VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Gabriel Palma: “Um ato de vandalismo econômico sem igual”


19/01/2012 - 23h15

Dependência das commodities ameaça economia, diz Palma

por João Villaverde, no Valor Econômico – 17/01/2012, reproduzido no clipping do Ministério do Planejamento

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro não pode e não vai crescer mais do que 3,5% a 4% ao ano, porque o governo não criou as condições para crescer acima disso sem gerar distúrbios sérios, avaliou o economista chileno Gabriel Palma, professor da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

Um dos maiores especialistas em desenvolvimento econômico e América Latina do mundo, Palma critica a visão “excessivamente otimista” com a economia brasileira, para ele sustentada artificialmente pelos preços elevados das commodities e o forte ingresso de capitais estrangeiros, impulsionados por um mundo em crise.

“A desindustrialização que está ocorrendo no Brasil é inconcebível. É preciso, urgentemente, criar um modelo alternativo de política industrial para que o PIB cresça acima de 4% ao ano de maneira sustentável”, disse. Para ele, a indústria é central para o país evitar a armadilha das commodities, que contamina os países latino-americanos, e em especial Brasil e Chile.

“Se o preço do cobre [principal produto exportado pelo Chile] voltar ao normal, isto é, aos níveis em que esteve em toda a história à exceção dos últimos dez anos, o déficit em conta corrente como proporção do PIB saltará 18 pontos percentuais. No Brasil, se as commodities recuarem, o déficit corrente saltará entre 5 e 6 pontos percentuais como proporção do PIB”, afirmou Palma.

Segundo o economista, os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff perderam uma oportunidade histórica, dada pela crise mundial iniciada em 2008, de desenvolver a indústria nacional. “O Brasil cresce sobre bases que o governo não tem controle, como o fluxo de capitais externos e os preços das commodities”, disse. “Na hora que isso mudar de mão, o Brasil terá sérios problemas.”

Defensor do controle de capitais, Palma também entende que a taxação aplicada pelo governo não é eficaz. “O investidor que recolhe IOF é aquele que tem um mau contador. Os controles no Brasil são muito porosos, o mercado pode escapar facilmente.”

Palma esteve no Brasil, na semana passada, para participar do seminário internacional Latin America Advanced Programme on Rethinking Macro and Development Economics (Laporde), promovido pela Universidade de Cambridge e pela Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), que sediou o evento. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O mundo vê o Brasil em 2012 como um país que cresce muito acima das nações ricas, conta com queda na relação entre dívida líquida e PIB, um crescente mercado consumidor doméstico e uma agenda cheia de grandes eventos, como a Copa do Mundo [em 2014] e Olimpíada [em 2016]. O futuro chegou?

Gabriel Palma : Não, muito pelo contrário. Na superfície, de fato, a situação do Brasil é fantástica. Mas, se analisarmos com calma, veremos que o país cresce impulsionado, principalmente, por pontos que fogem de seu controle. Os preços muito elevados das commodities, que sustentam enormes saldos comerciais desde 2004, não vão ficar nesse patamar para sempre. Na realidade, vivemos a fase final da era de boom das commodities. A economia está preparada para essa realidade diferente? Claramente não. Outra base de sustentação do vigoroso crescimento recente, a entrada de capitais estrangeiros em ritmo de tsunami, tem sido impulsionada, cada vez mais, porque o resto do mundo está em gravíssima crise. Qualquer investidor minimamente inteligente vai optar por investir num país que está crescendo do que deixar em um país que está em recessão e as taxas de juros são quase zero, como é o caso dos EUA, da União Europeia e do Japão. Isso vai durar para sempre? Acho que não.

Valor: Em relação ao forte ingresso de recursos internos, no entanto, o governo tem aplicado controles, como a taxação de IOF…

Palma : Esses controles de capitais aplicados pelo Brasil são muito porosos, é muito fácil evitar. Os investidores estrangeiros que recolhem IOF são aqueles que têm um mau contador. O Brasil tem controles de capitais só para dizer que tem, e isso fica claro pela reação do mercado. Não há muita gente reclamando, e isso é sempre um mau sinal quando falamos de taxação. Sem dúvida que é necessário controlar o fluxo de capitais estrangeiros, mas os países latino-americanos, de forma geral, e o Brasil, de forma especial, não estão fazendo com o rigor necessário. E não fazem, porque estão se aproveitando disso.

