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Economist: A terceira revolução industrial


24/04/2012 - 19h55

da revista britânica Economist, em 21.04.2012

A digitalização da manufatura vai transformar a forma com que as coisas são feitas — e mudar as políticas de emprego, também

A primeira revolução industrial começou no Reino Unido no fim do século 18, com a mecanização da indústria têxtil. Tarefas feitas laboriosamente pelas mãos, antes, por centenas de tecelãs, foram juntadas em um único moinho de algodão, nascendo assim a indústria. A segunda revolução veio no século 20, quando Henry Ford dominou a linha de montagem móvel e trouxe a idade da produção em massa. As duas primeiras revoluções tornaram as pessoas mais ricas e urbanas. Agora uma terceira revolução está em andamento. A manufatura está se tornando digital. Como o relatório especial desta edição destaca, isso poderia mudar não apenas os negócios, mas muito mais.

Um número de notáveis tecnologias estão convergindo: software engenhoso, novos materiais, robôs mais capazes, novos processos (notadamente a impressão tri-dimensional) e toda uma gama de serviços baseados na rede. A fábrica do passado era baseada na produção de zilhões de produtos idênticos: Ford famosamente disse que os compradores de automóveis poderiam escolher qualquer cor, desde que fosse o preto. Mas o custo de produzir quantidades menores com maior variedade, com cada produto desenhado para atender aos desejos de cada consumidor, está caindo. A fábrica do futuro vai focar na customização em massa — e pode ficar muito mais parecida com aqueles teares individuais do que com a linha de montagem do Ford.

Rumo à terceira dimensão

A velha forma de fazer as coisas envolvia muitas partes, além de parafusos ou solda para juntá-las. Agora um produto pode ser desenhado por um computador e “impresso” numa impressora 3D, que cria um objeto sólido construído através do acúmulo de camadas sucessivas de matéria prima. O design pode ser modificado com apenas alguns toques no mouse. A impressora 3D pode funcionar sem supervisão humana e pode fazer coisas que eram muito complexas para as linhas de montagem tradicionais. Em algum tempo, estas máquinas impressionantes poderão fazer qualquer coisa, em qualquer lugar — da garagem de casa ao vilarejo da África.

As aplicações da impressão em 3D são especialmente intrigantes. Os aparelhos contra a surdez e as peças de alta tecnologia de jatos militares já têm sido impressas de forma customizada. A geografia das cadeias de fornecimento será transformada.  Um engenheiro que trabalha no meio de um deserto e sentir falta de alguma ferramenta não precisará encomendar para entrega na cidade mais próxima. Ele pode fazer o download do design e mandar imprimir a ferramenta. Os dias de um projeto paralisado por causa de uma peça ou de um kit, ou de consumidores que reclamam por não encontrar peças de reposição, vão ficar para trás.

Outras mudanças serão tão impressionantes quanto as acima descritas. Os novos materiais são mais leves, mais fortes e mais duráveis que os antigos. A fibra de carbono está substituindo o aço e o alumínio em produtos que vão de aviões a bicicletas. Novas tecnologias permitem a engenheiros criar objetos em pequena escala. A nanotecnologia dá a objetos novas capacidades, como  os band-aids que ajudam a cicatrizar cortes, motores mais eficientes e talheres mais fáceis de limpar. Vírus geneticamente modificados  estão sendo desenvolvidos para construir baterias. E com a internet permitindo a um número maior de designers o trabalho colaborativo em novos produtos, barreiras estão caindo. Ford precisou de grande quantidade de capital para construir sua fábrica colossal em River Rouge; o equivalente moderno dele pode começar com um simples laptop e a fome de inventar.

