VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Novidade: Prefeitura de São Paulo a serviço da especulação imobiliária


22/08/2011 - 22h57

Imobiliária Prefeitura S.A.

por JORGE EDUARDO RUBIES*, na Folha de S. Paulo, em 08.07.2011, sugerido pelo Afonso Jr.

Com a venda do “quarteirão da cultura”, os políticos de nosso município perderam mais uma chance de mostrar que estão realmente a serviço do cidadão

Em meio ao festival de leis absurdas, inconsequentes e patéticas de autoria do Executivo, aprovadas a toque de caixa pela Câmara Municipal de São Paulo às vésperas do recesso de julho, é difícil apontar qual é a mais contrária ao interesse público, mas a venda do “quarteirão da cultura” do Itaim Bibi desponta como uma das favoritas.

Votada na calada da noite (às 23h30!), essa lei oferece de repasto à farra imobiliária -que dá sinais de iminente colapso- um oásis de beleza e paz num dos bairros mais áridos e congestionados da cidade.

Concebido nos anos 50 de acordo com o conceito de escola-parque, revolucionário até hoje, o “quarteirão da cultura” é um terreno municipal de 20 mil m2 com a maior densidade arbórea do Itaim.

Ele congrega quase todos os serviços públicos da região -duas escolas, teatro, biblioteca, creche, unidade da Apae, posto de saúde e Centro de Atenção Psicossocial-, reconhecidos por sua excelência e que atendem diariamente a milhares de usuários, sendo que alguns dos prédios foram recentemente reformados e reinaugurados com fanfarra pelo próprio prefeito.

O pretexto para sua venda e consequente destruição é a construção de 200 creches, o que não passa de uma farsa pessimamente encenada, pois dinheiro é o que não falta para tanto, a começar por verbas federais e estaduais disponibilizadas para a prefeitura e não utilizadas.

Sem falar no fabuloso Orçamento municipal de R$ 35 bilhões, suficiente para cumprir essa e todas as outras promessas de campanha do prefeito, desde que utilizado com um mínimo de eficiência.

De fato, é inacreditável que a prioridade da prefeitura seja a venda do quarteirão, e não o corte de parte das cerca de 30 secretarias municipais, das centenas de cargos em comissão, da verba para propaganda oficial (superior a R$ 100 milhões em 2010) ou dos R$ 191 milhões gastos em consultorias (que a Folha noticiou nesta semana)…

A pá de cal na farsa foi dada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que esclareceu que a eventual venda desse e de outros nove terrenos municipais só pode servir ao pagamento de precatórios.

E apesar disso, da abertura de processo de tombamento do quarteirão pelo Condephaat -que reconheceu o relevante valor histórico, urbanístico, paisagístico, ambiental e social do local-, do repúdio de grande parte da população do bairro e da sociedade à iniciativa, expresso em abaixo-assinado com 12 mil assinaturas, de um abraço no quarteirão que reuniu mais de mil pessoas e de diversos atos e manifestações, a prefeitura e a Câmara insistem na ideia.

Enfim, estamos sempre prontos a debater com as autoridades municipais acerca de nossa convicção da lesividade da venda do quarteirão, convite por elas declinado nas duas audiências públicas convocadas para discutir o assunto.

Não entrarei nos detalhes sórdidos, como a pressão a funcionários municipais que aderiram ao Movimento SOS Quarteirão do Itaim, mas vale sempre lembrar que o prefeito e mais de 20 vereadores da cidade chegaram a ser cassados em primeira instância pelo recebimento de doações ilegais provenientes de uma entidade de fachada do setor imobiliário.

Com a aprovação desse e dos outros projetos, os políticos do município perderam mais uma oportunidade de mostrar que estão realmente a serviço do cidadão, e não dos doadores de campanha.

Isso num momento em que, no mundo inteiro, a paciência do povo com seus supostos representantes começa a se esgotar. Afinal, a Grécia, a Espanha e o Egito também são, ou haverão de ser, aqui.

