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Por reportagens investigativas, Bolsonaro ameaça Folha de corte da propaganda oficial
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Por reportagens investigativas, Bolsonaro ameaça Folha de corte da propaganda oficial


29/10/2018 - 23h01

A verdade liberta, mas Bolsonaro, no JN, voltou ao engodo do tal “kit gay”. A Justiça Eleitoral já tinha proibido seus ataques a Haddad com essa farsa, por caluniosa, mas ele insiste. E promete, absurdamente, estrangular a FSP, por lhe criticar. Começa mal. Não é surpresa. Chico Alencar, do Psol, no twitter

Começou mal. A defesa da liberdade ficou no discurso de ontem. Os ataques feitos hoje pelo futuro presidente à Folha de São Paulo representam um acinte a toda a Imprensa e a ameaça de cooptar veículos de comunicação pela oferta de dinheiro público é uma ofensa à moralidade e ao jornalismo nacional. É pretender substituir a liberdade de Imprensa pelo clientelismo de Imprensa. Geraldo Alckmin, no twitter

Da Redação

Em janeiro deste ano a Folha de S. Paulo denunciou que Jair Bolsonaro empregava como assessora a esposa de seu caseiro, que trabalhava em Angra dos Reis como vendedora de açaí.

O presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ) usa verba da Câmara dos Deputados para empregar uma vizinha dele em um distrito a 50 km do centro de Angra Dos Reis (RJ).

A servidora trabalha em um comércio de açaí na mesma rua onde fica a casa de veraneio do deputado, na pequena Vila Histórica de Mambucaba.

Segundo moradores da região, Wal, como é conhecida, também presta serviços particulares na casa de Bolsonaro, mas tem como principal atividade um comércio, chamado “Wal Açaí”. Walderice Santos da Conceição, 49, figura desde 2003 como um dos 14 funcionários do gabinete parlamentar de Bolsonaro, em Brasília, recebendo atualmente salário bruto de R$ 1.351,46.

Segundo moradores da região, o marido dela, Edenilson, presta serviços de caseiro para Bolsonaro.

Aliados de Bolsonaro alegaram que é comum a contratação de assessores que trabalham na “base eleitoral” dos deputados.

À época da denúncia, Bolsonaro explicou o caráter da “assessoria” prestada por Wal:  “Ela reporta a mim ou ao meu chefe de gabinete qualquer problema na região. Não tem uma vida constante nisso. É o tempo todo na rua? Não. Ela lê jornais, acompanha o que acontece”.

O assunto voltou à tona durante um debate presidencial, já em plena campanha, relembrado pelo candidato do Psol, Guilherme Boulos. Bolsonaro respondeu que na primeira visita da Folha a Mambucaba, em janeiro de 2018, Wal estava de férias de seu cargo público.

Mas repórteres do jornal voltaram a visitar Mambucaba em 13 de agosto — e encontraram Wal na mesma situação: longe de Brasília, vendendo açaí.

Wal pediu demissão, alegando que não queria prejudicar Bolsonaro.

Depois de exonerá-la, o candidato alegou: “Tem dois cachorros lá e, pra não morrer, de vez em quando ela dá água pros cachorros lá, só isso. O crime dela é esse aí, é dar água pro cachorro”.

Hoje, em entrevista ao Jornal Nacional, ficou claro que Bolsonaro pretende se vingar do diário conservador paulistano.

Afirmou que pretende cortar as verbas da propaganda oficial da Folha, que não pertencem a ele, Bolsonaro, mas são públicas:

Jair Bolsonaro: Totalmente favorável a liberdade de imprensa. Temos a questão da propaganda oficial do governo que é uma outra coisa, mas aproveito o momento para que nós realmente venhamos fazer justiça aqui no Brasil. Tem uma senhora de nome Walderice, minha funcionária, que trabalhava na Vila Vila Histórica de Mambucaba e tinha uma lojinha de açaí. O jornal Folha de S. Paulo foi lá, nesse dia, 10 de janeiro, e fez uma matéria e a rotulou de forma injusta como ‘fantasma’. É uma senhora, mulher, negra e pobre. Só que nesse dia 10 de janeiro, segundo boletim ‘A iniciativa da Câmara’, de 19 de dezembro, ela estava de férias. Então, ações como essa por parte de uma imprensa, que mesmo te mostrando a injustiça que cometeu com uma senhora, ao não voltar atrás, logicamente que eu não posso considerar essa imprensa digna. Não quero que ela acabe, mas no que depender de mim, na propaganda oficial do governo, imprensa que se comportar dessa maneira, mentindo descaradamente, não terá apoio do governo federal.

William Bonner: Então o senhor não quer que esse jornal acabe? O senhor está deixando isso claro agora?

