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Cartas de Minas
Cartas de Minas

João Paulo Rillo: Na esperança de salvar candidatura, Alckmin segura na mão do mercado

19 de junho de 2018 às 11h53

Luiz C. Ribeiro Photography, via Fotos Públicas

SEGURANDO NA MÃO DO MERCADO

por João Paulo Rillo*

Justificadamente, Geraldo Alckmin aporta a quatro meses da eleição presidencial com um desempenho medíocre, resultado de seu árido governo.

As dificuldades encontradas pelo tucano para deslanchar ficaram explícitas quando Fernando Henrique Cardoso, leal ao oportunismo e sob a égide da mais recente rodada de pesquisas do Datafolha, sinalizou para Marina Silva (Rede).

Alckmin conseguiu chegar a um dos piores resultados dos tucanos em pesquisas eleitorais, 7%.

Índice comparável apenas a Mário Covas, em 89, quando, na mesma época, tinha 5% contra um Lula solto, além de Collor, Brizola e Maluf.

Há aqueles que tentam justificar o fraco desempenho de Alckmin pelo crescimento no número de candidaturas dentro do mesmo campo ideológico.

É verdade, não faltam liberais e representantes da direita, mas Alckmin pode incluir erros mais graves em sua trajetória.

Em treze anos de governo, ao colocar plenamente em prática sua visão liberal de estado mínimo, os paulistas ampliaram e aprofundaram vertiginosamente suas experiências negativas relacionadas à administração pública.

A lista é longa:

*9 milhões de pessoas sem água durante a crise de abastecimento;

*superfaturamento de 25% em contratos da merenda pagos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE);

*fraudes em licitações de trens e metrôs;

*pagamento de propina e superfaturamento de obras;

*pedágios abusivos originados a partir de irregularidades e distorções nos contratos de concessão das rodovias;

*fortalecimento do estado paralelo do PCC;

*desvalorização dos servidores estaduais com congelamento de reajustes;

*fechamento de 3 mil salas de aula;

*venda de parques e áreas verdes do estado;

*redução de mais de R$ 20 bilhões na arrecadação do estado com desonerações atingindo especialmente as universidades públicas;

*aumentos abusivos da tarifa da Sabesp, responsável pelo abastecimento em 70% do estado, praticados inclusive por redução de consumo durante o racionamento, entre outros.

O fato de ter melhor desempenho em cidades pequenas, com até 50 mil habitantes, não equilibra o jogo para Alckmin.

Se ele reproduziu pelo estado o que fez, por exemplo, na região de São José do Rio Preto, o prognóstico eleitoral vai continuar sombrio para o tucano.

Lá, o ex-governador, em 2013, chegou a reduzir em quase 70% os investimentos regionais.

Alckmin inaugurou escola sem professor e funcionários, promoveu a evasão escolar com uma política pública de educação absolutamente inadequada.

Ele anunciou e depois voltou atrás na terceira faixa da rodovia Washington Luís, obra estratégica de infraestrutura.

Também criou um gargalo na saúde mantendo reduzida a oferta de exames e consultas com especialistas.

E ainda tentou vender área que ele mesmo havia destinado para a form ação da Floresta do Noroeste Paulista – só voltou atrás depois da pressão da sociedade.

Junta-se a este saco de maldades o esfacelamento de uma rede muito capilar de fisiologismo e influência construída ao longo das dezenas de anos de governo do PSDB que começa a se fragilizar com a troca da guarda imposta por Márcio França.

Ainda que haja um acordo entre França e Alckmin, o comando mudou e o controle sobre as pequenas cidades está ameaçado.

Com FHC se prestando à sondagem de nomes mais viáveis, herdeiro de seu próprio legado restrito e comprometedor, Alckmin segue seu voo rasante na esperança de salvar sua pretensão eleitoral com uma espiral ascendente soprada pelo mercado, seu patrão e mentor ao qual sempre foi fiel.

*João Paulo Rillo é deputado estadual (Psol/SP)

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