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Diário da Resistência


Política

A crítica dos sindicalistas ao aumento do superávit fiscal


29/08/2011 - 18h24

29 de Agosto de 2011 – 17h22

Trabalhadores condenam contenção de gastos anunciada pelo governo

do Vermelho

Os representantes da classe trabalhadora não gostaram da elevação da meta de superávit fiscal primário anunciada nesta segunda-feira, 29, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Duramente criticada pelas centrais sindicais, a medida pode contribuir para aprofundar os impactos recessivos da crise, na opinião do presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes.

“O anúncio está na contramão do que as centrais desejavam e o país precisa”, assegurou Gomes. Superávit primário é a economia que o conjunto do setor público (União, estados, municípios e empresas estatais) promove para pagar os juros da dívida interna.

Desaceleração da economia

O problema, conforme reclamam os sindicalistas, é que tal economia pressupõe a subtração de recursos que deveriam ser destinados pelos governos à saúde, educação, funcionalismo, melhoria dos serviços e benefícios concedidos à população e investimentos públicos.

Conforme observa o líder da CTB, além de impedir a satisfação das demandas dos movimentos sociais, a contenção de gastos tem um caráter recessivo e contribui fortemente para a desaceleração da economia, ao lado da política monetária que faz do Brasil o país com as mais altas taxas reais de juros do mundo.

Transferência de renda

No total, a meta de superávit será elevada de R$ 117,9 bilhões para R$ 127,7 bilhões, mas o esforço ficará concentrado no governo federal, cuja economia sobe de R$ 81 bilhões para R$ 91 bilhões. O governo garante que não serão feitos cortes adicionais (além dos R$ 50 bilhões programados) e alega que a medida abre espaço para a redução das taxas reais de juros.

Nos sete meses deste ano, o superávit primário do setor público consolidado chegou a R$ 91,979 bilhões, contra R$ 43,588 bilhões registrados de janeiro a julho de 2010. Com isso, foram alcançados 78% da meta para este ano, R$ 117,9 bilhões. A União registrou superávit de R$ 66,307 bilhões, enquanto os governos estaduais contribuíram com R$ 21,711 bilhões e os municipais, com R$ 2,050 bilhões. As empresas estatais registraram R$ 1,911 bilhão. Esse superávit representa 78% da meta para o ano.

Outra atitude

Para Wagner Gomes “o momento exige outro tipo de atitude”, uma vez que crescem os sinais de desaceleração das atividades, especialmente no setor industrial, onde já se verifica uma queda no nível de produção e emprego.

“A economia precisa de estímulo, mas a resposta do governo é uma ducha de água fria”, sustenta o presidente da CTB. Gomes acrescenta que o pagamento dos juros significa uma brutal transferência de riqueza do conjunto da sociedade, incluído a classe trabalhadora, para credores rentistas que se transformaram em parasitas da dívida pública. O mecanismo, viciado, distorce o papel do Estado e fortalece a concentração da renda e a desigualdade social.

PEC 300 e Emenda 29

“Isto é inaceitável”, proclamou. “A política econômica e os recursos públicos, que são escassos, não podem ser colocados a serviço da oligarquia financeira. Queremos que o dinheiro que provém dos impostos arrecadados, dinheiro que é do povo, seja utilizado em benefício do conjunto da sociedade. Isto significa mais (e não menos) investimentos em saúde, educação, valorização do funcionalismo, infra-estrutura e geração de emprego”.

O impacto negativo do superávit se traduz, por exemplo, na oposição do governo à PEC 300, que cria o piso nacional para policiais e bombeiros, e à Emenda 29, que garante mais recursos para a saúde pública, cuja precariedade é notória. Benefícios do gênero, reivindicados pelos movimentos sociais, são sacrificados no altar do superávit primário, que requer um salgado excedente econômico para pagar juros.

Mudança da política econômica

O presidente da CTB lembrou que o governo Lula “fez diferente” no segundo semestre de 2008, quando a crise do capitalismo americano bateu mais forte por aqui. “Tivemos, naquela ocasião, a redução do superávit primário e também da taxa básica de juros, além da desoneração do setor produtivo. A economia reagiu positivamente e a crise foi rapidamente contornada. Infelizmente, o caminho trilhado agora é outro e o resultado não será o mesmo. O governo está alimentando a desaceleração e isto não é nada bom”.