Como todas as revoluções, esta vai causar perturbações. A tecnologia digital já balançou as indústrias do varejo e da mídia, da mesma forma que os moinhos de algodão esmagaram os teares manuais e o Modelo T detonou as carroças. Muitas pessoas vão olhar para a fábrica do futuro com arrepios. Elas não serão cheias de máquinas sujas e de homens vestindo macacões oleosos. Muitas serão limpíssimas — e quase desertas. Alguns fabricantes de automóveis já produzem duas vezes mais carros por empregado que uma década atrás. A maior parte dos empregos não será no chão de fábrica, mas nos escritórios por perto, cheios de designers, engenheiros, especialistas em TI, experts em logística, integrantes da equipe de marketing e outros profissionais. Muitas tarefas repetitivas vão se tornar obsoletas: você não precisa mais de rebitadores se o produto não usa rebites.

A revolução vai afetar não apenas como as coisas são feitas, mas onde. As fábricas já se moveram para países de baixos salários para cortar custos. Mas o custo do trabalho está se tornando menos e menos importante: um iPad de primeira geração, de 499 dólares, tinha custo de mão-de-obra de apenas 33 dólares, dos quais a montagem na China representava apenas 8 dólares. A produção no exterior está crescentemente se movendo de volta aos países ricos, não apenas porque os salários na China crescem, mas porque as empresas agora querem ficar mais perto dos consumidores, para responder mais rapidamente às mudanças na demanda. Alguns produtos são tão sofisticados que ajuda juntar por perto os encarregados do design e os da produção. O Boston Consulting Group avalia que em áreas como transporte, computadores, metais e maquinaria, de 10% a 30% dos bens que os Estados Unidos agora importam da China poderão ser feitos em casa até 2020, aumentando o PIB americano em 20 a 55 bilhões de dólares por ano.

O choque do novo

Os consumidores terão pequena dificuldade para se adaptar a essa nova idade de produtos melhores, entregues com mais rapidez. Os governos, no entanto, terão dificuldade. Seu instinto é proteger indústrias e companhias que já existem, não os novatos que pretendem destruí-las. Os governos fazem chover subsídios em fábricas velhas e intimidam os chefes que querem exportar a linha de produção. Gastam bilhões apoiando tecnologias que, acreditam, devem prevalecer. E se apegam à crença romântica de que a manufatura é superior aos serviços e ainda mais às finanças.

Nada disso faz sentido. A fronteira entre manufatura e serviços está se desfazendo. A Rolls Royce já não vende motores de jatos; vende as horas que cada motor passa empurrando aeronaves pelo céu. Os governos sempre foram muito ruins na escolha dos vencedores e isso pode piorar, no momento em que legiões de empreendedores e inventores trocam projetos online, transformam esses projetos em produtos na garagem de casa e os vendem globalmente. Enquanto a revolução avança, os governos deveriam se manter no básico: melhores escolas para uma força de trabalho especializada, regras claras e um campo de disputa nivelado para empresas de todos os tipos. Que deixem o restante para os revolucionários.

PS do Viomundo: Descartando a ode ao capitalismo sem operários, o relatório da revista sobre o assunto impressiona. Este será o primeiro século da Ásia. Quando a África se organizar e se tornar o celeiro do mundo — o que acontece enquanto você lê isso — terá a imensa vantagem de estar logo ali, ao lado dos grandes mercados asiáticos. Indonésia, Vietnã, Tailândia e até mesmo as Filipinas estão a caminho, para se juntar a China, Índia e Japão. Enquanto os jovens japoneses e sul coreanos navegam em altíssimas velocidades, multiplicando exponecialmente em rede o seu potencial, os nossos ficam à mercê da Telefônica, que exporta o lucro obtido no Brasil para tapar o rombo na Espanha. Como já perguntou o economista Márcio Pochmann, mais de uma vez: é Vaco ou Fama? Conhecendo a elite brasileira, desinformada, medíocre e complacente, aposto na Fama.

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35 comentários

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Hélio Pereira

26 de abril de 2012 às 19h25

Capitalismo sem trabalho e sem trabalhador,isto é o sonho de todo empresário!
Alguém terá de adquirir o que foi produzido,onde este pessoal ira buscar os recursos se não tiver empregos?
Será que nos tornaremos todos inventores,sem ninguém com recursos pra adquirir nossos inventos?

