Jeferson Miola: As Forças Armadas e a interferência de Trump e big techs na eleição
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Por Jeferson Miola, em seu blog
É crescente no debate público e nos círculos políticos a percepção de que as eleições no Brasil são alvo da interferência do governo Trump através de big techs e de agências de inteligência e espionagem no marco de uma guerra cibernética para impedir a reeleição de Lula.
Trump entende que o pleito de outubro próximo no Brasil é o seu “próximo grande teste” para ampliar a influência dos EUA na América Latina e para o ressurgimento conservador na região.
Os EUA passaram das palavras à ação, e operam no Brasil o mesmo padrão de interferência nas eleições de outros países com big techs, inteligência artificial, e entorpecimento das plataformas digitais com deepfakes, condicionamento de algoritmos, desinformação, notícias falsas, mentiras.
O complexo desafio de defender o Brasil dessa ameaça torna a situação muito preocupante, pois a defesa cibernética nacional está na alçada das Forças Armadas, que comandam os órgãos mais vitais da área.
“O Exército Brasileiro mergulhou de cabeça no ‘submundo’ das mídias sociais, e se tornou o órgão público com maior influência no mundo digital no Brasil” afirmou na sua posse como porta-voz de Bolsonaro o general Rêgo Barros, que ocupou a chefia da Comunicação do Exército na gestão do general-conspirador Villas Bôas.
Até mesmo as instâncias civis com mandato institucional para atuação em cibersegurança e defesa cibernética, como o Gabinete de Segurança Institucional e o Comitê Nacional de Cibersegurança, são presididos por militares do Exército [ver aqui].
Caso as Forças Armadas sigam o que preconiza o ministro da Defesa, Múcio Monteiro, de “abrir o portão” se os EUA invadirem nosso país, a “invasão cibernética” escalará a níveis incontroláveis, fraudando a vontade popular, bombardeada por notícias falsas, mentiras, desinformação e deepfakes, e golpeando a democracia.
É uma realidade preocupante, sobretudo porque não é seguro confiar que as cúpulas militares que historicamente conspiraram contra a democracia e encabeçaram a tentativa de golpe em 2022 tenham agora se convertido à legalidade e ao profissionalismo e abandonado a politização dos quartéis desde a perspectiva bolsonarista e antipetista.
Não se trata de teoria de conspiração, mas de uma conspiração real, que se materializa na associação da extrema-direita entreguista com o trumpismo.
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O governo Donald Trump não só proclama com todas as letras as doutrinas fundacionais da geopolítica intervencionista e imperialista dos EUA no hemisfério americano e no mundo –Monroe [América para os americanos], de 1826; e Destino Manifesto, de 1845–, como as traduz interferindo nas soberanias nacionais – em alguns casos por meio de operações militares, como Venezuela e Irã.
Desde o início do seu segundo mandato, em janeiro de 2025, Trump assumiu que priorizaria influenciar os processos eleitorais dos países latino-americanos através do Departamento de Estado, da CIA, big techs e, também, abrindo o caixa do Tesouro com promessas financeiras a aliados ideológicos de extrema-direita.
Cynthia Arnson, da Universidade Johns Hopkins, identifica que “o governo Trump e o próprio presidente colocaram seu dedo na balança para influenciar os resultados eleitorais e os processos políticos em nível sem precedentes desde o final da Guerra Fria”.
Uma onda conservadora, ultradireitista e reacionária avançou de modo considerável na região no último biênio.
Começou com a reeleição fraudulenta de Daniel Noboa, no Equador, em abril de 2025 e seguiu com a reviravolta de expectativas e a vitória legislativa inesperada de Milei em outubro, fator chave para garantir a governabilidade do servil “vice-reinado dos EUA” no continente sul-americano.
O avanço do extremismo seguiu com manipulação e fraudes em Honduras, que culminou com as vitórias, em dezembro, de Nasry “Tito” Asfura, o candidato de Trump; e com a eleição de José Antonio Kast, no Chile – neste caso, contudo, devido ao fracasso do governo Boric.
O ano de 2026 iniciou com a eleição de Laura Fernandez, a “Bukele da Costa Rica”, em janeiro; e prosseguiu com as vitórias em junho da extremista Keiko Fujimori, no Peru, que dispensa apresentações; e de Aberlado de la Espriella, na Colômbia, um híbrido de Milei e Bukele.
Em Cuba os EUA combinam a asfixia mortal através da restrição de fornecimento de combustíveis, com uma força-tarefa secreta da CIA para provocar instabilidade, caos e mudança de regime.
Os próximos 49 dias até 4 de outubro serão decisivos para a sobrevivência da democracia na guerra cibernética de Trump e big techs para tentar impedir a reeleição do presidente Lula e golpear a democracia.
O governo brasileiro, os partidos políticos, as instituições nacionais, a justiça –em especial a eleitoral– precisam construir uma reação que esteja à altura desse extraordinário desafio.
Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.
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