Valor: Depois de crescer 7,5% em 2010 e cerca de 3% em 2011, o PIB brasileiro deve se acelerar, prevê o governo, para níveis de 4,5% a 5% neste ano. Qual é a sua avaliação?

Palma : O PIB brasileiro não pode crescer mais do que 3,5% a 4% ao ano. Mais que isso: ele não deve crescer além desse nível, a não ser que vocês queiram gerar grandes distúrbios macroeconômicos. O governo brasileiro perdeu, de 2008 para cá, uma oportunidade histórica de desenvolver novas bases de crescimento econômico no Brasil. A saída da crise foi por meio do incentivo desenfreado ao consumo, o que foi positivo em termos, porque o país foi um dos que mais rapidamente deixaram o cenário recessivo mundial. Mas não há, no Brasil, nenhum estímulo para mudanças estruturais, como um apelo maior dos investimentos. Se há uma baixa na economia, o estímulo é sempre ao consumo. Basta ver a mais recente medida, da redução de imposto [do IPI] à indústria de eletrodomésticos [da linha branca, em dezembro de 2011].

Valor: Qual é a saída, então?

Palma : A mais correta seria produzir uma boa política industrial, e não esses planos paliativos que o governo brasileiro está habituado a lançar. A desindustrialização que o Brasil está passando é inconcebível. Em 1980, o parque industrial brasileiro era maior que o da Tailândia, da Malásia, da Coreia do Sul e da China somados. Em 2010, a indústria brasileira representava pouco menos de 15% do que esses países somados produziram. Construir o que vocês construíram e depois destruir, em tão pouco tempo, é um ato de vandalismo econômico sem igual. Por que o Brasil representa cerca de 75% do comércio mundial de minério de ferro, mas apenas 2% do comércio total de aço? Algum economista brasileiro consegue me explicar por que um país que tem a Embraer não consegue ser minimamente competitivo também no segmento de aço? Além das fracas políticas industriais adotadas e do desprezo com a indústria das últimas décadas, não consigo encontrar uma boa resposta. A situação brasileira é cada vez mais frágil.

Valor: Por quê?

Palma : Porque a dependência de commodities torna cada vez mais perigosa a transição de um cenário de bonança nos termos de troca, que é o que o Brasil vive hoje, para outro, em que certa normalidade de preços é estabelecida. Se o preço do cobre [principal produto exportado pelo Chile] voltar ao normal, isto é, aos níveis em que esteve em toda a história, à exceção dos últimos dez anos, o déficit em conta corrente como proporção do PIB saltará 18 pontos percentuais. No Brasil, se as commodities recuarem, o déficit corrente saltará entre 5 e 6 pontos percentuais como proporção do PIB. O erro da América Latina é pegar os preços das commodities como estão hoje e projetar no futuro, o que dá margem para amplos incentivos ao consumo no presente.

