VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Bonifa: Dos males de julgar primeiro o mensalão do PT


27/09/2012 - 18h54

do leitor Bonifa, em comentário

Vejam o mal que é julgar o mensalão do PT antes de julgar o mensalão do PSDB. O julgamento do mensalão de Minas é que deu origem ao arcabouço do esquema do Valerioduto, e assim, seu julgamento em data anterior ao julgamento do mensalão do PT, seria necessário inclusive para a própria compreensão deste último. Por esta razão, da inexplicável inversão de prioriedade de julgamento, é que alguns aspectos se mostram nebulosos e o processo todo resulta como sendo de inédita complexidade, dando cabimento a aventuras teóricas inadmissíveis. Por exemplo, estão julgando de um certo modo a viagem do Marcos Valério e do Palmieri a Portugal, com apreciações subjetivas, alto grau de achismo, achando que a tal viagem serviu para tentar arrecadar grana da Portugal Telecom para o PT e o PTB. Mas o ministro Lewandowski acaba de falar que, oculto nos autos, estão os indícios de que a tal viagem está claramente vinculada a negócios do Daniel Dantas e seu banco Opportunity com a Portugal Telecom, a serem resolvidos por Valério, que trabalhava com Dantas ao tempo do mensalão mineiro. Esta situação faz parte do bojo do mensalão mineiro. Assim, se está julgando mal e muito mal certos aspectos do Valerioduto, já que certos fatos só se explicariam com o julgamento do caso anterior, que lhe deu origem.

PS do Viomundo: Alguém sabe como obter esta fala específica do Lewandowski em vídeo?

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53 comentários

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Marcelo de Matos

29 de setembro de 2012 às 12h08

A pergunta que não quer calar – por que absolveram Gushiken? A absolvição foi pedida pelo próprio procurador-geral Gurgel, que odeia petista, e endossada sem titubeio pelo herói da elite, o Batman Barbosa. Num primeiro momento imaginei que Gushiken estivesse doente, mas, não deve ser o caso. Em primeiro lugar, a alma de nossos ministros alberga muitos sentimentos nobres, mas, a piedade não se inclui entre eles. Nem o próprio delator do suposto mensalão, Roberto Jefferson, tido por alguns ministros, como Fux, como um benfeitor da pátria, que diz estar fazendo tratamento contra câncer, recebeu essa benesse. Parece-me que a absolvição teve por escopo desviar a atenção sobre outros esquemas de corrupção. Jânio Quadros falava sempre em “forças ocultas”. Deve haver alguma dessas forças atuando, no presente momento, sobre a Suprema Corte. Gushiken era secretário de comunicações e teve contato com Daniel Dantas: enfim, sabe muito e é melhor deixá-lo quieto. Quando vamos revelar esse mistério?

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Marcelo de Matos

29 de setembro de 2012 às 11h48

Um dos males desse julgamento, se é que não foi um bem, é que tive de pedir a dois vizinhos de prédio e alguns outros conhecidos que não me mandassem mais e-mails. Entrei naquela do cansei: o último e-mail desses que recebi tem o Joaquim Barbosa de capa preta, a descrição de sua biografia desde o tempo em que lavava banheiros no TSE até a atual situação de perseguidor dos inimigos da pátria. Tive de dizer – me poupem, não aguento mais. Agora mal cumprimento os vizinhos aqui do prédio e perdi alguns relacionamentos, mas, não vou deixar que façam da minha caixa postal uma cloaca.

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Zé Luis

28 de setembro de 2012 às 20h42

Azenha você precisa desse vídeo para guardar?
tenho como te enviar ele.

Responder

Alex Gonçalves

28 de setembro de 2012 às 20h09

Emprestrado:

O fato do caso do PT ser denunciado em 2006 e o PSDB em 2007, não justifica o do PT ser julgado antes pelos motivos:

1) O do PSDB foi desmembrado. Era um só réu, o Azeredo, enquanto o do PT eram 40. São 40 vezes menos testemunhas a serem ouvidas, 40 vezes menos advogados fazendo petições e pedindo audiência, 40 vezes menos perícias, laudos, etc, etc. Logo, poderia andar até 40 vezes mais rápido. Se foi denunciado em 2007, em 2 anos poderia já ter sido julgado. Em tempo: Agora são 2 ou 3 réus, não tenho certeza, pois em 2010 alguns foram eleitos e voltaram a ter foro privilegiado. Mesmo assim nada justifica a diferença de velocidade entre um processo complexo com 40 réus, e outro mais simples com 2 ou 3.

2) O risco maior de prescrição de crimes ocorridos 5 ou 6 anos antes, justificava tecnicamente priorizar o julgamento do mensalão tucano.

Essa inversão de prioridades tem nome: vontade política. O que não é nada bom para o poder judiciário, que deveria ser neutro em relação a partidos políticos.

Responder

Amaro Doce

28 de setembro de 2012 às 20h05

O MENSALÃO INTERFERIU NA ELEIÇÃO?

Seria importante que depois de terminada a eleição uma pessoa qualificada fizesse um balanço sobre a influência do julgamento do mensalão sobre os resultados no Brasil inteiro. A oposição (ou o que resta dela) e o PIG jogaram todas as fichas nesse julgamento. Pressionaram os juízes da Suprema Corte, exigiram que o julgamento começasse em agosto, e a opinião publicada está diariamente a exigir a cabeça de todos os julgados como se todos tivessem o mesmo grau de culpa na organização do caixa 2 do PT. O julgamento se transformou num espetáculo midiático dantesco com apenas um juíz tentando evitar que o apego a verdade factual seja definitivamente espisinhado pela criação de tantos casuísmos.

Para concluir eu vou postar um comentário que eu fiz ontem neste blog, modificado:

O que esperar dos juízes de uma Suprema Corte?

Equilíbrio, sensatez, educação, respeito aos princípios basilares do direito constitucional (de acordo com a constituição de cada país) e, principalmente, APEGO À VERDADE FACTUAL.

E o que estamos assistindo, estarrecidos? O emprego de casuísmos para corroborar a condenação de dezenas de pessoas previamente linchadas pelo banditismo midiático. É como disse aqui um internauta: primeiro a forca, depois o julgamento.

Eu diria que no espetáculo que estamos assistindo vai prevalecer a forca, mas por causa de um julgamento prévio, o da mídia. E notem: só um, apenas um membro da Suprema Corte tem a ousadia e a coragem de retorquir as ilações exdrúxulas de um relator sedento de sangue que, como ficou claro por uma declaração de um de seus pares, parece que nem sequer se deu ao trabalho de ler os argumentos da defesa. E também não prestou a atenção à defesa oral porque, enquanto os advogados defendiam, Joaquim Barbosa dormia.

E o nome desse JUIZ, com postura maiúscula de um Magistrado e que de vez em quando questiona as ilações casuísticas de um relator insandecido e cego pelos holofotes da mídia, se chama ENRIQUE RICARDO LEWANDOWSKI. Este sim, um excelente candidato para presidir num futuro próximo a Suprema Corte.

Responder

    Marcelo de Matos

    29 de setembro de 2012 às 11h43

    O UOL publica hoje: “Apesar da grande repercussão nmundo político, 81% do eleitorado paulistano afirma que não mudou o voto por causa do julgamento do mensalão. De acordo com os números colhidos pelo Datafolha nesta semana, apenas 19% dos eleitores da capital de São Paulo dizem que estão bem informados a respeito do julgamento. Uma parcela quase idêntica de paulistanos, 18%, afirma que sequer tomou conhecimento do assunto. O julgamento do mensalão avança no Supremo Tribunal Federal num período que coincide com o auge das campanhas eleitorais. Outra constatação é que para a maioria dos paulistanos (51%) o julgamento não exerce qualquer influência na definição do voto. Grande influência mesmo só para 22% dos entrevistados”. Na verdade, Haddad foi mais prejudicado pela manipulação de pesquisas pelo Datafolha que pelo processo do mensalão.

Bonifa

28 de setembro de 2012 às 15h29

Esta é a pergunta que se faz: O mix de doutrinas que serviram para embasar os votos vencedores irão perfazer um pacote de jurisprudências que daqui para a frente servirá de paradigma para todos os julgamentos de crimes de colarinho branco? A platéia se divide, muita gente boa diz que não há como ser diferente disso. Outros, céticos, acreditam que este será um julgamento de exceção e que depois dele tudo voltará a ser como dantes. Pelo menos, a consciência popular acerca dos fatos e de suas implicações jurídicas, que era quase zero, agora está bombando. As conversas pelos balcões da rede dizem o seguinte:
.
1) O julgamento do mensalão do PSDB teria que se dar mesmo depois, já que sua denúncia foi recebida em 2007 enquanto a do mensalão do PT foi recebida antes, em 2006.

2) Não adianta tentar a esquerda tentar remar contra a maré, uma enxurrada de provas embasa este processo extremamente bem urdido, com um exército de policiais, peritos, técnicos judiciários, promotores e juízes jamais visto na história de nossa justiça. O que se deve é exigir para outros casos idêntica dedicação na apuração dos fatos e na elaboração das denúncias, já que há motivos para desconfiar que a enorme dedicação voltada a este processo também foi uma providência de exceção, motivada apenas por razões políticas.
3) O Supremo carecia de uma base de jurisprudência penal fixada sobre crimes de colarinho branco. Esta carência possibilitava a felicidade geral dos grandes escritórios criminalistas, onde uma ou outra doutrina sempre podia ser levada em conta, embalada pelo talento individual. Daí o assombro dos advogados com os atuais rumos do julgamento.
4) Casos como o dos polêmicos habeas corpus dados pelo ministro Gilmar Mendes a Daniel Dantas, não seriam possíveis se aquela base de jurisprudência tivesse sido fixada antes pelo Supremo. Vai se estreitar em muito a brecha para tais decisões.
Assim sendo, na visão otimista, depois deste julgamento o país estará mais próximo de entrar para o rol das nações desenvolvidas, do ponto de vista judiciário, apto a ser bem mais eficiente quanto aos crimes de colarinho branco, o que deverá abalar os vetustos alicerces da impunidade.

Responder

Pedro Soto

28 de setembro de 2012 às 13h16

Essa citação do ministro Lewandowski é extremamente grave.
Vai ficar por isso mesmo?

Responder

    FrancoAtirador

    28 de setembro de 2012 às 17h09

    .
    .
    Vai.

    Caberia ao Ministério Público Federal adotar providências.

    Mas não há interesse algum do PGR de apurar outros crimes.

    O alvo é o PT e, principalmente, Luiz Inácio LULA da Silva.
    .
    .

Marcelo de Matos

28 de setembro de 2012 às 12h52

(parte 2) a lavagem de dinheiro voltará a prescindir de crime antecedente, ao contrário do que ora se dessume das teses gurgelianas e barbosinas; não mais assistiremos à negação do garantismo, ao rebaixamento do direito de defesa e ao avanço da noção da presunção de culpa em vez da de inocência. Enfim, não mais se montará esse circo de horrores, a não ser que a Procuradoria tente, novamente, fazer o PT sentar no banco dos réus. Durmam tranquilos senhores causídicos: nada disso se repetirá.

