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CUT diz que governo Dilma “tende a fazer ajuste à custa dos trabalhadores”
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CUT diz que governo Dilma “tende a fazer ajuste à custa dos trabalhadores”


14/01/2015 - 06h39

Posse Dilma

Centrais sindicais vão às ruas

Por Altamiro Borges, em seu blog

Em reunião realizada nesta terça-feira (13), as principais centrais sindicais do país decidiram ocupar as ruas em defesa dos direitos dos trabalhadores. Houve consenso de que as medidas baixadas pelo governo Dilma em 29 de dezembro, em pleno clima de festas do final do ano, são erradas na forma e no conteúdo.

Com base no discurso do “ajuste fiscal”, tão festejado pelos patrões e pela sua mídia, elas prejudicam os assalariados. As centrais exigem a revogação das medidas provisórias e cobram da presidenta reeleita os compromissos assumidos na campanha eleitoral com a “pauta trabalhista”. Elas aprovaram uma carta aberta e um intenso calendário de mobilizações para os próximos meses.

A primeira atividade conjunta – o “Dia Nacional de Luta em Defesa dos Empregos e dos Direitos” – está marcada para 28 de janeiro. Em todo o país deverão ocorrer paralisações, atos e assembleias. Já a nova “Marcha da Classe Trabalhadora” ficou para 26 de fevereiro, em São Paulo.

Para Carmen Foro, presidente em exercício da CUT, o governo sofre violenta pressão do patronato. “Ele tende a fazer o ajuste na economia à custa dos trabalhadores. Não permitiremos nenhum direito a menos, como disse a presidenta Dilma no discurso de posse. Queremos que esse discurso agora se viabilize”. Ela espera que o governo retome o diálogo com o sindicalismo. Está marcada para 19 de janeiro uma reunião com os ministros Miguel Rosseto (Secretaria-Geral da Presidência) e Manoel Dias (Trabalho).

Já para o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, as mobilizações agendadas pelas centrais visam enfrentar um período de maiores dificuldades. “O ano que se inicia aponta para um cenário de crise em andamento, com as demissões aumentando”.

Na opinão de Adilson Araújo, presidente da CTB, o momento é de ocupar as ruas contra qualquer regressão trabalhista e por mais direitos. É urgente se contrapor à forte pressão patronal, expressão da luta de classes no país. “Diferente da celeridade que encontrou o pleito dos empresários, com desoneração, isenção, concessão, incentivos fiscais, a pauta trabalhista se encontra contingenciada”. Leia abaixo a nota das centrais sindicais:
 
Em defesa dos direitos e do emprego

Reunidas na sede nacional da CUT em São Paulo, as centrais sindicais brasileiras – CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSB – vêm à público manifestar sua posição contrária às duas Medidas Provisórias do Governo Federal (MP 664 e MP 665) editadas na virada do ano, sem qualquer consulta ou discussão prévia com a representação sindical dos trabalhadores e trabalhadoras que, em nome de “corrigir distorções e fraudes”, atacam e reduzem direitos referentes ao seguro-desemprego, abono salarial (PIS-Pasep), seguro-defeso, auxílio-reclusão, pensões, auxílio-doença e, ainda, estabelece a terceirização da perícia médica para o âmbito das empresas privadas.

As medidas incluídas nas duas MPs mencionadas prejudicam os trabalhadores ao dificultar o acesso ao seguro-desemprego com a exigência de 18 meses de trabalho nos 24 meses anteriores à dispensa, num país em que a rotatividade da mão de obra é intensa, bloqueando em particular o acesso de trabalhadores jovens a este benefício social. As novas exigências para a pensão por morte penalizam igualmente os trabalhadores: enquanto não se mexe nas pensões de alguns “privilegiados”, restringem o valor do benefício em até 50% para trabalhadores de baixa renda.

As Centrais Sindicais condenam não só o método utilizado pelo Governo Federal, que antes havia se comprometido a dialogar previamente eventuais medidas que afetassem a classe trabalhadora, de anunciar de forma unilateral as MPs 664 e 665, bem como o conteúdo dessas medidas, que vão na contramão do compromisso com a manutenção dos direitos trabalhistas.

De forma unânime as Centrais Sindicais reivindicam a revogação/retirada dessas MPs, de modo a que se abra uma verdadeira discussão sobre a correção de distorções e eventuais fraudes, discussão para a qual as Centrais sempre estiveram abertas, reafirmando sua defesa intransigente dos direitos trabalhistas, os quais não aceitamos que sejam reduzidos ou tenham seu acesso dificultado.

