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Onyx, que prometeu “mudar o Brasil de verdade” e não usar aviões da FAB, bancou viagens de campanha com dinheiro público
Foto Valter Campanato, Agência Brasil
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Onyx, que prometeu “mudar o Brasil de verdade” e não usar aviões da FAB, bancou viagens de campanha com dinheiro público


31/12/2018 - 10h19

O que eu tenho, a presente, do ministro Onyx, e isso eu assisti de perto, foi o grande esforço que ele realizou para aprovar as dez medidas do Ministério Público, ocasião na qual ele foi abandonado pela grande maioria dos seus pares, por razões que não vem aqui ao caso. Mas ele demonstrou naquela oportunidade o comprometimento pessoal, com custo político significativo, para a causa anticorrupção. Então, ele tem a minha confiança pessoal. Sérgio Moro, campeão da luta “anticorrupção”, depois que Lorenzoni foi acusado pela segunda vez de usar caixa dois em suas campanhas

Onyx usou verba pública para bancar voos durante campanha de Bolsonaro

As regras da cota de atividade parlamentar — verba que congressistas têm para atividades do dia a dia — não permitem o uso para fins eleitorais

Da Folha de Pernambuco

“Bolsonaro vem aí! O Brasil vai endireitar e o Brasil vai mudar de verdade.” A entusiasmada declaração do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), compartilhada em redes sociais, é do dia da oficialização da candidatura do presidente eleito.

O evento ocorreu no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro, em 22 de julho.

Registros da Câmara mostram que Onyx, que assumirá a Casa Civil, pediu e obteve reembolso dos cofres públicos por passagens de ida e volta de Brasília para o aeroporto Santos Dumont, nesta data, em um valor de R$ 3.720.

Ao todo, há no sistema da Câmara informação de reembolso para Onyx de mais de 70 bilhetes cuja origem ou destino são aeroportos do Rio e São Paulo, somando R$ 100 mil. Desde 2017, ele integra o grupo de parlamentares que coordenou a pré-campanha e a campanha de Bolsonaro.

As regras da cota de atividade parlamentar — verba que congressistas têm para atividades do dia a dia — não permitem o uso para fins eleitorais.

A cota é “destinada a custear gastos exclusivamente vinculados ao exercício da atividade parlamentar”, segundo ato da Mesa Diretora.

Os dados da Câmara indicam que Onyx utilizou dinheiro público também no momento mais dramático da campanha: a facada em Bolsonaro em Juiz de Fora (MG), no dia 6 de setembro.

Há reembolso ao deputado no valor de R$ 469 por uma passagem aérea com saída do aeroporto Presidente Itamar Franco, o mais próximo da cidade mineira, para Congonhas, em São Paulo, nesse dia.

No dia seguinte, 7, Onyx deu entrevista coletiva na porta do hospital Albert Einstein, em São Paulo, para onde o então presidenciável foi transferido.

A Câmara registra reembolso para o deputado de outros quatro bilhetes nos dias 6, 7 e 8 de setembro.

De São Paulo para Porto Alegre, de Porto Alegre para o Rio, do Rio para São Paulo e, por fim, de São Paulo de volta a Porto Alegre.

As viagens de Onyx para São Paulo e Rio que foram reembolsadas pela Câmara se tornaram mais frequentes à medida que a campanha se intensificava, a partir de julho.

Uma equipe de coordenadores de sua campanha trabalhava em São Paulo.

As duas cidades também se tornaram QG da campanha porque o então candidato ficou 23 dias internado no Einstein, em setembro.

Quando teve alta, foi para sua casa no Rio, onde ficou até o fim da eleição.

Em outro exemplo, Bolsonaro se reuniu entre o primeiro e o segundo turno no Rio com membros da União Democrática Independente (UDI), partido chileno de direita. Onyx também participou.

Há registro de reembolsos de passagens neste dia do então parlamentar de Porto Alegre para o Rio e depois do Rio para Brasília. O valor total foi de R$ 2.700.

Há ainda passagens de assessores do deputado para acompanhá-lo em viagens ao Rio ou a São Paulo.

Um dos principais discursos do novo governo é o da diminuição de gastos públicos. Onyx é um dos divulgadores desse lema.

Em entrevista coletiva na semana passada, ele disse que abrirá mão de seu cartão corporativo e comentou também sobre viagens em avião da FAB (Força Aérea Brasileira).

“Eu vou abrir mão do meu cartão corporativo. Mas acabar com ele ainda é uma coisa que vai ser discutida. Aquela coisa de pagar jantar, pagar vinho, pagar uísque não sei quantos anos, nesse governo não vai ter não”, afirmou.

“Eu vou dar meu exemplo pessoal. Desde que eu fui nomeado ministro da transição, eu poderia ter usado avião da FAB, eu nunca fiz isso”, disse.

Onyx foi questionado pela reportagem sobre a utilização de dinheiro da Câmara para deslocamentos fora das regras permitidas pela Câmara, mas não respondeu até este domingo (30).

Bolsonaro também usou sua cota parlamentar para custear viagens pelo país em 2017 e, no primeiro semestre deste ano, para participar de eventos em que era mencionada sua pré-candidatura à Presidência.

Na época, seu chefe de gabinete afirmou que o deputado não estava em campanha “seja para qual cargo for” e que as despesas ressarcidas pela Câmara “foram realizadas em consonância com os preceitos legais e regimentais.”

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



5 comentários

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Jonas

01 de janeiro de 2019 às 22h05

Mais um santo do pau oco. O povo custa a aprender.
O filho do Bolsonaro é honestíssimo. Nunca roubou.
Depois dizem que é criança que acredita em papai noel.

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Jardel

01 de janeiro de 2019 às 03h34

Ora! Mas o que é que é isso?
O homem está numa missão apocalíptica de fazer os judeus voltarem à terra prometida e depois convertê-los ao cristianismo para que seja cumprida a profecia e assim o Salvador possa voltar e arrebatar os bons e, esses petralhas ficam aí com esse mi mi mi ?
Deixa o homem gastar quanto precisar para cumprir a profecia!!!! Seus comunas idiotas!

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Nelson

31 de dezembro de 2018 às 17h12

O meu Rio Grande já legou ao nosso grande país nomes memoráveis. Getúlio Vargas, Leonel Brizola, Luís Carlos Prestes, João “Almirante Negro” Cândido, Olívio Dutra, entre outros.

Infelizmente, não conseguimos nos esquivar de também legar nulidades, coisas espúrias, gente imprestável como o tal de Onyx Lorenzoni.

O cara é tão deplorável que posa de bom moço enquanto faz sacanagens aos montes. Tivéssemos, realmente, liberdade de imprensa no nosso país e ele, ao invés de estar sendo incensado, já teria sido desmascarado há muito tempo.

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Julio Silveira

31 de dezembro de 2018 às 11h18

O Homem defindo como o da linguiça pelo ACM finalmente chegou lá.

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Alexandre

31 de dezembro de 2018 às 10h37

Oxyurus Lorenzone é só mais verme, picareta que ,enganou apenas quem queria ser ” enganado” . O povo brasileiro merece! Infelizmente!

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