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abolicionista

26 de abril de 2012 às 17h09

O Robert Kurz já analisou há tempos as consequências da Terceira Revolução Industrial, e de modo bem mais consequente. Leiam os seus textos na "exit", ele já tinha cantado essa bola e, ainda que eu não endosse todas as suas posições, é preciso reconhecer que a história recente tem confirmado suas previsões – infelizmente, elas não são nada otimistas.

Responder

jaime

26 de abril de 2012 às 12h20

Ótimo texto, melhores ainda os comentários que não perdem de vista o eterno conflito capital X trabalho, uma das tantas contradições do sistema capitalista. Aliás, já vi texto dizendo que a crise de 1929 (acho que foi o Santayana que escreveu) nada mais foi do que o descompasso entre uma grande produção e pequenos salários, acumulados desde décadas anteriores e que explodiram em determinado momento, simplesmente por falta de – consumo!, salários, poder aquisitivo. Francamente, o capitalista típico é aquele que tem que ser protegido de si mesmo pelo Estado, quando este distribui renda. Quando não distribui renda e funciona como "laranja" do capital, é o que se vê na Europa.

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Hildermes Medeiros

26 de abril de 2012 às 10h31

Tá tudo bem. A revista parece ressaltar que as mudanças tecnológicas são parte da sustentação do neoliberalismo, que como se vê está naufragando em todo mundo, inclusive e principalmente nos países ricos. São meias verdades, válidas apenas na forma de produzir. Seus efeitos sociais já começam a serem sentidos em todo mundo e a razão principal é uma só: a tecnologia digital e suas influências em todas as áreas estão aumentando desproporcionalmente a produtividade do capital, que já carece menos de mão de obra de pouca qualificação, exigindo ao contrário trabalhadores capazes de operar as novas máquinas de controle digital, longe de ser em grandes massas, tudo levando à reprodução do capital mais do que proporcional às necessidades de trabalho. Esse o ponto, esse o nó. Até aqui, o mundo do capital e do trabalho conviveram num certo equilíbrio, porque as horas trabalhadas eram adequadas às máquinas, sendo possíveis postos de trabalho para maioria. Já se iniciou, faz tempo, os efeitos são visíveis e vem fazendo seus estragos em todas os lugares, um descompasso entre as necessidades de mão de obra para reprodução do capital e o capital que se acumula pelo aumento da mais valia. Há recursos demais fluindo para mão dos capitalistas, que com a atual estruturação de exploração da mão de obra, leva à acumulação financeira, porque os trabalhadores empregados e os rendimentos a estes pagos estão relativamente e crescentemente sendo reduzidos, resultando no forte desemprego e na economia informal. Ninguém desconhece os efeitos sociais maléficos do desequilíbrio reinante entre capital e trabalho. Teoricamente ainda não surgiu uma solução, mas todas passam por aumentar a participação da mão de obra no produto, seja reduzindo as horas trabalhadas para empregar mais indivíduos, seja pagando maiores salários a todos, de modo a permitir maior absorção da produção. Já está claro que a sofisticação do produto não é o caminho, não resolve, ao contrário cria mais distorções. Talvez nem Keynes nem Marx e seus sucedâneos sejam suficientes. Está em aberto. Ninguém convenceu ninguém até aqui. Exércitos nem bombas impedirão a necessária solução. Reza forte não resolverá o problema.

Responder

Mariac

25 de abril de 2012 às 17h21

Juro que li este artigo em outro lugar e com assinatura de aoutra pessoa. Será o Coutinho? Será no Estadão de Domingo?

