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Marcolino: Propinoduto tucano é mais amplo que o que sai na mídia
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Marcolino: Propinoduto tucano é mais amplo que o que sai na mídia


24/01/2014 - 22h09

Alguns dos primeiros documentos da investigação Suiça revelaram pagamento de propina no setor elétrico por parte da empresa de manutenção Cegelec; são de 1997.

No documento acima, o suposto destino das propinas da Cegelec: “as finanças do partido, o Tribunal de Contas, a Secretaria de Energia”. Na época o secretário era o atual vereador Andrea Matarazzo, que também aparece com destaque no livro Operação Banqueiro e na operação Castelo de Areia, da Polícia Federal.

por Luiz Carlos Azenha

O líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, Luiz Claudio Marcolino, afirma que o partido está a apenas 4 votos de conseguir abrir uma Comissão de Parlamentar de Inquérito para investigar o escândalo envolvendo as propinas pagas pelas empresas Siemens e Alstom a integrantes de governos paulistas.

O esquema vem sendo denunciado pela bancada petista desde 2008. Foram 15 representações ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Federal.

Desde então, o governo paulista já fechou outros R$ 16 bilhões em contratos com empresas sob suspeita.

O que você tem lido na imprensa não dá conta da amplitude do esquema que o PT vislumbra nos bastidores da política paulista. Para Marcolino, é um esquema “estruturado”, de longo prazo.

Hoje, existem três investigações da Polícia Federal em andamento que, segundo Marcolino, estão de alguma forma interligadas.

Além da apuração das propinas pagas nas licitações do Metrô e da CPTM — a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos —  há as resultantes das operações Fratelli e Castelo de Areia.

A primeira é relativa a deputados que teriam oferecido emendas parlamentares em troca de favores do grupo Scamatti, a chamada Máfia do Asfalto.

A segunda, anulada pelo Superior Tribunal de Justiça, mas que ainda depende de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, tratou de um esquema de corrupção envolvendo a empreiteira Camargo Corrêa.

O andamento destas investigações e mais uma CPI, segundo Marcolino, poderiam rever todos os processos licitatórios que, segundo ele, estão sob suspeita no estado de São Paulo, envolvendo contratos na casa de R$ 40 bilhões.

De acordo com o líder do PT, há indícios de que o esquema teve seu embrião ainda no governo de Franco Montoro.

Marcolino rejeita a ideia, recentemente difundida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que o propinoduto tenha abastecido apenas funcionários de carreira em cargos importantes. Trata-se, na opinião do líder do PT, de um esquema de financiamento que também beneficiou partidos políticos, como mostra o documento relativo à empresa Cegelec reproduzido logo acima.

O PT defende o afastamento de três secretários do governo Alckmin mencionados em investigações: Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes; Casa Civil, Edson Aparecido; Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Rodrigo Garcia.

“Entendemos ser necessário o afastamento para garantir que as investigações sejam feitas de forma transparente, sem constrangimentos ou risco de extravios de documentos”, explicou Marcolino recentemente, em nota.

O partido também tenta ouvir, na ALESP, doze testemunhas: Gustavo Ungaro, presidente da Corregedoria Geral da Administração; Paulo Itacarambi, vice-Presidente do Instituto Ethos e membro do Movimento Transparência; Edna Flores, ex-secretária de José Fagali Neto; José Fagali Neto, consultor; Luiz Carlos Frayze David, ex-Presidente do Metrô; Decio Tambeli, ex-Diretor do Metrô; Nelson Scaglioni, ex-Gerente de manutenção da CPTM; Ronaldo Moriyana, Diretor da MGE; Eduardo José Bernini, proprietário da Tempo Giusto Consultoria Empresarial Ltda e ex Diretor Presidente da Eletropaulo; Andrea Matarazzo, Vereador da cidade de São Paulo e ex-Presidente da CESP – Companhia Energética de São Paulo; João Roberto Zaniboni, ex-diretor da CPTM; e Henrique Fingermann, ex-presidente da Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica.

Para o deputado, é significativo o fato de que as investigações avançaram no Exterior mas não no Brasil. Em consequência disso, o PT pediu a apuração da atuação dos promotores Silvio Marques e Rodrigo De Grandis, respectivamente do MPE e do MPF.

Marcolino lembra que executivos da Siemens e da Alstom já foram punidos na Alemanha e na Itália, mas escaparam da Justiça do Brasil.