JORGE EDUARDO RUBIES é presidente da Associação Preserva São Paulo, coordenador do Movimento SOS Quarteirão do Itaim e coordenador-geral da União de Movimentos contra a Especulação Imobiliária e pela Ética na Política.

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29 comentários

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O Big Brother vai te ver, no meio da multidão | Viomundo - O que você não vê na mídia

25 de agosto de 2011 às 01h26

[…] A Prefeitura de São Paulo a serviço da especulação   […]

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NilvaSader

23 de agosto de 2011 às 19h00

Bruno, também moro próximo e frequentei este espaço. Além de espaço cultural, tem um ótimo posto de saúde, creche, hospital dia, APAE, e é o único posto de saúde que eu conheço com serviços de terapia ocupacional e psicologia. O quarteirão é maravilhoso e está sendo vendido na bacia das almas, com preço subfaturado para os amiguinhos construtores como os Kassabs e, o pior, com a anuência dos nossos nobres edis.
Quem mandou votarem nele?

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Marcelo

23 de agosto de 2011 às 18h48

A notícia é esclarecedora; só não concordo que seja "novidade", como bem observou o leitor André. Em fevereiro de 2010, Kassab foi cassado em primeira instância por doações recebidas examente da AIB, Associação das Imobiliárias: http://noticias.r7.com/brasil/noticias/promotor-e… .
Mas é bom mantermos essa lebre de pé, porque 2012 e as eleições municipais estão chegando.

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Sebastião Medeiros

23 de agosto de 2011 às 16h55

Este é o jeito DemoTucano de governar.O atual caos urbano da cidade de São Paulo e fruto da ausência de um PLANO DIRETOR e sobretudo a falta da uma REFORMA URBANA que contemple a população carente das Periferias de São Paulo.
O programa deste pessoal que governa o Estado de São Paulo desde Martim Afonso de Souza é entregar as Cidades a Grandes Imobiliárias,a Saúde aos planos de saúde privados travestidos de o.s.e a Educação ao ensino privado fazedor de apostilas imbecis.Até a seguraça pública privatizaram e colocaram na mão do PCC.

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Rodrigo Leme

23 de agosto de 2011 às 15h42

Eu estou confuso…a Folha não faz parte daquele conglomerado que NUNCA denuncia demos-tucanos?

Será que essa passou sem querer? Assim como todas as outras denúncias contra governo estadual e municipal que aparecem aqui com a mesma fonte?

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André

23 de agosto de 2011 às 14h38

Qual é a novidade?

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Sérgio Ruiz

23 de agosto de 2011 às 14h01

Minas Gerais tbm tá nesse inferno demo-tucano já há tempos, não somos só nos paulistas que sofremos por nossa própria culpa.
Peço que rezem por nós e que Deus nos perdoe por tão grave pecado.

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Sérgio Ruiz

23 de agosto de 2011 às 13h55

Sou paulista e numca votei nesses demos-tucanos.
Espero que nas próximas eleições nos livremos desses canalhas patrocinados pelo pig.

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eunice

23 de agosto de 2011 às 13h22

A luta de classes existe sim no Brasil, mas o pior dos mundos é governo populista votado pela classe média despolitizada. Ela elege essas coisas e cai fora. Então, não fica ninguém para criticar. Passam-se 4 anos e essa mesma classe média elege outro igual, e assim vamos indo.