Responder

Marcelo de Matos

28 de setembro de 2012 às 12h51

(parte 1) O Consultor Jurídico publica: “O STF mudou para julgar o mensalão ou o mensalão mudou o STF? Os ministros da corte negam, mas os advogados criminalistas não hesitam em afirmar: o tribunal mudou seus paradigmas para condenar os réus da Ação Penal 470, o processo do mensalão. Levados por irresistível corrente condenatória, afirmam os advogados, os ministros optaram por um retrocesso em que se atropelaram princípios constitucionais construídos ao longo dos últimos anos”. Em minha modesta opinião, mudou única e exclusivamente para julgar o “mensalão”, na verdade o PT, o réu oculto desse processo. Terminado esse julgamento, tudo voltará a ser como dantes no quartel de Abrantes. O STF não mais atropelará “princípios constitucionais construídos ao longo dos últimos anos”; não mais admitirá o “ato de ofício”; não mais adotará a teoria do “domínio do fato”; estará afastado o perigo do direito penal de autor, ou seja, admitir-se que alguém possa ser punido pelo que é, e não pelo que fez;

Responder

    Bonifa

    28 de setembro de 2012 às 14h58

    Este é o problema. O mix de doutrinas que serviram para embasar os votos vencedores vão desembocar em um pacote de jurisprudências que daqui para a frente servirá de paradigma para todos os julgamentos de crimes de colarinho branco? A platéis se divide, muita gente boa diz que não há como ser diferente disso. Outros, céticos, acreditam que este será um julgamento de exceção e que depois dele tudo voltará a ser como dantes. Pelo mesnos a consciência popular acerca dos fatos e de suas implicações jurídicas, que era quase zero, agora está bombando. As conversas pelos balcões da rede dizem o seguinte:
    1) O julgamento do mensalão do PSDB teria que se depois, já que sua denúncia foi recebida em 2007 enquanto a do mensalão do PT foi recebida antes, em 2006.
    2) Não adianta tentar remar contra a maré, uma enxurrada de provas embasa este processo extremamente bem urdido, com um exército de policiais, peritos, técnicos judiciários, promotores e juízes jamais visto na história de nossa justiça. O que se deve é exigir para outros casos idêntica dedicação na apuração dos fatos e na elaboração das denúncias, já que há motivos que levam a crer q

Mariac

28 de setembro de 2012 às 10h28

Mas a Rádio que Trocava noticias, e agora dá show para enganar, repetiu a palavra mensalão hoje, no jornal, entre anuncios da reportagem reportagem em si, e resumo do que foi, umas 18 vezes.Á rádio militante CBN.

Responder

    Mário SF Alves

    28 de setembro de 2012 às 11h24

    Ô, Mariac. Pois é, dezoito vezes?!! Então? Eis aí um exemplo do mecanismo de funcionamento de uma típica lavanderia cerebral, heim?

J Souza

28 de setembro de 2012 às 10h09

Vídeo interessante!
Parece que o Sr. Daniel Dantas tem mais poder sobre o STF do que o próprio partido do governo…
Só um ministro ousa falar dele por lá.
Tempos nebulosos, tempos nebulosos…

Responder

Romanelli

28 de setembro de 2012 às 09h12

o próprio MENSALÃO tucano esta muito mal explicado ..a maior parte dos FRAGMENTOS quenos chegam são dados por ma mídia desorganizada, às vezes partidarizada e mal informada ..dificultando assim que tenhamos uma melhor compreensão dos fatos e fundamentos

e tem mais ..tem ainda o fato desta chicana jurídica desembocar ainda em inúmeras prescrição de pena, se não motivadas pelo decurso de prazo, ainda teremos a tal idade a beneficiar os tucanos

Agora, independente de uma ou outra imprecisão e JURISPRUDÊNCIA criada pra este julgamento singular, importante tb é sabermos que tudo esta lá, UMA PISCINA de crimes e personagens plurais, reincidentes, de presença quase que certa e obrigatória nos inúmeros casos de corrupção que sempre ouvimos por aqui nas últimas DÉCADAS

aqui, lamentável, mas antes isso do que nada, acho que aqui esta valendo a máxima popular que diz que QUEM BATE sabe pq esta batendo, e quem apanha, pq esta apanhando

Responder

LEANDRO

28 de setembro de 2012 às 08h57

Esse lula..agora que viu que o estrado político do mensalão já tá feito, tenta colher frutos dizendo que o governo dele que investigou e está punindo os mensaleiros…cada dia uma pele nova…até o Gurgel recebeu elogio na comparação com o anterior…

“No nosso governo as pessoas são julgadas e as coisas são apuradas. No deles, tripudiam”

“A gente não pode deixar de esquecer que o procurador-geral da República no tempo deles era chamado de engavetador. Vocês não podem esquecer da compra de votos para aprovar a reeleição neste País”

Que desespero….

Responder

    J Fernando

    28 de setembro de 2012 às 10h56

    O que ele disse é mentira?

    Mário SF Alves

    28 de setembro de 2012 às 11h45

    Desespero onde, Leandro? Desesperadora é a situação do consórcio PiG-demo-tucano:

    1- Por correr o risco de não mais voltar ao governo por meio de eleições limpas;
    2- Por apostar tudo no agora ou nunca, apelando, pressionado, injuriando e sendo “inconsequente”,inclusive, no que diz respeito à ordem institucional democrática.

    Isso sim é desespero. E este inconsequente entre aspas, conforme redigido acima, é simples alusão ao fato de que acham que depois do PT, com a casa em ordem,como nunca antes na história desse país, seria até simples “levar o Brasil adiante”. Condição esta que, mesmo viabilizada através de um golpe constitucional, não seria tarefa fácil. Mesmo porque, eles – o consórcio – jamais terão um partido tão forte e tão organizado como o PT. A não ser que fosse na Alemanha do início do século passado; ainda assim, talvez.

    Bonifa

    28 de setembro de 2012 às 12h35

    De que desespero falais? Francamente, não dá vos para entender. A não ser que fale de vosso desespero.

    LEANDRO

    28 de setembro de 2012 às 14h43

    Que desespero?? Desespero de sentir que podem ver o sol nascer quadrado. O lula só elogiou o gurgel porque viu que a maioria do povo apoia o STF e quer tirar algum proveito político da situação. Já sentiu que não dá mais pra fingir que não houve nada. E fala “no nosso governo as coisas são apuradas” como se ele não tivesse feito de tudo pra impedir o judiciário,mas, não deu.

Marcos W.

28 de setembro de 2012 às 06h40

So o mensalão do PSDB for julgado, e se forem condenados os réus, acredito que o julgamento do mensalão tucano depois do mensalão petista é muito melhor para os petistas, afinal, como de praxe, boa parte dos brasileiros costuma lembrar do que ocorreu mais recentemente!

Responder

    Mário SF Alves

    28 de setembro de 2012 às 11h17

    Olá, Marcos. A ingenuidade manda lembranças; com todo o meu respeito. Afinal, o PiG é o PiG por quê e para quê?

Jairo Beraldo

28 de setembro de 2012 às 00h20

“PS do Viomundo: Alguém sabe como obter esta fala específica do Lewandowski em vídeo?”

O interessante, é que foi a única coisa que vi deste julgamento no dia de hoje. Fux terminou sua “gentil” cooperação com o PIG e a ministra Carmem Lucia pediua a palavra por ter “problemas” a resolver no TSE, e lhe foi dada a palavra. E quando terminava sua tese, Lewandowiski pediu aparte e colocou exatamente como descrito no comentario do rapaz acima o DD na roda…foi fantastico…ele falava e queriam lhe calar e ele sempre dizia…um instante, já termino…FANTASTICO!!!

Responder

    Willian

    28 de setembro de 2012 às 10h51

    Jairo, o video foi postado. Diga, especificamente, onde tentaram calar o Lewandoviski.

    Mário SF Alves

    28 de setembro de 2012 às 12h15

    Grande Lewandowski! Acabou por trazer à luz todos os esqueletos que o arrogante e antissocial consórcio PiG-opportunity-demo-tucano ainda insistia em manter no armário. Ô, ministro, mas não é por aí que a bandinha não poderia de jeito nenhum ter tocado? Seja como for, com bandinha ou sem a bandinha, eu o considero brilhante, ministro! Chega de lengalenga. Futucaram além da conta os brios do povo e agora vão ter de se explicar. Se é que será possível.

    Em tempo: como ando em clima de “dê a César o que é de César”, sugiro, em nome da civilidade (ainda que em “estado de guerra”), que arranjemos logo um tempinho para assistir a maravilha de defesa do JB durante o julgamento do pedido de extradição do Battisti. Magnífico; imperdível. Bons tempos aqueles do JB. Segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=6cMJ2EzJWg0&feature=related

Zepol

27 de setembro de 2012 às 23h09

PS do Viomundo: Alguém sabe como obter esta fala específica do Lewandowski em vídeo?
Por acaso eu gravei a sessão inteira de hoje em DVD, caso interesse…tenho esse trecho específico também em MP4.
Obs: Gravado no canal da Globonews_Ninguém é perfeito…rss :)

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    27 de setembro de 2012 às 23h46

    Pode nos mandar em mp.4?

    Luiz Carlos Azenha

    27 de setembro de 2012 às 23h49

    Ou subir no you tube e mandar o link? abs e obrigado

    Zepol

    28 de setembro de 2012 às 00h42

    Marcelo de Matos

    28 de setembro de 2012 às 10h34

    Depois de assistir a esse vídeo uma pulga começou a me coçar. Gurgel e Barbosa babam de alegria ao denunciar ou condenar qualquer petista. Por que razão apressaram-se ambos em inocentar Gushiken? Claro que Gushiken só foi inocentado com a anuência posterior dos outros ministros. Fica no ar a impressão de que alguma força oculta solicitou que se inocentasse Gushiken. Por que razão? Porque Gushiken era o secretário de comunicações que teve contato com Daniel Dantas e seus negócios. Sua presença no processo poderia conduzir a outras investigações, sobre outros mensalões. Ou será que eu estou enganado?

mariazinha

27 de setembro de 2012 às 22h59

Falta também apurar esse que, por sinal, também foi antes do que esta sendo julgado. A justiça brasileira foi a causa de todos nossos males: protegeu a corrução no governo fhc e quer incriminar o PT, às vésperas de uma eleição; faz o jogo do pig e é conivente com a mídia alienígena e venal. Que justiça é essa, vaidosa com os holofotes?
http://novobloglimpinhoecheiroso.wordpress.com/tag/amaury-ribeiro-jr/

Responder

Jorge

27 de setembro de 2012 às 21h23

Azenha.

Respeito o entendimento do Bonifa, contudo, como advogado e sabendo que ministro não pode ficar mudando de “entendimento” (manto sagrado do segredo da magistratura)todo dia, entendo que a JURISPRUDÊNCIA pode e muito prejudicar (processualmente falando),o MENSALÃO MINEIRO-TUCANO (Azeredo-PSDB,Daniel Dantas, Serra, FHC e Cia Ltda). Ou seja, se o STF funcionar com esse fôlego de agora, o bicho pode pegar para a TURMA DA UDN.

Não acredito na hipótese acima porque a grande imprensa, aqui chamada de PIG é A PRÓPRIA OPOSIÇÃO AO GOVERNO, disfarçada de SANTINHA DO PAU-OCO e representante da CASA GRANDE, não vai deixar.

E pelo que vejo hoje no STF, onde um ministro disse a maior asneira da história do judiciário ” ..que o ônus da prova também pertence ao acusado…”, fico até temeroso pela DEMOCRACIA.

A Guatemala pode ser aqui?

Um abraço.

Responder

    sonia

    28 de setembro de 2012 às 02h37

    sem esquecer o Paraguay

    Caracol

    28 de setembro de 2012 às 08h03

    A Guatemala… eu não sei. Mas o Paraguai é aqui sim.

    anac

    28 de setembro de 2012 às 08h37

    Como advogado, Dr. Jorge, o senhor sabe muito bem que no Brasil pau que dá em chico, não dá em Francisco. Vide os dois HCs de Dantas. Cadeia só para preto, pobre e prostituta. Garantias individuais apenas para os milionarios. Aí o nosso Judiciário muda até as leis quanto mais a jurisprudência mtavel pela vontade do julgador.

    JORGE

    28 de setembro de 2012 às 09h41

    Até concordo com você, entretanto entendo que a fila anda, mesmo que bem devagarinho.

    O processo histórico-político é dinâmico e quem não percebe perde o bonde, desde que o mundo é mundo.

    É esperar para ver.

    obrigado pela atenção e um abraço.

