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Eric Nepomuceno: Snowden, o verdadeiro objeto de desejo de Obama
Documentos fornecidos por Snowden revelam a estreita colaboração da Microsoft com os órgãos de segurança e espionagem dos Estados Unidos
Política

Eric Nepomuceno: Snowden, o verdadeiro objeto de desejo de Obama


13/07/2013 - 18h43

Edward Snowden resolveu pedir asilo à Rússia

O objeto de desejo, a obsessão de Obama

Encalhado em Moscou, sem ter para onde ir, Edward Snowden resolveu pedir asilo à Rússia. Será o primeiro passo para poder ir para um dos três países – a Nicarágua, a Venezuela e a Bolívia – que ofereceram asilo ao ex-técnico terceirizado da CIA que desmontou uma das grandes farsas do governo de Barack Obama.

por Eric Nepomuceno, em Carta Maior

Mais enrolada que rocambole de avó ou bolo de rolo de Pernambuco, a situação de Edward Snowden continua atraindo as atenções de meio mundo. Encalhado em Moscou, sem ter para onde ir, ele resolveu pedir asilo à Rússia. Será o primeiro passo para poder ir para um dos três países – a Nicarágua, a Venezuela e a Bolívia – que ofereceram asilo ao ex- técnico terceirizado da CIA que desmontou uma das grandes farsas do governo de Barack Obama.

Empenhando uma palavra cada vez mais carente de valor, Obama havia assegurado que desmantelaria o gigantesco esquema de espionagem global armado pelo seu antecessor, George W. Bush. Pois não só manteve como o expandiu.

Escudado no argumento da necessidade de evitar atentados terroristas, seu governo aproveitou para espionar a tudo e a todos. Até agora tem gente se perguntando como é que informações criptografadas trocadas entre a representação da União Européia em Washington e sua sede em Bruxelas poderiam conter dados que atentassem contra a segurança dos Estados Unidos. Isso, para não falar de espionagem contra empresas, bancos e cidadãos de todo o mundo.

Uma ação de tal envergadura, e feita com tal descaramento, oculta, na verdade, uma atitude vil, impertinente, agressiva, típica da prepotência imperial que Obama parecia disposto não a eliminar, pois seria impossível, mas pelo menos suavizar.

O que vemos agora é o avesso. Snowden revelou parte do que sabe, e essa parte foi suficiente para que ele se tornasse uma obsessão para Obama, que desandou a distribuir ordens e determinações com a tranqüilidade de quem não só se crê, mas está convicto de ser o verdadeiro dono do mundo.

Há, evidentemente, um preço político e diplomático altíssimo a ser pago por essa obsessão. Mas Obama parece disposto a pagar o que for.

Para começo de conversa, é preciso impedir que Snowden continue gotejando informações. Além disso, é preciso impedir que outros jovens técnicos em computação resolvam seguir seu exemplo e difundam métodos que invadem a privacidade da cidadania e violam uma seqüência de garantias asseguradas pela própria Constituição dos Estados Unidos, para não mencionar acordos e tratados e convênios internacionais.

Há, nos Estados Unidos, uma multidão – calcula-se que cinco milhões de pessoas – fazendo trabalhos terceirizados para a Agência de Segurança Nacional, com acesso a dados supostamente sigilosos. Quantos Snowdens potenciais estão por aí?

Há outros aspectos: Obama precisa mostrar à opinião pública interna que o poder de influência dos Estados Unidos continua intacto apesar de seu governo errático.

Deve-se, a isso tudo, somar um dado essencial: a ação de Edward Snowden deixou claro, e bem claro, que o sistema de espionagem dos Estados Unidos é, além de invasivo, frágil.

Afinal, o jovem técnico era parte do sistema, e fez o que fez sem que ninguém se desse conta até tudo vir à tona.

No horizonte mais próximo paira a possibilidade de conflitos diplomáticos sérios entre Washington e a América Latina, e também com a Rússia. Obama, que se dedica a advertir quem se anime a dar asilo a Snowden das graves conseqüências que esse ato poderá provocar, desconhece limites.

O que Washington fez, com a servil cumplicidade dos governos da França, Itália, Portugal e Espanha, ao forçar um pouso do avião do presidente boliviano Evo Morales na Áustria, é só um vislumbre de até que ponto Washington pode chegar.

Agora, foi a vez de Moscou receber a advertência: que nem se atreva a servir de ‘plataforma de propaganda’ das denúncias de Snowden. Para Obama, pouco importa que a Rússia seja peça chave da segurança global.

