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“Professora, já imaginou, eu deixar de ser servente de pedreiro e virar engenheiro?!”


13/07/2012 - 10h50

por Luana Tolentino, especial para o Viomundo

Há anos sofro com constantes crises de enxaqueca. Ontem, por exemplo, passei a tarde inteira trancada num quarto escuro sem conseguir ao menos abrir os olhos, tamanha a minha dor.

Para aumentar o meu calvário, estava sozinha em casa quando o telefone tocou. Pensei em não atender: poderia ser, sei lá, uma operadora de telemarketing da editora Abril tentando me vender a todo custo uma assinatura da Veja. Por outro lado, imaginei que pudesse ser alguém querendo dar uma notícia importante, urgente. A segunda opção falou mais alto. Com a sensação de que minha cabeça pesava uma tonelada, levantei para atender a ligação. Todo o meu esforço valeu a pena! Era o Ronie, um ex-aluno que tive o privilégio de dar aulas no ano passado.

Ronie me proporcionou uma das maiores alegrias de toda a minha vida! Aluno exemplar, tive a oportunidade de vê-lo ingressar na Universidade por meio do programa de Ações Afirmativas da ONG Educafro, em parceria com o Centro Universitário de Belo Horizonte, tradicional instituição de ensino superior de Minas Gerais. Aprovado no vestibular, Ronie ganhou uma bolsa de estudos e hoje cursa Engenharia Elétrica.

As notícias não poderiam ser melhores. O garoto de 18 anos acabou de concluir o primeiro dos 10 períodos necessários para se graduar na área que escolheu. Ronie contou que suas notas foram excelentes, variaram entre 80 e 90 pontos em cada disciplina. Após algumas entrevistas, ele está na expectativa de ser contratado como estagiário por uma grande empresa de construção civil. Segundo Ronie, os pais estão muito orgulhosos do filho caçula. O primeiro da família a cursar uma faculdade.

Ao ouvi-lo falar com tanto entusiasmo dessa nova etapa de sua vida, a professora aqui não se aguentava de tanta felicidade! Vibrava como se fosse eu a caloura. Ronie falou ainda que  matriculou-se num curso de inglês e já faz planos para fazer um intercâmbio. Contou dos novos amigos, das festas e dos churrascos promovidos pela turma. Com a autoridade de quem carrega no currículo inesquecíveis aventuras etílicas nos tempos do curso de História, aconselhei-o:  Fique longe dos botecos hein, rapaz?! Uma gargalhada sonora se fez nos dois lados da linha, que só foi interrompida quando ele perguntou:

— Professora, a senhora já imaginou, eu deixar de ser servente de pedreiro e virar engenheiro?!

Emudeci. Às vezes os alunos esquecessem que nós professores nem sempre temos as respostas na ponta da língua. Embora parecesse simples, naquele instante fui incapaz de responder à pergunta do futuro engenheiro. Sem compreender o motivo do meu silêncio, Ronie insistiu:

— Professora? A senhora tá me ouvindo?

Respondi com um sim meio engasgado. Não consegui dizer nada além disso. Nos despedimos com a promessa de que em breve eu teria mais noticias boas. Ao desligar o telefone, lamentei o fato de ter respondido à pergunta de forma monossilábica. Mas, hoje, ja refeita e consciente da magnitude da mudança que está em curso na vida do meu ex-aluno, telefonei e disse que vejo nele um engenheiro bem-sucedido, feliz, realizado. Disse ainda que se em algum momento alguém tentasse negar a sua alteridade ou duvidasse de sua capacidade, que seguisse em frente, de cabeça erguida, na certeza de que possuir um diploma universitário é um direito que ele tem.

Ronie se junta às centenas de jovens negros que, desde 2003, quando o sistema de cotas foi implantado de forma pioneira na UERJ, tiveram a oportunidade de ingressar no ensino superior, e assim criar possibilidades reais de combate à vergonhosa desigualdade racial existente entre brancos e não-brancos no Brasil. Ele corrobora com as estatísticas que atestam que estudantes cotistas tem rendimento igual ou superior ao dos demais alunos, desmistificando a teoria defendida por muitos de que esse tipo medida reparatória provocaria a queda da qualidade dos cursos.

