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Metrô paulista, sem operador, aumenta risco para passageiros


23/09/2013 - 21h55

Expansão do sistema da Linha Amarela amplia riscos para usuários do Metrô

Modelo que será implantado no conjunto das linhas até  o final de 2014 tem vulnerabilidades

Por Vivian Fernandes, do Brasil de Fato SP, tabloide recém-lançado

A modernização do sistema de funcionamento do Metrô em São Paulo, que deve ser implantado até o final de 2014, ampliará os riscos de segurança dos passageiros e funcionários.

O novo sistema em funcionamento na Linha 4-Amarela, chamado Controle de Trens Baseado em Comunicação (CBTC na sigla em inglês) será implantado no conjunto da malha metro-ferroviária. Assim, substituirá o sistema antigo, o Controle Automático de Trens (ATC na sigla em inglês).

A Linha 4-Amarela do Metrô, que liga o Butantã, a região do Largo da Batata, avenida Paulista e o bairro da Luz, é a primeira linha do país a ser operada pela iniciativa privada.

O novo sistema começaria a operar nas Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha em 2010, colocando 20% de trens a mais em circulação, mas foi adiado por causa do diagnóstico de insegurança. “Esse modelo não passou nos testes, porque estão sendo verificados graves erros de segurança, que poderiam implicar em choque de trens, em desalinhamento de rota – um trem contra o outro”, aponta Paulo Pasin.

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo e funcionários da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) da Linha 3-Vermelha têm acompanhado o processo de reforma e implantação do novo modelo de funcionamento nas linhas que ainda operam com o sistema antigo.

Segundo Paulo Pasin, secretário-geral do Sindicato dos Metroviários, os usuários da Linha 4-Amarela estão sob ameaça de falhas na segurança, apesar da ter sido projetada a partir do novo modelo e estar em funcionamento.

A ausência de um operador dentro das composições de vagões para controlar o fluxo e velocidade, dentro de um sistema automatizado, é um risco aos usuários. “Nenhum sistema, por mais moderno que seja, é absolutamente seguro. Na Linha 4-Amarela, não se trabalha com essa hipótese. Se falhar o sistema eletrônico, não há ninguém que possa aplicar o modo de emergência do trem e evitar uma colisão”, afirma.

As portas automáticas de vidro que substituem as catracas na entrada das estações da Linha 4-Amarela para o embarque em vagões, embora sejam modernas, não estão imunes de críticas. O tempo para passar aumentou em relação à catraca, criando filas. Passageiros já ficaram presos nessas portas de vidro, segundo informações dos trabalhadores da Cipa da Linha 3-Vermelha.

Diminuição do espaço entre trens aumenta risco de colisão

Segundo informações de funcionários da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), há um espaço de 150 metros de um trem para o outro por segurança no modelo antigo. Esse é um sistema físico, ou seja, o trem passa pelo circuito e corta-se o sinal para o trem parar.

No sistema novo, a distância é de 20 a 30 metros entre os trens, com sinal eletrônico. Apesar de diminuir o tempo de espera na estação, a possibilidade dos trens baterem aumenta se houver qualquer problema operacional.

“Tem um risco para a segurança dos usuários, pois se esse sistema não funcionar direito ou se o freio não funcionar, os trens podem colidir”, afirma Pasin. O sindicalista acredita que o governo lança mão dessa medida para não contratar mais trabalhadores e para não investir mais recursos na construção de mais linhas.

“É a maneira de contornar um problema que os funcionários vivem cotidianamente, que é o sufoco de transportar quase 5 milhões de pessoas por dia, sem ampliar o número de linhas pela cidade”, lamenta.

O sistema CBTC foi comprado em 2008, no valor de R$ 712 milhões, pelo Metrô da empresa francesa Alstom, uma das acusadas de participação no cartel de fraudes em licitações do Metrô. Sem a implantação integral do novo modelo nas linhas antigas, vários trens que já foram reformados para o novo sistema estão sendo adaptados para rodar no modelo antigo. (VF)

“Novo sistema é propaganda do governo”

Leia entrevista com Paulo Pasin secretário-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, sobre a implantação do sistema novo CBTC e o impacto desse modelo nas linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha.

Qual a diferença do sistema antigo e novo do Metrô para o usuário?

O Metrô vendeu a imagem de que colocaria 20% a mais de trens circulando. O usuário deveria sentir essa diferença. No entanto, é uma mera propaganda, porque de fato o sistema não conseguiu ser implantado.