A bancada do PT preparou uma apresentação em que fala em até R$ 9 bilhões em propinas, o que daria para construir 20 km de Metrô.

O Viomundo não tem como atestar este número, mas fica claro o potencial eleitoral do tema em 2014.

É chumbo para trocar, especialmente diante das acusações que certamente serão feitas aos petistas por conta das condenações no caso do mensalão.

Marcolino disse que é certo que o governo Alckmin denunciará a convocação de qualquer CPI como “eleitoreira”, mas se defende dizendo que o PT tentou fazê-lo antes, fora de período eleitoral.

Porém, segundo o líder petista, agora estão dadas as condições políticas. É que pelo menos dois partidos da base aliada de Alckmin, o PMDB e o PSD, devem apresentar candidato próprio ao governo do Estado. Com isso, o líder petista vislumbra a possibilidade de conseguir os 4 votos que faltam para convocar a Comissão Parlamentar de Inquérito.

Um dos objetivos seria deixar claro à população paulista os prejuízos gigantescos causados pelo propinoduto tucano aos investimentos públicos.

[Toda a produção de conteúdo exclusiva do Viomundo depende dos assinantes que sustentam este espaço. Ajude-nos]

Abaixo, a entrevista completa de Marcolino.

Nela, o deputado menciona a apuração do CADE, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica; eu falo sobre as suspeitas envolvendo a morte de Manfred von Richthofen, executivo da Dersa — Desenvolvimento Rodoviário — assassinado pelo namorado da filha. Sobre Manfred se especulou que era encarregado de caixa dois tucano, especulações nunca confirmadas.

Em seguida, a apresentação que o PT está difundindo para denunciar o governo tucano.

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42 comentários

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PEDRO SANCHES

30 de janeiro de 2014 às 12h09

A Folha de SP cita que o “PSDB esta no Governo desde 1995 com a eleição de Mário Covas”,mas na Realidade SP esta nas mãos do mesmo Grupo Politico desde 1983,quando Franco Montoro assumiu o Governo pelo PMDB.
O PSDB é apenas parte do PMDB que mudou de nome,mas o Grupo Politico é o mesmo.

Responder

Cláudio

30 de janeiro de 2014 às 07h14


“Com o tempo, uma imprensa [mídia] cínica, mercenária, demagógica e corruta formará um público tão vil como ela mesma” *** * Joseph Pulitzer.


“Se você não for cuidadoso(a), os jornais [mídias] farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo.” *** * Malcolm X.



Ley de Medios Já ! ! ! . . .



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    Tiago

    31 de janeiro de 2014 às 12h54

    Se essa lei pegar aqui meu amigo, nem te conto, com os castelhanos já tem gente xiando horrores…

    abraços

Mauricio Bernardi

29 de janeiro de 2014 às 18h06

Em italiano, a palavra Tangentopoli quer dizer Cidade da Propina. Seria Roma como, no nosso caso, Sampa. O esquema de propinas foi investigado na operação Mãos Limpas “que incriminou chefes de partido, ex-ministros e autoridades regionais, além de vários empresários”. A Mani Pulite não livrou a Itália da corrupção, mas, acabou com velhos partidos, como o Socialista e a Democracia Cristã. Surgiu, então, o partido de Berlusconi, mais corrupto que os demais, e o pequeno partido do juiz Antonio Di Pietro, que deixou a magistratura. No Brasil parece que a Propinolândia nem será investigada.

Responder

Cibele

28 de janeiro de 2014 às 23h04

Galera, muito legal a iniciativa da prefeitura de São Paulo de reabrir o Cine Belas Artes. Vamos repercutir?

http://www.capital.sp.gov.br/portal/noticia/720#ad-image-0

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Roberto Locatelli

28 de janeiro de 2014 às 20h21

O PT já ofereceu INÚMERAS denúncias ao ministério público, desde 2008. Mas o mp é apenas um departamento do PSDB e guardou as denúncias na gaveta errada (arquivo morto).

A solução é o PT se reconectar com suas bases e criar um MOVIMENTO exigindo investigação. Black-blocs e movimento passe livre são ligados ao PSDB/PSOL e NUNCA se mobilizarão contra Geraldo Alstom.

Responder

    Cibele

    28 de janeiro de 2014 às 23h09

    É, Roberto, eu, por exemplo, não quero CPI de jeito nenhum. Seria só para desperdiçar tempo, energia e dinheiro. Quero que deixem o poder. Simples assim, há vinte anos que não estamos representados no governo de NOSSO estado. Chega dessa canalhice. CPI não adianta, já sabemos, quanto mais na situação atual.

