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Docentes da FFLCH: Fortes indícios de inconsistência e falta de transparência


23/12/2011 - 11h13

Em 20 de dezembro, assembleia setorial de docentes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas  (FFLCH) tratou das expulsões dos seis estudantes da USP. Da reunião, resultou a declaração abaixo,endossada pela diretoria da ADUSP, que a divulgou a todos os sócios.

Declaração da reunião setorial de docentes da FFLCH de 20/12/2011

A assembleia setorial dos professores da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas se reuniu por convocação da nossa representação na associação docente, para tratar da expulsão de seis alunos da Universidade praticada por despacho do reitor no dia 16 de dezembro de 2011 em relação a processo aberto em consequência da ocupação de um prédio da COSEAS em 2010 (processo de número 2010.1.713.35.1).

Durante a reunião, avaliou-se a informação divulgada pela Reitoria sobre a expulsão, ouviu-se o relato de um dos alunos expulsos, bem como retomaram-se informações anteriores apresentadas em 2010 durante a discussão sobre esse processo na Congregação e em departamentos da nossa Faculdade a cujo quadro pertencem vários dos alunos expulsos.

Depois da troca de idéias e informações, concordamos nas seguintes apreciações, que trazemos a público:

1) Há fortes indícios de inconsistências nos procedimentos da administração central, de parte da qual também não se registraram, ao longo dos meses decorridos desde a ocupação da COSEAS, iniciativas com o real propósito de estabelecimento de diálogo e busca de negociação.

2) A penalidade aplicada tem caráter de perpetuidade, o que torna mais inadmissível ainda a falta de transparência em vários aspectos do procedimento, bem como a falta de resposta, por parte da Reitoria, aos muitos questionamentos que esse e outros processos embasados no entulho autoritário que o Regimento da USP de 1990 herdou do decreto 52906 de 1972 têm recebido por diversos setores da Universidade, inclusive várias congregações.

3) O despacho do reitor inclui, entre seus fundamentos, ter em vista o respaldo da maioria dos diretores de unidades de ensino e pesquisa, mediante um documento produzido dias antes. Além de esse documento não ter sido divulgado, é de se estranhar que apareça como fundamento de uma penalidade a obtenção de maioria em um conjunto, o dos diretores, que não é nem poderia ser tribunal de julgamento, ainda menos se considerada sua relação institucional com uma das partes. Que esse
fundamento tente aplicar-se a uma medida extremadamente grave e sem precedentes é forte indício da motivação política da mesma e sugere um alarmante cenário institucional de falta de garantias.

4) Os protagonistas do movimento denominado “Moradia Retomada” não realizaram, ao longo dos meses do processo, uma ação de esclarecimento junto aos setores representativos de estudantes, funcionários e docentes que informasse com transparência sobre cada um dos passos e decisões do movimento em relação ao espaço ocupado e seus objetos, esclarecimento absolutamente necessário para um coletivo, cujos protagonistas estavam sofrendo processos administrativos.

Pelo exposto, consideramos:

a) que as expulsões devem ser imediatamente revogadas para a revisão completa do processo;

b) que, como tem sido objeto de inúmeras exigências de colegiados e setores representativos da Universidade, o entulho do decreto 52906/72 deve ser definitivamente retirado do Regimento da USP e substituído por um código disciplinar acorde com a Constituição Federal.

c) que o movimento da “Moradia Retomada” deve realizar uma clara divulgação de todas as ações realizadas no momento da ocupação, muito especialmente no tocante à documentação e ao patrimônio existente no prédio. A gravidade da situação, que afeta severamente a vida acadêmica e profissional dos alunos expulsos, requer a mais absoluta transparência a respeito.

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14 comentários

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Valdeci Oliveira

25 de dezembro de 2011 às 10h39

A USP para mim era um Centro da Referência, agora está sendo o lugar da infâmia. fiz doutorado na FFLCH que ainda se mantém como guardiã da democracia e das liberdades. Mas grande parte virou um viracouto de do regime autoritário. Vergonha, vergonha!!!

