VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Álvaro Rodrigues dos Santos: Que o coração prevaleça sobre o fígado


02/11/2014 - 13h32

bandeirabrasileira

Democracia brasileira em risco

por Álvaro Rodrigues dos Santos

O tom agressivo de manifestações de várias figuras de destaque do PSDB, de colunistas de mídia que lhes são favoráveis e do séquito de internautas que repercutem quase profissionalmente esse apoio trazem graves preocupações quanto ao destino próximo da democracia brasileira.

Na verdade, os líderes tucanos e de outros partidos de oposição ao governo federal amealharam invejável cacife político-ideológico-eleitoral de quase 50 milhões de votos à base de prolongada e intensiva campanha de ódio, aversão e repugnância ao PT e às suas principais lideranças, Dilma e Lula, campanha mobilizadora de ensejos, desejos e propostas de exclusão sumária, eliminação, escorraçamento dos petistas.

Obviamente, as lideranças tucanas não pretendem perder esse forte e consistente cacife político, para o que estão a mostrar que farão o possível e o impossível para tanto, inclusive praticar de fato a não aceitação do resultado eleitoral.

O grande problema para a nação é que a linha que reuniu e uniu esse grande contingente radicalmente oposicionista ao PT é a linha do ódio e da aversão absoluta. Uma linha que não encontra substituição, ao menos a curto e médio prazos, donde a aparente decisão política-tática do tucanato em continuar, já logo após o resultado eleitoral, o mesmo diapasão propagandístico do ódio e da absoluta não aceitação do PT (e de sobra de toda a esquerda brasileira).

As atuais declarações das lideranças tucanas e os artigos produzidos por seus colunistas engajados são evidências dessa opção tática.

Não sei se haverá entre os tucanos quem consiga algum sucesso em procurar evitar essa loucura, substituindo-a pela prática de uma oposição forte, mas essencialmente propositiva no que diz respeito às políticas públicas que programaticamente defendem, prática democrática da qual se afastaram há já quase uma década.

De momento, posso apenas torcer para que o PT, as esquerdas brasileiras em geral e sua base popular de apoio não caiam na armadilha de responder ao ódio com mais ódio. Não há como imaginar coisas boas para a sociedade e para a democracia brasileiras que possam resultar de um caminho assim definido e trilhado.

Que prevaleçam o coração e o cérebro sobre o fígado e a vesícula.

Álvaro Rodrigues dos Santos  é geólogo,  consultor em  geologia de engenharia, geotecnia e meio ambiente. Foi diretor da Divisão de Geologia e de Planejamento e Gestão Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT)

Leia também: 

Especialistas de 23 países debatem: Memória, base para firmar a democracia





13 comentários

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Álvaro R. Santos

29 de março de 2015 às 15h28

Caro Jair,
Como autor do artigo, concordo plenamente com sua observação. E acredito mais, que o grande poder midiático a que você se refere, e que “pauta” hoje a oposição, é apenas um braço de um centro de poder que transcende as fronteiras nacionais.
Quanto à maioria dos outros comentários percebo que, infelizmente, mostram que seus autores se preocuparam menos em entender o artigo e mais em exibir o verbo e suas valentias revolucionárias “vilamadalenoistas”.

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Urbano

03 de novembro de 2014 às 14h04

Os fascistas da oposição ao Brasil se aproveitaram e se aproveitam do vazamento de sua usina nuclear, sem que se tenha providenciado a menor atitude de estancá-lo, por quem de direito. Isso é para ser feito agora, se possível ‘ontem’… Os fascistas não teriam nem 20% por cento de apoio, caso o povo não tivesse sido enganado pelos mesmos, como ocorre há séculos.

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Andre

02 de novembro de 2014 às 22h57

Esse papo de coração não leva a nada. É bom olhar por exemplo, para como a Inglaterra tem reagido ao avanço do fascismo. A cada manifestação dos fascistas uma contramanifestação reunindo o maior número possivel de pessoas é convocada; se for necessário o confronto físico para a autodefesa parte-se para ele. O fascismo já fez muito mártir, não há nenhuma beleza em ser mártir. EM segundo lugar e mais importante: investigar e denunciar a ligação de politicos e pessoas do estabelishment com as gangues e milicias fascistas. Um dos membros do UKIP foi levado a renunciar ao partido na Inglaterra porque suas ligações com atentados racistas foi provada pela Esquerda. Chega de papo, é hora de agir.

