VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Roger Cohen: A revolta dos sem futuro


15/08/2011 - 17h35

The Age of Outrage

By ROGER COHEN

New York Times, 13.08.2011

Agosto já foi um tempo para sonhar, para andar pelas ruas vazias da cidade, ler reportagens da temporada de não-notícias dos jornais, depois de um almoço regado a vinho Sancerre, de observar as praças onde as fontes espalham água e onde as grávidas e os da melhor idade batem papo nos bancos ao por-do-sol. Então, algo aconteceu.

O mundo acelerou. Os níveis de stress dispararam. Os momentos de folga evaporaram. Os egos se expandiram. Os aparelhos se tornaram portáteis. O dinheiro ultrapassou a política. Como escreveu Leonard Cohen: “O pobres continuam pobres. Os ricos enriquecem. É essa a toada. Todo mundo sabe”.

Exceto que todo mundo está perdido. Quando David Cameron volta das férias na Toscana (a k a Chiantishire) para a tumultuada Londres, e Nicolas Sarkozy volta da Riviera para a crise da dívida de Paris e as férias de verão somem na Europa (onde faz tempo os alemães criaram uma palavra para expressar “a angústia do tempo livre”), tudo pode acontecer.

Agosto [mês de férias no Hemisfério Norte] abortou este ano. O mês se transformou numa temporada de seriedade. As casas de praia perderam para as barricadas. Uma época de revolta se abriu diante de nós.

A fúria nas cidades britânicas veio depois de grandes protestos sociais este ano na Grécia, onde também houve violência, e na Espanha, onde dezenas de milhares acamparam em Madrid e Barcelona. Outras nações, inclusive Portugal, viram uma revolta difusa baseada numa convicção comum: as coisas não podem ficar como está. A malaise europeia não é estranha aos Estados Unidos do grande desemprego, da confusão econômica, da radicalização ideológica e das picuinhas políticas.

Os números contam parte da história. O desemprego dos jovens na União Europeia de 27 nações está pouco acima dos 20%, chegando a atingir 45,7% na Espanha. No Reino Unido, o desemprego juvenil subiu de 14% no primeiro trimestre de 2008 para 20%. Um de cada cinco jovens europeus e norte-americanos está se perguntando como conseguir qualquer tipo de carreira no mercado de trabalho. Os ingleses NEETS (fora da educação, do emprego ou do treinamento para o emprego) se encontra com os meninos-boomerang dos Estados Unidos na ansiedade da espera.

A ansiedade cresce no momento em que os governos cortam benefícios e aumentam a idade mínima para a aposentadoria, numa tentativa de lidar com crescentes déficits. A gerontocracia empregada pouco ajuda os mais jovens. Britânicos de Tottenham a Teesside assistem ao mais elitista ministério desde Macmillan cortar de tudo, das bibliotecas para os jovens a serviços de aconselhamento. Existe um “Sem Futuro” na revolta.

Uma sensação crescente nas sociedades ocidentais é de que forças incontroláveis estão trabalhando para reduzir as possibilidades. A História nunca viu uma transferência de poder tão radical quanto a atual que tenha conseguido se manter pacífica.

A Europa unida de hoje é construída sobre as cinzas de sucessivos impérios — do romano ao britânico — que terminaram com algum tipo de convulsão. Agora o quase-império americano e, mais geralmente, o domínio do Ocidente,  não está terminando rapidamente, mas continuamente.

Crescimento, empregos, expansão, entusiasmo — e, sim, possibilidade — estão no grande arco não -cidental da China, passando pela Índia até a África do Sul e o Brasil. Vá para o Sul! Vá para o Leste! Esta é a palavra de ordem desta época, nem sempre praticável em Peckham ou Peoria. O mundo está de ponta-cabeças. O que estamos testemunhando é quanto as sociedades ocidentais estão chacoalhando com a guinada.

No momento em que novos poderes emergem, a globalização alterou a relação entre o capital e o trabalho em favor do primeiro. Muitos trabalhadores baratos se tornaram disponíveis fora do Ocidente no momento em que a tecnologia eliminou distâncias. Os retornos do capital se tornaram maiores em relação aos salários. Esta é a história do pós-Guerra Fria. A diferença entre os ricos e os pobres se tornou um golfo.