    Cibele

    28 de janeiro de 2014 às 23h17

    Pode até ter gente que vá dizer “ah, mas a CPI vai desmoralizar o governo estadual e nos ajudar na eleição”. Com a mídia que temos, não acredito nem mesmo nisso. Vão dar um jeito de ainda jogar alguma coisa em cima do PT.

Bacellar

28 de janeiro de 2014 às 13h35

O mais engraçado é como a população tende a execrar os partidos mas a imagem das corporações permanece igual. Deveríamos boicotar os produtos da Siemens…

Responder

    Cibele

    28 de janeiro de 2014 às 23h18

    Certíssimo, muito bem observado, Bacellar.

    Cibele

    28 de janeiro de 2014 às 23h49

    Não, esqueçam, não concordo, pensei que fosse outra coisa.

    Cibele

    28 de janeiro de 2014 às 23h43

    A população tende a execrar O PARTIDO, você quis dizer, né? Concordo que não devemos demonizar a política e os partidos em geral, mas devemos execrar, sim, determinado partido que comprou a justiça e que vive de práticas abomináveis.

Grande Carioca

28 de janeiro de 2014 às 00h54

Sabem por que continuarei votando no PT? Porque o PT a dita “Grande Imprensa” fiscaliza. Já quando os tucanos são os donos do poder, ela rouba junto…

Responder

Francisco

27 de janeiro de 2014 às 20h09

“É chumbo para trocar, especialmente diante das acusações que certamente serão feitas aos petistas por conta das condenações no caso do mensalão.”.

O mensalão do PT, “já acabou”. E não acabou porque virou pizza. Acabou porque acabou e ponto (os marqueteiros brasileiros não sabem nem lidar com algo tão inusitado, vão acusar o PT de que? De “pizza”? Mas… não houve pizza! Simplesmente, acabou!)

Portanto, discordo Azenha. Como o PT se recusa (corretamente, por sinal) a admitir que houve um mensalão do PT, isso acaba provocando uma certa cegueira politica e de marketing politico.

Se o PT resolvesse admitir que houve um mensalão, ficaria mais claro o óbvio:

1. Os erros que o PT cometeu, o PT pagou. E pagou sem criar nenhum (nenhum!) empecilho à investigação.

2. Todos os que investigaram o PT estavam sob administração do PT e nenhum (nenhum!) deixou de investigar.

3. Todos os que julgaram o PT, foram nomeados pelo PT e nenhum (nenhum!) “amaciou” o julgamento (pelo contrário…).

Que ônus o PT pode ter?

O PT pode se apresentar como paradigma do que deveria ser cada um e todo partido do Brasil. Erra (posto que isso é da condição humana), investiga, julga e pune. A si mesmo. Quem já fez isso por aqui desde Pedro Álvares Cabral?

Quantos partidos brasileiros podem dizer o mesmo? Quantas vezes o PSDB impediu a investigação do trensalão? Quantas CPIs foram abortadas?

(De que vive Cerra?)

A leitura de que o PT será julgado nas urnas por um crime já julgado e punido é equivocada, o problema, para o leitor é outro:

E os crimes não investigados?

A questão é o presente e o futuro!

Eu já previa isso. O PSDB juntou lenha para a própria fogueira ao tornar o mensalão coisa pior que crime de Nuremberg. O PSDB trouxe para cá o dominio do fato que pode estraçalhar o PSDB de cima a baixo. Pior: quem poderia condenar a militância petista de sair às ruas e exigir isonomia? Não é Lei? O pau que dá em Joaquim, tem que dar em Barbosa.

O PT saiu chamuscado, mas os tucanos…

Se o PT usar o horário eleitoral politico como deveria, o PSDB pode não passar desta eleição. Assunte só…

PS. O problema do PT é essa vocação para mulher de bandido…

Responder

renato

27 de janeiro de 2014 às 19h36

A Globo já não inocentou no ar todo o PSDB?????