J Souza

27 de setembro de 2012 às 21h08

Mais “mensalão”, por favor, Sr. Barbosa!

Pela 1ª vez, Pelegrino aparece à frente de ACM Neto em Salvador
http://www.cartacapital.com.br/politica/pela-1a-vez-pelegrino-aparece-a-frente-de-acm-neto-em-salvador/

Petista sobe oito pontos e lidera em Fortaleza, diz Datafolha
http://www.cartacapital.com.br/politica/petista-sobe-oito-pontos-e-lidera-em-fortaleza-diz-datafolha/

Haddad passa Serra pela primeira vez, aponta Ibope
http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/ult10103u1159376.shtml

Essa Globo…

Responder

    Mário SF Alves

    28 de setembro de 2012 às 12h34

    Dito isso e tendo o imprescindível bom humor ligeiramente à parte. Mais mensalão tucano você quis dizer, não?

Vlad

27 de setembro de 2012 às 20h57

Poxa…me deixaram sozinho falando que o mensalão não existiu.
Bem de mau.

Responder

Francisco

27 de setembro de 2012 às 20h42

A coisa toda é ridicula.

Não conheço tipificação penal “mensalão do PT”/””mensalão do PSDB”!

A causa é tentar provar que existe mensalão, ponto!

Era para os dois (ou três, com o DEMO) serem julgados juntos.

Forçosamente!!!

Não é o mesmo “criminoso”? Não é o mesmo modus operandi? Não são as mesmas empresas implicadas?

Forçosamente o julgamento teria de ser atribuido às alçadas adequadas (primeira, segunda e terceira estancia) e o STF não estaria sob desgaste de ser “partidário”.

Do que jeito que ficou, é como se um carro que atropela dez pessoas num ponto de ônibus fosse julgado uma vez para cada morte. Cada vitima tem suas especificidades, mas a ação é mesma.

Afinal, Marcos Valério não é petista, nem tucano, nem arenista, ele é “dinheirista”.

O preço disso tudo é a total falta de respeito que o STF já perdeu da esquerda brasileira. Num país onde quem sempre faz o elogio da legalidade é a esquerda (e só ela), isso é um perigo. A prova do que afirmo são as nomeações da direita (Gilmar-ofice boy de banqueiro e Mello-collorido) e da esquerda (Barbosa-Torquemada; e os demais…).

O preço a pagar será alto para o STF. E a justiça.

Responder

    Matheus

    28 de setembro de 2012 às 10h19

    Eu concordo que tanto o mensalão do PT quanto o do PSDemB (e seus parceiros em comum, em ambas as ocasiões), tanto os corruptores quanto os corrompidos, tanto os políticos quanto os “empresários”, devem ser investigados e punidos com todo o rigor da lei. Eu só temo que essa campanha anticorrupção fique partidarizada, servindo de instrumento a uma facção burguesa contra a outra (não importa quais sejam as siglas e cores das bandeiras e frases de efeito). Se depois do mensalão petista, for para o banco dos réus o mensalão tucano, e for tratado de forma igualmente implacável, eu não terei do que reclamar. Apenas lamentar que seja preciso “ficha limpa” e punição judicial para que os políticos corruptos deixem o poder.

    Mário SF Alves

    28 de setembro de 2012 às 12h42

    Ah! Terá sim; a não ser que se prove e que se garanta que esta paraortodoxia de julgamento não quebra a ordem institucional democrática; que não fragiliza temerosamente a democracia e a justiça no Brasil.

FrancoAtirador

27 de setembro de 2012 às 20h05

.
.
Da insuspeita Folha de S.Paulo:

06/06/2010 – 08h00
Depoimentos do mensalão reforçam elo entre Daniel Dantas e Marcos Valério

LUCAS FERRAZ
FELIPE SELIGMAN
DE BRASÍLIA

Depoimentos inéditos de executivos e autoridades portuguesas testemunhas no processo do mensalão revelam que o publicitário Marcos Valério intermediou um negócio na Europa de interesse direto do banqueiro Daniel Dantas.

Valério e Dantas são apontados, respectivamente, como operador e um dos financiadores do esquema de corrupção de congressistas.

A relação entre esses dois personagens nunca foi explicada pelas investigações e foi sempre negada por ambos.

À Justiça, porém, as testemunhas portuguesas revelaram que Valério foi a Portugal em 2004 participar das negociações da venda da Telemig Celular, à época controlada por Daniel Dantas.

Marcos Valério sempre alegou que esteve no país para expandir seus contratos de publicidade. Já Dantas afirmava que nunca contou com a ajuda do publicitário para vender a tele mineira.

Portugueses

Miguel Horta e Costa, então presidente da Portugal Telecom, admitiu que a Vivo (controlada pelo grupo português e pela espanhola Telefónica) já queria adquirir a Telemig e contou que o “interessante era o conhecimento que ele [Marcos Valério] tinha” da empresa.

Já António Mexia, então ministro de Obras de Portugal, disse que conheceu Valério como sendo uma pessoa que tinha “conhecimentos do ponto de vista empresarial” da Telemig. “[Ele] conhecia a imagem da empresa, e no contexto de alguém que poderia contribuir, para se perceber, via racional ou não, na junção das companhias'”, afirmou à Justiça.

A viagem e a negociação da venda da telefônica ocorreram em 2004. A compra da Telemig pela Vivo foi fechada em 2007.

Segundo a CPI dos Correios, que investigou o caso, a intermediação de Valério no negócio renderia propina para o PT e o PTB. A negociação também interessava diretamente ao banqueiro, dono do grupo Opportunity.

Valério viajou a Portugal com Emerson Palmieri, tesoureiro informal do PTB. O publicitário, contudo, esteve sozinho com as autoridades portuguesas, como confirmam os depoimentos.

Outro lado

O advogado de Valério, Marcelo Leonardo, minimizou as afirmações de que o seu cliente atuou na tentativa de vender a tele. Para Leonardo, os depoimentos deixam claro que o publicitário “não era um emissário do governo Lula”.

Em nota, o Opportunity, de Daniel Dantas, afirma que Valério “jamais foi autorizado a representar os interesses” do grupo e que as “acusações parecem ter objetivo: produzir pistas erradas para camuflar os que, de fato, patrocinaram o mensalão”.

Em 2005 foi revelado que empresas controladas por Daniel Dantas _entre elas a Telemig– pagaram mais de R$ 150 milhões desde 2000 às agências de Valério.

Parte desse dinheiro teria irrigado o mensalão.
Notas fiscais de serviços prestados pelas agências de publicidade de Valério às teles chegaram a ser queimadas.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/746168-depoimentos-do-mensalao-reforcam-elo-entre-daniel-dantas-e-marcos-valerio.shtml

Responder

    FrancoAtirador

    27 de setembro de 2012 às 20h15

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    Do insuspeito Lauro Jardim, no insuspeito Radar, na insuspeita Veja:

    20/09/2000

    Canadenses batem em retirada

    A canadense TIW – que andava aos tapas com o Opportunity, seu sócio em várias telefônicas – contratou o Banco Salomon Brothers para vender seu quinhão na Telemig e na Telenorte.
    Já surgiu comprador.
    É a Portugal Telecom.

    http://veja.abril.com.br/200900/radar.html

    FrancoAtirador

    27 de setembro de 2012 às 20h34

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    Da insuspeita Revista Época, da insuspeita Globo

    16/11/1998

    Por dentro do grampo

    As fitas gravadas na presidência do BNDES revelam bastidores da privatização da Telebrás e irreverências de autoridades do governo

    ia 29 de julho. O clima é de aparente tranqüilidade no interior da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. O martelo acaba de ser batido para mais uma tele privatizada, a Tele Norte-Leste, o patinho feito daquele leilão, arrebatada com ágio de apenas 1% por um consórcio composto dos grupos La Fonte, Andrade Gutierrez, Inepar, Previ e duas seguradoras do Banco do Brasil. Ninguém poderia imaginar, no entanto, que o ambiente tranqüilo que reinava na bolsa era só de aparências. No BNDES, os nervos estavam à flor da pele. Havia fortes suspeitas de armação. No auge da tensão, chegou-se a cogitar a possibilidade de cancelamento do leilão.

    Só agora, com o relato de quem ouviu as fitas grampeadas no período da privatização da Telebrás, começa-se a tomar conhecimento do que aconteceu nos bastidores daquele dia. Sabe-se, assim, que o resultado do leilão não foi o sucesso que se atribuiu naquele momento.

    Assim que a Tele Norte-Leste foi vendida, o economista Persio Arida, sócio do Opportunity (!!!), pega o telefone, revoltado, e disca para a principal sala do 11º andar do número 100 da Avenida República do Chile, no Rio de Janeiro, onde fica a presidência do BNDES. Arida havia formado um consórcio com a Telecom Italia e a Previ e apresentado proposta com ágio superior a 20%.

    – É tudo uma grande armação, André. Nossa proposta era muito superior à que ganhou. O que há nesse leilão?

    – Mas a proposta de vocês chegou a ser apresentada? O papel foi picotado? Venha para cá agora. Vamos apurar essa armação – respondeu André Lara Resende, a quem Arida ligara.

    Apreocupação tanto de Lara Resende quanto de Persio Arida era se a Telecom Italia havia ou não apresentado a proposta para a Tele Norte-Leste (Telemar), já que antes eles fizeram o lance para a Tele Centro-Sul e nenhuma empresa poderia comprar duas das teles leiloadas. Mais tarde, Lara Resende confirmou que a Telecom Italia realmente apresentara a proposta e o envelope fora triturado, como previam as regras da privatização.

    Esse é apenas um dos tópicos que constam nas duas fitas que chegaram às mãos do presidente Fernando Henrique Cardoso há pelo menos duas semanas que incluem conversas entre ele e dois de seus principais auxiliares, o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e o presidente do BNDES, André Lara Resende. O próprio Luiz Carlos Mendonça de Barros se antecipou à possibilidade de vazamento e revelou uma parte do teor das gravações. Entre esses trechos mais picantes, contou uma conversa com Fernando Henrique em que tratou o MST de forma jocosa, disse que havia chamado Pedro Parente de “babaca” e confirmou que se referia ao consórcio Telemar pelos nomes de “telegangue” e “rataiada”. As fitas mostram claramente as brigas entre Mendonça de Barros e Carlos Jereissati, dono do grupo La Fonte e presidente do conselho de administração da Telemar. Há também trechos engraçados, quando, por exemplo, Lara Resende começa a falar em francês como se tentasse iludir os grampeadores. “Deixe de ser idiota, André, eles também gravam em francês e ainda vão dizer que somos dois babacas e arrogantes”, advertiu Mendonça de Barros a Lara Resende em bom português e bem ao seu estilo. Estão ainda nas gravações a briga entre André Lara Resende e seu vice do BNDES, José Pio Borges, com o diretor da área internacional do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, o principal mentor do grupo que se formou às pressas para participar do leilão da Telebrás e acabou adquirindo a Tele Norte-Leste.

    As fitas em poder do governo são, na verdade, uma colcha de retalhos. Trata-se de uma edição com gravações selecionadas num conjunto muito maior de 28 fitas grampeadas no BNDES desde a época do leilão da Vale do Rio Doce. Não se sabe ao certo a origem das gravações. As maiores suspeitas do próprio governo recaem sobre ex-arapongas do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) que fazem esses trabalhos e depois revendem as fitas a possíveis interessados. O detetive particular Bechara Jalkh, um dos mais conhecidos do país, garante que os grampos foram feitos no próprio BNDES e com a conivência de funcionários do banco. Jalkh diz que conseguiu grampear os grampeadores, mas não revelou as fitas. Descobriu também que eles atuavam numa sala próxima ao BNDES. Após várias discussões no governo, Mendonça de Barros concluiu que as fitas foram grampeadas tendo como objetivo a espionagem industrial. “Depois passaram a ser utilizadas como chantagem política para impedir a criação do Ministério da Produção”, diz Mendonça de Barros.