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40 comentários

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LIVIO OLIVEIRA

23 de janeiro de 2012 às 10h42

Mais um economista, metido a sabichão, que pensa ter a solução para os problemas econômicos do mundo, mas está completamente equivocado. Leu os manuais errados de economia e acha que está certíssimo em seus conselhos. Quando o sujeito diz que a solução “mais correta seria produzir uma boa política industrial, e não esses planos paliativos que o governo brasileiro está habituado a lançar” , isso significa que o governo tem que dispor de mais recursos para isso. De onde vem esses recursos? Vão cair do céu? Não. Só podem vir de três fontes: aumento de impostos, aumento da dívida pública pela emissão de títulos ou por meio da inflação. Os colegas aqui que aplaudem esse economista, desconhecem os verdadeiros fundamentos da economia. Ficam batendo palmas para um sujeito que propõe, nas entrelinhas, mais taxação na renda de vocês, mais aumento na dívida do governo que vocês ou vossos filhos terão de pagar no futuro, e mais inflação que irá corroer o dinheiro e a poupança que vocês tem. Isso é o que posso chamar de masoquismo econômico: o sujeito aplaudir e ficar feliz quando se diz que deve ser tungado em seu dinheiro pelo governo. Haja ignorância! Esse sujeito está com a cabeça na década de 50, quando a Comissão Econômica para a América Latina – CEPAL, já propunha esse tipo de medidas. O que esse homem está dizendo é algo completamente equivocado. A economia dos países desenvolvidos hoje gira em torno dos serviços, não em torno da indústria. A indústria do conhecimento e não a do chão de fábrica é o que lidera hoje a economia. A economia brasileira hoje se consolida cada vez mais como uma moderna economia de serviços. E isso é o que aconteceu antes com todos os países desenvolvidos. A própria China hoje, que tem o maior parque industrial do mundo, também seguirá esse tendência. Esse Gabriel Palma é o que eu posso chamar de economista acometido de SFCF – Síndrome do Fetiche do Chão de Fábrica. Pensam que sinônimo de desenvolvimento é apenas uma grande siderúrgica poluindo o meio ambiente. Na verdade, símbolo de desenvolvimento hoje é dispor de laboratórios de pesquisa sofisticados(que estão no setor serviços) com pessoal altamente qualificado, de onde sairão os novos materiais de alta tecnologia a serem produzidos pelas siderúrgicas. Qualquer país pode construir uma siderúrgica. Mas poucos tem esses laboratórios de ponta. Senhor Gabriel Palma, não vou bater PALMAS para o senhor, porque o senhor não merece.

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Paulo

20 de janeiro de 2012 às 21h50

no início o artigo me pareceu sério. Depois concluí que é mais importante acabar com a miséria primeiro. A fome não espera. Para cada mudança, uma nova estação.

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Milton2

20 de janeiro de 2012 às 19h34

A análise do professor Gabriel é pertinente, principalmente se ele se referir a algumas indústrias tradicionais, como as indústrias têxteis e calçadistas, de material ferroviário, contudo alguns pontos de sua entrevista merecem questionamentos:
Se o Brasil não chegou ao estágio de nação industrial como falar em “desindustrialização”? Citou a Embraer, mas se esqueceu de algumas conquistas recentes da indústria brasileira: Petrobrás (e sua tecnologia de produção marítima), indústria naval reerguida, pesquisa e produção de biocombustíveis, maquinaria agrícola, e muitas outras.
Quem sabe se ele ao falar em “vandalismo econômico” pensou na privatização, que a mídia tanto defende (e pelo jeito, o professor também), de companhias como a Vale e as teles. Muitas dessas empresas contribuíram para esse quadro depreciativo da indústria de maior valor agregado: não houve investimento na produção de aço e derivados, na pesquisa e desenvolvimento em fibras óticas,…
Como afirmar que as commodities vão abaixar – ou voltar ao preço normal (?) – se bilhões de pessoas entram para o mercado consumidor, notadamente nos países emergentes, o Brasil incluso.
Além de tudo, por que só se fixar na indústria? O PIB do Brasil pode aumentar muito com o setor terceirizado, sendo exemplos o turismo, o esporte, o lazer, a cultura, a pesquisa , etc.
Há muitos gargalos na economia brasileira, mas isso deve ser arrumado ao longo do tempo. Nada que impeça nosso crescimento sustentável, caso o governo , empreendedores e cidadãos unidos se disponham a isso l

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EUNAOSABIA

20 de janeiro de 2012 às 16h59

Vocês doaram até pré sal meu, crime lesa pátria de vendilhões.

Tão nove anos no poder, não fizeram foi nada, tão reclamando do que?

Pra quem fez a maior patranha entreguista com o pré sal, vender ferro em lugar do aço é até galho fraco.

Nove anos no poder e só fizeram foi arrebentar com o país, não fosse manter a macro economia de FHC, os programas socias de Dona Ruth e a China fazendo a parte dela… isso aqui já tinha era levado o farelo rapaz.

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Fabio_Passos

20 de janeiro de 2012 às 15h39

"Por que o Brasil representa cerca de 75% do comércio mundial de minério de ferro, mas apenas 2% do comércio total de aço? "

A resposta é que escolhemos ser uma colonia subdesenvolvida.
Decisão política da nossa "elite" branca e rica que não acredita no país e na capacidade de seu próprio povo.

O Brasil tem potencial – riquezas naturais / capacidade humana – para ser a nação mais desenvolvida do mundo.
Indesculpável atirar fora este potencial.