Num país em que apenas 4% da população negra está matriculada em instituições de ensino superior, Ronie é mais um exemplo da eficácia das cotas como instrumento de reversão do quadro de injustiça no qual se encontra a população afro-descendente. Em artigo publicado em 2007, o antropólogo Kabengele Munanga é categórico ao dizer que experiências realizadas em outros países mostram que este tipo de medida propicia dentre outros benefícios, a maior representatividade de negros em espaços majoritariamente ocupados por brancos e uma visível mobilidade socioeconômica. Com a aprovação da Constitucionalidade das cotas pelo Supremo Tribunal Federal (10X0!!!!!!!) em abril passado, a expectativa é que aumente o número de universitários negros, principalmente em instituições públicas, e que exemplos como os do Ronie se multipliquem pelo país.

Ronie alimenta as minhas esperanças de que um Brasil mais equânime no que diz respeitos as relações raciais e sociais é possível, ainda que o caminho a ser percorrido seja longo, difícil, tortuoso. A corrente contrária aos programas de ações afirmativas é grande, o que era de se esperar num país extremamente racista como o nosso. Mas, tudo bem. Por ora, pouco me importa os que, embriagados pelo mito da democracia racial, insistem em dizer que cotas são esmolas, ou como disse um famoso jornalista, que elas “são uma ameaça concreta ao nosso convívio “harmonioso””. Agora, só me interessa comemorar com todo ardor esse momento único. Muito!

Luana Tolentino: mulher, negra, canhota, gêmea univitelina.

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58 comentários

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Caetana

15 de julho de 2012 às 09h17

Luana, já li, reli e cada nova leitura eu choro

Responder

    smilinguido

    15 de julho de 2012 às 12h32

    então para de ler minha filha…olha a desidratação se não parar de chorar..

Arlete

14 de julho de 2012 às 21h36

Luana, também sou professora e como você sempre me emociono quando sei que alguma(a) aluno(a) consegui ter sucesso na sua jornada. É esta emoção que nos move e nos dá certeza que escolhemos a profissão correta.
Deus de te abençõe grandemente.

Responder

    damastor dagobé

    15 de julho de 2012 às 12h34

    professora, professora..como seus alunos “consegui” ter sucesso na sua jornada se vc mesma escreve assim?????

    ccbregamim

    15 de julho de 2012 às 18h22

    pra quê esse tipo de patrulha?
    e essa visão de educação..
    escrever certo?

    bom, vamos às ideias.

Tatiana

14 de julho de 2012 às 17h13

Sim, as cotas são muito importantes. Contudo, não menos importante é a valorização do professor. O governo não vai tender as demandas da classe não? Só vai dar aumento para alguns?? E os professores da rede básica de ensino? Como pode um estado rico como o Rio de Janeiro pagar 800 reais para um professor que trabalha 16 horas semanais (sendo que, destas 16, 13 horas são em salas de aulas lotadas, o que significa que este profissional tem cerca de 500 alunos)? Como pode o município do Rio de Janeiro, um dos mais ricos e mais caros do Brasil, pagar 1450 reais (líquido, incluindo os “benefícios”) para um professor de matéria específica com carga horária de 16 horas semanais (onde o professor cumpre 12 horas na sala de aula, tendo, em média, 360 alunos)? O município do Rio tem um monte de contrato (alguns com, muitos sem licitação) com as Os da vida e fundações Roberto Marinho que elaboram projetos pedagógicos bizarros que os professores mal pagos devem executar com suas turmas. É, cota é muito legal, mas eu quero saber quando o governo vai investir e educação de qualidade. É melhor gastar esse dinheiro com a educação agora, pra não termos mais prejuízos no futuro. Vamos ver se dona Dilma faz a coisa certa.

Responder

smilinguido

14 de julho de 2012 às 16h41

VOCÊ É BRANCO? CUIDE-SE! (Por Ives Gandra da Silva Martins)
Por: Ives Gandra da Silva Martins

Hoje, tenho eu a impressão de que o ‘cidadão comum e branco’ é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional , a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se auto-declarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos.

Assim é que, se um branco, um índio ou um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles. Em igualdade de condições, o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior.

Os índios, que pela Constituição (art. 231) só deveriam ter direito às terras que ocupassem em 5 de outubro de 1988, por lei infraconstitucio nal passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado. Menos de meio milhão de índios brasileiros – não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também – passaram a ser donos de 15% do território nacional, enquanto os outros 183 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% dele. Nesta exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não índios foram discriminados.