Gomes voltou a defender a mudança da política macroeconômica, “começando pela redução da taxa básica de juros. Vamos participar de uma manifestação em Brasília nesta quarta-feira, ao lado da UNE, pela redução de juros e por um novo projeto nacional de desenvolvimento com soberania e valorização do trabalho. É hora também de pôr fim ao câmbio flutuante, controlar o fluxo de capitais estrangeiros e restringir as remessas de lucros das multinacionais”, complementou.

Da Redação, Umberto Martins

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24 comentários

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Bruno Moreno

30 de agosto de 2011 às 19h53

Amanhã a UNE se mobiliza pelos 10% do PIB para a educação. Presença de Camila Vallejo do Chile.

Do Carta Maior:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMos…

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CLAUDIO LUIZ PESSUTI

30 de agosto de 2011 às 19h15

Nada como ter uma "presidenta de esquerda", fazendo tudo aquilo que o capital quer.Ah, hoje, os beneficiados estavam reclamando, pois na verdade ela "não cortara gastos correntes" simplesmente deixara de gastar o dinheiro a mais que vai entrar.Esses caras nunca estão satisfeitos, querem tudo só para eles.A Dilma ta ai, para atende-los .Ja recomposição salarial do funcionalismo , Emenda 29 e PEC 300 "quebram o pais".O negocio e desonerar empresario, multinacional de automóveis, fazer "bolsa classe media", beneficiar micro e pequeno empresario, os campeões da sonegação, com menos impostos, aumentar juros, isentar usineiro de imposto, fazer estadio do Curintixia, etc, etc, etc.Que beleza, ainda bem que votei no PT, nada como um governo de esquerda

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Fabio_Passos

30 de agosto de 2011 às 19h01

O governo condicionou queda dos juros a um aumento do superavit fiscal?
Inacreditável.

Voltamos ao governo fhc?

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Morvan

30 de agosto de 2011 às 15h04

Boa tarde.
A Dilma está imitando o meu Corinthians em tudo: tinha tudo para ganhar o campeonato de lavada, mas tá dando chance pro adversário (no caso da Dilma, pro inimigo). Só que há uma pequena, sutil, mas fundamental diferença: o Corinthians está entregando de bandeja a liderança e ninguém parece querê-la; já a direita, diferentemente dos times do brasileirão, não perde esta oportunidade nunca. Se Dilma cochilar, a direita "ganha o campeonato".

Quanto às Centrais de Trabalhadores, que bom que eles fazem o seu trabalho. Que bom que não foram cooptados pela mosca azul do poder.
Editato: à –> às.

Morvan, Usuário Linux #433640.

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    Vlad

    30 de agosto de 2011 às 19h36

    Claro que não foram cooptados.
    O maior exemplo foi a posição de decúbito ventral que assumiram as centrais na votação do reajuste do salário minimo. O que não faz um gordo assento no conselho de administração de estatais. Aliás, GRAANDES conselheiros.

Metalúrgicos são o dragão da inflação | Viomundo - O que você não vê na mídia

30 de agosto de 2011 às 12h02

[…] A crítica dos sindicalistas à nova meta do superávit primário   […]

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ZePovinho

30 de agosto de 2011 às 11h34

Eu sou partidário da tese de Delfim Netto:o BACEN precisa ser,DE FACTO,reestatizado.Ou voltar a ser,apenas,uma superintendência de quinta categoria dentro do Ministério da Fazenda.
Um banco central controlado por banqueiros privados protege os monopólios bancários da concorrência,mantendo o sistema de reservas fracionárias(a famosa alavancagem de ativos) dos bancos privados intacto.
Como sempre,digo que essa opinião é a mesma de Murray Rothbard- respeitado economista da Escola Austríaca de Economia e membro da ala anarco-capitalista do Partido Republicano.Essa tendência foi escanteada pelos neoliberais e sua madrassa que prega mercado para os pobres e proteção estatal para os ricos.
Rothbard era uma figura interessante.

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augusto

30 de agosto de 2011 às 10h05

nao entendo isso, o q tambem é desimportante.
porem alguem precisa definir: o que acelera MAIS a Economia real do país: soltar a amarra fiscal em uns 10 ou 15 por cento do orçamento ou derrubar em um terço a taxa Selic e um 1/4 os spreads às pessoas fisicas e às pequenas empresas ??
minha crença pessoal aponta para a segunda hipotese ! -e as vejo como excludentes ao menos na correlaçao de forças vigente por aqui.