    Não há dúvida de que alguns dos trechos mais fortes das fitas são aqueles que envolvem André Lara Resende e Persio Arida. Ao perceber que o consórcio de que seu grupo participava havia comprado a Tele Centro-Sul, e não a Tele Norte-Leste, como estava previsto, Persio Arida não se conteve. A Tele Centro-Sul engloba dez estados, entre eles o Rio Grande do Sul. A Tele Norte-Leste reúne 16 empresas, entre elas a Telerj e a Telemig. Arida tratou de levar imediatamente sua suspeita de armação a Lara Resende. Arida se sentira traído pelos italianos e pela Previ. Ele acabou se convencendo depois de que tudo não passara de um mal-entendido. O consórcio original, no qual estava o Opportunity, era composto dos italianos, além dos fundos de pensão, entre eles a Previ. Todos assinaram contrato de exclusividade. Nenhum deles poderia aderir ao outro grupo.

    O interesse do grupo do Opportunity sempre foi o de comprar a Tele Norte- Leste. Os motivos são simples. Primeiro porque era a tele que parecia despertar menos a atenção dos grandes. A Bell South demonstrava apetite pela Telesp, os espanhóis da Telefónica pretendiam comprar a Tele Centro-Sul, e a Embratel estava sendo cobiçada pela MCI. Só restava mesmo a Tele Norte-Leste, o patinho feio do leilão.

    Houve, no entanto, um problema inesperado. Sem que o Opportunity nem a Telecom Italia tivessem conhecimento, a Previ passou a aderir a outro consórcio que estava começando a se formar, primeiro com a empresa Rio Listas e depois com o grupo La Fonte. O próprio BNDESestava estimulando a formação de novos consórcios, como mostram as gravações. O objetivo do banco, segundo Mendonça de Barros, era fomentar a competição. As conversas nesse sentido ocorreram entre Mendonça de Barros e Ricardo Sérgio de Oliveira.

    Arida não sabia que a Previ também estaria em outro grupo. Até porque o fundo assinou a carta de compromisso garantindo os recursos para o leilão. Só que o representante da Previ chegou ao escritório do Opportunity para assinar o documento depois de iniciado o leilão. O estrago já tinha sido feito. Arida não teve tempo de comunicar aos italianos a participação oficial da Previ. Assustados com a possibilidade de perder a Telemar, os italianos decidiram apresentar uma proposta para a compra da Tele Centro-Sul sem falar com os sócios. O susto de Arida foi grande. Ele nunca fizera nenhum estudo sobre a Tele Centro-Sul. Nas fitas, Arida não esconde sua surpresa.

    Fatos como esses motivaram o BNDES a impor restrições ao consórcio Telemar. A mais grave foi o veto de Mendonça de Barros à diretoria que Carlos Jereissati queria à frente da Telemar. Ele desejava nomear José Brafman presidente da companhia e Miguel Ethel seu diretor financeiro. Mendonça de Barros rejeitou de cara: “Nem por cima do meu cadáver. A diretoria da Telemar não pode ser de financistas. Exigi profissionais do ramo, e o BNDESentrou com os 25% e poder de veto nas contratações”. Jereissati admitiu a Época, há dois meses, sua insatisfação com a atitude de Mendonça de Barros.

    O caso das fitas parece estar longe de um ponto final – tal como o episódio dos supostos documentos das Ilhas Cayman. Há até quem veja personagens que circulam nos dois ambientes. Um deles seria o ex-presidente do Banco do Brasil no governo Collor, Lafayette Coutinho. Ele também atua como consultor de várias empresas, incluindo o grupo La Fonte.
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    Ex-integrante de duas CPIs no Congresso, o deputado federal eleito Aloizio Mercadante foi surpreendido pela pergunta feita há 15 dias por alguém de sua absoluta confiança.
    O motivo da tal CPI, segundo essa fonte, seria o conteúdo do grampo.
    “Não ouvi as fitas, mas um relato sobre duas delas, edições de alguns dos principais temas”, diz.
    “Se o relato é verdadeiro, a privatização da Telebrás está comprometida.”

    Um dos trechos das conversas reproduz diálogos entre Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Resende e Persio Arida.
    Ao deputado eleito do PT chamou a atenção a insistência de Mendonça de Barros em incluir uma operadora estrangeira em cada consórcio. Mercadante conta que procurou Lara Resende, seu amigo de mais de 20 anos, na sexta-feira 30 de outubro e só foi recebido 72 horas depois.

    Inicialmente, Lara Resende chamou as fitas de “fofoca”. Quando percebeu que Mercadante conhecia o conteúdo, recuou, admitindo o grampo. A conversa entre amigos antigos foi tensa. O petista exigia que o governo apurasse eventual tráfico de influência. “Você acha que eu sou corrupto?”, rebateu Lara Resende, ressaltando que as conversas apenas evidenciavam o esforço do governo para viabilizar os leilões. “Não importa. Se o governo opera para selecionar empresas, está rompida a lisura”, criticou Mercadante.

    Lara Resende encerrou a conversa dizendo-se farto do governo e prometendo ir morar nos EUA.

    http://epoca.globo.com/edic/19981116/capa2.htm

    FrancoAtirador

    27 de setembro de 2012 às 21h02

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    Da insuspeita IstoÉ Dinheiro

    Nº EDIÇÃO: 208 | 11.AGO.01 – 10:00 | Atualizado em 09.03 – 17:48

    O CONTRATO É SAGRADO

    Luís Octavio da Motta Veiga administra os conflitos na telefonia fixa e celular

    Por Ivan Martins e Leonardo Attuch

    Luís Octavio da Motta Veiga é um advogado acostumado ao tiroteio.

    Ex-presidente da Petrobras e também ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários, ele hoje tem uma posição estratégica na área de telecomunicações.

    Motta Veiga hoje preside o Conselho de Administração da Brasil Telecom, terceira maior operadora do País.

    Como advogado do Opportunity, ele também defende o banco nos processos contra a canadense TIW, que briga pelo controle da Telemig Celular e da Tele Norte Celular.

    Motta Veiga diz que o aval que o Opportunity recebe do Citibank é um aval da qualidade da sua gestão. Ele também desqualifica seus adversários. “O ex-controlador da Telecom Italia, Roberto Colaninno, está sendo procurado pela polícia. A TIW, com seus problemas financeiros, praticamente saiu do jogo. Os fundos de pensão têm dificuldades para aprovar suas contas.” Nesta entrevista a DINHEIRO, Motta Veiga fala dos planos do Opportunity e afirma que os contratos têm de ser respeitados. “Não dá para comprar um bilhete de São Paulo a Londres e querer desembarcar em Roma ou Caracas.”
    DINHEIRO – O Opportunity enfrentou resistências de alguns sócios nos negócios. Por quê?
    LUÍS OCTAVIO DA MOTTA VEIGA – Existe essa imagem de que o Opportunity é briguento, mas não poderia ser diferente. O que você faria se alguém entrasse na sua casa e decidisse, de repente, levar sua televisão? Você negociaria com ele ou chamaria a polícia? Não dá para negociar. Nós temos contratos, que têm de ser respeitados.
    DINHEIRO – Quando começaram as diferenças na Brasil Telecom?
    MOTTA VEIGA – Tudo começou no episódio da compra da CRT, quando o Roberto Colaninno (ex-controlador da Telecom Italia) quis obrigar a empresa a pagar mais. Nós avaliávamos a CRT em US$ 700 milhões e o negócio foi fechado por mais de US$ 800 milhões. Essa compra está sendo alvo de uma investigação lá na Itália e eles têm de se explicar. O Colaninno adora pagar mais caro. Por isso ele caiu.
    DINHEIRO – A compra da Telecom Italia pela Pirelli muda esse quadro?
    MOTTA VEIGA – A Pirelli é uma grande empresa, que tem métodos mais convencionais. É um parceiro mais sério e mais confiável. Nosso interesse é o mesmo: valorizar uma empresa que é a sétima maior companhia privada do País, pelo ranking da FGV. A Telecom Italia, em agosto, terá de rolar US$ 35 bilhões no mercado de Nova York. Se não aparece uma Pirelli na jogada, a posição ficaria complicada.
    DINHEIRO – Os italianos falam que foram alijados do controle, embora tenham colocado 40% do dinheiro na privatização e dizem que os diretores deles foram demitidos…
    MOTTA VEIGA – Isso é parte verdade. Só quem demite um diretor é o presidente. Um acionista não pode nomear um diretor e esperar que ele dê satisfações a ele e não ao presidente da companhia. Não dá para ter dupla fidelidade. Nós nunca demitimos um cara deles para colocar um nosso no lugar. Quando isso aconteceu, pedimos um nome a eles. O diretor deve ser leal à companhia e não a um acionista.
    DINHEIRO – E o caso da canadense TIW, que briga com vocês pelo controle da Telemig Celular e da Tele Norte?
    MOTTA VEIGA – A ação da TIW no mercado internacional já caiu 99% e vale pouco mais de um dólar. Eles se meteram em alguns negócios ruins na Europa e perderam muito dinheiro, por desmandos e por falta de estratégia. A única saída que eu vejo para a TIW é vender as participações deles.
    DINHEIRO – Por que os fundos de pensão estão se aliando à TIW?
    MOTTA VEIGA – Fico surpreso com o grau de solidariedade deles com uma empresa como a TIW. Uma das subsidiárias deles na Europa praticamente faliu e os bancos nomearam como síndico a Kroll. Para mim, é um caso inédito ver uma empresa de investigação ser chamada a entrar num caso desses. No próprio Canadá, eles também estão mal, enfrentando muitos problemas com os credores.
    DINHEIRO – E por que as fundações estão insatisfeitas com vocês?
    MOTTA VEIGA – Acho que isso faz parte de uma cultura escravocrata. Eles são os senhores de engenho, compraram o escravo e se acham donos do escravo. É uma cultura que confunde propriedade e gestão. O mundo hoje é mais sofisticado. Eu posso botar o dinheiro em um negócio e não mandar, desde que eu tenha um retorno adequado.
    DINHEIRO – Devido às brigas, a Brasil Telecom e a Telemig Celular são negociadas com desconto, não?
    MOTTA VEIGA – Claro, existe mesmo um desconto no preço das ações dessas empresas. Mas isso não acontece por uma falha de gestão. O desconto ocorre pela briga de acionistas, que foi
    causada pelos fundos de pensão, pela Telecom Italia e pela TIW.
    É importante ver com quem os fundos, como a Previ, se aliaram.
    A Telecom Italia era controlada pelo Roberto Colaninno, uma
    pessoa que deve satisfações à polícia italiana. A TIW tem uma
    ação que virou pó. É uma empresa que está virtualmente fora do jogo. A Previ, o maior fundo de pensão, também tem dificuldades para aprovar suas contas. Outro dia, o próprio Everardo Maciel, secretário da Receita, disse que os fundos são os piores
    pagadores de Imposto de Renda.
    DINHEIRO – Se os investimentos dessas empresas estão sendo bem remunerados, por que os sócios abrem uma frente de disputa com o Opportunity?
    MOTTA VEIGA – Eles querem o controle das companhias para vender suas ações com um prêmio maior.
    DINHEIRO – Como está a relação do Citi com o Opportunity?
    MOTTA VEIGA – Muita boa. O Citi está entrando junto conosco em algumas ações judiciais e vê o Opportunity como alguém que defende seus interesses, ou seja, que luta pelas posições de controle nas empresas em que investiu. A visão deles é que nós estamos defendendo o que foi contratado. Além disso, eles mandaram correspondências para o Malan e para o Tápias dizendo que estão satisfeitos com a gestão.
    DINHEIRO – Daqui a quatro anos, vence o contrato de vocês de administração de recursos do Citi e dos fundos de pensão. Teoricamente, eles podem escolher um novo gestor, não?
    MOTTA VEIGA – Podem. Isso reforça a importância do contrato. Se são sete anos, vamos cumprir. Não dá para pegar um vôo de São Paulo a Londres e desembarcar em Roma.
    DINHEIRO – Que desfecho o senhor prevê para a situação?
    MOTTA VEIGA – Acho que não dá para ficar a vida inteira brigando com um vizinho. Um dia alguém muda. Já fizemos propostas de compra pelas participações da Telecom Italia e da TIW. O que está definido é que nós não vamos vender. Nós temos o controle e vamos manter o controle.
    DINHEIRO – O Opportunity construiu uma grande posição no setor de telefonia, mas, por ser um banco de investimentos, não perde credibilidade num negócio que depende de confiança?
    MOTTA VEIGA – O importante é o seguinte: qual é a visão que se tem lá fora de alguém que o Citi diz que defende bem seus interesses? Não pode ser melhor. O problema é que o Opportunity era um grupo estritamente financeiro que entrou num nicho de grandes negócios no Brasil. Essa entrada incomoda e não é confortável. Não é todo mundo que gosta. Muitos interesses foram contrariados. É algo fora do eixo tradicional do capitalismo brasileiro.
    DINHEIRO – Como vocês avaliam a posição da Anatel nessas disputas?
    MOTTA VEIGA – A agência reguladora tem que ver se o serviço está sendo prestado com qualidade. Acho que é isso que eles têm feito e o Renato Guerreiro já provou que é uma das pessoas mais competentes e sérias deste governo. Não é o papel da agência entrar em disputas societárias.
    DINHEIRO – Como está a participação do Opportunity na Telemar?
    MOTTA VEIGA – Ali não existe uma disputa entre os sócios. O que há é um impedimento de que o Opportunity participe da administração por já ser sócio da Brasil Telecom. O Daniel Dantas uma vez já disse ao Guerreiro: ‘Graças a Deus não estou lá, porque assim não sou responsável por dar certo ou errado’.