As únicas pessoas que sairam sem cicatrizes do grande buraco financeiro que precedeu a confusão atual foram seus principais arquitetos e beneficiários: banqueiros, financistas e os chefões dos fundos de investimento.

Isso também está alimentando um período de revoltas que deixou os políticos ocidentais caçando sombras.

Talvez a sociedade que melhor está lidando com estes dilemas é a Alemanha. Investiu em uma força de trabalho altamente educada. Criou empregos para trabalhadores qualificados. Continuou a fazer máquinas de alta precisão que outros não podem fazer. Promoveu a cooperação entre os sindicatos e os empregadores e entre os industriais e o governo em defesa dos empregos alemães. O desemprego dos jovens está abaixo de 10%.

A Alemanha não embarcou numa corrida sem fim para competir com a China, ou imaginou que as finanças ou outros serviços poderiam sustentar a sociedade, ou abandonou o treinamento, ou tentou desmantelar os sindicatos ou acreditou que os mercados tinham todas as respostas. Os cataclismas passados contribuiram para a capacidade da Alemanha de buscar o bem comum necessário para a estabilidade.

Aliás, a Alemanha também está envolvida num momento de reflexão. Está cansada dos problemas dos outros. Cansada de salvar os gregos. Pesquisas sugerem que 50% dos alemães tem pouca crença na União Europeia, o caminho adotado pelo país depois da guerra para buscar a reabilitação. A liderança alemã se tornou um oxímoro bem na hora que é necessária.

Os Estados Unidos e a Europa ocidental salvaram a Alemanha. Talvez tenha chegado a hora de pagar de volta um pouco do favor — não apenas com dinheiro, mas com ideias.

http://www.nytimes.com/2011/08/14/opinion/sunday/Cohen-age-of-outrage.html?_r=1&ref=rogercohen

As “hienas” de volta, nas ruas de Londres

No Chile: Pública, gratuita e de qualidade

O Brasil não decola sem internet rápida para todos

Galbraith: Quando Reagan – e Tatcher – desmantelaram os sindicatos





44 comentários

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Luca K

17 de agosto de 2011 às 19h07

O final deste artigo é uma PIADA!!
Os EUA e a "europa ocidental" salvaram a Alemanha!! Buahahahhahaha, só rindo mesmo de uma MENTIRA tão deslavada como essa! Aliás, Europa ocdental quem? talvez o autor desse patético artigo se referisse a Inglaterra e a frança. Bem, os EUA salvaram a Alemanha pilhando o país ao fim da segunda guerra mundial, executando o MAIOR ROUBO DE PATENTES da história da humanidade através do qual a economia estadunidense lucrou trilhões de dólares. Roubaram e confiscaram de tudo, o que levou os EUA a um grande salto tecnológico pois em quase todos os campos a Alemanha estava na dianteira. Levaram a força inclusive inúmeros cientistas e técnicos alemães para trabalhar para os EUA. Sem contar que implementaram parcialmente o abominável plano Morgenthau, destruindo e pilhando fábricas, confiscando a reserva de ouro, a madeira e o carvão enquanto os franceses e soviéticos usavam milhões de prisioneiros de guerra para trabalhos forçados. Cerca de 9 milhões de alemães, civis e prisioneiros de guerra, morreram como resultado da politica de transformar o país numa grande prisão de fome até mais ou menos 1950, bem como da brutal limpeza étnica conduzida na Europa oriental pelos comunistas(soviéticos e seus fantoches na europa oriental "libertada" ). Até recentemente, a Alemanha estava a pagar indenizações referentes a PRIMEIRA guerra mundial!! Como se o país tivesse sido o único responsável pela guerra… ai dos vencidos. Mas o q se pode esperar de um cara chamado Roger COHEN escrevendo para o NYT??

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VanderResende

16 de agosto de 2011 às 21h46

Cohen é sempre uma leitura instigante, até mesmo quando, como fez recentemente, defende a trajetória de Rupert Murdoch. E esse texto é surpreendente. Do início ao fim apresenta de uma forma bastante sóbria, e porque não dizer, sombria da crise do ultra-capitalismo e da sua falta de rumo, bem como das poucas perspectivas de um modelo social e econômico extremamente excludente.

