VIOMUNDO

Diário da Resistência


Opinião do blog

O debate sobre golpe e impeachment entre apoiadores de Dilma


05/12/2014 - 12h04

por Luiz Carlos Azenha

Debate acirrado, numa lista de amigos que trocam mensagens por e-mail.

Há os que acreditam que a campanha pelo impeachment de Dilma caracteriza um golpe, dentre eles o Eduardo Guimarães e o Luís Nassif. Breno Altman discorda, alegando que o que a direita busca é enfraquecer o PT.

Breno acredita que Dilma comete um erro ao trazer para dentro do governo conservadores que podem vir a colaborar com seu enfraquecimento político.

Argumenta que o custo é alto junto aos movimentos sociais e a setores do eleitorado que reelegeram Dilma.

A posição de Breno é próxima da do secretário de comunicação do MST, Igor Felippe, que não vê explicação razoável para a indicação de Joaquim Levy ou Kátia Abreu para o ministério.

Eduardo e Nassif enxergam possível golpe a partir das ações do juiz Moro, que preside a Operação Lava Jato e seus vazamentos seletivos, complementadas pelas de Gilmar Mendes, encarregado de analisar as contas de campanha de Dilma em 2014.

A desaprovação delas e a não diplomação da candidata vitoriosa seria o ponto de partida do golpe, com a aplicação da tese de que Dilma foi “contaminada” pelo dinheiro sujo de empresas envolvidas na Operação Lava Jato.

Discordo de todos os meus amigos que citei acima.

Quanto às contas da campanha, a não ser que o PT tenha cometido erro grosseiro, não acredito que Gilmar Mendes tenha condições políticas de evitar a diplomação de Dilma com base em alguma filigrana jurídica.

Não falta esforço aos conservadores, através de seus porta-vozes na mídia corporativa. Eles praticam descaradamente o usual “o que interessa a gente destaca, o que não interessa a gente esconde”.

Foi assim, por exemplo, com o depoimento do executivo Augusto Mendonça à Polícia Federal. Ele, que trabalha na empresa Toyo Setal, disse que doações legais eram parte do esquema de corrupção na Petrobras. Mencionou doações feitas ao PT. Foi o suficiente para os três jornalões gritarem em uníssono nas bancas.

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Porém, os mesmos jornalões esconderam detalhes reveladores do depoimento. Sim, o executivo diz ter se encontrado com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari. Porém, no encontro, não disse qual seria a origem do dinheiro doado ao PT, nem que a ordem para fazê-lo teria partido de um ex-diretor da Petrobras envolvido no esquema.

Além disso, estamos falando de 2010. As contas de Dilma para aquela eleição já foram aprovadas.

A mídia apresentou o mesmo noticiário seletivo no caso do depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa à CPI. A certa altura, ele afirmou claramente que nada havia informado sobre o esquema ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma. A informação foi parar no pé das reportagens da Folha e de O Globo.

O que temos, aqui, é a continuidade da campanha de 2014 nas capas de jornais e revistas cujo público leitor é formado, majoritariamente, por eleitores de Aécio Neves. É um golpe de papel, diário, que serve à oposição.

Os números recentes de uma pesquisa Datafolha, embora apresentados de forma deturpada pelo jornal, demonstram que a aprovação de Dilma é estável, apesar do petrolão. A maioria da opinião pública aceita e quer ver Dilma exercendo seu segundo mandato.

Nas ruas, apesar do incentivo explícito de Aécio, do PSDB e da presença física do senador eleito José Serra no mais recente evento, a oposição consegue reunir no máximo 5 mil pessoas na maior metrópole do país, São Paulo.

Isso não basta para um impeachment, embora sirva à teoria do sangramento do governo. O que vemos, em minha opinião, é a repetição da estratégia do mensalão pré-eleições de 2006, acrescida da perspectiva real de impeachment dependendo das provas ainda a serem obtidas na Operação Lava Jato.