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Marcelo de Matos

20 de janeiro de 2012 às 15h31

(parte 2) O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, embaixador Sergio Amaral, em 2002, declarou: “O Brasil só não exporta mais aço por causa do protecionismo”. www.mdic.gov.br/sitio/interna/noticia.ph Já na Folha.com encontrei o seguinte comentário: “Para os leitores inteligentes: Porque o Brasil não exporta aço, ao invés de minerio de ferro? O preço do minério de ferro é definido pelas 3 grandes exportadoras: Vale, BHP e Rio Tinto. Elas mantém o preço elevado, obtendo um alta rentabilidade. Já o aço possui um enorme número de fornecedores. Se você constroi mais siderurgicas, eleva a oferta, reduzindo ainda mais o preço. Hoje, siderurgia não é um negócio rentável. Vide as usinas dos EUA, todas quebradas. Por isso a Vale exporta ferro”. Talvez isso contribua para o debate sobre as exportações brasileiras de commodities.

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Marcelo de Matos

20 de janeiro de 2012 às 15h30

(parte 1) O PIG tem sempre uma agenda de algibeira onde guarda o nome de renomados economistas sempre dispostos a sentar o pau no governo brasileiro. Gabriel Palma é um desses nomes. Em fevereiro de 2006 o Estadão o entrevistou por telefone:
“Que política industrial seria boa para o Brasil?
O básico de uma política industrial é pensar no longo prazo. Uma característica da globalização é que só tem êxito quem encontra um nicho. A China resolveu ser a fábrica do mundo, a Índia quer ser o escritório (produzindo softwares). O Brasil ainda não encontrou seu espaço.
E qual seria o diferencial brasileiro?
O mais óbvio é o Brasil se tornar o maior processador mundial de commodities, de minérios e de produtos agrícolas. Em vez de exportar ferro, exportar aço”. O douto entrevistado mudou um pouco de opinião, mas, por que o Brasil não exporta mais aço?

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eunice

20 de janeiro de 2012 às 15h29

As pessoas que digitam aqui parecem idealistas, que acham que o capital vai ficar bonzinho, ou têm ppouca leitura mesmo. Nem vendo o que está ocorrendo nos chamados paises de 1º mundo ainda continuam a acreditar que se … se…. se…..

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eunice

20 de janeiro de 2012 às 15h27

Os industriais choram e choram, mas se ficar incoveniente pra eles, eles pulam o muro e vão pra outro país.
Em busca de salários mais baixos e tal. Energia mais barata. Só no comunismo a produção é mais naional. E cadê comunismo? Aqui a sorte é o desemprego mesmo. Este momento é Plus. Mas não perdem por esperar. quem manda no governo capitalista é sempre o Poder.

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eunice

20 de janeiro de 2012 às 15h21

Alguém já criticou a desindustrialização devido ao alto preço da Energia Elétrica? Claro que não!

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Morvan

20 de janeiro de 2012 às 14h52

Boa tarde.

Tem certeza de que quem escreveu este "requentado" não foi a Mirian Porcão? A cantilena é parecidíssima…

"… Por que o Brasil representa cerca de 75% do comércio mundial de minério de ferro, mas apenas 2% do comércio total de aço? Algum economista brasileiro consegue me explicar por que um país que tem a Embraer não consegue ser minimamente competitivo também no segmento de aço? Além das fracas políticas industriais adotadas e do desprezo com a indústria das últimas décadas, não consigo encontrar uma boa resposta. A situação brasileira é cada vez mais frágil…".

Palavras como "Privadização" (Sic!), Vale, Tucanagem parecem estranhas ou são evitadas pelo "analista".
Artigo pífio. Café de muitas fervuras. O problema da desindustrialização do Brasil é fato. Colocar o guizo no pescoço do gato é ao que ninguém se propôs, até agora.

:-)

Morvan, Usuário Linux #433640.

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Fabio_Passos

20 de janeiro de 2012 às 14h28

O governo é irresponsável em manter esta situação aguda de submissão aos interesses das oligarquias financeiras que vai perpetuar nosso subdesenvolvimento.