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abolicionista

02 de novembro de 2014 às 22h36

A Dilma tem que ficar de olho nas forças armadas e analisar muito bem quais os setores que são leais e quais poderiam trair o país. E chamar o povo às ruas, com a radicalidade e o vigor necessários.

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abolicionista

02 de novembro de 2014 às 22h33

Usar o cérebro significa não reclamar, significa adiar mais uma vez as reformas necessárias e assistir de camarote ao inevitável avanço do pensamento conservador? Pra empurrar um pouco mais pra frente o inevitável colapso?

Não obrigado, prefiro continuar lutando.

Eu não votei na Dilma para viver numa democracia de araque. Que pelo menos deem um golpe e deixem de hipocrisia.

Caro senhor Álvaro Rodrigues dos Santos, o pior escravo é o conformado.

Que democracia é essa, onde não se pode ter liberdade? Que coração é esse, que não se solidariza com os oprimidos e se acovarda diante dos opressores?

Historicamente, a esquerda do deixa disso sempre fez o trabalho sujo pra direita. Vimos isso acontecer várias vezes. A guerra civil espanhola é o exemplo mais evidente.

Meu coração, meu cérebro e meu fígado estão prontos pra a luta. Fascistas, não passarão.

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roberto

02 de novembro de 2014 às 17h01

Tipo: que o cérebro vença o pensamento “intestinal”…

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FrancoAtirador

02 de novembro de 2014 às 16h42

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Enquanto a Presidente se faz de Avestruz,

Eduardo Cunha e a Bázialháda do Banditismo

com a Mídia Fascista tripudiam na Câmara.

(http://www.portaleduardocunha.com.br)
(http://abre.ai/eduardo-cunha_e_o_banditismo-de-mdia)
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Responder

Ana Silveira

02 de novembro de 2014 às 14h58

Falou ! Que os olhos se abram, os sentidos espreitem que os lobões estão rodeando …

Responder

Jair de Souza

02 de novembro de 2014 às 14h33

Um texto que ajuda a entender o panorama do ódio que vai sendo gestado em nosso país em em toda a América Latina onde predominam governos não subordinados ao Pacto de Washington (Venezuela, Equador, Argentina, Bolívia, Nicarágua, para citar os principais casos).

Não concordo, porém, quando o autor diz que este clima de ódio provém “de várias figuras de destaque do PSDB, de colunistas de mídia que lhes são favoráveis e do séquito de internautas que repercutem quase profissionalmente esse apoio”.

É que, da forma como está redigido, a expressão poderia dar-nos a entender que é o PSDB quem comanda o processo e que os colunistas da mídia estariam atuando em seu apoio, ou seja, numa posição secundária.

Estou chamando a atenção para este detalhe não por frescura, ou excesso de picuinhas. Faço isto porque, em meu entender, para que não sejamos derrotados implacavelmente, é preciso que tenhamos bem claro qual é o núcleo, a força principal, do inimigo que nos quer eliminar (e devemos entender o termo “eliminar” em todas as suas acepções, inclusive física).

Reitero algo que trato de ressaltar sempre que posso: o verdadeiro partido do grande capital na era do capitalismo neoliberal globalizado são as grandes corporações midiáticas. Os partidos políticos burgueses e oligarcas tradicionais (do tipo de PSDB, DEM, PPS, PV, etc) são meramente coadjuvantes neste novo cenário. Portanto, não são eles que determinam o rumo que o processo de oposição vai tomar. Quem se encarrega disto é o Partido Real do Grande Capital, em outras palavras, as corporações midiáticas.

Este partido de novo tipo tem um alcance e uma capacidade de articulação infinitamente superior ao das entidades partidárias formais. Ele tem sua rede de influência fortemente estabelecida entre os diversos segmentos do Poder público, em especial no Judiciário e no parlamentar (em países, como o Brasil, em que não houve nenhuma reforma política que alterasse significativamente o esquema de eleições parlamentares).

E, o que é o mais grave, este novo partido tem uma enorme capacidade de manipular os preconceitos embutidos na mente das camadas médias da população e açulá-los de modo tão intenso a ponto de que se tornem ódio incontrolável. Pressinto que já avançaram bastante neste propósito e que estão se preparando para soltar as rédeas das feras que eles geraram.

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FrancoAtirador

02 de novembro de 2014 às 14h07

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E a Militância Petista que deu o Sangue e a Alma para a Reeleição

deve ficar quietinha e apanhar calada, e seguir levando porrada

no meio da rua, e assistir à depredação de veículos com adesivos,

diante do olhar compassivo e compreensivo da Polícia AntiPetista.