Encurralar o governo serve à oposição em particular e aos conservadores em geral por motivos múltiplos. Teremos eleições municipais em dois anos e a reconquista de São Paulo, hoje governada pelo PT, estará no topo das prioridades. Enfraquecer o partido também serve para diminuir o protagonismo petista no segundo mandato de Dilma. No longo prazo, serve para a próxima tentativa de conquista do Planalto, diante da perspectiva nada agradável de encarar a volta de Lula.

Nesse sentido, concordo com Breno Altman. No entanto, se tanto quanto ele tenho restrições ideológicas às escolhas de Dilma para o ministério, do ponto-de-vista político ainda acho que a presidente fez o cálculo matemático correto. Acalmou banqueiros e ruralistas, cuja influência no Congresso, em caso de uma tentativa de impeachment, é notável. Ocupou o centro e deixou a direita, especialmente a extrema-direita, flertando com o PSDB.

Lembrem-se: a extrema-direita pode ter muitos leitores de jornal e gerar uma imensidão de cliques na internet, mas não conversa com a gigantesca maioria dos brasileiros, com os quais Dilma dialoga ao demonstrar que fará um segundo mandato “moderado”.

Acredito que o clima de excitação pós-eleitoral na blogosfera responde ao golpe de papel ao qual assistimos diariamente nos jornais, mas não corresponde ao sentimento da grande maioria silenciosa.

Enfatizo: salvo grandes novidades na Operação Lava Jato, acho duvidosa a possibilidade de um pedido de impeachment ou de uma campanha de rua que emparede o governo Dilma. Um golpe à la Jango está fora de cogitação.

A oposição prepara o terreno, mas precisa de revelações realmente estarrecedoras comprometendo pessoalmente a presidente para ter chances de tirar Dilma do Planalto.

No desgaste contínuo do PT, neste sim, acredito, com impactos eleitorais a médio e longo prazo. O partido não dispõe dos meios para se defender junto à opinião pública e está claro que será continuamente bombardeado nas próximas semanas e meses, como foi durante o mensalão.

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O cuidado que Dilma deve tomar é o de não descuidar de tal forma da base que a elegeu a ponto de vê-la completamente ausente das ruas em caso de uma verdadeira tentativa de golpe.

Porém, o PT tem sido muito hábil em conseguir mobilizar seus eleitores e militantes só quando interessa: durante a campanha eleitoral. Não há motivo para acreditar que não conseguirá fazê-lo novamente, por mais desanimador que isso seja para os que batalham por mudanças verdadeiras e profundas na sociedade brasileira.

Por enquanto, a modernização conservadora não corre riscos, embora talvez fique cada vez mais dependente do PMDB.

Leia também:

Folha derruba Dilma jogando com dados de pesquisa

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



24 comentários

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Roberta

09 de dezembro de 2014 às 14h28

Gostaria de entender porque o governo Dilma e a esquerda que a apóia estão sempre na defensiva. Esses grupos que procuram enfraquecer o governo se utilizam do meio q tem sido bem sucedido pela elite brasileira historicamente, especialmente com relação à opinião pública, a que onde o vento bate leva. Podemos ficar reclamando ad eternum, e perpetuando de alguma forma o discurso moralista, se justificando sempre pelos outros. Por que a Dilma não faz que nem o Obama e se reúne com com a imprensa e jogue a contradição pro colo desses grupos… Faça pronunciamentos trocando miúdos com a população de forma didática. Não há manipulação que dê conta! Em que pé que está a proposta de regulamentação da mídia…E já passou da hora de ser criado uma frente anti-fascista e levar a discussão para além dos partidos políticos, a loucura da malucada se alastra e o ódio à política e à esquerda tb…

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Adriano

09 de dezembro de 2014 às 11h58

Erro de digitação por correção automatica: práticas neo-golpistas, não nao-golpistas. Tenho que tomar cuidado com este computador para deixarr que seja contaminado por este vírus.