A oposição de direita no Brasil é o que há de pior e mais atrasado no mundo, pois são os implementadores e grandes defensores deste sistema perverso de desindustrialização.

Precisamos construir uma alternativa nacionalista de esquerda… ou o Brasil vai continuar colonizado, subdesenvolvido e injusto.

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CLAUDIO LUIZ PESSUTI

20 de janeiro de 2012 às 14h01

Alias, a China e a Índia crescem a estas taxas por causa do processo de urbanização que estão experimentado.Alias, quem explicou isso foi o Henrique Meirelles, o idolo do Lula.O Brasil, na segunda metade do seculo XX também cresceu a taxas "chinesas".E olha que era a milicaiada no poder hein?Na hora que isto acomodar, a tendencia e estes países crescerem a taxas bem menores.Ai a demanda por commodities vai diminuir sensivelmente.Ai o Brasil sofrera as consequências de ter dormido na historinha do "nunca antes neste pais"…

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Pimon

20 de janeiro de 2012 às 13h31

O artigo do colega chileno, publicado no Valor, é fraco.

Contraditório, errado.

Um artigo sem Valor que, alias, acabo de cancelar.

Globo e Folha juntas??

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    CLAUDIO LUIZ PESSUTI

    20 de janeiro de 2012 às 18h46

    Bastante adjetivo e substantivo no seu comentário.Faltou objetivar o porque de ser "contraditorio , errado, sem Valor".E porque saiu no "PIG"?O Paulo Kliass , da Carta Maior(ponta de lança do PIG…)diz a mesma coisa que este cara ai do post.

    Marcelo de Matos

    20 de janeiro de 2012 às 19h45

    Contraditório, sim. Veja no meu comentário lá embaixo que o chileno, entrevistado pelo Estadão em 2006, defendeu exatamente que o Brasil se dedicasse a exportar commodities. A única ressalva que ele fazia é que deveríamos exportar aço e não minério de ferro. Ocorre que a Vale aplica aumentos estratosféricos ao preço do ferro e lucra mais do que se exportasse aço. Aliás, se fabricar aço vai baixar ainda mais o preço porque há muitos fabricantes desse produto.

Fefeo

20 de janeiro de 2012 às 12h04

Palma meu caro Palma, sou obrigado a concordar com 85,76 % de suas críticas, elas são pertinentes e preocupantes.

Responder

Indio Tupi

20 de janeiro de 2012 às 11h50

Aqui do Alto Xingu, os índios sustentam que, desde a crise da dívida externa, no início dos anos 1980, a economia brasileira vem sendo reprimarizada. Primeiro foram as chamadas décadas perdidas, depois a predação e a pilhagem das privatizações — que retirou das mãos do Estado setores econômicos estratégicos, impedindo o relançamento de políticas industrializantes e de inovação — e, por fim, mas não menos importante, finda, em 2002, a devastação decorrente do Tucanato, os governos que se seguiram, por falta de sólidos princípios de filosofia e economia política, mergulharam na "real politik" dos valores vigentes — a "Carta aos Brasileiros", de 2002, é marco disso — aderindo ideologicamente ao neoliberalismo anterior, que tanto estrago causou ao País. Lamentavelmente, não se podia esperar outra coisa. Na verdade, desde meados dos anos 1970, sabia-se que essa era a estratégia do Império: relegar o Brasil à produção colonial de produtos agrícolas e minerais de exportação.

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Jorge Nunes

20 de janeiro de 2012 às 11h35

O que está faltando mesmo é uma oposição que apresente soluções para isso. Mas, não há debate no Brasil na grande mídia neste nível que convoque os dois lados (só o BBB). Está faltando pessoas que vão além de Serra e Aécio que promovam um debate de verdade.

Mas isso não tem.

E o debate só tem dentro do governo.

O que vão fazer com quem fecha linha de produção no Brasil e abre na China para baratear produção?

Vão fazer campanha para China um dia ter uma CLT aos moldes brasileiro?

"A mais correta seria produzir uma boa política industrial, e não esses planos paliativos que o governo brasileiro está habituado a lançar. A desindustrialização que o Brasil está passando é inconcebível."

Alguém aí sabe como fazer uma boa política industrial?
Já tem mercado interno que nossa indústria não aproveita. Talvez por acreditar no noticiário que tudo vai desandar.