As medidas, além de atingirem os trabalhadores e trabalhadoras, vão na direção contrária da estruturação do sistema de seguridade social, com redução de direitos e sem combate efetivo às irregularidades que teriam sido a motivação do governo para adotá-las. Desta maneira, as Centrais Sindicais entendem que as alterações propostas pelas MPs terão efeito negativo na política de redução das desigualdades sociais, bandeira histórica da classe trabalhadora.

As Centrais Sindicais farão uma reunião com o Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República no dia 19 de janeiro, em São Paulo, na qual solicitarão formalmente a retirada das referidas medidas pelo Poder Executivo e apresentarão suas propostas.

As Centrais Sindicais também expressam sua total solidariedade à luta contra as demissões de trabalhadores e trabalhadoras da Volkswagen e Mercedes Benz ocorridas também na virada do ano e consideram que a sua reversão é uma questão de honra para o conjunto do movimento sindical brasileiro. As Centrais Sindicais consideram inaceitável que as montadoras, empresas multinacionais que receberam enormes benefícios fiscais do governo e remeteram bilhões de lucros às suas matrizes no exterior, ao primeiro sinal de dificuldade, demitam em massa.

As Centrais Sindicais também exigem uma solução imediata para a situação dos trabalhadores e trabalhadoras das empreiteiras contratadas pela Petrobrás; defendem o combate à corrupção e que os desvios dos recursos da empresa sejam apurados e os criminosos julgados e punidos exemplarmente. No entanto, não podemos aceitar que o fato seja usado para enfraquecer a Petrobras, patrimônio do povo brasileiro, contestar sua exploração do petróleo baseada no regime de partilha, nem sua política industrial fundamentada no conteúdo nacional, e, muito menos, para inviabilizar a exploração do Pré-Sal. As Centrais também não aceitam que os trabalhadores da cadeia produtiva da empresa sejam prejudicados em seus direitos ou percam seus empregos em função desse processo.

Por fim, as Centrais Sindicais convocam toda sua militância para mobilizarem suas bases e irem para ruas de todo país no próximo dia 28 de Janeiro para o Dia Nacional de Lutas por emprego e direitos. Conclamam, da mesma forma, todas as suas entidades orgânicas e filiadas, de todas as categorias e ramos que compõem as seis centrais, a participarem ativamente da 9ª Marcha da Classe Trabalhadora, prevista para 26 de Fevereiro, em São Paulo, para darmos visibilidades às nossas principais reivindicações e propostas.

São Paulo, 13 de Janeiro de 2014.

Leia também:

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15 comentários

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Nelson

15 de janeiro de 2015 às 13h52

Temos que entender que o problema não reside somente em quanto se arrecada em impostos (diretos e indiretos), mas também em quanto se gasta. O governo já arrecada muito, isto é fato, mas gasta muito mal, sem falar na corrupção que desvia rios de R$ público. Acho que até podemos debater a questão de tributar grandes fortunas, mudar as faixas do IR, etc, agora, nada disso vai adiantar se o governo, seja ele qual for, gastar mais do que deve (pode). Estaremos sempre diante da questão: “tostines é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho”?

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ricardo silveira

15 de janeiro de 2015 às 12h49

Acabou a criatividade do governo? É o que parece. Precisa muita coragem para dizer uma coisa visando ganhar a eleição e imediatamente após vencer a disputa iniciar o governo fazendo justamente o que os adversários diziam que fariam. Coragem para provocar o descrédito. Que tudo isso mude logo ou nunca mais o partido ganha eleição.

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Sergio Santos

15 de janeiro de 2015 às 07h51

Para acabar com o discurso de campanha totalmente, só falta apoiar o projeto Mabel de terceirizar TUDO e fragilizar de vez os empregos, transformando o Brasil em uma semi-escravidão; dizimando sindicatos e retirando quaisquer garantias de qualidade dos trabalhadores. A luta de classes está cada vez mais feroz e suicida. Não consigo entender por que a Presidenta promulgou tais medidas; um acinte aos trabalhadores que lhes deram seu voto. Espero que ela volte a ser destemida e enfrente as pressões da direita, se negando a cortar direitos trabalhistas.

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Regina Fe

14 de janeiro de 2015 às 23h38

Votei na Dilma e não pretendo dar meu voto em 2018 para um partido de direita. Ainda acredito que é melhor para o Brasil que o PT esteja e continue no Governo Federal. Mas apoio incondicionalmente a CUT e as demais Centrais. Para fraudes há lei e o governo que amplie as fiscalizações. O que não pode é penalizar o povão, do qual faço parte. Dilma errou a mão com os ajustes, que tenha coragem para admitir e mudar.

