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Santayana: A engenharia  brasileira está morta, cremada no altar do entreguismo
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Santayana: A engenharia brasileira está morta, cremada no altar do entreguismo


29/12/2016 - 08h48

 Moro, Justiça entreguismo
Nota de falecimento: a engenharia brasileira está morta

A estratégia geopolítica de nações poderosas que querem nos enterrar não se resume a fortalecer sua própria engenharia e suas maiores empresas. Inclui sabotar as empresas e a engenharia de outros países

A Engenharia Brasileira está morta.

Será cremada no altar da Jurisprudência da Destruição, do entreguismo e da ortodoxia econômica.

Suas cinzas serão sepultadas em hora e local a serem anunciados no decorrer deste ano de 2017.

Em qualquer país minimamente avançado, a engenharia é protegida e reverenciada como o outro nome do poder, da prosperidade e do desenvolvimento.

Não há países que tenham chegado a algum lugar sem apoiar soberana e decisivamente sua engenharia.

Assim como não existem nações que tenham crescido econômica e geopoliticamente sabotando, inviabilizando, destruindo, execrando, ensinando seu povo a desprezar, odiar e demonizar essa área, seus técnicos, trabalhadores, suas empresas, projetos, líderes e empresários, como o Brasil está fazendo agora.

Sem engenharia, os soviéticos não teriam derrotado a Alemanha nazista, com suas armadilhas para Panzers e seus portentosos tanques T-34.

Nem enviado o primeiro satélite artificial, o Sputnik, para a órbita terrestre, nem feito de Yuri Gagarin o primeiro homem a viajar pelo espaço.

Sem engenharia, os Estados Unidos não teriam construído suas pontes e arranha-céus, monumentos inseparáveis da mística do american way of life no século 20.

Nem produzido a primeira bomba atômica, ou chegado à lua em menos de 10 anos, a partir do desafio estabelecido pelo presidente John Kennedy em 1961.

Desde a consolidação do Império Britânico, ela mesma filha direta, dileta, da Revolução Industrial inglesa; desde a substituição de importações pelos Estados Unidos após a independência, e pela URSS, depois da Revolução de Outubro de 1917, o mundo sabe: não existem nações dignas desse nome que consigam responder a questões como para onde avançar, como avançar, quando avançar, sem a ajuda da engenharia.

Como fez Juscelino Kubitschek, por exemplo, com o binômio “Energia e Transporte” e seus “50 anos em 5”, e os governos militares que — embora o tivessem combatido e perseguido em várias ocasiões — o seguiram na adoção do planejamento como instrumento de administração pública e no apoio a grandes empresas brasileiras para a implementação de grandes projetos nacionais.

Empresas e grupos que estão sendo destruídos, agora, pelo ódio, a pressão e a calúnia, como se tivessem sido atingidos por uma devastadora bomba de nêutrons.

Com a maior parte de seus executivos presos em algum momento, as maiores empreiteiras do país foram levadas a avalizar a transformação de doações legais de campanha e de caixa dois em propina — retroativamente, nos últimos três anos.

A aceitar, na ausência de provas cabais de pagamentos de corrupção na escala bilionária apresentada pela imprensa e aventada pelo Ministério Público a todo momento, a imposição de multas punitivas “civis” a título de nebulosas “indenizações por danos morais coletivos” da ordem estratosférica de bilhões de dólares.

A render-se a discutíveis acordos de delação premiada impostos por uma operação que já acarretou para o país — com a desculpa do combate à corrupção — R$ 140 bilhões em prejuízo, a demissão milhares de trabalhadores, a interrupção de dezenas de projetos na área de energia, indústria naval, infraestrutura e defesa, a quebra de milhares de acionistas, investidores e fornecedores.

Diante de tudo isso, não podemos fazer mais do que comunicar o falecimento da engenharia brasileira, famosa por ter erguido obras pelo mundo inteiro, de rodovias no deserto mauritaniano a ferrovias e sistemas de irrigação no Iraque; passando pela perfuração de galerias e túneis sob as montanhas dos Andes; pelo desenvolvimento de sistemas de resfriamento contínuo de concreto para a construção de Itaipu; ou pela edificação de enormes hidrelétricas na África Subsaariana.

A engenharia nacional está perecendo.

Foi ferida de morte por um sistema judiciário que pretende condenar, a priori, qualquer contato entre empresas privadas e o setor público, e desenvolveu uma Jurisprudência da Destruição de caráter descaradamente político, que não concebe punir corruptos sem destruir grandes empresas, desempregar milhares de pais de família, interromper e destroçar dezenas de projetos estratégicos.

