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Internauta expõe apoio de Bolsonaro a nebulização com cloroquina, suspeita de matar oito pessoas — e pede que Randolfe leve assunto à CPI
As médicas e o cientista
Política

Internauta expõe apoio de Bolsonaro a nebulização com cloroquina, suspeita de matar oito pessoas — e pede que Randolfe leve assunto à CPI


07/05/2021 - 09h10

Da Redação

O perfil Jairme Arrependi, no twitter, localizou o vídeo em que, intermediado pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o presidente Jair Bolsonaro fala com uma rádio de Camaquã, no interior do Rio Grande do Sul, em defesa da médica que promoveu na cidade a nebulização com cloroquina.

Em mensagens dirigidas ao senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI, o perfil sugere que o assunto seja levado à CPI da Covid.

O tratamento bizarro, que não tem qualquer comprovação de eficácia científica, foi aplicado no Hospital Nossa Senhora Aparecida pela médica Eliane Scherer.

A médica é especializada em exames de ultrassom.

Tiago Bonilha, diretor do hospital, explicou o estado em que se encontravam os pacientes com covid quando a nebulização com cloroquina diluída foi realizada:

“Não tenho como atribuir melhora, ou piora diretamente ao procedimento, mas de fato, o desfecho final de três pacientes submetidos a terapia foi óbito. Todos eles têm documentado em prontuário taquicardia ou arritmias algumas horas após receberem a nebulização. Dois deles já estavam em grave estado geral, com insuficiência respiratória em ventilação mecânica, e um deles estava estável recebendo oxigênio por máscara com boa evolução”, afirmou Bonilha.

O caso está sendo investigado pelo Ministério Público e pelo Conselho Regional de Medicina.

O uso de cloroquina é associado a taquicardias e arritmias.

O presidente Jair Bolsonaro, que diz ter sido curado da covid com cloroquina, teria feito eletrocardiogramas regulares para evitar problemas com a droga, mas tal cuidado não é dispensado a todos aqueles que receberam de prefeituras o chamado “kit covid”, um coquetel de remédios ineficazes que causam a falsa sensação de proteção contra a covid.

Ontem, na CPI, a senadora Zenaide Maia (PROS-RN) disse que esta falsa sensação pode ter reduzido o uso de máscaras ou provocado aglomerações de pessoas que se acreditavam protegidas.

Ela também afirmou que a base bolsonarista está tentanto “provar” a eficácia das drogas para evitar punição aos médicos bolsonaristas e a autoridades que gastaram dinheiro público com falsas curas.

Além dos três óbitos em Camaquã, a nebulização por cloroquina é apontada como responsável pela morte de cinco pessoas em Manaus, de acordo com a Folha de S. Paulo.

O pseudo tratamento foi ministrado pela médica Michelle Chechter, que é ginecologista e obstetra, no Instituto Dona Lindu.

Apoiadora do presidente Jair Bolsonaro, Chechter foi demitida depois de trabalhar durante cinco dias no hospital. A Polícia Civil do Amazonas e o Ministério Público abriram investigações.

Chechter ficou famosa depois que o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, impulsionou um vídeo em que a médica aparece aplicando a nebulização e dizendo “respira fundo”.

Foi o médico americano Vladimir Zelenko quem desenvolveu o pseudo protocolo de nebulização, que foi abraçado pelo presidente Donald Trump, outro negacionista disseminador de fake news sobre a covid.

Além do risco para o próprio paciente, a nebulização pode ajudar a espalhar o vírus da covid se a “vítima” não estiver em completo isolamento, já que parte dos gases vazam da máscara para o ambiente.

O presidente Jair Bolsonaro defende completa liberdade para que os médicos recomendem o tratamento que quiserem para os pacientes de covid, mesmo os não aprovados pela Anvisa.

Porém, a radiologista Scherer e a ginecologista Chechter não são especializadas em covid, nem em doenças respiratórias, nem tem currículo de pesquisas em laboratórios. Ambas são apoiadoras do “tratamento precoce”, que não foi aprovado pela Anvisa.

Como disse o senador Fabiano Contarato na CPI da Covid ao ministro Marcelo Queiroga, ontem, existe uma diferença entre a prática de medicina em consultório e os protocolos de pesquisa científica que aprovam ou não as drogas utilizadas — é uma forma de proteger os pacientes de métodos mengelianos.





2 comentários

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Zé Maria

07 de maio de 2021 às 18h50

E @s [email protected] de Jaleco, e os Mandantes dos Crimes,
continuam soltos para seguir cometendo Assassinatos.

Depois dizem que é a População de Pele Mais Escura
das Comunidades Pobres das Favelas, dos Morros e das
Periferias que são as responsáveis pela Criminalidade.

Responder

    Zé Maria

    07 de maio de 2021 às 19h24

    “Em apenas 8 dias o Brasil teve 19 mil óbitos de coronavirus.

    Infelizmente não temos só bandidos pra combater,
    temos que combater o negacionismo.

    Se Bolsonaro não fosse tão canalha e oportunista,
    não teríamos tantos mortos!”

    #BolsonaroGenocida

    https://twitter.com/i/status/1390788214299013121


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