Fabrica os carros 1.0 mais caros do mundo, por ter margem de lucro maiores que do restante do mundo civilizado.

Demora a implanta inovações ou copia de terceiros, o chineses trazem aqui por Rio de Janeiro um pequena caixinha que toca músicas a partir de um pendrive ou cartão SD, coisa fácil para industria nacional e bem ultil no mercado interno (comprei uma) mas tenho a impressão que a industria brasileira não se mexe, não vai a luta mas vai a China: http://imageshack.us/photo/my-images/846/img00114…

Daqui a pouco vamos voltar a reserva de mercado.

Responder

    zezinho

    20 de janeiro de 2012 às 12h34

    Ah claro, como não poderia deixar de ser a culpa é da oposição. Concordo que infelizmente não há oposição no Brasil, mas daí a culpá-la pela falta de competência do governo já é demais.

    Essa última medida mesmo de elevar o IPI de carros importados foi a mais míope de todas. Lucro Brasil? Só se for para o governo que costuma levar em torno de 2/3 do que se é produzido aqui. Nunca vi pagar mais do que 50% do valor do produto em impostos, só no Brasil mesmo.

    O Brasil tem uma das legislações mais atrasadas em termos de burocracia para se abrir um negócio.

    Jorge Nunes

    20 de janeiro de 2012 às 16h28

    Por que não tem debate, não há uma cobrança e de políticas industriais.

    O problema não é culpa da oposição, é que não há oposição.

    Ricardo JC

    21 de janeiro de 2012 às 00h20

    Rapaz, o aumento do IPI dos carros importados forçou as indústrias a investirem aqui…ninguém quer ficar de fora do mercado brasileiro. Será que é tão dificil dar o braço a torcer? A carga tributária é alta, mas vem caindo em relação ao PIB (não se esqueça que durante poito anos de FHC, a tabela do IR não foi corrigida, o que gerou distorções imensas no pagamento do IR por pessoas físicas…).

    leandro

    20 de janeiro de 2012 às 13h23

    A culpa é da oposição??? "O que vão fazer com quem fecha linha de produção no Brasil e abre na China para baratear produção?" Simples, não deixar o investimento ir embora daqui, seja com incentivos, financiamentos, etc..o mundo todo faz isso. O governo tem maioria absoluta e aprova o que quer. Porque vc não cita a carga tributária, a burocracia para pagar os impostos, a estrutura de estradas, portos e aeroportos, o alto custo da energia e combustiveis. 9 anos e nada disso andou tendo todo esse tempo batendo recordes de arrecadação.

    Ricardo JC

    21 de janeiro de 2012 às 00h17

    Hahahaha…vocês são uma piada!!! Quando o governo aumentou o imposto para quem trazia carro importado para o Brasil, todo mundo ficou falando que isso era um absurdo e tal. depois, as montadoras, com medo de perder mercado no Brasil, resolveram manter seus investimentos aqui, com a instalação de linhas de produção. Isso não é política industrial? A ação do governo não trouxe investimentos produtivos para o Brasil? E desenvolvimento das indústrias acessórias não vai ser aumentado com a instalação das montadoras?
    Os mesmos que criticam o governo são contra a construção de novas refinarias no país. Dizem que não vale a pena…preferem que importemos gasolina!!! Poderia citar outros casos, como o da Vale, por exemplo, mas vou parar por aqui.
    Vocês precisam decidir o que defendem, porque o que são contra eu já sei…é sempre o governo!!!
    No mais, o artigo não merece crédito, porque ele esqueceu de dizer que há vários anos a indústria brasileira só cresce. O que acontece é que, de fato, o setor agroindustrial brasileiro se desenvolveu muito rápido e há sempre os espertos querendo se dar bem (Vale vendendo minério e indústria sucro-acooleira querendo aproveitar a alta dos preços do açúcar no mercado internacional). A Dilma já mostrou que está atenta a isto e está corrigindo (vide ação do governo na troca de comando da Vale e diminuição do percentual de alcool na gasolina). O resto é só torcida contra…

    CLAUDIO LUIZ PESSUTI

    21 de janeiro de 2012 às 20h46

    Voce tem razão, a industria brasileira "só cresce".A balança industrial que o diga:mais de 50 bi de deficit.E continua crescendo…