Um sistema judiciário que acredita que deve punir, implacável e estupidamente, não apenas as pessoas físicas, mas também as jurídicas, não interessando se esses grupos possuem tecnologia e conhecimento estratégicos, desenvolvidos ao longo de anos de experiência e aprendizado, se estão envolvidos em projetos vitais para o desenvolvimento e a segurança nacional, se deles dependem, para sobreviver, milhões de brasileiros.

A engenharia brasileira faleceu, com seus escritórios de detalhamento de projetos, suas fábricas de bens de capital, seus estaleiros de montagem de navios e plataformas de petróleo fechados, suas linhas de crédito encarecidas ou cortadas, seus ativos vendidos na bacia das almas e seus canteiros de obras abandonados.

E o seu sepultamento está marcado para algum momento de 2017.

Será sacrificada no altar da estúpida manipulação midiática de factoides econômicos, com atitudes desastrosas como a antecipação suicida pelo BNDES — em plena recessão — do pagamento de R$ 100 bilhões ao Tesouro.

Um dinheiro que poderia ser imediatamente aplicado em infraestrutura, vai em troca de uma insignificante, irrelevante, pouco mais que simbólica redução de 1% na dívida pública, quando, sem fazer alarde, os dois últimos governos reduziram a Dívida Nacional Bruta de 80% em 2002 para 67% em 2015, e a Dívida Líquida de 60% para 35% no mesmo período, pagando US$ 40 bilhões devidos ao FMI, e economizando mais de US$ 370 bilhões em reservas internacionais nos anos seguintes.

A engenharia brasileira será sepultada, ou cremada, porque não pode mais sobreviver, a longo prazo, em um país que aceitou aumentar os gastos públicos apenas pelo índice de inflação do ano anterior, durante os próximos 20 anos, engessando estrategicamente o seu desenvolvimento, com uma imbecil e limitante camisa de força, enquanto outros países e regiões, como os Estados Unidos e a Europa, muito mais endividados — e desenvolvidos — do que nós, continuarão a se endividar, a se desenvolver e a se armar cada vez mais, já que seu discurso neoliberal e ortodoxo só serve para enganar e controlar trouxas de terceira categoria como os nossos, e quase nunca é aplicado no caso deles mesmos.

Esse hipócrita discurso para trouxas não é apenas econômico, mas também jurídico. E nesse caso, gera ganhos reais, que vão além da eliminação ou diminuição da concorrência de potenciais competidores em campos como o da engenharia.

Da estratégia geopolítica das nações mais poderosas do mundo, não faz parte apenas fortalecer permanentemente a sua própria engenharia e suas maiores empresas, mas, também, sabotar as empresas e a engenharia de outros países, usando desculpas de diferentes matizes, que são repetidas e multiplicadas pela mídia sabuja e babosa desses mesmos lugares.

Não é outra coisa o que os Estados Unidos fazem por meio de órgãos como o Departamento de Justiça e de iniciativas como o próprio Foreign Corrupt Practices Act, sob o manto do combate à corrupção e da proteção da concorrência.

Leniente com suas próprias companhias, que não pagam mais do que algumas dezenas de milhões de dólares em multa, os Estados Unidos costumam ser muito mais duros com as empresas estrangeiras.

Tanto é que da lista de maiores punições de empresas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos por corrupção em terceiros países — incluídos alguns como Rússia, que os Estados Unidos não querem que avancem com apoio de grupos europeus como a Siemens — não consta nenhuma grande empresa norte-americana de caráter estratégico.

A Lockheed Martin e a Halliburton, por exemplo, pagaram apenas uma fração do que está sendo imposto como punição, agora, à Odebrecht brasileira, responsável pela construção do nosso submarino atômico e do míssil ar-ar da Aeronáutica, entre outros projetos, que deverá desembolsar, junto com a sua subsidiária Braskem, uma multa de mais de R$ 7 bilhões, a mais alta já estabelecida pelo órgão regulador norte-americano contra uma empresa norte-americana ou estrangeira.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



21 comentários

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José Fernandes

29 de dezembro de 2016 às 23h46

Será que os que querem essa morte ..São maiores do que aqueles que não querem, ? Acho que não. onde estão os juristas ?.Os advogados?,os homens que acreditam neste País? Que deixam esses urubus do País de gato e sapato?.

Responder

FrancoAtirador

29 de dezembro de 2016 às 23h24

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Pesquisa Aponta que Cérebros de Procuradores do MPF

se Acostumam a Práticas Ilegais de Abuso de Autoridade.

https://twitter.com/VIOMUNDO/status/814623031142313984
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“O problema é que a desonestidade bem-sucedida se perpetua
não só ao ser recompensada mas também ao encontrar
cada vez menos objeção do próprio cérebro.

Este é apenas mais um exemplo de como o cérebro se modifica
com seus próprios atos e fica cada vez melhor no que faz.

Isso é o que mostra um estudo da University College London, no Reino Unido,
que examinou a atividade na amígdala cerebral, estrutura envolvida
na geração de respostas emocionais, como angústia e medo, a situações variadas.

