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Diário da Resistência


Silvia Hunold Lara: Jornalões tentam intimidar Historiadores pela Democracia usando linguagem que lembra o fascismo
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Silvia Hunold Lara: Jornalões tentam intimidar Historiadores pela Democracia usando linguagem que lembra o fascismo


27/06/2016 - 00h23

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O ofício do historiador e os formadores de quadrilha

por Silvia Hunold Lara, Historiadora, pela democracia

Nos últimos meses, um grupo de historiadores decidiu se manifestar publicamente em defesa da democracia.

Fazendo uso de meios de comunicação alternativos, criou nas redes sociais o grupo Historiadores pela Democracia, produziu vídeos e textos, além de um manifesto em defesa do governo legítimo que está sendo deposto por meio de um golpe.

Há ali gente de tendências diversas, tanto do ponto de vista político como profissional.

O que os une é a certeza de que o Legislativo e o Judiciário, com apoio dos grandes meios de comunicação, associaram-se para afastar do poder a presidente democraticamente eleita que, apesar da crise e de vários erros (incluindo relações ambíguas com a corrupção), vinha se mantendo na defesa de direitos básicos estabelecidos na Constituição.

Em 7 de junho, uma parte desse grupo foi ao Alvorada, prestar sua solidariedade a Dilma Rousseff, afastada da presidência sob a alegação de ter cometido “crimes de responsabilidade” que, aliás, também foram praticados por seus antecessores e por vários governadores e prefeitos.

O Legislativo fez uso de mecanismos constitucionais e o Judiciário estabeleceu o ritual do processo.

A aparente legalidade não esconde, entretanto o golpe articulado por forças retrógradas que se instalaram no poder e esforçam-se por dar uma guinada ultra liberal na economia, diminuir conquistas dos trabalhadores, limitar políticas sociais e restringir direitos humanos.

Os historiadores não foram os primeiros nem os únicos profissionais a se manifestar, nem a denunciar o golpe em curso.

Mas chamaram a atenção de dois dos principais jornais do sudeste brasileiro: um publicou um editorial agressivo contestando a qualidade profissional dos participantes do grupo (“O lugar de Dilma na história”O Estado de São Paulo, 14/06/16), e o outro um artigo, assinado por um de seus articulistas habituais, criminalizando o movimento (Demétrio Magnoli, “Formação de Quadrilha”, Folha de São Paulo, 25/06/16).

Ambos têm uma ideia bem tacanha do que seja o ofício do historiador.

O primeiro afirma que o papel da história é “o de reconstituir o passado para entender o que somos no presente”.

O segundo diz que “o historiador indaga o passado, formulando hipóteses que orientam a investigação e reconstrução da trama dos eventos”.

Pois aí está o problema: o papel do historiador nunca foi o de “reconstituir” o passado.

Analisando os documentos produzidos pelos diversos sujeitos que participam de um acontecimento ou fazem parte da sociedade, nós interpretamos o passado, procurando explicá-lo.

Essa explicação nunca é unívoca, posto que deve compreender as diversas forças que produziram os “fatos”.

Nem tampouco é singular: a história – como aprendem os alunos desde o primeiro ano do curso – não se escreve com verbos regulares e, geralmente, usa o plural.

Isso acontece com o passado histórico que, pela sua própria natureza, como o presente, é prenhe de tensões e vozes dissonantes.

O mesmo se dá com o trabalho dos historiadores, que só se realiza no diálogo com interpretações e explicações diversas.

Ao supor a unicidade da história e dos profissionais que denunciam o golpe, os dois jornalistas produzem um efeito de verdade muito útil para a defesa de suas posições.

O Estado de São Paulo acusa os Historiadores pela Democracia de serem “intelectuais a serviço de partidos que se dizem revolucionários”, registrando que todos aqueles profissionais estão a serviço do “lulopetismo”.

O articulista da Folha de São Paulo os coloca como militantes de um Partido totalitário.