Responder

Messias Franca de Macedo

27 de janeiro de 2014 às 17h23

Esclarecimentos sobre a Direita Miami

Postado por *Juremir Machado – historiador e jornalista
em 25 de janeiro de 2014

O mais comum é que cada personagem não tenha consciência da sua personalidade. O Brasil vem sendo dominado, na classe média e na mídia, por um tipo muito especial, o lacerdinha, representante da direita Miami.
É um pessoal que se acha sem ideologia, pois, para o lacerdinha autêntico, ideologia é coisa de esquerdista comedor de criancinha. A direita Miami acredita que todo esquerdista é comunista de carteirinha e que sonha com uma sociedade no modelo da Coreia da Norte.
O ideal da direita Miami é comer hambúrguer na Flórida, visitar a Disney todos os anos, ler a Veja, ver BBB, copiar e colar artigos de colunistas que falam todo dia da ameaça vermelha – e não é o Internacional nem o América do Rio -, esbaldar-se em shoppings sem rolezinhos, salvo de patricinhas e mauricinhos, e denunciar programas governamentais, exceto de isenções de impostos para ricos, como esmolas perigosas e inúteis.
A direita Miami tem uma maneira curiosa de raciocinar.
– Se você é esquerdista, por que vai à Europa?
– Não entendi a relação – balbucia o ingênuo.
– Se você é esquerdista, por que tem plano de saúde?
A direita Miami contabiliza as mortes produzidas pelo comunismo, no que tem razão, mas jamais pensa nas mortes produzidas pelo capitalismo no passado e no presente. Mortes por fome, falta de condições sanitárias e doenças evitáveis não impressionam os lacerdinhas. Não parece possível à direita Miami que se possa recusar o comunismo e o capitalismo brasileiro. A social-democracia escandinava, por exemplo, não chama atenção dos sacoleiros de Miami. É uma turma que quer muito Estado para si e pouco para os outros. De preferência, muito Estado para impedir greves, estimular isenções fiscais para grandes empresas e reprimir movimentos sociais.
O mais curioso na direita Miami é que, embora defenda o Estado mínimo na economia, salvo se for a seu favor, gosta de Estado robusto em questões morais como consumo de drogas e de sexualidade, aquelas que, mesmo criticando, costuma praticar e exigir tratamento diferenciado quando o Estado flagra algum dos dela em conflito com a lei. A direita Miami fala ao celular, dirigindo, sobre a sensação de impunidade no Brasil e, se multada, denuncia imediatamente a indústria da multa.
A direita Miami é contra cotas, Bolsa-Família, ProUni e todos esses programas que chama de assistencialistas e eleitoreiros. Vive de olho no impostômetro e, para não colaborar com a excessiva arrecadação dos governos, faz o que pode para sonegar o que deve ao fisco. Roubar do Estado que gasta mal parece-lhe um dever moral superior.
Um imperativo categórico.
A direita Miami vive denunciando Che Guevara, mas nunca fala de Pinochet. Se dá uma melhorada na economia dos camarotes, pode torturar e matar. As vítimas são esquerdistas mesmo. A direita Miami adora metrô em Paris, quando vai até lá, apesar de achar que tem muito museu chato e pouco shopping bacana, mas é contra estação de metrô no seu bairro. Tem medo que atraia “marginais”. A última moda da direita Miami é o sertanejo universitário. Quanto mais a tecnologia evolui, mas a direita Miami se torna primária. O que lhe falta, resolve com silicone.

*Juremir Machado da Silva, nascido em 29 de janeiro de 1962, em Santana do Livramento, graduou-se em História (bacharelado e licenciatura) e em Jornalismo pela PUCRS, onde também fez Especialização em Estilos Jornalísticos. Passou pela Faculdade de Direito da UFRGS, onde também chegou a cursar os créditos do mestrado em Antropologia. Obteve o Diploma de Estudos Aprofundados e o Doutorado em Sociologia na Universidade Paris V, Sorbonne, onde também fez pós-doutorado. Como jornalista, foi correspondente internacional de Zero Hora em Paris, trabalhou na IstoÉ e colaborou com a Folha de S. Paulo. Atua como colunista do Correio do Povo desde o ano 2000. Tem 27 livros individuais publicados, entre os quais Getúlio, 1930, águas da revolução, Solo, Vozes da Legalidade e História regional da infâmia, o destino dos negros farrapos e outras iniquidades brasileiras. Coordena o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS. Apresenta diariamente, ao lado de Taline Oppitz, o programa Esfera Pública, das 13 às 14 horas, na Rádio Guaíba.

FONTE: http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=5553

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Elismar

27 de janeiro de 2014 às 14h08

Este Neves é quem estou pensando? Ah,é sim!
Novo Jornal já publicou isto e Carone está preso e enfartado!