    http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/14525_O+CONTRATO+E+SAGRADO

    Willian

    27 de setembro de 2012 às 22h03

    Não entendi nada. quer dizer que o PIG noticiou maracutais das privatizações? Agora me perdi nesta história. Sempre ouvi falar que o PIG protegia o governo FHC, assim como a blogosfera protege os governos do PT. Me explica, por favor.

    FrancoAtirador

    28 de setembro de 2012 às 08h30

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    GUERRA DE QUADRILHAS: OPPORTUNITY/VEJA x BRADESCO/GLOBOPAR
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    GRAMPO DERRUBA BOECHAT
    Jornal do Brasil

    “Gravação provoca demissão de Boechat”, copyright Jornal do Brasil, 25/06/01

    “O jornalista Ricardo Boechat foi demitido de O Globo no começo da noite de ontem, 24 horas depois de a revista Veja chegar às bancas do Rio de Janeiro com a transcrição de um telefonema seu a Paulo Marinho, assessor de Nelson Tanure, o aliado da TIW no país e acionista majoritário do Jornal do Brasil.

    Pela manhã, depois de passar a noite em claro, Boechat telefonou para o editor-chefe do jornal, Rodolfo Fernandes, em busca de orientação: deveria escrever um artigo explicando seu diálogo com Marinho, deveria pedir demissão, o que deveria fazer? Fernandes lhe disse que, em razão da reportagem de Veja, sua situação no jornal ficara insustentável.

    No início da noite, Ali Kamel, diretor-executivo de O Globo, procurou Boechat em sua casa, no Leblon, e consumou a demissão, que se estende também à participação do jornalista no programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo.

    Unanimidade – A decisão de demitir o titular da coluna mais lida de O Globo foi difícil mas unânime. Difícil porque Ricardo Boechat é um dos jornalistas mais respeitados do Brasil, responsável por dezenas de notícias exclusivas e reportagens premiadas. Foi ele o autor, por exemplo, da matéria sobre a concorrência fraudada de fardas do Exército durante o governo Collor, que recebeu o prêmio Esso de Reportagem de 1991. E, há dez dias, Boechat publicou em primeira mão que David Zylbersztajn, diretor da Agência Nacional de Petróleo, começou a namorar Maria Silvia Bastos Marques, presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, menos de uma semana depois de se separar de Beatriz Cardoso, filha do presidente Fernando Henrique.

    Decisão unânime de demissão porque os responsáveis pelo jornalismo das Organizações Globo concordaram que a conduta de Boechat, no telefonema a Paulo Marinho, estava fora das normas do código de ética da empresa. Para eles, o colunista não poderia ter lido para Marinho a reportagem que publicaria no dia seguinte em O Globo e tampouco deveria ter discutido com ele procedimentos internos do jornal.

    Derrota – ‘Sinto-me derrotado, prostrado’, disse Ricardo Boechat ao Jornal do Brasil. ‘Quando fui procurado pela Veja, disse ao repórter que a matéria que eu escrevera era correta, era relevante, não tinha nenhum erro. Fiz a matéria, porque ela era notícia. Não ganhei nada com ela. O repórter me falou que a matéria beneficiava um dos lados em disputa. Ora, comentei com o repórter, toda reportagem pode beneficiar alguém e prejudicar alguém: tanto que a sua reportagem beneficia, e muito, o Daniel Dantas’.

    Boechat disse que pretendia escrever uma carta pessoal a João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, detalhando sua posição. ‘É lamentável que a Veja não tenha me dado o direito de explicar minha posição. Preferiu me condenar, me apresentando como um facínora, com base num telefonema. Reconheço que posso ter dito coisas impróprias, mas resta o fato, indesmintível, que minha reportagem estava certa.’”

    ***

    “Reportagem relata guerra de sócios”, copyright Jornal do Brasil, 25/06/01

    “A reportagem de sete páginas da revista Veja desta semana conta os bastidores da guerra pelo controle de duas empresas de telefonia celular e traz profusa transcrição de fitas. As gravações, de acordo com a revista, dão conta da disputa pelo comando da Telemig Celular e da Tele Norte Celular, entre o grupo canadense TIW e Daniel Dantas, presidente do Banco Opportunity. Nas fitas, gravadas entre março e abril deste ano, há diálogos entre Nelson Tanure, aliado da TIW e acionista majoritário do Jornal do Brasil, e seu assessor, Paulo Marinho, e conversas de Marinho com Boechat. As duas telefônicas, avaliadas em 2 bilhões de dólares, ainda têm como acionistas cinco fundos de pensão.

    O grupo canadense aliou-se a Tanure para tentar desfazer o acordo de acionistas que, segundo Veja, ‘Dantas conseguiu produzir, numa jogada de mestre’. A revista resume assim o acordo: ‘A TIW, uma operadora de telefonia que, pelo menos em tese, deveria intervir na gestão de uma companhia telefônica, não tem poder nem para nomear um contínuo.’ Dantas não aparece em nenhuma das gravações reproduzidas.

    ‘Lembro-me de algumas frases, mas não tenho recordação nenhuma de trechos inteiros das fitas transcritas na reportagem de Veja’, diz Nelson Tanure. ‘Essas fitas são fruto de uma montagem grotesca e fraudulenta. As gravações foram criminosas e ilegais. Elas configuram uma invasão intolerável de privacidade. Certos comentários, certas palavras e construções, usadas habitualmente na linguagem oral entre duas pessoas íntimas, quando tiradas de seu contexto e colocadas em letra impressa adquirem um significado totalmente diferente do original’.

    Abaixo, os principais trechos da reportagem de Veja.

    Sociedade

    ‘A tarefa de Tanure é desfazer o nó em que a TIW se embolou ao formar uma complicada e nada amigável sociedade com o Banco Opportunity, de Daniel Dantas (…). A sociedade foi formada na privatização do sistema Telebrás, em 1998, e tem ainda como parceiros cinco grandes fundos de pensão. O embaraço está no acordo de acionistas que Dantas conseguiu produzir, numa jogada de mestre. Uma série de fitas mostra com crueza impressionante a montagem de uma operação de guerra para derrubar um adversário do mundo dos negócios. Veja teve acesso ao material gravado. As fitas mostram apenas um lado atuando, e o leitor deve levar essa peculiaridade em consideração.’

    Boechat-Marinho

    ‘Em um dos diálogos, ocorrido em 15 de abril, (Ricardo) Boechat conta a (Paulo) Marinho os termos da reportagem que está escrevendo para revelar manobras do Opportunity e que seria publicada no dia seguinte em O Globo. Pela conversa, fica evidente que a direção do jornal não foi informada sobre o grau de ligação do jornalista com Nelson Tanure e sobre o fato de que a reportagem foi minuciosamente discutida com Paulo Marinho. (…) Curiosamente, a reportagem acabou sendo usada, dez dias depois, como peça de processo na ação judicial dos fundos de pensão aliados da TIW contra o Opportunity.’

    Privatização

    ‘Para participar do leilão de privatização das duas empresas, em 1998, o Opportunity se associou à TIW e aos fundos de pensão. A TIW entrou com 49% dos recursos necessários para a compra das empresas. Os fundos de pensão, por sua vez, entraram com 24% de investimento direto, mais 27% através de recursos aplicados em um fundo de investimento do Opportunity, que colocou ali uma parcela correspondente a menos de 1% do valor da operação. No leilão, o sócio canadense desembolsou, sozinho, 380 milhões de dólares, com a promessa de ter participação na gestão das empresas adquiridas. Foi feita uma carta de intenções estabelecendo essas bases para o contrato. Tudo ficou só como intenção. Batido o martelo, começou a confusão. Quinze dias depois do leilão, Dantas sinalizou para os canadenses que o acordo inicial não valia mais. Num estranho acerto com os presidentes dos fundos de pensão, o Opportunity montou uma sociedade totalmente diferente da desenhada inicialmente com os parceiros estrangeiros. Na época, os fundos eram capitaneados por Jair Bilachi, da Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil, e por Francisco Gonzaga, da Petros, o fundo de pensão da Petrobras, que deixaram o cargo sob suspeita de má gestão dos recursos dos fundos. A estratégia de Dantas foi juntar os recursos dos fundos de pensão em uma só empresa, a Newtel, que passou a deter 51% das ações da Telpart, holding da Telemig e da Tele Norte. Embora tivessem maioria das ações, os presidentes dos fundos concordaram em passar para Dantas o poder de gerir a companhia, incluído aí o direito de escolher todos os dirigentes das duas celulares e de definir todos os fornecedores. Assinaram ainda uma cláusula bizarra, em que os conselheiros dos fundos se obrigam a votar com o Opportunity, qualquer que seja a decisão do banco. Caso votem contra, são imediatamente destituídos.’

    Briga

    ‘Dantas conseguiu manter-se forte enquanto teve os fundos do seu lado. No entanto, as novas diretorias dos fundos de pensão começaram a questionar os acordos feitos por seus antecessores. A briga esquentou quando os dois sócios se uniram contra Dantas. Os fundos e os canadenses querem que a Newtel seja desfeita e que, em seu lugar, seja criada uma sociedade em que os três sócios tenham pesos iguais.’

    Salvamento

    ‘Foi em março, no meio dessa confusão, que Nelson Tanure surgiu na história como a figura que poderia salvar os canadenses. O presidente da TIW, Bruno Ducharme, vislumbrou a chance de encontrar um competidor à altura de seu adversário. Há cerca de um mês os sócios conseguiram uma vitória em cima do parceiro indesejado. Emplacaram o novo presidente da Telemig e da Tele Norte, que passou a ser o executivo Gunnar Vikberg. A manobra para a escolha do novo executivo foi montada com a ajuda de Tanure, que combinou a operação com Ducharme, por telefone. Nosso foco é para tentar tirar o diretor (escolhido por Dantas), explica Tanure, num dos trechos grampeados. Deu certo, embora seja uma vitória provisória, questionada na Justiça pelo Opportunity, que já conseguiu destituir Vikberg da presidência da Telpart.’