    CLAUDIO LUIZ PESSUTI

    20 de janeiro de 2012 às 13h56

    Nossa, esta foi de doer o estomago " a culpa e da oposição" hehehe, estão a 10 anos no poder, ainda reclamam da "herança maldita"( e diga-se foi maldita mesmo), nada fizeram para mudar a politica econômica, NADA, agora culpam a OPOSIÇÃO por não ter politica industrial, e meus caros independentes, acho que ter que engolir o Kassab como um "extraordinário companheiro" ta fazendo mal para a cabeça dos desnorteados petistas…

Julio Silveira

20 de janeiro de 2012 às 10h44

A questão é o País ter uma politica industrial que vise bens ligados as necessidades futuras da humanidade, que já se desenha. Lembro que muitos países, inclusive os States, deram o salto partindo das chamadas commodities, para dai formarem sua pujante industria, inclusive as de conhecimentos hoje. Devemos, e podemos ultrapassar fases que eles tiveram que percorrer, para isso nossos estrategistas politicos e economicos tem de concentrar-se em para onde caminha a humanidade, visando perceberem que caminhos serão trilhados no futuro, estratégia. Aí que mora o perigo para nós. Nossos estrategistas sequer conseguem enchergar que existem situações e pessoas, coisas internas, que precisam ser bem observadas para que deixemos de ser um país de visão colonial, dando espaçõ para gente que não se importa em nos vender mal. Que deixemos de viver a sindrome de Édipo, tendo que encontrar subustituta para Jocasta, papel que Portugal representou no passado e hoje se repousa nos braços do "irmão do norte" .

Responder

Marcelo de Matos

20 de janeiro de 2012 às 10h39

Os críticos precisam entender certas coisinhas básicas. Há um limite para a produção industrial. Para a produção de commodities também. Já produzimos café demais e fomos obrigados a queimar o produto em grandes fogueiras. A Foxcom, de Taiwan, montou uma fábrica de tablets em Jundiaí que está prestes a produzir. Precisou de engenheiros e técnicos brasileiros e não os encontrou. Teve de levar vários deles à sua matriz para formação. Se surgirem novos fabricantes de tablets, inclusive nacionais, não haverá mercado para toda essa produção. Em matéria de celulares, por exemplo, nossos patrícios já têm mais de um por cabeça. Por isso é necessária uma divisão da produção: uns produzem tablets, outros açúcar, carne, café, soja, álcool, petróleo, cobre… O autor do post compara Brasil e Chile. É o mesmo que comparar China e Butão. Cada país tem suas potencialidades. E mais: não é qualquer um que produz açúcar e álcool. Parece fácil, mas, aprendemos esse know how com os portugueses e o aperfeiçoamos à custa de muitas pesquisas e investimentos.

Responder

Marcelo de Matos

20 de janeiro de 2012 às 10h20

É isso aí Carlos. Quando a economia vai bem há sempre os que buscam motivos para criticar. Por que criticam? Vou arricar um palpite: alguns porque não aceitam de forma alguma o sistema; outros porque só o aceitam quando estão no poder. Aí não precisa mudar nada.

Responder

Alberto

20 de janeiro de 2012 às 10h07

As soluções que esse senhor sugere dão muito trabalho e pouco voto.

É mais fácil derrubar a Amazônia pra plantar soja e fazer hidrelétricas faraônicas pra sustentar a indústrias de matéria-prima pra exportar.

Responder

    Míope Sem Óculos

    20 de janeiro de 2012 às 14h22

    Verdade verdadeira do fato real.

    Fabio_Passos

    20 de janeiro de 2012 às 15h21

    No governo Lula demos um passo a esquerda (bolsa família, aumento salário mínimo, PAC1 e PAC2) e os resultados foram fantásticos para o Brasil.

    Imagine o salto civilizatório se, ao invés dos retrocessos iniciais do gov Dilma, avançarmos em busca de justiça social e independência dos interesses coloniais.

    Alberto

    20 de janeiro de 2012 às 16h25

    Passo a esquerda, pra mim, seria distribuição real da renda e da terra.