Responder

Adriano

09 de dezembro de 2014 às 11h55

Muito pertinente a análise do Azenha. Mas ficam pontos interessantes a considerar e reforçar nesta discussão: o diálogo com os eleitores que, como alertou em suas considerações, só foi realizado à época do pleito. Por que a descontinuidade. O que se cobra da Dilma e do PT é exatamente isto: manter a militância ativa, presente, alerta, mobilizada, não para o confronto físico (claro que isto também não poderia ser negligenciado), mas para manter uma ação pro-governo no debate do dia-a-dia. Como bem disse o Azenha, as eleições estao batendo na porta, e não há nada que sensibilize mais o agente político do que grana para financiar a campanha e o voto, especialmente este último. Por isto, não consigo entender o imobilismo do partido. Uma ideia interessante seria, por exemplo, iniciarmos um movimento na rede de apoio ao governo por meio de abaixo assinado as ações de combate à corrupção e da postura transparente do governo ao momento que vivemos, mas também de condenação a exploração política, contra os meios de comunicação e aos políticos de oposição, denunciando as práticas não-golpistas vigentes. Urge uma tomada de posição no enfrentamento à esta tentativa flagrante de acachapar, intimidar e acuar o PT, o seu governo e os eleitores que protagonizaram sua recondução. Até quando aceitaremos passivamente isto?

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eduardo

08 de dezembro de 2014 às 23h33

é subestimando os conservadores que eles podem prevalecer.
resumir tudo a manchetes de jornais e pareceres de gilmar é de uma ingenuidade
irritante.
a disputa eleitoral ja passou . essa etapa atual nao tem regras!

Responder

Danielle

08 de dezembro de 2014 às 16h43

A direita não visa Dilma, visa o PT. Através de Dilma visa atingir o PT e inviabilizar a volta de Lula e 24 anos de PT no poder. Sabemos que não têm adversários capazes de bater Lula numa eleição. Se com ampla e raivosa campanha do PIG contra o PT e contra Dilma ela venceu, o que não dizer de Lula? Resta-lhes que outra alternativa? O golpe. Eles não ganham no voto, já sabem disso. Dilma será cozida lentamente até que seu impeachment se torne um desdobramento “natural” dos “sucessivos escândalos protagonizados pelo PT”. A total imobilidade do governo Dilma, um judiciário torpe, uma polícia federal aparelhada, a ausência de qualquer reação do ministério da justiça sobre a sucessão de ilegalidades e inconstitucionalidades que caracterizaram as manifestações dos reaças após a eleição, a dissolução da base aliada da Dilma (um bando de abutres e traíras), a diminuição significativa das cadeiras do PT no parlamento, o avanço e maior organicidade da direita em aliança com o fascismo, a polarização pautada pelo ódio que persevera até hoje entre os aecistas forma um complexo caldo onde Dilma está sendo cozida viva, diuturnamente. O aperto necessário na economia deixará parte do eleitorado da Dilma com a sensação de que foi traído e a eleição foi ganha por diferença infima. Estou pessimista, não me iludo, o golpe está sendo muito bem urdido. O PT tinha que acionar a sua força social e praticar o republicanismo em toda a sua plenitude contra esses fascistas, mas é o que vemos, o governo mudo e acuado. Se o governo e o PT seguirem nessa o golpe será inevitável.