    Reação

    ‘Enquanto os dois sócios se armam para tentar enfraquecer Daniel Dantas nas duas telefônicas, o banqueiro baiano tenta garantir as conquistas obtidas. Nos últimos meses, tem feito ofertas aos fundos para a compra das empresas. Quanto aos canadenses, embora sejam o maior acionista individual, suas ações não têm o mesmo poder de fogo sem o controle das empresas, que continua nas mãos de Dantas.’

    A reportagem descreve Paulo Marinho como ‘peça ativa nas negociações em favor dos canadenses’ e o trata como ‘personagem bastante conhecido na sociedade carioca’. ‘Está sempre próximo de cabeças coroadas do mundo dos negócios e de mulheres bonitas, como a atriz Maitê Proença, com quem foi casado.’ Diz que ele já trabalhou para Daniel Dantas e transcreve uma conversa de Marinho com Tanure que deixa claro esta intimidade. ‘Ele (Dantas) não está, até pela qualidade dos inimigos que colecionou até agora, acostumado a jogar com o jogo abaixo da cintura’.

    Mais adiante, a reportagem,reproduzindo outras conversas telefônicas, cita encontros em março de Nelson Tanure e Paulo Marinho e mais tarde de José Antonio Nascimento Brito, presidente do Conselho Editorial do Jornal do Brasil, com senador Jader Barbalho.”

    Cidade Biz

    “Grampo leva ‘Globo’ a demitir Boechat”, copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 25/06/01

    “A onda dos grampos telefônicos, que a cada semana faz a delícia de uma das três revistas semanais de informação, desta vez contemplou a Veja e abateu um dos mais bem informados jornalistas do país – Ricardo Boechat, demitido domingo à noite de O Globo e também do programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo.

    A edição de hoje do jornal reentroniza a coluna Swann, no mesmo espaço antes reservado a Boechat e que fora o seu titular até ganhar por mérito o direito de assiná-la com seu próprio nome. Swann é um nome fictício, sob o qual passaram diversos jornalistas responsáveis pela mais lida e bem informada seção de bastidores entre os jornais brasileiros, com notas sobre política, economia, negócios e personalidades.

    A reportagem de Veja que provocou a demissão do colunista de jornal mais bem pago do país descreve os bastidores da guerra pelo controle da Telemig Celular e Tele Norte Celular, ambas avaliadas em 2 bilhões de dólares, travada entre o financista Daniel Dantas, do Opportunity, de um lado, e de outro a telefônica canadense TIW e um grupo de fundos de pensão. Dantas manda nas duas empresas, embora tenha menos de 2% do capital da holding controladora, graças a um estranho acordo de acionistas que assinou com as antigas direções dos fundos de pensão, cujas novas diretorias não reconhecem – nem muito menos os canadenses.

    Boechat entra nesta história, cheia de detalhes obscuros e lances sórdidos, devido a sua amizade com o conhecido lobista carioca Paulo Marinho, que era assessor de Dantas e bandeou-se para o lado do empresário Nelson Tanure, homem de múltiplos negócios nebulosos e hoje também dono do tradicional Jornal do Brasil. Tanure, segundo Veja, passou a defender os interesses da TIW contra o Opportunity.

    Detalhes dessa negociação aparecem em trechos de três gravações transcritas pela revista, uma das quais apanha Boechat discutindo com Marinho uma matéria que publicaria no Globo, prejudicial ao Opportunity. Leu a matéria inteira neste telefonema e ouviu, segundo a transcrição, Marinho lhe dizer que ela estava direito. A matéria antecipava uma decisão de Dantas de destituir os representantes dos fundos nas duas celulares, o que de fato aconteceu e a Justiça forçou-o a voltar atrás.

    A revista também fala de uma outra gravação, entre Tanure e Boechat, na qual o jornalista supostamente orientava o empresário sobre como se apresentar a uma reunião com João Roberto Marinho, um dos três irmãos herdeiros das Organizações Globo.

    Ouvido pelo JB, Boechat afirmou que se sentia ‘derrotado, prostrado’. ‘Reconheço que posso ter dito coisas impróprias’, argumenta o jornalista, ‘mas resta o fato, indesmentível, que minha reportagem estava certa’.

    Tanure também se insurge contra a reportagem de Veja, embora não negue os diálogos. ‘Lembro-me de algumas frases, mas não tenho recordação nenhuma de trechos inteiros das fitas transcritas na reportagem de Veja’, disse o empresário ao JB. ‘Essas fitas são fruto de uma montagem grotesca e fraudulenta. As gravações foram criminosas e ilegais.’

    Como tem sido praxe a todas as matérias sustentadas em grampos telefônicos, a revista não revela como teve acesso às gravações clandestinas. Limitou-se a checar a autenticidade das vozes de cada personagem. Também não ouviu o financista Daniel Dantas, o grande beneficiário de mais um escândalo vazado por esta indústria em franco progresso no país – a dos arapongas a serviço do capital privado.

    Além de trombar com os canadenses, Dantas também vive às turras com a Telecom Itália, com a qual divide, juntamente com os mesmos fundos de pensão, o controle da operadora de telefonia fixa Brasil Telecom. A batalha já chegou aos tribunais e repercute na imprensa. Mas ainda não exala o odor de escândalo devido à guerra de dossiês que cada lado produziu, um anulando o podre do outro.

    http://observatoriodaimprensa.com.br/news/showNews/iq270620018.htm
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    27/06/2001

    OS BASTIDORES DE UMA GUERRA

    Fitas revelam o lado oculto de uma disputa bilionária no setor de telefonia.
    Elas mostram todo o arsenal de recursos com que muitos operam nos subterrâneos dos grandes negócios

    Consuelo Dieguez, na Veja

    O empresário Nelson Tanure tem mandato dos canadenses para enfrentar o dono do Opportunity: “Estou convencido de que temos de levá-lo à loucura”

    O empresário Nelson Tanure é conhecido por se meter em grandes negócios. Baiano, 50 anos, formado em administração de empresas, em pouco mais de uma década já se aventurou por vários setores da economia nacional – quase sempre deixando atrás de si um rastro de polêmica. Foi assim com a Sade, produtora de turbinas para geração de energia elétrica. Em 1990, num controvertido episódio da era Collor, um grupo de fundos de pensão de estatais enterrou 11 milhões de dólares na empresa, que vivia em dificuldades financeiras. Por trás da compra da companhia de Tanure, estaria a mão forte da amiga do peito do empresário e então ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, que teria pressionado os fundos a aderir à operação. Em sua meteórica trajetória ao olimpo dos grandes empresários, Tanure chegou a ser dono de três grandes estaleiros, que detinham 80% de toda a capacidade instalada da indústria naval do Brasil. Acumulou dívidas tão pesadas que, em 1997, afundou em sua megalomania, sendo obrigado a retalhar seu latifúndio. No ano passado, estima-se que tenha botado no bolso 100 milhões de reais, numa transação espetacular: foi o preço para acertar os ponteiros com os antigos proprietários do Banco Boavista, contra quem vivia em guerra judicial – estes por sua vez tiveram de aceitar o acordo com Tanure para conseguir vender o banco ao Bradesco, que queria comprá-lo sem nenhuma pendência judicial. Recentemente, Nelson Tanure comprou um dos mais tradicionais diários do país, o centenário Jornal do Brasil, estreando no ramo da comunicação.

    Nos últimos três meses, Tanure tem-se dedicado de corpo e alma a outro negócio. Coisa de grande vulto e intrincada, como parece ser do seu gosto. Uma empreitada que, segundo se comenta nos meios empresariais, poderá engordar sua conta bancária em até 40 milhões de dólares, caso seja bem-sucedido. Trata-se de uma negociação para o grupo de telecomunicações canadense TIW, sócio de duas empresas de telefonia celular no Brasil: a Telemig Celular e a Tele Norte Celular, avaliadas em 2 bilhões de dólares. A tarefa de Tanure é desfazer o nó em que a TIW se embolou ao formar uma complicada e nada amigável sociedade com o Banco Opportunity, de Daniel Dantas, outro baiano não menos polêmico. A sociedade foi formada na privatização do sistema Telebrás, em 1998, e tem ainda como parceiros cinco grandes fundos de pensão. O embaraço está no acordo de acionistas que Dantas conseguiu produzir, numa jogada de mestre. A TIW, por exemplo, uma operadora de telefonia que, pelo menos em tese, deveria intervir na gestão de uma companhia telefônica, não tem poder nem para nomear um contínuo. Por causa desse acordo, há quase três anos os sócios se engalfinham numa disputa sem tréguas pelo controle das empresas.

    Agora surge mais um ingrediente nesse enredo. Uma série de fitas, que mostram com crueza impressionante a montagem de uma operação de guerra para derrubar um adversário do mundo dos negócios. Nas últimas semanas, a existência dessas fitas, ao que tudo indica gravadas ilegalmente entre os meses de março e abril, tornou-se o rumor da hora entre jornalistas bem informados, empresários e políticos. VEJA teve acesso ao material gravado. Ali se apresenta um exemplo extraordinário de como funcionam os bastidores de algumas grandes negociações. Dos diálogos saltam estratégias secretas e ataques pesados, que permaneceriam para sempre camuflados pelos discursos oficiais, obviamente mais polidos, articulados. Pela primeira vez os bastidores de um caso concreto são revelados em estado bruto. As fitas mostram apenas um lado atuando, e o leitor deve levar essa peculiaridade em consideração.

    As gravações reproduzem diálogos de Tanure com o presidente mundial da TIW, o canadense Bruno Ducharme, definindo estratégias de atuação contra o Banco Opportunity, de Daniel Dantas. Foram flagradas também conversas do principal assessor de Tanure, Paulo Marinho, uma peça ativa nas negociações em favor dos canadenses. Marinho, que até o ano passado trabalhava para Daniel Dantas, é um personagem bastante conhecido na sociedade carioca. Está sempre próximo de cabeças coroadas do mundo dos negócios e de mulheres bonitas, como a atriz Maitê Proença, com quem foi casado. As gravações envolvem também um dos mais influentes e respeitados jornalistas do país, o colunista Ricardo Boechat, do jornal O Globo.

    Na fita, ele aparece participando de uma operação para ajudar Tanure. Em um dos diálogos, ocorrido em 15 de abril, Boechat conta a Marinho os termos da reportagem que está escrevendo para revelar manobras do Opportunity e que seria publicada no dia seguinte em O Globo. Pela conversa, fica evidente que a direção do jornal não foi informada sobre o grau de ligação do jornalista com Nelson Tanure e sobre o fato de que a reportagem foi minuciosamente discutida com Paulo Marinho (veja a reprodução de trechos). Não há nenhuma menção a favor, pagamento e outras práticas irregulares de compensação. Boechat e Marinho são, aliás, compadres e amigos de longa data. Curiosamente, a reportagem acabou sendo usada, dez dias depois, como peça de processo na ação judicial dos fundos de pensão – aliados da TIW – contra o Opportunity. Advogados utilizam com freqüência reportagens para embasar ações que impetram. No caso de Boechat, a combinação anterior pelo telefone com Marinho – e, muito especialmente, os termos usados na conversa – é que torna a história constrangedora. “Minhas fontes não são o cardeal Eugênio Sales nem o presidente do Supremo Tribunal Federal. Já negociei matérias com Daniel Dantas também. Não levo vantagem financeira com isso”, diz Boechat. “O que quero é a notícia.” Em outro diálogo, não reproduzido nesta reportagem, o jornalista instrui Tanure sobre como agir e o que falar numa conversa com João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, para passar a imagem de um empresário sem ambições políticas nem projeto de poder – características que a Globo não veria com simpatia no concorrente dono do Jornal do Brasil. Uma análise feita na semana passada, a pedido de VEJA, pelo perito Ricardo Molina concluiu que “todas as evidências indicam que, acima de qualquer dúvida razoável, a voz analisada é do jornalista Ricardo Boechat”. Molina afirma também que “não existe nenhum indício de manipulação que possa representar tentativa de montagem”.