O primeiro recorre a um neologismo depreciativo.

Ele faz par com outros, mais recentes, como “esquerdopata”, “petralha”, “feminazi”.

São substantivos coletivos que servem claramente para desqualificar todos os que não pensam como o emissor do discurso.

O uso varia conforme a ênfase que se queira dar: contra uma opção político-partidária, contra os que defendem princípios democráticos e/ou libertários ou os direitos das mulheres e de outras minorias.

Como se em cada um desses registros só coubesse uma forma única de ser e de pensar.

O tratamento coletivo e pejorativo serve, assim, a uma visão incapaz de abarcar a pluralidade.

O mesmo acontece quando se tenta explicar que a atitude desses historiadores estaria sendo conduzida por um Partido, com “P” maiúsculo.

Tal fantasmagoria só revela a completa ignorância do colunista em relação à diversidade de posições desses profissionais da área de História – alguns dos mais competentes e destacados, no Brasil e no exterior.

Além de associar dessemelhantes, o colunista da Folha acusa os Historiadores pela Democracia de possuírem “alinhamento ideológico” próximo ao “alinhamento corporativo” dos juízes do Paraná que tiveram seus salários divulgados em uma reportagem.

Como se trata de um atentado contra a liberdade de imprensa, ele analisa contradições entre a pretendida defesa dos valores democráticos por associações de magistrados e o assédio judicial cometido contra os jornalistas.

Aqui, o golpe e o “sequestro do sistema de justiça” podem ser denunciados.

Estranhamente, o articulista não associa os historiadores aos jornalistas, mas sim aos juízes, invertendo completamente a lógica mais elementar.

São os juízes que estão recorrendo a estratagemas e brechas do sistema legal para cassar, na prática (como diz o próprio Magnoli) os direitos dos jornalistas.

Se isso pode ser admitido nesse caso, por que não concordar com aqueles que denunciam que, “na prática”, o que se assiste é à produção lenta e gradual de um golpe contra a democracia?

Ao xingar, acusar e desqualificar, juntando desiguais sob o signo de comportamentos deploráveis, o colunista se aproxima – ele sim – mais dos juízes do que de seus colegas jornalistas.

O que, na manifestação dos Historiadores pela Democracia teria incomodado tanto os autores desses dois textos e seus patrões?

A pista está nos títulos.

O lugar que todos nós ocupamos na história não está nas mãos dos historiadores, nem terão esses profissionais uma só verdade sobre ela, como já expliquei.

Como são partidários de uma história unívoca e “verdadeira”, temem que a narrativa histórica não lhes faça “justiça”.

Historiadores do presente e do futuro certamente lerão os documentos produzidos ao longo desse processo e poderão mostrar, com base neles, as forças atuantes, seus protagonistas, os vencedores e vencidos, e aqueles que ficaram em cima do muro.

Todos nós temos um lugar – e aqueles que lutaram pela pluralidade e pela diversidade poderão estar juntos, mesmo sendo diferentes.

O nome disso é democracia.

Os que usam malabarismos retóricos para criminalizar os que não pensam como eles estão fora deste campo.

Ao imaginar uma quadrilha, usar neologismos pejorativos e maiúsculas generalistas, imputam ao outro unicidades que buscam apenas intimidar.

Certamente exageros e figuras de linguagem fazem parte da disputa de ideias e argumentos.

Mas nesses textos há mais que isso.

A história tem exemplos dolorosos desse tipo de comportamento – basta lembrar textos e atitudes de alguns jornalistas, militantes e intelectuais da Alemanha ou da Itália nos anos 1930.

O nome disso é fascismo.

Leia também:

Laura Carvalho resume o golpe do Temer

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



15 comentários

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Luiz Carlos P. Oliveira

28 de junho de 2016 às 10h08

O que esperar dessa gente? Já estamos carecas de saber que ou se pensa igual à eles ou somos revolucionários, petralhas, comunistas, etc. Se o estudo dis historiadores fizesse elogios aos golpistas, esses crápulas aplaudiriam e berrariam aos quatro cantos do mundo: “Viram? Até os estudiosos são contra a esquerdopata!”
E essas criaturas bizarras se acham os reis da cocada preta. Mas a história os colocará em seus devidos lugares. Abaixo da mosca do cocô do cavalo do bandido.

