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Arthur Chioro: “Que os médicos fiquem como funcionários”
Arthur Chioro, secretário da Saúde de São Bernardo Campo e presidente do Conselho de secretários municipais de Saúde do Estado (Cosems-SP)
Política

Arthur Chioro: “Que os médicos fiquem como funcionários”


07/09/2013 - 22h54

Arthur Chioro, secretário da Saúde de São Bernardo Campo e presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems-SP)

por Conceição Lemes

A prefeitura  de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, pleiteou 33 médicos  ao programa Mais Médicos, lançado pelo governo federal em julho.

Por enquanto estão previstos quatro nesta fase inicial. A primeira profissional, Kátia Regina Marquinis, 39 anos, já começou a trabalhar. Com residência em cardiologia e oftalmologia, ela vai atuar como médica generalista em uma das equipes de Saúde da Família na Unidade Básica de Saúde (UBS) Batistini.

A partir do dia 16, devem chegar os outros dois médicos que estão fazendo curso de capacitação. Um mexicano de Guadalaraja e uma brasileira formada na Espanha.

“Para nós, pelo menos, começou tudo bem”, diz, animado Arthur Chioro, secretário da Saúde de SBC. “A nossa primeira médica foi recebida com festa pela comunidade.”

Não é o que está acontecendo em muitos municípios. Há médicos brasileiros selecionados desistindo de tomar posse.  Seria um boicote?

“Há municípios em que os médicos deram início na terça, na quarta. E eles  têm até este domingo, dia 8, para iniciar as atividades.  A partir daí, serão considerados desistentes. Como as unidades básicas de saúde não funcionam aos sábados e domingos, o dia D será segunda-feira”, avalia Chioro. “Mas os dados estão dentro das expectativas, não há nada de anormal.”

Chioro é presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems/SP).

“Boicote? Pode também estar havendo algum, mas ainda não dá para fechar o diagnóstico ”, observa. “Num país que tem emprego pleno na área médica, não é estranho que as pessoas desistam. Quem tem o diploma validado está recebendo a toda hora ofertas de trabalho, porque está todo mundo contratando não só na área pública, no setor privado também.”

Chioro está à frente da Secretaria da Saúde de São Bernardo desde 2009. Ele pegou a cidade com apenas oito equipes de Saúde da Família. Hoje tem 100. Mas a cidade planeja chegar a 150 equipes.  Em cada uma há um médico. Ao todo, trabalhando na rede municipal de São Bernardo, há cerca de 1.360 médicos.

“Eu não tenho nenhuma dificuldade para colocar médico no centro da cidade ou nas unidades básicas de saúde que ficam à beira da Anchieta e Imigrantes”, expõe Chioro. “Agora, mais na periferia, onde a falta de médicos cruza com a pobreza, como na Vila São Pedro, no  Bairro Santa Cruz, que fica depois da represa Billings e só se chega lá de balsa, eu não consigo. Tanto que os três primeiros profissionais já designados, estou colocando nos locais mais complicados.”

Os médicos que estão indo trabalhar em São Bernardo mediante o programa Mais Médicos receberão R$ 10 mil (pagos pelo Ministério da Saúde), auxílio moradia e alimentação (a cargo das prefeituras).

“Os que vierem para cá não vão se arrepender”, garante Chioro. “Eles vão trabalhar em unidades com excelente infraestrutura e bem equipadas e  nós vamos fazer o melhor, para que depois fiquem como nossos funcionários.”

A expectativa é que os estrangeiros e os brasileiros formados no exterior façam a revalidação e depois continuem trabalhando em São Bernardo, aí como funcionários, mesmo, e não como bolsistas.

“Emergencialmente, é admissível que venham como bolsistas”, diz Chioro. “Agora, se quisermos efetivamente fortalecer o sistema público de saúde, será preciso formar médicos em número adequados às necessidades do SUS e criar rapidamente o plano de carreira no SUS  para os profissionais de saúde e não apenas para os médicos.”

Em São Bernardo do Campo, diferentemente do que ocorre na maioria dos municípios brasileiros, os médicos são contratados pela CLT, têm direito a Fundo de Garantia, vale alimentação. O salário é de R$ 14.600,00 para 40 horas semanais para o médico de família.

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15 comentários

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Larissa Paes

11 de setembro de 2013 às 07h08

O programa criado pelo Governo Dilma, que consiste em trazer médicos estrangeiros para trabalhar no Brasil é uma forma de melhorar as condições básicas de saúde de nosso país. A proposta poderia até causar um pouco de espanto,pois podemos oferecer oportunidades para os que pretendem ou já são médicos brasileiros,entretanto percebemos com freqüência que em muitos lugares do Brasil há uma precariedade na saúde e as vezes nem médicos possuem á disposição da comunidade .
Poderíamos dizer que seria a falta de médicos, mas em vários casos são profissionais que preferem não lidar com uma população carente, ou seja, teriam que trabalhar muito e provavelmente não ganharia um salário alto. No entanto, muitos médico que estão vindo de outros países estão se colocando á disposição para prestar seus serviços, seja em postos de saúde ou em lugares mais distantes onde as condições de habitações não são tão apropriadas.Isto mostra que esses profissionais merecem respeito,pois exercem sua profissão com dedicação, sem visar somente bens materiais.