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Globalização é informação… | Brunofranchini's Blog

16 de agosto de 2011 às 20h02

[…] https://www.viomundo.com.br/politica/roger-cohen-a-revolta-dos-sem-futuro.html […]

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ciro hardt araujo

16 de agosto de 2011 às 17h35

Achei essa afirmação muito interessante:

"a globalização alterou a relação entre o capital e o trabalho em favor do primeiro."

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Substantivo Plural » Blog Archive » A revolta dos sem futuro

16 de agosto de 2011 às 10h04

[…] Por Roger Cohen – New York Times NO VI O MUNDO […]

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Heloisa Villela: E o Brasil, o que temos a oferecer? | Viomundo - O que você não vê na mídia

16 de agosto de 2011 às 01h48

[…] O artigo de Roger Cohen sobre os Sem Futuro, está aqui   […]

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John

15 de agosto de 2011 às 23h56

Sem futuro estão os aposentados cujo fim a Diulma acabou de encurtar para beneficiar os ladroes dos ministérios._Hoje a Dilma cometeu suicidio político e assassinou o PT para as próximas eleições. Quem promete e não cumpre , morre. O povo já não é mais tão besta quanto ela pensa que é._ Ela nao tinha o direito de fazer isso. Fez, morreu políticamente, pois se todos aposentados e seus familiares forem contra ela, ela está morta e seu partido vai ter o mesmo fim que o DEM._ Roubar nos Ministérios pode, mas reaver o roubo que fizeram com os aposentados não pode. DILMA, hoje voce morreu políticamente._ >>>>Veto retira de aposentado aumento real em 2012_ Dilma veta artigo da LDO que garantia ganho para pensionista que recebe benefício com valor superior ao do salário mínimo

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    betinho2

    16 de agosto de 2011 às 01h05

    John
    Vá ler direito essa história, leia o motivo e a justificativa do veto antes de falar pelos cotovelos.
    Não é definitivo, tem de primeiro discutir e acertar o índice de aumento real, conforme já acoordado anteriormente.

    Valdeci Elias

    16 de agosto de 2011 às 11h16

    Dilma colocou o teto minimo, corrigir a inflação. Agora cabe ao aposentados se organizarem e exigirem um aumento maior.

Francisco

15 de agosto de 2011 às 23h49

Eu só estou "assuntando" essa revoada de gringo dos "esteites" pro Brasil… Tão tudo se achegando: "I love o Brazil!". Já ta na hora de humilhá essa galera no aeroporto. Manda tira o sapato, bota cachorro pra cafungá no cangote! Eu, por mim, colocava o capitão Nascimento no serviço de imigração:"Pede pra sair!"

Quem não desse conta do recado, fazia que nem Maluf, "butava" no ônibus de volta lá pro sertão deles ("prece" que um tal de "aidarrou") , passagem de ida e só!

Responder

FrancoAtirador

15 de agosto de 2011 às 23h24

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Quem são as "bestas selvagens" inglesas?

Com mais 2.300 prisões e mais de 1.200 processados por roubo ou violência, o desfile pelos tribunais não mostrou nenhuma “besta selvagem”. Ao invés disso, o perfil dos acusados surpreendeu os britânicos que tiveram que enterrar a primeira caracterização simplista – negros, afrocaribenhos, pobres e excluídos. Designers gráficos, estudantes universitários, professores, adolescentes, púberes, desempregados, marginais, um aspirante a entrar no exército, uma modelo: a variedade desafia qualquer estereótipo.

O artigo é de Marcelo Justo, correspondente da Carta Maior, direto de Londres.

Íntegra em:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMos…

Responder

Lucas

15 de agosto de 2011 às 23h09

Irônico que os alemães não gostem da UE, já que seu país é um dos chefes de facto do bloco, que dita as regras para os outros. Por exemplo, o "resgate" da Grécia foi a resgate dos bancos alemães, para a penúria e o sofrimento dos gregos.