Responder

Mirtes Cohen

28 de junho de 2016 às 00h41

Eu acho muito triste que haja historiadores como Demétrio, como Villa… triste e sem qualquer vínculo com a verdade dos fatos.

Responder

Reinaldo José Mercador Dantas

27 de junho de 2016 às 12h36

Triste Brasil. Nas mãos do vice interino. Fora temer.

Responder

PAULO EDUARDO TRUGLIO ALVARENGA

27 de junho de 2016 às 10h53

“Para quê serve um Demétrio Magnolli?” Com esses exatos termos, em 2006, escrevi à coluna do leitor da FSP questionando as palavras dessa pessoa logo após os graves movimentos ocorridos no dia das mães naquele ano. O PCC agiu com violência, a polícia levou uma surra e o secretário de política prisional, além de um outro, indizível senhor, foram fazer acordo com Marcolla, para que parasse com o salve geral.
Pois bem, diante da instabilidade, dos toques de recolher impostos por criminosos, nós, pais de família, fomos buscar nossas crianças na escola, trazendo para a casa, mais seguras.
Esse energúmeno escreveu em sua coluna que nós, pais, AGIMOS COMO GALINHAS MEDROSAS, ASSUSTADAS.
Pois bem, se ele é um historiador e não consegue interpretar o PRESENTE, como haverá de fazê-lo com o passado?
Para mim, e muitos pais com quem partilho essa informação, esse indivíduo é um ser estúpido, incoerente, e seu mister de historiador fica na berlinda com as coisas que faz publicar.

Responder

    Dayse

    27 de junho de 2016 às 23h39

    Oi, Paulo! Ele e geógrafo.

Belmiro Machado Filho

27 de junho de 2016 às 10h26

Antes de qualquer consideração, FORA TEMER e seu ministério de notáveis LADRÕES.
Por mais que tentem se defender, usando a tática da desqualificação dos seus críticos ( admissão de culpa), o estigma de GOLPISTAS está gravado a ferro e fogo em suas biografias, consequentemente em suas testas.

Responder

FrancoAtirador

27 de junho de 2016 às 10h21

.
.
https://youtu.be/alLTDT5JdAw
.
“Quanto mais aprendemos
sobre quem somos
e como chegamos até aqui,
mais iremos mobilizar”

Jesse Williams
Ator Negro

Honored at the 2016 BET Awards
with the Humanitarian Award,
gave one of the most memorable
speeches in award show history

https://twitter.com/hilde_angel/status/747353230946992128
.
“Este Prêmio Não É Para Mim.
É para os Organizadores Reais em todo o País
– os Ativistas, os Defensores dos Direitos Civis,
os Pais, as Famílias, os Professores, os Alunos
em Luta – que estão percebendo que um Sistema
construído para dividir e empobrecer e nos destruir
não pode ficar assim”…
.
Íntegra da Transcrição do Discurso Proferido
pelo Ator Jesse Williams, no Original, em Inglês:
.
“Peace peace.
Thank you Debra, thank you BET. Thank you Nate Parker and Debbie Allen for participating in that.
Before we get into it, I just want to say, you know, I brought my parents out.
I just want to thank them for being here, for teaching me to focus on comprehension over career—they made sure I learned what the schools were afraid to teach us.
And also I thank my amazing wife for changing my life.

Now—this award, this is not for me.
This is for the real organizers all over the country – the activists, the civil rights attorneys, the struggling parents, the families, the teachers, the students – that are realizing that a system built to divide and impoverish and destroy us cannot stand if we do.
Alright?
It’s kind of basic mathematics:
The more we learn about who we are and how we got here, the more we will mobilize.