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MST: A ocupação da sede do Ministério da Fazenda | Viomundo - O que você não vê na mídia

23 de agosto de 2011 às 13h17

[…] Prefeitura de São Paulo quer vender quarteirão da cidade   […]

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Silvio I

23 de agosto de 2011 às 13h04

Jorge Eduardo Rubies:
O mandato do Prefeito Kassab se tem caracterizado por a destruição de alguma obra que tenha sido feita. Começo ficando famoso e muitas pessoas apoiarão, sem pensar nas conseqüências. Isto quando fez o que deu por chamar, cidade limpa. Limpa de letreiros luminosos, agora de lixo continua igual, l o pior. Essa bendita lei acabou com o trabalho de entre 250,000 a 300,000 pessoas de diferentes ofícios.Apenas algumas, artistas plástico, pintores, eletricistas, ferreiros, soldadores carpinteiros,marceneiros.vidraceiro, pessoal que trabalhava na industria de letreiros em neon.Para enumerar alguma outra destruição, os prédios enfrente ao Mercado Municipal.Existia uma estrutura com o custo de uma fortuna, porque não aproveitou ela, e fez apartamentos e junto com a Caixa Econômica, vender os a empregados do município, o para os soldados da Policia Militar, que tem ali perto o quartel.Agora faz uma lei anticonstitucional,junto com os vereadores que o apóiam, para poder fazer isso em Itaim, e poder fazer o mesmo o pior na Nova Luz.Um local onde existe o maior comercio de América em eletrônicos.Porque não arruma os prédios existentes, que se encontram vazios e que os donos os estão mantendo, para especulação.Que retire alguns galpões, e casas abandonadas todo bem, agora acabar totalmente com o já feito, para dar lucro a construtoras,imobiliárias, e algumas empresas estrangeiras que estão em estado de atenção, igual que tigre,que esta esperando a caça.

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Nilson E da Silva

23 de agosto de 2011 às 12h53

Olá,

Esse pessoal do Itaim não é aquele mesmo que votou no Serra e no Kassab?

Abs,

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    abrantes

    23 de agosto de 2011 às 22h36

    Para esse pessoal eu só digo uma coisa SORRIA MEU BEM,SORRIA.

Felipe

23 de agosto de 2011 às 12h36

Aliás, mudando de assunto, sempre me pergunto por que ninguém nunca fez uma reportagem sobre os ônibus com barras de apoio mais altas do que qualquer pessoa de 1,80m com braços esticados e na ponta dos pés de um lado, e degraus do outro – uma das invenções mais sem sentido da história do transporte público. Sempre fico chocado quando vejo essas coisas em SP, especialmente por estarem quase sempre lotadas.

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Antonio

23 de agosto de 2011 às 12h15

Infelizmente, o povo de São Paulo, principalmente a classe média e parte da população pobre, é despolitizada. Não tem informação e é conservadora, sem mesmo saber porque. Era para todo mundo saber, independente de seu partido de extrema direita, quem era Kassab. Kassab era Secretário de Planejamento do Pitta, um dos mais corruptos prefeitos de SP. O que se poderia esperar de Kassab? É o que se está vendo.

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Bruno Brasil

23 de agosto de 2011 às 11h54

Eu frequento a Biblioteca Anne Frank. Ela foi inaugurada na década de 1940 e era frequentada por ninguém mais, ninguém menos que Monteiro Lobato.
O teatro, ao lado da biblioteca, chama-se Décio de Almeida Prado, em homenagem a este ensaísta.
Enfim, evidentemente, trata-se de um patrimônio cultural de todos os paulistanos.

Aliás, estive presente na manifestação popular que promoveu o abraço ao quarteirão. Quem frequenta essa região está familiarizado com uma obra de grande porte na Avenida Faria Lima esquina com a Horácio Lafer. É um edifício comercial que, curiosamente, apresenta um formato semelhante ao arco do triunfo francês. Fui informado por funcionários da biblioteca e dos outros "equipamentos" ameaçados de que esse formato singular deve-se à descoberta de vestígios arqueológicos de uma casa de um bandeirante. O curioso é que, ao invés de o lugar ser tombado, fez-se essa gambiarra.

Enfim, São Paulo vive dias sombrios.