Responder

Julio Silveira

25 de abril de 2012 às 14h45

Por acaso ontem estava conversando com um colega de trabalho sobre a cultura nacional para criatividade.
Disse para ele que observando o comportamento de nossos "adversários" americanos (através de nossa tv que passa mais produtos deles que nossos, que acompanham mais a vida deles que a nossa), cheguei a conclusão que aqui se voce inventa algo em seu fundo de quintal e comenta com seu vizinho, terá que mudar de vizinhança por que quase certo te apontarão como maluco, e será motivo de chacota pela sua iniciativa, lá seus vizinhos fariam fila para te cumprimentar. O estado, reflete essa cultura, parece que está mudando, mas bancava multinacional com recursos publicos, enquanto via afundar parque produtivos de pequenos e medios empreendedores. É duro ter que constatar que a inteligência no Brasil tem que se mudar, acho que incomoda os mediocres, que parecem preferem imitar os de fora para não terem que admitir melhores aqui dentro.

Responder

    Julio Silveira

    25 de abril de 2012 às 15h13

    Há, esqueci, exceto no futebol.

Hans Bintje

25 de abril de 2012 às 12h30

O Azenha não presta atenção ao próprio site dele.

Em menos de 30 segundos, ao olhar as "Imagens da Vez" do Viomundo, ele perceberia que a questão é estética.

Este texto, por exemplo, foi digitado num microcomputador bem velho, mas que roda os programas mais modernos do mundo.

Estou lidando com lixo e isso me dá uma liberdade de criação imensa. Posso brincar com as peças, remontá-las das maneiras mais inusitadas, não sou cobrado para organizá-las de "maneira correta".

E, por isso mesmo, elas funcionam maravilhosamente bem.

Eu já escrevi aqui que a Holanda era um imenso lamaçal, no sentido mais literal desse termo. Não havia mais o que perder, estávamos lascados.

Foi aí que alguém, provavelmente bêbado, resolveu chamar os amigos e decidiu criar um país ali. Gostamos da ideia e seguimos em frente com esse projeto maluco.

Sanguinário, pavoroso, horripilante. Mas, como diria Orson Welles sobre uma experiência semelhante: "A Itália viveu 30 anos sob os Borgias e tiveram guerras, terror, assassinato e derramamento de sangue, mas nos deram Michelangelo, Da Vinci e a Renascença."

São as "Imagens da Vez" do Viomundo.

"It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die.
The world will always welcome lovers
As time goes by."

Responder

O_Brasileiro

25 de abril de 2012 às 12h25

O dinheiro que os governos não investem em Educação é gasto em subsídios para garantir os empregos de "apertadores de parafusos" nos chãos de fábrica… e as remessas de lucros das multinacionais, é claro!

Responder

O_Brasileiro

25 de abril de 2012 às 12h21

O Brasil, com sempre, esbarrando na Educação, sucateada e desvalorizada pelos governos nos três níveis.
Todo mundo quer uma boa Educação para seus filhos, mas na hora de lutar por esta, somem!
E sem Educação, não é a toa que haja tanta gente neste país com medo de perder o trabalho de apertar parafuso…

Responder

Pedro

25 de abril de 2012 às 10h36

Segundo o Economist nada ficará como está. Só ele próprio continuará, eternamente, dizendo as coisas inteligentes que sempre disse.

Responder

José Ricardo Romero

25 de abril de 2012 às 09h35

Se essas máquinas desempregam os trabalhadores, as empresas vão vender seus produtos para quem?

Responder

Marcelo de Matos

25 de abril de 2012 às 09h29

“Enquanto a revolução avança, os governos deveriam se manter no básico: melhores escolas para uma força de trabalho especializada”. Aí é que o nó aperta: como vamos criar essas “melhores escolas”. Penso que isso tem como pré-requisito “melhores alunos”. Os países asiáticos investiram maciçamente em educação. A China começou a fazê-lo na década de 50. Desde então, em nenhum lugar do mundo havia tantos estudantes de matemática e ciências. Ocorre que os estudantes asiáticos são disciplinados; os nossos não. Acabo de assistir na TV à notícia de que três alunos, em Barretos-SP, foram impedidos de entrar no colégio porque estavam sem uniforme. Como represália, apedrejaram o colégio. Aí eu sou obrigado a fazer uma colocação incômoda: ou sentamos a borracha, ou selecionamos quem quer estudar e dispensamos os demais. Com esse tipo de alunos não vamos emular com os orientais.