Responder

Gilberto de Oliveira

08 de dezembro de 2014 às 14h34

A capa da Veja ao lado de uma suástica é bem revelador…

Responder

Eduardo Guimarães

08 de dezembro de 2014 às 13h14

Azenha, só quero fazer uma ponderação: dizer que “o PT tem sido muito hábil em conseguir mobilizar seus eleitores e militantes só quando interessa: durante a campanha eleitoral” não me parece muito exato. Pressupõe que movimentos sociais, intelectuais, sindicatos são bobinhos que se deixam cooptar na época de eleição enquanto o governo petista os maltrata o resto do tempo. Não acho que seja por isso que na última eleição até amplos setores do PSOL e de outros partidos de esquerda mais radical foram para debaixo das asas do PT. O fato é que nem esse pessoal acredita naquele papo de que “PT e PSDB são a mesma coisa”. Todos esses que o PT seria “hábil” em cooptar “durante eleições” não fazem caridade ao partido; eles sabem que em um governo Aécio seriam esmagados. Sobretudo CUT, MST e outros similares. Daí que parte desses setores faz oposição (algumas vezes cerrada) ao governo petista durante 4 anos, mas às vésperas da eleição mudam de tom porque a alternativa ao PT são as trevas reacionárias, os homofóbicos, os racistas, os machistas que estão ao lado de Aécio e que, alguns, chegaram a dizer que Dilma prova que mulher não deve nem votar, quanto mais se envolver em política. Realpolitik pode parecer um palavrão, mas é um fato da vida. Como todo fato da vida, querer ignorar esse é o caminho mais curto para jogar o país em um regime praticamente ditatorial. Imagine você um governo Aécio, Azenha. Teria a cúpula do Judiciário, o Ministério Público, a maioria do Legislativo (que cairia em seu colo), a grande mídia e, horror dos horrores, o Poder Executivo nas mãos. Seria uma ditadura. Os grupos que o PT seria “hábil” em cooptar “durante eleições” sabem muito bem disso. Mas há muitos mais preocupados com a discurseira de esquerda do que com a Realpolitik, que muitos demonizam mas que é tão real e certa quanto o alvorecer de cada dia.

Responder

O Mar da Silva

08 de dezembro de 2014 às 11h06

Muito bem, Azenha.

O juiz Moro está a todo custo tentando achar algo que possa envolver a Dilma e justifique um processo de impeachment. Agora ele quer investigar as concessões dos aeroportos.

Ainda assim, é pouco provável que encontre algo que não resvale nos partidos da oposição seletiva e de memória fraca.

Aliás, quem pode querer incriminar a Dilma, Lula e o PT e fechar os olhos para os 10 anos de trensalão do PSDB?

Sem provas, só o mentirão teve vida longa no Brasil.

O STF já não conta mais com Barbosa e nem a PGR conta com o Gurgel tão seletivos em suas abordagens jurídicas e partidários de uma justiça sem provas e ideológica da pior espécie.

Responder

Fabio Silva

07 de dezembro de 2014 às 23h02

Nunca plantei nem um pezinho de planta. Aliás, tenho alergia a terra. Compro tudo em sacolão, fresquinho e limpinho.

Não tenho nenhum ascendente indígena. Meus antepassados são portugueses e italianos.

Não tenho nem um traço de consanguinidade com ex-escravos. Meus antepassados foram operários e fizeram sua própria vida.

Por que eu tenho que me importar com essas minorias? Sem Terra, indígena, quilombola…

Já chorei muito ouvindo “é a parte que te cabe nesse latifúndio…”. Tá lá, sem terra, e daí? A maioria dos brasileiros já vive na cidade. O que esses caras querem?

Já balancei muita bandeirinha da Palestina. Lá é que tem povo oprimido, aqui, tem é gente querendo atrapalhar o desenvolvimento da maioria com essa história de demarcar terra indígena ou titular terra quilombola.

Haja paciência com essa esquerda que está louca para derrubar a Presidenta e o PT.

Responder

Lukas

07 de dezembro de 2014 às 20h14

Fiquei triste com a escolha de Levy para Fazenda. Ele vai salvar o governo Dilma. Como Meirelles fez com o de Lula.

Mas, daqui a quatro anos, ninguém vai lembrar de agradecer, como ninguém agradece o Meirelles.

Responder

Fabio Passos

07 de dezembro de 2014 às 20h01

O PiG/psdb vai tentar o golpe.
Apostaram tudo… e tomaram a quarta derrota seguida.
Acreditaram que venceríam. Estão devastados na amargura e rancor do mau perdedor.

E mais… sabem que em 2018 Lula volta.