Enfrentar problemas com a América Latina, onde a influência norte-americana, apesar de ter diminuído, continua imensa, não significa nenhum obstáculo. Afinal, as relações com a Nicarágua, a Venezuela e a Bolívia já não são nada boas.

Os Estados Unidos compram 900 mil barris de petróleo venezuelano por dia. Isso significa um terço do total das exportações de petróleo do país que ofereceu asilo a Snowden. A Bolívia conta com alguns benefícios comerciais que Washington concede aos países andinos. E a Nicarágua, um dos países mais pobres da região, conta com algumas preferências comerciais outorgadas pelos Estados Unidos.

Nenhum dos três países parece disposto a priorizar esses eventuais benefícios sobre seu direito a assumir uma decisão soberana e conceder asilo a um perseguido político.

Enquanto continua nebuloso o panorama, resta uma pergunta entre tantas: de onde tamanha sanha? Por que, afinal, Snowden se transformou na obsessão, no verdadeiro objeto de desejo de Obama?

O enigma, talvez, nem seja tão intrincado assim. Obama, tido como fraco e frouxo, precisa mostrar que é forte e decidido. É uma questão interna. Os truculentos republicanos vivem dizendo que ele não é de nada. E, talvez por não ser de nada, Obama resolveu fazer uma exibição global de valentia. O custo, as conseqüências, nada disso importa.

O que importa é satisfazer a opinião pública e seu eleitorado. Que, quando se trata de questões internas, até que é bem informado. Mas que não tem noção do que acontece fora de seus condados, e justamente por causa dessa ignorância olímpica acredita que o sentimento anti-norte americano é, no fundo, uma tremenda injustiça da humanidade.

Há décadas o mundo não via caçada tão implacável a um fugitivo. Para Obama, Snowden virou uma questão prioritária para a auto-estima de alguém cada vez menos estimado.

Onde isso tudo vai parar, ninguém sabe. Mas o que sim, se sabe, é que se alguma vez a imagem de Barack Obama na América Latina teve algum peso, significou alguma esperança de mudança, por mais tênue que fosse, agora se diluiu feito pó no oceano.

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26 comentários

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José Amaro Santos da Silva

15 de julho de 2013 às 23h07

O Papa Francisco daria um grande passo para a seriedade do seu papado, caso ele banque a liberdade de Edward Snowden, e que o patriota norte-americano venha a ter concedido asilo político a partir da Russia indo a qualquer parte do planeta.
Já está na hora de os países, incluindo o Papa Francisco, terem de fato independência e desmontar as farsas e as espionagem a mando de Barak Obama, esse negro que nos envergonha.

Responder

    JsMb

    18 de julho de 2013 às 18h45

    Hahahahahahahah, boa piada!!!!!!!!!!

Eduardo Olveira

14 de julho de 2013 às 21h23

A política de estado dos norte- americanos além de belicosa tem traços neuróticos. Não é lúcido e é anormal, nas relações com o mundo a fora, bisbilhotar as vidas e as soberanias alheias. As relações internacionais existem princípios que balizam condutas descabidas. O governo norte-americano tem que redescobri suas capacidades do diálogo franco e sincero sem cartas nas mangas. Quanto ao povo norte-americano cria-se a impressão que vem perdendo, aceleradamente noções de cidadania, e por conta da neurose dos governantes vem ganhando uma antipatia mundial imerecida.

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JOTACE

14 de julho de 2013 às 21h16

MAMAR EM ONÇA

Há muita coisa de verdadeiro na análise do Eric Nepomuceno. Uma delas é se haver dissipado qualquer esperança de que os Estados Unidos mudassem seu comportamento com relação à América Latina e até mesmo em outras regiões. O caso do recente golpe militar no Egito revela mais uma vez como Obama se distancia no discurso (Universidade do Cairo, anos passados) com a recente derrubada do governo egípcio eleito democraticamente. Ainda que se possa alegar que, no caso, o governo Obama agiu pressionado pelo lobby sionista, é crível supor que, afogado em dificuldades, terá que refletir muito caso se decida a atacar diretamente certos países latino-americanos. Especialmente, se falhar o habitual recurso de jogar irmãos uns contra os outros. O risco para o pau às vezes é menor do que para o machado, e uma guerra assimétrica tendo como cenário a América Latina, pode significar o sangramento completo do gigante norte-americano. Justo quando outra nação poderosa se agiganta na região do Pacífico. E, pelo visto, há Presidentes dignos e patriotas na América Latina que indicam ter não só a coragem, mas a disposição de mamar em onça.