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Polengo

24 de dezembro de 2011 às 13h59

Olha, agora a "higienização" já está indo mais fundo: derrubam o prédio;

USP inicia derrubada de espaço com pessoas dentro, dizem entidades

Representantes do centro acadêmico da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP) e do Núcleo de Consciência Negra afirmaram que a reitoria da instituição iniciou o processo de derrubada do espaço, usado como sede pelas duas entidades, sem aviso prévio. Trata-se de um barracão dividido em três e localizado atrás dos prédios da FEA, na Cidade Universitária, na Zona Oeste de São Paulo.
http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia

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Edno Lima

24 de dezembro de 2011 às 11h02

Que pena, os milhares de alunos do campus da USP vão ficar privados do convívio de seis de seus mais brilhantes alunos! A injustiça foi tamanha que cerca de 150 deles compareceram ao ato contra a expulsão. O processo durou mais de um ano e só após o reitor, acatando a recomendação da comissão que presidiu o processo, ter decidido pela expulsão é que os docentes da FFLCH descobriram os fortes indícios de inconsitência e falta de transparência? Um pouco descansado esse pessoal, hein!!

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Rios

24 de dezembro de 2011 às 10h42

Já imaginou o Serra definindo os reitores de todas as Universidades Federais e Institutos de Tecnologia de todo o País? Seria uma volta às trevas!!!

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Rodolfo Lobo

23 de dezembro de 2011 às 17h56

Está confusa essa informação. Creio que a ideia a ser passada era de que os professores da FFLCH_USP estão defendendo que as expulsões devem ser imediatamente revogadas para a revisão completa do processo contra os estudantes. A chamada da matéria dá a entender que os professores é que são inconsistentes e não transparentes.

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João-PR

23 de dezembro de 2011 às 17h53

Em São Paulo, pelo que vejo, a doutrina do pensamento único foi instalada junto com a "administrassão" (com dois esses mesmo) do PSDB.
Ou seja, se você não esta com os tucanos, está contra eles.
Pobreza de pensamento, pobreza de atitudes dos tucanos. E o que é pior: a população, com tal prática enraizada há décadas, parece que ficou "anestesiada".

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Fabio SP

23 de dezembro de 2011 às 16h47

Não entendi o que é uma "Assembléia Setorial". Somente alguns professores? A maioria dos professores? Os professores amiguinhos dos alunos expulsos? Os professores inimigos dos alunos expulsos?

Mas já tem alguma coisa de bom. Fala em remover o "entulho autoritário" do regimento da USP. Agora tem que ir pelas vias legais e lutar por isso, pois declaração não muda legislação…

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    simas

    23 de dezembro de 2011 às 18h43

    Vc não entendeu o q venha ser Assembléia Setorial? Aconselho ao prezado, ler mais vezes, várias vezes a referida ata, declaração da Assembléia Setorial; tantas vezes, qtas forem necessárias para o pleno entendimento…
    Ao tempo em q vc não entendeu a Declaração da Reunião Setorial, devo adiantar q lhe entendi, mto bem, qdo o "prezado" circunscreve alguns professores, adjetivando-os como sendo amiguinhos, ou inimigos dos alunos expulsos: vc pensou em desqualificar a Assembléia Setorial, mesmo. Vc, além de haver entendido, tudo, direitinho, demonstrou, claramente, um certo mal estar em lidar com a liberdade de pensamento e reunião. Qdo vc requer vias legais para remoção de entulhos autoritários, normativos; vc nada mais q reconhece e valida as vias ilegais, como os tais entulhos foram impostos…. Fábio, vc se diferencia de um gorila, pela ausência dos pelos, abundantes. Passar bem

    Fabio SP

    24 de dezembro de 2011 às 09h01

    Meu caro, se você lesse mais vezes você nunca escreveria "venha ser"…

    Fabio SP

    24 de dezembro de 2011 às 11h09

    Quer dizer então que, se alguém me manda ler várias vezes, o blog deixa o comentário no ar, mas ao responder que não existe "venha ser", ou seja, o inculto, no caso, é quem propõe a leitura, sou censurado?

    Conceição Lemes

    24 de dezembro de 2011 às 11h23

    Fábio, nenhum comentário seu deixou de ser publicado. O intenseDebate às vezes dá problemas; não temos controle sobre ele. Vc envia mas não chega até nós. abs

    Adrián Fanjul

    23 de dezembro de 2011 às 19h50

    Um assembleia é setorial quando é convocada apenas em uma Faculdade, no caso, a de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Se for convocada para a USP toda, é geral.

    luiz pinheiro

    24 de dezembro de 2011 às 04h09

    Não sabe o que é assembléia setorial? Parece o finado EUNAOSABIA, nunca pôs os pés numa universidade. Apesar da ignorância (ou talvez por causa dela) comporta-se como amiguinho do reitor expulsador.

Maria Dirce

23 de dezembro de 2011 às 13h03

Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.” Joseph Pulitzer

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