Aos ‘quilombolas’ , que deveriam ser apenas os descendentes dos participantes de quilombos, e não os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.

Os homossexuais obtiveram, do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef, o direito de ter um congresso financiado por dinheiro público, para realçar as suas tendências, algo que um cidadão comum jamais conseguiria.

Os invasores de terras, que violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que o governo considera, mais que legítima, meritória a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem este ‘privilégio’, porque cumpre a lei.

Desertores e assassinos, que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para ‘ressarcir’ àqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos.

E são tantas as discriminações, que é de se perguntar: de que vale o inciso IV do art. 3º da Lei Suprema?

Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço, nesta terra de castas e privilégios

Responder

    francisco martins dos anjos filho

    14 de julho de 2012 às 17h52

    dr. Ives, esses reveses que vcs “brancos” estão passando é apenas a consequência daquilo que seus ancestrais brancos fizeram no passado, com a conivência e incentivo das igrejas cristãs, principalmente da católica romana, perita em pilhagens, invasões, demonizações da religiões diferentes, etc. Eu o considero um brilhante jurista, porém o seu saber está e sempre esteve a serviço da classe dominante: branca , rica e cristã. O ajuste ao equilíbrio que está havendo em nosso país e no mundo causa arrepios em pessoas com a sua ideologia de supremacia branca, cristã, heterossexual, patriarcal e capitalista. Digo-lhe sem medo de errar que os brancos pobres não tem nenhum medo desses ajustes. A proposito, sou heterossexual, tenho sangue indígena negro e branco, não tenho curso superior, mas ou um diletante e um curioso do mundo e respondi a v.sa por ser um direito que me assiste.

    Eliana Barreiros

    15 de julho de 2012 às 13h35

    Parabéns pela lucides e sabedoria. Você não precisa de diploma pois já é sábio naturalmente. Abç

fernando

14 de julho de 2012 às 12h44

A questão não é o que o acadêmico faz após a aprovação no vestibular. O vestibular é um processo seletivo. E se fôssemos analisar quantos acadêmicos espetaculares, independentemente de etnia, não conseguiram passar no vestibular na primeira vez que tentaram? O processo seletivo não quer dizer nada sobre a trajetória do acadêmico. Mas eles existem para balizar as pessoas e definir, quem, naquele momento superou os outros concorrentes. É apenas um critério de seleção, não há justiça num processo onde pessoas competem com desafios iguais mas com avaliações e oportunidades diferentes. Se trata daquele momento, daquela prova específica. Entretanto, se você faz um processo seletivo diferenciado baseado em etnia, eu só posso acreditar que milhares de pessoas caucasianas, asiáticas ou qualquer outra etnia que não seja a negra afrodescendente estarão sendo injustiçadas. Não se corrige injustiças do passado injustiçando as pessoas do presente. Ou se baliza todos por critérios equivalentes ou se revê todo o sistema do vestibular.

Responder

Luís

14 de julho de 2012 às 12h07

Pois é. Ele quer ser engenheiro ao invés de ser filósofo, sociólogo, pedabobo, psicólogo, jornalista e outras profissões inúteis.

Interessante, não?

Responder

    Paulo

    14 de julho de 2012 às 17h07

    Não entendi essa colocação, se ironica ou não.

    Sou engenheiro civil formado em 1982, nem melhor nem pior do que grande parte de meus colegas de profissão e, a partir de 2005, graduado em historia com muito orgulho e satisfação pessoal.

    Parabens a professora Luana e que sua canhota continue inspirando centenas de crianças negras. E, caso alguem não tenha se dado conta, tambem inspirando as brancas, verdes, azuis, amarelas, palidas e furta-cores.

Ricardo

14 de julho de 2012 às 10h01

Prezados, como docente e tendo sido coordenador do Prouni numa faculdade onde dou aulas, tive o prazer de ver vários alunos humildes, antes sem esperança, fazerem um curso superior e mudarem de vida.