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Wildner Arcanjo

14 de julho de 2013 às 20h10

Quer dizer que o Snowden é o Bin Ladem do Obama? Interessante…

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Regina Braga

14 de julho de 2013 às 19h51

De Nobel da Paz a Vilão Terrorista.Mas na campanha ele foi muito claro: Nós podemos, tudo! Safadinho.

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chanceLer

14 de julho de 2013 às 19h16

A questão é: quantos políticos, em especial da América Latina, são chantageados hoje pelos EUA, em virtude de informações comprometedoras obtidas por espionagem e violações múltiplas? A Postura do Paraguai em relação ao MERCOSUL, recusando-se em ser readmitido, possivelmente, confirma essa suspeita.

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Julio Silveira

14 de julho de 2013 às 15h31

As implicações das informações feitas pelo Snowdem são muito mais amplas do que a ralha miúda possa imaginar. Ela atinge diretamente a reputação dos States como fornecedor confiável, inclusive e principalmente de tecnologias sensíveis.
O Snowdem mexeu no que tem de mais sensível aos americanos, o bolso e na construção de sua imagem Hollywoodiana de dupla finalidade, sempre se mostrando como síntese da verdade e dos bons sentimentos.

Responder

    Julio Silveira

    14 de julho de 2013 às 18h28

    Em tempo: raia miúda.

    JOTACE

    14 de julho de 2013 às 20h39

    Como sempre, uma opinião acertada! Pelo visto não só quando houver intenção de adquirir tecnologia sensível, mas de qualquer aparato eletrônico por mais simples que seja, os compradores pelo mundo afora vão pensar duas vezes. Frau Merkel já demonstrou grande preocupação sobre as conseqüências para o mercado europeu intimamente conectado com o estadunidense. Decerto aumentaram as chances para as indústrias chinesas, japonesas, e indianas, com seus produtos eletrônicos mais populares e desprovidos de dispositivos de espionagem a domicílio.

emerson57

14 de julho de 2013 às 15h12

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu hoje o Prémio Nobel da Paz “pelos esforços diplomáticos internacionais e cooperação entre povos”.

!

Responder

    Denise

    14 de julho de 2013 às 15h55

    Orra meu!

    Abel

    14 de julho de 2013 às 16h34

    Devolve!

lukas

14 de julho de 2013 às 10h38

Me espanta a surpresa do mundo que os EUA façam isto.

Me espanta mais ainda que as pessoas achem que a Rússia, China, Inglaterra não façam, dentro de suas possibilidades, a mesma coisa.

O que surpreende é o vazamento da informação.

A notícia é o vazamento, não a espionagem.

Responder

Marcos K

14 de julho de 2013 às 09h27

Nunca achei que Obama fosse grande coisa, nem esperava muita coisa dele. Só não imaginava que fosse tão medíocre como é. Pelo visto a única coisa que sabe fazer é falar bem, já governar…

Responder

    Abel

    14 de julho de 2013 às 16h38

    Acho que foi Lula quem disse certa vez que a primeira coisa com que os americanos se preocupam é com o próprio país; e a segunda, e a terceira… e a enésima coisa; e se sobrar um pouquinho de tempo, então preocupam-se com o resto do mundo.

simas

14 de julho de 2013 às 02h51

Qdo a agência internacional (?), q controla, ou pensa controlar a atividade de produção e pesquisa nuclear, mundial, resolveu, durante o Gov do ex-Pres Lula, bater na tecla Aramar… querendo inspecionar, examinar com maiores cuidados, aquele centro fabril, o governo negou autorização. A mídia, maldita, como seria de se esperar, deu espaço, considerável; parece, na expectativa de aprofundamento do impasse. Foi nesta época q o Almirante, considerado “pai do programa nuclear da marinha” fez comentário de q os americanos tinhas espiões, espalhados por todos os lugares… q mais gostariam de saber, através da Agência?… Fiquei rindo, sozinho, ao ler o comentário. Mto oportuno.
Particularmente, pq, qdo rapaz, fui trabalhar em SC e morava num hotel. Foi nesse hotel q conheci um jovem de nacionalidade americana, técnico em agronomia, q prestava assistência junto aos colonos, campesinos. Depois de um bom tempo de convivência, esse rapaz contou q fazia um relatório, mensal, sobre o q via e experimentava, por aqui. E a sua vivência não seria somente a do campo; porém, politicamente e sobre o caráter das autoridades… Ele era um verdadeiro espião q, trabalhando pra o “Peace Corps”, bisbilhotava nossa vida, por aqui. Faz mto tempo, isso; lá pelos anos sessenta… Esse rapaz, com o passar dos tempos, foi se inteirando com nós outros e nossas coisas; ao pto de já se expressar em um bom Português e elogiar as possibilidades de nossa agricultura. Pois, bem; um certo dia, recebeu uma carta da sede, mandando q ele regressasse, imediatamente… Não é q esse rapaz, chorando, disse q não iria voltar, não. Q, no mínimo, seria mandada p’ro Vietnã… Dizem q ele foi pra MG e mora em BH.
Essas histórias enriquecem minha percepção sobre os EEUU. Ademais, entendo q a autoestima do povo americano, ao fim do desgoverno, Bush-filho, andava lá por baixo, com tantos insucessos. Tamanhos; q o Obanana foi eleito, afirmando: “Sim. Nós podemos!”… Ele traduziu o imaginário do cidadão, americano, prometendo q poderia devolver ao país, o status, as glórias, de antes; e q naquele momento andava tão diluído…