Responder

Marcelo de Matos

25 de abril de 2012 às 08h36

Customizar quer dizer “adaptar (produto, serviço, programa de informática etc.) ao gosto do cliente ou a especificações por ele determinadas; personalizar”. Nos meus tempos de bancos escolares não se usava essa palavra. Pinto Antunes, meu professor de Economia Política na FDUSP, costumava falar que a finalidade da indústria era produzir “ofelimidades”. (sinônimo de “desejabilidade”). Não procure essas palavras no dicionário. A palavra ofelimidade (ophélimité) foi criada pelo economista francês Vilfredo Pareto (1848-1923) para designar o caráter de uma coisa qualquer que corresponde ao nosso desejo. Pinto Antunes costumava dizer, também, que o carro é “uma extensão da personalidade”. Cheguei a pensar qual seria o modelo ideal para minha pessoa. Talvez uma perua com uma pipa de vinho no porta-malas.

Responder

Marcelo de Matos

25 de abril de 2012 às 08h19

“Os dias de um projeto paralisado por causa de uma peça ou de um kit, ou de consumidores que reclamam por não encontrar peças de reposição, vão ficar para trás”. Quando eu era criança, lá no interior, ficava encucado com o número de carros que ficavam abandonados nos quintais. Alguns viravam galinheiro. Perguntei a um senhor que tinha um desses carros no quintal por que não o consertava. Ele respondeu: daria perfeitamente para consertar, mas, faltam peças. Pelo que foi dito nesse texto, esse problema seria facilmente resolvido.

Responder

Marcelo de Matos

25 de abril de 2012 às 08h12

“O Boston Consulting Group avalia que em áreas como transporte, computadores, metais e maquinaria, de 10% a 30% dos bens que os Estados Unidos agora importam da China poderão ser feitos em casa até 2020, aumentando o PIB americano em 20 a 55 bilhões de dólares por ano”. A China continuará a vender pontes para os EUA, as quais vêm prontas e só são apenas montadas nos States. A Vale não quer produzir aço e chapas metálicas. Apenas superfatura o preço do minério de ferro exportado para a China e deixa que os chineses façam o trabalho sujo da metalurgia. Tem muito trabalho que continuará a ser feito na periferia do “primeiro mundo”.

Responder

Marcelo de Matos

25 de abril de 2012 às 08h04

Acredito que as máquinas nunca substituirão totalmente o trabalho do homem. Os computadores já têm corretores de texto, temos dicionários eletrônicos gratuitos, como o Aulete digital, e as pessoas continuam a escrever errado. Será necessário, sempre, alguém dirigindo o trabalho. Você pode contratar uma faxineira que sabe fazer todo o serviço da casa, ou um pedreiro que entende tudo de obra, mas, se você não estiver ali para dirigir e fiscalizar só sai caca.

Responder

Marcelo de Matos

25 de abril de 2012 às 07h57

Azenha: não seria é vácuo ou fama?

Responder

    Conceição Lemes

    25 de abril de 2012 às 08h52

    Marcelo, é Vaco, mesmo. No PS do Viomundo, há um link para o artigo do Marcio Pochmann. Lá ele explica o significado de Vaco. abs

    Marcelo de Matos

    25 de abril de 2012 às 09h16

    A palavra vaco foi o economista que criou: não existe no dicionário. É uma sigla de valor agregado + conhecimento. É preciso que isso fique claro para que a moçada não vá escrever errado. Os economistas têm fama de escrever errado. José Simão os chamava de “pessoal do primário mal feito”, porque falavam em “percas” financeiras. Parece que, no caso, o economista jogou com os termos vácuo e fama devido à consagrada frase, que pode ser de Nietzche (não sei): "A fama não existe. É um vácuo. É um enorme alçapão onde não existe nada. O que existe é o reconhecimento e a notoriedade que premeiam a consistência daquilo que fazemos e daquilo que somos."