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arturnetofigueira

09 de setembro de 2013 às 12h32

Não sei porque esse chororô. Sou médico, se o brasileiro não quer que venha o cubano para os lugares onde eles não querem ir. com 40k na minha conta todo mês realmente eu nunca iria , logo, deixa para quem quer.

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augusto2

09 de setembro de 2013 às 11h05

Ô, renato – tambem não é assim, né!
Ta certo que tem dessas koisas q voce mencionou, porem esse negocio de ex nao é so brasil nao, pombas.
É algo bom que quem tem usa nem que seja stand by.
porque eu imagino que o churchil dava muita assessoria depois q saiu do cargo de PM lá na inglaterra dele. Que o mario soares e felipe gonzales tambem. Nao consigo imaginar que o ex nelson mandela não tenha dado um boa
assessoria para o zuma e os que o antecederam lá em Pretoria.
Um luxo q só usa quem tem.

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Isidoro Guedes

08 de setembro de 2013 às 21h29

A população já percebeu que o Mais Médicos privilegia a Atenção Básica (o atendimento as camadas mais pobres da população, que vivem nos lugares mais distantes e pouco acessíveis, seja nas periferias das cidades, seja nos grotões do interior…). Por isso mais uma derrota ideológica para as elites da casa-grande (e sua sub-fração de jaleco branco…), que não conseguiram cooptar o povão para defender os seus abjetos interesse$$$ mercadológico$$$.

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Ingrid Daniela

08 de setembro de 2013 às 16h28

É o acredite se quiser. Como sempre

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francisco pereira neto

08 de setembro de 2013 às 13h32

Para o programa Mais Médicos, o governo federal deveria conceder isenção total do IR dos salários oferecidos e todos os descontos possíveis previstos na CLT.
O programa tem dificuldades de avançar pelos motivos mais do que claros expostos, porque primeiro: não é desejo deles ter carreira, tão falsamente propalada, porque assim como autônomos, podem trabalhar em vários locais e não declaram seus rendimentos reais ao IR.
Para não caracterizar perseguição, todas as carreiras de profissionais autônomos, principalmente as carreiras ligadas a saúde, deveriam ter controles mais eficientes.
A lição de casa o governo também tem de fazer. Por que não é possível a classe média e as mais baixas arcarem com as alícotas atuais do IR, enquanto grandes empresas como Itaú e Globo escancaradamente não pagam impostos. O governo está esfolando quem já não tem mais pele. Quer dizer, assim fica difícil de justificar que quer tratar todos os brasileiros de maneira mais justa.

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Zanchetta

08 de setembro de 2013 às 12h39

São Bernardo do Campo!!! É esse um dos rincões no interior do Brasil aonde os médicos não queriam ir trabalhar??????

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    Fatu

    08 de setembro de 2013 às 13h32

    Não só São Bernado, com toda cidade que a prefitura nunca teve arrecadação suficiente para ter um sistema mínimo de saúde.

    Liz Almeida

    08 de setembro de 2013 às 21h41

    Pra você ver, Zanchetta…

    Se em São Bernardo do Campo é assim, imagine nas cidades longíquas do Norte e Nordeste. Que venham os médicos estrangeiros!

renato

08 de setembro de 2013 às 11h14

Meu país esta ficando tão importante que os médicos serão colocados em seus devidos lugares, como membros importantes de uma sociedade. Nós estamos nos transformando em uma Sociedade.
Estamos merecendo ser espionados pela maior nação do Globo, que passou do desrespeito para o medo, e terá que passar e ficar na Respeito.
Somos o único país que tem uma Presidente com consultoria do Ex- Presidente Lula.
Somos o único país que faz manifestação no dia da Independência com 521 manifestantes cobertos pela mídia com direito a Helicopterós, e cortes na transmissão normal, é a TV que quiz fazer as pazes com os manifestantes.
Este é meu querido País Chamado Brasil, que fez seis gols no amistoso.
Nós somos ferozes e velozes….Um bom domingo.

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Rasec

08 de setembro de 2013 às 10h33

Reportagem interessante de algo que está dando certo! Parabéns ao site. Também queremos notícias boas por aqui, principalmente do Governo Dilma!

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bento

08 de setembro de 2013 às 05h21

Dilma vai suspender o leilão do campo de libra depois que o imperio passou para suas empresas informações confidencias do Brasil?

Responder

    bento

    08 de setembro de 2013 às 05h31

    Dilma não adianta espernear…tome uma atitude…suspenda o leilão/entrega do campo de libra…

Porém

08 de setembro de 2013 às 04h27

nesse caso, Cuba perde tudo que já investiu e iria ganhar, além da família desse que virá. Um prejuízo de cerca de R$ 50mihlões por cada um. O Brasil teria então que pagar isso

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FrancoAtirador

08 de setembro de 2013 às 02h59

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