Responder

Pra relaxar

14 de julho de 2013 às 01h55

Garoto casualmente encontra Obama:
– Meu pai falou que você espiona todo mund…
– Ele não é seu pai, moleque.

Responder

Bonifa

14 de julho de 2013 às 00h04

O que o Brasil decidiu fazer, exigir na ONU uma regulamentação internacional do uso da Internet, tirando dos EUA o domínio absoluto e até então inquestionável da rede mundial, é tão importante e corajoso que até é difícil de se acreditar que possa pelo menos começar a ser debatido e depois acontecer. A mídia, sempre levando bola nas costas, ainda não entendeu o que isto representa. Pergunta-se à mídia: O que seria melhor? A Internet sob o domínio dos EUA ou a Internet regulamentada pelas Nações Unidas? Nada pode ser mais importante no mundo, hoje.

Responder

    lukas

    14 de julho de 2013 às 10h29

    Aí quem mandar na ONU mandaria na internet?

    JOTACE

    14 de julho de 2013 às 18h18

    Ora, Bonifa, passastes a viajar na contramão?

Indio Tupi

13 de julho de 2013 às 21h55

Sábado 13 de julio de 2013 | Publicado en edición impresa

Glenn Greenwald: “Snowden tiene información para causar más daño”

El periodista que recibió las filtraciones del topo de la CIA dijo que hay más documentos

Por Alberto Armendariz | LA NACION

RÍO DE JANEIRO.- Las apariencias engañan. Con su traje de baño a rayas, sus ojotas blancas, su camisa de jean y una gran mochila, Glenn Greenwald parece un turista que se pasea por la rambla de la São Conrado, en Río de Janeiro. Pero se trata del periodista, bloguero y columnista del diario británico The Guardian que sorprendió al mundo con las revelaciones sobre la extensa red de espionaje cibernético de Estados Unidos que le filtró Edward Snowden, el ex analista de inteligencia de la Agencia de Seguridad Nacional (NSA).

“Snowden tiene suficiente información como para causar más daño al gobierno estadounidense él solo en un minuto del que cualquier otra persona haya tenido jamás en la historia de Estados Unidos”, afirmó a LA NACION Greenwald, de 46 años, y que desde estas latitudes escribe regularmente sobre los temas de seguridad internacional que lo han vuelto célebre, ganador de varios distinguidos premios.

Hoy, este neoyorquino, ex abogado, está en el ojo de la tormenta. Legisladores en Washington quieren llevarlo a juicio; espías de varios países buscan obtener la información secreta que Snowden compartió con él, el mes pasado, en Hong Kong y que le sigue enviando desde Moscú a través de un sistema de correo electrónico encriptado. Sabe que lo están vigilando y que sus conversaciones son monitoreadas. Incluso llegaron a robarle la laptop de su novio carioca, de su propia casa.

Tres hombres aguardan en el lobby del hotel Royal Tulip con credenciales de un congreso de osteoporosis del cual el conserje no tiene ni idea. ¿Son realmente médicos o están siguiendo a Greenwald? Las apariencias engañan.

-¿Comparte la decisión de Snowden de quedarse en Rusia mientras logra venir a América latina?

-Sí, lo más importante es no terminar en custodia de Estados Unidos, cuyo gobierno demostró ser extremadamente vengativo para castigar a los que revelan verdades incómodas, y en cuyo sistema judicial no se puede confiar cuando se trata de personas acusadas de poner en peligro la seguridad nacional del país; los jueces hacen todo lo que pueden para asegurar las condenas en esos casos. Sería puesto en prisión de inmediato para tapar el debate que ayudó a generar, y acabaría el resto de sus días tras las rejas.