Bruno Leite

25 de abril de 2012 às 01h47

A primeira revolução industrial foi na criação dos teares movidos à força humana; antes disso, tudo era artesanal, feito à mão e com pequenas ferramentas manuais.
A segunda, no Séc. XIX (século dezenove) foi na introdução das máquinas movidas à energia, primeiro do carvão (vapor), depois eletricidade e petróleo.
Há quem entenda que as máquinas a vapor – por rudimentares – façam parte ainda da primeira revolução, sendo na segunda revolução a introdução de máquinas mais elaboradas e movidas pelas "novas" fontes, eletricidade e petróleo.
O método fordista de divisão/organização da produção não entra no rol de revoluções industriais. Se entrasse, já seria a terceira revolução industrial.

Donde se vê que o autor do texto não faz a menor idéia do que está falando, que este texto não passa de uma peça de propaganda empresarial ou setorial (press release) misturada com uma análise política que prima pela superficialidade (futil, mesmo!), travestida de artigo jornalístico – daquelas que já estamos tão habituados a encontrar nas publicações "especializadas" da grande mídia brasileira; padrão EXAME de reportagem.

Responder

Joao Goiano

25 de abril de 2012 às 00h40

Acho que é a 4° revolução industrial, pois a 3° foi a da informática que levou os robôs para dentro das fábricas.

Responder

Matheus

25 de abril de 2012 às 00h29

Lembro-me que, há uns 16 anos atrás, uma revista divulgou na sua capa que teríamos carros voadores no ano 2000. A "The Economist" não raro gosta de publicar abobrinhas também. E como gosta!

Esse paraíso tecnológico ao estilo Star Trek vai, no máximo, ser o privilégio das elites globais e da classe média dos países mais ricos. Avançando a automatização, sem avançar a redução da jornada de trabalho e dos serviços públicos (saúde, educação, previdência, infraestrutura, ciência, etc.), teremos hordas cada vez maiores de desempregados, excluídos e precarizados. E uma tecnologia de propaganda e repressão também será mais eficaz, para obrigar todo mundo a aceitar as políticas "austeritárias" e calar a insatisfação com as crises econômicas e ecológicas combinadas. Estamos f***.

Responder

Rafael

25 de abril de 2012 às 00h01

Esse texo parece mais a expressão de um sonho do que realidade. Pensam que um dia a indústria voltará para os países desenvolvidos, que criarão tudo com milagre da impressora 3D, uma vontade de dominar a produção mundial, de não precisar mais da China, dos BRICs e acham que esses países hoje subdesnolvidos aceitarão isso passivamente, vender matéria prima e comprar o produto das suas impressoras enriquecendo ainda mais os países desnvolvidos. É ser muito ingênuo.
Se prestar atenção nesse texto ele não quer dizer nada com nada, totalmente desconectado da realidade, muito superficial. Engraçado, vc pode estar no meio do deserto do saara que a impressora fabrica um chip ou um processador é só teclar enter. Para mim a grande questão é se as pessoas não trabalharem não consomem, se não consumirem não há produção, se as máquinas fizerem tudo que valor teria alguma produto já que não precisa do homem trabalhar para produzir??, se tudo for fabricado pelo computador então não há lucro então como ficam as coisas?? Não é um questão tipo "Stalim proibiu pesquisas em informática e computadores" é uma questão de funcionamento da sociedade, funcionamento do capitalismo.Cada vez menos emprego, as pessoas não consomem e as pessoas não consumindo o capitalismo vai à falência, não dá para passar toda a produção para uma máquina, se não houver o trabalho, se não tiver emprego não há consumo, não há lucro. O lucro não vem do produto em si, não vem da matéria prima em si, mas do trabalho das pessoas. Petróleo na reserva não vale nada, o que dá valor ao produto é o trabalho. Isso já foi dito a muito tempo.

