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Corrida pelos votos de Lula deve animar a campanha eleitoral de 2018, com Marina, Ciro e até Bolsonaro disputando eleitores do ex-presidente
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Política

Corrida pelos votos de Lula deve animar a campanha eleitoral de 2018, com Marina, Ciro e até Bolsonaro disputando eleitores do ex-presidente


17/08/2018 - 09h35

Folha de Pernambuco

Da Redação

Jair Bolsonaro apoia o Bolsa Família. Henrique Meirelles destaca que foi ministro. Marina Silva lembra sua origem humilde. O cabo Daciolo bebe na mesma fé que anima Lula.

A campanha de 2018, recém iniciada, promete uma corrida particular muito interessante: quem vai herdar os votos de Lula, quando o ex-presidente tiver seu registro impugnado no TSE?

Lula não é infalível, mas como demonstrou em 2010, quando elegeu Dilma Rousseff ao Planalto, conhece muito melhor o conjunto do eleitorado brasileiro do que muitos de seus adversários.

A estratégia pública do PT permite entender o que se passa nos bastidores e quais são as apostas do ex-presidente.

A reação furiosa de alguns comentaristas da mídia tradicional indica que ele acertou ao apresentar em Brasília, com uma multidão, seu pedido de registro.

O próprio desconhecimento do assunto — ou quase — pelos noticiários de TV, rádio e jornais, reforça a estratégia do PT, cujo tema principal é destacar a perseguição a Lula.

Numa eleição anti-sistema, como a de 2018, ser perseguido de fato ou parecer perseguido rende muitos votos.

O cabo Daciolo, que se “refugiou” em um monte dizendo que corre risco de vida, não tem nada de bobo ou psicótico: faz lembrar a perseguição a Jesus Cristo, a quem promete entregar o “governo”.

Em ao menos uma pesquisa, ele aparece com o dobro das intenções de voto de Guilherme Boulos, do Psol, que mesmo adversários reconhecem ter um discurso objetivo, racional e coerente.

Num país que enfrenta uma profunda crise econômica, especialmente entre os mais pobres, há espaço para o discurso salvacionista e milenarista.

Não por acaso, na linha do cabo Daciolo, assessores de Jair Bolsonaro tem causado celeuma nos bastidores dos debates.

Fizeram isso na TV Bandeirantes e na Record TV, com vídeos envolvendo jornalistas das duas emissoras — um acusado de simpatia por Guilherme Boulos e outra de ser lulista.

Os vídeos, de circulação ampla entre os apoiadores de Bolsonaro, reforçam aquilo que ele mesmo diz: sou perseguido pela mídia. Sou do contra.

Este tradicional “nós” contra “eles” na política tem o mesmo efeito que se vê nas seitas religiosas: o grupo que se sente perseguido fica mais coeso e mais determinado ainda a espalhar sua mensagem, “contra tudo e contra todos”.

Lula, obviamente, encarnou este papel no histórico encontro com militantes no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo: saiu dos braços do povo para a cadeia.

A decisão de esticar a corda até o limite tem dupla função: mantém Lula na mídia e força os agentes do golpe a medidas descaradamente persecutórias que fortalecem eleitoralmente o ex-presidente.

Porém, diante do PT está uma tarefa hercúlea: garantir que Lula é Haddad e Haddad é Lula.

Uma recente pesquisa divulgada em Pernambuco demonstra isso: Lula aparece com 55% das intenções de voto, mas o ex-prefeito de São Paulo, quando testado, tem 27%. Ambos lideram, mas com uma diferença de 28%. Isso, no estado de origem do ex-presidente.

Parte da diferença pode ser atribuída à desinformação ou à confusão de eleitores, que não entendem muito bem o que está acontecendo. A ausência do PT nos debates televisivos, até agora, faz aumentar a dúvida: há quem acredite que o partido nem candidato tem.

No debate da RedeTV, previsto para esta noite, a emissora promete deixar vazio um púlpito onde Lula deveria estar — o TSE negou a participação do ex-presidente.

Não por acaso, as viagens do vice Fernando Haddad começam pelo Nordeste.

Porém, é impossível garantir que, na ausência de Lula, os eleitores automaticamente escolham o candidato indicado por ele. Como sempre enfatiza o cientista político André Singer, o lulismo é muito mais amplo que o petismo.

Em Pernambuco, com Lula ausente Ciro Gomes salta de 4% para 9%, Marina Silva de 7% para 15%, Jair Bolsonaro de 13% para 14%, Alckmin passa de 3% para 5% e o número de brancos e nulos salta de 10% para 20%.

