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Diário da Resistência


Rillo é quase agredido por Barros Munhoz por defender animais e menor jornada de trabalho para enfermeiros; veja vídeo
Reprodução de vídeo
Política Repolitizando 19/07/2018 - 16h03

Rillo é quase agredido por Barros Munhoz por defender animais e menor jornada de trabalho para enfermeiros; veja vídeo


Por João Paulo Rillo

DEPUTADO RILLO QUASE É AGREDIDO AO DEFENDER PLs QUE DEFENDE ANIMAIS E DIMINUI JORNADA DE TRABALHADORES

por João Paulo Rillo*

Projetos importantes estão praticamente parados na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) por conta de interesses eleitorais e pessoais.

Nessa quarta-feira (18/07), fui quase agredido pelo deputado Barros Munhoz (PSB) por defender dois projetos.

Um deles diminui para 30 horas a jornada de trabalho de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, uma luta antiga da categoria.

O outro –projeto de lei 31/2018 –proíbe a exportação de gado vivo para fins de abate no estado de São Paulo, para acabar com maus tratos.

Esse projeto envolve aspectos para além da crueldade inadmissível com os animais e do impacto econômico para os pequenos produtores.

É um reflexo da precarização de nossas exportações, nos remetendo a um estágio próximo ao do período colonial.

A nossa indústria desmantelada, atingida frontalmente por uma política de favorecimento aos interesses internacionais e pela atuação militante de setores do judiciário nas investigações de corrupção, cerra as portas, fecha postos de trabalhos mais qualificados, cancela pesquisas, restando, como opção, a exportação de matéria prima, com pouco valor agregado, pouco tributo recolhido, empregando uma mão de obra barata e para a qual se requer pouca qualificação.

É o cenário perfeito para a parte da elite ignorante que apoia Michel Temer, odeia cultura, educação e ciência e tem ódio de quem gosta.

A exportação de gado vivo é apenas mais uma das evidências desta inversão do processo de desenvolvimento. O mesmo movimento de desestruturação da indústria nacional está no vértice da greve dos caminhoneiros, sequer superada.

Em 2017, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), já tínhamos aumentado em 25% o volume de compras externas de derivados de petróleo, comparando-se ao ano anterior. Esta ampliação foi resultado de um recuo nas atividades da Petrobras, que tem quase 100% da capacidade de refino do Brasil e funciona com 68% de sua capacidade.

Pela lógica torta da política de preços adotada para agradar com maior rentabilidade os grandes acionistas, abrimos espaço para a concorrência, adotando uma política de preços atrelada aos do mercado internacional. O resultado são os reajustes constantes nas bombas, no gás de cozinha, o impacto no transporte rodoviário de carga e os consequentes aume tos de preços dos alimentos, materiais de construção etc.

Na comercialização de outro produto brasileiro, no qual figuramos como o maior exportador, também seguimos a mesma receita, apesar do nosso protagonismo no setor.

Entre abril de 2017 e março de 2018, a exportação do café brasileiro atingiu 30,58 milhões de sacas. Porém, segundo o Relatório Mensal de março 2018, do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil – Cecafé, do total exportado, 27,14 milhões de sacas eram de café verde e 3,44 milhões, de café industrializado (3,42 milhões de café solúvel e 21,33 mil de café torrado e moído).

Comparado com dez anos atrás, o país retrocedeu e as exportações representam menos riquezas. Em 2007, as vendas de manufaturados alcançaram US$ 83,9 bilhões e representaram 52% das exportações do país.

Em 2017, foram US$ 3,7 bilhões menores (US$ 80,2 bilhões), 37% do total. Representando ainda uma parcela pequena da atividade no porto, apenas 3% de todo operacional que passa por ali, segundo o último balanço contábil da Companhia das Docas de São Sebastião, a venda de gado vivo só é bom negócio para os pecuaristas e para os importadores e indústrias frigoríficas que adquirem nosso rebanho.

Para o país, no entanto, é um péssimo negócio. Dono do segundo maior rebanho bovino do mundo — atrás apenas da Índia, onde o animal é sagrado —, o Brasil exporta carne a US$ 4,2 mil a tonelada. Pelo boi vivo, os países pagam a metade — US$ 2,1 mil a tonelada.

Sobram argumentos contra a exportação de animais vivos, especificamente, e, numa avaliação mais ampla, a toda a política econômica de Temer, de subserviência a interesses restritos e, muitas vezes, estrangeiros. Países como Israel, Austrália proibiram exportações semelhantes e o Reino Unido, com a saída de União Europeia, retoma as discussões.

A nós, deputados, cabe o aprofundamento do debate e, com responsabilidade, adotar um posicionamento contrário ao sofrimento e maus-tratos dos animais e a favor de um país capaz de recuperar a dignidade e orgulho que o caminho do desenvolvimento com justiça social pode oferecer. É isto ou, como diria Chico Buarque, “essa terra ainda vai cumprir seu ideal. Vai se tornar um império colonial”.

 

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