Now, this is also in particular for the black women,
in particular, who have spent their lifetimes dedicated
to nurturing everyone before themselves.
We can, and will, do better for you.

Now: What we’ve been doing is looking at the data.
And we know that police somehow manage to deescalate,
disarm and not kill white people every day.
So what’s gonna happen is we’re going to have equal rights and justice
in our country, or we will restructure their function, and ours.

Now I got more, y’all. Yesterday would have been young Tamir Rice‘s 14th birthday.
So I don’t want to hear any more about how far we’ve come when paid public servants can pull a drive by on a 12-year-old playing alone in a park in broad daylight, killing him on television and going home to make a sandwich.
Tell Rekia Boyd how it’s so much better to live in 2012 than it is to live in 1612 or 1712.
Tell that to Eric Garner. Tell that Sandra Bland. Tell that to Dorian Hunt.

The thing is, though. All of us in here getting money?
That alone isn’t gonna stop this.
Dedicating our lives—dedicating our lives to getting money just to give it right back, for someone’s brand on our body.
When we spent centuries praying with brands on our bodies.
And now we pray to get paid for brands on our bodies.

There has been no war that we have not fought and died on the front lines of.
There has been no job we haven’t done.
There’s no tax they haven’t levied against us. And we’ve paid all of them.
But freedom is somehow always conditional here.
You’re free, they keep telling us.
But she would have been alive if she hadn’t acted so… free.

Freedom is always coming in the hereafter.
But you know what, though?
The hereafter is a hustle. We want it now.

And let’s get a couple of things straight, just a little side note:
The burden of the brutalized is not to comfort the bystander.
That’s not our job, alright?
Stop with all that!

If you have a critique for the resistance—for our resistance—then you’d better have an established record of critique of our oppression.
If you have no interest…
If you have no interest in equal rights for black people, then do not make suggestions to those who do.
Sit down!

We’ve been floating this country on credit for centuries, yo.
And we’re done watching and waiting while this invention called whiteness uses and abuses us, burying black people out of sight and out of mind while extracting our culture, our dollars, our entertainment, like oil, black gold.
Ghettoizing and demeaning our creations, then stealing them, gentrifying our genius, and then trying us on like costumes, before discarding our bodies like rinds of strange fruit.

The thing is though, the thing is, that just because we’re magic doesn’t mean we’re not real.

Thank you.”

http://fusion.net/story/316998/jesse-williams-bet-awards-speech
.
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Responder

carlos

27 de junho de 2016 às 09h08

DIÁRIO OFICIAL DE HOJE – 27/06/16: Me ajuda que eu te ajudo:

DECRETO DE 24 DE JUNHO DE 2016
Autoriza a transferência indireta da concessão
de serviço de radiodifusão de sons e
imagens outorgada à Globo Comunicação e
Participações S.A., nos Municípios e cidade
que menciona.
O VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício
do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição
que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, tendo em
vista o disposto no art. 38, caput, alínea “c”, da Lei nº 4.117, de 27
de agosto de 1962, e no art. 96, § 3º, do Regulamento dos Serviços
de Radiodifusão, aprovado pelo Decreto nº 52.795, de 31 de outubro
de 1963, e de acordo com o que consta do Processo nº
53900.042184/2015-92,
DECRETA:
Art. 1º Fica autorizada a transferência indireta da concessão
de serviço de radiodifusão de sons e imagens outorgada à Globo
Comunicação e Participações S.A., inscrita no CNPJ sob nº
27.865.757/0001-02, nos Municípios de Rio de Janeiro, Estado do
Rio de Janeiro, São Paulo, Estado de São Paulo, Belo Horizonte,
Estado de Minas Gerais, e Recife, Estado de Pernambuco, e na cidade
de Brasília, Distrito Federal.
Art. 2º As alterações societárias deverão ser efetivadas e
registradas perante o órgão competente no prazo de sessenta dias,
contado da data de publicação deste Decreto, sob pena de invalidação
e reversão da operação.
Art. 3º A outorgada deverá encaminhar documentação comprobatória
da efetivação e do registro das alterações societárias autorizadas
por este Decreto ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações
e Comunicações.
Parágrafo único. Após o recebimento da documentação a que
se refere o caput, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e
Comunicações notificará o Congresso Nacional.
Art. 4º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 24 de junho de 2016; 195º da Independência e 128º
da República.
MICHEL TEMER
Gilberto Kassab