-¿Rusia le da garantías de seguridad?

-No hay muchos países en el planeta que tengan la capacidad y la voluntad de desafiar las demandas de Estados Unidos. Pero Rusia es uno de esos países y lo ha tratado bien hasta ahora.

-¿Más allá de las revelaciones sobre el funcionamiento del sistema de espionaje en general, ¿qué información extra tiene Snowden?

-Snowden cuenta con suficiente información como para causar más daño al gobierno estadounidense él solo en un minuto del que cualquier otra persona haya tenido jamás en la historia de Estados Unidos. Pero ése no es su objetivo. Su objetivo es dejar al descubierto programas informáticos que personas en todo el mundo utilizan sin saber a qué están exponiéndose y sin haber aceptado conscientemente ceder sus derechos a la privacidad. Tiene una enorme cantidad de documentos que serían muy dañinos para el gobierno de Estados Unidos si fueran hechos públicos.

-¿Teme que alguien trate de matarlo?

-Es una posibilidad, aunque no creo que traiga muchos beneficios para nadie a estas alturas. Ya distribuyó miles de documentos y se aseguró de que varias personas alrededor del mundo tengan su archivo completo. Si algo le llegara a pasar, esos documentos serían hechos públicos. Ésa es su póliza de seguro. El gobierno estadounidense debe estar de rodillas todos los días rogando que nada le ocurra a Snowden, porque si algo le llega a suceder, toda la información será revelada y ésa sería su peor pesadilla.

-¿Puede América latina ser un buen refugio para Snowden?

-Sólo algunos países, como varios de América latina, China y Rusia, han desafiado a Estados Unidos, se han dado cuenta de que Estados Unidos ya no está en una posición de fuerza como la que tenía antes frente al resto del mundo, y que el resto de los países no tienen por qué obedecer sus demandas como si se tratase de una orden imperial. En América latina se siente una simpatía natural hacia Estados Unidos, pero a la vez hay un resentimiento grande por políticas históricas puntuales de Washington hacia la región. Lo que sucedió con el avión de Evo Morales en Europa provocó una reacción muy fuerte, fue tratado como si Bolivia fuera una colonia y no un Estado soberano.

-De los documentos que Snowden compartió con usted, ¿hay mucha más información relacionada con América latina?

Sí. Para cada país que tiene un avanzado sistema de comunicaciones, como es el caso desde México hasta la Argentina, hay documentos que detallan cómo Estados Unidos recoge este tráfico informativo, los programas que se utilizan para captar las transmisiones, la cantidad de intercepciones que se realizan por día, y mucho más. Una forma de interceptar las comunicaciones es a través de una corporación telefónica en Estados Unidos que tiene contratos con empresas de telecomunicaciones en la mayoría de los países latinoamericanos. Lo importante será ver cuál es la reacción de los distintos gobiernos. No creo que los gobiernos de México y Colombia hagan mucho al respecto. Pero tal vez los de la Argentina y de Venezuela sí estén dispuestos a tomar acciones concretas.

Glenn Greenwald / Columnista de The Guardian
Profesión: periodista
Edad: 46 años
Origen: Estados Unidos
Tras filtrar las revelaciones de Snowden, quedó en el ojo de la tormenta en el escándalo de espionaje

El avión oficial, embargable

La presidenta Cristina Kirchner reconoció ayer, durante la cumbre del Mercosur, que no puede realizar vuelos a “algunos países de Europa” en el avión oficial Tango 01, porque “todavía puede haber algún juez que pueda disponer un embargo” a pedido de los “fondos buitre”, debido al juicio que enfrenta el país por el canje de la deuda. Ya en enero pasado el Gobierno alquiló un avión británico para la gira por Asia para evitar el embargo..

Responder

renato

13 de julho de 2013 às 20h58

É americano, e espião!
Não eme engana? Jamais iria contra seu
País.Foi criado assim. Fez coisa pior.
Não trabalhava para AAA, como voluntário.
Isto é um BAITA Cavalo de Troia.
Cuidado em não colocar ele com o Assange.

Responder

    Rafa

    14 de julho de 2013 às 19h12

    Presente de Grego.

H. Back™

13 de julho de 2013 às 19h58

Será que Obama está blefando?

Responder

lauro c. l. oliveira

13 de julho de 2013 às 19h30

Depois de Snowden como o Departamento de Estado dos EUA irão convencer outros sobre democracia, direitos humanos e liberdade de expressão?

Responder

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