Responder

Marcos O. Costa

24 de abril de 2012 às 23h56

Faltou à Economist revelar qual será a fonte de energia que alimentará a Terceira Revolução Industrial. A primeira foi movida à vapor e a segunda à petróleo. A terceira…

Responder

Eudes H. Travassos

24 de abril de 2012 às 23h48

Tentando lhe responder Rafael, eu penso que o consumo desta produção não será nenhum problema, esta tecnologia já vem prontinha para garantir uma seletividade que perdurará na terra.
O capitalismo sabe que com o tanto de gente que existe hoje e o sistema não se segura, não terá pernas nem energia no planeta pra dar conta, por isso , seus novos modelos serão cada vez mais excludente até se chegar a um número calculadamente ideal de seres vivos no planeta, onde a escacês de hoje vire abundância.

Responder

    Tião Medonho

    25 de abril de 2012 às 06h59

    está no rumo…no passado as grandes guerras garantiam o equilíbrio dessa "ecologia humana"..hoje só se pode contar com a criminalidade para ceifar vidas em escala cada vez maior, automóveis assassinos e cachaça marvada.. (no Brasil, por exemplo tais fatores estão longe de ser despreziveis como elemento de contenção do contingente humano..esses elementos juntos garantem quase 100.000 brasileiros a menos por ano) mas não é suficiente..os excluídos serão cercados e contidos em guetos, com cercas, muros e guardas armados como nos filmes de futurismo distópico…o capitalismo certamente é um problema, mas o problema maior é a humanidade mesmo que é disfuncional na origem só piora com o tempo. Não aprende nada e não esquece nada.

Fabio_Passos

24 de abril de 2012 às 23h17

Um país subdesenvolvido como o Brasil precisa dar atenção as propostas avançadas e libertárias dos Partidos Piratas. A defesa da cultura livre é extremamente interessante para países tecnologicamente atrasados. Esta tendência do Brasil em reconhecer a propriedade intelectual interessa aos países superdesenvolvidos… ou seja, os donos. Nós não temos de reconhecer que uma mega-corporação capitalista qualquer tenha posse de parte do conhecimento humano…
Romper com as determinações das nações imperialistas e apostar na capacidade e criatividade do nosso povo é o que precisamos fazer.

Responder

Fabio_Passos

24 de abril de 2012 às 22h59

Não podemos aceitar passivamente a posição de nação subdesenvolvida fornecedora de matérias primas.

O Brasil tem potencial para se tornar uma das nações mais desenvolvidas do mundo.
Não é possível continuar a deriva ao sabor do "mercado". Nesta direção só vamos agravar a desindustrialização e o processo de Africanização do Brasil. Precisamos restabelecer o controle da sociedade sobre a economia e planejar nosso futuro. É preciso romper de uma vez com as políticas neoliberais que arruinaram nosso país.

É tempo de ousadia. Porque devemos sempre jogar conforme as regras definidas pelas nações imperialistas?
As nações superdesenvolvidas impõe estas regras exatamente para que se perpetuem hegemonicas, enquanto nós permanecemos a margem… na periferia.

Responder

Pedro

24 de abril de 2012 às 22h51

Tudo vai mudar, nada, a não ser o Economist, continuará eternamente dizendo as suas!