Responder

Lindivadlo

27 de janeiro de 2014 às 00h24

Diante dos vários protestos contra a copa, exibidos ontem pela televisão, vi um senhor, que estava numa banca de revista, comentar:
– É isso aí! O povo agora “deixou de ser besta”! Pra que o futebol? O Brasil precisa mesmo é de investir na saúde, no emprego… E não de taças, de títulos… Isto é mais uma das trapaças do Lula, da Dilma, do PT…
A partir de então, fiquei refletindo sobre esta nova e inédita conscientização do povo brasileiro que, até há pouco tempo atrás, amava incondicionalmente o futebol… E que ostentava orgulhosamente no peito as cinco estrelas de campeão, apesar dos milhões de desvalidos.

Por que e desde quando uma parte dos brasileiros que, negando-se a si mesma e sua história, estava agora desejando ardentemente o fiasco da copa, a derrota da seleção brasileira e a vergonha do Brasil frente ao mundo por não ter conseguido realizar uma copa?

Que fenômeno, pois, encheu alma do brasileiro de tanto ódio pela seleção “canarinho”?

Intrigado, apelei para a História. Relembrei-me das últimas copas em que as elites dominavam o País. Delimitei a retrospectiva no lapso de 1970 para cá, para economizar na amostragem.

Na copa de 70, por exemplo, enquanto o regime militar torturava e assassinava impunemente milhares de brasileiros nas ruas e a seleção estava sob um total controle dos generais, o povo delirantemente exultava com os gritos de “Brasil!!!! Brasil!!!l”. Cantava “louco e alucinado” pelas ruas: “pra frente Brasil, salve a seleção… Alhures, os poucos discordantes – os coitados – gemiam pendurados no pau-de-arara ou eram metralhados como traidores. E, naquela época, a grande massa nem sonhava em deixar de ser “besta”!

Às vésperas da copa de 90, em novembro de 1989, num jogo Brasil x Iugoslávia, eu e uns amigos fomos ao estádio do Almeidão, para panfletar contra os riscos da candidatura de Fernando Collor. Ameaçados e hostilizados pela torcida, fomos expulsos do Estádio como traidores do País. Onde já se viu atrapalhar a paixão nacional, misturando política com futebol?

Em 1990, enquanto assistíamos ao jogo Brasil x Argentina, quase apanhamos em um bar porque nos alegramos com o gol que excluiu o Brasil da Copa. De nada adiantou a gente explicar que, se o Brasil fosse campeão, o Collor iria acelerar a colocação de milhares de servidores em disponibilidade. Era o pipocar do cruel neoliberalismo no Brasil!

Daí, saltando a de 94, veio a copa de 98, no final do primeiro mandato de FHC. Economicamente, o País tinha quebrado por três vezes seguidas; o desemprego em alta; e as taxas de juros Selic na estratosfera. O Brasil, sem nenhuma credibilidade, estava de joelhos perante o mundo e sob as ordens do FMI. Uma denúncia de corrupção atrás da outra. Gravações comprovando a compra de 200 deputados para permitir a reeleição de FHC. Patrimônio público vendido a preço de banana. Propinas distribuídas ao sabor de caviar. Apesar de tudo, o povo não abandonou sua paixão, e torceu como nunca pela seleção! Ai daquele que não chorou com o jogo Brasil X França na final! Pois até então o povo continuava “besta”!

Agora, estamos em 2014. Apesar das crises mundiais, o Brasil disputa a vaga da sexta maior economia do planeta. Quase pleno emprego! 37 milhões de brasileiros emergentes! Nunca o País investiu tanto em programas sociais! “O Bolsa Família” tido como uma referência mundial, copiado até pelos EUA! “ProUni”, “ReUni, “Fies” e “Pronatec” – a revolução na educação! O “Mais Médico”, levando a saúde para os pobres nas regiões longínquas! A “Minha Casa Minha Vida” acolhendo pobres e ricos!

Não é tudo, mas nem se compara com as décadas anteriores!

No entanto, é justamente neste contexto, um momento ímpar na História do Brasil, que, de repente, o povo “deixou de ser besta”. Aliás, por coincidência, é quando o trabalhador está no poder, as elites na tocaia, que, num passe de mágica, uma parcela do povo descobriu que não está nem aí para o futebol! E que quer por quer que não tenha copa! E que a seleção perca! E o Brasil venha a falhar na realização da copa! E que seja uma vergonha para um mundo…

Aí penso no quanto eu sou “besta”, porque somente agora, depois de que o social se tornou uma obsessão do governo; a economia está estável; o pobre ingressou na Universidade; e o negro está sendo resgatado; é que acho que a seleção deveria ganhar a copa; brilhar também no futebol; e mostrar que a gente tem competência para realizar uma copa!