Responder

FrancoAtirador

15 de agosto de 2011 às 22h39

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Não sei se deram conta:

Cada vez que um comentarista responde

a esse Troll conservador de ultradireita,

o comentário dele sobe e fica em destaque.
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Responder

    betinho2

    16 de agosto de 2011 às 01h09

    Saco de pancada é assim, tem de ficar amarrado no alto…rsrs

    FrancoAtirador

    16 de agosto de 2011 às 10h06

    .
    .
    Não é tão simples assim, meu caro Betinho2.

    Esse TROLL MANIPULADOR, SABUJO DO "REI",

    tem vários "nicknames" e ainda outros perfis no IntenseDebate.

    É um bandido virtual que deveria estar na cadeia.
    .
    .

João PR

15 de agosto de 2011 às 21h59

Belo texto, bela análise.

Mas acho que o autor se esqueceu de apontar algo que está ocorrendo: um ludismo moderno. No início do século XIX, na Inglaterra, os operários fizeram um levante, invadiram várias fábricas, e quebraram as máquinas. Os operários viam nas máquinas seus inimigos.

Na Inglaterra, de novo a Inglaterra, as revoltas não tem um sentido político (ao menos não li nada a respeito). Parece que Ned Ludd voltou, e está novamente "quebrando máquinas", sendo que quem se deveria combater era a substituição dos homens pelas máquinas. Os jovens da revolução de hoje parecem querer "quebrar a máquina", sem entender o que é, e como funcionao o sistema que os oprime.

Falta um sentido politico às revoltas. Desta maneira serão entendidas apenas como revoltas, e não como uma luta de segmento da sociedade contra algo determinado.

Responder

Fabio_Passos

15 de agosto de 2011 às 21h54

Olha só que barato esta análise no China Daily…

O "governo" inglês chama de "bandidos e gângsters" os rebeldes de seu próprio povo… já os rebeldes na Líbia e no Egito são chamados de "combatentes da liberdade".

Confiram:

London riot: What goes around comes around http://www.chinadaily.com.cn/opinion/2011-08/11/c…
By Han Dongping (chinadaily.com.cn)

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Gerson

15 de agosto de 2011 às 21h16

Um Rato num programa chamado "MÃE RATA CONECTION" disse que os jovens londrinos não trabalham pq são vagabundos e querem viver as custas do Estado.

O tal rato fugiu para o norte tempos atrás.

Responder

    FrancoAtirador

    15 de agosto de 2011 às 22h45

    .
    .
    Foi dançar a Bunga-Bunga p'ro Berlusconi.
    .
    .

José Manoel

15 de agosto de 2011 às 21h09

De qualquer maneira, nunca vi europeu e norte-americano limpando latrina, lavando prato e dando uma de garçon aqui no Brasil. Acho que o nosso maior problema é a velha Síndrome de Vira-Lata, mesmo!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Responder

    Silvio I

    16 de agosto de 2011 às 02h02

    Jos´Manoel:
    Não vai a cansar por esperar!