Responder

damastor dagobé

24 de abril de 2012 às 22h36

desde que Stalin, pessoalmente proibiu pesquisas sobre informatica e computadores na ex URSS, que a "sinistra" nacional tem em seu DNA o viés anti-tecnologia, anti-progresso tecnico, de corte ludita (o movimento "revolucionario" ingles que destruia os teares recem inventados pq eles iam roubar empregos)..acham, por exemplo que manter as absurdas ocupações de trocador de onibus, frentista de posto de gasolina ou ascensorista de elevador como o maximo da proteção ao proletariado. Se dependesse desses, negros estropiados ainda levavam no lombo cargas pesadissimas morro acima no Rio de Janeiro, para nao ter seu "emprego" sabotado pelas carroças que tentavam entrar no maravilhoso negócio…enfim, nao se pode fazer nenhum critica a nossa (Millor Fernandes dizia que se os russos chamavam sua intelectualidade de inteligentsya, os nossos teriam de se chamar burritsya) burritisya sem ser apedrejado como vendido ao imperialismo..e la nave vá…pro buraco como sempre..

Responder

Eudes H. Travassos

24 de abril de 2012 às 22h32

É fascinante e ao mesmo tempoo assustdor. E a mão de obra de hoje, onde vai parar, comer o quê, de quê, com qual $$? Parece ser mesmo o fim do mundo do trabalho. Uma pessoa só vai dar o enter e a produção sai por uma imprsssora, não se precisa mais de trabalhadores.
Eu posso até perguntar quem vai comprar este produto, na verdade, seria uma pergunta ingênua, isso não seria problemas para o capitalismo, provavelmente seja a sua solução para se garantir a sobrevivência de uma humanidade seleta onde os acassos recursos de hoje tornem-se abundantes.
É, no capitalismo é assim, a tecnologia está em constante revolução e agora, em altíssima velocidade. A única coisa que está parada é a parcela de baixo da raça humana, a de cima não parou, mas tambem não se revolucionou, na verdade , se involucionou.

Responder

Richard

24 de abril de 2012 às 22h29

Enquanto isso na terra dos Sarney vivemos na idade da pedra http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,O…

Responder

Rafael

24 de abril de 2012 às 22h05

Nossa para mim isso parece coisa de lunático. Queria saber uma coisa: com tanta gente na terra o que acontece se cada vez mais diminuir a quantidade de emprego?? Outra coisa quem vai comprar esse produtos milagrosos se não tiverem emprego?? Ou venderão isso para os robôs??
Esse mundo que pretendem descrever só vai existir quando sumirem 90% da população, só que aí os lucros não serão tão altos por não existirem tantos consumidores.
Acho engraçado que essas previsões nunca incluem o homem. Onde fica o homem nisso tudo?? Onde fica o homem na revolução das máquinas??
Achei até engraçada essa impressora. Ela faz tudo.
Pensam no futuro baseado em condições existentes hoje. Espero que alguém responda minhas perguntas porque eu não consigo visualizar uma sociedade assim, claro como citei somente com uma população bastante reduziada se é que poderia funcionar o capitalismo de tal forma. E com aquele velho argumento neoliberal que o governo é um estorvo, somente atrapalha. Queria ver uma sociedade assim. Final das conta o que querem é vender um produto a 499 dolares fabricado a 41 dolares, lucro de 450 dolares. No final das conta é isso: lucro, exploração ou usurpação do trabalho do homem. Cada vez mais fica claro que hoje um trabalhador custa muito menos do que custava um escravo e afinal de contas o homem continua mais escravizado hoje do que já pode ter sido.

Responder

Jorge Moraes

24 de abril de 2012 às 21h18

O texto é interessante, mas peca, não só pelo que o Azenha precavidamente aduziu a seu final, quanto pelo viés anti BRICS. Noves fora outros problemas. A África entrou na bonança do capital evidentemente para excluir os que ousaram (e estão ousando) desafiar o vencido modelo privatização-a-todo-custo do império e de suas periferias desenvolvidas (em termos). Se figuras como Domenico de Masi, Alvin Tofler e outros tivessem sido convidados a ajudar, dariam um toque de ilusão mais "plausível" ao cenário cor-de-rosa (deve ser do sangue matizado dos excluídos) traçado.

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