Mas, o que fazer? Estou sempre do lado errado!

Isto é, estou sempre do lado oposto ao das elites; e das opiniões da Globo, da Veja, da Folha, do Estadão e da Época!

Regredi de traidor para o “abestalhado” que, ao contrário dos atuais sabidos, deseja que o Brasil faça uma excelente copa e que a sua seleção lhe conceda o título de campeão!

Por outro lado, pergunto-me o faziam os atuais ativistas quando o Brasil vivia o pesadelo na copa de 98, conforme dito pelo próprio FHC no vídeo abaixo?

http://www.youtube.com/watch?v=9YB4pRo-mw0

Responder

    Heitor

    27 de janeiro de 2014 às 08h55

    Eu torço pelo sucesso do empreendimento Copa apenas como espelho do sucesso do PT, mas pela selecinha não torço há muitos e ainda torço contra. Até porque toda a selecinha, comissão técnica e CBF, querem que o PT se exploda. Vai ARGENTINAAA!!! rsrs E só pra lembrar, resultados de Copa do mundo não influenciaram a eleição de Lula e Dilma.

    Dinis

    27 de janeiro de 2014 às 11h46

    este senhor que voce menciona, de besta não tem nada, como o psol, a rede, o pstu junto com o psdb, dem e pps somado ao pig que são todos da mesma laia, vislumbra desgastar a presidenta Dilma com o fracasso da Copa e quem sabe conseguir levar a eleição para o 2 turno! É o desespero gente!

    Joao

    27 de janeiro de 2014 às 14h06

    Lindivadlo,o Parreira deu entrevista na CBN e falou que a copa não é só estádios,a economia do país esta passando por dificuldades,há um grande desemprego e nada foi feito para beneficiar o povo.Ele esta louco ou estamos nós?Parece-me que nem de futebol ele entende direito.É a palavra errada, no lugar certo.

Marat

26 de janeiro de 2014 às 22h43

Pena que os bréqui bródi só pensem na Copa do Mundo e se “esquecem” dos problemas de SP. Ah, mas eles não tomam metrô nem ônibus… São filhinhos de papai e ganham carros zero!

Responder

    Marat

    26 de janeiro de 2014 às 23h31

    Postei aqui por engano, mas acho válida a discussão deste tema.

Marat

26 de janeiro de 2014 às 22h41

Os tucanos têm um poder de fogo enorme em SP. Parece varinha mágica. Da noite para o dia, aliado vira super-aliado, desafetos viram aliados, e o pessoal da justiça guarda (por engano) documentos importantes em gavetas erradas. Coisas que acontecem por aqui… É necessário algum aprendizado com o Minas Sem Censura, pois aqui, o pessoal da impren$$$a nunca ouviu falar em jornalismo investigativo (será que é o poder da varinha mágica?)

Responder

    Apavorado com a cara-de-pau humana.

    27 de janeiro de 2014 às 09h56

    Não existe corrupção sem corrupção da sociedade. A Sociedade influente paulista é totalmente corrupta. Ela não tem por corruptas suas atitudes corruptas.

    Regina Braga

    27 de janeiro de 2014 às 11h47

    Vou procurar um lampião para encontrar os dez justos…

    Marat

    27 de janeiro de 2014 às 20h57

    Concordo com você, apavorado, mas acredito que corrupção etm de ser combatida. O caminho correto seria a Justiça, porém, nossa justiça burguesa em SP e no Brasil tem pesos e medidas de acordo com os casos… Como sair deste círculo vicioso?

Heitor

26 de janeiro de 2014 às 21h39

Aos amigos (e aos inimigos), quero deixar a dica do livro “Populismo Penal Midiático” do professor Luiz Flávio Gomes. Cabe bem em muitos debates aqui do blog. Não encontrei online, ainda; se encontrar eu volto a postar.

Responder

oziel f. albuquerque

26 de janeiro de 2014 às 13h15

Estes ladrães do psdb tem o apoio do pig,stf e ministerio publico eles roubas o dinheiro do povo, porque sabe que não vai acontece nada com mafia do governo paulista.