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Guanabara

30 de agosto de 2011 às 09h49

Falou tudo. A "bolsa banqueiro" continua a todo vapor….

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Pedro Luiz Paredes

30 de agosto de 2011 às 01h08

É só cumprir a constituição e instituir o imposto sobre grandes fortunas que bate esses 10 bilhões fácil.
Mas Dilma prefere cortar investimentos em saúde e segurança pública.

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VanderResende

30 de agosto de 2011 às 00h11

Sou de Minas Gerais, de Conselheiro Lafaiete, uma cidade de 100 mil habitantes. A região em que está situada Lafaiete é uma das grandes produtoras de minérios de Minas Gerais, o chamado quadrilatero ferrifero. Minha cidade funciona como dormitório para funcionários de mineradoras da CSN-Namisa (em Congonhas), Mina Fábrica/Vale do Rio Doce (também em Congonhas), além de outras mineradoras, além de usinas como a Gerdau-Açominas (situada em Ouro Branco) e da VSB (uma multinacional franco-niponica, situada em vizinha de Ouro Branco).
Nas últimas semanas, enquanto as mineradoras compra maquinas cada vez maiores, para extrair o minério que será exportado, minério bruto, sem nenhum valor agregado, a Gerdau Açominas, devido a diminuição da exportação de aço, anuncia cortes de pessoal.
Cortes que já começaram nas principais empreiteiras da Açominas, que reduziu o ritmo da expansão do seu parque industrial, devido as citadas reduções de exportação de Aço.
Na cidade dormitório, onde vivo, os preços dos aluguéis que estavam nas alturas, começam a despencar, pois centenas de apartamentos e casas que eram utilizados como alojamento, para trabalhadores que vinham de todas as partes do Brasil, agora estão se esvaziando.
Enquanto isso, em Brasília, o Banco Central mantém os juros nas alturas e o Governo Federal faz sua parte para parar a economia, com a redução dos gastos tanto com custeio quanto com investimento.

Responder

VanderResende

30 de agosto de 2011 às 00h11

Sou de Minas Gerais, de Conselheiro Lafaiete, uma cidade de 100 mil habitantes. A região em que está situada Lafaiete é uma das grandes produtoras de minérios de Minas Gerais, o chamado quadrilatero ferrifero. Minha cidade funciona como dormitório para funcionários de mineradoras da CSN-Namisa (em Congonhas), Mina Fábrica/Vale do Rio Doce (também em Congonhas), além de outras mineradoras, além de usinas como a Gerdau-Açominas (situada em Ouro Branco) e da VSB (uma multinacional franco-niponica, situada em vizinha de Ouro Branco).
Nas últimas semanas, enquanto as mineradoras compra maquinas cada vez maiores, para extrair o minério que será exportado, minério bruto, sem nenhum valor agregado, a Gerdau Açominas, devido a diminuição da exportação de aço, anuncia cortes de pessoal.
Cortes que já começaram nas principais empreiteiras da Açominas, que reduziu o ritmo da expansão do seu parque industrial, devido as citadas reduções de exportação de Aço.
Na cidade dormitório, onde vivo, os preços dos aluguéis que estavam nas alturas, começam a despencar, pois centenas de apartamentos e casas que eram utilizados como alojamento, para trabalhadores que vinham de todas as partes do Brasil, agora estão se esvaziando.
Enquanto isso, em Brasília, o Banco Central mantém os juros nas alturas e o Governo Federal faz sua parte para parar a economia, com a redução dos gastos tanto com custeio quanto com investimento.

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Klaus

29 de agosto de 2011 às 22h27

Dilma fez isto só de maldade, né? Benzadeus…

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laura

29 de agosto de 2011 às 22h00

Os funcionarios das Ufederais estão parados. Os IFRNs estão parados( professores também).
Pedem simplesmente um reajuste, até agora nada.

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assalariado.

