerda. Vale dizer, de Ciro ou do candidato de Lula.

Na disputa pelo apoio do PSB e do PC do B, ambos divididos entre apoiar Ciro ou o PT, Lula autorizou o ex-prefeito Fernando Haddad a divulgar ontem os cinco eixos básicos de seu programa de governo.

Buscou assim o contraste com Ciro, que andou fazendo concessões programáticas ao Centrão, inutilmente.

O flerte com o bloco só lhe trouxe desgaste em seu próprio campo, onde tenta agora se recuperar.

No PSB a divisão interna é tão dramática que levou o governador de São Paulo, Marcio França (que antes defendia o apoio a Alckmin) a sugerir o lançamento da senadora Lídice da Mata (BA) como candidata própria do partido para evitar a difícil escolha.

Lídice acaba de ter sua candidatura ao Senado sacrificada numa aliança com o PT da Bahia, que preferiu um aliado conservador do PSD. Ingratidão do PT.

Ela aparou o golpe, em nome da aliança local e vai concorrer à Câmara.

Lançar-se candidata a presidente só para dar conforto ao partido seria um segundo e maior sacrifício, que deixaria fora do Congresso um dos melhores quadros do PSB.

Ela recusou o cálice.

A profundidade da divisão sugere que não haverá decisão antes da convenção/congresso do dia 5 de agosto.

O fracasso das negociações de Ciro com o Centrão pode ter favorecido o grupo pró-PT, mas pode ser também que o PSB opte pela solteirice.

Cada estado ficaria livre para fazer seu jogo “e seríamos mais um partido sem projeto nacional”, lamenta o líder Júlio Delgado.

O Comitê Central do PC está reunido desde ontem, debruçado sobre o mesmo dilema.

O forte boato de que Lula teria convidado a candidata Manoela D’Ávila para ser sua vice não se confirmou.

Antes disso, o PT vai insistir no apoio do PSB, ou mesmo em sua neutralidade, para que não apoie Ciro.

O tempo é mais curto para o PC do B.

Sua convenção será na quarta-feira.

A esquerda subestima o novo quadro agora criado.

A união conservadora com Alckmin não ficará só no apoio do Centrão.

Irá muito além, formando uma coalizão poderosa, decidida a levar Bolsonaro e Alckmin ao segundo turno.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) arriscou propor a chapa Lula-Ciro mas o campo está minado.

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9 comentários

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Leo F.

24 de julho de 2018 às 17h10

Os comentários só confirmam o que disse Cruvinel, no seu bom texto, que a esquerda está subestimando a recente união entre os partidos fisiológicos de sempre e Alckmin.

É óbvio que em um cenário eleitoral tão fragmentado, como o que se delinea até Outubro, qualquer aliança de campo majoritário como exatamente o que fez o Alckmin, com a coalizão junto à centro-direita, aproveitando desde o tempo de TV até mesmo da máquina de propaganda partidária panfleteira nas ruas com seus cabos eleitorais, traz uma IMENSA vantagem perante um público majoritariamente em estado de catatonia, perplexo com uma suposta “falta de opções”, diante da ausência de Lula do pleito.

Bolsonaro será desidratado absurdamente, até a data da votação, devido às pancadas que tem tomado de todos os lados, inclusive da própria imprensa (depois da confirmação da aliança de Alckmin com os caciques tradicionais).

Sobre o Ciro e o “Centrão”, a responsabilidade por não ter conquistado seu apoio é toda sua!
Como ele queria uma aliança, quando não só achicalhou o político Fernando Holiday (merecidamente, mas foi uma atitude burra), fez menções no mínimo “desonrosas” a membros do PP e ainda por cima tentava mandar mais que os próprios caciques, nas futuras nomeações? Por mais que tenha sido firme, foi estúpido, em não ter o jogo de cintura e o comedimento necessário ao lidar com este campo.

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MAAR

23 de julho de 2018 às 13h29

O PT insiste em manter postura mesquinha e danosa, que ameaça vir a inviabilizar a real possibilidade de reverter o domínio nefasto da direita golpista e predatória, o que gera o risco de lançar o futuro do partido no lixo da história.

Ao repelir a alternativa de formação de uma frente ampla de esquerda embasada num projeto político bem definido, o PT demonstra que deseja repetir a trajetória passada, através de uma campanha eleitoral personalista e da busca de alianças eleitoreiras, as quais resultaram na deletéria composição atual do parlamento.

Desse modo, o PT demonstrar não haver aprendido ainda a importância de superar as influências de personagens sombrios, a exemplo de Antonio Palocci, Eduardo Cardoso e Jacques Wagner, haja à vista o recente anúncio do apoio ao PSD na Bahia, ao referendar a candidatura ao senado de um conhecido baluarte do carlismo, eleito vice-governador em 1998 através do ditatorial e malsinado PFL.

Nesta medida, ao optar pelo vale-tudo eleitoreiro, o PT tende a obstar a eleição de uma maioria parlamentar que tenha real compromisso com legítimas causas populares, e sinaliza a pretensão de lotear o governo com aliados de ocasião.

A intransigência do PT contra a formação da frente de esquerda para viabilizar a eleição de um governo democrático amparado por uma expressiva maioria parlamentar demonstra a necessidade urgente de evolução da cultura política.

Neste sentido, urge mobilizar os formadores de opinião e as comunidades populares, a fim de cobrar das lideranças petistas a indispensável viabilização de uma frente ampla de esquerda, para possibilitar a reversão dos retrocessos.

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Patrick

23 de julho de 2018 às 09h18

A direita só fez uma burrada atrás da outra desde o golpe, por que diabos a gente deveria ver uma jogada de gênio nessa união centrão + Alckmin?