Hildermes Medeiros

15 de agosto de 2011 às 20h56

Como dizem: palavras são palavras, o resto é tagarelice. Em todo esse discurso de problemas na ordem econômica capitalista, seu possível (?) redirecionamento, ou, as mais afoitas, sua extinção e substituição por outra ordem econômica, que com capacidade de se impor, não se vê à frente, é esquecido o principal: os senhores do mundo capitalista e seus aliados em todos os países, inclusive no Brasil, estão armados até os dentes, e não vai ser com papo ou reza, mesmo reza forte ou vudu, que vão ser afastados do caminho. O capitalismo até que se acomodava bem conduzido pela socialdemocracia nos países mais ricos, quando para enfrentar seus problemas, no no final da década de setenta do século passado iniciou sua marcha para o neoliberalismo, que se consolida no final dos anos oitententa do mesmo século, no conhecido Consenso de Washington, iniciando o chamado pensamento único da ordem neoliberal. Muitos viam sua inviabilidade de atender às populações, muito pelo contrário, espalhava a fome e a miséria na grande massa, tornando os ricos, mais ricos ainda. Destacam-se dois pequenos e grandes livros magistrais de uma jornalista francesa, Viviane Forrester, O horror econômico, 19963, que denunciava toda a crueza, toda a maldade e genocídio implícito, que a ordem neliberal estava levando aos povos, e a Estranha Ditadura, 20003, que mostrava os problemas do pensamento único, antevendo a inviablidade da ordem neoliberal, que implicaria em sua queda, que estamos assistindo, com o agravamento do enfraquecimento da economia dos EUA e de sua hegemonia desde que desmoronou a União Soviética e seus satélites, após a queda do Muro de Berlim, bem como os problemas a União Europeia, sem mais condições de imporem o caminho a ser seguido por todos. A Alemanha, a despeito do peso de sua economia, é um poder desarmado, não nuclear, que também tem problemas. Não se pode considerar que seja um mundo à parte da União Europeia. Não tem força política, econômica e militar para tanto. E mais: não só os jovens que estão desempregados e desesperados no mundo. Sofriam e sofrem mais ainda países, também na África, Ásia e América Latina com a atuação e os problemas do capitalismo. Em outras situações parecidas na História, onde os mercados necessitavam se reajustar e manter a taxa de lucro e exploração, a solução sempre foi a guerra, que, agora, não eclode pelas dificuldades de controlar o uso dos artefatos nucleares, muitos em mãos de forças não necessariamente amigas, ou confiáveis de parta à parte. Sem guerra, escaramuças existirão, claro, sou otimista, temos que esperar muitos anos, talvez décadas para que tudo vá se ajustando a uma nova ordem, menos predadora, inclusive ambientalmente, mais ajustada ao interesse de todos. Não cabem pressa nem ilusões.

Responder

Eduardo Vieira

15 de agosto de 2011 às 19h40

A Europa Ocidental e os Estados Unidos acreditaram que havia almoço grátis. Ironia do destino…

Responder

O “ocidente” está desmoronando | ESTADO ANARQUISTA

15 de agosto de 2011 às 19h32

[…] O “ocidente” está desmoronando Category: Economia,EUA Japão Europa,Internacional,Política — Senhor_do_Servo @ 19:31 ROGER COHEN, originalmente The Age of Outrage, no  New York Times pelo Viomundo […]

Responder

Hans Bintje

15 de agosto de 2011 às 19h24

Há futuro sim. Existe uma história de sucesso do gênero "alemão" no Brasil, com direito a legislação que estimula os pequenos produtores, gera emprego e renda nas comunidades locais e traz benefícios para toda a sociedade.

É um belo caso para estudo, a merenda escolar ( http://www1.folha.uol.com.br/comida/956923-veja-r… ):

"'A ideia era trabalhar com os ingredientes que elas tinham à mão, não alterar demais a maneira como elas preparavam as coisas, só dar dicas durante o preparo', diz Roberta Sudbrack (…)

O projeto – já abraçado por chefs como Claude Troisgros, Frederic de Mayer e Felipe Bronze – busca ensinar às merendeiras formas criativas de usar os alimentos de que elas já dispõem nas escolas, principalmente os vindos de pequenos produtores, como banana, mandioca e tomate.

A chef Teresa Corção – do Instituto Maniva e uma das líderes da ação – cita como um dos gatilhos do projeto a lei federal que determina que 30% da verba da merenda escolar seja gasta com gêneros da agricultura familiar.

'Só que foi uma lei de cima para baixo, ninguém sabe como viabilizar isso. É preciso trabalhar toda a cadeia, e um dos elos mais sensíveis é o das merendeiras, que são quem pega o produto e o transforma para as crianças comerem', afirma Corção."