    É evidente que o mundo dos negócios não vive permanentemente nesse clima de ataques abaixo da linha da cintura. Mas quando um dos personagens da briga é Daniel Dantas, um economista de 45 anos, considerado um dos mais brilhantes de sua geração, dificilmente se pode esperar um cenário de calmaria. O dono do Opportunity é um operador audacioso como poucos. Em apenas seis anos transformou seu banco num colosso que administra fundos de investimento no valor de 3,4 bilhões de dólares. Seus domínios se estendem a setores tão diversos quanto saneamento, transportes, telecomunicações, portos, metrô, internet e futebol. Tem uma capacidade para fazer inimigos tão espetacular quanto seu talento para os negócios. A briga pela Telemig Celular e pela Tele Norte Celular é a mais perfeita tradução do jeito Daniel Dantas de atuar.

    Para participar do leilão de privatização das duas empresas, em 1998, o Opportunity se associou à TIW e aos fundos de pensão. A TIW entrou com 49% dos recursos necessários para a compra das empresas. Os fundos de pensão, por sua vez, entraram com 24% de investimento direto, mais 27% através de recursos aplicados em um fundo de investimento do Opportunity, que colocou ali uma parcela correspondente a menos de 1% do valor da operação. No leilão, o sócio canadense desembolsou, sozinho, 380 milhões de dólares, com a promessa de ter participação na gestão das empresas adquiridas. Foi feita uma carta de intenções estabelecendo essas bases para o contrato. Tudo ficou só como intenção.

    Batido o martelo, começou a confusão. Quinze dias depois do leilão, Dantas sinalizou para os canadenses que o acordo inicial não valia mais. Num estranho acerto com os presidentes dos fundos de pensão, o Opportunity montou uma sociedade totalmente diferente da desenhada inicialmente com os parceiros estrangeiros. Na época, os fundos eram capitaneados por Jair Bilachi, da Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil, e por Francisco Gonzaga, da Petros, o fundo de pensão da Petrobras, que deixaram o cargo sob suspeita de má gestão dos recursos dos fundos. A estratégia de Dantas foi juntar os recursos dos fundos de pensão em uma só empresa, a Newtel, que passou a deter 51% das ações da Telpart, holding da Telemig e da Tele Norte. Embora tivessem maioria das ações, os presidentes dos fundos concordaram em passar para Dantas o poder de gerir a companhia, incluído aí o direito de escolher todos os dirigentes das duas celulares e de definir todos os fornecedores. Assinaram ainda uma cláusula bizarra, em que os conselheiros dos fundos se obrigam a votar com o Opportunity, qualquer que seja a decisão do banco. Caso votem contra, são imediatamente destituídos. Dantas conseguiu manter-se forte enquanto teve os fundos do seu lado. No entanto, as novas diretorias dos fundos de pensão começaram a questionar os acordos feitos por seus antecessores. A briga esquentou quando os dois sócios se uniram contra Dantas. Os fundos e os canadenses querem que a Newtel seja desfeita e que, em seu lugar, seja criada uma sociedade em que os três sócios tenham pesos iguais.

    Foi em março, no meio dessa confusão, que Nelson Tanure surgiu na história como a figura que poderia salvar os canadenses. O presidente da TIW, Bruno Ducharme, vislumbrou a chance de encontrar um competidor à altura de seu adversário. Tanure era o homem. O que fica claro nessa história é que os canadenses, que entendem quase nada de Brasil, acharam que Tanure conhece suficientemente as artimanhas do adversário para jogar um jogo de igual para igual. A manobra parece ter começado a dar resultado. Há cerca de um mês os sócios conseguiram uma vitória em cima do parceiro indesejado. Emplacaram o novo presidente da Telemig e da Tele Norte, que passou a ser o executivo Gunnar Vikberg. A manobra para a escolha do novo executivo foi montada com a ajuda de Tanure, que combinou a operação com Ducharme, por telefone. “Nosso foco é para tentar tirar o diretor (escolhido por Dantas)”, explica Tanure, num dos trechos grampeados. Deu certo, embora seja uma vitória provisória, questionada na Justiça pelo Opportunity, que já conseguiu destituir Vikberg da presidência da Telpart.

    Enquanto os dois sócios se armam para tentar enfraquecer Daniel Dantas nas duas telefônicas, o banqueiro baiano tenta garantir as conquistas obtidas. Nos últimos meses, tem feito ofertas aos fundos para a compra das empresas. Quanto aos canadenses, embora sejam o maior acionista individual, suas ações não têm o mesmo poder de fogo sem o controle das empresas, que continua nas mãos de Dantas. Até o final da contenda, as entranhas dessa guerra bilionária deverão ficar cada vez mais à mostra. Mesmo porque o jogo de poder entre Dantas, Tanure, canadenses e fundos de pensão está longe do epílogo. Estão todos operando os meios à disposição com ferocidade.

    Com reportagem de Marcelo Carneiro e Ronaldo França
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    A IMPRENSA COMO ARMA NA GUERRA

    Reportagem combinada em O Globo foi usada para reforçar a ação judicial com que os fundos de pensão tentavam barrar o Opportunity

    Ricardo Boechat é um dos mais respeitados jornalistas do país. Amigo de Nelson Tanure há muitos anos, acabou virando munição na briga do empresário contra o Banco Opportunity. Nesta conversa que teve com Paulo Marinho, braço direito de Tanure, Boechat relata os detalhes de uma reportagem que escreveu e seria publicada no jornal O Globo no dia 16 de abril contando as manobras planejadas por Daniel Dantas para uma assembléia. O jornalista leu a reportagem inteira para o assessor de Tanure, que aprovou. “Tá ótima”, comentou Paulo Marinho. “A matéria diz tudo que a gente queria falar.” Dez dias depois, a reportagem de Boechat integraria os documentos de uma ação judicial (reproduzidos acima) movida pelos fundos de pensão contra o Opportunity.
    Tanure e os fundos estão do mesmo lado da trincheira

    Bruno Veiga

    Ricardo Boechat: “Minhas fontes não são o cardeal Eugênio Sales nem o presidente do STF”

    Secretária – Pronto.

    Boechat – Oi, o Paulo, por favor.

    Secretária – Quem deseja?

    Boechat – Ricardo Boechat,

    Secretária – Um momento…

    Boechat – Obrigado.

    Paulo Marinho – Oi.

    Boechat – Oi.

    Paulo – Diga lá…

    Boechat – Seguinte: primeiro acho que a matéria talvez saia assinada…

    Paulo – Hum, por você?

    Boechat – É…

    Paulo – Tá…

    Boechat – E aí temos que ver o seguinte… Eu estive pensando… Esta é uma possibilidade que eu preferi não perguntar. Vou te dizer o seguinte: eu também meio que descobri que não adianta muito tentar dissimular esta relação, não.

    Paulo – Entendi.

    Boechat – Eles já identificaram esta relação, certo?

    Paulo – Certo.

    Boechat – …que acabou sendo meio escancarada com este convite pra eu ir pro JB.

    Paulo – Perfeito.

    Boechat – E, por mais que eu tenha dado como uma iniciativa do Mario Sérgio (Conti, diretor de redação do JB)… Ninguém… ficou aquela… o João Roberto, o Merval, o Luiz Eduardo (integrantes da cúpula do jornal O Globo)… Todo mundo sabe que o Nelson (Tanure) tem uma relação de amizade pessoal.

    Paulo – Certo.

    Boechat – Eu pensei em dizer ‘não assina, não’. Mas preferi ficar calado.

    Paulo – Acho que você dizer pra não assinar eu acho um erro. Tu não pode dar esta montaria pra esses caras…

    Boechat – Sabe o que mais? O último detalhe é o seguinte: aquela última nota nossa do dia 3, quando a gente… quando teve a reunião do conselho, que eu dei a história da demissão, lembra? Da demissão do Arthur (Carvalho, cunhado, braço direito de Daniel Dantas no Opportunity e o representante do banco nos conselhos de administração das telefônicas)…

    Paulo – Lembro.

    Boechat – Eles… quando deu, eu assinei. Eu dei na Agência Globo sem assinar.

    Paulo – Eu sei, você disse que eles identificaram em dois minutos que era sua a nota…

    Boechat – Eles botaram no ar um desmentido com meu nome. Então é ridículo eu ficar dissimulando…

    Paulo – Claro.

    Boechat – Se fosse uma coisa clandestina.

    Paulo – Também acho, você tem razão.

    Boechat – Conheço o cara e… ele é uma fonte e tá me dando uma notícia…

    Paulo – Exatamente. Aliás, é um erro dissimular isso. Agora também é o seguinte, quer dizer…

    Boechat – …(inaudível) escancarar.

    Paulo – Mas também se os caras não colocarem com seu nome, você não vai reclamar por causa disso.

    Boechat – Não, de jeito nenhum. Enfim, outra coisa, diferentemente do seu material é preciso falar com o Nelson: “Nelson, a adjetivação não é uma característica da notícia. Não tem como adjetivar”.

    Paulo – Perfeito.

    Boechat – Então, o texto que eu mandei pro Duda, o cara que tá fechando a edição pra amanhã…

    Paulo – Rãrã…

    Boechat – Me disse que tá dando bem. Então, suponho que ele vá dar a matéria na íntegra, pá-pá-pá. Não sei que título ele vai dar. Seguinte: o texto que eu mandei, eu disse assim pro Mineiro (Luiz Antonio Mineiro, editor de Brasil de O Globo): ‘Mineiro, aí vai a matéria. Eu não consegui falar com o pessoal da Economia, mas tentarei mais tarde. Estou no telefone tal. Se for preciso peça à telefonista… Acho que este assunto vai dar um bom caldo. A intenção de demitir os conselheiros dos fundos consta da ata da assembléia convocada pelo Opportunity no dia 17 no Monitor Mercantil (jornal carioca de economia). E a estréia do ex-governador (Antônio) Britto (que acabara de ser contratado pelo Opportunity) no fascinante mundo do lobby financeiro, quem diria?, ainda não foi revelada por ninguém’. Aí vai o texto…’. Um abraço, Boechat’ e tal. Aí, começei da seguinte maneira. É um texto curto e tal. Dizendo assim: (O jornalista lê na íntegra a reportagem que foi publicada em O Globo no dia seguinte.)

    Paulo – Tá ótima a matéria, diz tudo o que a gente queria falar.

    Boechat – Agora, não dá pra dizer que a atitude é ilegal, entendeu? Mas é isso aí.

    Paulo – A matéria tá muito bem-feita, meu querido. Tá na conta. Não precisa botar mais p… nenhuma, não. O resto é como você falou: é adjetivação que você não pode colocar. (…)

    Boechat – Os caras disseram que vão dar bem a matéria, vamos ver. (…)

    Paulo – Amanhã, eu te ligo pra te dar notícia da matéria.

    Boechat – Pra saber se deu certo.

    http://veja.abril.com.br/270601/p_038.html#3

    FrancoAtirador

    28 de setembro de 2012 às 08h50

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    ‘VEJA’ E DECIDA: FOI ‘OPPORTUNITY’?

    No início de 1999, a revista Veja publicou matéria contundente sobre o fundo de Daniel Dantas. Nas edições seguintes, não deu sequencia ao assunto e foi agraciada com uma publicidade do banco

    Por Marcos Palhares, na Revista Fórum

    No meio jornalístico, é sempre suspeito quando um veículo de comunicação faz uma denúncia contundente e, logo em seguida, não toca mais no assunto. Cheira ainda mais mal e levanta todo tipo de suspeita quando o referido veículo, após fazer isso, estampa publicidades do “acusado” ou de empresas ligadas a ele nas edições subseqüentes. É quase impossível provar a ligação direta entre uma coisa ou outra. Mas, como todas as questões que não podem ser comprovadas, mas que geram dúvidas, a que se segue também merece explicações. E investigação.