Responder

    Maria Dilma

    08 de dezembro de 2014 às 14h21

    Caro Fábio,

    Sou pragmática.Levy é simpático.O que pesa realmente é a conta de juros.
    Não li um único artigo até agora na esquerda, criticando a subida dos juros, ou oferecendo outra solução. Há solução?

    Alguém me explica?
    -se Dilma não aumentasse os juros o mercado derrubaria ela em quanto tempo?
    -ou foi ela mesma que fraquejou? (por não ter aliados para se fortalecer contra a máfia que se intitula investidores?)
    -a quantas anda a chance de a Presidenta pagar o principal da dívida? Impossivel? Mas não pagamos até o FMI?
    -Por que não há nenhuma reportagem na mídia podre, ou nos blogs sujos, explicando essa situação das contas a pagar (futuras) e o resultado disso?
    -seremos eternos devedores dessa máfia?
    -a máfia que se intitula investidores se constitui de quem exatamente? Onde posso ver essas informações? São bancos brasileiros? São estrangeiros?
    Mas Dilma não está exatamente a fazer novos emprestimos ao Santander? para comprometer gerações futuras eternamente, pelo visto….pois o fim do mundo está aí e não haverá tempo de pagar…

g.c.pazos

07 de dezembro de 2014 às 19h39

Eles estão entrando em desespero, pois sabem que o gigante acordou e é de esquerda, não mais vamos admitir essa conivencia do governo com ladrões de alto escalão, e é isso que esta levando o Aécio e os tucanos a loucura, ja estão todos bilionários, mas o medo de que a população não aceite mais eles se passarem por santos ,e por trás é grilagem de terras, é trabalho escravo, é ossada sem processo, pasta base sem dono, helicóptero usado para tráfico devolvido ao dono, deletucanos, vazamento de delacão premiada saido dos lençóis do juíz cuja ingenua esposa é acessora juridica do governo do tucanato paranaense,que meigo; devem estar blindando até o inferno, para sobrar para o PT, e o ministro Gilmar que deveria estar a frente e não permitir essa escancarada maracutaia, ele esta cuidando do banco do poder juridico que criou com seu instituto o IDP, onde o corpo docente são ministro, procuradores, juristas renomados entre outros, é mole ele julga o cliente do seu funcionário, enfim, o povo cansou de ser cordeiro, e se não for por tibunais, vamos pra rua, mas 470 nunca mais, agora é uma questão de honra queremos eles na cadeia.

Responder

Júlio César Carneiro da Silva Crespo

07 de dezembro de 2014 às 18h31

O PT é a vidraça!!! É a bola da vez!!! Ninguém aguenta essa choradeira de vocês da esquerda!!!

Responder

Sidnei Brito

07 de dezembro de 2014 às 18h19

Até onde sei, e se é que não estou enganado, em 2005 Lula fiou-se no povo e nos movimentos sociais para afastar as ameaças de golpe.
Sei que cada momento histórico tem suas características próprias e tudo mais, mas Lula recorreu, no momento de dificuldade, às bases populares, e não a ministros “matematicamente” escolhidos.
Embora, até onde se sabe, tenham sido leais ao presidente Lula, nomes como HEnrique Meirelles, Luiz Fernando Furlan e Roberto Rodrigues estiveram longe de ser essenciais para combater os riscos de derrubada do então presidente.
Ministros que “acalmam” a opinião pública e que têm trânsito com as elites também foram usados por Collor. Quem não se lembra dos ditos ministros “éticos” do ex-presidente? Hélio Jaguaribe, Celso Lafer e acho que até o Adib Jatene faziam parte do grupo. Em nada impediram a avalanche que levou ao impeachment daquele presidente.
Tudo isso só para dizer que estou mais com o Igor e com o Breno.
Sei que a principal alegação, já defendida de forma brilhante pelo Eduardo Guimarães, é de que o Brasil é um país conservador até a medula (o próprio lulismo, como bem mostrado pelo André Singer, é de matriz conservadora), com uma direita que cresceu bastante no campo simbólico e mesmo eleitoralmente no último período, e de que, consequentemente, Dilma teria pouco espaço para atuar e fazer um governo mais progressista, inclusive em razão da amplíssima e heterogênea coligação que a elegeu. De acordo. Mas, ora, para se fazer uma omelete é preciso quebrar os ovos (inclusive no programa da Ana Maria Braga)!
E vem cá, os amigos que fazem essa troca de e-mails sobre o assunto, já pensaram em lançar um livro com essa correspondência? Seria um documento histórico e tanto, sem dúvida.