Alunos que tinham dificuldade de ir à faculdade, que em alguns momentos ajudei dando o dinheiro da passagem de ônibus. É uma faculdade de tecnologia. tive casos de alunos que venderam o próprio micro para continuar estudando. hoje vejo vários deles com empresas próprias, com bons empregos, realizados, que dizem que a grande virada na vida deles foi o Prouni. alguns contratei para docentes na própria faculdade, outros indiquei para vagas em empresas. são selecionados para o prouni pelo histórico escolar, e têm que ter estudado em escola pública. sou fã do Prouni, vi que funciona. digo o mesmo para as cotas.

em resumo, as propostas de inclusão social funcionam. é disso que os fascistas do DEM/PSDB/PPS tem medo. eles não querem um Brasil mais justo, com oportunidade para todos. ainda bem que estão fora do poder.

cordiais saudações
Ricardo
Recife.

Responder

Roberto Ribeiro

14 de julho de 2012 às 08h56

Neste Domingo no Fantástico #GloboIntimidaCollor

Responder

Sem novidade

14 de julho de 2012 às 08h04

Olá Profa. Luana. Como trabalho numa públicca que adora cota, sei disto e ainda pesqiso esse fenõmeno para saber ser verdadeiro isso que dizes[Ele corrobora com as estatísticas que atestam que estudantes cotistas tem rendimento igual ou superior ao dos demais alunos].
O quê a mim parece novidade é que eis de História e não sabes dessa história que tem por mistério o seguinte: os vestibulares das públicas sempre disseram que esses eram imprestáveis para fazer curso superior e, poré, entretanto, depois que ingressa por cota ou ajuda outra, coisa qeu dizem tirar o mérito, não perde para ninguém. Os porquês disto não deveriam ser mistério para ninguém desse país, quanto menos para quem é de história. E todos os comentários aqui deixam claro que é e dos grandes, nenhum labiscou e nada. E olha só que coisa: deveriam começar procurando na net entrevista da Veja como um poeta chamado Tolentino. Se alguém deixar e-mail mando explicando tudo que sei.

Responder

    Gabriel Cesário

    14 de julho de 2012 às 20h39

    Gostaria de mais explicações, já aprendi muito com o que li e quero ouvir mais.

    Cordialmente,

Leonardo Meireles Câmara

14 de julho de 2012 às 00h47

Parabéns Luana,

Parafraseando um diálogo que ouvi hoje: você é das poucas que fazem a diferença.

Bom trabalho.

Responder

Geralda

13 de julho de 2012 às 21h34

Educação é isto; parabéns pelo texto sem ela não chegaremos a lugar nenhum. O nosso país ainda está adormecido neste setor. Vamos pagar um preço muito alto por descaso dos governantes.

Responder

Fabio Passos

13 de julho de 2012 às 21h05

É uma minoria de privilegiados que ferra o Brasil: A “elite” branca e rica. Gente ruim que construiu um Apartheid Social.

Basta a oportunidade para o povo mostrar sua enorme capacidade e criatividade.
Um potencial fabuloso… desperdiçado pela mais inescrupulosa e incompetente “elite” do mundo.

O Brasil precisa se livrar de uma vez desta “elite” imunda.

Responder

Maria Amélia Martins Branco

13 de julho de 2012 às 19h33

É este país que quero, que sonho, oportunidades iguais para desiguais. Parabéns, Professora.

Responder

Maria José dos Santos Rêgo

13 de julho de 2012 às 18h47

Esse é o país que eu sonho. Esse é o país que eu quero. Esso é o país que tanto me orgulha. Parabéns, professora! Parabéns Ronie!

Responder

Jean

13 de julho de 2012 às 17h53

Duvido que aqueles que aqui defendem os salários pagos pelo governo federal se disponham a trabalhar como professores universitários, principalmente com carga horária de 20 horas (que são os que não querem ser “Dedicação Exclusiva”) recebendo menos de R$ 1.500,00, só com especialização, ou menos de R$ 2.400,00, com doutorado. Pimenta nos olhos dos outros é refresco!
Aposto que são uns aproveitadores, hipócritas, que deveriam é estar perguntando ao governo que defendem porque se gasta tanto com juros e tão pouco com Saúde e Educação. Deveriam também perguntar a eles porque há tantos aumentos de energia, água e telefonia!
E quanto aos aumentos das mensalidades escolares e dos planos de saúde? Devem ir todos para as escolas particulares e para o SUS, onde “sobram vagas” para atendimento e onde os governos pagam os funcionários “muito bem”?

Responder

Roberto

13 de julho de 2012 às 17h38

Belo texto professora Luana, estou torcendo pelo Ronie, desejo toda sorte do mundo para êle.

Responder

Marcos Marques de Sousa Trindade

13 de julho de 2012 às 16h50

Professora Luana, boa tarde.

