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Singer: Com 32% dos votos de quem ganha de dois a cinco salários mínimos, Bolsonaro também é o candidato da revolta popular
Wilson Dias/Agência Brasil
Política

Singer: Com 32% dos votos de quem ganha de dois a cinco salários mínimos, Bolsonaro também é o candidato da revolta popular


22/09/2018 - 13h27

Wilson Dias/Agência Brasil

Entre a espada e a parede

É preciso combinar a defesa da democracia com a reativação, por baixo, da atividade econômica

 André Singer, na Folha

A 15 dias do primeiro turno das eleições, parece provável que caiba a um dos candidatos do campo popular o comando do polo democrático contra a opção autoritária representada por Jair Bolsonaro (PSL, 28% das intenções de voto) na segunda fase.

Caso a probabilidade se confirme, tanto Fernando Haddad (PT, 16%) quanto Ciro Gomes (PDT, 13%) terão que conjugar duas necessidades antagônicas.

De um lado, a de agregar todos os que rejeitam a volta da ditadura.

De outro, romper com o bloqueio neoliberal quanto à política econômica.

Cabe lembrar que a ascensão do postulante de extrema direita corresponde a dupla determinação.

Estimulada inicialmente pelo antipetismo que eletrizou vastos setores da classe média a partir de 2013, a candidatura radical não chegaria ao ponto alcançado caso a economia andasse bem.

No numeroso segmento de renda familiar mensal entre 2 e 5 salários mínimos, no qual emprego e renda são os problemas principais, Bolsonaro alcança 34% das intenções de voto (Datafolha, 20/9).

É verdade que convertido a um ultraliberalismo de ocasião, o programa de Bolsonaro levaria ao resultado oposto do pretendido por tais eleitores.

Não obstante, é um voto que passa longe de plataforma.

Trata-se, na verdade, de um protesto contra uma casta (Brasília) que roubaria a sociedade (Brasil), impedindo que haja mais postos de trabalho e melhor remuneração.

Assim, a insatisfação com a economia é o pano de fundo que abarca todo o eleitorado popular.

Em consequência, para que os comandantes da opção democrática levem a embarcação a bom termo, isto é, possam governar, será preciso combinar a defesa da democracia com a reativação, por baixo, da atividade econômica.

Aqui, porém, esbarram em conflitos centrais.

O debate posto no Brasil é semelhante ao que acontece mundo afora.

Como tem se tornado comum depois de 2008, diante das crises, o neoliberalismo em lugar de recuar, se torna mais radical.

Considera ser indispensável aprofundar a austeridade para, supostamente, corrigir problemas causados pela própria austeridade.

Parte dos neoliberais é sinceramente democrática e o seu concurso será relevante para brecar a ascensão dos que flertam com o fascismo à brasileira.

A posição da revista The Economist (Folha, 20/9) contra o bolsonarismo, por exemplo, ajuda a conformar o amplo arco que se levanta em favor das liberdades civis.

Simultaneamente, porém, pressionam, por todos os meios e formas, para que os presidenciáveis populares beijem a cruz da “responsabilidade fiscal”, com o que ficariam imobilizados.

Haverá alguma fresta entre a espada e a parede?

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3 comentários

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Jardel

24 de setembro de 2018 às 03h43

Os outrora orgulhosos eleitores do Aécio Neves e do Geraldo Alckmin, hoje fingem que isso não aconteceu em suas vidas, se esquecem da canoa furada em que embarcaram e, com toda autoridade de quem “sabe o que faz”, nos aconselham a votar no “salvador da pátria” Jair Bolsonazi.
Não, muito obrigado.
#EleNão

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Assim Falou Golbery

22 de setembro de 2018 às 23h31

o fato é toda esquerda foi pego de calças nas mãos, pois essa é uma grande proposta capaz de unir o Brasil, quiçá o mundo. Todo mundo pagando a mesma alíquota, todo se sentirá dono do mesmo tanto e tendo os mesmos direitos.

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Élio

22 de setembro de 2018 às 19h35

Vejo o Bolsonaro mais como um voto de protesto e como voto machista. Ele se diz nacionalista. Mas os generais tem se mostrado bem pouco nacionalistas.
É preciso bater mais no Bolsonaro.
Ciro e Haddad precisam se dirigir mais aos jovens, pois esses são a maioria dos eleitores do Bolsonaro. Jovens votam zoando pq acham o machismo do Bolsonaro engraçado. Porém o desemprego entre os mais jovens e maior e não é engracado. E deveriam mostrar como o Bolsonaro votou no congresso esses 2 anos de golpe e como os caras dos partidos que o bolsonazi faz ou fez parte votaram.
PT e PDT sempre votaram a favor do povo nesses 2 anos. Já os partidos de direita deram um golpe, não conseguiram fazer a economia crescer e agora jogam a culpa desse desastre econômico nas costas do pt e da Dilma. É justo isso ?
Como sempre a culpa é do pt, do Lula e da Dilma.
Em que época o país cresceu mais ?
Qdo compramos nosso primeiro carro ?
Pode-se desconstruir o Bolsonaro usando as suas votacoes no congresso.

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