O Metrô prevê retornar ao sistema antigo?

É o que deveria ser feito, mas isso significaria admitir que toda a propaganda não existe na realidade. O Metrô, contra todas as indicações técnicas, optou por uma série de mudanças baseadas nos interesses do capital privado.

O número de trabalhadores do sistema vem diminuindo?

Cada vez mais o Metrô  adota uma visão de terceirização e redução ao máximo do número de funcionários, em prejuízo da qualidade do serviço prestado. O Metrô só funciona porque coloca o pessoal em esquema de hora-extra permanente. A consequência é piorar o transporte. (VF)

Leia também:

Carlos Neder: Tucanos sumiram com 30 kms do Metrô paulistano





8 comentários

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Erundina: Custo do transporte coletivo deve ser socializado - Viomundo - O que você não vê na mídia

24 de setembro de 2013 às 18h42

[…] Metrô paulista, sem operador, aumenta risco para passageiros […]

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Hiro

24 de setembro de 2013 às 17h25

Modernização tucana é a única que o metrô fica mais ainda lotado. Além de caro. E em precisão, acho que é o único tb que o vagão pára fora das baias e depois tenta acertar como se estivesse fazendo baliza. Algumas baias acabam ficando no meio da entrada do vagão! Que “modernizações” são essas?

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Roberto Locatelli

24 de setembro de 2013 às 14h31

O problema do metrô de São Paulo é o tamanho e a falta do entrelaçamento. Não é uma rede, no sentido de que as linhas não se cruzam. Compare-se com outras 3 redes de metrô pelo mundo:

Fica evidente a falta do entrelaçamento, o qual está presente em todos os outros (um pouco menos no de Nova York, por ser uma ilha de formato oblongo). mas praticamente inexiste no metrô de SP.

E fica MUITO EVIDENTE que os demotucanos não investiram no metrô, o qual permaneceu tão pequeno como o espírito público dos governadores paulistas.

Agora querem fazer propaganda eleitoral com um novo sistema que é inseguro. Estão colocando em risco a vida dos passageiros. Tudo para não construir mais quilômetros de linhas. Ou seja: eles são a favor de estado mínimo e serviços públicos mais mínimos ainda.

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    Anderson

    24 de setembro de 2013 às 16h55

    Olá Roberto, tudo bem?

    Realmente a rede de trilhos de São Paulo deixa muito a desejar, não tiro nenhuma de suas palavra quanto a isso.

    Mas discordo quanto a necessidade dos condutores nos trens. A tecnologia de trem automáticos está sendo usada no mundo inteiro e está em constante evolução, ela não é perfeita, assim como nada que o ser humano faz, mas já é mais segura que os trens manuais.

    As pessoas erram, principalmente quando estão cansadas, o trabalho do condutor de trens é repetitivo, é um trabalho robótico e degradante. Sou contra acabar com um emprego, mas certos tipos de trabalho ninguém merece, acredito que essas pessoas merecem sim é um trabalho melhor. O que deveríamos cobrar sim é investimentos em educação para que as pessoas possam desempenhar trabalhos mais dignos.

    A polêmica atual dos condutores dos trens é semelhante a do ascensorista de elevador no passado, e deverá acabar da mesma forma.

    Roberto Locatelli

    25 de setembro de 2013 às 01h19

    Olá, Anderson.

    Concordo com você que é possível operar os trens sem condutor, com segurança.

    O problema é que Alckmin está usando essa desculpa para NÃO acelerar a ampliação do metrô. Pior, ele quer implantar o sistema sem condutor de forma atabalhoada. Nesse caso, a segurança ficará, sim, comprometida.

J Souza

24 de setembro de 2013 às 00h01

Para os “gestores”, vidas são apenas “estatísticas”… Para as famílias, a perda de uma vida é uma tragédia.
A denúncia está feita. E deve ser feita também ao judiciário. E, se o judiciário nada fizer, e ocorrer um acidente, deve ser denunciado no Conselho Nacional de Justiça.
A perda de “meia” vida já seria abominável. A perda de várias por ganância seria uma chacina.

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FrancoAtirador

23 de setembro de 2013 às 23h27

Responder

    Hélio Pereira

    24 de setembro de 2013 às 07h37

    Os Passageiros estão no Bolso dos empresários e também no Bolso do PSDB.
    Com os Tucanos é assim mesmo,lucro em primeiro lugar,já a Segurança dos Passageiros é só um mero “detalhe”,que pra eles não tem importância.


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