Responder

Antonio

26 de janeiro de 2014 às 01h46

E infelizmente esta turma vai voltar pois a Dilma não soube administrar o país neste dois últimos anos e está trazendo a inflação de volta.
Vai ser ruim assim lá na Bulgária, pegou o país do Lula com inflação em 4,5%, crescendo a 4% e hoje estamos com a inflação na casa dos 6% e PIB de 2%, fora o superávit que foi de 3,1% a 1%.
Jamais poderia achar que alguém pudesse fazer um estrago desses em tão pouco tempo e agora teremos que conviver novamente com esta turma da roubalheira escondida pelo PIG e pelo Judiciário.

Responder

Francisco de Assis

25 de janeiro de 2014 às 16h16

CORRUPÇÃO DO PSDB – O QUE DEVE SER MOSTRADO

Responder

José X.

25 de janeiro de 2014 às 10h31

CPI não dá em nada, especialmente em SP, onde a tucanalha manda e desmanda (assim como em MG e PR). Lembrem-se da CPI do Cachoeira, que nem mesmo conseguiu fazer o “caneta” depor. A ação teria que vir mesmo do mp e do judiciário, que em SP sabemos que são comparsas nos roubos do PSDB. Enfim, mais um esquema de roubo tucano que vai ficar por isso mesmo,

Responder

    Alberto

    27 de janeiro de 2014 às 11h55

    Concordo plenamente!
    Ainda mais que o PT, nacional, está cheio de frouxos que morrem de medo do PIG e do PSDB.

Jose Saguy Tenorio

25 de janeiro de 2014 às 10h09

Pessoal, na verdade o Geraldo Alckmin só foi eleito e permanece no cargo graças a essa imprensa que vendeu e vende a ideia de que ele é um político sério e competente, quer dizer a imprensa enganou e continua enganando o cidadão paulista e paulistano. Vai você tentar dizer isso a certas pessoas, dizem logo que é porque somos Petistas, somos do contra, enfim. Mas vai chegar a hora que eles vão cair na real e perceber que São Paulo a cada dia fica distante da realidade. O PSDB já perdeu o governo federal, perdeu o governo municipal em São Paulo e tá pedindo para perder o governo estadual também em São Paulo, pois no Rio Grande do Sul já perdeu e corre sérios riscos de perderem também em Minas Gerais. Sem contar a sofrível gestão em Alagoas e no Paraná.

O PSDB está no governos do estado tem mais de vinte anos, no erntanto até hoje não temos uma linha de trem ou de metrô que ligue o centro da cidade ao aeroporto de Cumbica, pra você chegar a ao aeroprto tem passar, na maioria das vezes, pela marginal Tietê, aí já viu o inferno que é, né? Os rios Tamaduateí, Pinheiro e Tietê que poderiam servir até como meios de transportes, até hoje estão poluídos depois de gastarem bilhões, e sem grandes perspectivas de melhoras, e os paulistanos aceitam tudo isso numa boa. Sem contar com as péssimas condições de segurança.

Segurança você só ver quando é para defender os mais ricos, como no caso de Pinheirinhos.

Na cracolândia já chegam dando porrada e atirando em doentes e viciados dependentes, a polícia sem preparo e sem visão humanitária, acha que dar porrada resolve questões de saúde e social. A polícia sendo usada cegamente como instrumento político.

Em São Paulo temos, arrastão em restaurantes, Roler em Shoppings e Bala de Borracha na cracolândia.

Mas pra que mudar? a maioria dos paulistanos acha que assim tá bom.

Responder

Cleiton do Prado Pereira

25 de janeiro de 2014 às 09h47

O Jurandir eu conheço bem, foi secretário do mais badalado prefeito de Campinas, o “Grama” como era conhecido. Este enterrou um monte de postes numa avenida chamada Amoreiras, para instalação de ônibus elétricos, numa extensão de mais ou menos 6 Km. Instalação que até hoje, não foi feita. Os outros não sei quem são, mas, ouço falar de propinas para tucanos desde a era Montoro.

Responder

    robson

    08 de abril de 2014 às 21h31

    Cleiton, vc recebe do PT para postar na internet?

Hélio Pereira

25 de janeiro de 2014 às 09h22

Em 1997 o então Deputado Robson Marinho do PSDB,frequentava a sede da empresa GEC ALSTHOM-PROMENTEC Serviços Mecânicos,que ficava na Rua Maestro Gabriel Migliori,353/383 no Bairro do Limão,onde sempre comparecia em carros oficiais da AL de SP,pra se reunir com a Direção da ALSTHOM.(Naquele Tempo ALSTOM era com H)
Seria interessante este hoje Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de SP,esclarecer na CPI o que ia fazer nesta empresa.