Não por acaso, Marina Silva resolveu intensificar suas viagens ao Nordeste.

Lula, mesmo se ficar ausente, é o “grande eleitor” de 2018. Mas a indicação de Fernando Haddad para substituí-lo não é garantia automática da transferência de todos os votos que o ex-presidente teria no primeiro turno.

Pesquisa Ipespe/Folha mostra intenção de voto para presidente em PE

Pesquisa foi realizada entre os dias 11 e 13 de agosto, por telefone, ouvindo 800 pessoas, definindo cotas de sexo, idade, localidade, instrução e renda

Na pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), divulgada em parceria com a Folha de Pernambuco, o ex-presidente Lula (PT) lidera, em Pernambuco, a disputa para a Presidência da República com 55% das menções.

Na segunda colocação, Jair Bolsonaro (PSL) registra 13%, seguido por Marina Silva (Rede), 7%; Ciro Gomes (PDT), 4%; e Geraldo Alckmin (PSDB), 3%.

O senador Alvaro Dias (Podemos) obteve 2% das intenções, e João Amoêdo (Novo) e Vera Lúcia (PSTU) registraram 1%, cada.

O ex-ministro Henrique Meirelles (MDB), Cabo Daciolo (Patriota), Guilherme Boulos (PSOL), João Goulart Filho (PPL) e José Maria Eymael (PDC) não pontuaram na amostragem.

Os brancos, nulos ou “nenhum” somam 10%, e os entrevistados que não sabem em quem vão votar ou não responderam são 4%.

O levantamento também questionou os eleitores sobre as intenções de votos em um cenário com o ex-ministro Fernando Haddad (PT) como candidato, sendo apoiado por Lula.

Nesse panorama, o petista aparece na frente, com 27% das menções. Sem Lula, Marina Silva sobe para 15% das intenções de votos, em um empate técnico com Bolsonaro, 14%.

Considerando a candidatura de Haddad, apesar de Marina ocupar o segundo lugar na pesquisa, quem herda mais votos do ex-presidente é Ciro Gomes, que sobe para 9%.

Outro dado que chama atenção é o percentual de votos brancos e nulos, que aumenta significativamente para 20% sem candidatura de Lula.

A pesquisa foi realizada entre os dias 11 e 13 de agosto, por telefone, ouvindo 800 pessoas, definindo cotas de sexo, idade, localidade, instrução e renda.

A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95,45%.

Como manda a lei, a pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números de protocolo BR-06973/2018 e PE-07336/2018.

Interior e capital

Liderando a pesquisa, Lula possui mais intenções de votos no interior, 57%, e na periferia, 55%.

O candidato tem, também, maior percentual entre o eleitorado feminino, 61%.

Já Bolsonaro possui o seu melhor desempenho entre os eleitores do Recife, com 19%.

No quesito idade, Lula registra mais eleitores entre duas faixas etárias — de 25 a 44 anos e de 45 e 59 anos –, com 56% cada, mas segue regular em todas as outras.

Bolsonaro, por sua vez, tem o seu maior percentual entre os eleitores com idade entre 25 e 44 anos, 17%.

Renda

No aspecto de renda, Lula tem o seu melhor desempenho entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, com 60% das menções.

Ele também se mantém regular entre os que recebem entre dois e cinco e mais do que cinco salários mínimos, 52% e 37%, respectivamente.

Bolsonaro, por sua vez, registra seu maior percentual entre os eleitores que recebem mais de cinco salários mínimos, 22%.

Considerando a ausência de Lula na disputa, Haddad herda o mesmo eleitorado do ex-presidente, com 29% entre os que recebem até dois salários e 27% entre dois e cinco salários mínimos.

Escolaridade

No recorte por instrução, enquanto o eleitorado de Lula é maior entre os que possuem o ensino fundamental, 62%, e o ensino médio, 50%, as menções para Bolsonaro são maiores entre os eleitores com curso superior, 21%.

Marina também registra mais menções entre os eleitores com superior, 11%.

No cenário com Haddad, o petista se mantem próximo de Lula, sendo 30% com ensino fundamental e 25% com o médio.

Marina, por sua vez, eleva os votos dos seus eleitores com ensino médio, de 8% para 15%.

Bolsonaro, que neste segundo panorama cai para a terceira colocação, mantêm mais votos entre os que têm curso superior, 25%.

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1 comentário

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lulipe

17 de agosto de 2018 às 10h13

O mito não se opõe a nenhum voto que venha da esquerda. Vamos em frente!!!

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