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renato

14 de janeiro de 2015 às 19h46

O POVÃO só serve para CUNHA..
Marretada na cabeça dele.
Agora que ele, tinha comprado um
carrinho, uma pscininha ( falta água),
ia..ia..ia..comer um mignizinho..na sua
churrasqueirinha novinha..
Da-lhe um rabo de arraia, já não sabe o
futuro de sua familia, sem saber lhe tiram
a ESPERANÇA..
Aquela que ia VENCER o Medo…
PENSEI por DOZE anos que não ia mais ver isto acontecer.
O MEDO retornou.
A comparação com a bandidagem, com a mulherzinha que se aproveita,
voltou..a viuva desesperançada voltou..
E o BANDIDO VAI CONTINUAR por ai, desfalcando o INSS..
Desde criança eu ouço isto..
E TODOS SOLTOS..
Me desculpe Senhora DILMA, me feriu de morte meu coração..

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FrancoAtirador

14 de janeiro de 2015 às 17h53

.
.
(Des)Governo de ‘ColiZão’

MICHEL TEMER ASSUME A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Nota da Comissão Executiva Nacional do PMDB

PMDB Nacional
14 de janeiro de 2015

A Comissão Executiva Nacional do PMDB decidiu, por unanimidade,
apoiar o nome já escolhido, de forma amplamente democrática,
pela bancada da Câmara dos Deputados para disputar a presidência da Casa. O mesmo dar-se-á em relação à bancada do PMDB no Senado Federal.

Brasília, 14 de janeiro de 2015

(http://pmdb.org.br/noticias/nota-da-comissao-executiva-nacional-do-pmdb)
.
.

Responder

FrancoAtirador

14 de janeiro de 2015 às 15h10

.
.
Estendendo a Pauta:

1) Redução da Jornada de Trabalho.

2) Taxação das Grandes Fortunas.

3) Taxação de 70% sobre remessa
de lucros das empresas ao exterior.

4) Alíquota de 50% de Imposto de Renda
sobre as remunerações dos ‘CEOs’
das Grandes Corporações.

5) Isenção de imposto sobre salários
abaixo de 10 mil reais mensais.

(http://caranddriverbrasil.uol.com.br/carros/especial/quanto-ganham-os-chefoes-das-fabricantes/8850)
.
.

Responder

Mancini

14 de janeiro de 2015 às 13h02

Começou mal e dois dias antes! Ontem, pela Rede Brasil Atual publicamos a mesma matéria. Lá comentamos: “O Governo tem que ter um lado, tem que ter uma cor!” http://refazenda2010.blogspot.com

Responder

mineiro

14 de janeiro de 2015 às 11h51

ate que enfim alguem que tem coragem de falar a verdade , parabens as centrais sindicais. ta certissimo , essa fhc de saias te querendo sim fazer reformas a custa do trabalhador. esse negocio de vaca tossir foi para passar a labia em nos todos , ela quer fazer agenda com os ricos, patroes e a elite. isso que ela quer fazer, infelizmente votamos nela , mas é isso que essa fhc de saias quer fazer. a e outra coisa , nao foi ela que sancionou uma lei para aumentar o salario dos juizes, procuradores. se alguem mais informado me esclareça, eu vi a noticia no pig golpista.

Responder

Julio Silveira

14 de janeiro de 2015 às 09h18

Agora é tarde, e sinceramente? Não vai haver alternativa fora das greves, é o que eu vislumbro. A responsabilidade por isso? Principamente da cupula da própria CUT que em seu governismo se omitiu em suas obrigações politicas e com isso induziu seus trabalhadores a serem levados para o estelionato que se avizinha. Todos temos responsabilidades, mas sou daqueles que hierarquizam isso, quanto maior for a proximidade com o poder, maior a responsabilidade que se tem, e a obrigação em dar conhecimento sobre as intenções futuras desse. E nisso a CUT demonstra que foi e ainda tem sido primeiro governo, depois central sindical. E sendo governo, como tem sido, é cumplice de todas as mudanças que venham a acontecer com seus trabalhadores, e nem adiantar dizer o contrario para garantir as aparencias. A CUT deveria entender seu papel de destaque na afirmação ou negação de qualquer força politica, ela tem uma força consideravel na direção que dá a muitos eleitores, inclusive os de fora de sua base, por isso sua responsabilidade sobre as consequencias disso não deveriam ficar no mero distanciamento oportunista de alguma acão que o governo que apoia toma, são cumplices. E as consequencias disso acabarão caindo no colo dos trabalhadores que deveria proteger e dos eleitores que confiaram em sua direção.

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