Responder

    Mário SF Alves

    07 de dezembro de 2014 às 19h34

    “E vem cá, os amigos que fazem essa troca de e-mails sobre o assunto, já pensaram em lançar um livro com essa correspondência? Seria um documento histórico e tanto, sem dúvida.”

    ______________________________

    Sim, inclusive comentários como este seu, aqui no Viomundo.

    Sidnei Brito

    08 de dezembro de 2014 às 12h12

    Obrigado, Mário!
    Com comentários de muitos de nós aqui.

Cidadã brasilis

07 de dezembro de 2014 às 17h44

É o “OVO DA SERPENTE” sendo chocado dia a dia. Precisamos partir logo pra um contra golpe, ou não haverá tempo de reverter o caos que será instalado na próxima década. Nossos filhos e netos não merecem isso.

Responder

Ozzy Gasosa

07 de dezembro de 2014 às 16h46

Lembro quando o Azenha no Viomundo escreveu um texoto em que dizia sobre o Kassab, que era apenas um político de direita tentando sobreviver, em 2011 …
Hoje, a direita é aclamada com “salvadora da pátria” por uma população desinformada, mais “ignorante” e raivosa, em sua maioria, prinicipalmente, no sudeste.
Como mudou e o que o PIG não conseguiu com as repetições de suas mentiras e a leniência do PT e, também, do partidos de esquerda, na comunicação e defesa de suas ideias.

Responder

Andre

07 de dezembro de 2014 às 16h10

Também não acredito em golpe. Tenho batido nisso. A ultradireita pode não ser ainda maioria, mas acho que está trabalhando no longo prazo, se enraizando na sociedade e nas instituições. O que querem não é chegar ao poder ontem, mas algo muito mais perigoso: conquistar a hegemonia cultural – a direita andou estudando Gramsci – mantendo a tensão constante, jogando pesado na propaganda – ‘pedagogia politica’ à direita – e forçando o governo a adotar politicas que os favorecem – guerra de posição. A resistência a um golpe é difícil, mas legitimada pela forma como os golpistas conquistam o poder; a resistencia a uma hegemonia conquistada na sociedade é mais complicada. A minoria de extrema direita hoje é muito bem organizada e disciplinada, como nunca foi desde a redemocratização: e tem apoio em amplos segmentos da juventude. Uma minoria disciplinada e bem organizada, com estratégias e objetivos definidos é capaz de conquistar a hegemonia e o poder no longo(hoje eu diria médio) prazo, muito mais do que uma maioria que só usa o instrumento do voto para se fazer valer.

Responder

Mário SF Alves

07 de dezembro de 2014 às 15h33

A Ana Cruzeli:

Se isso que você disse é doideira… declaro-me igualmente doido.

Em tempo:

Parabéns pela lucidez. E… preparemo-nos, pois, independentemente de governo ou de partido político, a coisa anda muito fora dos eixos. Ou melhor, a coisa, hegemônica por aqui, COMO SEMPRE, anda por demais condicionada por um certo EIXO.

A propósito, houve um tempo em que a tal coisa hegemônica, sob absoluta pressão do tal EIXO, apertou tanto e tanto que a solução encontrada foi a entrega da Olga, grávida, ao marsupial tirano, anti-semita e assassino da vez.

E por falar nisso, será que, a exemplo de Olga, não entregaram o Genoíno, um dos símbolos da luta contra a tal desumana ordem hegemônica?