Jair Bolsonaro: Por si só esse jornal acabou. Não tem prestígio mais nenhum. Quase todas as fake news que se voltaram contra mim partiram da Folha de S. Paulo. Inclusive a última matéria, onde eu teria contratado empresas fora do Brasil, via empresários aqui para espalhar mentiras sobre o PT. Uma grande mentira, mais um fake news do jornal Folha de S. Paulo, lamentavelmente.

O jornalista Fernando Rodrigues registrou que entre 2000 e 2014 a Folha recebeu R$ 275 milhões em propaganda oficial, ou 10% do total direcionado ao meio jornal.

Ele comparou a distribuição de verbas entre os governos FHC, Lula e Dilma no período e escreveu: “A conclusão é simples: embora o discurso do PT no poder tenha sido crítico em relação à cobertura jornalística feita pelos grandes jornais impressos diários, os petistas no Palácio do Planalto continuaram a conceder proporcionalmente a esses veículos o mesmo que o governo do PSDB concedia”.

Aparentemente, Bolsonaro quer usar as verbas públicas para extorquir cobertura favorável.

O TSE e a Procuradoria Geral da República já abriram investigação sobre o uso ilegal de impulsionamento de dados pelo whatsapp durante a campanha eleitoral, uma das denúncias que ele mencionou na entrevista ao JN.

O PT, o PDT e o Psol pediram a cassação da chapa de Bolsonaro.

O PT confirmou que utilizou a ferramenta, mas apenas com a base de dados organizada entre militantes do próprio partido — o que é permitido.

Mais recentemente, a Folha denunciou que “na tarde de 18 de outubro, foram apagados os registros de envio de mensagens disparadas pela campanha de Bolsonaro —horas depois da publicação da reportagem da Folha“.

A Polícia Federal está investigando.

O novo ataque de Bolsonaro à Folha pode ter tido o objetivo de suspender a investigação feita por jornalistas do matutino.

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10 comentários

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André Lima

30 de outubro de 2018 às 17h53

Prezados , alguém nessa história está mentindo, a FSP ou Bolsonaro. Será que não tem nenhuma autoridade que faça uma pequena investigação para saber se essa Wal era funcionária fantasma ou não pois não me parece difícil fazer tal verificação. Se a Wal era uma funcionária legal , que a FSP seja responsabilizada por prejudicar a imagem de pessoas corretas. Mas se for realmente fantasma Bolsonaro deveria ser responsabilizado por empregar funcionário fantasma. O que não pode é ficar sem esclarecer esse assunto

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    Hudson

    30 de outubro de 2018 às 20h05

    Investigar o quê? O próprio Bolsonaro confessou que o “trabalho” dela era apenas “dar água” a seus cachorros.

Hudson

30 de outubro de 2018 às 17h03

O recado de Bolsonaro é claro: ele vai continuar a propagar mentiras, e vai perseguir quem buscar a verdade.

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Zé Maria

30 de outubro de 2018 às 16h13

Entrevista: Renata Mielli
Coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC)
Secretária-Geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

“Estamos diante de uma ameaça real à liberdade de expressão”

https://soundcloud.com/redebrasilatual/estamos-diante-de-uma-ameaca-real-a-liberdade-de-expressao-diz-renata-mielli

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Nelson

30 de outubro de 2018 às 15h10

Ao peitar a Folha, Bolsonaro dá o recado. Quem não paparicar o governo dele estará contra ele e será chamado a arcar com os ônus da oposição.

“Brasil, ame-o ou deixe-o”.

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Antonio

30 de outubro de 2018 às 06h38

Embala que esse Matheus também é teu, Folha de São Paulo! Vocês tiveram grande participação para empoderar esse ditadorzinho de merda, rastaquera e ignorante.

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Hudson

30 de outubro de 2018 às 00h26

Quem será o próximo Flores Carone?

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lucas

29 de outubro de 2018 às 23h42

Folha de São Paulo deve ser fechada! Após essa eleição ela mostrou que não passa de uma mídia partidaria de esquerda, igual inclusive a este site! Não é imparcial, plantou inúmeras denúncias contra Bolsonaro, mas não mostrou provas! Denúncias sem provas não passam de fakenews! Cadê o tal áudio que eles afirmavam ter?

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    Walter Rodrigues

    30 de outubro de 2018 às 11h02

    E condenação sem provas, é o quê?

    Nelson

    30 de outubro de 2018 às 15h04

    A Folha “não passa de uma mídia partidaria de esquerda”.

    O Lucas sempre vendo “chifre em cabeça de cavalo”. Só faltou dizer que a Folha é comunista. Ao que tudo indica, estamos diante de mais um perfeito discípulo do OC.

    Aliás, alguém escreveu, tempos atrás, apropriadamente, que OC é a prova de que para ser filósofo não precisa ter cérebro.


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