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Ozzy Gasosa

25 de janeiro de 2014 às 01h51

Seria ótimo que isso acontecesse, mas o Pinóquio Alckmin irá dar o abafa no caso e os tucanos irão aprovar, de uma só vez, umas 25 CPI’s que não chegam a nada e não levam a lugar algum.

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Guanabara

25 de janeiro de 2014 às 00h08

Não terá repercussão no PIG, sofrerá operação abafa e o PSDB se perpetuará no poder em SP porquê, afinal de contas, corrupção é só no PT.

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FrancoAtirador

24 de janeiro de 2014 às 22h25

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Até o Frias já abriu as pernas,

num Editorial ‘à francesa’…
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24/01/2014 03h00
Folha de S.Paulo

Editorial: Corrupção à francesa

Ainda que sejam investigações em curso e nada esteja provado de forma definitiva, torna-se mais robusta, a cada novo documento que se acumula a respeito do tema, a hipótese de que o governo de São Paulo tenha mantido uma relação promíscua com a Alstom.

São, afinal, dois casos conhecidos envolvendo essa companhia francesa e o PSDB, que está no comando do Estado desde 1995.

O episódio mais recente, revelado por esta Folha, tem sua origem em negócio da Alstom com a Empresa Paulista de Transmissão de Energia (EPTE) no primeiro mandato do governador Mário Covas, em 1998.

Não confundir com o outro escândalo associado à Alstom, uma das investigadas por suposta formação de cartel para fraudar licitações de trens do Metrô e da CPTM, de 1998 a 2008, nos governos tucanos de Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.
Este caso, apoiado em denúncia da alemã Siemens, já deu origem a um processo na Justiça.

No que respeita ao setor elétrico, a Alstom pretendia que um aditivo a contrato anterior, de 1983, lhe garantisse a responsabilidade de fornecer equipamentos à EPTE, com o que faturaria R$ 52 milhões (em valores da época).

A fim de evitar uma licitação, a companhia francesa teria distribuído propinas de 15%, metade por intermédio de um lobista brasileiro e outra metade com depósitos em contas secretas na Suíça.

O alegado suborno passou a ser investigado no Brasil só em 2008. Já estava, porém, sob a lupa de autoridades na Suíça e na França.

Foi deste segundo país, aliás, que veio a mais forte evidência de corrupção: um depoimento sigiloso à Justiça francesa do ex-diretor comercial da multinacional, o engenheiro André Botto.
Pela primeira vez, um executivo da Alstom reconheceu que houve suborno (o que a empresa segue negando).

Como no episódio dos trens, o governador Geraldo Alckmin fez a peroração de praxe sobre o compromisso do Estado com a apuração completa dos indícios de irregularidades.
As ações do governo tucano, contudo, fazem temer que seu real interesse, diante da averiguação, seja arrastar os pés.

Primeiro, a Procuradoria Geral do Estado deixou de relacionar todas as empresas suspeitas de participar do cartel numa petição à Justiça, arrolando só a Siemens, omissão depois corrigida por exigência da juíza. Em seguida, deixou de cumprir determinação judicial para que informasse o prejuízo causado, alegando falta de elementos para tanto.

A Procuradoria pode ter seus argumentos jurídicos para assim proceder, mas a população do Estado ainda aguarda uma demonstração inequívoca de que ela e o governador se guiam mais pelo interesse público do que por razões partidárias.

(http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/01/1402065-corrupcao-a-francesa.shtml)
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Quando até pra Folha fica difícil defender o governo tucano

é porque o PSDB está atolado até o pescoço em corrupção.
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Responder

    Hélio Pereira

    25 de janeiro de 2014 às 09h41

    A Folha de SP cita que o “PSDB esta no Governo desde 1995 com a eleição de Mário Covas”,mas na Realidade SP esta nas mãos do mesmo Grupo Politico desde 1983,quando Franco Montoro assumiu o Governo pelo PMDB.
    O PSDB é apenas parte do PMDB que mudou de nome,mas o Grupo Politico é o mesmo.

    Mauro Bento

    26 de janeiro de 2014 às 23h08

    Muito Bem lembrado era o grupo paulista do Franco Montoro,se elegeram no estelionato eleitoral do Plano Cruzado do PMDB,começaram a falar de “ética na política” e fundaram o PSDB.


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