    Bolsa família é importantíssimo, apesar de tímido, mas sozinho não basta. Dignidade não se resume a poder de compra. Eu acreditaria que o Governo realmente quer mudar a situação das pessoas miseráveis se ele se empenhasse em melhorar educação e saúde.

    Os aumentos no salário mínimo são insuficientes para se dar uma vida digna a quem depende de um 1 SM. E o salário mínimo, teoricamente, deveria ser suficiente para se viver com dignidade.

    A maior obra do PAC é uma usina concebida pela ditadura cuja principal função será sustentar indústrias poluentes de matéria-prima que será exportada para gerar empregos em outros lugares. Puro progresso! Os índios que o digam e as quarenta mil pessoas que serão realocadas (sabe-se lá pra onde) que o digam.

E S Fernandes

20 de janeiro de 2012 às 09h48

Lembrei de Caio Prado Junior em "Formação do Brasil Contemporâneo": dizia que o Brasil é um fóssil formado pelo tripé da escravidão, da monocultura de exportação e do latifúndio. É triste vermos uma década governada pela esquerda e dizer que ela não contribuiu para mudar este lamentável quadro apresentado pelo magnífico Caio Prado. Este tripé é o que a direita gosta e faz de tudo para mantê-lo. Ele, inclusive, é adorado pela direita porque deixa o país colonizado pelos irmãos civilizados do norte. É triste! Acorda Dilma! Acorda Lula! Acorda PT! Daqui a pouco o trem da história passa e perderemos mais uma oportunidade.

Responder

    Fabio_Passos

    20 de janeiro de 2012 às 14h23

    Falou e disse!

leandro

20 de janeiro de 2012 às 07h09

Isso já foi dito milhares de vezes. Minha cidade é um polo de moda íntima, chegou a ter 25% da produção nacional desse segmento. Hoje a maioria das grandes confecções só embala o produto pronto que importa da china. Nossa infraestrutura é horrível, mesmo se a produção aumentasse não teríamos como escoar por nossas estradas e portos. O que ainda melhora alguma coisa é quando o governo privatiza mas aí vem o custo adicional de pedágios. O governo gasta bilhões em copa do mundo e andamos em estradas que parecem trilhas.

Responder

    Marcelo de Matos

    20 de janeiro de 2012 às 10h15

    Leandro, você não disse qual é a sua ciadade, mas, o Rio de Janeiro exporta moda íntima. É claro que são produtos diferenciados, de qualidade. Não dá para concorrer com a China e outros países que conseguem produzir a um custo bem menor que o nosso. Algumas cidades do nordeste produzem a baixo custo e conseguem concorrer com China, Paquistão e até a Colômbia, onde estão instaladas indústrias têxteis inclusive de origem brasileira.

    leandro

    20 de janeiro de 2012 às 13h25

    Nova Friburgo. Sei que exporta, mas a cada dia vai perdendo terreno, tem uma industria aqui que tem filial (se não me engano) em Pernambuco, Hak Passamanaria, ela produz elásticos texteis e agora praticamente só tinge o que chega cru da China.

Carlos Ernesto

20 de janeiro de 2012 às 06h22

O que o ele esqueceu de dizer,é que baseado no principio economico basico de oferta e procura ,a tendencia dos preços das comodites não é cair, por que a demanda ,juntos com a população da terra ,e os paises em desenvolvimento só tende a aumentar,e a oferta eu não sei onde no mundo ele esta achando que se vai produzir muito mais alimento e cana de açucar,petroleo e etc.. Isso é apregoado no mundo inteiro;provavelmente o principal vetor economico do sec.XXI sera a biotecnologia.A industria tradicional e muito importante ,e o Brasil tem também uma industria ,mas no momento não é possivel produzir quinquilharias tão baratas quanto os chineses o fazem ,vamos ter problemas para controlar isso.Mas nada mais correto da parte do gov.que apostar no desenvolvimento do mercado interno é aproveita os bons precos dos comodites ,que nnao tendem a diminuir muito ,já que a tendencia da demanda é aumentar ,uma grande industria exportadora sem compradores não ia adiantar muito .

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Esse Barack Obama é tão bonzinho… | Viomundo - O que você não vê na mídia

19 de janeiro de 2012 às 23h17

[…] Gabriel Palma: Na superfície, situação econômica do Brasil é fantástica […]

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