Cada vez que leio um depoimento como o do seu aluno Ronie, além de comovido, fico com a sensação de estar lendo a minha própria história.

Pai e mãe retirantes nordestinos, morador da periferia de Guarulhos, estudante de escola pública desde sempre.

O sonho do meu pai era que um dos filhos frequentasse a Universidade. Sempre enxergou nos estudos a oportunidade que a vida lhe negou. Queria, portanto, que os filhos não passassem a vida sofrida que ele passou. Sofrida, porém digna. Infelizmente, quando eu era adolescente, a oportunidade ($$$$) não veio.

Hoje, cinco anos após o seu falecimento, estou realizando seu sonho: sou um dos mais de um milhao de alunos do PROUNI, que destina vagas no ensino superior a alunos oriundos da escola pública. Valeram os anos de dedicação no primeiro e no segundo grau. Agradeço muito aos bons professores que tive. Com essa boa base, consegui uma das bolsas do PROUNI para cursar ADMINISTRAÇÃO num dos cursos mais bem avaliados do país na área, aqui em São Paulo. Hoje estou com 37 anos, acabei de ser promovido no emprego e com boas perspectivas futuras. Por isso, sou totalmente favorável às cotas, todas elas, pois sei que ísso é um mecanismo importante de inclusão e mobilidade social. Parabéns pelo depoimento professora. Abraços !!!!

Responder

Edno Lima

13 de julho de 2012 às 16h08

o Brasil só será um país mais equanime quando os governos investirem fortemente na formação de quem está cursando o primeiro grau e nível médio( que numa escola que dê uma boa formação já é difícil para quem vem da rede pública ou das “escolinhas particulares” de 1º grau). Enquanto isso vamos ficar fazendo festa para as excesssões e nos contentando com ela. Engenharia não é para qualquer um, é um curso difícil e com uma enorme evasão. A comemoração de fato deverá ser feita ao fim do 10º período e mesmo assim ele será uma dupla excessão, a primeira por ser um negro cursando engenharia e segunda, por terminar engenharia ao final de cinco anos.Sou favorável às cotas, mas em paralelo a elas deveria haver pressão para termos primeiro e segundo graus de alta qualidade e universalizados.Com as quotas, todos ficam satisfeitos; os poucos que se beneficiam delas; os que não necessitam delas (vieram dos colégios públicos- cefets/colégios militares ou particulares de ponta e vão passar para as melhores universidades públicas e nos melhores/mais concorridos cursos; safisfeitos também ficam os milhões que não tiveram acesso a uma boa formação nos níveis básico e médio, pois são tão mal formados que nem capacidade para avaliar a própria precaria formação têm.

Responder

    Rui Romulo Lopes Gaspar

    13 de julho de 2012 às 21h28

    Só teremos escola de qualidade quando todos 0os filhos de politicos frequentarem tambeém escolas pública e hospitais públicos,ai sim teremos educação de qualidade e saúde de qualidade,porque eu duvido qual é o politico que coloca seus filhos em escolas públicas e hospitais públicos.

marcelo arruda

13 de julho de 2012 às 15h56

que lindo, né? eu me emociono. essa gente sofrida merece. o nosso país merece.

Responder

Bruce Guimarães

13 de julho de 2012 às 15h56

Acho lamentável dividir pessoas por cor de pele. O acesso ao terceiro grau deve ser por mérito e não facilitar a entrada por você ser negro ou qualquer outra coisa.

Essas políticas toscas de “ações afirmativas” é só para esconder o péssimo ensino de base que o Estado oferece à população.

Responder

    Master

    13 de julho de 2012 às 19h04

    Bom mesmo é esperar os 2% de brancos do país melhorarem a qualidade de ensino pros 99% de negros pobres nesse país, né? Vamo fazer como o DEMos, que acham que lugar de negro é limpar o chão. Cota pra quê, se eles nem sabem ler?

    Típico classe média que acha que as universidades é pra gente cheirosa. Eliane Catanhede teria orgulho de um animal feito você!!!

SergioRDG

13 de julho de 2012 às 15h06

E o melhor, este será um grande engenheiro, visto que já tem a literal experiência de colocar a “mão na massa” e sabe o que é a realidade de construir algo. Parabéns!