Claro, eles podem dar o golpe pela força, seja via armas, seja via Judiciário.

Mas é só o que lhes resta. Isso não é sinônimo de inteligência ou genialidade. Muito menos significa que a esquerda “subestima” a direita.

Significa apenas que a esquerda aceitou o jogo democrático e a direita não.

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Hildermes José Medeiros

22 de julho de 2018 às 18h46

Subestima não, jornalista. Apenas tem uma visão diferente, e suas razões. A direita, que não está totalmente unida, que na realidade não chega propriamente a se entender, encontrou nessa dita união um meio para melhor instrumentalizar seus esforços na possível disputa, já que individualmente não têm um discurso nem eleitores suficientes para enfrentar o candidato da esquerda que possa chegar ao segundo turno, se a eleição for até aí, na tentativa de aumentar o apoio, concentrando forças e, também, tempo de televisão para em 45 dias com apoio da mídia (Globo à frente), tentar desconstruir o discurso da esquerda que se apoia em fatos concretos, sentidos por todos, que essa mesma direita tenta esconder sem sucesso, como o péssimo desempenho da economia, o desemprego, perda de direitos, a pobreza e a miséria, além da entrega do patrimônio público, até agora o petróleo do pré-sal (trilhões de dólares) o mais valioso, tudo decorrente da ação dessa mesma direita que se une, que chegou ao poder através de um golpe de estado em 2016, com tudo à mostra, impossível de ser escondido. Não tem como subestimar: o Presidente Lula está preso, e tentam impedir que se candidate, usando meios ilícitos através do Judiciário. Como vê, sobrará discurso, o que dizer de um lado, e do outro tempo mais do que suficiente para nada dizer, que só poderá ser preenchido com mentiras, para atacar adversários, engando seus eleitores, tudo prometendo para nada entregar, fazendo todos de trouxas, que é a prática da direita. Outra questão, é preciso ser visto que a esquerda, que tem o que dizer e quem possa escutar sem ser enganado, tratado como idiota, por isso não necessariamente precisa já formar um bloco. Aqueles partidos menores que se sintam com meios, podem perfeitamente acumular forças tentando formar opinião na disputa e angariar votos, inclusive e principalmente dos indecisos, vulneráveis que podem ser atingidos pelo discurso da direita. Na esquerda, os interesses econômicos também contam, mas a unidade é mais fácil, diria até apriorística, e certamente mais simples de ser obtida, nas fazes subsequentes do embate político com a direita, com a qual é impossível serrar fileira.

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stalingrado Lula da Silva

22 de julho de 2018 às 12h44

A campanha de alguns jornalistas pró Ciro é muto infantil. PHS, Miguel do Rosário e pelo que parece, Cruvinel, querendo colocar o PT como o vilão da história. Quem deu o Golpe é o inimigo. Lula é um preso político e não podemos ser coniventes com o PJ (Partido da Justiça) e fingir que ele sumiu. Esta é a eleição mais politizada que existe e a primeira em muitos anos que o PT fazer embate político.
#HaddadNoGovernoLulaNoPoder

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Nelson Quintanilha

22 de julho de 2018 às 12h23

O problema da esquerda se resume em estudar muito Karl Marx enquanto a direita estuda Nicolau Maquiavel.

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Alvaro Antunes Amado

22 de julho de 2018 às 12h11

Concordo com a sra. Tereza, na época do Dória, me pronunciei igualmente e fui atacado nas mídias sociais. Também concordo sobre o Bolsonaro, ele só é barbada em eleição não preferencial.

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Fernando

22 de julho de 2018 às 12h01

Acho que o centrao tem tempo de tv, mas não tem os votos para o Alckimin chegar ao 2 turno. Os candidatos da direita vão morrer abraçados na casa dos 6% em média cada um. Para chegar ao 2 turno é preciso mais que tempo de tv.
Se o Ciro disputasse como presidente pelo pt as escolhas seriam mais fáceis. Acho que o pt põe seu candidato no 2 turno. Acho que não vale a pena indicar alguém agora para a lavajato tucano inventar crimes contra o petista presidenciavel ou seu escolhido de outro partido. A lavajato em 3 meses fábrica um crime e põe o petista atrás das grades.
É notória a perseguição da mídia e da lavajato a todos os possíveis candidatos petistas. Só o Lula tem as costas largas para aguentar tanta pancada da mídia e lavajato e ainda liderar as pesquisas.
Sinceramente acho pouco provável que o Alckimin vá ao 2 turno com o Temer a tiracolo. Psdb e mdb defendem medidas ultra impopulares como trabalhar 49 anos para poder se aposentar. Gasolina ajustada pelo barril de petróleo internacional, trabalho intermitente, restrição ao seguro desemprego.

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carlos

22 de julho de 2018 às 10h12

O Geralda Alckmin, é o casamento perfeito com a privataria tucana, tendo como parceiros os banqueiros, os grandes grupos de midia, e a continuação do congresso corrupto, eis aí um casamento perfeito, enquanto não se tiver em mente as reformas necessária, como a reforma politica-partidaria e reforma da mídia e a reforma do judiciário, não podemos votar, o voto obrigatório em troca do que? Estamos vendo um congresso legislar em causa própria, os loobis funcionando enquanto tivermos uma justiça que é quiçá a única que além de ter varias instâncias superiores e que onera o erário além de não desempenhar o seu papel relevante que é julgar ao contrário as vezes até legisla em causa própria, vide entrevista do presidente do Tribunal de justiça de São Paulo, usando uma linguagem chula para justificar os seus proventos como penduricalhos isso é ruim para instituição.

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