    Em 1999, a revista Veja, torna público em sua edição 1588, de 10 de março, na página 49, uma matéria intitulada “Que Opportunity!”, título que plagiamos sem a incisiva afirmação, mas deixando a pergunta ao leitor para que ele tire suas conclusões. Naquela ocasião, antes de o banco Oportunity estar envolvido em tantas disputas e acusações, a revista questionava a parceria feita pelo banco de investimentos carioca com a Previ, caixa de previdência dos funcionários do Banco do Brasil.

    A reportagem assinada pelo jornalista Felipe Patury apresentava carta de Arlindo de Oliveira, diretor da Previ, datada de fevereiro de 1999, e endereçada à presidência do banco, relatando uma série de incongruências na relação entre as duas instituições. A carta revelava, por exemplo, que, em julho de 1998, a diretoria da Previ teria se reunido e decidido não fazer parceria com o Opportunity no leilão das teles, por se recusar a pagar ao banco uma taxa de R$ 7 milhões por ano de “taxa de administração”.

    Porém, a despeito de tal decisão, a parceria ocorreu. “A Previ associou-se ao banco na compra de três teles (Tele Centro Sul, Telemig Celular e Tele Norte Celular) e comprometeu-se a arcar com os 7 milhões de reais por ano”, ressaltava o texto de Veja, acrescentando que a caixa de previdência não tinha poder de decisão na administração das teles. Por isso, o diretor da Previ era taxativo em sua carta ao Opportunity: “Tais fatos vão flagrantemente de encontro ao decidido pela diretoria executiva!!!”.

    Diante desses fatos, a matéria adiantava dois acontecimentos que provavelmente garantiriam desdobramento do assunto nas edições seguintes de Veja: quatro conselheiros da Previ fariam uma reunião do conselho deliberativo para mostrar a carta e pedir auditoria, e o então deputado Aloizio Mercadante (PT-SP) prometia levar o caso ao Ministério Público. Ou seja: a matéria terminava com aquele clima de “não perca as cenas do próximo capítulo”. Mas não foi o que aconteceu.

    Na edição seguinte de Veja (1589), de 17 de março de 1999, não havia uma linha sequer sobre o assunto. Em lugar disso, a revista estampava em duas páginas uma propaganda do banco Opportunity. Aliás, o caso específico envolvendo o banco de investimento carioca e a Previ não voltaria a ser abordado por Veja naquele ano. Mas as duas páginas de propaganda do Opportunity apareceram novamente na edição 1591, de 31 de março. O mais inusitado é que o Oportunity é um banco de investimentos, que não atua no varejo e por isso não costuma fazer publicidades em veículos como Veja.

    “O fato de Veja não ter prosseguido com a investigação não significa, em princípio, quebra de ética. Pode ser questionável a coincidência de não se falar mais no assunto e de, nas edições seguintes, a revista ter sido ‘agraciada’ com propaganda do banco”, pondera Luiz Spada, presidente da Comissão Nacional de Ética e Liberdade de Imprensa da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Ele admite, por outro lado, a existência de casos premeditados no meio jornalístico.

    “Quem trabalha em redação está cansado de ver matérias deixarem se ser publicadas por interesses empresariais (ou seja, dos proprietários dos veículos), bem como de temas que julgamos importante serem noticiados e ficarem sem prosseguimento algum (também por interesses empresariais)”, afirma Spada. “Se houve algum favorecimento para que Veja parasse de falar no assunto, a investigação deveria partir do Ministério Público.”

    Felipe Patury, que hoje ocupa cargo de editor em Veja, procurado pela reportagem da Fórum, se mostrou surpreso e um tanto indignado com os questionamentos. Preferiu não se pronunciar por causa de seu “compromisso profissional e fidelidade à linha editorial da revista” e desligou bruscamente o telefone. Mas indicou o editor Júlio César de Barros, responsável pela comunicação externa de Veja, para comentar o assunto. Fórum deixou recado na secretária eletrônica do ramal de Barros, mas não teve retorno até o fechamento desta edição.

    A assessoria do grupo Opportunity, por sua vez, afirmou que mesmo após aquela época a Veja não deixou de criticar o banco. Porém, ao ser questionada especificamente sobre o caso Opportunity-Previ e a matéria sem seqüência de 1999, a assessoria prometeu fazer um levantamento detalhado e retornar, o que não ocorreu.

    Bamerindus e Requião

    Por coincidência, em setembro do mesmo ano de 1999, a revista Veja seria acusada formalmente, em pleno Senado Federal, de negociar matéria em troca de anúncio. O então senador e atual governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), subiu ao plenário para contar uma passagem envolvendo a revista da Abril e o Banco Bamerindus, ocorrida em 1991.

    Requião contou que, ao assumir pela primeira vez o governo de seu estado, abriu processo contra o Bamerindus por danos causados ao patrimônio público, mas não levou a questão a público. Na época, o atual presidente do grupo Abril (que edita Veja), Roberto Civita, sabendo do processo, teria procurado o governador paranaense para saber mais detalhes. Mostrando-se interessado, teria enviado, posteriormente, quatro jornalistas para investigar o caso.

    Mas, na edição seguinte de Veja, segundo Requião, não havia nenhuma matéria sobre o Bamerindus, apenas seis páginas de propaganda do banco. O que levou o político a acreditar que teria sido usado pelo grupo Abril em um caso de chantagem para garantia de anúncios.

    Entre os 10 mais

    Exatos cinco anos após a matéria sobre o Opportunity, em 10 de março de 2004, Carlos Graier, então editor da Veja, assinou uma resenha elogiosa sobre o livro O dia em que matei meu pai, de Mário Sabino, chefe de redação da revista. Escrever uma crítica sobre uma obra do próprio chefe não serve como exemplo de isenção — mesmo que o livro tenha obtido, na época, outras críticas favoráveis. Mas o curioso foi que, duas semanas depois, Graier foi promovido a editor executivo.

    Essa história ainda renderia mais um capítulo interessante. Na primeira semana de abril de 2004, sem motivo aparente, Veja substituiu a pessoa responsável pela lista dos livros mais vendidos publicada pela revista — verdadeiro parâmetro no mercado editorial brasileiro. Para sua produção é feito um extenso levantamento em grandes livrarias do país. Por isso, qualquer obra mencionada na lista da Veja tem suas vendas impulsionadas ainda mais.

    Após a definição do novo responsável pela lista, na edição de 7 de abril daquele ano, o décimo colocado entre os mais vendidos na categoria Ficção era nada menos que O dia em que matei meu pai. Para evitar surpresas ou mal-entendidos, a revista publicou, na parte inferior da página, uma nota ao leitor explicando que os critérios anteriores do ranking estavam errados.

    Esse raro mea culpa por parte da revista explicava, entre outras coisas, que “da categoria de Não Ficção constarão ensaios e biografias, mas também livros de crônicas, cuja referência principal se encontra no noticiário e no registro de uma realidade imediata. Isso acontecerá ainda que o cronista lance mão de recursos ficcionais”. Tudo isso servia para explicar, em resumo, o motivo de os livros de Luiz Fernando Veríssimo (mais precisamente As mentiras que os homens contam, havia 156 semanas entre livros de Ficção) passarem para o ranking de Não Ficção. Detalhe: a própria editora do escritor, a Objetiva, classifica a produção do gaúcho como ficção.

    O resultado da guinada nos parâmetros de Veja foi que quatro publicações foram tiradas do páreo na seção Ficção, abrindo espaço para o livro do chefe de redação. Mas não pareceu prudente deixá-lo ali. A obra de Sabino nunca mais apareceu entre os mais vendidos nem sua segunda obra, O antinarciso, edição de contos sobre a solidão humana. Que teria, na visão do autor, motivação no narcisismo.

    http://revistaforum.com.br/blog/2011/10/veja-e-decida-foi-opportunity/

    FrancoAtirador

    28 de setembro de 2012 às 09h10

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    POR QUE ESTADÃO, FOLHA E GLOBO GOSTAM DAS PRIVATIZAÇÕES

    Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania, via DoLaDoDeLá

    Veja a seguir, leitor, cada negócio que esses barões da mídia tão zelosos com o dinheiro público fizeram na época da Privataria Tucana enquanto a defendiam sem informar aos seus leitores que tinham interesse direto no que estava sendo doado pelo governo ao setor privado.

    A família Mesquita, do Estadão, saiu do processo de privatização como sócia da empresa de telefonia celular BCP (atualmente, Claro) na região Metropolina de São Paulo. O Grupo OESP (Estadão) ficou com 6% do consórcio, o Banco Safra com 44%, a Bell South (EUA) com 44% e o grupo Splice com 6%.

    Já a família Frias, dona da Folha de São Paulo, aproveitou a liquidação da privataria para adquirir opção de compra de 5% do consórcio Avantel Comunicações – Air Touch (EUA) 25% e grupo Stelar mais 25% -, que ficou com 50% da telefonia paulistana, tendo a construtora Camargo Correa comprado mais 25% e o Unibanco os 25% restantes.

    Finalmente, a família Marinho. Mergulhou fundo na Globopar, empresa de participações formada para adquirir parte da privataria, tendo comprado 40% do consórcio TT2, que disputava a telefonia celular nas áreas dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, ficando o resto com a americana ATT, que comprou 37%, com o Bradesco, que comprou 20%, e com a italiana Stet, que se contentou com 3%.
    Os Marinho também abocanharam o consórcio Vicunha Telecomunicações, que envolvia telefonia celular na Bahia e em Sergipe. A Stet (Itália) ficou com 44%, o Grupo Vicunha com37% e a Globopar e o Bradesco com 20%.

    Abaixo, a participação de cada empresa no processo de privataria da telefonia, o apetitoso Sistema Telebrás, que os barões da mídia defenderam no Estadão, no Globo e na Folha sem informarem aos seus leitores que estavam envolvidos nos negócios que adviriam da venda de patrimônio público.

    Quem quiser conferir melhor essa divisão do saque ao patrimônio público que o livro A Privataria Tucana denuncia, pode acessar o estudo “INVESTIMENTO E PRIVATIZAÇÃO DAS TELECOMUNICAÇÕES NO BRASIL: DOIS VETORES DA MESMA ESTRATÉGIA”.
    (http://www.eclac.org/publicaciones/xml/0/4960/capv.pdf)

    Não contém opiniões, contém fatos – quem comprou o quê durante o processo de privatização do governo FHC.

    Como se vê, a mídia tem todas as razões do mundo para temer uma investigação que, para ser totalmente franco, deveria ter sido aberta pelo governo Lula no primeiro dia de 2003, tão logo o poder finalmente mudou de mãos no Brasil. Mas a grande maioria do governo do PT achou que evitaria uma guerra com a mídia e a oposição se prevaricasse e não investigasse nada.

    http://www.blogdacidadania.com.br/2011/12/familias-midiaticas-estao-na-cola-do-amaury-saiba-por-que-2/

    http://maureliomello.blogspot.com.br/2011/12/por-que-estado-folha-e-globo-gostam-das.html

Willian

27 de setembro de 2012 às 19h08

Vi a fala do Lewandoviski na Globo News, ao vivo, por volta das 17:15. Ele se referiu a mensalãoes de outros estados da federação ou algo sim, não falou de diretamente de Minas. E deu um sorrisinho…

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Frederico

27 de setembro de 2012 às 19h07

o problema mais escandaloso, a que os blogs sequer dão a atenção devida, é que não só o julgamento do mensalão tucano não ocorreu no tempo, mas o processo está parado, sem absolutamente nenhuma movimentação, engavetado, há mais de quatro anos.
Ou seja, quando essa instrução COMEÇAR, quantas décadas mais levarão até o julgamento? se é que ele ocorrerá, já que esgtará tudo prescrito mesmo.

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