Responder

Fabio_Passos

15 de agosto de 2011 às 19h01

"God save the queen
The fascist regime
They made you a moron
Potential H-bomb

God save the queen
She ain't no human being
There is no future
In England's dreaming

Don't be told what you want
Don't be told what you need
There's no future, no future,
No future for you"

[youtube n1IReGYKsyM http://www.youtube.com/watch?v=n1IReGYKsyM youtube]

Responder

    FrancoAtirador

    15 de agosto de 2011 às 21h44

    .
    .
    É MELHOR QUEIMAR DO QUE SE APAGAR AOS POUCOS

    "It's better to burn out than to fade away"
    (Neil Young)

    [youtube tY5x8pF512k http://www.youtube.com/watch?v=tY5x8pF512k youtube]

Fabio_Passos

15 de agosto de 2011 às 18h57

O mais impressionante são as "ações para conter a crise" tomadas pelos "governos" dos países ricos.
Veneno: Mais neoliberalismo. Austeridade e privataria.

Atiram gasolina na fogueira.

A população tem mais é que incendiar a bunda desta ricaiada avarenta e inconsequente.

Responder

    Roberto Locatelli

    15 de agosto de 2011 às 23h20

    Pois é, Fabio, esqueceram que capitalismo não existe sem consumidores.

    O FMI não aprendeu nada com a América Latina, que fez o contrário do que a receitinha venenosa mandava e saiu da crise mais forte. Os esquizofrênicos continuam dizendo que é preciso cortar impostos dos ricos e apertar o cinto dos pobres.

    Europa virou um gigantesco México. EUA vão pelo mesmo caminho. Bem, eles mesmos dizem que "não existe almoço grátis". Pois então, baby, a conta chegou.

Marroni

15 de agosto de 2011 às 18h41

Lembro de ter escrito um comentário aqui, ano passado, sobre as massas desempregadas na Europa que não seriam capazes de comer morangos e outras frutas importadas do Brasil. Lembra, Azenha? E este é só o começo. A lógica do capital é mais que desumana, é anti-humana.

Responder

Conservador316

15 de agosto de 2011 às 18h30

Vejam que contraditório. O autor do texto diz para os jovens e pessoas desempregadas fugirem para outros países. Mas foi exatamente isso que levou ao caos na Europa. Os imigrantes que fugiram dos seus países e entraram nos países Europeus.
O ciclo vai se repetir. Pessoas desempregadas vão para um país, são sustentados por um Estado Babá, e quando o Estado não aguenta mais os sustentar, essas pessoas vão para outros países.

Responder

    Gerson Carneiro

    15 de agosto de 2011 às 18h58

    Discordo.

    Não foram os imigrantes que fugiram dos seus países e entraram nos países europeus que causaram o caos na Europa. Considero essa uma explicação simplista e xenófoba.

    As verdadeiras razões encontram-se descritas aí no texto.

    "Dias de Glória" é um filme que mostra como a França iludiu, usou e enganou os argelinos, chegando a incutir na cabeça deles a chamar a França de "pátria mãe". Hoje a França trata os jovens imigrantes da mesma forma que a Inglaterra.

    E é bom saber, ou lembrar, que vários "Estados Babás" invadiram e dividiram pátrias mundo afora. Os palestinos, os p´roprios africanos, são vítimas desses "Estados Babás". Portanto, devagar com o andor.

    peraledo

    15 de agosto de 2011 às 19h03

    Meu Deus… Você realmente acha que culpa do Caos que acomete a Europa está… nos imigrantes??

    Aparte à xenofobia do seu comentário lamentável, seu argumento não se sustenta. A atual revolta não é causada por "imigrantes", mas por jovens europeus descendentes de imigrantes. As ondas migratórias das décadas de 50 e 60 foram patrocinadas pelos governos europeus, que precisavam de mão-de-obra para a reconstrução de uma Europa arrasada pelo nazifascismo. Esses imigrantes, estrangeiros que eram, foram recebidos como cidadãos europeus, constituindo um importante contingente de trabalho para setores da construção civil e maquinários.

    O grande paradoxo é que agora seus filhos, Europeus nascidos no solo da Europa, são tratados como estrangeiros, tornando-se alvo fácil para aqueles que combatem o multiculturalismo. Ao mesmo tempo servem como bode expiatórios de "conservadores" que buscam desmantelar o Estado de Bem Estar Social para seus próprios fins. São os mesmos que apontam seus dedos sujos acusatoriamente para as juventudes desesperadas das periferias de Londres e Paris, ao mesmo tempo em que mexicanizam a Europa, preparando-a para ingressar no enorme clube do subdesenvolvimento social.