Responder

Julio Silveira

13 de julho de 2012 às 14h44

Lentamente, vencendo muita resistência, a sociedade brasileira vai avançando para melhor.

Responder

Maria Libia

13 de julho de 2012 às 14h27

Aos “POBRES” PROFESSORES universitário deste vasto país, deveriam submeter-se ao ENEM DO PROFESSOR, que deveria ser criado pelo Ministério da Educação, a cada cinco anos com a prova de conhecimentos gerais. E olha que nem precisa ser prova dissertiva, só de marcar xiszinho, e aí teríamos a noção do quando é sério e até onde vai o problema da educação no BRASIL. E ainda reclamam do salário! Deveriam pagar para ensinar, estes coveiros da pátria.

Responder

    assalariado.

    13 de julho de 2012 às 17h40

    Caríssima, Maria Libia, que a qualidade do ensino esta lá embaixo, e que, os profissionais de qualquer área de trabalho assalariado tenham que se aprimorar em seus conhecimentos profissionais, tudo bem! Mas, quais são as condições para isto acontecer?

    Agora, daí falar que os professores são os coveiros da pátria, é forçar a barra. Isto demonstra que você desconhece totalmente a história politica e sociológica da educação em nosso país, antes e depois, do golpe de 1964. Houve verdadeiro desmonte da educação encabeçada pelas elites golpistas, coordenados pelo PIG, CIA/ EUA, pela burguesia ‘nacional’ e seus braços armados, para se chegar onde chegou. Qual foi a tática usada pelo capital e a estrategia dos gringos, e dos seus lacaios ‘brasileiros’ vendilhões da republica. Você sabe? Isto que você afirma vai justamente nos oposto que o post da Luana afirma e acredita. Que contradição a sua, não é verdade?

    Abraços Fraternos.

    Leonardo Meireles Câmara

    14 de julho de 2012 às 00h43

    O teu desconhecimento a respeito do nosso país me envergonha. Mostra que nós educadores ainda temos que trilhar um caminho muito longo até que todos os cidadãos sejam educados o suficiente para conhecer a realidade de trabalho numa universidade, assim como seus frutos. Tente contactar a autora e converse com o rapaz. Você vai entender o tamanho da felicidade deles e o quanto você ainda precisa se instruir.

    João

    14 de julho de 2012 às 02h22

    Seu comentário é um atestado do quão ruim foi a sua formação acadêmica. Aliás, se informe melhor antes de sugerir que a greve dos docentes das IFES é por aumento salarial – isot nme faz parte da pauta de reivinidcações! Tá parecendo que a (in)Veja é a sua principal fonte de informação!

João Lima

13 de julho de 2012 às 14h12

Luana, impossível não ficar comovido com sua experiência. E ainda tem gente que é contra os sistemas de cotas! Vá entender.

Outra coisa que identifiquei com você foi sua enxaqueca. Sei o que é isso. E como “de médico e de louco todo mundo tem um pouco”, vai uma receita que, para mim, é um santo remédio. Minhas enxaquecas normalmente acontecem após noites mal-dormidas, com sono interrompido. Meu médico prescreveu cloridrato de amitriptilina, nome fantasia tryptanol. Minha enxaqueca desapareceu. Sei que estou dependente de um medicamento, mas entre aquelas dores de cabeça atrozes, que nenhuma aspirina faz efeito, e esse medicamento, escolho o último. Espero que te ajude.

Responder

    Luana Tolentino

    13 de julho de 2012 às 14h25

    João, obrigada pelas palavras generosas e pelos conselhos!
    Um abraço grande pra ti!
    Luana

dukrai

13 de julho de 2012 às 13h24

ô, Luana, emocionante, isto mata uma professora do coração rs

Responder

Adilson

13 de julho de 2012 às 13h15

Emocionante! Parabéns, Luana por levar esperança para os seus alunos.
Parabéns ao Ronie. Sucesso na sua caminhada.