Responder

    FrancoAtirador

    27 de junho de 2016 às 10h43

    .
    .
    Mais uma Jogada Contratual Societária da Família Marinho.
    .
    Decreto nº 52.795, de 31 de outubro de 1963

    Aprova Regulamento dos Serviços de Radiodifusão.

    TÍTULO X
    DAS TRANSFERÊNCIAS DE CONCESSÕES E PERMISSÕES
    CAPÍTULO I
    Generalidades

    Art. 89. As concessões e permissões poderão ser transferidas direta ou indiretamente.
    § 1º Dá-se a transferência direta quando a concessão ou permissão é transferida de uma pessoa jurídica para outra.

    § 2º Dá-se a transferência indireta
    quando a maioria das cotas ou ações
    representativas do capital é transferida
    de um para outro grupo de cotistas ou acionistas
    que passa a ter o mando da sociedade.
    .
    http://www.anatel.gov.br/legislacao/decretos/130-decreto-52795
    .
    .

FrancoAtirador

27 de junho de 2016 às 09h02

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O CIRCO DOS INSENSATOS INCENSADOS
https://pbs.twimg.com/media/Cl8-cnMWAAAOkLc.jpg
https://twitter.com/LatuffCartoons/status/747384765993607168
.
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Magistrados Não São Palhaços
.
Magistratura é Contrapoder na Garantia dos Direitos dos Cidadãos
perante os Poderosos e o Arbítrio do Estado, Mesmo que sob Riscos
.
Por João Batista Damasceno*, em O Dia
.
A decapitação do rei Luiz XVI em 1792
deveria ser o marco da Revolução Francesa.

O regicídio foi o evento mais marcante daquele período.

Mas o marco é a Tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789,
masmorra onde o rei e seus juízes amontoavam os inimigos do regime.
.
Na Inglaterra, em 13 de fevereiro de 1689, o rei Guilherme de Orange assinara
a Declaração dos Direitos, um dos mais importantes documentos políticos modernos.

Voltou da Holanda para ser coroado num barco com o filósofo John Locke,
que o aconselhava a não se colocar acima das circunstâncias e aceitar que era rei
por vontade dos seus súditos, que lhe poderiam destronar ou cortar sua cabeça,
como fizeram em 1649 com seu avô, o rei Carlos I.

Antes da Revolução Francesa de 1789, a Revolução Gloriosa inglesa de 1688
retirara a soberania do trono e instituíra a soberania popular.
.
Não foi com reverência ao poder e aos poderosos
que ocorreram as mudanças na história.

Foram os conflitos, as desobediências e as tensões que forçaram
as classes dominantes a reconhecer os Direitos do Povo.
.
Depois da Declaração dos Direitos de 1689,
os soberanos tiveram que dividir o poder com o Parlamento,
reconhecer o direito dos nobres perante o trono
e assegurar os direitos dos homens comuns.
.
No Brasil, desde as ‘Jornadas de Junho’ de 2013,
o povo tem estado na rua.
Às vezes, por manipulações midiáticas,
equivocadamente defendendo interesses
contrários aos seus.

Até juízes têm se manifestado politicamente
e em homenagem ao juiz Sérgio Moro,
às vezes inadequadamente vestindo toga.
.
Em data recente, o jornalista Elio Gaspari
escreveu que “os hierarcas de Brasília
costuravam as fantasias de palhaço
para quem fosse às ruas festejar o juiz Moro”.