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Alberto

23 de agosto de 2011 às 10h11

O vereador Aurélio Miguel já entrou com uma liminar contra esta proposta da Prefeitura.
Segue link: http://www.aureliomiguel.com.br/not_2011ago04a.ht

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MataTrolls

23 de agosto de 2011 às 09h27

Çumpaulo cada vez melhor… pra especulação

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Marcio H Silva

23 de agosto de 2011 às 01h05

Qualquer semelhança é mera coincidência com o governo do PMDB no RJ. Os caras estão sincronizados neste início de mandato, acho que a empresa de consultoria é a mesma.

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Rafaela

23 de agosto de 2011 às 00h44

A Folha criticou alguma coisa de São Paulo, o paraíso? Apesar que chegou somente até o Kassab que eles não estão gostando desso novo partido dele. Agora, sobre o governo estadual, nadinha. Aqui é o paraíso na terra. Tudo está perfeito. Corrupção? Que isso, aqui não existe nada disso.

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    Felipe

    23 de agosto de 2011 às 12h33

    São Paulo é a locomotiva do país. Os hospitais públicos são tão vazios que podem inclusive se dar ao luxo de vender 25% das vagas para a próspera população, que se sente tão agradecida que sente prazer em pagar duas vezes (uma nos impostos, e outra em um gesto de boa vontade) para furar uma filinha inócua de espera. Nossos ônibus têm degraus do lado de dentro e barras para as pessoas se apoiarem a mais de 2 metros e meio de altura, assim todos fazem exercícios e alongamento durante o percurso. Um show de inteligência e bom senso em toda a parte.

    Nenhum outro lugar do mundo é assim. Tanto menos do Brasil.

Herman

23 de agosto de 2011 às 00h10

O interessante é que os paulistas são contra os atos dos prefeitos de direita mas sempre acabam votando neles…

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    EUNAOSABIA

    23 de agosto de 2011 às 04h24

    É porque os esquerditas incompetentes já desgovernaram São Paulo duas vezes e a gente nunca esquece as desgraças que eles fizeram na cidade.

    BrunoG

    23 de agosto de 2011 às 10h27

    Logo, segundo o que foi dito, os paulistas esquecem o 'desgoverno' da direita, mas lembram do da esquerda. Ideologia?

    ana

    23 de agosto de 2011 às 10h37

    eu não esqueço os roubos da turminha que governa São Paulo há quase 20 anos e por isso não voto neles.

    Silvio I

    23 de agosto de 2011 às 13h07

    EUNAOSABIA;
    Quais ?Enumera!

    Marcio H Silva

    23 de agosto de 2011 às 13h14

    Votam na direita porque os grandes jornalões atacam todo governo de esquerda em São Paulo. As elites e parte da população sabem que estes governos de direita são uma porcaria, mas tem medo de arriscar. Se um de esquerda ganhar vai sofrer todo tipo de retaliação da mídia local.

    GilTeixeira

    23 de agosto de 2011 às 16h40

    Herman essa 'antisse' paulista e paulistana não me entra na cabeça desde o tempo que Paulo Maluf era imbatível nessa terra de Piratininga! Que me perdoem as antas, a maioria dos eleitores do meu estado são verdadeiras antas. Tudo por que a elite parasita tem ojeriza as palavras: trabalhadores, igualdade e popular!
    Não conseguem engolir que um iletrado, mutilado por uma máquina fez o que fez, de bom e de mal ( o que sempre vai depender de que lado do muro estás). e o problema é os que arrotam caviar de um almoço feito com mortadela pra poder pagar a prestação do carrão 'top' de linha quando sua renda daria para um carro mil com sacrifício mínimo, conheço mais de um caso assim, e pensam do mesmo jeito na ilusão de que assim faz parte do clube de uma elite racista, egoísta e arrogante! Daqui a pouco eles vão passar nos cober o Ibirapuera ou Aclimação estará então aberta porteira.
    Cada dia que passa aparece uma razão pra me orgulhar de ser brasileiro, e duas pra me envergonhar de ser paulistano!

    GilTeixeira

    23 de agosto de 2011 às 16h57

    errata: cober = cobres "…passar nos cobres o Ibirapuera…"


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