Responder

Carlos Lenin Dias

13 de julho de 2012 às 12h51

A sua felicidade,Luana,e do Ronie,n deixa de ser a nossa

Responder

Marcelo de Matos

13 de julho de 2012 às 12h51

Eu que nunca fui professor não posso imaginar a alegria da Luana – Ronie, meu garoto! Em uma classe de 40 alunos bagunceiros, é gratificante tem um aluno focado na carreira, atento aos ensinamentos da professora. Quantos Ronies há nessas classes das escolas públicas? Não importa: que seja um só, ou três ou quatro. A alegria da mestra será a mesma. Somos todos democratas natos. Não admitimos seleção de espécie alguma. Exame de admissão? Jamais! Todos têm de ser tratados com a mesma deferência, sejam bagunceiros ou estudiosos. Se dessa barafunda que é o nosso ensino salva-se um, estamos recompensados, de alma lavada. Está bem, não vamos dramatizar mais a questão do ensino. Hoje é sexta-feira 13, vamos espantar o mau agouro. À noite, na sessão do vinho, vou fazer um solitário brinde ao Ronie.

Responder

João Caetano

13 de julho de 2012 às 11h53

Lendo esso texto, meu olhos se encheram de lágrimas.
Simplesmente sensacional.

Responder

Alberto

13 de julho de 2012 às 11h49

Emocionante. Parabéns pra professora Luana também

Responder

lulipe

13 de julho de 2012 às 11h34

O que dirá o Ronie quando a profissão de professor(a) se tornar mais rara no Brasil, em virtude do descaso dos governos, principalmente, os do PT,que insistem em políticas que desvalorizam o magistério, como baixos salários, falta de estrutura, ausência de planos de carreira e tantas outras???

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    Hugo

    13 de julho de 2012 às 11h47

    nhém,nhém,nhém!

    lia vinhas

    13 de julho de 2012 às 12h29

    Tenho vários amigos professores universitários federais (refiro-me a estes, porque os estaduais e municipais, que ganham mal têm que perguntar aos seus prefeitos e governadores para onde vão as vebas que o GF lhes manda para essa área e que não são poucas)e posso afirmar que não há um que não viva muito bem, com nivel de classe média alta, viajando para onde quer, muitíssimo melhor remunerados do que a maioria dos trabalhadores brasileiros e com inúmeras vantagens que os das escolas privadas não têm, sobretudo a estabilidade. Em época de crise mundial, o Braasil tem que se rcuidadoso em sua política econômica, para não ter que abandonar suas políticas sociais que visam a incluir milhões de brasileiros que não gozam dos privilégios dos servidores federais. Os únicos que têm razão de reclamar mesmo são os médicos federais, que não ganham mais do que três mil reais e ainda são esmagados pelas tais OS.

    João Vargas

    13 de julho de 2012 às 13h05

    Quando surje uma ameaça de crise no horizonte os primeiros a serem sacrificados são os funcionários públicos. Os banqueiros recebem ajuda, os empresários cortes nos impostos e os funcionários corte nos salários. Quando é que a corda não vai estourar mais no lado mais fraco? Estabilidade nunca foi privilégio e deveria ser estendida a todos os trabalhadores. Estes professores com certeza gastaram horas e horas de estudo para se prepararem para prestar um grande serviço a população e nada mais justo que ganhem bem para compensar seu esforço e incentivar novos profissionais. Se a CUT não fosse pelego do PT este país já tinha parado ante o descaso do Governo Federal para as reivindicações mais do que justas dos diversos seguimentos do funcionalismo público.

    lulipe

    13 de julho de 2012 às 14h01

    Deve ser por isso que estão em greve há mais de dois meses, não é lia???

    João

    14 de julho de 2012 às 02h26

    Lamentável que hoje em dia se tenha o setor privado com seus trabalhso precarizados como um paradigma para o setor publico! Isot só demonstra que o ethos neoliberal venceu! Hoje em dia, tem gente achando que se está melhor do que na emrpesa privada, então está bom! E, na boa! A maioria basoluta dos professores das IFES ganah cerca de 3.700 brutos. E ainda gasta uma boa paret deste salario para se qualificar e paar comprar material que não tem mais nas IFES! Ok! A maioria da população não ganha 3.700 por mês. Mas isto não significa que a solução agora é nivelar por baixo e faezr todo mundo ganhar menso de mil reias, né?!
    Milton Friedman e Bob Fileds ficariam felizes em saber como que o idela neoliberal se apossou das menetsas das pessoas! Realmente lamentável!

    abolicionista

    13 de julho de 2012 às 13h44

    Concordo com você, nesse aspecto o PT tem sido quase tão ruim quanto o PSDB…

eunice

13 de julho de 2012 às 11h20

Se eu escrever algo aqui eu causo desequilíbrio. Temos dois ouvidos e uma boca.

Beijos.

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A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.