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Diário da Resistência


Tasso faz “mea culpa” do PSDB sem falar de seu próprio papel no impeachment
Jonas Pereira/Agência Senado
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Tasso faz “mea culpa” do PSDB sem falar de seu próprio papel no impeachment


13/09/2018 - 19h04

Da Redação

O senador Tasso Jereissati, do PSDB, deu entrevista ao Estadão fazendo uma espécie de mea culpa de seu partido.

Aproveitou a ocasião para denunciar a suposta hipocrisia de Ciro Gomes, o candidato do PDT ao Planalto.

Segundo o tucano, Ciro promete ficar distante do MDB de Temer, mas é aliado do emedebista Eunício Oliveira no Ceará.

“O Ciro de hoje é muito diferente do Ciro de ontem. Ele traçou o caminho dele, que eu discordo. Aqui no Ceará ele está sendo profundamente inconsistente e incoerente com sua trajetória política. A mais feroz das críticas dele é dirigida ao MDB. Aqui, no Ceará, ele e o presidente do Senado (Eunício Oliveira) estão unidos”, afirmou.

Apontar a hipocrisia alheia é muito conveniente.

Tasso, no entanto, tem seu próprio telhado de vidro.

Na entrevista, ele afirma que um dos erros do PSDB, partido que presidiu, foi não ter aceito a vitória de Dilma Rousseff em 2014.

O Estadão perguntou:

Como o sr. avalia a trajetória recente do PSDB?

O partido cometeu um conjunto de erros memoráveis. O primeiro foi questionar o resultado eleitoral. Começou no dia seguinte (à eleição). Não é da nossa história e do nosso perfil. Não questionamos as instituições, respeitamos a democracia. O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT. Mas o grande erro, e boa parte do PSDB se opôs a isso, foi entrar no governo Temer. Foi a gota d’água, junto com os problemas do Aécio (Neves). Fomos engolidos pela tentação do poder.

Qual o impacto da gravação da conversa entre Aécio e Joesley Batista (dono da JBS, em que acertam repasse de R$ 2 milhões para pagar advogados do tucano)?

Altíssimo. Esse episódio simboliza todo esse desgaste que tivemos. Desde o dia seguinte à eleição da Dilma, quando fomos questionar o resultado, o símbolo mais eloquente para a população foi o episódio do Aécio. Ele deveria ter se afastado logo da presidência do PSDB.

Notem que Tasso está empurrando a conta do desarranjo do PSDB nas costas de Aécio Neves.

Porém, ele próprio, Tasso, fez um discurso contundente contra Dilma Rousseff no Senado — onde votou pelo impeachment da presidenta (veja o vídeo acima).

Abraçou sem qualquer ressalva o relatório de Antonio Anastasia que incriminou Dilma com as “pedaladas fiscais”, sendo Anastasia um pau mandado de Aécio.

Tasso disse que não teria tempo de, no discurso, tratar do suposto “crime de responsabilidade” de Dilma, mas focou numa condenação política da petista — absolutamente a mesma linha adotada por Aécio no discurso que fez no Senado logo após ser derrotado nas urnas por Dilma, equivalente a uma declaração de guerra.

Em resumo, Tasso está simplesmente sendo oportunista, para atribuir a Aécio a eventual implosão do PSDB se o partido perder tanto o governo paulista quanto a disputa pelo Planalto.

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3 comentários

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Policarpo

28 de setembro de 2018 às 20h06

Não importa as intenções de Tasso, importa o que ele disse. Ele vai sumir na história, mas sua declaração é o testemunho histórico de que se tratou de um Golpe de Estado, Palaciano, urdido e alinhavado por Temer e FHC.(Aécio, é o “não. tem condições” de Carone), com.a convivência e o apoio do Supremo, executado pelas mãos de Cunha e Anastazia no Congresso, com a participação de toda a Grande Impressa e com a política de terra devastada do Mercado. Nisso é que vale a inconfidência de Tasso.

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carlos

16 de setembro de 2018 às 08h42

Agora é tarde o mea culpa do Tasso, não serve para justificar, tantas falta de compromisso dele como político, leiam a coluna do Hélio Fernandes na tribuna da imprensa, e verão quem é o verdadeiro Tasso.

Responder

carlos

14 de setembro de 2018 às 18h11

O ” mea culpa” de Tasso é que ele representa para o Ceará, ou melhor o que não representa querem saber quem é Tasso leiam o blog rastreadores$ de impureda$, na verdade o cidadão trabalha mais pelo sudeste do que para o Ceará, vejam o caso da Unilab que ele tentou tirar do Ceará para Minas Gerais, que era governada pelo seu querido Aécio Neves.

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