    Os conservadores não querem acabar com o "Estado Babá". Eles só não querem dividir a teta com o resto da sociedade. São parasitas que só pararão de sugar seu sustento quando o cadáver da civilização ocidental estiver frio e totalmente seco.

    [youtube vAFRh9PgNbE http://www.youtube.com/watch?v=vAFRh9PgNbE youtube]

    Leider_Lincoln

    15 de agosto de 2011 às 21h23

    Você faz um serviço enorme para o progressismo, meu caro. O medo de ficar igual a você faz muitos pensarem como nós!…Seja sempre bem vindo!

    Roberto Jr.

    15 de agosto de 2011 às 22h27

    Estado Babá?

    Tipo aquele que deu mais de US$ 1 trilhão em mamadeira para os bebezões Goldman Sachs, Lehman Brothers, AIG, GM e outros fazerem mais caquinha?

    Conservador316

    16 de agosto de 2011 às 01h53

    Estude melhor o assunto. Veja quem foram os contrários ao estado ajudar os Bancos.

    cronopio

    19 de agosto de 2011 às 13h43

    Os mesmos estados babás que praticaram pesca ilegal na costa da Somália, acabando com a única fonte de proteínas dos habitantes? Os mesmos países babás que, depois que os peixes acabaram, despejaram lixo atômico na costa da Somália? Os mesmos que hoje rejeitam receber os imigrantes que fogem da Somália? Estude melhor o assunto, senhor conservador.

    cronopio

    19 de agosto de 2011 às 13h45

    Veja o documentário abaixo, para saber do que estou falando:
    http://dotsub.com/view/8446e7d0-e5b4-496a-a6d2-38…

O_Brasileiro

15 de agosto de 2011 às 18h27

Pronto!
Se é pra copiar, que copiem da Alemanha!
E por falar nisso, há algum banco multinacional alemão?

Responder

    Jairo_Beraldo

    15 de agosto de 2011 às 19h43

    E completando seu raciocínio, quando houve a queda do muro de Berlim, aconteceu um pequeno problema para os alemães: incluir a oriental à socidade ocidental(eram duas Alemanhas). Passado alguns anos, estão bem e sólidos. Porque estes colonizadores (ingeses, franceses, belgas, holandeses, portugueses, espanhóis) não copiam o modelo alemão de socialização? Se estiver errado me corrijam, mas qual país fora colonizado pelos alemães? Tiveram um louco que quis "unificar a europa" como uma só alemanha, mas colonias alemãs, não conheço. talvez essa seja a benção deste povo, que são xexófobos, mas trabalhadores e decentes.

    Maria 1

    15 de agosto de 2011 às 22h25

    Sobre a Alemanha, ressalte-se tb a sua decisão de não embarcar na "missão humanitária" da OTAN na Líbia, e assim escapar desse particular rótulo de genocída, já carimbado nos demais países que continuam patrocinando tal barbárie.

    Roberto Jr.

    15 de agosto de 2011 às 22h37

    A unificação alémã não funcionou tão bem assim, até hoje as cidades orientais são menos desenvolvidas, a renda per capita é menor e as taxas de desemprego também são mais altas entre os cidadãos que foram educados no antigo regime; há ainda preconceito por parte dos ocidentais.

    A Alemanha teve colônias na época da Partilha da África. Países como Namíbia, Togo, Ruanda e partes de Camarões e Nigéria eram colônias alemãs. Eles perderam as colônias como compensação imposta pelos vencedores da 1a. Guerra Mundial.

Gerson Carneiro

15 de agosto de 2011 às 18h23

Vejo similaridade no trato empregado aos jovens sem futuro na Inglaterra e o tratado empregado aos professores sem futuro da rede pública de ensino no Brasil.

Responder

Almerindo

15 de agosto de 2011 às 17h51

Fora do assunto, mas muito importante, que falta faz uma “LEY DE MEDIOS” por aqui…:
http://www.tijolaco.com/cristina-kirchner-tem-vit…

E PIOR: a falta dela aqui no Brasil poderá custar CARÍSSIMO para a Presidenta Dilma.

Responder

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