É, realmente, é melhor ficar encerrado dentro de casa, apavorado,

e ver os Fascistas se adonarem das avenidas nas grandes cidades

e destruírem o pouco de Democracia conquistada neste Ucranistão.

(http://www.revistaforum.com.br/mariafro/2014/11/01/denuncia-eleitores-de-aecio-atacam-familia-dentro-de-automovel)
(http://www.blogdacidadania.com.br/2014/11/carro-com-familia-dentro-e-atacado-por-ter-adesivo-de-dilma)
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Responder

    FrancoAtirador

    02 de novembro de 2014 às 14h34

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    COMETA G.A.F.E.* E O NEOLIBERALISMO ANTIPETISTA

    Economistas filiados ao Liberalismo Econômico,

    como Friedrich Hayek, Ludwig von Mises e Milton Friedman,

    desenvolveram uma Crítica Teórica ao Socialismo em geral,

    afirmando que qualquer Programa Estatal de Justiça Social

    e Nacionalização de Riquezas é uma ameaça à Liberdade Individual

    e Prejudicial à Eficiência Econômica e Tecnológica de um País.

    O Livre Mercado, segundo o Neoliberalismo, é o único Sistema Econômico

    compatível com a Liberdade Humana e com a Moralidade da Sociedade.

    Os Neoliberais vão mais longe, condenando toda redistribuição de riquezas,

    como sendo um exercício de coerção do Estado sobre o contribuinte.

    Por esta razão, os Neoliberais opõem-se a toda a Esquerda Política,

    e não apenas aos partidos comunistas, socialistas ou ‘bolivarianos’.
    .
    .
    E há imbecil que acha que as Ciências Econômicas, assim como as Demais,

    são meras questões de opinião pessoal baseadas em crença ou descrença.

    Os Néscios nem supõem que por trás das manchetes de Jornais e Revistas

    de Globo, Abril, Folha e Estadão*, e suas repetidoras pelo País inteiro,

    estão os Proprietários das Empresas de Comunicação que são seguidores

    e divulgadores das Teses Neoliberais de Economistas como Milton Friedman,

    Membro da Escola de Chicago e Principal Apóstolo da Escola Monetarista,

    que tem bases fundadas nas Teorias de Doutrinadores da Economia Libertina

    como Ludwig von Mises e Friedrich August von Hayek, da Escola Austríaca,

    que são referências de economistas do INSPER, da Casa das Garças, da FGV

    e do Instituto Millenium, como Armínio Fraga, Lara Resende e W.Waack,

    todos os quais, aliás, atuando deliberadamente em defesa dos Mercados Financeiros,

    confundem Liberdade Democrática Individual com Livre Iniciativa Empresarial.

    (http://pt.wikipedia.org/wiki/Anticomunismo)
    (https://www.viomundo.com.br/voce-escreve/alex-solnik-a-vanguarda-popular-da-direita-sai-do-armario.html)
    (https://www.viomundo.com.br/politica/katia-baggio-na-verdade-sao-apenas-dois-projetos-em-disputa.html)
    (https://www.viomundo.com.br/voce-escreve/flavio-azeredo-nas-redes-sociais-confusao-entre-pt-e-comunismo.html)
    .
    .

    Andre

    02 de novembro de 2014 às 22h53

    É só dar uma passeada no site do Instituto Von Mises.Eles nem tem mais o pudor – ou o ridículo – de atacar o bolshevismo. O Inimigo da vez dos libertinos é a própria democria liberal. É só chegar lá e ler as matérias no tag ‘democracia’.

    abolicionista

    03 de novembro de 2014 às 12h03

    É isso mesmo, FrancoAtirador, é aquela velha história da esquerda “moderada” fazendo o trabalho sujo pra direita.

    “Agora que a Dilma está eleita, danem-se os movimentos sociais, danem-se as reformas prometidas, danem-se as pautas da esquerda.

    Só importa a governabilidade. Basta ficarmos calmos que tudo voltará ao normal.”

    Só que essa normalidade é o avanço do ódio, a cooptação de um exército fascista, a formação de uma mentalidade conservadora como não se via desde o pré 64.

    Em junho, o PT já havia perdido o direito de frequentar os protestos. Agora não é só o PT, é qualquer símbolo ou pauta da esquerda.

    Pelo visto, estamos diante de mais uma traição do PT. Triste.

    Bom, de todo modo, o fascismo já chegou. A questão é, como vamos enfrentá-lo?


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