Por todo o país magistrados vestiram togas
e se manifestaram em homenagem ao juiz Sérgio Moro.

Algumas manifestações ocorreram em logradouros públicos
e outras dentro de prédios do Poder Judiciário.

Não sei se o jornalista comparou os magistrados que vestiram toga
para homenagear o juiz Sérgio Moro com profissionais circenses
ou se houve comparação das vestes talares com as vestimentas dos palhaços.
.
Mas magistrados não são palhaços.

Magistratura é contrapoder na garantia dos direitos dos cidadãos
perante os poderosos e o arbítrio do Estado, mesmo que sob riscos.
.
*João Batista Damasceno é Doutor em Ciência Política
e Juiz de Direito no Estado do Rio de Janeiro,
Membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD).
.
http://odia.ig.com.br/opiniao/2016-06-26/joao-batista-damasceno-magistrados-nao-sao-palhacos.html
.
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Responder

Zé do Ataúde

27 de junho de 2016 às 06h59

Tá tudo contaminado

Fora de Pauta, mas importantíssimo

Morte de “laranja” do jatinho de Campos não teve perícia. Cadê o Janot?

Por Fernando Brito · 26/06/2016, no Tijolaço

http://www.tijolaco.com.br/blog/morte-de-laranja-do-jatinho-nao-teve-pericia-cade-o-janot/

O caso é federal, porque versa sobre desvio de verbas de obras federais para, supostamente, abastecer a campanha da chapa Eduardo Campos-Marina Silva.

Portanto, é obrigação da Procuradoria Geral da República zelar para que não haja obstrução das investigações.

É gravíssima a denúncia do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco, no Estadão, de que pode haver “interferência política” nas investigações da morte do empresário Paulo César Morato, que foi encontrado morto em um motel em Olinda, região metropolitana do Recife, um dia após a deflagração da Operação Turbulência. Morato, que estava foragido, seria um dos empresários envolvido no esquema de desvio de recursos para alimentar campanhas do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e a perícia da cena do encontro de seu corpo não teria sido devidamente periciada.

“A diretoria do Sinpol tomou conhecimento que peritos papiloscopistas (…) foram impedidos de realizar perícia no quarto do motel Tititi, onde foi encontrado o corpo do empresário Paulo César de Barros Morato”, diz o sindicato em nota. A tentativa de perícia aconteceu na última quinta-feira, 23. “São muitas questões graves que envolvem o episódio, sobretudo por se tratar de uma testemunha que aparece misteriosamente morta, pouco depois de ter sua prisão preventiva decretada”, pontua o comunicado.

O texto diz ainda que “beiramos o fascismo ou qualquer outro regime ditatorial quando o Estado se ‘autossabota’ para atender interesses políticos e particulares, favorecendo a corrupção e a ocultação de graves crimes”.

A polícia estadual, recorde-se, está sob o comando do governo do PSB campista, com Paulo Câmara, que tem também um representante no Governo Temer, o deputado Fernando Filho, filho de Fernando Bezerra Coelho, apontado também como beneficiário dos desvios de recursos que teria sido patrocinado pelo ex-governador.

Responder

Elza

27 de junho de 2016 às 05h41

Excelente, é isso, medo dos registros da história, de serem identificados como golpistas
no presente e no futuro.

Responder

Cláudio

27 de junho de 2016 às 04h13

:
: * * * * 04:13 * * * * .:. Ouvindo As Vozes do Bra♥♥S♥♥il e postando: A grande mídia (mérdia) é composta por sabujos sujos a serviço dos ianque$ e do $ionismo de capital especulativo internacional e outras máfias (como a ma$$onaria) dos canalhas direitistas…
.:.
* 1 * 2 * 13 * 4
*************
.:.
♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
* * * * * * * * * * * * *
* * * *
Por uma verdadeira e justa Ley de Medios Já pra antonti (anteontem. Eu muito avisei…) !!!! Lula 2018 neles !!!!
* * * *
* * * * * * * * * * * * *
♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥

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O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.