O mais importante é que não só os pesquisadores observaram uma habituação
da amígdala cerebral a cada ato desonesto interesseiro, como essa habituação –conforme a amígdala se ‘acostumava’ com a desonestidade–
predizia corretamente uma desonestidade interesseira ainda maior da próxima vez.

É como se a amígdala, impune, fosse perdendo a vergonha
a cada ato desonesto em prol de si mesma.

A habituação explica a desonestidade crescente, mas claro que não a justifica.

A lição mais importante é como é fundamental cortar o mal pela raiz.”
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Responder

FrancoAtirador

29 de dezembro de 2016 às 23h02

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O Brasil no Bolso dos Banqueiros

Dívida Bruta Ultrapassa 70% do PIB e irá a 77% em 2017.

E Lá se Vão o Orçamento Público e as Reservas Cambiais.

http://brazil.shafaqna.com/PT/BR/2568629
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Responder

Nelson

29 de dezembro de 2016 às 22h25

Mais um comentário ridículo para a já grande coleção, Sr Lukas?

Você bem sabe o que quis dizer o Santayana no artigo; está bem inteligível. Se não sabes, deve ser por um dos dois motivos seguintes:

És um entreguista juramentado, bajulador e sabujo dos governos dos EUA, assim como o são Temer, Serra, FHC e tantos outros vendilhões da Pátria. Neste caso, a única solução é você ficar no teu reduto – Veja, Exame, Época, Globo, RBS, Band, Folha, Estadão, etc -, pois este sítio não é o teu lugar.

Por conta do ódio irracional ao Lula e ao PT, que deixou-se insuflar, você não leu o artigo e já “saiu atirando”. Neste caso, ainda haveria uma chance; basta que tu te disponhas a ler, a refletir e a debater com serenidade, fraternidade e racionalidade sobre tudo o que está acontecendo no nosso país. Tenho certeza de que tu passarias a compreender, claramente, os motivos para termos chegado a atual situação.

Responder

    Lukas

    30 de dezembro de 2016 às 00h36

    Nelson, em 2017, é Lula lá.

Ramon

29 de dezembro de 2016 às 21h48

Uma pena, que o povão brasileiro não esteja atento para derrubar esse governo neoliberal e entreguista. Os movimentos sociais terão muito trabalho pela frente para colocar o povo na rua contra essa elite submissa, que não tem um projeto nacionalista para o país.

Responder

FrancoAtirador

29 de dezembro de 2016 às 21h11 Responder

Mauricio

29 de dezembro de 2016 às 16h54

A nota de falecimento deveria ser estendida ao Brasil, pois a esperança de termos um país mais justo e soberano foi enterrada pela escória da república de CÚritiba a soldo dos “istaits”. Moro 80 mil, Janota, Cepacol e outros devem estar felizes da vida por terem prestado esse papel ao titio do norte….

Responder

Belmiro Machado Filho

29 de dezembro de 2016 às 14h20

Louvo a sabedoria e a indignação do grande brasileiro Mauro Santayana. Porém, num país em que grassa os analfabetismos funcional e político serão apenas palavras ao vento. O viralatismo e a frouxidão moral está impregnado no nosso modo de vida. Gostaria de nunca ter de me indignar contra os meus próprios irmãos.

Responder

Alex Silva

29 de dezembro de 2016 às 14h13

Muito bom o texto do Santayana. Muito esclarecedor.

Responder

Lukas

29 de dezembro de 2016 às 12h09

Quem diria, agora os esquerdistas deram para defender empreiteiros corruptos e, aparentemente, de graça.

“Nobody told me there’d be days like these.
Strange days indeed – strange days indeed.”

John Lennon

Responder

    Couto

    29 de dezembro de 2016 às 15h48

    A justiça deve ser para todos e na justa medida. Nem mais nem menos.

    sergio ribeiro

    29 de dezembro de 2016 às 16h40

    Para prender corruptos não é necessário destruir as empresas nacionais. Os processos poderiam ser bem mais discretos e punir somente alguns executivos. Praticamente invibilizaram a indústria nacional e vão dar tudo de bandeja a estrangeiros.

    Mauricio

    29 de dezembro de 2016 às 16h50

    Você é a prova viva da desgraça que é o analfabetismo funcional e político. Não adianta copiar e colar (se preferir copy and paste) textos em inglês pra mostrar uma sabedoria ou cultura que você não tem, não passas de um ser imbecilizado que sequer é capaz de entender a importância de assuntos como soberania nacional, estratégia de defesa, etc. Seria melhor desfilar sua sabedoria em sites do seu nível intelectual, como o ANTAgonista e similares. Aqui, além de fazer papel de palhaço, passa vergonha cada vez que defeca pelos teclados.


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