29 de agosto de 2011 às 21h17

Eu já sabia!! É o Estado burgues e seu gerente de plantão a serviço do capital imperialista financeiro. Nos países subdesenvolvidos e dependentes, como é o caso do Brasil, o Estado (governo), não serve só aos interesses da burguesia local, como também, e principalmente, aos interesses do capital monopolista, isto é, do imperialismo economico. Nestes países, seja governo neoliberal e ou social democrata, o Estado se torna grande colaborador do capital monopolista e o principal promotor da dependencia econômica. Este é o preço politico de quem deseja se tornar apenas um eterno subalterno colonial, sem romper com a ciranda financeira global que, só no último ano -(agosto a agosto)- nós povo brasileiro, já pagamos R$ 220 bi de juros da divida interna. Quanto aos investimentos na saúde, educação, transporte, ora, o povo pobre que se lasque! Como já é sabido a dependência economica leva a dependencia politica, logo… Vamos dar vivas a hipocrisia social democrata e seu "Estado de direito". "Brasil, um país de todos" Então tá…

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    Klaus

    30 de agosto de 2011 às 09h43

    1968, o ano que não acabou!

    ZePovinho

    30 de agosto de 2011 às 12h48

    Isso é porque vc ainda está em 1930,quando o liberalismo ainda se achava o último biscoito do pacote.

    Vlad

    30 de agosto de 2011 às 12h55

    O PT é mera continuação dos governos tucanos; apenas levaram um pouco menos azar porque pegaram o mundo em singular expansão econômica, a inflação controlada e os bancos saneados pelo PROER do sociólogo vampirão.
    Reforma agrária, educação, saúde, segurança, rodovias, serviços públicos (justiça, inclusive), corrupção, tudo continua a mesma merda.
    A expansão da classe C não foi mérito de governo algum; foi fenômeno mundial uniforme em quase todos os países pobres e consequência indireta da forte demanda por commodities.
    Fora traidores!!!
    Que venha o PSOL.

    º,..,º

    assalariado.

    30 de agosto de 2011 às 20h24

    Vlad, votei no Psol no 1º turno e, na dona Dilma no 2º , mas sem ilusão que ela fosse mexer o minimo que fosse nas estruturas do Estado capitalista, burguês.

    Dentro da minha compreensão de partido politico, este, só será de esquerda -(de fato)- quando ele vazar da classe média para baixo. Ou seja, quando tiver ligação direta com os assalariados e vier há porta das empresas e para periferia, fazer um trabalho de base. Fora isto, levará outra lavada nas próximas eleições. Infelizmente é o que esta se desenhando aqui na cidade que moro.

    Saudações Socialistas.

EUNAOSABIA

29 de agosto de 2011 às 19h52

Sei.

Responder

Marcio H Silva

29 de agosto de 2011 às 19h44

Mais uma vez os banqueiros vão se dar bem. Mesmo sonegando conforme mostrado pelo Brizola neto em matéria de hoje em seu blog. Mais uma vez a PEC 300 vai ser adiada. Mais uma vez a PL 29 vai ser ignorada. Mantega no governo Lula tinha uma postura, será que tá botando as unhas de fora? não aprendeu nada com lula?

Responder

    Scan

    30 de agosto de 2011 às 00h30

    As diretrizes vêm de cima, meu caro. Existe um, e apenas um responsável pelo freio: DILMA ROUSSEFF, a "Dilminha", como querem alguns.

Leo V

29 de agosto de 2011 às 19h30

Dilma está se saindo muito pior que a encomenda.

Depois os partidos ditos de esquerda se surpreendem quando os eleitores não vão votar, e a direita acaba ganhando, como acontece com certa frequencia na Europa (e na Espanha mais recentemente). Eles fazem por onde, se tornam tão parecidos, senão iguais aos de direita que a juventude e a parte da população com tendência de esquerda não se dá o trabalho de ir às urnas.

Responder

Evandro

29 de agosto de 2011 às 19h24

Enquanto isso, nós estudantes da UFSC estamos sem biblioteca universitária, restaurante universitário, sem laboratório de informática, com défict na contratação de professores e técnicos administrativos, a UFSC está cheia de construções com mais de 1 ano atrasadas, as verbas do REUNI são insuficientes para ter uma expansão de qualidade no ensino. Os campi de Joinville, Curitibanos e Araranguá estão sem a estrutura mínima necessária para se ter um ensino de qualidade. Enfim, qual é a real necessidade desse superavit primário ser tão grande? pagar juros para quem? e a educação, saúde, segurança e investimentos em infraestrutura como ficam?

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