Seja como for, nada que a Hannah Arendt não tenha EXAUSTIVAMENTE explicado.

Hannah Arendt: http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/marcos/hdh_arendt_origens_totalitarismo.pdf

Responder

Elias

07 de dezembro de 2014 às 14h15

Esplêndido artigo de Luiz Carlos Azenha. Ele colocou todas as possibilidades de golpe num liquidificador e fez um suco de absurdo, azedo o suficiente até para quem toma iogurte com açúcar.

O “golpe de papel” me fez lembrar o “marcha soldado, cabeça de papel, se não marchar direito, vai preso quartel”. A “ustra-direita” foi aos portões do Comando Militar do Sudeste e deu com os burros n’água.

A verdade é uma só. Dilma será diplomada em 18 de dezembro de 2014 e tomará posse, pela segunda vez, em 1º de janeiro de 2015. Tudo em clima de boas festas para o Brasil e dor de cotovelo para os derrotados em exercício.

Responder

    Mário SF Alves

    07 de dezembro de 2014 às 15h51

    Igualmente parabenizo o Azenha, o que, no entanto, não nos exime de cuidados; até porque, com tanta provocação e ódio cego, a hora do enfrentamento definitivo pode estar por perto.

    Ah, e por falar em liquidificador, a mídia empresarial já liquidificou mais uma. Nem uma breve e tosca língua sobre o lançamento do satélite Cbers-4:

    “Lançamento de satélite sino-brasileiro é um sucesso.”

    Fonte: http://tijolaco.com.br/blog/?p=23570

    Lançamento de satélite… ah, isso é coisa do mal, diria o sofismático acadêmico Merval, o mesmo que recentemente classificou o Metrolão/corrupção do metro de São Paulo, como corrupção do bem. Ô, vexame! Vexamão, público e notório!

Mário SF Alves

07 de dezembro de 2014 às 13h53

“Porém, o PT tem sido muito hábil em conseguir mobilizar seus eleitores e militantes só quando interessa: durante a campanha eleitoral. Não há motivo para acreditar que não conseguirá fazê-lo novamente, por mais desanimador que isso seja para os que batalham por mudanças verdadeiras e profundas na sociedade brasileira.” L. C. Azenha
_____________________________

A análise é uma quase precisão matemática. Difícil acrescentar algo, no entanto…

1) “Aécio não vai aos protestos que ele mesmo convocou para este sábado. Em SP, duas mil pessoas, segundo a PM, protagonizam a venezuelização insuflada pelo conservadorismo e pedem intervenção dos militares; Serra discursa em defesa dos protestos ‘de hoje e de amanhã'” Fonte: Hora a hora.

2) “Esposa de Juiz da Lava Jato é assessora jurídica de Vice de Beto Richa (PSDB)
Rosângela Moro faz parte de um escritório de advocacia que defende várias empresas do ramo do Petróleo, concorrentes da Petrobras.”

http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Esposa-de-Juiz-da-lava-Jato-e-assessora-juridica-de-Vice-de-Beto-Richa-PSDB-/4/32372

3) “Por que Putin está ganhando a Nova Guerra Fria?
Estados Unidos só se preocupam com um homem – Vladimir Putin. O presidente russo desafia o Ocidente em cada fronte da nova Guerra Fria.”

http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Por-que-Putin-esta-ganhando-a-Nova-Guerra-Fria-/6/32367

Pronto. Bastam essas três notícias para se ter um raio x do porquê dessa pressa toda, já alucinada e alucinante, dos golpistas.

Entendo que tal questão há muito deixou de ser apenas determinada por interesse partidário e/ou de candidato super-derrotado. Seu cerne envolve um cenário totalmente novo: a imagem do cárcere, a tirar o sono de muito tucano gordo, e o fim do bolsa família de uma certa mídia empresarial, viciada em [comodamente] sugar parte do Orçamento da União.

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O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.